Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Maldición de una serpiente" postada em 2009 no FanFiction por Acarolin95.
Capítulo 17 - Sol antes da tempestade.
Ele pensava que ia se transformar, era o mais lógico naquilo tudo, mas o dia de lua cheia tinha passado e ele não tinha se transformado em um lobisomem.
Rony Weasley tinha levado a Luna Lovegood e ao senhor Olivaras uns dias antes da lua cheia, já que eles tinha lhes mencionado sua mordida no antebraço esquerdo, Hermione Granger tinha chegado à conclusão de que se transformaria em um lobisomem. Assim, tinha ficado sozinho com Hermione e Rony no dia da lua cheia, esperaram até que o sol se escondeu e a lua mostrou toda a sua beleza. Tinha sido muito estranho o que sentiu ao ver a lua, era como uma atração irresistível e umas vontades incontroláveis de uivar para ela, depois de várias tentativas de uivar, sentiu um cheiro delicioso de carne, mas não vinha de Hermione nem de Rony, e sim a alguns quilômetros onde se escutava o som de água, instintivamente correu até o cheiro. Em toda a noite, só conseguiu pescar um mínimo peixe e sem pensar duas vezes, tinha se jogado no chão para dormir.
Ele, Harry, não entendia o que tinha acontecido durante a lua cheia. Não tinha se transformado em um lobisomem, mas... uivou para a lua? E gostava de peixe cru? Eram sintomas de um lobisomem — embora ele tinha pensado que gostaria mais do cheiro de Rony e de Hermione do que de um peixe.
Esticou o braço, fazendo uma careta de dor e deixou que Hermione olhasse a ferida do antebraço, a zona estava toda sensível e ainda não tinha se curado, já que era uma ferida feita por uma criatura das trevas.
— Está muito feio, Harry... — disse Hermione enquanto avaliava a ferida ensanguentada, com um olhar de pena e desculpa — Tem certeza de que não sente dor? — Harry assentiu — É estranho, quero dizer, quando um lobisomem se transforma sente muita dor e pouco depois perde a capacidade de controlar suas ações, mas você não se transformou e agiu como um lobisomem inofensivo...
— Inofensivo? — repetiu Rony, bufando — É porque não estava na sua forma lupina, senão acho que poderia ter pescado um peixe melhor ou até nós mesmos.
— Bom, o que eu quero dizer é que Harry não sentiu dor quando a lua cheia saiu por completo, ele nem percebeu que estava sangrando — disse Hermione, soltando o braço dele — Não posso fazer nada, Harry. Não tem feitiço, já que mordidas de lobisomem são incuráveis, isso foi que Madame Pomfrey disse ao irmão do Rony, pelo menos, quando foi atacado por Greyback não transformado. E como vimos na noite passado, desenvolveu alguns traços lupinos.
Os três garotos ficaram em silêncio. Hermione levantou-se para verificar os feitiços que os protegiam, já Rony sentou-se na frente de Harry sem desviar o olhar dele. Harry tinha desejado que ele desviasse o olhasse, não se sentia cômodo que esperasse uma reação de sua parte. A verdade é que tudo estava ficando cada vez mais complicado conforme passava mais tempo naquele... universo, só queria estar com seus pais e seu padrinho. Sentia que tinham se passado anos desde a última vez que os vi. Apesar do estranho que era que não tinha se transformado, não era a maior de suas preocupações. Ter grande parte de suas lembranças em branco ou borradas o inquietava mais, não gostava de estar em um novo universo onde não tinha lembranças e era um completo ignorante do que estava acontecendo. Se pudesse pedir um desejo, seria ter suas lembranças de volta, sabia que ia voltar ao seu universo de uma forma ou de outra.
— Ei — disse Harry de repente, lembrando-se de algo que tinha escutado Rony dizer enquanto eles pensavam que estava dormindo — O que é esse negócio de hor-horrocrusses?
— Quê? — perguntou Rony, sem entender o que dizia — Não sei do que está falando.
— Você sabe... Os horrocrusses ou coisa assim, não lembro direito — insistiu, olhando para os dois — Umas noites atrás você e Hermione estavam falando de um medalhão que devia estar destruído e logo Rony disse que tinham que continuar procurando os outros horrocrusses por Dumbledore e por... pelo Harry daqui.
Hermione esfregou as mãos com nervosismo enquanto mordia o lábio inferior, olhou nervosa para Rony, que estava pasmo, olhando boquiaberto para Harry. O garoto sorriu satisfeito por conseguir o que queria. Os dois trocaram olhares, que pareciam mais que liam as mentes um do outro porque, depois de um tempo, Hermione assentiu.
Então ela começou uma longa conversa explicando sobre os horrocrusses, que na verdade se chamavam horcruxes. Foi explicando que para fazer horcruxes tinha que dividir a alma e logo guardá-la em um objeto, mas só conseguia criar uma horcrux quem matasse uma pessoa a sangue frio, já que no momento do ataque a alma se dividiria. E a única razão para fazer isso seria para se tornar imortal porque, mesmo que matassem o criador da horcrux, a alma continuaria intacta. No final da explicação, Harry pensou que tudo aquilo de horcruxes lhe dava nojo e parecia horrível que alguém fosse medroso da morte, talvez tivesse um pouco de medo de morrer, mas isso não significava que mataria outras pessoas para sobreviver.
— Quem seria tão horrível e covarde para fazer isso? — perguntou Harry depois de uns minutos.
— Ficaria surpreso se dissesse que você-sabe-quem? — disse Rony, pondo a cabeça de lado enquanto franzia o cenho e fazia uma careta com a boca.
Ele começou a rir por semelhante brincadeira, mas ao se dar conta de que nem Rony nem Hermione riam, nem pulavam e gritavam "brincadeira!", seu riso morreu. Passou a mão pelo pescoço e olhou horrorizado para eles. Antes que algum deles pudesse dizer algo, levantou-se de uma vez e começou a andar de um lado para o outro, negando com a cabeça.
— Devem estar errados... é impossível que... que seja tão covarde da morte — conseguiu dizer.
Rony olhou rapidamente para Hermione, então concordou com a cabeça, confirmando as suas palavras.
— O importante é que não conte a ninguém, Harry... o nosso Harry nos confiou essa informação e ele queria que nós terminássemos o trabalho por ele, onde quer que esteja — disse Hermione — A única forma de acabar com Vol...
— Não diga seu nome! — interrompeu Rony de repente.
— Por que não? Meus pais sempre disseram que não tem que ter medo de uma coisa — disse Harry com o cenho franzido, parando um segundo para olhá-lo.
— Esse nome está amaldiçoado, estou dizendo — disse com a voz suplicante — Não custa nada dizer "você-sabe-quem".
— Que seja — continuou Hermione — A única forma de acabar com ele é destruindo as horcruxes.
Rony parecia aliviado de que não tivessem pronunciado o nome, mas agora que tinha pedido que não dissessem, mais vontade tinha Harry de dizer.
— Então... — começou o moreno, medindo suas palavras — Como são destruídas? E quais são? — Hermione abriu ab oca, negando com a cabeça, mas Harry a interrompeu antes do tempo — Já me disseram, a resposta das duas perguntas não podem ser piores do que o significado de uma horcrux, não é?
— Tem razão — ela suspirou — Nem sei o porquê te contamos, outras pessoas nos perguntaram como a mão do Rony e nos negamos a revelar sobre nossa missão, mas com você... É como se te conhecêssemos ou deveríamos conhecer. É incrível e perigoso como podemos confiar em um desconhecido — negou com a cabeça, passou a mão pelo cabelo emaranhado e continuou — As únicas formas de destruir uma horcrux são com um algum objeto mágico extremamente poderoso, como o veneno de basilisco ou algo impregnado de veneno de basilisco, também feitiços extremamente poderosos que possam acabar com a horcrux sem deixar rastros — Harry assentiu e voltou a sentar-se — Agora, Dumbledore tinha conjecturas de que Vol... ele — apressou-se a dizer quando Rony lhe deu uma cotovelada nas costelas — escolheu objetos que sozinhos tivessem esplendor, como os pertences dos quatro fundadores de Hogwarts. Criou seis ou sete horcruxes, duas das quais já foram destruídas, e o meda...
