A loucura de Caroline

Darcy chegou em seu escritório de mau-humor. Ele e Elizabeth estavam fazendo três meses de namoro, mas Elizabeth precisou ir para a Itália uma semana antes e ligou naquela manhã dizendo que não conseguiria voltar a tempo para comemorarem. Era a primeira vez que eles se separavam depois de oficializarem o relacionamento e ambos sentiam falta um do outro. Darcy ficou um pouco decepcionado porque ele tinha planejado viajar até ela se ela não conseguisse voltar há tempo, mas Elizabeth o avisou muito tarde.

Ele ficou a manhã inteira em reuniões e resolveu pedir comida e almoçar no escritório. Quando a Sra. Reynolds o comunicou que seu almoço havia chegado, Darcy pediu para que fosse entregue em sua sala.

Ele estava de costas, olhando pela janela, quando escutou a porta abrir e fechar. Sem olhar, ele agradeceu pensando ser sua secretária. "Obrigado, Sra. Reynolds."

"Apenas uma semana sem me ver e você já está me chamando por outro nome, Sr. Darcy? Que decepção!"

Darcy se virou para encontrar Elizabeth sorrindo para ele. Ele cruzou a sala com passos largos e a pegou nos abraços em um abraço apertado. "Você disse que não conseguiria vir, Elizabeth. Eu estava arrasado. Deus, como estou feliz por você estar aqui." Ele dizia com o rosto enterrado no cabelo dela. "Eu senti tanto a sua falta."

Elizabeth o encarou. "William, eu fiz uma viagem de vinte horas ida e volta, só para passar seis horas com você no seu aniversário sem nem ao menos estar namorando com você... Eu não ficaria longe de você hoje, meu amor."

Darcy a olhou nos olhos antes de beijá-la lentamente. Ele a levou até o sofá e sentou-se com ela em seu colo. "Você vai ficar só por hoje?" Perguntou um pouco triste.

O sorriso de Elizabeth ficou ainda maior. "Não... Eu e Enrico criamos nossas novas coreografias e os ensaios serão feitos aqui em Londres. Eu tenho compromisso de um semestre com a Universidade de Londres dando aulas de expressão corporal e estudo dos movimentos, sem contar que a estreia do filme é no próximo mês e se bem me lembro, eu estarei com uma companhia bastante agradável. Temo que você terá que me aturar no mínimo pelos próximos seis meses, Sr. Darcy."

"Oh, mas isso vai ser uma tortura..." Ele disse em provocação enquanto a abraçava mais apertado e a beijava no pescoço e decote. "Como vamos comemorar hoje, meu amor? Você quer jantar em algum lugar especial? O que você quiser, é só pedir."

"Jane e Charles sabem que eu estou aqui e querem jantar conosco... eu pensei que nós poderíamos ir em algum restaurante com eles e depois, ir para o seu apartamento, só nós dois... O que você acha? Eu realmente preciso ver a Jane... Ela ficará fora o dia inteiro e eu só vou conseguir vê-la a noite. Você ficaria muito chateado de dividir nosso jantar de três meses com eles?" Elizabeth perguntou um pouco culpada.

"Nem um pouco. Eu adoro quando nós quatro estamos juntos. E você sempre pode me compensar mais tarde." Ele respondeu sorrindo.

Elizabeth se aproximou para sussurrar em seu ouvido. "Que tal só um aperitivo agora, depois eu deixo você almoçando e vou para minha casa selecionar uma lingerie bem bonita para você tirar de mim mais tarde?"

Os olhos de Darcy já estavam escuros de desejo. "Sabe o que eu imaginei várias vezes essa semana, Elizabeth?"

Elizabeth percebeu a luxúria nos olhos dele. "Eu tenho certeza que você vai falar e me mostrar em seguida."

"Eu imaginei levantar você nos meus braços, com suas pernas firmemente ao meu redor daquele jeito que você sabe que eu amo, e fazer amor com você pressionada contra aquela janela, com vista para toda a cidade." Ele falou enquanto a colocava naquela exata posição.

"Eu adoro sua imaginação. Mas eu adoro mais torná-la realidade." Ela disse antes de se entregar em um beijo cheio de desejo.

