Dragon Ball não me pertence.
CAPÍTULO 16
Prisioneiros
— Vamos, tragam mais uma dose! - Freeza ordenava de sua cadeira enquanto assistia junto com vários de seus soldados ao espetáculo no meio da sala.
Um prisioneiro humana estava no meio da sala sendo torturada pelos soldados de Freeza. Todos em volta olhavam com a cena grotesca. Freeza geralmente só encerrava a noite quando a vítima estava morta. Às vezes, eram várias por noite, dependia do apetite sádico do lagarto. E as vítimas eram das mais diversas raças, embora Freeza tivesse particular apreciação pelas humanoides, em especial as terráqueos. Mas, esses estavam cada dia mais difíceis de encontrar desde que os sayajins tomaram conta da Terra, então os terráqueos Freeza não deixava matar. Mandava-os para um tanque de regeneração até precisar delas novamente.
Freeza adorava essas sessões de tortura que promovia para seus soldados onde eles faziam tudo o que ele imaginava em suas fantasias sádicas.
E aquela noite, Freeza estava fazendo uma sessão de despedida em sua nave principal. Ele teria que seguir o plano que elaborara há muito tempo caso não conseguisse matar a princesa terráquea e o herdeiro do trono sayajin. Por isso, iria se ausentar para realizar uma incursão secreta.
Ele deixaria sua nave principal e mais confortável e partiria com um pequeno grupo de soldados para uma missão secreta em busca das armas que destruiriam os super sayajins. E como não podia levar seus prisioneiros com ele para distraí-lo, agora o lagarto degustava a visão de uma maravilhosa orgia e bebia sua bebida preferida: vinho.
E o vinho de Freeza era especial. Seu vinho tinha sangue.
O changeling descobrira a muitos anos através do estudo de culturas primordiais, que o sangue era um líquido poderosíssimo. Era a fonte da vida e da força e que em muitas culturas os vencedores das batalhas bebiam o sangue dos guerreiros derrotados como forma de adquirir a força deles. Verdade ou não, Freeza adquirira a prática de aprisionar guerreiros para tomar-lhe o sangue aos poucos e ele descobrira que o mesmo ficava maravilhoso quando misturado ao vinho. Em pouco tempo, ficara viciado.
E agora, ele degustava pela última vez antes de viajar o vinho misturado com sangue da realeza sayajin. Desde que aprisionara o príncipe mais novo, Freeza o usava para retirar pequenas quantidades de sangue e misturá-la ao seu vinho, pensando que logo estaria fazendo o mesmo com o sangue dos dois sayajins mais poderosos, o rei e seu general.
E quando aprisionasse a raça sayajin, ele teria um estoque ilimitado daquele sangue cujo sabor ele tanto gostava e que o fazia se sentir poderoso após tomá-lo.
Claro que Freeza tinha muitas fantasias pra quando conquistasse os sayajins e não estava de todo infeliz da herdeira da realeza terráquea estar viva. Ela era linda, o tipo de beleza que lhe abria vontade de fazer maldades.
Então, ele mal podia esperar o dia em que seria a bela herdeira da realeza terráquea que estaria acorrentada no meio de sua sala de horrores, e melhor ainda seria se tivesse o rei sayajin vivo para fazer com ele e com a terráquea todas as suas fantasias doentes. Por que, se tudo corresse como o lagarto planejara, o único que seria morto era o pequeno herdeiro dos tronos terráqueo e sayajin. Os dois super sayajins e a princesa terráquea não seriam mortos, seriam seus escravos. Uma fonte ilimitada de sangue delicioso e com quem ele poderia realizar todas as suas fantasias mais sádicas.
E Freeza devaneava sobre seus planos enquanto olhava a cena, e ao terminar sua taça de vinho que fora servido a pouco, já estava tão excitado que decidiu partir imediatamente.
— Crianças, a festa acabou por hoje.
— Mas mal começamos, mestre!
