Notas iniciais:

Dedico esse capítulo a gisela19wwe, obrigada pelos comentários! Fico muito feliz em receber eles!

Capítulo 27: Um Convite

Na manhã do dia seguinte, logo depois de tomarem o café da manhã, Hermione e Severus aproveitam para passar um tempo na biblioteca. Severus, que agora recusava-se a pegar um exemplar do Profeta Diário em mãos, estava lendo um livro sobre usos avançados de poções. Hermione tinha alguns livros abertos à sua frente, a maioria tratava sobre efeitos colaterais das Maldições Imperdoáveis.

Os dois estavam em silêncio, mas aproveitando a companhia um do outro, não era preciso demonstrar isso em palavras. Apenas um estar próximo ao outro já era suficiente. Mas Hermione estava preocupada com Severus, queria falar com ele. Queria saber como ele sentia-se em relação ao que havia acontecido nos dois dias anteriores, a reportagem do Profeta Diário e a visita do Ministro.

Hermione era a responsável pelos cuidados de Snape, ela precisava saber como ele sentia-se. Mas não apenas por isso, queria saber como ele sentia-se pois preocupava-se com ele e o amava de todo seu coração, não queria vê-lo sofrer, queria estar ao lado dele e o ajudar a superar o que quer que fosse.

Ela decidiu então iniciar um diálogo, deixou os livros de lado por um momento e perguntou:

— Severus, como está sentindo-se em relação a tudo que ocorreu nesses dias? — Disse Hermione mirando o rosto do homem.

— Eu ainda não sei exatamente, Hermione. Em um dia sou acusado de inúmeras coisas e no outro dia o Ministro da Magia vem a minha casa e pede desculpas pelo ocorrido.

Hermione coloca a sua mão sobre a de Severus e diz:

— Tudo bem não saber como se sente. Às vezes não é preciso entender completamente o que se passa em nossa mente. Eu só quero que saiba que eu estou aqui para o que precisar, Severus.

Snape pega a mão de Hermione e leva aos lábios, deposita um leve beijo sobre a mão e fala:

— Sei que está.

Hermione queria muito ir até Severus e beijá-lo, mas sua intenção foi frustrada pela chegada de uma coruja. Era um coruja branca que estava parada no parapeito da janela. Hermione sabia bem de quem era aquela coruja, que tanto lembrava Edwiges. Ela saiu de sua cadeira e foi até a janela, a coruja que lá estava, trazia no bico um pequeno bilhete de Harry Potter.

A jovem pegou o bilhete, fez um levo afago no animal, que permaneceu parado. Certamente estava aguardando uma resposta. Ela então desamarrou o pequeno laço que mantinha o bilhete fechado. Abriu-o e leu com calma.

"Hermione,

Espero que tudo esteja bem, com você e com Snape.

Se aceitarem, eu e Ginny queremos fazer uma visita a vocês hoje à tarde. Ginny quer muito te ver e, segundo ela, tem milhões de coisas para lhe contar, para lhe perguntar e um convite para fazer. Queremos aproveitar que hoje não estou trabalhando e nem ela tem jogos.

Aguardamos a resposta o mais breve possível.

Um abraço,

Harry e Ginny."

Assim que Hermione terminou a leitura do bilhete passou-o para Severus.

— É de Harry. — Disse a jovem.

Severus leu o bilhete e pensou por alguns segundos. Não desgostava totalmente do garoto Potter e nem da garota Weasley, mas recebê-los não era seu desejo para um sábado à tarde.

— O que acha, Severus? Podemos recebê-los? Você está bem com isso? — Perguntou Hermione.

Ele olhou para Hermione, ela tinha um semblante tão animado que ele não foi capaz de opor-se a visita do casal.

— Podemos recebê-los sim, se este é seu desejo. — Disse Severus.

— Certo! Vou responder a eles. — Disse Hermione muito animada enquanto caminhava até Severus e lhe dava um estalado beijo na bochecha.

Ele observou Hermione, não esperava receber aquele beijo, mas foi uma grata surpresa, ela ficava linda quando estava animada.

Em poucos instantes Hermione já entregava outro pedaço de pergaminho à coruja, com uma resposta positiva ao pedido de Harry.

~ x ~

Era por volta de quatro da tarde quando Harry e Ginny chegaram à casa de Snape. Uma empolgada Hermione foi abrir a porta, logo que o fez foi envolta por um par de braços que a apertaram fortemente em um abraço.

— Hermione, eu estava com tanta saudade sua. Você não me manda notícias há mais de vinte dias. Como você está? — Perguntou Ginny ainda com os braços em volta da amiga.

