Capítulo 26: A Visita do Ministro
Na manhã seguinte, as lembranças da noite anterior vêm à mente de Hermione. Há muito tempo não sonhava com aqueles momentos terríveis que havia passado nas mãos de Bellatrix. Mas dessa vez não ficou presa ao pesadelo por muito tempo, pois ele estava ali, ao lado dela. Hermione lembrava-se de ter acordado de seu pesadelo com a voz de Severus, lembrava-se de sentir o toque dele sobre sua pele e de sentir-se completamente protegida.
Hermione sentou-se na cama e olhou para o local onde ele havia dormido. Severus não estava mais ali e Hermione sequer percebeu em que momento ele havia partido. Naquele instante, ela finalmente deu-se conta das suas ações na noite anterior, seu rosto ficou completamente rubro com a lembrança, ela havia pedido para Severus dormir ao seu lado. Não que se arrependesse da sua atitude, mas não era assim que queria ter ficado sua primeira noite ao lado de Severus.
Apesar de estar um pouco frustrada, não deixaria isso estragar seu humor. Pois, mesmo tendo "apenas" dormido ao lado de Snape, ele ainda estava ao seu lado e protegendo-a. E isso a deixou muito feliz.
Além disso, faltavam apenas três dias para que Severus fosse oficialmente liberado por Zabini. Ela mordeu o lábio ao lembrar-se disso. Contudo, esse não era o momento para aqueles pensamentos pouco pudicos sobre Severus.
Hermione tinha diversas coisas para fazer naquela manhã, então tratou de deixar de sonhar acordada e levantar-se da cama. Ela trocou de roupa e desceu as escadas. Precisava verificar os sinais vitais de Severus e também lembrá-lo de tomar sua poção. Além disso, achava que devia a ele um pedido de desculpas, pois acabou acordando-o no meio da madrugada.
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Assim que escutou passos vindos na direção da escada, Severus levantou seus olhos e passou a observar Hermione enquanto ela descia os degraus calmamente. Ela parecia estar recuperada do pesadelo da noite anterior, imaginou o homem, pois suas faces estavam bem coradas.
— Bom dia, Severus. — Disse ela enquanto aproximava-se. — Me desculpe por ontem, acabei atrapalhado seu sono e ainda pedi que ficasse ao meu lado.
Severus achou a expressão de Hermione interessante, seu rosto aparentava timidez, mas seu olhos tinham um brilho intenso. Essa aura dela, que conseguia mesclar a pureza com a luxúria, a deixava ainda mais bela.
— Bom dia, Hermione. Não há o que desculpar, não foi um nenhum sacrifício para mim. Na verdade, foi bem...satisfatório. — Disse a última palavra com uma pitada de malícia.
Snape percebeu que o rosto da jovem mulher havia ruborizado após ouvir suas palavras. Ele divertiu-se com aquela cena, adorava as expressões que ela fazia.
Hermione certamente estava prestes a lhe dar uma resposta à altura, devido a forma que ela lhe mirou. Mas uma batida na porta foi ouvida e interrompeu a conversa dos dois.
Severus achou estranho receberem visita tão cedo, não havia recebido nenhuma coruja avisando de um visitante. Resolveu perguntar para Hermione se ela esperava alguém.
— Hermione, está aguardando algum convidado?
— Não estou, mas pode ser Draco, ele falou que assim que pudesse voltaria para lhe ver. — Afirmou a jovem, enquanto encaminhava-se para abrir a porta.
Quando Hermione abriu a porta, não esperava encontrar a pessoa que estava do outro lado.
— Shacklebolt? — Disse a jovem surpresa. — Quer dizer, Ministro, o que o senhor faz aqui?
Kingsley também não esperava dar de cara com Hermione Granger na casa que deveria ser de Severus Snape.
— Senhorita Granger? Esta não é a casa de Severus Snape? Estou no lugar certo? — Perguntou o homem um tanto confuso.
— Sim, é casa de Snape. — Respondeu Hermione rapidamente.
— Posso vê-lo? — Perguntou o Ministro. — Ou Snape está ocupado?
— É claro que pode vê-lo. — Disse Hermione finalmente dando-se conta que ainda não havia convidado o Ministro para entrar. — Entre, por favor.
Kingsley entrou e Hermione indicou a direção a ele.
— Severus está logo ali, na sala de estar, sinta-se à vontade para ir até ele. — Falou a jovem.