— Espera um pouco — ofegou Harry, alguma coisa estava acontecendo.
Pôs as mãos na cabeça com dor, doía como se fosse explodir, não era como lembrar, era como se alguma lembrança da sua memória quisesse aparecer. Abriu lentamente os olhos, mas o único que conseguiu ver foram manchas borradas e parecia não estar no bosque, estava em uma espécie de casa escura. A imagem clareou, como a lente de uma câmera, e encontrou-se ao lado de um garoto loiro, ambos olhavam por um buraco na parede o suficientemente grande para os dois. Conseguiu escutar e ver o que acontecia do outro lado da parede como se fosse o próprio Harry da lembrança.
Com um pouco de dificuldade, escutou a voz de uma mulher e pouco depois de um homem.
— Não podemos permitir que isso volte a acontecer. Se não te conhecesse, pensaria que quer arruinar os planos do Lorde das Trevas.
— Não é como se fosse minha culpa, Bellatrix, foi um erro...
— Um erro que pode acabar com a esperança de que o Lorde das Trevas volte. O velhote já pode suspeitar — disse a voz de... Bellatrix? Harry sentia que devia conhecê-la, mas não conseguia — É melhor pormos um dragão desses de Gringotes para manter mais vigiada a Taça...
— Não diga! Podem...
— Harry Potter já está conosco, até mesmo lhe demos uma relíquia da família para fazê-lo oficial — disse a voz da mulher, soltando uma sonora gargalhada.
Harry estremeceu ao escutar aquilo, também soava familiar, mas não gostava. Algo dizia que devia tomar cuidado com Bellatrix. Harry viu como o seu eu da lembrança levantava a manga de sua túnica, mas antes que pudesse ver a imagem, voltou a ficar embaçada. Logo se deu conta de que estava em outro lugar, parecia ser seu quarto, mas com mais coisas do que conseguia se lembrar. O Harry da lembrança estava sentado em sua cama lendo uma carta.
Harry,
Só te mando esta carta para te assegurar que não vou a Hogwarts este ano. Meu também acha que é uma perda de tempo e o Lorde das Trevas quer que passe cada segundo de meu tempo encontrando uma forma de matar ao velho do Dumbledore. Mas o mais inquietante que me pediu é que que devo encontrar a sétima horcrux dele, ele parece ter feito acidentalmente e não lembra com quem, mas tem uma suspeita de que seja Longbottom. Eu gostaria que me ajudasse de Hogwarts, perguntando a qualquer pessoa que esteve nas aventuras de Longbottom. Sei que tem seu próprio trabalho para o Lorde das Trevas, mas há um mês me disse que podia contar contigo e agora quero contar contigo. Se descobrir que é Longbottom ou outro, envie-me uma carta e iremos para lá o mais rápido possível, mas isso se já tiver o diadema.
Espero que tenha podido decifrar a carta. Envie sua resposta o mais rápido possível.
Antes que Harry pudesse ver a sua lembrança respondendo a carta, a imagem voltou a embaçar-se. Ofegou quando encontrou-se em outro lugar, deu um tapa na cabeça com a mão, doía muito uma parte da cabeça e como diziam, uma dor disfarça a outra. Mais aliviado, se deu conta de que estava em casa, exatamente na sala, sentado no sofá com Sirius. A imagem foi entrecortada e as cores vislumbraram estranhamente. De toda a conversa, o único que entendeu foi Sirius perguntando sobre algo em seu braço e ele respondia que era apenas um presente dos Malfoy, e então Sirius levantou-se furioso.
Não soube quanto tempo esteve vendo suas lembranças perdidas, era como ver um filme dele, mas eram lembranças que ele mesmo devia se lembrar. Era muito estranho e doloroso que estivesse recebendo tantas informações de uma só vez. Depois de uma lembrança onde ele estava na loja de animais onde Bellatrix e Lucius colocaram algo em seu braço, soube que era a "relíquia Malfoy" que o fez mudar, porque quando Sirius voltou para a loja, ele não parecia se lembrar do que tinha acabado de acontecer.
Antes que pudesse pensar melhor nisso, estava deitado em uma cama e coberto por uma manta. Tentou levantar-se, mas uma onda de náusea o impediu, levantou com dificuldade o braço e tocou na testa, tinha algo úmido sobre ela, mas não parecia fazer muito efeito porque suas bochechas ardiam. Voltou a fechar os olhos, mas as lembranças o perturbavam e naquele momento desejou não ter pedido para que pudesse se lembrar. Agora as grandes perguntas eram: quem era? O que fizeram com ele? Estava claro que todos aqueles anos tinha sido controlado por outra pessoa ou... coisa.
— Está acordado! — Harry gemeu ao escutar o grito. Por Merlin, estava do seu lado, não em um campo de quadribol — Me desculpe. Como está? Nos assustamos muito quando desmaiou do nada. Deve ter sido a lua cheia, não dormiu muito e com tanta informação de Vol... Quero dizer, você-sabe-quem...
— Por Merlin, Hermione, vai deixá-lo com mais dor de cabeça — Rony acabava de entrar na tenda do acampamento e ao ver Hermione conversando sem parar e a expressão de dor de Harry, tentando processar o que ela dizia, tinha saído em sua ajuda. Ela corou fortemente — Como está?
— Bem, eu acho — respondeu Harry com uma careta de dor — Não acho que tenha sido pela lua cheia e a informação das horcruxes, acho que me lembrei do meu passado...
— Pensei que tinha dito que estava sob um imperius — retrucou Rony, franzindo o cenho.
— Sim, bom, eu também pensei — disse Harry ajeitando-se na cama, Hermione foi ajudá-lo a se sentar — Mas há alguns minutos eu continuava sendo um menino de onze anos com lembranças de toda a minha vida, ainda não tinha estudado as maldições imperdoáveis, mas... com todas as lembranças... sei que não estava sob um imperius, porque mesmo que deixem de te amaldiçoar, continua se lembrando de tudo o que fez e eu não lembrava — Rony aproximou-se da cama lentamente com uma mão na túnica, onde com certeza estaria sua varinha — Agora não sei o que aconteceu.
— Quer dizer que quando nos insultou era você? — rosnou Rony.
— Não! Você não entendeu — disse Harry rapidamente — Alguma coisa me controlava, durante anos, desde que tenho onze anos, não fui eu. Mas hoje eu me lembrei, não sei o porquê. O único que eu tenho certeza é que Malfoy e Bellatrix tem a ver com isso, não sei explicar, eu simplesmente sei — sabia que sua voz soava suplicante, mas realmente estava.
Rony parecia acalmar-se um pouco, mas continuava com a mão na túnica. Hermione mordia o lábio inferior, parecia estar pensando seriamente em algo, e acreditaria nele. Harry só esperava que eles encontrassem uma explicação para tudo aquilo, sabiam sobre as horcruxes e não eram seguidores de Voldemort, então deviam saber muito mais do que outras pessoas.
— Nunca escutei algo assim — sussurrou Hermione depois de alguns minutos — Pensei um segundo que podia estar usando muito uma horcrux, mas não encaixaria, quando nos insultou não parecia estar com uma horcrux. Quando se usa muito, dá para notar a distração e os olhos brancos...
— Bom, não foi o que aconteceu comigo — murmurou Rony, abaixando a cabeça, envergonhado.
— Era só o começo. Se estivesse usando a horcrux até o ponto que não pudesse tirá-la, como foi com Ginny... Também — continuou, mudando de assunto — pensei que estava sob o imperius, mas disse que disse sobre lembrar de tudo o que te mandaram fazer quando estava sob a maldição é verdade, quando o senhor Crouch esteve sob a maldição durante anos...
— Espera! Quando o ministro Crouch esteve sob a maldição imperius? — perguntou Harry, pulando um pouco na cama.