Hermione, que retribuía o abraço da amiga na mesma intensidade, respondeu:

— Também estava com muita saudade, mas aconteceu tanta coisa em minha vida nesses dias que, sinceramente, não consegui escrever para você.

As duas amigas soltaram-se e então Harry abraçou Hermione.

— Como você está, Mione? Está tudo bem? — Perguntou Potter.

— Está tudo bem, sim, Harry. — Respondeu Hermione.

Hermione pediu que os amigos entrassem e indicou-lhes a sala de estar, onde Severus também estava aguardando os visitantes.

Harry foi o primeiro a dirigir-se a Snape para cumprimentá-lo.

— Snape, como está? — Perguntou Harry assim que estendeu a mão para o homem.

— Estou bem, Potter. — Respondeu o homem.

Logo depois Ginny Weasley lhe estendeu a mão.

— É bom vê-lo bem, Snape. — Disse a jovem ruiva.

Snape apenas fez um sinal positivo com a cabeça. Ainda não tinha se acostumado a ser tratado tão bem pelas pessoas.

Hermione pediu que os amigos se sentassem, assim como ela e Severus o fizeram.

O quatro conversaram apenas trivialidades por algum tempo. Hermione estava sentindo-se muito feliz em ter seus amigos por perto e também a Snape, ela estava maravilhada com aquela situação. Conversava animadamente sobre todos os assuntos propostos e tentava incluir Severus, que apesar de ser monossilábico, estava participando da conversa.

— Vou fazer um chá para nós, — anunciou Hermione a certo momento, já levantando-se do sofá — vocês aceitam?

Todos responderam positivamente.

— Eu te ajudo — Disse Ginny.

Harry, que estava sentando ao lado da noiva a olhou e questionou:

— Tem certeza, Ginny? Acho melhor que eu vá ajudar Hermione.

A Weasley mais jovem era péssima na cozinha e Harry tinha plena consciência da falta de talento de sua futura esposa nesse quesito. Por isso ofereceu-se para ajudar Hermione em seu lugar.

Ginny levantou-se e olhou para seu futuro esposo de cima.

— Harry Potter, eu certamente tenho plena capacidade de ferver água. — Disse ela fingindo sentir-se ofendida.

Harry e Hermione riram da atitude da ruiva.

As duas jovens mulheres então encaminharam-se para a cozinha enquanto já iniciavam mais uma animada conversa.

Harry e Severus permaneceram na sala de estar e, por alguns instantes, houve silêncio, mas Harry não queria que fosse dessa forma. Não queria que sua relação com o "namorado" de sua melhor amiga se resumisse a isso. Ele se esforçaria para, pelo menos, tentar conversar com Snape. Além disso, também tinha um convite para entregar a ele.

Primeiro Harry puxou assunto sobre algumas poções que os Aurores estavam utilizando no momento e sobre algumas que queriam começar a usar. Snape participou ativamente da conversa, até explicou alguns efeitos colaterais das poções que Harry havia mencionado.

Harry também falou um pouco sobre como estava o mundo bruxo atualmente, sobre alguns funcionários do Ministério e sobre os professores de Hogwarts. Contou que haviam oferecido a Draco o cargo de professor de Poções, há cerca de dois anos, mas que ele havia recusado para continuar a fornecer as Poções para o St. Mungus. Então Slughorn precisou permanecer no cargo.

Snape fez poucos perguntas, geralmente apenas permanecia ouvindo. Mas quando Harry mencionou Azkaban, a expressão de Severus mudou. Ele percebeu que Snape parecia um pouco preocupado.

— Quem controla Azkaban atualmente? — Perguntou Snape.

— O Ministério controla, mas não usamos mais Dementadores, agentes do Ministério trabalham na prisão, os bruxos que trabalham em Azkaban são como os agentes penitenciários nas prisões trouxas. — Explicou Harry.

— E todos os Comensais estão presos em Azkaban? — Quis saber Snape.

Harry estranhou um pouco a pergunta, mas respondeu.

— Sim, todos os Comensais que sobreviveram estão em Azkaban atualmente.

Havia apenas um Comensal que perturbava Snape, na verdade, uma Comensal. Ele queria saber se a pessoa que tanto mal fez a Hermione estava trancafiada bem longe da sociedade e bem longe de Hermione.

— Bellatrix está presa lá?

Harry finalmente entendeu a preocupação de Snape.

— Bellatrix está morta. Molly Weasley a matou no dia em que Voldemort caiu. — Disse o rapaz de cabelos rebeldes.

Snape não esperava ouvir aquela notícia, não achou que alguém seria capaz de dar um fim em Bellatrix. Mas estava realmente aliviado que isso havia acontecido. Era algo a menos com que precisaria preocupar-se.