— Não quero saber e não me contradiga! - Freeza disse irritado soltando uma bola de energia que fez o soldado que fizera o comentário cair morto.
— De volta a seus postos! Temos que trabalhar! - Ordenou ante ao silêncio que se instalou no salão.
E após a ordem de Freeza, ele próprio retirou-se e os outros soldados foram fazendo o mesmo, ao poucos. Sobrou apenas a garota acorrentada no centro da sala, o soldado morto, os guardas da entrada do salão e os escravos que entraram para limpar tudo.
A garota se levantou com dificuldade. Sentia muita dor. Vestiu o vestido que não passava de um trapo imundo, e quando terminou, os dois guardas que a desamarraram puxaram-lhe pelos braços.
— Escapou do tanque por hoje, escrava. - Um deles zombou ao puxá-la. - Venha logo, e não nos irrite, ou então mandaremos você pra lá por nossa conta.
A garota ficou calada e os acompanhou. Tinha aprendido a duras penas que qualquer palavra de protesto ali poderia lhe causar dores excruciantes e violência gratuita.
Os guardas levaram a garota pela nave até chegarem às escadas para os porões. Desceram as escadas metálicas e nos corredores mal iluminados, ladeados por portas de ferro dos calabouços, ao passar eles podiam escutar os gritos atormentados dos prisioneiros.
A terráquea, no entanto, estava aliviada, pois escutara que o lagarto iria viajar. Isso era bom por que nenhum dos soldados podia tocá-la sem a permissão do monstro. Ela sabia que era uma escrava valiosa por sua raça, isso lhe garantia a vida, mas não a ausência de sofrimento.
Estacaram no final do corredor na última cela. Uma cela especial, para prisioneiros especiais.
— Entre logo! - Um dos guardas falou ao abrir a cela e jogá-la pra dentro com brutalidade. Escutou o baque metálico da porta atrás de si quando caiu no chão.
— Você está bem, menina? - a velha Uranai perguntou preocupada. Toda vez que a menina era levada, não se sabia se voltaria.
— Estou. - a garota respondeu com dificuldade. - Hoje eles não torturaram ninguém por que o lagarto os interrompeu... Parece que vai viajar, vovó.
— Viajar sem essa nave? - Uranai indagou para si mesma, intrigada. - O que esse monstro está armando?
— Ângela... - as duas mulheres escutaram a voz fraca que chamou a garota. Vinha de uma das duas pequenas camas da cela.
— Como ele está? - a terráquea perguntou baixinho a Uranai.
— Está mais fraco hoje. O lagarto mandou tirar muito sangue dessa vez. - Uranai respondeu baixinho e Ângela correu até a cama onde Tarble estava deitado.
— Você está bem? - Tarble perguntou muito fraco quando Ângela se aproximou.
— Sim, eu estou. - ela respondeu tentando despreocupá-lo.
— Ângela, vá comer antes que levem o seu prato. - Uranai falou olhando a moça aos pés da cama de campanha onde o príncipe sayajin estava.
— Já volto. - Ângela murmurou para Tarble levantando-se e pegando o prato que estava próximo a entrada da cela.
A velha vidente limpava as picadas de agulha nos braços do príncipe sayajin.
Era certo que o jovem conseguia recuperar-se rápido e Uranai sabia que isso era uma habilidade de sua raça, mas se Freeza continuasse tirando tanto sangue no rapaz, era provável que ele não durasse muito tempo.
Tarble estava pálido e várias picadas em seus braços estavam arroxeadas e algumas pareciam ter infeccionado. Por isso Uranai cuidava delas, Freeza mandara um aviso dizendo que não queria tomar sangue contaminado, então o rapaz que mantivesse os braços sem infecções, ou ele perdia sua serventia e então seria morto.
A velha também estava preocupada. Freeza viajando sem aquela nave era por que não queria ser encontrado e se não queria ser encontrado, nem marcar presença onde passava é por que estava armando algo secreto. E as coisas secretas de Freeza eram sempre muito perigosas.