— Ministro Crouch? — perguntaram Hermione e Rony ao mesmo tempo.
— Crouch nunca foi ministro — resmungou o ruivo — Quem dera tivesse sido... Fudge era um idiota que se importava mais com as aparências do que o mundo bruxo e Scrimgeour... não durou nem dois anos e seguia os passos dele.
— Não acho que Crouch teria feito um trabalho melhor — negou Hermione, cruzando os braços — Libertou a sua elfa...
— Ah vamos, Hermione! Não comece outra vez — reclamou Rony.
— Bom... eu concordo com ela — ele o olhou como se tivesse sido traída e ela sorriu satisfeita — Crouch desceu ao nível dos Comensais. Pode ter capturado muitos, mas depois de ter se tornado ministro, as coisas mudaram. Os que tinham poder e dinheiro no Ministério eram com os únicos que ele trabalhava e confiava, o que significa Comensais infiltrados. O homem estava totalmente louco, quando tinha um ataque, os primeiros a chegar eram da Ordem da Fênix, e Crouch chegou a enviar muitos da Ordem para Azkaban. Os Comensais que criavam os ataques eram muitos dos trabalhadores de elite do Ministério, nem sequer usavam máscaras... Dumbledore teve que tomar cuidado com a Ordem, mas já não adiantava. Meus pais tiveram que sair para tomar conta de mim, mas Sirius ficou na Ordem sem que eles soubessem. Não foi até a escuridão cair que Crouch se acalmou. Mas quando voltou, Crouch acreditou e fez o possível para capturá-los. A Ordem voltou a se formar, mas meus pais se recusaram a voltar, Crouch não parecia acreditar que pessoas como Lucius Malfoy fossem Comensais. Quando cumpri quinze anos, levaram Sirius para Azkaban junto com Comensais iniciantes e alguns da Ordem — Hermione foi dizer algo sobre julgamentos, mas Harry adiantou-se — Naquele momento, não dava julgamento a pessoas que estivessem lutando contra os que Crouch pensava serem bons. Bom, depois de um ano, no meio do meu quinto ano, meus pais conseguiram tirar Sirius de Azkaban, mas ele estava muito mal e fraco. No final do meu quinto ano esteve a ponto de morrer, mas... se recuperou do nada, parecia confuso no começo, não lembrava do que tinha acontecido nos últimos quinze anos. Os medibruxos disseram que era sequela das poções e feitiços de cura. Os Comensais estavam ganhando mais espaço no Ministério, não acho que Crouch seja o mesmo. Até onde sei, ainda não puderam dominar o Ministério, tentaram com Hogwarts, mas só conseguiram tirar a McGonagall e ferir alguns alunos. Ainda assim, Hogwarts continua sendo o lugar mais seguro, Dumbledore pôs melhores e mais potentes feitiços, nem mesmo poções obscuras conseguem derrubar os escudos, de dentro ou de fora.
— Mas se Vol... Você-sabe-quem quase tinha Crouch sob controle, por que não dar um golpe de estado? Não acho que seja muito difícil enfeitiçar Crouch sendo seu melhor amigo — disse Hermione — É espantoso como pode ser tão imbecil. Prender pessoas da Ordem? Isso é o cúmulo!
— Pobre Sirius, em nenhum universo consegue escapar de Azkaban — disse Rony.
— Sirius está vivo aqui? — perguntou Harry de repente, quase parecia um menino de onze anos de novo.
Hermione abaixou a cabeça com tristeza e negou com a cabeça. Harry suspirou triste, teria gostado de ver alguém que conhecia.
— Bom, não importa — disse corajoso, não sabia de onde tinha tirado a coragem — Tenho algo que com certeza será de ajuda para derrotar Volde...
— Não diga o nome! Já disse, é amaldiçoado!
— Que seja — disse Harry, revirando os olhos — Sabem onde estão as horcruxes?
— Não, nem mesmo Harry sabia — disse Hermione — Não sabíamos ainda nem como destruir o medalhão... Depois que o destruíssemos, veríamos. Nem sequer sei se os pertences dos fundadores de Hogwarts são horcruxes!
— Bom, não se preocupe, sei onde podem estar três horcruxes e posso garantir que alguns são de fundadores de Hogwarts — sorriu de lado.
Rony e Hermione estavam assombrados, atônitos diante daquelas palavras. Poderiam terminar ou avançar com o trabalho. O que teria feito Harry, porque o que importava era a destruição de Voldemort e no outro universo, com certeza ele estaria procurando e destruindo-as.
— Espera um segundo — exclamou Rony, antes que ele pudesse abrir a boca — Como sabe onde estão? Há dois dias não tinha ideia do que era uma horcrux.
— Já disse que recuperei minhas lembranças, senão não poderia ter explicado sobre o governo do meu universo — respondeu Harry, mantendo-se tranquilo — Mas o que quer dizer com dois dias? Foi essa manhã.
— Não, Harry — Hermione negou com cabeça — Esteve inconsciente e com febre há dois dias. Por isso estávamos tão preocupados. Além do mais, estamos muito tempo aqui e temos que ir logo. Mas antes, o que sabe das horcruxes?
— Bom, a primeira seria o diário de Tom Riddle...
— Já está destruída — Rony riu suavemente.
— Oh! Bom, não importa. Tem também a Taça de Hufflepuff — Harry esperou para ter certeza de que não estava destruída. Quando Rony e Hermione o olharam com expectativa, ele continuou — Até onde sei, a taça está fortemente guardada no cofre Lestrange em Gringotes.
— Mas como vamos...? — começou Rony, mas se calou rapidamente quando Hermione o olhou assassina.
— Bom, eu não pensei muito nisso, mas talvez possamos entrar como se fôssemos para um dos nossos cofres e então fazer alguma coisa com o duende, não sei... Não pensei nada nisso — disse Harry. Era verdade, não tinha pensado, só há alguns minutos tinha recuperado a memória, tinha muitas lembranças para absorver —, se me dessem um pouco tempo, eu...
— Não se preocupe, acho que temos tempo para planejar — Hermione sorriu para ele.
— Obrigado — devolveu o sorriso — Outra seria o diadema de Ravenclaw que deve estar em algum lugar em Hogwarts... Antes estava na Albânia — explicou a eles — e quando a encontrou, a escondeu em algum lugar em Hogwarts que fosse importante ou único para ele. Eu pensei no salão comunal da Ravenclaw, mas isso não estaria ligado com Volde-
— Não! — Rony o interrompeu rapidamente.
— Então não sei onde pode estar — continuou, ignorando-o — Mas é muito mais fácil ir a Hogwarts do que em Gringotes, não é?
— Hogwarts não é segura como no seu universo, Harry — disse Hermione lentamente — Há um ano, Dumbledore morreu — ele arregalou os olhos e negou com a cabeça horrorizado. Dumbledore morto! Isso é impossível, ele é invencível... Se Dumbledore está morto, já não tem esperança ou um lugar seguro, pensou — Sim... é muito triste e inacreditável, mas... é verdade. Hogwarts não é mais segura, você-sabe-quem tem controle sobre tudo... O Ministério, Hogwarts e o mundo bruxo.
— Agora o único que quer é matar Harry e assim não ter ninguém que o impeça — rosnou Rony, fechando as mãos em punhos.
Harry demorou alguns minutos para absorver essa informação. Pode ser que a pessoa de antes não se preocupasse por Dumbledore ou qualquer outra pessoa, mas ele, Harry, não era essa pessoa e se preocupava por Dumbledore. Mas por mais que quisesse mostrar dor por ele, não podia, não o conheceu o suficiente para sentir pena por ele.
— Por que ia estar atrás do meu homólogo?
Hermione e Rony se olharam sem entender a pergunta. Era óbvia a razão pela qual Voldemort queria Harry morto. Como ele próprio não ia saber?