Os dois homens continuaram a conversar sobre as mudanças que haviam ocorrido na estrutura do Ministério depois da guerra. Snape realmente estava debatendo diversos tipos de assunto com Potter, a companhia do garoto não foi de todo terrível.

— Snape, além de vir fazer uma visita, eu tenho algo para entregar ao senhor. — Disse Harry.

O rapaz de cabelos rebeldes colocou a mão no bolso de seu casaco e de lá retirou um envelope da cor lilás. Ele passou esse envelope para as mãos de Severus.

— O que é isso, Potter? — Perguntou Snape um tanto desconfiado.

— É o convite do meu casamento. Eu gostaria muito que o senhor fosse. — Disse Harry.

Snape abriu o envelope, leu o convite, que trazia os seguintes dizeres:

"Ginevra Molly Weasley

Harry James Potter

Convidam para a cerimônia de seu casamento,

que será realizada no dia

26 de março,

Às 15:00 horas

N'A Toca"

Snape não esperava por aquilo, ser convidado para o casamento de Potter. Isso parecia apenas uma piada de mal gosto.

— Certamente Hermione também gostaria muito se o senhor a acompanhasse a cerimônia. — Completou Harry com um pequeno sorriso nos lábios. — Afinal, ela precisa de um par.

Snape fitou Harry seriamente.

— Está fazendo isso por Hermione? — Perguntou o homem.

— Em parte, sim. Quero que Hermione vá ao meu casamento, mas quero mais ainda que ela vá acompanhada de alguém de quem goste. E quero que o senhor vá ao meu casamento e ser for com Hermione, certamente ela ficará muito feliz. — Respondeu Harry sinceramente.

— Falarei com Hermione sobre seu convite, Potter. — Disse Snape.

— Eu agradeço, senhor. — Disse Harry sentindo-se otimista em relação as palavras de Snape.

~ x ~

— Hermione, eu disse que eu iria te ajudar a fazer o chá, mas eu acho melhor não arriscar, a menos que não exista problema se eu explodir, acidentalmente, a casa de Snape ao colocar um chaleira de água para ferver. — Disse Ginny, assim que acomodou-se na banqueta e colocou os braços sobre o balcão.

Hermione riu.

— Eu agradeço a sua oferta de ajuda, mas vou recusar. Pode deixar que eu faço o chá. — Falou a castanha do forma divertida. — Seus talentos são grandes em um campo de Quadribol, não em uma cozinha.

— Eu tenho sorte que o Harry sabe cozinhar muito bem, se não nós dois acabaríamos morrendo de fome depois do casamento. — Brincou a ruiva.

Hermione riu da constatação de Ginny enquanto colocava um chaleira com água para esquentar.

— Na verdade, eu só me ofereci para ajudar você para que pudéssemos aproveitar esse tempo para conversarmos, apenas nós duas. — Ginny agora tinha um semblante mais sério. — Harry me contou algumas das coisas que aconteceram com você, mas sabe como Harry é genérico com detalhes. Quero que você me conte, detalhadamente, o que aconteceu com você desde que Snape acordou.

— Aconteceu tanta coisa, Ginny. Houve momentos em que eu sequer sabia se iria aguentar a pressão. — Começou Hermione.

Primeiro a castanha falou sobre o dia em que Snape acordou, depois relatou a licença que Percy a obrigou a tirar e como resolveu usar a licença para assumir os cuidados de Snape. Falou sobre as objeções de Snape quanto a ela assumir seus cuidados e sobre a discussão que isso gerou.

Hermione contou como foram os primeiros dias morando com Snape e também falou sobre a crise de ciúme de Alden e o retorno de Severus para o hospital e como essas situações estavam ligadas. Contou para Ginny que ela própria ameaçou Alden, para que ele se afastasse dela e de Snape, mas que ninguém sabia disso e que a ruiva era para manter segredo.

— Pode deixar que guardarei segredo. — Disse a ruiva.

Hermione, então, continuou a falar:

— Você lembra que me perguntou por que eu não quis namorar Viktor Krum, quando ele fez o pedido, alguns dias antes do casamento do Bill e da Fleur? — Perguntou a castanha.

— Lembro. Eu chamei você de louca por não aceitar, — Ginny riu — mas você me disse que já tinha outra pessoa em seu coração. Mas por que está lembrando disso agora?

— A pessoa estava no meu coração naquela época, foi quem eu salvei na batalha de Hogwarts, foi quem me fez virar medibruxa, foi por quem eu ameacei Alden.

Ginny olhou para a amiga e levantou as sobrancelhas:

— Snape? O Morcegão das Masmorras?