Ela terminou de limpar os braços de Tarble que estava adormecido e voltou-se para sua velha cama de campanha.
— Pode ficar com ele agora, vou dormir. - a velha disse para Ângela assim que a moça terminara de comer.
Ângela deitou-se ao lado de Tarble. Como na cela só havia duas camas, ela agora dividia a que fora sua com o jovem príncipe sayajin.
A moça pegou a pequena coberta e cobriu a si e ao rapaz. Fechou os olhos no momento em que Uranai apagou a luz da cela. Desejava dormir para sempre.
Bulma acordou ao sentir alguém tocando em seu corpo. Quando abriu as pálpebras ainda ofuscadas pela luz da manhã que entrava pela janela, pôde ver o corpo de Trunks agachado sobre o seu, o menino olhava com atenção para seus braços e ela os sentia doloridos quando ele tocava.
— Mamãe, o que aconteceu? - Trunks perguntou muito sério para Bulma ainda tocando nos braços doloridos.
Bulma assustou-se e sentou rápido na cama, mantendo o lençol que lhe cobria até acima dos seios. Quando abaixou o olhar e olhou seus braços, viu que estavam roxos no local em que Spartaco apertara. Eram dois hematomas imensos, impossíveis de encobrir.
Muito confusa, ela olhava para o menino que olhava dela para o buraco na parede do quarto e Bulma dava graças a Kame por estar coberta com o lençol. Ela desabara na cama quando Kakkarotto saiu e chorou até dormir novamente.
Agora ela não sabia explicar a Trunks o que havia acontecido.
— Mãe, eu já perguntei. O que fizeram com você? - o menino perguntou mais incisivo ante a falta de resposta de Bulma.
— Não foi nada querido! - ela começou insegura. - Essas marcas nos braços? Eu caí no laboratório... - falou sem muita segurança.
— E a parede do seu quarto? O que aconteceu aqui? - ele insinuou desconfiado.
— Ah, o tio Kakkarotto esbarrou na parede quando veio me visitar. - ela falou levantando ainda mais o lençol. – Você sabe como ele é desastrado...
— A senhora está mentindo. - Trunks disse sério ao levantar-se da cama. - Mas se não quer me contar, não vou lhe obrigá-la. - disse já saindo do quarto. - Vou fazer café pra nós dois. Tome um banho, mamãe...
Bulma ficou muito preocupada sobre o que Trunks estaria pensando. Será que ele havia sentido o cheiro de outro sayajin no corpo dela? mas o menino não havia questionado sobre isso e Bulma resolveu não tentar explicar, pois isso só implicaria em mais mentiras. Por isso, com um suspiro ela levantou-se e foi tomar seu banho.
Havia sido uma noite pesada.
Enquanto isso, na cozinha, enquanto preparava o café, Trunks matutava o que poderia ter ocorrido com sua mãe.
Ele havia analisado o cheiro dela e pôde sentir uma mistura estranha de cheiros pelo corpo de sua mãe. Com certeza ela havia estado com o "tio" Kakkarotto, e ele não soube dizer o por quê o "tio" teria feito aquele estrago na parede do quarto da mãe. Ela havia estado com pelo menos mais quatro pessoas aquela noite, pois ele sentiu muitos cheiros diferentes no corpo dela. E de todos aqueles cheiros, Trunks reconheceu dois. O do guarda que o atacara no castelo e o cheiro do Rei. E isso o deixou muito furioso, pensou imediatamente que o rei pudesse ter machucado sua mãe.
O garoto sabia que Bulma havia saído, ele abaixara um pouco o lençol para ver a roupa da mãe enquanto ela dormia, e, além disso, ele viu um par de sandálias, uma bolsa com cápsulas, documentos e dinheiro e uma máscara jogados no chão perto da cama e o menino se perguntava insistentemente, por que sua mãe havia saído. Para onde? E quem a machucara?