Severus encontrava-se sentado em sua poltrona. O Ministro foi até o homem, que levantou-se para cumprimentá-lo, Kingsley estendeu a mão para Severus, que a recebeu e a apertou.
— Fico feliz em vê-lo bem, Snape. — Falou o Ministro. — Eu gostaria de ter vindo visitá-lo antes, logo que foi liberado do Saint Mungus, mas não queria perturbá-lo e nem atrapalhar sua recuperação. Acabei adiando essa visita, por algumas semanas, mas de hoje essa visita não poderia passar. Já me desculpo antecipadamente se estou lhe causando algum transtorno.
Severus achou estranha a chegada surpresa do Ministro à sua casa e mais estranhas ainda suas palavras. Mas, talvez, todo aquele discurso fosse apenas para falar daquele maldito prêmio que ele não desejava receber.
— Não há transtorno algum, Ministro. Mas o que o traz a minha casa? — Severus foi direto.
O Ministro foi surpreendido pela forma direta de Snape tratar de sua visita. Mas de que adiantava adiar a situação? Ele teria que falar de qualquer forma. O Ministro então pigarreou e iniciou sua fala:
— Como deve imaginar, eu estou aqui a trabalho. Venho para pedir desculpas pelo ocorrido com o Profeta Diário.
Severus não esperava ouvir aquelas palavras do Ministro, mas nada disse, apena continuou escutando o homem.
— O que ocorreu ontem foi inadmissível, tomamos as providências cabíveis ao caso. Foram recolhidos, pelo Ministério, todos os exemplares do jornal e o Profeta Diário foi notificado sobre a veiculação de matérias tendenciosas e com conteúdo falso. — Disse Kingsley.
Severus demorou alguns segundos para processar as palavras de Shacklebolt, não compreendia completamente a atitude do Ministro, então expôs suas dúvidas:
— Ministro, não entendo o porquê do Ministério ter se envolvido nessa questão, que deveria dizer respeito apenas a mim. — Snape não esperava que alguém realmente se importasse com uma matéria que denegria sua imagem, ainda mais o Ministério, que o havia perseguido por tantos anos.
— Severus Snape, você é considerado um herói entre os bruxos. E o Ministério jamais iria permitir que a imagem de alguém que fez tanto por nossa gente, fosse difamada tão descaradamente. Reitero que, o ocorrido foi inadmissível. Além disso, as leis agora são mais duras quanto a veiculação de notícias com informações falsas, visto o que ocorreu durante o período predecessor à guerra, quando muitas mentiras foram criadas para espalhar o medo e o terror. — Disse Shacklebolt.
Severus sabia que era considerado um "herói", Potter havia dito isso a ele no dia em que acordou no St. Mungus e que o próprio Ministro o havia nomeado assim. Mas não acreditava que fosse real, acreditou que era apenas para amenizar a imagem do Ministério depois da guerra.
Por um lado, não era ruim ter seus problemas resolvidos pelo Ministério. Mas por outro lado, não queria ser considerado um herói, não depois de tudo que havia passado ao lado dos Comensais.
Como Severus não falou nada, o Ministro continuou:
— E sobre a Ordem de Merlim, Snape...
Severus sequer esperou o Ministro concluir sua frase, jamais iria aceitar aquele prêmio.
— Eu não quero esse prêmio. Não quero recebê-lo. — Snape foi firme em suas palavras.
— Tem algo relacionado com os boatos do Profeta Diário? Pois se for esse o caso, quero reafirmar que o Profeta não irá publicar mais matérias difamatórias sobre você, o editor-chefe garantiu-me isso. Além disso, o Profeta Diário também irá retratar-se com você, publicamente. — Falou o Ministro.
— Não é pelo acontecido com o jornal, Ministro. Eu não aceitarei por uma questão pessoal. — Disse Snape seriamente.
— Tem completa certeza disso, Snape? Eu gostaria muito de entregar esse prêmio a você. — Falou o Ministro.
— Sim, tenho certeza. — Respondeu Severus de forma direta.
— Eu entendo, — disse Shacklebolt — e só para deixar claro, estamos atrás de quem vazou as informações sobre a Ordem de Merlim ser ofertada a você, esse tipo de informação não deveria ter deixado as paredes do Ministério. E assim que descobrirmos o culpado, ele será punido adequadamente.
