Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 23 - A grande exposição
Segunda-feira tinha chegado e na construtora Potter tudo estava o mais normal possível, o trabalho se desenrolava muito bem e, em seu escritório, o grande arquiteto Remus Lupin estava revisando alguns projetos que recentemente tinham lhe entregado. Eram ideias e propostas para a construção do novo edifício que estavam a ponto de demolir, estava concentrado nisso quando a porta se abriu e entrou por ela o dono.
— Olá, Remus — lhe cumprimentou o moreno.
— Olá, James — devolveu a saudação — Veio por algo em especial?
— Não, só queria saber. Como foi ontem depois que saíram de casa? — perguntou, sentando-se na frente da sua mesa.
— Bom, não conversamos até depois do jantar, mas conseguimos esclarecer as coisas e está tudo bem.
— Ah, então você e ela tiveram um pouco de ação reconci... — parou pelo olhar severo do castanho.
— Deixe esses comentários com o Sirius, por favor. Já é muito ter que aguentar um para que você se una.
— Com prazer deixaria, mas ele ainda não chegou, é quase hora do almoço e ainda nada.
— Espero que não tenha cometido alguma estupidez.
O moreno fez uma careta, concordando com o amigo, depois disso observou os papéis que tinha na mesa, sem problemas descobriu do que se tratavam e pegou alguns.
— São os planos para aquele edifício? — perguntou retoricamente, vendo alguns deles.
— Sim, estou em dúvida entre dois que cobririam as expectativas do projeto, e da nossa empresa.
— Não se preocupe tanto com isso — não deu importância —, mas sabe, falta ago. Não sei, podia ser um letreiro de cinco metros com a palavra "vadia" em letras fluorescentes — o castanho bufou divertido enquanto negava com a cabeça.
— Vocês precisam lidar com isso, sério — garantiu o homem — Entendo que não gostem dela, mas tanto ódio vai fazê-los mal.
— Talvez sim, talvez não, mas enfim, não vim discutir sobre isso, é melhor eu falar sobre onde vamos...
Em um único movimento, a porta voltou a se abrir, e por ela entrou um homem alto de cabelos pretos com uns óculos escuros e as mesmas roupas do dia anterior.
— Almofadinhas, que bom te ver — James o cumprimentou com ironia — Que bom que é dono de uma parte da construtora, ou teria que te demitir.
— Sim, eu sei o quão sortudo sou, Pontas — ele respondeu — Fui ao seu escritório, mas estava vazio, então pensei que estaria aqui.
— Sim, vim com Remus para ver se íamos comer...
— Genial! Onde vamos? — perguntou o moreno.
— Mas acabou de chegar, animal — acusou James.
— Bom, vamos almoçar — disse Remus, pondo-se de pé — E então vamos conversar sobre qual estupidez cometeu dessa vez.
— Quanta fé tem em mim.
— Só o que merece, irmão.
Chegaram a um restaurante próximo que costumavam frequentar, mas para variar a situação Sirius era o mais calado dos três, sendo que quase sempre era o agitado. Pediram a comida e na passividade do lugar, começaram a conversar sobre várias coisas, até que...
— Vai nos dizer o que aconteceu, Sirius? — perguntou o moreno.
— Quê? Por que acha que aconteceu alguma coisa? — devolveu a pergunta, tentando evadir a conversa.
— Porque está na defensiva — respondeu Remus — Também chegou muito tarde, não tirou os óculos escuros para nada e está com a mesma roupa de ontem.
— Mas isso não...
— Diga de uma vez — insistiu James.
— Está bem — disse finalmente — Bom, ontem depois de nos despedirmos, Hollie e eu estivemos conversando sobre várias formas de matar aquela que não deve ser nomeada.
— Isso já esperávamos. Que mais? — Remus o interrompeu.
— Bom, fomos ao apartamento dela para ver se podíamos fazer algo por vias legais, aliás segundo os papéis...
— Sirius, ao ponto — disseram ao mesmo tempo.
— Está bem, estávamos lendo o dossiê, mas não achamos nada conclusivo e acabamos tomando algumas taças de vinho e...
— Embebedaram-se — chutou Remus.
— Sirius, por favor, me diga que a história do natal não se repetiu.