Trunks só via um jeito de tirar aquilo a limpo e iria fazer aquele dia na academia.
Vestindo um macacão jeans com uma blusa azul Royal de mangas compridas, Bulma chegou à cozinha alguns minutos depois. Trunks já havia posto a mesa e já comia. Ele não levantou o olhar quando a mãe entrou.
— Oh! Que mesa linda. - ela falou ao ver a mesa com café, pão e algumas frutas. - Obrigada pela ajuda, filho.
Trunks nada disse, apenas continuou comendo e Bulma ficou muito confusa com aquilo. Ela encheu uma grande xícara de café preto e pegou um pãozinho de leite. Não aguentando mais o silêncio do filho, resolveu falar.
— T.K sobre ontem à noite... - Ela começou insegura.
— Não precisa dizer nada, mamãe. - Trunks respondeu parando de comer e olhando-a. - A adulta aqui é a senhora, não tenho nada com o que aconteceu. - Mentiu. - E não estou bravo. Só queria que me avisasse quando resolver sair da ilha Cápsula.
— Ah... Certo! - Bulma respondeu surpresa com a resposta do menino. Parecia que estava falando com um adulto. Trunks tinha uma maturidade assustadora, às vezes. Ela voltou os olhos para o prato e comeram em silêncio.
Quinze minutos depois e Trunks saía com Gohan para ir à academia. Bulma foi até a tela comunicadora. Precisava falar com Pirza.
Marvin dava voltas e mais voltas em sua sala.
Mal amanhecera o dia e já tinha que lidar com uma bomba. Vegeta viajara. Kakkarotto também. Tudo isso enquanto ele tirava algumas poucas horas de sono ao lado de Pirza.
E agora, seu plano de revelar toda a conspiração ao rei teria que ser adiado.
Vegeta deixara uma longa mensagem gravada com instruções muito claras sobre as pendências do governo do planeta nos próximos quinze dias. O rei ficaria incomunicável por quase todo o trajeto para Terra já que viajava por locais com muita matéria escura e numa velocidade muito alta, sua nave quase se teletransportava, o que prejudicava as transmissões.
Marvin não se preocupou com o governo do planeta. Ele já havia substituído o rei o general por mais vezes do que podia contar. O que lhe preocupava era o bendito torneio de artes marciais que estava sendo organizado pelo general e que agora ficara a cargo dele.
Vegeta não queria em hipótese alguma cancelar o evento. Achava muito bem que seus subalternos podiam organizá-lo, por isso deixara orientações claras a Marvin sobre o que fazer.
Por isso, o capitão decidira cuidar das pendências do planeta e da organização do torneio e deixar as revelações para quando os envolvidos voltassem. Mas, antes de qualquer coisa, ele queria cuidar da demanda mais urgente: Chamar Spartaco e dar-lhe o castigo merecido.
Spartaco chegou cabisbaixo à sala do capitão.
— Sente-se. - Marvin falou seriamente sem olhar para o chefe da guarda enquanto analisava alguns papeis. - Vejo pelo seu ki que está nervoso. E é pra estar mesmo. O que você fez foi muito grave. - sentenciou.
— Capitão, por favor! - Spartaco implorou. - Nunca mais ataquei serviçais. E quanto à prostituta, achei que ela estava disponível.
— Ela não estava, Spartaco. - Marvin retrucou encarando-o. - E mesmo assim você a atacou. Sem falar que a garota não era prostituta, você sabe muito bem que o rei nem sempre paga pelas garotas com quem sai... - ele explicou. - E eu disse que lhe entregaria ao rei se fizesse de novo. E você sabe que a pena para desobediência é a morte.
— Não, capitão! Por favor, não faça isso... - Spartaco implorou novamente. A visão do homem grandalhão quase chorando era asquerosa para Marvin. Nada mais ridículo do que um guerreiro medroso.