Darcy andou até a janela e pressionou as costas de Elizabeth contra o vidro se afastando apenas o suficiente para abrir o botão e o zíper de sua calça. Ele puxou o vestido dela para que ficasse enrolado na altura da cintura e afastou a calcinha dela de lado. "Eu senti tanta, tanta saudade... Eu pensava em você a cada minuto." Ele a beijou ao mesmo tempo que a penetrava com um único movimento. "Eu simplesmente amo como você está sempre preparada para mim."

Elizabeth gemia de prazer. "Eu só preciso olhar para você, William. Você não tem ideia do quanto me excita. Eu amo a sensação de você dentro de mim. Essa semana foi uma tortura."

Darcy tinha uma mão agarrando os cabelos e outra as nádegas de Elizabeth e seus movimentos eram fortes e profundos. Em poucos minutos Elizabeth gemia alto. "Elizabeth, se você continuar assim, eu não vou durar muito tempo."

"Você quer que eu pare?" Ela mordeu o lábio inferior dele, da maneira que ela sabia que o levava a loucura.

"Nunca." Ele intensificou seus movimentos e sentiu Elizabeth agarrando seus ombros com força. Ele sabia que ela estava a segundos de seu prazer e sentiu o seu próprio prazer próximo. Ele puxou o rosto dela para olhá-la. "Comigo, Elizabeth. Junto comigo." E a beijou profundamente para abafar seus próprios gemidos.

Depois de alguns minutos para recuperar o fôlego, ele levou Elizabeth para o sofá e sentou-se com ela em seu colo. Ficaram alguns minutos se beijando e acariciando antes de Elizabeth quebrar o silêncio. "Agora, Sr. Darcy, você precisa almoçar. Eu sei que você tem uma reunião daqui a pouco e eu vou deixar você trabalhar." Ela o beijou novamente antes de se levantar e arrumar as próprias roupas.

Darcy continuou sentado no sofá contemplando sua namorada. "Esses foram os melhores três meses da minha vida. Eu amei o tempo que a gente passou juntos antes, mas poder dizer que te amo e escutar o mesmo de volta... eu fico sem palavras para descrever minha felicidade."

Elizabeth sorriu para ele e sentou-se novamente em seu colo. "William, eu nunca pensei que eu pudesse amar alguém como eu amo você. Obrigada por fazer parte da minha vida e me deixar fazer parte da sua." Ela o abraçou com força e em seguida riu.

Ele a olhou com o rosto confuso. "O que é tão engraçado?"

"Hoje de manhã, quando eu estava esperando pelo horário do meu voo, eu estava tão feliz que estaria com você em breve, que eu não conseguia parar de sorrir. Eu simplesmente não conseguia. Eu tomei café sorrindo, comprei minha revista sorrindo, fiz o check in sorrindo, andei o aeroporto inteiro com um sorriso no rosto... Acho que as pessoas acharam que eu era louca."

Darcy sorriu e a beijou novamente. "Elizabeth, desde que eu te conheci eu recebo olhares estranhos de quem me conhece há muito tempo... eu acho que eu sorri mais desde que te conheci do que a minha vida inteira."

Darcy se despediu dizendo que ligaria para ela por volta das cinco horas da tarde para encontrá-la antes do jantar. Ele queria mais um tempo junto com ela antes de se encontrarem com Jane e Bingley.

Elizabeth saiu de seu escritório diretamente para o sobrado. Ela planejava descansar por pelo menos uma hora, fazer as unhas, o cabelo e cumprir o que tinha prometido para Darcy: escolher uma bela lingerie para aquela noite.

Elizabeth desceu de seu táxi, pegou sua mala e foi em direção à porta de sua casa quando escutou alguém chamar pelo seu nome. Quando se virou, Caroline estava descendo de um carro com vidros escuros. Elizabeth se sentiu apreensiva. Caroline tinha recusado a se encontrar com ela desde a conversa que teve com Darcy. Ela respirou fundo e esperou que ela se aproximasse.

"Eliza, eu preciso falar com você." Ela disse enquanto caminhava ao encontro de Elizabeth.

"Claro, Caroline... por favor, entre." Elizabeth fez um gesto indicando a porta para ela.

"Não há necessidade, vai ser rápido. Eu só quero saber se essa sua história com William está chegando ao fim." Ela perguntou, sem nenhuma emoção aparente em seu rosto.