— Não, bom, eu não acho, quando acordamos estávamos vestidos.
— Sirius! — eles reclamaram.
— Bom, foi mais ou menos assim...
A luz do dia começava a entrar pelas janelas, e em um apartamento um casal estava profundamente adormecido no sofá da sala. Em uma mesa perto, estava um par de taças vazias e duas garrafas de vinho das quais só uma conservava um pouco de seu conteúdo.
A mulher estava entre o encosto do sofá e o homem a segurava com firmeza pela cintura, mas não parecia importar-se com isso, em sua expressão demonstrava que gostava enquanto punha seus braços ao redor do corpo do homem por baixo de sua camisa.
A luz do sol chegou diretamente ao rosto de Sirius, que numa tentativa de se cobrir, moveu-se da delicada posição, fazendo com que caísse de costas no chão, levando Hollie consigo. Depois do susto e da dor inicial, seguiu alguns momentos de desorientação até que lembraram e perceberam a posição em que estavam. O moreno agora estava de barriga para baixo no chão e a castanha começava a se levantar, tirando as mãos de debaixo de sua camisa.
Um segundo depois, seus olhares se encontraram. As palavras abandonaram seus lábios, um leve tom de vermelho surgiu no rosto da mulher que segundos depois levantou-se do chão e foi correndo para seu quarto, fechou a porta com força e nada mais.
— Quando me levantei, bati na porta, mas ela só disse "vai embora". Bom, tecnicamente ela disse "vaza", mas dá no mesmo. E, bom, como estava de ressaca, fui tomar alguma coisa e caminhar por aí, até que cheguei na construtora.
— Sirius, quando você vai entender que você e álcool não se misturam? Principalmente quando mistura álcool com Hollie?
— Não me repreenda, Pontas, minha cabeça ainda dói.
— Pelo menos dessa vez não foram tão longe — comentou Remus — O ruim é que continuam tão teimosos que não podem falar diretamente.
— Tentei uma vez, mas não deu certo, lembra?
— Todos lembramos, Sirius — garantiu James — Mas a menos que falem cara a cara, continuarão com suas idiotices.
— Sim, certo — aceitou sem ânimo.
Depois disso, continuaram conversando mais um pouco até que foi hora de voltarem ao trabalho. Longe dali, uma castanha continuava pensando no que tinha acontecido, ainda tinha algumas lembranças da noite anterior e não deixava de se repreender por isso. Não tinha acontecido nada, mas quando apresentou-se a oportunidade de beber, ela não recusou, e era isso o que odiava, que não tinha aprendido a lição da última vez. A verdade era que não importava o quanto o atacasse e dissesse que o odiava, ainda sentia alguma coisa por ele.
Alguns dias se passaram e tudo estava o mais normal possível, mas naquela manhã teria uma pequena discussão na construtora Potter. Nicole Green tinha chegado cedo e sem perder tempo, foi até o escritório de Remus. Ignorando completamente a secretária, entrou onde o castanho estava trabalhando concentrado em alguns papéis.
— Bom dia, Remus — cumprimentou quando estava dentro.
— Bom... — começou a cumprimentar, afastando a vista dos papéis, então viu de quem se tratava — ...dia — terminou, deixando suas coisas sobre a mesa e levantando-se — Não me avisaram que viria.
— Vim de imprevisto, ou não teria me recebido — justificou-se.
— Por que será? — retrucou, debochado.
— Bom, vim ver como vai o projeto do meu edifício — ignorou o que ele disse.
— Certo, te recomendo procurar Michael no segundo andar. Ele foi quem desenhou a planta e estará a cargo da construção.
— Quê? Mas eu pensei que você...
— Eu sou apenas consultor nesse projeto, então deverá conversar com Michael.
— Ah bom — parecia um pouco decepcionada —, mas ainda assim pode me dizer como vai a situação, não?
— Na verdade, não. Como eu disse, o trabalho cai diretamente sobre meu companheiro, eu não poderia te pôr a par do projeto — garantiu Remus, mesmo sabendo que o que menos importava a ela era a construção.
— Bom, mas de qualquer forma, poderíamos conversar eu e você... — ela disse com um tom sensual, aproximando-se dele, sem perceber que atrás dela a porta se abria — Talvez poderíamos tomar alguma coisa ou... — não pôde sentir porque sentiu como um líquido frio caía em suas costas.
