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*Pov. Mayu*

Estava sendo um dia bem agitado.

Levei bronca de um dos anciões por ter lhe derrubado chá enquanto o servia.

Perdi um papel assinado pela General Tomoe e tive que praticamente a caçar pelo castelo, para que ela assinasse novamente e, claro, levei bronca dela também.

Mais parecia uma pilha de nervos, já que Hayato estava rondando o castelo a procura de Kagome-sama.

Bem...o problema não era ele procurar por ela, claro que não! Que os machos se matem pela fêmea do lorde, adoro ver um bom espetáculo pegando fogo. Não teria brincado com isso quando o mestre a deixou sob meus cuidados se eu não gostasse de um bom drama.

Só não esperava acabar gostando tanto da lady e me arrependo da brincadeira. Oh bem, águas passadas.

Minha preocupação era a expressão do Inu. Eu o conhecia a tempo suficiente para saber que aquela sim era uma face bem angustiada.

General Hayato sempre fora conhecido pelo sorriso sedutor, e devo dizer, atrevido em momentos desnecessários ou impróprios.

Então vê-lo parecendo tão aborrecido e sem o costumeiro sorriso era no mínimo estranho.

Ah, sim, também tem o fato do youki agitado dele estar se alastrando pelo castelo, deixando a todos inquietos.

A segurança do castelo é tratada com extrema importância, e ter um General nesse estado estava sendo um incômodo, pois deixava todos os youkais em um estado de alerta maior do que o costume.

Eu já estava cansada de saltar 'pra lá e 'pra cá, e acabar tendo que lidar com o estresse de todos.

Quando percebi que o lorde estava de volta, fui ao seu encontro.

Precisava lhe dar o parecer da situação toda e entregar a ele alguns papéis, mas claro, meu estado de nervos não me deixou agir naturalmente.

Foi interessante ver que Vossa-Alteza estava de mãos dadas com Kagome-sama, quase não acreditei no que meus olhos viam.

O que acabou por me deixar um pouco mais nervosa, já que os anciões estavam à espera do Lorde em seu escritório e eles não estavam gostando nada dos boatos que corriam pelo reino.

Passei o maior vexame na frente do mestre por conta de meu nervosismo, deixando todos os documentos caírem.

Pelo menos consegui avisar sobre os anciões antes de mais algum desastre. Acho que nunca ia me habituar a aquela esmagadora aura.

Se bem que...ultimamente ele tem estado bem mais suave.

— Heh, claro, com Kagome-sama por perto...

— Do que essstá rindo tão tranquilamente, ssssuua impressstável!?

Eu estava caminhando, digo, tropeçando em meus próprios pés e carregando uma caixa com vários documentos para o escritório de Sesshoumaru-sama. Quando o verdinho aí resolveu interromper meus pensamentos.

Ah, se eu pudesse chuta-lo para bem longe, faria meu dia. Mas sei que o lorde ficaria sabendo disso pelo fuxiqueiro, então, apenas o encarei com desdém.

— Estava me lembrando de como sua fuça fica bonita quando o lorde pisa em sua cabeça, Jaken.

— Orassss, ssssuaaa...

— Diga logo o que quer, Jaken. Não está vendo que estou ocupada?

— Não quero nada de você, raposa inútil! Hayato! Sssabe onde essstá aquele General bom pra nada? Lorde Ssseessssshoumaru-sama o quer em seu escritório.

Bom pra nada é você, seu sapo asqueroso.

— Se procurou por todo o castelo e não o encontrou, ele provavelmente está... — Eu ia dizer aposentos.

Mas quando me virei para a direção que ficava o quarto do Inu, senti um aroma que não deveria estar por ali.

Droga, Hayato!

— B-bom, já procurou nos jardins, kappa? Ele costuma ficar por ali, observando o movimento ao redor do castelo.