— Bom, não respondam agora, se não quiserem — disse Harry, depois de perceber que não iam respondê-lo logo — Tenho outra horcrux, ou melhor, uma conjectura de outra horcrux — eles pareceram aliviados de que ele mudasse de assunto e que tivesse a localização de outra — Seria a sétima e última, mas a fez de forma acidental, já que nem ele mesmo sabia que tinha feito. Não é certeza, mas... a sétima horcrux pode ser Neville Longbottom...
— Quê? — gritaram Hermione e Rony.
— Sei que é inacreditável, mas pode ser verdade...
— Inacreditável? A palavra é impossível — gritou Rony — Você-sabe-quem não está interessado em Neville... Por que estaria? Ele é desastrado, embora tenha melhorado bastante, mas não é uma grande ameaça para você-sabe-quem, ele nunca tentou matá-lo.
— Claro que tentou! Por isso que ele é o menino que sobreviveu e tudo aquilo... Como podem não saber? — perguntou Harry, perdendo a paciência.
— Rony, acho que Neville sobreviveu a maldição assassina no universo dele — Hermione interveio antes que começassem a brigar — Harry, você, ou melhor, o nosso Harry é o menino que sobreviveu aqui...
Harry ofegou, passou a mão pelo cabelo e recostou-se sobre as almofadas. Devia ter adivinhado, aquela lembrança onde tudo estava escuro era a única que não conseguia encaixar. Claro que sabia que estava em um universo diferente do seu, mas não tinha prestado muita atenção no resto da explicação da voz na escuridão. As coisas não iam ser fáceis, ele não estava preparado para ser O Eleito e tudo isso como Neville, nem sequer dominava bem os feitiços de defesa e muito menos as maldições. Como ia voltar para casa? Ah sim... Depois de aprender a lição, pensou Harry irritado Que lição? Eu não fiz nada de errado. Bom, não sendo eu mesmo, então eu já aprendi a lição, já sei a verdade. O que mais preciso? Destruir Voldemort eu mesmo? Ah sim! Porque isso é tão fácil! Ele bufou fortemente, passou a mão pelo rosto vermelho, a febre ainda não tinha passado.
— É melhor você dormir, tudo isso dever ser muito duro para você... Quando acordar, vamos para outro lugar — disse Hermione, dando um pequeno sorriso.
— Mas então... Devo destruir a Vol...
— Quer parar de dizer esse nome? — pediu Rony.
— ...demort? Eu não sou o menino que sobreviveu, por mais que seja Harry Potter.
— Esse nome é um tabu! — gritou Rony, e se pôs de pé ao mesmo tempo em que do lado de fora escutou-se um forte estalo — Temos que reforçar os feitiços de proteção. Rápido! É assim que encontram os seus inimigos e filhos de trouxas.
Hermione levantou-se em um pulo e começou a reforçar a proteção.
— Não acho que vai resistir por muito tempo... Temos que escapar daqui o mais rápido possível — exclamou Hermione, pegou uma bolsa de contas e começou a procurar freneticamente nela.
Escutavam pessoas falando do lado de fora, mas Harry não prestava atenção. Estava tentando levantar-se da cama o mais rápido que seus músculos permitiam. Quando finalmente conseguiu, conseguiu ficar ao lado da cama, Hermione e Rony estavam o arrastando até a parte de trás da tenda. Hermione fez uma pequena fenda no plástico e rapidamente deslizaram por ela. Quando estavam seguros atrás das árvores, Hermione realizou um "accio" para pegar a tenda e pouco depois a guardou na bolsa. Sem esperar que os sequestradores reagissem, começaram a correr pelo bosque até uma zona onde pudessem aparatar.
Harry sentou-se junto de Sirius onde a lareira estava acesa. Estava tão feliz de vê-lo, tanto que continuava abraçando-o como se fosse um garoto. Quase nunca tinha o abraçado, podia contar as vezes com uma mão e sobrariam dedos. Simplesmente sentiu o impulso de abraçá-lo, talvez porque depois do que aconteceu com seus pais, precisasse de carinho e considerando que Remus ainda era um desconhecido, o único que sobrava era Sirius.
— Onde esteve todo esse tempo? — perguntou Harry com um pouco de frustração na voz. Tinha precisado dele e tinha sumido quase um mês.
— Sinto muito — disse Sirius sorrindo de lado, um pouco culpado — Estive ocupado com algumas coisas do Ministério e... estive conversando com seus pais — Harry fez uma careta com a boca. Como sempre, escolhia seus pais antes dele, até os comparava. Sabia que estava sendo egoísta, mas naquele momento queria alguém que o preferisse em primeiro lugar. Queria ter onze anos para poder ter uma desculpa — E... também pensei que precisaria de espaço, mas acho que me enganei.
Harry deu de ombros, já não se importava com as desculpas que ele desse.
— Mas consegui que seus pais venham, depois de superarem que vem de outro universo — continuou Sirius, pensando que isso o animaria, mas não animou.
— Não me importo — Harry cruzou os braços, tinha certeza de que estava agindo completamente mal criado, mas não se importava — Se estão envergonhados de mim, não me importo, se não querem me ter como filho, não me...
— Não é nada disso, Harry — exclamou Sirius surpreso — Olha, não posso te dizer eu, mas tenha certeza de que seus pais não se envergonham nem um pouco de você e muito menos não querem tê-lo como filho.
Harry franziu o cenho, lentamente sentindo-se esperançoso. Sirius podia fazer muitas coisas, mas nunca mentiu.
— É... é sério?
— Sério — disse Sirius, sorrindo.
— É que eu pensei... Eles me olharam naquele dia como se me odiassem... — a voz dele se quebrou, mas tão rápido como pôde disfarçou — Tinha chegado a pensar que... — não conseguiu contar.
— Harry, põe para fora. Não pode guardar tudo para si, quando não puder mais e explodir será bem pior. Acredite, falo por experiência — ele negou com a cabeça, teimoso — É o que te faz humano.
Harry bufou quando escutou aquelas palavras. Não sabia se ria ou chorava. Quando Dumbledore o disse há dois anos tinha ficado ainda mais furioso, mas dessa vez sabia que se não fosse humano, era como Voldemort, alguém sem coração e sem sentimentos, e se supunha que ele devia derrotá-lo com o amor...
— Foi o que Dumbledore me disse depois que... caiu no véu — Harry engoliu em seco — Eu não queria ser humano, não queria ter que passar por tanta dor... — afogou um soluço ao lembrar-se de como se sentiu quando pensou que Sirius estava morto. Não sabia muito bem o porquê queria chorar, sabia que Sirius não estava morto e que tinha interpretado errado o olhar de seus pais, então por quê? — Destruí todo o escritório dele, me sentia tão furioso com todos os sentimentos que tinha e Dumbledore não queria me deixar sair.
— Destruiu o escritório de Dumbledore? — perguntou Sirius, erguendo as sobrancelhas.
Harry encolheu os ombros, e então sussurrou:
— Me sentia furioso que sua "morte" fosse minha culpa...
Ele não terminou de falar quando sentiu Sirius pegá-lo pelos ombros com força e obrigá-lo a olhá-lo.
— Não foi sua culpa. É óbvio que o ranhoso do Snape não conseguiu ensinar direito oclumência. Mas se eu tivesse mesmo morrido, teria sido da melhor forma: te protegendo — disse Sirius sem soltá-lo — Se alguém tem culpa disso tudo, é Voldemort, Kreacher e minha querida prima — continuou com um tom de voz cheio de ódio para aqueles três nomes —, e não você.
— Mas se tivesse escutado Hermione, nada disso teria acontecido...
Outra vez foi interrompido, mas dessa vez ficou tenso e espantado quando Sirius de repente o abraçou. Pouco a pouco, devolveu o abraço com fervor e escondeu a cabeça no peito do padrinho, enquanto brigava consigo mesmo.
— Isso não importa mais, eu não te culpo. Tudo isso é passado e eu estou aqui agora. Não vou a lugar nenhum.
— Você não, mas eu sim — disse Harry, fechando os olhos por alguns segundos, desfrutando da comodidade — Tenho que voltar em algum momento e não estará lá.