— Ah! Eu sinto muito. Eu te molhei? — disse uma voz bastante hipócrita às suas costas. A mulher deu a volta e deu de frente com uma mulher ruiva que sorria, mas que na verdade queria assassiná-la apenas com o olhar.
— Lily Evans.
— Potter — ela corrigiu — Eu me casei com James Potter. Você sabe, meu namorado de escola, com ele passei os anos amando.
— Parabéns — disse Nicole ácida.
— Sim, muitas mulheres não precisam piranhar por aí, não é? — aumentou mais seu sorriso.
— É claro — respondeu a mulher cada vez mais irritada —, então trabalha aqui.
— Não, só vim trazer algo para James comer porque não pôde tomar café da manhã, e de quebra quis trazer algo para Remus, mas se querer derrubei o chá gelado que eu trazia.
— Caiu? Mesmo quando não teve nada para tropeçar no chão — observou.
— Como eu sou desastrada, não é? — continuou fingindo doçura.
— Nicole, melhor ir, tenho que falar com Lily...
— Mas Rem...
— Já o escutou — interrompeu a ruiva — Adeus.
Sem outra solução, e olhando com rancor para a mulher, saiu do escritório do arquiteto com mais uma derrota na conta.
— Trazer algo a James? — começou Remus — Como se o deixasse sair de casa — ela sorriu travessamente.
— Vamos, Remus, sabemos que eu não podia ir sem fazer uma maldade, e estive esperando muito por isso.
Negando com a cabeça, o castanho voltou ao seu trabalho enquanto a ruiva o deixava em paz.
Depois desse encontro, seguiram outros dois com resultados falhos para a mulher. A situação era muito mais urgente, na última vez que tentou estava com roupas provocativas e até mesmo vulgares. Sinal de que estava esgotando as suas armas.
Tinha se passado pouco mais de uma semana desde o café da manhã na casa dos Potters, e se aproximava a noite de sexta-feira. Seria uma noite importante, pois aconteceria uma peculiar exposição de arte. Durante todos aqueles dias, esteve dando uma grande publicidade, e os jovens que exporiam estavam animados e apressados.
Naquela manhã, Tonks estava no cômodo que lhe correspondia, acomodando umas pinturas que tinha levado de última hora. Com elas, terminaria sua exposição pessoal, estava concentrada nisso, esperando que Remus, que a tinha levado, voltasse com as obras restantes, foi então quando alguém chamou sua atenção.
— Então vão mesmo fazer essa exposição? — a jovem reconheceu a voz de primeira, virou-se e deu de cara com Nicole, teve que fazer um grande esforço para não pular em cima dela ou agredí-la.
— Sim — respondeu secamente — E você o que faz aqui?
— Te fiz algo? Por que fala assim comigo?
— Supõe-se que o lugar está fechado...
— Sim, mas deixei uma importante obra para que avaliassem e preciso saber o que aconteceu.
— Precisa de dinheiro — disse sem enrolações.
— É claro que não, eu tenho...
— Sério? Porque de longe está decadente — a interrompeu.
— Eu vou me retirar, não sou obrigada a suportar uma pirralha — e dito isso, se foi.
Tonks ficou parada, debatendo-se entre ficar onde estava ou segui-la para lhe dar uma boa coça para liberar toda a sua raiva. Por sorte, Remus chegou naquele momento com o resto das pinturas que faltavam.
— Dora, aqui está o resto — lhe disse a jovem que mantinha o olhar fixo e os punhos cerrados — Tudo bem?
— Não — respondeu imediatamente — Não estou bem, essa maldita vadia...
— Que vadia?
— Sua ex-mulher. Estava aqui agora há pouco — rosnou — Eu vou atrás dela...
— Não, Dora.
— Não me impeça, Remus.
— Não! — disse firme — Sei muito bem o que vai acontecer, é surpreendente e admirável que não tenha a agredido ainda.
— Mas ainda tenho tempo.
— Mas mesmo assim não deveria fazer nada. Escuta, essa será uma grande noite para você, não podemos arruinar tudo, deixando que se agarrem a tapas — ele argumentou, pegando nas suas mãos — Olha, vamos ajeitar os quadros que faltam, vamos para casa, relaxamos, e vamos nos preparar para a sua grande noite, certo?