Jaken me olhou de forma desconfiada, enquanto eu desviava os olhos pra qualquer lado que não fosse o quarto do general, afim de não deixar óbvio o que passava pela minha cabeça.

— Uhm. Essspero que esssteja certa sobre issso. Irei averiguar e caso não o encontre lá, irei para osss aposssentoss daquele inútil!

E lá se foi, pisando duro, o youkai verde e nanico.

E eu? Corri com a caixa na cabeça para os aposentos do General.

A sorte é que o olfato de Jaken era quase nulo de tão fraco e ele não tinha reparado quando eu me virei e senti o cheiro. Se ele tivesse levantado as narinas naquela hora, teria tido uma crise daquelas!

Adquiri uma nova velocidade!

Em segundos já estava na porta dos aposentos do General e pelo jeito as coisas estavam agitadas lá dentro.

Que energia é essa?

Larguei a caixa no chão ao lado da porta e a abri com tudo. A visão era bem inusitada.

Kagome-sama estava com seu kimono abaixado, de costas para Hayato, que por sua vez forçava as vestes dela para baixo e afastava o cabelo da miko.

Eu podia sentir pelo houriki que emanava da miko, que ela não estava brincando, logo ela ia o purificar. Hayato só poderia estar louco! E o que ela estava fazendo nos aposentos dele, afinal?

— Achei...

Oos olhos do General brilharam intensamente com o que via, mas eu não tinha visão do que ele via no pescoço da miko. Voltei minha atenção para Kagome-sama, ela estava intensificando o poder espiritual para que ele a soltasse.

— Hayato-kun!

— O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO!?

Finalmente me notavam.

No mesmo instante o Inu largou a miko, saltando alguns metros longe dela, com as mãos em sinal de rendição, e eu respirei aliviada.

Fechei a cara logo em seguida. Não havia nenhum sinal de arrependimento na face dele, e sim um alívio pairava pela face do General.

E o sorriso zombeteiro estava de volta!

— Depois eu me entendo com você, seu irresponsável!

Gritei com o General, que deu de ombros e cruzou os braços.

Olhei para a miko. Ela parecia um pouco assustada com minha presença repentina, contudo, bastante brava com o outro.

E o encarava como se pudesse fatiá-lo com os olhos.

Suspirei.

Não sabia o que estava havendo ali, mas em outras circunstâncias eu a deixaria fazer o que quisesse.

Fui até ela, auxiliando em arrumar o kimono e segurei em suas mãos em seguida. Ela me fitou, confusa.

Agitei minhas orelhas ao ouvir um som conhecido. Merda, o Jaken está chegando. O kappa só sabe resmungar pelos corredores.

— Mayu...? Mas o que...

— Kagome-sama, não há tempo para explicações. Iremos sair pela varanda, sim?

Sorri para ela e sem esperar resposta da miko, a peguei no colo, correndo para fora do aposento, ignorando os gritos da dama e a face sorridente do General.

Porque tenho que me envolver nessas situações?

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*Pov. Hayato*

Uma lua minguante, igual a minha.

Na verdade, mais importante que a minha. Aquela tinha a marca da Flecha Imperial lhe cruzando, era a prova de que a Princesa dos Inus do Norte estava de fato a minha frente.

Viva.

Não poderia estar mais feliz com tal descoberta e queria abraça-la, por mais que a mesma ainda me queimasse a pele com seu houriki.

De todo modo, não tive tempo para comemorações, logo Mayu invadia o quarto, claramente aborrecida por encontrar a bela dama em meus aposentos e eu fui obrigado a me afastar.

Antes que eu pudesse dizer algo, a raposa levou Kagome para fora pela varanda.

— Qual será o motivo dessa pressa toda?

— Aí essstá você! — Olhei para a porta, e lá estava Jaken com sua língua confusa e cara mal humorada.

Apontei para mim mesmo. Na dúvida se ele realmente falava comigo.