Sirius afastou-o e o olhou com o cenho franzido. Harry esperava que dissesse algo como daquela vez no fogo há dois anos, realmente não gostava que Sirius o comparasse com seu pai ou talvez com sua mãe.
— Não acho que precise mais de mim — ele sorriu levemente —, mudou muito desde a última vez que te vi. Já é um homem que não precisa que cuidem dele e estou orgulhoso por isso. Sei que é forte e essa é só uma estúpida prova que vai superar. Eu prometo.
— Essa é uma descrição para o Harry que não conheceu os seus pais e não voltou a ver seu padrinho morto, mas agora não tenho certeza. Nunca me sentiu assim, como se fosse um menino pedindo a gritos por carinho...
— Não precisa ser um menino para pedir carinho. Olha, eu prometo que vou tentar não me afastar muito da próxima vez, está bem?
Harry deu de ombros, não queria incomodar mais do que já devia estar incomodado com seu trabalho.
— Não é um incômodo — disse Sirius, entendendo o seu silêncio — Por algum motivo, eu sou o seu padrinho e gosto de cuidar de você, mesmo que já seja um homem, porque mesmo que seja filho de James e Lily Potter, eu sempre te considerei como o meu filho. Não quero soar clichê nem nada, mas é como me sinto...
— Obrigado, Sirius — disse rapidamente com a voz embaçada pelas lágrimas. Aquelas palavras significam muito para ele e as dúvidas que teve se dissiparam. A senhora Weasley estava errada, Sirius não o considerava como seu pai, porque ali James estava vivo e Sirius continuava o querendo por ser simplesmente Harry, seu afilhado.
Passaram alguns minutos sem falar, olhando para o fogo em um silêncio cômodo. Harry sentia-se muito melhor, seu padrinho tinha conseguido tirar um peso de seus ombros, não se sentia tão preocupado pelo que seus pais diriam, queria passar um pouco mais de tempo com Sirius. Só esperava que o que ele disse sobre a volta ao seu universo fosse verdade, não sabia se seria como voltar a perder seus familiares. Sempre tinha pensado que a perda de Sirius era a que mais lhe machucou, mas era porque nunca tinha conhecido seus pais e em certo sentido não podia sentir falta de algo que nunca teve, mas agora... Sabia e não sabia se seria pior que tudo o que sentiu durante as semanas anteriores.
— Posso fazer uma pergunta? — perguntou Harry de repente.
— Hã... Depende do que é.
— Calma, não é nada sobre Remus — disse, aliviando-o — É ou era meu homólogo um Comensal?
— Por que pergunta? — perguntou Sirius, não parecia esconder nada nem estar irritado, parecia tão intrigado quanto ele.
— É que há alguns dias uns sonserinos se aproximaram, os que deviam ser amigos dele — explicou —, e começaram a fazer perguntas sobre meu comportamento, não foi isso o que me preocupou, mas quando olharam meu antebraço esquerdo, não sei o que estavam esperando. Isso me fez pensar que meu homólogo podia ser um Comensal. Mas hoje, quando Rony me levou para ver umas lembranças de Neville, vi a morte da McGonagall e como meu homólogo ajudava aos Comensais. E isso me fez ver mais claro.
— Eu... — Sirius soltou um longo suspiro e passou uma mão pelo cabelo — realmente não sei, eu gostaria de saber, mas quando cheguei aqui, Harry já tinha dezesseis anos e era completamente fechado em relação a mim e seus pais. Por mais que tentei entendê-lo e ajudá-lo, ele só me afastava mais, no começo queria pensar que era como você, mas logo entendi que estava apoiando Voldemort. Nunca soube se era um Comensal, mas soube que gostava da marca negra... Era como ver Regulus: valente, com os mesmos ideias contra os trouxas, exceto que Regulus fazia isso pela família e seu homólogo por quem ele considerava sua família, os Malfoys.
— Não entendo — disse Harry exasperado — Como meu homólogo pode ir para o lado das trevas? Teve uma infância com seus pais, seu padrinho e Neville e decide ir tudo ao contrário do que seus pais acreditam. Para quê? O que os Malfoys deram a ele que sua família não? Poder? Não é como se meus pais não tivessem o ensinado sobre o que Voldemort tinha a ver e sobre como poder é ruim, não acho que tenham o tratado mal ou ignorado para ir contra eles.
— Nisso tem razão, mas está pensando em seu passado e que a família é o que você queria e quer — disse Sirius — Precisa pensar como alguém mais invejoso, alguém que não quer compartilhar sua família. Alguns garotos quando têm um irmão mais novo que atrai mais atenção dos pais, decidem chamar atenção sendo o completo oposto.
— Sim, mas meu homólogo não tem irmãos...
— Está se esquecendo de Neville — Sirius o interrompeu — Chega de repente em casa depois de ter perdido seus pais e avó, então seus pais lhe dão mais atenção e ele fica com ciúmes...
— Realmente acho que tem algo a mais...
— Não nego, mas com o passar dos anos, foi só o que consegui sondar.
— Talvez foi algo que Neville disse — disse Harry — Sempre diz coisas contra mim para me fazer me sentir pior. Talvez disse algo que o fez mudar de ideia, talvez algo que o fez se sentir mais identificado com Malfoy ou talvez disse na frente de Malfoy e ele saiu para defender Harry e assim se tornaram amigos...
— Isso é ridículo, Harry — riu Sirius — Sabemos que em qualquer universo, Malfoy só cuida de si mesmo — Harry assentiu, sentindo-se um pouco idiota, mas então... O que tinha acontecido? Não tinha visto o Draco Malfoy daquele universo para julgá-lo, podia ter alguma diferença como Hermione. Não? — E além disso, seu homólogo e Neville foram amigos quando crianças, até que entraram em Hogwarts, isso me faz pensar que com a "fama" de Neville conseguiu mais amigos e mais atenção.
— Mas não explicaria sobre meus... Espera! Eram amigos? — disse ao reparar no que Sirius tinha dito — Como? Agora Neville o odeia com todas as forças e é mútuo — Sirius abriu a boca, mas Harry foi mais rápido — E não pode ser só ciúmes, se eram só ciúmes, meu homólogo estaria competindo com Neville para ver quem consegue mais atenção. Meu homólogo não parece querer atenção dos meus pais ou dos estudantes.
— Pode ser que de Lily não, mas de James queria sim — disse Sirius, concordando com a cabeça — Todas as brincadeiras que fazia era para chamar sua atenção. É a única pessoa que tem um pouco de respeito e o único que escuta...
Harry ficou calados por alguns minutos, ainda estava pasmo com a ideia de que seu homólogo tinha sido amigo de Neville. Talvez se pedisse ajuda de Rony, poderia procurar nas lembranças de Neville e talvez, assim, encontrassem uma resposta para a mudança de seu homólogo. Só tinha um problema, se Neville não tivesse posto aquela memória na penseira... Ou pior, se tinha alterado como Slughorn fez uma vez.
— Não tentou perguntar a Neville?
— Sabe tanto quanto nós. Quando perguntei, ele ficou animado ao voltar para a espionagem do "Harry, estranho malvado". Suponho que já era um "espião" quando estava o outro Sirius — disse seu padrinho, passando uma mão pelo pescoço — Se por casualidade foi algo que Neville disse, ele parece não saber, então não deve ter dito grande coisa.
— Tem razão — disse Harry, descartando a ideia de usar a penseira de sua lista de opções imaginária —, mas então não tenho nada. Não é algo que Neville tenha dito, não pode ser só ciúmes e tampouco pode ser porque é um Comensal — Sirius ergueu as sobrancelhas, então acrescentou rapidamente —, me refiro à mudança, não podem transformar um garoto de onze anos em Comensal e ainda mais se é tão ruim em feitiços.
— Acho que deveria conversar sobre isso com Lily e James...
— Você... você não perguntou? — pediu Harry confuso, tinha suposto que a primeira pessoa a quem Sirius perguntaria seria James e Lily, afinal eram os pais.