Elizabeth, por algum motivo, se sentiu amedrontada pela atitude dela, mas resolveu agir da forma mais natural possível. "Caroline, William já conversou com você sobre isso. Por favor, tente entender que nós dois nos amamos. A gente não está junto para ofender ninguém, simplesmente aconteceu. Entenda isso de uma vez por todas, por favor." Ela tentou manter sua voz suave.

Caroline suspirou. "É uma pena que você tenha falado isso, Eliza. Principalmente para você."

Às cinco horas da tarde, Darcy estava saindo de seu escritório entusiasmado com o celular na mão para fazer sua ligação para Elizabeth, mas ela não atendeu. Ele ligou novamente, mas tocou até cair na caixa postal. Ele achou estranho, sempre que ele falava que ligaria, ela estaria esperando. Ele pensou que Jane poderia ter chegado mais cedo e estava com Elizabeth e resolveu ligar para ela.

"Oi William, está tudo certo para hoje a noite?"

"Está sim, Jane. Eu acabei de sair do escritório. Eu estou tentando falar com Lizzie, mas ela não está atendendo... por acaso ela está com você?"

A ligação ficou em silêncio por um momento antes de Jane responder. "Não, William. Para falar a verdade, eu achei que ela estivesse com você. Eu tentei ligar para ela várias vezes essa tarde, e liguei para casa também, mas ela não atendeu..."

Darcy ficou preocupado. "Eu vou para o sobrado. Eu sei que Lizzie quase nunca dorme a tarde, mas pode ser que ela dormiu e perdeu a hora."

"William, se ela não estiver lá, liga para mim, por favor." Jane estava com um pressentimento ruim.

"Eu ligo, Jane. Fica tranquila, com certeza não aconteceu nada." Darcy disse isso, mas sentiu totalmente o oposto. Por algum motivo, ele sentia que algo estava errado.

Quando Darcy chegou em frente ao sobrado das irmãs, imediatamente entendeu que alguma coisa tinha acontecido. A porta da frente estava entreaberta e a mala de Elizabeth estava caída no chão. Ele entrou na casa chamando o nome dela, mas não obteve resposta. Ele achou o celular dela no chão e quando o pegou, notou diversas ligações de Jane, Bingley, um número não identificado e suas próprias ligações.

Darcy sentiu o coração disparar e ligou para Jane avisando que Elizabeth não estava em casa e pedindo para que ela fosse para lá imediatamente.

Em poucos minutos, Jane estava com Darcy, ligando para todas as pessoas que conheciam Elizabeth. Pouco depois, Bingley chegou.

"Jane, Darcy, por que vocês pediram para eu vir direto para cá? Aconteceu alguma coisa?" Ele estranhou o quanto ambos pareciam abalados.

"Nós não sabemos onde Lizzie está, Charles. William chegou aqui e encontrou a casa aberta, a mala e o celular de Lizzie no chão. Ninguém a viu... ela não ligou para ninguém... eu estou ficando desesperada." Jane dizia com o celular no ouvido, tentando falar com mais pessoas.

Darcy estava em pânico e não sabia o que fazer. O primeiro pensamento que teve foi que seus tios poderiam ter feito algo contra ela, mas ligou para seu primo e descobriu que eles estavam fora do país há uma semana. Então, seus pensamentos ficaram mais sombrios. Ele olhou para Jane e percebeu o terror no olhos dela. Jane já estava chorando e ele se sentia exatamente como ela, mas não poderia demostrar. Ele tinha que ser forte. Foi só então que notou Bingley olhando para o próprio celular com o rosto pálido e assustado, suas mãos tremendo.

"O que foi Bingley?" Darcy perguntou. Sua voz cheia de medo.

Jane e Darcy viram Bingley passar a mão nos cabelos várias vezes. "Eu achei que fosse uma brincadeira da Lizzie... Eu achei que fosse uma brincadeira..." Bingley dizia, atordoado demais para responder com clareza.

Darcy tirou o celular da mão de Bingley sem cerimônia e viu uma mensagem na tela.

Caroline e um homem me sequestraram. Ligue para a polícia. Lizzie.

Bingley encostou na parede enquanto Jane estava com seu próprio celular na mão ligando para a polícia. "O número estava oculto... Eu achei que era uma brincadeira da Lizzie... Eu achei que ela queria dar o troco daquela foto que eu postei dela no Facebook..."