— Claro que é com você que essstou falando, ssseeeu inútil! Sessssshoumaru-sama o essspera em ssseu esscritório! E vê sse vai rápido, tive que lhe procurar por todo o casssstelo!

Deixei o ar escapar pela boca antes de me levantar. Sem muita vontade de seguir para o escritório de Vossa-Alteza.

Sabia bem que os anciões estavam por lá e o humor do mestre piorava na presença deles.

Ao passar do lado do youkai verde, lhe dei um soco na cabeça que fez um enorme galo crescer de imediato.

— Maaaldito!

— Não se esqueça com quem está falando, Jaken. Não sou apenas um General do Lorde do Oeste. — O fitei pelo canto dos olhos.

Em geral não dava importância para os xingamentos e ofensas do kappa, mas infelizmente. Para ele. Hoje não era um desses dias.

— Hunf! Não possui nada além de um título e acha que pod...

Já estava um pouco afastado, mesmo assim me virei para ouvir o que ele dizia.

— Ainda resmungando, Jaken?!

— Eeek...não, senhor!

— Então venha logo!

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*Pov. Kagome*

— O que fazia nos aposentos daquele General sem-vergonha, Kagome-sama?

Mayu estava decidida a descobrir o que havia acontecido, mas nem mesmo eu havia entendido muito bem.

Após a cena constrangedora no quarto de Hayato e de ter sido, mais uma vez, carregada sob meus protestos, a raposa me trouxe para o jardim que ficava nos aposentos de Sesshoumaru.

Amava aquele jardim e na situação atual era perfeito para acalmar meus nervos.

Liberei todo o ar de meus pulmões e olhei para a rosada sentada ao meu lado. Deveria mesmo confiar um assunto tão complicado a ela?

— Só ele parece saber algo sobre meu passado, Mayu. Digo, além da Hanna.

Não me esqueci de nossa conversa, por falar nisso.

~Tudo em seu devido tempo, minha criança.~

— Ok. E o que ele tanto olhava em seu pescoço, eu posso saber?

Perguntou, se inclinando em minha direção, com um sorriso travesso nos lábios.

Por instinto levei uma mão a área onde deveria estar a marca, em dúvida se a mostrava. Bem, mal não faria, não é mesmo?

Me virei levemente, de forma que pudesse expor o local e abaixei o kimono, tendo o cuidado de afastar o cabelo para que ela tivesse visão do local.

— Que marca mais linda, Kagome-sama! Me lembra muito a de Hayato. O que significa essa flecha atravessada? Esse azul quase translúcido...parece até brilhar!

Sorri com a animação de Mayu para com a marca. Eu não havia conseguido ver ainda e estava começando a ficar curiosa sobre ela.

— Não sei o que significa exatamente. Hayato falou algo sobre ser uma Flecha Imperial.

A rosada exclamou um "Uhm", como se ponderasse sobre, e eu me virei para ver a expressão que ela fazia.

— Sabe algo sobre isso, Mayu?

— Bem. Estou certa de que já sabe disso, mas isso significa que você pertence a realeza, Kagome-sama. Legitimamente. Hayato não daria uma informação pela metade. Tem algo que não pode me dizer?

Os escarlates me encararam intensamente, aguardando por uma resposta.

Definitivamente não poderia esconder nada de Mayu. Desde o início de nossa conversa ela manteve uma mão sobre a minha, em apoio, e nesse momento ela a pressionou levemente.

Eu sabia que ela estaria ali para o que eu precisasse. Me trouxe um grande alívio perceber a amiga que eu havia feito em tão pouco tempo.

Sorri para ela.
A raposa mexeu as orelhas, corando.

Não importava a idade dela, ainda achava que ela se parecia com uma irmã mais nova.

— Obrigada, Mayu. Sei que esteve preocupada. Sim, Hayato de fato não conta nada pela metade. Ou quase isso. Ele disse que sou a Princesa do Norte, mas não chegou a explicar nada sobre, ele estava muito centrado em ver essa marca em meu pescoço.