— Sou grato pelos esforços para limpar a minha imagem, Ministro. — Snape foi sincero em suas palavras.
— É o mínimo que o Ministério pode fazer para reparar esse erro do Profeta Diário e retribuir, pelo menos um pouco, tudo o que fez por nossa comunidade durante a guerra. — Disse Shacklebolt.
Snape não estava acostumado a ser tratado tão amigavelmente por alguém do Ministério, isso ainda era muito novo para ele, nem sequer parecia verdade. Mas realmente o estavam ajudando a acabar com os rumores falsos acerca de sua pessoa e isso tornaria sua vida mais fácil. Chegou a acreditar que teria que aguentar aqueles boatos por alguns anos, era bom saber que não seria necessário.
— Eu acredito que tenha falado tudo que era necessário, Snape. Desculpe-me por essa visita ser tão curta, mas preciso ir, tenho muito trabalho esperando-me. E novamente, peço desculpas pelo transtorno causado. — Shacklebolt estendeu a mão para Snape e despediu-se. — Até breve. E não hesite em procurar-me se precisar de algo.
— Até breve, Ministro. — Respondeu o homem.
Kingsley refez seus passos de volta até a porta da casa, onde Hermione ainda permanecia parada.
— Senhorita Granger, como está? Ainda está trabalhando no Saint Mungus? — perguntou o Ministro quando aproximou-se da jovem.
— Estou bem, Ministro. — Respondeu Hermione. — No momento, estou de licença, mas ainda sou funcionária do hospital.
— E não tem intenção de trocar de emprego? — Disse o Ministro de forma descontraída.
Hermione deu um sorriso e respondeu:
— Talvez.
O Ministro surpreendeu-se com a resposta de Hermione. Era uma grata surpresa a resposta dela.
— Senhorita Granger, se realmente pensa em sair do hospital, saiba que a proposta que lhe fiz há alguns anos ainda está valendo. Certamente seu trabalho faria muita diferença no Ministério. — Disse Kingsley. — Pense sobre isso, senhorita e quando tiver uma resposta, me procure.
— Pensarei seriamente em sua proposta, Ministro. Realmente tenho a intenção de tentar uma carreira no Ministério. — Disse Hermione.
— É ótimo ouvir isso, senhorita Granger. Aguardarei ansioso sua resposta, espero que não tarde a chegar. — Kingsley estendeu a mão para Hermione. — Até breve, senhorita.
— Até breve, Ministro. — Respondeu a jovem de modo cordial.
Ela abriu a porta para o homem, que encaminhou-se rapidamente para a zona de aparatação e partiu sem olhar para trás. A jovem fechou a porta e suspirou pesadamente, estava feliz que a proposta do Ministro ainda estivesse valendo, pois ela estava cogitando seriamente afastar-se do hospital. Depois do ocorrido com Alden, nada mais seria o mesmo e ela certamente não conseguiria trabalhar ao lado de daquele homem novamente.
Mas Hermione não queria pensar nisso agora. Então achou melhor mudar de assunto.
— Você precisa tomar sua poção, Severus. Depois também preciso verificar seus sinais vitais. Mas primeiro, vamos tomar café da manhã. Vou preparar algo para nós. — Disse enquanto encaminhava-se à cozinha.
Mas, antes que alcançasse o aposento, a voz de Severus chamou sua atenção.
— Hermione, — chamou o homem — realmente pensa em deixar seu cargo no hospital? É por causa de Alden?
— Sim, para as duas perguntas. — Respondeu a jovem mulher com uma expressão séria no rosto.
— Está certa de que vai renunciar à sua profissão por causa de Alden? — Questionou Snape. — Não me parece justo.
Hermione deu um pequeno sorriso e disse:
— Sei que não parece justo, mas a decisão mais correta que posso tomar nesse momento é afastar-me. Pois, eu certamente não conseguirei trabalhar com Alden ao meu lado novamente, não depois do que ocorreu. Então passei a pensar em uma carreira no Ministério. Eu iria falar com Harry ou Rony sobre isso, mas já que o próprio Ministro ofereceu-me um trabalho, não será necessário.
— É o que realmente quer, Hermione? — Perguntou o homem.
— Sim, Severus. — Respondeu a jovem.
— Então, se precisar de mim, estarei ao seu lado para lhe apoiar. — Disse Snape.
Hermione deu um grande sorriso e pensou em como era sortuda por ter aquele homem maravilhoso ao seu lado.