— Não queria levantar muitas suspeitas, podia ter a desculpa que tinham dado os medibruxos: ato de autoproteção contra o passado... ou algo assim — Sirius deu de ombros — Sentia que se perguntasse muito, perceberiam que não era o mesmo, então... decidi buscar outras formas.
— Isso não era mais suspeito?
— Pode ser — encolheu os ombros —, mas ninguém disse nada e ninguém achou suspeito. Mas agora — disse mudando de assunto —, quando vir seus pais, quero que primeiro fale com eles sobre o seu problema e quando tudo estiver esclarecido, pode perguntar sobre seu homólogo. Seu homólogo pode esperar, Harry — continuou ao ver sua expressão —, você não. Não é como se tivesse um relógio de contagem regressiva para voltar.
Harry assentiu lentamente, enquanto um pequeno sorriso ia se formando em seus lábios, gostava que seu padrinho se preocupasse mais por ele do que por seu homólogo. Pensou que Sirius também estaria preocupado por seu homólogo, mas não estava, e ficava feliz por isso.
—Encontrou alguma das horcruxes? — perguntou Sirius de repente.
A pergunta pegou Harry de surpresa. Então se perguntou se ele sabia o que Dumbledore tinha pedido. Ao pensar nisso, sentiu-se tonto, esteve mais preocupado por si mesmo que pela comunidade bruxa. Se não soubesse, diria que estava agindo como no seu sexto ano, tão despreocupado e idiota. Mas podiam culpá-lo? Nem todos os dias os seus pais descobrem que é de outro universo, e que no seu universo eles não estejam vivos.
— Bom — começou, rindo nervosamente, passou a mão pelo cabelo bagunçando-o um pouco mais. Sirius ergueu as sobrancelhas —, veja, de certa forma, sim eu sei sobre outra horcrux, mas não tenho ideia de como consegui-la.
— Pelo menos tentou? — dessa vez seu padrinho não parecia ver graça alguma, o que o deixou mais nervoso e envergonhado.
— Não, mas — apressou-se em acrescentar — não sei como espera que consiga um diadema desaparecido há séculos.
— Não acho que esteja desaparecido se Voldemort conseguiu fazer uma horcrux com ele — replicou Sirius — Se Dumbledore te pediu esse trabalho, é por um motivo, Harry. Além do mais, sempre pode ter a ajuda da dama cinzenta...
— Ah claro — disse ironicamente, dava um tapa na testa dramaticamente — Como não pensei em perguntar? É o que disse Dumbledore, mas não pode simplesmente chegar e perguntar pelo diadema, pensaria que quero para seja lá para que serve — resmungou.
— Não sabe nem para quê serve? — perguntou Sirius, negando com a cabeça — Harry, se não te conhecesse, diria que não tem interesse algum em derrotar Voldemort...
— É claro que tenho, Sirius, você sabe bem — disse Harry, cada vez sentindo-se mais idiota e envergonhado —, mas é que... estava ocupado com tudo... isso.
— Isso não pode ser desculpa, Harry, entendo que esteve passando mal, mas então vai deixar que Voldemort siga avançando enquanto você sufoca em seus pensamentos? Ou estou errado?
Estava certo, tudo aquilo tinha sido culpa de Voldemort. A morte de seus pais, as perdas de Sirius, de Dumbledore, de Olho-Tonto, de Cedric, de Edwiges e milhares de outras pessoas. Uma vida com os Dursleys, uma viagem perigosa em busca de horcruxes, inclusive era sua culpa que ele estivesse ali, e por último que revelasse seu segredo. Se não tivesse sido por sua culpa, nada disso estaria acontecendo, mas então se nada daquilo tivesse acontecido, ele teria a vida de seu homólogo e não era tão feliz como pensava. Ainda assim, algo lhe dizia que era culpa de Voldemort o que tinha acontecido com seu homólogo, mesmo que não soubesse como.
— Tem razão — murmurou, desviando o olhar — Eu vou ter que falar com Neville.
— Imaginei — disse Sirius, soltando uma risada. Harry o olhou irritado, não via graça naquilo — Olha pelo lado positivo, talvez possa arrancar algo que nos ajude a resolver o mistério de seu homólogo — ele continuava sorrindo, mas Harry sabia que estava debochando dele.
— Tanto faz — revirou os olhos.
— Agora — deixou de rir e o olhou sério —, quero que se ocupe primeiro de você e encontre tempo para procurar o diadema, e por último se sobrar tempo pode pensar no seu homólogo. Entendeu, Harry?
— Sim, eu vou fazer isso.
— Agora vai dormir que está tarde — disse Sirius, levantando-se de sua poltrona.
— Amanhã é domingo, eu posso levantar tarde — disse, imitando-o.
— Hoje já é domingo! — sorriu Sirius e antes que Harry pudesse retrucar, sentiu os braços de seu padrinho ao redor dele — Cuide-se e tenta não se meter em problemas, bom... — continuou ao ver a sua expressão — talvez isso você possa fazer, mas se cuide.
Concordou lentamente, desfez-se do abraço, cruzou pelo salão comunal e antes de subir as escadas, deu uma olhada para trás, mas Sirius já tinha ido embora. Quando esteve em sua cama, sentiu-se muito mais aliviado do que antes. Ainda sobravam muitas coisas pelas quais passar, mas com conversa assim todas as noites, poderia fazer.
Domingo à tarde decidiu ir para a biblioteca e pesquisar um pouco mais sobre Rowena Ravenclaw e seu diadema. Não podia falar com a dama cinzenta sem ter uma mínima ideia sobre o diadema e sua dona.
Enquanto passava pelas prateleiras da biblioteca, chegou realmente a apreciar a ajuda de Hermione, Rony e ele nunca precisaram dos livros, e era simplesmente porque Hermione estava ali e ela era como uma biblioteca, sabia de tudo e não precisavam pesquisar. Ela sabia onde procurar nas prateleiras, a conhecia com a palma de sua mão, ou talvez soubesse ainda mais sobre o diadema e Rowena. Ali estava ele, procurando livros sobre os fundadores de Hogwarts e sobre o diadema perdido, e apenas tinha consigo dois livros que não tinham cara de que responderiam suas perguntas.
Quando o céu tingiu-se de uma cor rosada e amarela, Harry estava sentado em uma mesa afastada da biblioteca com quatro livros: "Hogwarts, uma história" — Hermione estaria muito emocionada se o visse lendo —, "Grandes bruxos até o ano 992 a.C", uns recortes do Profeta Diário antigos sobre alguém chamado Helena Ravenclaw e outro livro sobre grandes relíquias. O primeiro livro que pegou foi "Grandes Bruxos", passou as páginas rapidamente, mas tendo certeza de que não pulava nada importante, até que enfim encontrou o nome "Ravenclaw" quase no final do livro. Era um parágrafo pequeno.
Rowena Ravenclaw foi a fundadora mais bela e inteligente, tanto que foi considerada a bruxa mais inteligente de sua época e foi demonstrado que o nome e a localização de Hogwarts surgiu em um sonho que teve a própria Rowena em que perseguia um porco enverrugado até o canto de um lago, o que explica considerando que Hog significa "porco" e warts, "verrugas". Hogwarts pode significar "porco enverrugado". Também é considerada a criadora das escadas em movimento do castelo.
Rowena foi a fundadora da casa que leva seu nome na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A casa Ravenclaw preferia ensinar aos que tinham a mente mais aberta. Não importava que os estudantes fossem de sangue puro ou filhos de trouxas, para ela o único que contava era sua inteligência. O nome Rowena pode derivar do noruego "runa" ou proceder simplesmente de "rowan tree" ("tramazeira"), uma árvore que foi considerada mágica por distintas culturas por todo o mundo durante séculos. Dizem que a tramazeira protege da magia obscura e os maus espíritos. Surpreendentemente, o mascote de Ravenclaw não é um corvo e sim uma água. As águias são as rainhas das aves, são consideradas animais muito inteligentes, poderosos e muito hábeis.