Conforme eu ia falando, os olhos da raposa iam se arregalando um pouco mais e sua boca ia abrindo em surpresa.

Arqueei uma sobrancelha ao final, me perguntando o porquê de tal reação.

— Kagome-sama é a princesa perdida do Clã da Lua Minguante?

— Aparentemente, sim. O que sabe sobre esse assunto, Mayu?

A youkai dos olhos escarlate pareceu ficar um pouco tensa, de repente, se virando para frente e encarando o pequeno lago.

Me olhou de canto, apertando sua mão na minha e eu correspondi o aperto na mesma intensidade.

— Diga o que sabe, Mayu!

— B-bem...eu não sei muito, é algo que ouvi os mais velhos conversarem quando eu era criança. Faz muito tempo, Kagome-sama.

— Mesmo assim, eu preciso saber. Por favor, Mayu!

Ela deixou o ar escapar pelos lábios lentamente, voltando seu foco para mim. Eu sentia pelo olhar dela que era algo delicado de se tocar.

O que diabos aconteceu no passado para todos agirem assim?

— Foi algo que ouvi escondida e que quando me descobriram, me fizeram jurar nunca repetir.

Meneei a cabeça para que ela continuasse e entendesse que eu não desistiria de descobrir o que quer que fosse que me escondia.

— Não vai mesmo deixar isso pra lá, né, Kagome-sama?

— Não mesmo! - sorri em resposta.

— Oh, bem. Já que não tem jeito.

Ela voltou seus olhos para a água, como se tentasse mergulhar em lembranças e eu aguardei paciente.

— Na época, Sesshoumaru-sama era um bebê e minha família foi designada para cuidar dele. Meu pai cuidaria da segurança de seus aposentos e minha mãe foi ordenada em cuidar dele pessoalmente, acho que ela foi sua ama de leite.

"Eu era criança, mas me lembro perfeitamente, a mãe do lorde não conseguia alimentá-lo adequadamente, por isso minha mãe foi chamada. Era a youkai mais próxima da família dos Inus que ainda possuía leite disponível, já que ainda amamentava meu irmãozinho.

Mayu olhou para mim por um breve momento, umedecendo os lábios.

Então, ela de fato é mais velha que o lorde.

Espera, se a mãe dela o amamentou e cuidou, seria como se fossem irmãos?

— E onde está seu irmãozinho?

A rosada desviou os olhos, tentando disfarçar as lágrimas e eu senti que havia tocado em uma ferida ainda aberta.

Droga.

— Ele sumiu, faz muito tempo. Não sei nem se está vivo. Mas, sabe, até hoje ainda considero o lorde como um irmão mais novo. Ele nem sempre foi assim, sabe, Kagome-sama? Frio.

"Houveram circunstâncias. Apesar do jeito dele, eu sei que ele também me considera família, assim como a outros youkais do castelo.

Explicou, com o sorriso mais meigo que eu já havia a visto fazer, mesmo que suas lágrimas teimassem em surgir.

— Mas voltando ao assunto principal. Em uma de minhas idas ao quarto do pequeno príncipe, acabei por ouvir sem querer uma conversa entre meus pais. Falavam algo sobre a mãe do príncipe, a Inu-Kimi-sama.

"Do que me lembro dela, sempre se mostrou uma megera, não gostava dela. Talvez por isso eu tenha me escondido, sabia que era um assunto proibido. Afinal, ela era a Senhora das Terras do Oeste.

— Nunca me encontrei com a mãe de Sesshoumaru. É possível que eu a encontre?

A raposa me sorriu sem graça, meneando a cabeça com um sim.

— Infelizmente, esse será um encontro inevitável, Kagome-sama. Inu-Kimi-sama tem grande orgulho. Ou eu deveria chamar de obsessão?