— Você teve muita, muita sorte, Spartaco. - Marvin recomeçou. - Não sei se sabe ainda, mas o rei e o general viajaram, deixando o governo sob meu comando. Portanto, não posso me dar ao luxo de perder meu chefe da guarda agora. - ele falou fazendo Spartaco abrir um sorriso gigante.
— O senhor é muito inteligente capitão. - Spartaco comentou elogioso.
— Sem puxa-saquismo, Spartaco. - Marvin cortou. - Você não será cortado de seu cargo, mas será castigado para servir de exemplo para seus subalternos. Você será levado agora mesmo para a masmorra n°9. Um de nossos carrascos o aguarda. Vão lhe quebrar os braços, como você quase fez com aquela garota. - Ele falou sério sem demonstrar nenhuma emoção ante ao terror que se instalava no chefe da guarda. - Depois, levarão você ao tanque de regeneração. Isso será ótimo por que chamará a atenção de todos no castelo. Você passará duas horas no tanque de regeneração e depois do almoço eu o quero nas suas atividades normais.
— Ma- mais, senhor! - Spartaco gaguejou aterrorizado. - Por favor!
— Sem por favor, Spartaco. - Marvin disse sem dar atenção apertando um botão embaixo da mesa. - Eu devia era mandar fazer com você o mesmo que você queria fazer com aquela garota, era isso que o rei Vegeta faria antes de lhe pulverizar. E por Kame, que ele nunca saiba que você machucou aquela garota... - Marvin comentou com um suspiro.
— O quê? - Spartaco indagou sem entender.
— Nada, Spartaco. - Marvin falou quando dois guerreiros de primeira classe entraram na sala. - Acompanhem Spartaco até as masmorras. - Marvin avisou sem dar atenção.
Spartaco levantou lentamente. Às pernas bambas de terror. Os dois sayajin agarraram-no pelos braços, logo estavam fora da sala do capitão.
Trunks fugiu da última aula da tarde na academia.
Usou dos artifícios que já conhecia e adentrou na ala restrita do castelo, e novamente com o mapa em mãos, ele localizou a sala de monitoramento dos guardas e o ki de Spartaco lá.
Em poucos minutos ele estava de frente para a porta da sala de monitoramento, e abriu-a sem bater.
Spartaco estava sozinho na sala e olhava os braços recém curados ainda com marcas vermelhas de onde foram quebrados, ou melhor, quase esmagados.
Ele remoía a raiva que estava sentindo do capitão Marvin por fazê-lo passar por tanta dor e humilhação por causa de uma prostituta. Ele agora era a piada do castelo.
O guarda pensava em tudo isso, quando levantou o olhar e viu o garotinho que lhe nocauteara outro dia encarando-o intensamente.
— Quero falar com você. - Trunks disse com arrogância ao guarda que estava sentado em uma poltrona de costas para as telas de monitoramento do castelo.
— Você de novo, pirralho? - Spartaco disse irritado, não estava com saco para encarar aquele pivete. - Não sabia que não pode entrar aqui?
— Quero saber o que aconteceu ontem à noite com uma moça de cabelo azul que esteve no castelo. - Trunks disse sem dar a mínima para o aviso do guarda.
— O que sabe sobre a mulher de cabelo azul? - Spartaco indagou tirando qualquer dúvida que Trunks tinha que sua mãe realmente estivera no castelo.
— Eu a conheço e quero saber por que ela estava aqui.
— Não vai me dizer que ela é da sua família? - Spartaco indagou irônico olhando o menino com sarcasmo. - É sua irmãzinha? Sua mãe?
— Isso não é da sua conta. - Trunks disse olhando para o lado o que só fez Spartaco confirmar que a mulher era alguma coisa do menino e isso o deixou muito contente, pois ele gostaria bastante de dizer umas verdades para aquele pirralho intrometido.
— A garota que esteve aqui é apenas mais uma das vadias do rei. - disse com satisfação. - E não vou dizer o que o rei fez com ela por que é impróprio pra sua idade garotinho...