Charles pegou seu celular das mãos de Darcy que ainda olhava para a tela com o rosto pálido e ligou para a irmã, mas caiu direto na caixa postal. Então, ele ligou para Louise e ela disse que não via Caroline há vários dias devido a uma briga entre elas.

Em pouco tempo, a polícia estava com eles colhendo todos os detalhes e Caroline estava sendo procurada. Bingley estava sentado em um canto com a cabeça nas mãos. Darcy estava junto com Jane tentando ser útil e passando todas as informações que poderiam lembrar para a polícia.

Eles estavam esperando qualquer contato que Caroline ou Elizabeth poderiam fazer. Darcy sentou-se ao lado de Bingley se sentindo entorpecido. Ele simplesmente não conseguia acreditar que isso estava acontecendo.

"Darcy, eu juro que pensei que era uma brincadeira da Lizzie. Eu nunca ajudaria minha irmã em algo assim..." Bingley dizia em desespero com os olhos cheio de lágrimas.

"Charles, eu nunca pensaria que você tem alguma coisa a ver com isso. Nós deveríamos ter percebido há mais tempo que sua irmã não estava bem... eu sinto muito, mas sua irmã precisa de ajuda especializada." Darcy tentava passar uma tranquilidade que não sentia para o amigo.

"Eu sei... eu deveria ter percebido isso... Nós nunca fomos muito próximos, Darcy. Apenas quando meu pai morreu nós nos aproximamos, mas mesmo assim, minha relação com ela sempre foi fria... Eu sinto que a relação que eu tenho com Lizzie é mais fraternal do que com minhas próprias irmãs... eu nunca tive a liberdade de conversar e brincar com minhas irmãs como eu tenho com a Lizzie, mesmo com o curto período de tempo que a gente se conhece... eu me sinto tão culpado. Se algo acontecer com ela, a culpa vai ser minha também. Eu deveria protegê-la da minha própria irmã e nem percebi isso." Bingley tinha um semblante derrotado.

Jane escutou o desabafo de Bingley com o coração partido. "Não é culpa sua, meu amor. A gente vai encontrar Lizzie e Caroline vai responder por isso. Eu concordo com William, ela precisa de tratamento." Jane dizia enquanto acariciava as costas de Bingley. Jane ainda chorava.

Os tios de Jane e Elizabeth queriam estar com eles, mas a polícia orientou que ficassem em casa para o caso de alguém entrar em contato. Charlote foi orientada a permanecer no Éden. Darcy e Bingley tentavam ligar para Caroline a todo momento, mas sem sucesso.

Próximo da meia-noite, Darcy recebeu uma mensagem em seu celular: Uma foto de Elizabeth amarrada e amordaçada dentro do porta-malas de um carro. Ela estava aparentemente inconsciente. Darcy gelou quando viu uma marca de sangue no carpete ao lado da cabeça dela. A mesma mensagem lhe dava o nome de uma rua e pedia para que ele aparecesse sozinho.

Por um segundo, Darcy considerou fazer exatamente isso, mas seu bom-senso venceu e ele mostrou a mensagem para os policiais. Jane entrou em desespero. Os policiais pediram para que Darcy fosse até o endereço e eles o seguiriam junto com os reforços. Eles estavam preocupados com as condições mentais de Caroline e não tinham ideia de como ela reagiria se visse a polícia junto com ele. Eles também não tinham qualquer informação de quem era o homem que a ajudou.

Elizabeth acordou deitada no bando de trás de um carro em movimento com uma dor forte na nuca. Por um momento, ela não se lembrava do que tinha acontecido. Um pressentimento estranho a obrigou a ficar parada para entender tudo ao seu redor. Então, percebeu que na frente, um homem e uma mulher discutiam.

"Você não me disse que essa é a namorada daquele empresário milionário, Caroline. O meu pagamento vai ter que ser maior."

"Depois que eu estiver com William, você vai receber o triplo do que eu te prometi. Mas até lá, você vai cumprir com o combinado e vai receber exatamente o que foi acordado."

Eles continuaram brigando por causa de dinheiro e Elizabeth estava em pânico porque em nenhum momento eles falavam sobre libertá-la. Ela olhou para o chão do carro e percebeu que a bolsa de Caroline estava embaixo do banco. Discretamente, ela esticou o braço e abriu a bolsa, agradecendo a Deus por encontrar o celular dela.