"Pelo filho, eu digo. Em toda oportunidade que ela tiver de aparecer, ela o fará. Ultimamente com a luta contra Naraku, ela parece ter se aquietado...me pergunto porque, não faz o feitio dela.

Suspirei com a nova informação.

Não me animava em nada conhecer a "futura sogra", ela não parecia do tipo que ficaria feliz com uma humana como companheira de seu estimado filho, ainda mais uma miko.

— Mas não se preocupe, Sesshoumaru-sama sempre soube impor limites para o comportamento exagerado da ex-Senhora do Oeste. Você será a próxima, se for de sua vontade e do mestre, e ela nada poderá fazer.

Levantei meus joelhos, encostando o queixo a eles.

Estava se tornando algo muito complicado.

Ainda não havia dado uma resposta ao pedido de Sesshoumaru. Tampouco havia conversado com a Hanna sobre o incômodo dela ao pedido.

Eu quero ir para casa, Hanna.

~Calma, minha criança. Tudo vai ser explicado, continue ouvindo a raposa.~

— Pois bem. O que vou dizer é um pouco grave, Kagome-sama.

Meu corpo ficou tenso ao observar a face séria de Mayu. Eu não ia gostar do que ela ia dizer, Hanna também estava tensa, eu sentia seu sofrimento antecipado. Meu peito doía e minha garganta se fechava.

— Pode dizer, Mayu. — Tentei soar o mais firme possível.

— O que ouvi foi que Inu-Kimi-sama participou indiretamente da morte da Princesa dos Inus do Norte, sua mãe, e do sumiço de seu bebê, você.

"O bebê fora a união da Princesa do Norte com um dos Príncipes do Sul. Não pude entender bem na época o que queriam dizer, mas, Inu-Kimi queria destruir a Princesa dos Inus do Norte, mas não disseram o motivo.

O ar faltou.

Levei ambas as mãos ao peito, como se uma dor muito grande o impedisse de bater.

Eu queria chorar, mas as lágrimas não chegavam. Os olhos estavam fixos no chão.

Mágoa? Raiva? Desejo de vingança? Seriam sentimentos meus misturados aos da Hanna?

— Kagome-sama! Está tudo bem? Me desculpe! Por favor, eu não deveria ter lhe dito isso dessa forma, eu...

Segurei o pulso da raposa com uma das mãos enquanto forçava o ar para dentro de meus pulmões e a realidade chegava aos meus olhos, permitindo que as lágrimas rolassem.

— Inu-Kimi-Hime...matou minha mãe, Mayu?!

A rosada engoliu seco, uma, duas, três vezes e abaixou os olhos, afirmando o que eu havia perguntado.

— Não sei os detalhes, provavelmente tem muito mais por trás disso. Quero dizer, ela estava prometida ao filho do Senhor do Oeste, Toga-sama, não havia interesse pelas Terras do Norte e nem pelo Príncipe das Terras do Sul.

"Ela sempre pareceu feliz por ser prometida do Oeste. Eu a via desfilar ao lado de Toga-sama, totalmente radiante. Nem parecia a megera que sempre se mostrava aos outros.

"Infelizmente, é tudo o que eu sei, não pude ouvir mais, pois Sesshoumaru-sama começou a chorar, me assustando. Nessa hora meus pais me descobriram e me fizeram prometer nunca repetir aquela conversa.

"Mas eu não poderia esconder isso de você! Nunca!

Mayu estava firme em suas palavras, o que me dava mais confiança no que ela dizia.

Acalmei meus nervos aos poucos. Precisava controlar minha energia demoníaca e minha energia espiritual, não poderia deixar que se descontrolassem.

Soltei o pulso da raposa para que não a queimasse e sequei as lágrimas com a manga do kimono.

Hanna parecia borbulhar em ira dentro de mim e eu compartilhava do mesmo sentimento. Agora entendia o motivo dela se incomodar sobre o pedido de Sesshoumaru, mesmo que ele não tivesse culpa de nada daquilo.