Hermione deu um sorriso e confirmou:

— Sim, Snape.

— Harry tinha me falado sobre você e Snape, sobre você afirmar que o amava. Mas eu não fazia ideia de que você já o amava há mais de oito anos. Você é realmente persistente, Hermione. — Disse Ginny divertida. — Mas como isso começou, quero dizer, como surgiu seu interesse por Snape?

— Nem eu sei exatamente, — falou Hermione — só sei que em certo momento, eu me descobri apaixonada por um homem muito mais velho. No começo, achei que era apenas uma paixão platônica, que pode surgir entre professor e aluna, é algo até comum de acontecer.

— E o que a fez mudar sua percepção? — Ginny estava realmente curiosa para descobrir como sua amiga descobriu seu amor por seu ex-professor.

— Acho que, o momento que mudou tudo, foi quando o encontrei na Casa dos Gritos. Naquela noite eu vi muita coisa e senti muita coisa. — Hermione não iria mencionar que havia invadido as memórias de Snape. — Quando eu o vi caído, à beira da morte, meu medo de perdê-lo superou todos os outros sentimentos que eu tinha em minha mente. Ali, eu tive certeza que o amava, porque meu maior desejo, naquele instante, era salvá-lo.

— E você conseguiu salvá-lo. — Disse Ginny animada. — Já revelou a ele seus sentimentos?

Hermione deu um pequeno sorriso.

— Sim, já revelei.

— E como foi? — Os olhos de Ginny brilhavam de curiosidade.

— Não foi exatamente como planejei, mas deu tudo certo. — Disse Hermione.

— Por Merlim, Hermione! Fale de uma vez! Deu tudo certo de que forma? — Ginny já estava impaciente.

— Eu o beijei e ele retribuiu. — Disse Hermione, deliciando-se com as lembranças do seu primeiro beijo e de Severus.

— Quando foi isso? — Quis saber Ginny.

— Foi depois da segundo internação dele no Saint Mungus, logo que ele acordou. Me deixei levar pelas minhas emoções, o beijei e me confessei. — Falou a castanha.

— E vocês se beijaram outras vezes? — Perguntou a ruiva empolgadamente.

— Sim, várias outras vezes. — Disse Hermione dando um pequeno sorriso.

Ginny tinha um largo sorriso no rosto quando perguntou:

— Então, agora você está pegando o Morcegão? E como é?

— Ginny! Isso é coisa que se pergunte? — Disse Hermione, em parte divertindo-se com a situação e em parte constrangida pela pergunta da amiga.

— Claro que é! Você tem que me contar! — Disse a ruiva em meio aos risos. — Já chegaram até o fim?

Apesar de não gostar de expor sua vida pessoal dessa forma, sabia que Ginny não desistiria até ter uma resposta concreta.

A castanha suspirou, então disse:

— Ainda não fomos até o fim, mas apenas por que ordens médicas nos impedem.

— Mas vocês já deram uns "amassos", não?

— Sim. — Disse Hermione rindo da empolgação de Ginny.

— E como foi?! Não me deixe apenas na curiosidade, Hermione Granger! — Protestou a ruiva.

— Foi maravilhoso, Snape tem excelentes habilidades. — Falou a castanha, suas palavras carregavam um pitada de malícia.

Ginny riu e disse:

— Não acredito! Você realmente está pegando o Snape!

— Fale baixo, Ginevra! Encha a boca com esses cookies e pare de fazer perguntas. — Disse Hermione enquanto colocava um prato com os biscoitos na frente da castanha.

Ginny deu uma mordida em um cookie, mas não deixou de lado sua curiosidade.

— Só mais uma pergunta, Hermione. Enquanto você e Snape estavam dando uns amassos, certamente você percebeu o tamanho do "dote" dele. Agora me confirme, o que ele tem em baixo daquela roupa, é um morcegão ou um morceguinho? — Ginny não se conteve e começou a rir ao terminar de falar.

— Por Merlim, Ginevra! Você não tem vergonha, mesmo!

— Não, não tenho. E você tem plena consciência disso, agora me responda. — Ginny ainda ria.

O rosto de Hermione ficou completamente rubro, pois a pergunta de Ginny remeteu às lembranças dos seus momentos mais intensos com Severus. Ela lembrou-se de como suas mãos percorreram o membro de Snape e das sensações que causou nele.

— Sabe que eu não vou desistir até que me conte. — Completou Ginny.

Hermione respirou fundo, para recuperar o controle de seu corpo, que já sentia-se quente apenas pelas lembranças. E com um sorriso, um tanto malicioso, respondeu a Ginny:

— É um morcegão.