— Certo — aceitou, ainda mal humorada —, mas se eu encontrá-la, vou lhe partir a cara, e se me impedir, será por sua própria conta e risco — o avisou.
Depois que terminaram de dar os últimos detalhes na exposição pessoal, saíram juntos do lugar sem ter que encontrar-se com pessoas indesejáveis. Remus dirigia o mais rápido que podia enquanto a jovem continuava irritada. Chegaram em casa e deixou que ela relaxasse enquanto ele ia ao seu escritório para trabalhar um pouco antes de ir para a exposição à noite.
Faltavam algumas horas para que o evento começasse e Remus Lupin chegava em casa a tempo para tomar um banho e trocar de roupa. Entrou e aproximou-se do quarto dela, de dentro podia escutar como caminhava de um lado para o outro, e como abria e fechava gavetas.
— Dora, tudo bem? — perguntou, batendo na porta.
— Sim, Remus, pode entrar — respondeu do outro lado.
Ele a escutou e entrou no quarto. O primeiro que notou foi a grande quantidade de roupa espalhada por todos os lados, especialmente um lindo vestido de noite estendido perfeitamente no centro da cama, o seguinte que viu foi a jovem revirando as gavetas, usando apenas roupa íntima branca.
— Dora, o que houve? — perguntou com um pequeno rubor.
— Eu não sei o que fazer, Remus — lhe disse — Sei que vai ser uma noite importante, mas não sei se vou como costumo me vestir, mas mais refinada, ou usar o vestido que minhas amigas me deram de casamento. Por um lado, eu não quero usar esse vestido, mas por outro, quando que vou ter a oportunidade de usá-lo?
— Dora, calma — disse, tomando-a pelos braços —, não se preocupe com isso.
— Certo, mas pode me fazer um favor?
— Qual?
— Poderia me levar para o quarto e... Bom, eu estou um pouco estressada — terminou de dizer e ele entendeu o que ela queria dizer.
— Mas, Dora, em algumas horas começa a exposição, não temos tempo para...
— Ai, Remus, é só uma rapidinha.
— Não, dessa vez não vai me convencer — disse sem aceitar réplicas — Decide o que vai usar e eu vou esquentar a água para que tome um banho.
— A água já deve estar quente — ela comentou — Eu a pus para esquentar faz um tempo.
— Bom, nesse caso, vai tomar um banho e...
— Não, não, não — ela interrompeu — Se não vai me ajudar, pelo menos vem tomar um banho comigo — disse, pegando a sua toalha em cima da cama.
— Mas...
— Disse que não temos muito tempo, então vamos economizar se compartilharmos o chuveiro, então ande logo, antes que a água esfrie — e puxou seu marido para o banheiro.
Depois de um refrescante e relaxante banho — onde não aconteceu algo digno de ser censurado —, Nymphadora decidiu usar aquele vestido. Por sorte, tinha uns sapatos que combinavam, deixaria o cabelo solto e talvez usasse alguma maquiagem discreta. Já Remus foi buscar um de seus ternos para a noite especial.
Obviamente os pais da jovem estavam convidados para o evento, além das amigas Susan e Julia, que aceitaram com gosto, também Lily, James e Sirius estariam ali. Hollie não tinha dado oportunidade de que conversassem sobre o que aconteceu com Sirius no outro dia e tentava de todas as formas evitá-lo, mas no final das contas não podia fugir para sempre, então teria que se resignar em ir vê-lo naquela noite. Harry, Ginny, Rony e Hermione também tinham sido convidados, mas já tinham planos para aquela noite, então apenas desejaram sorte.
Chegaram à galeria pontualmente e naquele momento, todos os convidados já estavam esperando. Cinco minutos depois, as portas se abriram e todos começaram a entrar. Segundo Charity tinha comentado, teriam duas horas para dar uma volta no lugar e observar as obras, depois desse tempo, os convidados teriam tempo para comprar algo caso se interessassem. Como não eram artistas reconhecidos, os preços não eram muito altos, mas para eles que começavam parecia ótimo, ou pelo menos para a maioria.