~Eu não sabia que ela estava tão envolvida. Sabia que ela tinha parte disso..., mas tão diretamente? Aquela maldita! ~

~Calma, Hanna. Precisamos descobrir mais sobre isso.~

— Mayu. O que houve com os Inus do Norte e do Sul?

— Minha família não esteve presente, mas, é sabido que houve uma guerra por dominação. Começou com o Senhor do Leste, uma cobra asquerosa e invejosa, que não aceitava que os Inus dominassem a maior parte, ele cobiçava os outros três reinos.

"Os quatro reinos se voltaram uns contra os outros. No final, quando haviam praticamente se destruído, o único reino a ficar de pé foi o Oeste.

A rosada fez uma pausa, para respirar. Talvez, ou apenas para escolher as próximas palavras.

Me ajeitei na grama, incomodada com o tanto de tempo que estávamos ali. Mas precisava saber de todos os detalhes que ela conhecia.

— O Senhor do Oeste daquele tempo acolheu Hayato. Dizem que ele estava tão assustado. Ele era tão filhote quanto eu, Kagome-sama.

"Me pergunto o que essa guerra fez a ele, que era um dos príncipes sobrevivente das Terras do Sul. Infelizmente, o Senhor do Oeste veio a falecer e de alguma forma Hayato foi ficar aos cuidados de Inu-Kimi-sama.

Cretina. Quantas vidas foram ceifadas por culpa dela?

— Espera..."um dos príncipes sobrevivente"? Há outros?

Mayu pareceu incomodada com a pergunta, torcendo os nós dos dedos das mãos com impaciência. Ela as soltou de súbito, se virando para mim com a face séria.

— Não foram encontrados todos os...restos. Há muitos desaparecidos nessa guerra, Kagome-sama. Ela basicamente destruiu os clãs Inus.

"Nós Kitsunes sempre estivemos ligadas aos Inus e por consequência também perdemos os nossos, assim como outras raças. É um assunto muito delicado no castelo, peço que não o converse com qualquer um...principalmente com Sesshoumaru-sama.

Um novo nó se formava.

— Porque não devo perguntar ao Sesshoumaru, Mayu?

— Ele não lida muito bem com isso. Nós não éramos nascidos, e para ele, isso não nos diz respeito e deve ser esquecido. Só vai irritá-lo. Acredite em mim.

A raposa deu um longo e audível suspiro, antes de continuar.

— Talvez, por conta dos boatos de que sua mãe tenha parte no início dessa guerra. Por isso ele não o suporta. Ele diz que ela foi iniciada por motivos medíocres e é uma vergonha para os Inus.

— Então, ele provavelmente sabe os verdadeiros motivos do início dessa guerra, não é mesmo?

Porque ele nunca falou comigo sobre isso? Ele já deveria suspeitar de algo quando soube de você, Hanna!

— Prometa que não perguntará sobre isso, Kagome-sama!

Mayu estava muito preocupada com isso, será que estaria escondendo algum detalhe?

~Deixe estar, menina. Hayato pode responder nossas perguntas.~

É verdade...ela já me contou bastante coisa.

Segurei as duas mãos da rosada a minha frente e lhe dirigi um sorriso, na intenção de acalmá-la.

— Eu prometo, Mayu. Obrigada por ter me contado tudo isso, realmente foi muito importante para mim. Agora...que tal comermos alguma coisa? Estou morrendo de fome!

Ela suspirou, aliviada, e se levantou, me puxando para ficar de pé.

— Vamos! Também estou morrendo de fome! — Exclamou animada, já me puxando para fora do jardim, adentrando o castelo saltitante.

Ainda bem que ela estava a minha frente, dessa forma não via minha expressão tão obscura.

Isso está longe de terminar, não é, Hanna?

~Eu sinto muito, minha criança...~

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