— O rei a trouxe a força? - Trunks perguntou de imediato, estarrecido.
— Claro que não! - Spartaco exclamou. - Ela veio por livre e espontânea vontade.
— Mentira! - Trunks retrucou.
— Eu não estou mentindo menino. Aliás, nem sei por que estou conversando sobre isso com você. Acredite, essa mulher, seja lá o que ela é sua, é só mais uma vadia das que vivem correndo atrás do rei...
— Mentira! - Trunks disse novamente, seu ki aumentando muito, o que assustou Spartaco. - Se ela veio por que quis, então por que tem os braços machucados?
Spartaco assustou-se com a pergunta do menino. Ele já havia percebido que o garoto era mais forte que ele e o menino parecia muito exaltado, a mulher que ele atacara parecia ser muito importante para o menino, se ele soubesse a verdade podia matá-lo, por isso Spartaco achou que a melhor maneira era mentir.
— Acho que o rei não gostou muito dela, por isso a machucou, é comum ele fazer isso quando não gosta de uma de suas vadias.
O ki de Trunks aumentou bruscamente assustando ainda mais Spartaco.
— E por que seu cheiro estava nela, guarda? - Trunks perguntou devagar, de um modo perigoso.
— E-eu... E-eu... - Spartaco começou apavorado ao ver os olhos do menino quase mudarem de cor novamente. - Eu apenas a tirei do castelo, como faço com todas depois que o rei as dispensa. Não fiz nada com a sua amiga, juro. - o guarda falou como se estivesse diante de um adulto perigoso.
Trunks o olhou por alguns instantes, o ki ainda muito alterado fazendo a sala tremer.
Foram interrompidos quando alguém entrou pela porta da sala da guarda.
— Trunks. - Marvin chamou ao ver uma aura quase amarela em volta do menino e o seu ki espantosamente alto. - Acalme-se Trunks, se não pode destruir o castelo. - alertou calmo.
Trunks ouviu a voz do capitão. Aos poucos foi diminuindo sua energia. Não valia a pena matar o guarda se o verdadeiro culpado por machucar sua mãe era o rei.
Quando o ki de Trunks se normalizou, Marvin aproximou-se rapidamente.
— Spartaco, o que Trunks faz aqui? O capitão perguntou ao guarda que ainda olhava apavorado o menino em sua frente.
— Ele queria saber sobre a mulher que esteve aqui ontem à noite... - Spartaco explicou com medo do garoto que o olhava. - A mulher de cabelo azul que o rei trouxe do bar...
Marvin entendeu. Trunks deveria ter sentido o cheiro do guarda na mãe.
— Você também esteve com ela! - Trunks respondeu olhando para Marvin, reconhecendo outro dos cheiros que estavam em sua mãe.
— Claro que estive. Ela é minha amiga, eu a levei para casa. - Marvin falou brandamente, agachando-se para encarar o garoto.
— E o que aconteceu? Por que ela estava aqui? - Trunks perguntou novamente, tentando confirmar a história de Spartaco.
— Eu não posso lhe dizer nada, Trunks. - Marvin falou. - Isso é algo que só diz respeito a sua mãe e ao rei. É ela quem deve lhe contar qualquer coisa... - disse imaginando que o menino também tivesse sentindo o cheiro do rei em sua mãe. Agora, volte para a academia por que já sentiram a sua falta.
Trunks não disse nada. Muito sério, apenas bateu continência para o capitão e saiu porta afora. Ele não ia confirmar estória nenhuma com sua mãe por que já sabia o que havia acontecido: o rei devia ter descoberto-a, obrigado-a a ir ao castelo, machucado ela e depois jogado ela fora. Aquilo deixara o menino furioso.
— O que disse a ele? - Marvin indagou a Spartaco quando Trunks saiu.
— N-nada demais, Capitão. - Spartaco falou com medo. - o menino sentiu meu cheiro na mulher e eu disse apenas que ela veio ao castelo falar com o rei e que eu a escoltei para fora.