Por todo o tempo, andaram por todo o lugar. Andrômeda e Ted eram os mais apegados à filha, não deixavam de dizer o quão orgulhosos estavam dela, suas amigas também lhe felicitaram antes de irem ver o resto da exposição, e Sirius não perdia a oportunidade de fazer uma brincadeira ou piada, mas de forma discreta para não ser expulso.
A noite já estava avançando quando Dora sentiu vontade de ir ao banheiro, então afastou-se de seu marido e de seu grupo. Aproveitando os momentos a sós, se pôs a pensar o quão emocionante era tudo aquilo. Dúzias de pessoas vendo suas obras, era algo que queria desde muito tempo, mesmo que também se preocupasse com as críticas e se as obras estavam do gosto do público. Quando saiu do banheiro, ia retornar ao seu grupo, mas...
— Olá, linda — um jovem aproximadamente da sua idade, aparentemente de classe e de boa aparência, aproximou-se dela — O que faz aqui tão sozinha?
— Não estou sozinha, eu me afastei para...
— Não precisa inventar desculpas — interrompeu-a —, mas se quiser, eu posso acompanhá-la.
— Ah que honra — disse sarcasticamente — Juro que as pessoas nem vão perceber que eu prefiro me dar um tiro na cabeça do que estar ao seu lado.
— Como você é engraçada, preciosa — disse com um falso riso conquistador.
— Sério? Aqui vai outra. Responde: os idiotas dizem que.
— Quê?
— Nada, só comprovando um ponto — disse risonha enquanto ele processava a informação.
— Espera, está insinuando que sou um idiota?
— Claro que não, pensei que estava sendo bem direta.
— Não sabe quem eu sou...
— E não tem ideia do quão agradecida estou por isso.
— Bom, pois você... bom, você...
— Nunca esteve em frente a uma mulher com caráter na vida, não é? — disse uma voz mal humorada atrás dele.
Dois homens tinham se aproximado de onde eles estavam. Um deles eram um pouco baixo e robusto, tinha algumas cicatrizes visíveis além de que mancava notavelmente, mas o que chamava mais atenção era a cicatriz perto de seus olhos que tinham a aparência de leite, obviamente era cego desse lado. O outro era mais alto de compleição mais magra, era loiro e contrastava com seu companheiro, mas o mais visível de seus trajes era um broche que parecia de ouro com um centauro em suas patas traseiras disposto a disparar um arco.
— Como é óbvio que não vai conseguir nada dela, nos permite falar em particular? — acrescentou o homem loiro antes que o jovem se afastasse — Sinto muito pelo incômodo, senhorita, mas acha que é um Don Juan de primeira e, bom, já viu.
— Sim, nada experiente — comentou ela — Perdoe-me, mas preciso voltar para...
— Só tomaremos alguns minutos, senhorita Tonks — disse o homem.
— Como sabe meu nome? — perguntou preocupada.
— Charity, sua professora, me falou da senhorita e queria vê-la pessoalmente.
— Ah sim. Por quê?
— Vi algumas de suas obras e me chamaram a atenção, eu gostei bastante, e queria fazer uma proposta.
— Desculpe-me, mas quem o senhor...
— Ah claro, que modos os meus — o homem riu — Meu nome é Firenze, Firenze Robertson, sou o diretor da organização Centaurus, talvez tenha escutado dela.
— O raro seria que nunca tivesse — resmungou o homem ao seu lado.
— E bom, este é Alastor Moody, meu sócio — o apresentou — É um ex-militar muito importante, tem um temperamento de mil demônios, mas mesmo assim é uma das melhores pessoas que pode conhecer.
— Bom, prazer em conhecê-los — os cumprimentou com a mão — Bom, já devem saber quem eu sou.
— Sim, Nymphadora Tonks.
— Por favor, só Tonks — disse ao homem, interrompendo-o — Mesmo que é de se supôr que agora deveria ser Lupin, mas continuo usando meu sobrenome de solteira.
— É casada? — ela assentiu — Meus parabéns.
— Lupin — repetiu Alastor — Como Remus Lupin, o arquiteto?
— Sim, por quê? — voltou a perguntar.
— E ele está aqui?
— Desculpe-me, mas o que vocês têm a ver com meu marido?