Os corvinos se associam com a astúcia, o conhecimento, o aprendizado, a sabedoria e a criatividade. O mau é que os outros podem considerá-los excessivamente analíticos, altivos e até mesmo arrogantes. Seu foco intelectual dos problemas pode atrapalhar sua capacidade de tomar decisões porque antes devem analisar as coisas de todos os ângulos.
Rowena foi uma bruxa reconhecida por sua inteligência e criatividade, até o ponto que é lembrada pela frase "A inteligência sem limites é o maior tesouro do homem". Uma das melhores bruxas que pisou este mundo, com o talento de poder distinguir a quem realmente merece ir a essa casa. Acredita-se que o motivo de seu falecimento precoce foi mal de amor.
Era uma grande amiga de Helga Hufflepuff¹, outra das fundadores de Hogwarts.
¹ Pequena biografia de helga Hufflepuff, página 197
Harry terminou de ler o pequeno parágrafo, passou a mão pelo pescoço. A verdade é que não tinha conseguido muita informação sobre o diadema, o único que era útil ali era o seu nome, agora sabia onde não buscar: uma tramazeira. Talvez também considerasse a informação sobre o mascote, poderia ser o corvo já que a águia seria óbvia demais para Voldemort. E é claro, a informação sobre o nome de Hogwarts, não era relevante para encontrar um diadema, mas sim para ele. Quem pensaria que nosso nome significa porco enverrugado?
Deixou o livro de lado e colheu os recortes do Profeta Diário com delicadeza, parecia que a qualquer momento se romperiam. Custou um pouco para conseguir ler o que estava escrito, o pergaminho estava amarelado, borrado e usado. Só falava da morte de Helena Ravenclaw, que era filha de Rowena Ravenclaw, tinha sido encontrada na Albânia junto ao corpo de, aparentemente, seu assassino e futuro marido. Harry decidiu guardar o recorte, Albânia soava familiar, mas não conseguia lembrar de onde... talvez Hermione tinha viajado para lá de férias, não se lembrava, mas algo lhe dizia que era importante.
Depois de mais algumas horas, Madame Pince teve que expulsá-lo da biblioteca, pelo menos deixou-o levar o livro das grandes relíquias, "Hogwarts, uma história" e os recortes.
Segunda-feira de manhã passou rapidamente, com exceção da aula de transfiguração, como sempre. Depois de uma longa e entediante conversa de como o "professor Pettigrew" conseguiu tornar-se animago no quinto ano, Harry caminhou até onde estavam Neville e Rony conversando, Hermione tinha saído veloz da sala e afastado-se dos amigos. Quando Rony o viu aproximar-se, negou freneticamente com a cabeça, mas Harry decidiu ignorá-lo.
— Longbottom, precisamos conversar — disse Harry educadamente.
— Não quero — retrucou Neville, caminhou por seu lado fazendo questão de esbarrar com força no ombro dele.
— Então temos um problema — Harry o segurou com força pelo braço e o arrastou para fora da sala — Lembra do que Dumbledore nos pediu?
— Me solta! Eu posso caminhar sozinho! — ele o soltou e ficou o observando — Não entendo o porquê Dumbledore pediu a você. E sim, Hermione me falou sobre o diadema, mas não tem ideia de onde está, também conversamos com a Lunática...
— Não a chame assim — rosnou Harry.
— ...e procuramos no salão comunal da Ravenclaw, mas não tem nada. Ninguém sabe onde está — continuou Neville, ignorando-o — E você? Falou com a dama cinzenta?
— Não, mas...
— Não fez absolutamente nada, não é? Não me surpreende vindo de você — Neville debochou, cruzando os braços.
Harry sentiu o sangue ferver, tentou se acalmar porque precisavam ser uma equipe e isso significava se suportar. Contou até dez, respirou e inspirou até conseguir se acalmar. Mas Neville tinha feito mais do que ele? Não, disse a si mesmo, a única que fez alguma coisa foi Hermione. Então pensou no que Sirius tinha dito: "Olhe pelo lado positivo, talvez possa arrancar algo que nos ajude a resolver o mistério do seu homólogo".
— Sabia que Ravenclaw tinha uma filha? — perguntou, sabendo a resposta que ele daria.
— Rowena Ravenclaw, uma das quatro fundadoras de Hogwarts, tinha uma filha? Está louco? — balbuciou Neville, detendo-se no meio do corredor.
— Sim — ele sorriu arrogantemente — Olha — tirou os velhos recortes do Profeta Diário da mochila e entregou a ele. Demorou um tempo para convencê-lo, que murmurava palavrões — Tenho mais informação e algumas ideias sobre o paradeiro, mas precisamos falar sobre isso em outro lugar — Neville concordou, ainda olhando os recortes — Vamos para o sétimo andar, diante da tapeçaria de Barnabás, o amalucado, e traga Her... Granger e Weasley.
— Nada disso, Potter — exclamou Neville, chamando a atenção de alguns estudantes — Não vou levar Hermione para a ala Precisa para que faça sabe-se lá o que...
— Vão estar você e Rony! Sou tão inútil que não sei nem fazer um Wingardium Leviosa...
— Mas sabe magia negra e... ultimamente não é tão inútil — murmurou no final da frase.
— Bom, mas é o menino que sobreviveu, não é? É melhor que eu.
Aquelas palavras pareceram convencê-lo e aceitou levá-los para a Sala Precisa.
— Nos vemos depois do jantar... e não esqueça de levar os recortes — terminou Harry, virando-se para ir ao salão comunal.
Tinha tempo para ir ao dormitório, pegar os livros que falavam sobre o diadema e Rowena Ravenclaw, descer ao Salão Principal e pegar um pouco de comida antes de ir ver Neville, Rony e Hermione na Sala Precisa. Mas seus planos falharam quando entrou no salão comunal da Gryffindor. Estava paralisado no buraco do retrato sem poder acreditar no que via.
— Harry...
— Desculpe, mas preciso pegar algo no meu quarto — Harry disse rapidamente.
— Harry, por favor, deixe sua mãe e eu falarmos contigo só um momento — pediu James, levantando-se da poltrona e colocando-se ao lado de sua mulher.
Harry tentou continuar caminhando até as escadas, mas continuava paralisado, olhando para as escadas. Eram as palavras de Sirius que o impediam de continuar caminhando, não queria ver seus pais, mas seu padrinho pediu que pensasse primeiro em si e tinha prometido. Lentamente, deu a volta e enfrentou-os.
— Sente-se — disse James, indicando a poltrona na frente dele. Harry obedeceu e começou a olhar seus sapatos como se fossem muito interessantes.
— Querido — Harry estremeceu levemente ao ouvir aquelas palavras da boca de sua "mãe" —, sentimos muito pelo que teve que passar. Não quero que pense que estamos decepcionados de você, porque é totalmente o contrário. É o melhor que pôde nos acontecer desde que o Harry daqui era um menino bom e inocente, porque é nosso filho também — James assentiu com a cabeça firme.
— Dumbledore disse que a diferença entre nossos universos aconteceu depois que nasceu, então de qualquer forma é nosso filho — disse James com suavidade.
— Então — começou Harry, olhando-os fixamente com os braços cruzados — Por que me olharam decepcionados quando souberam da verdade? Porque esperavam que fosse seu filho de verdade, não é? E ao ver que era um garoto de outro universo...
— Não! — exclamou sua mãe, parecia horrorizada a cada palavra que dizia. Lily passou as mãos pelo rosto, então Harry sentiu-se mal ao ver que parecia a ponto de chorar — Merlin, não, aquele olhar não era para você — teve a rápida ideia de que era para Voldemort, mas ninguém poderia sentir pena ou decepção por aquela coisa —, e sim para mim.
— Quê? — perguntou Harry, arregalando os olhos. Não podia acreditar no que escutava.
— Estava decepcionada comigo mesma, ao ver como um garoto tão educado, bom, tranquilo, valente, inteligente e que luta pela luz como nós... me fez ver que eu fiz um péssimo trabalho com o outro você...