— E sabidamente você não mencionou que quase a atacou, não é mesmo? - Marvin indagou sarcástico. - Olhe, Spartaco, não se meta com esse garoto. Ele é quase um sobrinho para o general e é afilhado do nosso chefe de tecnologia. Quanto à mulher de cabelo azul: esqueça-a se quiser se manter inteiro por muito tempo.
Dizendo isso, Marvin saiu batendo a porta e deixando Spartaco muito aliviado, mas também muito curioso.
Havia algo de muito estranho ali.
Quem era aquele garoto que quase se transformava em super sayajin na sua frente? Isso ele já se perguntava há algum tempo. Tudo ficava ainda mais estranho quando ele se perguntava qual a ligação do menino protegido do general com a mulher que dormira com o rei.
Aquilo lhe cheirava a coisas abafadas, e coisas abafadas fediam muito. Ele ia atrás de saber o que estava acontecendo. Quem sabe não ganhava algo com isso?
Bulma organizou tudo minuciosamente.
Ligou para Videl, Dezoito e Mestre Kame. Combinou um jantar em sua casa aquela noite e todos os amigos confirmaram.
Quando Trunks chegou da academia naquele fim de tarde ela informou para o menino que convidara os amigos para um jantar e que ligaria as luzes do jardim de trás da casa para que Trunks pudesse treinar com Goten, e para que Pan e a pequena Marron pudessem brincar.
O menino assentiu seriamente e entrou no quarto sem dizer nada. Bulma não viu quando ele saiu novamente para começar seus treinamentos nos jardins.
À noite, estavam reunidos na sala da casa de Bulma todos os amigos da ilha Cápsula.
Gohan estava em uma poltrona tendo Videl em seu colo. Kuririn, Mestre Kame e Oolong sentavam no sofá de três lugares enquanto Dezoito ajudava Bulma a levar para sala duas bandejas com alguns aperitivos. Fora da casa, Trunks e Goten lutavam enquanto eram observados pelos olhos atentos e brilhantes de Pan e da pequena Marron.
Dentro da casa, todos riam e conversavam alegremente, Dezoito sentou-se no braço do sofá e o marido disse-lhe algo ao ouvido que a fez sorrir maliciosamente. Mestre Kame e Oolong olhavam muito atentos uma revista de moda, comentando aqui e ali sobre as modelos enquanto Gohan e Videl namoravam na poltrona.
— Ei, garoto, espere chegar em casa pra fazer isso! - Mestre Kame ralhou ao observar que Gohan beijava intensamente a esposa em seu colo. - Não vê que causa inveja nos outros?
— Que culpa eu tenho do senhor ser um encalhado, mestre? - Gohan disse divertido ao terminar de beijar a esposa, fazendo todos rirem.
— Eu concordo com o mestre, - Oolong se intrometeu. - Vocês não podem ficar aí se pegando como gente solteira, vocês são casados! Tem que se portar como tal.
— E como se portam os casados, Oolong? - Dezoito perguntou interessada.
— Ficam todo tempo brigando e não se beijam nunca, é assim que pessoas casadas normais agem. – O porquinho afirmou com sabedoria. - Não ficam praticamente "se comendo" como esses dois aí fazem...
O grupo riu da observação de Oolong. Todos menos Bulma. Ela observava a cena de um canto da sala pensando em como amava aquelas pessoas e em como não conseguia acreditar que todas a tivessem enganado por tanto tempo. Ela queria muito entender o porquê.
Todos se calaram quando a campainha tocou.
— Vou atender. - Bulma disse saindo e ante a expressão preocupada de todos acrescentou: - Não se preocupem eu estou esperando por essa visita.
Então enquanto ela foi atender a porta, todos olharam-se preocupados. Quem seria a misteriosa visita que Bulma esperara?
E o queixo de todos foi ao chão quando Bulma apareceu na sala trazendo consigo Pirza e o Capitão Marvin.