Ela se amaldiçoou por não saber o número de ninguém de cabeça. Com as facilidades de uma agenda no celular, parecia que isso era desnecessário. Como ela se arrependia de não decorar o número de ninguém!

Ela passou a procurar os números de Darcy ou Jane na agenda, e não encontrou nenhum dos dois, mas sentiu alívio quando viu um número sob a denominação "irmão". Elizabeth ligou para Bingley, mas ele não atendeu, ela se lembrou que não estava com o próprio celular e ligou para ele na esperança de alguém atender, mas tocou até cair na caixa de mensagem. Não querendo perder tempo, ela rapidamente digitou uma mensagem e enviou para o número de Bingley e depois, continuou tentando ligar.

Ela estava tão absorvida nas tentativas de contato que não percebeu quando uma mão arrancou o celular dela. Elizabeth sentiu uma pancada forte na cabeça e em seguida, era tudo escuridão.

Darcy dirigiu até o endereço informado e rapidamente viu um carro escuro parado em uma rua completamente deserta. Ele estacionou seu carro e desceu, andando com cautela naquela direção.

Assim que Caroline percebeu que era Darcy, ela saiu apressadamente em direção a ele sorrindo. "William... eu sabia que você enxergaria o bom-senso. Será que agora você entende como ela é inadequada para você? Que você deve ficar comigo?"

Darcy estava assustado com toda a loucura de Caroline. Ele se sentia culpado por não perceber o quanto ela era perturbada e por indiretamente colocar Elizabeth em perigo. Ele agiu exatamente como foi orientado. O que se seguiu foi a conversa mais insana que ele já teve.

"Ela é totalmente inadequada, Caroline. Você sempre teve razão. Você é a mulher certa para mim." Ele dizia tentando parecer verdadeiro.

Caroline chegou mais perto de Darcy com o rosto emocionado. "Nós vamos ficar juntos agora, não vamos William? Só nós dois."

"Só nós dois, Caroline. Mas primeiro, temos que soltar Elizabeth. Nós não queremos começar o nosso relacionamento com problemas." Ele sentia seu corpo inteiro trêmulo pelo medo. Ele estava aterrorizado com imagens que sua mente criava de Elizabeth gravemente machucada ou pior.

A boca de Caroline formou um bico infantil. "Você ainda se preocupa com ela, William? Ela não vale nem seus pensamentos... A gente tem que se livrar dela, senão, não vamos ter paz."

Darcy sentiu seu pânico aumentar, mas se controlou antes de correr até o carro, rezando para ela estar lá, viva, perto dele. "Eu não me preocupo com ela. Só com você. Mas você não acha que a gente pode ter problemas com a polícia se ela não aparecer? Sem contar que seu irmão não vai ficar feliz se alguma coisa acontecer com a irmã da namorada dele..." Ele tentava desesperadamente pensar em justificativas para finalmente libertar Elizabeth.

Carolina pensou por um momento. "Charles merece alguém melhor também. Eu não sei o que ele viu em Jane. Ele merece se livrar dela também."

Darcy se agarrava em qualquer ideia para acabar de uma vez com aquela situação. "Sim, eu concordo com você. Mas ele vai ficar muito furioso se descobrir que a gente fez alguma coisa com Elizabeth... ele vai deixar de confiar em nós dois. Vamos deixá-la na frente da casa dela e depois, nós vamos dar um jeito de separar ele e Jane. O que você acha?" Darcy falava quase em desespero.

Caroline sorriu. "Eu acho uma ótima ideia, William. Você sempre foi tão inteligente..."

Darcy sorriu para Caroline, cheio de esperança que conseguiria resolver tudo sem maiores danos e de que Elizabeth estava bem. "Vamos até o carro pegar ela e colocar no meu carro. Então, nós dois podemos deixá-la na frente do sobrado e ir direto para o meu apartamento. Só eu e você, Caroline, como sempre vai ser..."

Caroline agarrou a mão de Darcy com força e o guiou até o carro. Quando chegou perto do porta-malas seu cúmplice saiu do carro com uma arma apontada para eles e ficou parado ao lado da porta do motorista aberta. "Não tão rápido, riquinho. Vocês vão ter que me pagar primeiro."

Caroline revirou os olhos. "Seu dinheiro está dentro da minha bolsa embaixo do banco do motorista, Wickham."