— Nada, ainda não, pelo menos — disse Firenze — Mas bom, isso é parte do que queríamos falar com a senhorita. Veja, a organização tem negócios em várias áreas, um deles é um clube de esportes, o lugar está dedicado à comunidade e a espalhar o esporte pela juventude, mas estou me desviando do assunto — ele interrompeu a si mesmo — O ponto é que queremos renovar o lugar, e estivemos pensando em falar com seu marido para esse projeto — comentou a ela.
— Bom, isso seria ótimo, mas não entendo o que eu tenho a ver com isso — disse com sinceridade.
— Como sempre, acaba falando da sua vida inteira sem chegar ao ponto.
— Calma, Alastor — o silenciou — O assunto é que com essa renovação que queremos fazer, pensei em dar um toque chamativo. Acabo de ver suas pinturas e tenho que te perguntar, assim como é boa em pintar tanta vida e energia sobre a tela, também poderia fazer sobre pedra?
— O que quer dizer? Como uma escultura ou algo assim? — ela ainda não tinha entendido.
— É mais como um mural, um mural enorme de sua própria autoria para o átrio principal e que todas as pessoas pudessem admirar.
— Quê? Isso é sério?
— Claro que sim. É claro que daríamos todos os materiais e ajuda que precisasse, assim como um salário correspondente.
— Isso seria ótimo — disse entusiasmada —, mas poderiam me dar um tempo para pensar...
— É claro. De fato, teríamos que conversar com seu marido para ver sobre a renovação, poderiam aproveitar para trabalhar juntos — comentou Firenze — Nos vemos depois — despediu-se antes de ir com seu sócio.
Depois que se afastaram, a jovem retornou com seus amigos e familiares pensando no que tinham dito, pensou que teria que garantir que não era um engano ou uma brincadeira, e para não correr riscos, começaria a pensar em possíveis ideias para o mural.
Desde os alto falantes do lugar, uma voz informou que todos que quisessem adquirir uma obra exposta naquela noite, poderia a partir daquele momento. Tonks começou a esfregar as mãos em sinal de preocupação, era o momento que ela e seus colegas tinham esperado. Ao notar seu estado, Remus a abraçou pela cintura enquanto Andrômeda punha uma mão no ombro de sua filha para dar apoio.
De longe, ela pôde ver como um homem loiro levava um de seus quadros, reconheceu imediatamente como o tal de Firenze. Depois disso, outro de seus quadros seguiu, parecia que seria uma grande noite para ela.
— Foi uma grande noite, não é? — perguntou Charity, pouco antes que a exposição encerrasse — Estão a ponto de vender seu quinto quadro, foi a que mais chamou atenção hoje.
— É... é verdade? — disse sem poder acreditar.
— É claro que sim, Dora — garantiu Remus, que continuava a segurando pela cintura.
— E o que vai acontecer agora? — perguntou a jovem a Charity.
— Bom, as obras não vendidas vão ficar expostas um pouco mais aqui e depois...
— Serão levadas para outro lugar ou retornadas aos seus autores — ela completou — Agora que penso, trabalhei em uma galeria há pouco tempo.
— Muito bem, só espero que a fama não lhe suba à cabeça.
— Não se preocupe, tenho alguém que vai manter meus pés no chão — comentou, voltando-se para ver seu marido.
— Bom, só me resta desejar uma boa noite e, se me permitem, tenho que receber a imprensa — disse, indicando os repórteres que chegavam. Despediu-se com um gesto de mão e então foi até onde estavam.
— E o que achou da sua grande noite? — perguntou Remus a sua esposa.
— Foi ótimo, com um pouco de nervosismo, mas ótimo — disse antes de aproximar-se dele para dar um doce beijo em seus lábios, ignorando completamente os flashes das câmeras dos repórteres —, mas falta uma coisa para a noite ser perfeita.
— E o que seria?
— Você sabe bem — flertou.
Pouco a pouco, as pessoas foram se retirando. Os amigos de Tonks despediram-se dela e a parabenizaram, assim como Sirius e os Potters. Os últimos a falarem com eles foram seus pais, que não podiam sentir-se mais orgulhosos. Depois disso, se retiraram também, tinha sido um bom dia e precisavam descansar, com exceção do casal que tinha em mente outra coisa para quando chegassem em casa.