Um silêncio sepulcral se instalou no ambiente quando os dois entraram.
— Amigos, - Bulma começou muito séria. - Eis o motivo de ter-lhes chamado hoje aqui, não sei se conhecem, mas esta é Pirza, minha amiga de longa data e este é o capitão Marvin, do exército real.
— B-Bulma, o que eles estão fazendo aqui? - Gohan perguntou aterrorizado.
— Eu os convidei Gohan. - Bulma disse calmamente. - Eu os encontrei depois que resolvi ir ao Distrito Real tirar umas coisinhas a limpo.
— Que tipo de coisas, Bulma? - Dezoito perguntou receosa.
— Umas coisinhas que descobri como o fato de Vegetasei não ter mais rainha, Vegeta não perseguir os mestiços e estar solteiro por todos esses anos. - Bulma disse sarcástica. - Coisinhas simples que vocês esqueceram de me contar e hoje a noite eu quero saber o porquê. - falou muito séria olhando os rostos estarrecidos dos amigos à sua volta. - Pirza, Marvin, podem sentar, por favor. - Bulma falou indicando outras duas poltronas que tinha no canto esquerdo. - Essa será uma longa conversa. -Finalizou pegando uma cadeira para si, sob o olhar espantado dos amigos.
— Então, ninguém vai falar? - Bulma indagou após alguns segundos de silêncio. - por que não começamos por você, Gohan? - ela falou olhando o amigo que parecia muito assustado. - Você que está no castelo todos os dias. Como esqueceu de me contar essas informações? - indagou acusativa.
— B-Bulma, eu não fiz isso por querer. - Gohan apressou-se em falar. - Eu juro. Eu sempre fui contra esconder tudo de você, mas Kakkarotto sempre nos convenceu que o melhor era deixá-la alheia de tudo, por que do contrário você poderia voltar ao castelo e expor-se ao perigo.
— E também poderia expor Trunks. - Videl comentou apoiando o marido. - o que seria ainda mais grave pra nós.
— Mas o rei não rejeitaria o menino. - Pirza interviu. - Nem mandaria matá-lo, todos sabem que ele busca um herdeiro, e o fato de ele ser mestiço é irrelevante em Vegetasei desde que VOCÊ Gohan descobriu a conspiração dos mestiços. – falou apontando para o cientista.
— Conspiração dos mestiços? - Bulma indagou sem entender.
— Depois lhe conto essa história. - Pirza continuou. - O importante agora é entender por que vocês enganaram Bulma já que vocês sabiam que nem ela nem Trunks correriam riscos se voltassem ao Distrito Real.
— O rei poderia tomar o menino dela. Nós não poderíamos admitir isso. - Dezoito interrompeu. - A segurança do menino é nossa prioridade, e ter ele do nosso lado também é.
— E por quê? - Marvin interrogou, - que interesse vocês tem no herdeiro do trono sayajin? Perdoem-me, mas um grupo de terráqueos não tem nenhum direito de esconder o herdeiro e privá-lo de seu lugar de direito como sucessor do trono. É um direito sagrado e vocês cometeram um crime imperdoável em omitir a existência de Trunks.
— Nós temos um motivo, Capitão. - Mestre Kame falou com seriedade, encarando o capitão através de seus óculos escuros.
— E que motivo seria esse, Mestre? - Bulma indagou interessada, afinal era da sua vida e de seu filho que eles estavam falando. - Que motivo tão importante é esse que os levou a esconder a verdade de mim durante tantos anos? Explique-me!
Mestre Kame levantou e olhou em volta.
Ele esperava por aquele momento há muito tempo e teria feito aquela revelação muito antes, se não fosse impedido tantas vezes por Kakkarotto.
Era hora de Bulma enfim saber toda a verdade sobre sua origem e sobre a profecia que envolvia seu destino, e nada o impediria de revelar aquilo naquele momento.