Darcy percebeu que o cúmplice de Caroline estava fora de si. Talvez ainda mais lunático do que a própria Caroline.

"Você sabe que agora que eu sei quem é ela, eu vou querer muito mais." Ele disse em uma voz instável, piscando os olhos rapidamente e balançando a cabeça como se para espantar algo.

Caroline abraçou o braço de Darcy e falou com uma voz melosa que ele odiava. "William, querido, fala para ele que você vai fazer o pagamento. Assim, a gente pode terminar logo com isso e ir para o seu apartamento."

Quando Darcy olhou para Wickham para falar exatamente isso, ele percebeu que Wickham tinha se assustado com algo. Com olhos arregalados, ele olhava para todos os lados e se preparava para entrar no carro.

"Você não veio sozinho. Você trouxe a polícia." Ele acusou com raiva.

Darcy escutou um barulho vindo do porta-malas do carro, e ao mesmo tempo que sentiu alivio por Elizabeth estar acordada, ficou aterrorizado com o que se seguiu. Wickham entrou no carro, bateu a porta com força e partiu com Elizabeth, enquanto várias viaturas viraram a esquina e iniciaram a perseguição.

Darcy se virou e correu para seu próprio carro, mas foi impedido de segui-los por outro policial. Caroline estava sendo algemada e gritava histericamente para que Darcy a ajudasse, para que ele falasse que eles estavam juntos. Darcy estava perdido. Ele nunca tinha se sentido tão impotente em toda sua vida. Tudo o que ele podia fazer, era tentar descobrir onde Wickham estava levando Elizabeth e se os policiais conseguiram alcançá-lo.

Cerca de quinze minutos depois, um dos policiais que estavam com ele escutou no rádio que o carro de Wickham tinha sido encurralado em uma rua do centro da cidade, e que o carro estava bastante amassado. Darcy sentiu-se nauseado ao pensar que Elizabeth poderia estar machucada ou pior, e ele se esforçava a não pensar nisso.

Ele insistiu em estar no local, e um dos policiais dirigiu seu carro até lá. Quando chegou, Jane e Bingley já estavam lá com semblantes apavorados. No meio de uma rua movimentada de Londres, Wickham estava segurando Elizabeth pelos cabelos, posicionada em frente a ele como um escudo e com uma arma apontada para a cabeça dela. Ele gritava para todos se afastarem e deixar ele ir embora.

Elizabeth estava chorando. Suas lágrimas escorrendo por sua face misturadas com sangue. Darcy conseguia ver o desespero no rosto dela. Ela corria os olhos arregalados nas pessoas que estavam ao redor e só parou quando encontrou o olhar de Darcy fixo nela. Eles ficaram se olhando, um tentando acalmar o outro enquanto tudo se desenrolava.

Darcy sentia as batidas de seu coração ecoarem em todo o seu corpo enquanto via os lábios de Elizabeth formarem a frase 'eu te amo' para ele, como se fosse uma declaração de despedida. E foi nesse momento que ele escutou um disparo e um grito. No meio da movimentação, ele conseguiu distinguir o rosto chocado de Wickham com um corte profundo na bochecha, e em seguida, escutou um segundo disparo e o corpo de Elizabeth caindo no asfalto. Toda a cena seguinte se desenrolou como se fosse em câmera lenta: Wickham no chão com vários policiais o imobilizando, Jane tentando correr para a irmã, mas sendo impedida por Bingley, e médicos verificando Elizabeth.

Darcy se sentia no meio de uma cena de filme, não parecia a vida real. Seus pés fizeram o caminho até Elizabeth automaticamente. Ele se desvencilhava de cada braço que tentava segurá-lo, tudo o que importava naquele momento era olhar para ela e saber que ela estava viva.

Quando ele a viu, Elizabeth estava sendo colocada em uma maca. Seu rosto e corpo muito machucados, mas ela estava com os olhos abertos e sorriu quando o viu.

"Nós realmente combinamos, William. Eu acho que eu vou ter uma cicatriz de tiro bem parecida com a sua." Ela disse com uma voz fraca, cheia de humor fora de lugar.

Darcy ria e chorava ao mesmo tempo. Os paramédicos o deixaram entrar na ambulância com ela e explicaram que ela levou um tiro no ombro, estava com um corte na cabeça e vários ferimentos superficiais, mas felizmente, fora de perigo.