— Nós dois fizemos um péssimo trabalho — disse James triste — Não sei o que fizemos de errado para que se transformasse em um garoto problemático, grosseiro e aspirante a magia das trevas. Só de te olhar, percebemos o quanto nossos homólogos foram melhores pais do que nós.
— Nós tentamos encaminhá-lo, mas parecia que isso só piorava e antes que nos déssemos conta, ele já odiava aos trouxas e aos filhos de trouxas como eu — disse Lily, contendo um soluço —, eu nem sequer podia falar com ele. Sua própria mãe! E quando chegou aqui, foi como se a luz surgisse outra vez — ela riu ligeiramente, as lágrimas rolavam por suas bochechas, mas Harry não reagiu — O que fizemos de errado? Nossos homólogos conseguiram criar um filho p...
— Não diga — conseguiu dizer Harry entre rosnados, com os punhos bem fechados —, por favor.
—Harry, o quê? — Lily tentou dizer, mas Harry a interrompeu.
— Meus pais, os seus homólogos, estão mortos — disse com grande esforço. Não era sempre que contava aos seus pais de outro universo que os pais do seu universo estavam mortos, seria uma loucura, mas loucura era um dos sobrenomes de Harry —, desde que eu tinha um ano.
Lily ofegou enquanto cobria o rosto com as mãos, seus ombros começaram a tremer e depois de uns segundos, estava soluçando. James tinha ficado paralisado e abria e fechava a boca como um peixe fora d'água. Harry negou com a cabeça e voltou a olhar seus pais, isso o machucava ainda mais.
— Desculpe, mas não podia deixar que continuassem falando do quão bem me cria... — murmurou, já mais calmo.
— Não se desculpe — James reagiu lentamente, ainda espantado —, fomos nós que começamos a falar. Eu realmente sinto muito, fi...
— Não — negou Harry — Não sabiam e eu reagi mal...
— Mas então quem te criou? Sirius?
— Não — o pequeno vislumbre de alegria no rosto de seu pai desapareceu — Dumbledore nos contou nada sobre a mudança? — Lily levantou o rosto, que estava vermelho, e negou com a cabeça junto com James — É sobre o eleito da profecia...
Isso foi o suficiente para que eles entendessem, negaram com a cabeça freneticamente e antes que Harry pudesse dizer algo, jogaram-se em cima dele em um forte abraço. Demoraram alguns minutos para que seus pais voltassem a se acalmar e assim Harry contou tudo sobre a traição de Peter, a vingança de Sirius, uma pequena e mínima parte da sua vida com os Dursleys, o que levou mais alguns minutos para acalmá-los sobre sua vida com os parentes não ser tão ruim assim, continuou contando um pouco sobre seu tempo em Hogwarts e por último lhes contou sobre como estava a guerra em seu universo.
— Tenho certeza de que nossos homólogos, seja onde estiverem, estão orgulhosos de vocês como nós estamos — Harry corou fortemente diante das palavras de sua mãe — Passou por muitas coisas sozinho e se saiu bem. Não acho que existam pais mais sortudos de poder tê-lo como filho, mesmo que seja só por alguns minutos.
— Não estive sempre sozinho... — ele murmurou.
— Mas nos tem e podemos te ajudar com qualquer coisa, também tem Sirius outra vez — sorriu seu pai.
Depois de vários minutos, onde falaram sobre coisas irrelevantes e divertidas sobre sua vida, como por exemplo: quadribol, suas detenções, saídas noturnas, debocharem de Snape e outras muitas coisas, Harry decidiu perguntar sobre seu homólogo. Não tinha certeza de que descobriria algo, mas era melhor perguntar antes que o resto dos alunos voltassem do Salão Principal.
— Realmente não sabemos, Harry. Se soubéssemos, já teríamos agido contra seja lá o que estivesse o mudando — disse Lily com voz suave.
— Foi muito estranho, deixamos um garoto calmo, divertido e educado na estação King's Cross e quando chegou para o natal, era outra pessoa — continuou James.
— E muito mal educado — a voz de sua mãe era triste — Neville e ele já não eram tão próximos quanto antes de Hogwarts.
— Eram como irmãos... — sussurrou seu pai e então acrescentou — Por que a pergunta?
Harry então contou-lhes sobre o encontro com os sonserinos, amigos de seu homólogo, e como pareciam assustados por ver seu antebraço esquerdo. Então teve que explicar primeiro a razão pela qual olharam pela penseira de Neville, sobre seu apoio aos Comensais. Seus pais não disseram nada por alguns minutos, não pareciam surpresos nem furiosos, mas curiosos. O primeiro a falar foi seu pai.
— Disse que se assustaram ao ver o antebraço esquerdo limpo? — Harry assentiu — Não acho que seja um Comensal. Uma das poucas coisas que conheço dele é que não gostaria de se transformar em um Comensal, sei que soa estranho — apressou-se a dizer James — que goste das ideias de Voldemort e magia obscura, mas nunca quis ser um.
— Mas por quê? — perguntou Harry sem entender a mente de seu homólogo.
— Pela simples razão de que não quer obedecer cegamente a Voldemort e muito menos "compartilhar" seu poder ou matar — explicou James com um ligeiro tom de nojo e sarcasmo — Além do mais, nunca vimos a marca em seu braço, nunca teve medo de usar camisetas de manga curta ou de arregaçar as mangas.
— Mas deve ter alguma coisa, James — retrucou Lily — Pode ser alguma forma nova de colocar marcas negras para... os espiões e só os Comensais possam ver.
— Isso é impossível — ela fez uma careta irritada, então James mudou de tom rapidamente — Quero dizer, um Comensal deve se sentir orgulhoso de tê-la, para demonstrar que ele tem poder e que deve ser temido, senão tenho certeza de que Voldemort os torturaria por mostrar desagrado pela marca negra. Se Voldemort fosse mudar de lugar, tenho certeza que poria na testa.
— Mas, voltando ao tema dos Comensais — Harry adiantou-se —, meu homólogo não parecia se importar em compartilhar, ser leal ou matar por Voldemort.
— É claro que não se importava — disse James, dando de ombros —, não era Comensal e não tinha que mostrar completa lealdade nem ter que "compartilhar" poder...
— Mas sim matar, não é? — resmungou Lily, James passou um braço sobre seus ombros, mas levantou-se rapidamente.
— O relicário Malfoy! — ele exclamou, alguns alunos do primeiro ano assustaram-se, mas nenhum dos três lhes prestou a atenção.
— Que relicário Malfoy? — perguntaram Lily e Harry ao mesmo tempo.
— O que Harry sempre leva no seu braço esquerdo, o vi quando voltou de Hogwarts para o natal. Sirius perguntou a ele e ele disse que era presente dos Malfoy para "fortalecer sua amizade". Agora faz sentido — disse James, olhando para o teto do salão comunal com felicidade.
— Espera! Está falando daquela cinta que sempre leva no braço esquerdo? — perguntou Lily também se levantando. James assentiu energicamente com a cabeça — Mas eu pensei que fosse presente de Sirius, como quase tudo o que ele dava a Harry era muito usado.
— Mas Harry deixou de querer e respeitar a Sirius, Lily.
— Mas... Quando se reuniram os Malfoy com Harry? — ela perguntou assustada.
— Em Hogwarts, mamãe.
— Não, Harry o usava antes de ir a Hogwarts, a primeira vez que vi foi depois de ir ao Beco Diagonal comprar sua varinha e seus materiais... — Lily ficou calada por alguns minutos, olhou rapidamente para James e continuou com a voz estremecida — O ataque no Beco Diagonal, não durou nem dez minutos, era tudo uma...
— ...distração — terminou James — Sirius me disse que tinha se afastado da loja de animais, mas disse que não foi muito longe, deve ter visto alguma coisa...
— Sirius não sabe de nada — interrompeu Harry — Ele também esteve procurando por esses anos a causa do comportamento do meu homólogo, não acho que ele já saiba.
— Deveríamos falar com Dumbledore, James — disse sua mãe, voltando a se sentar — Saberá o que fazer ou pelo menos ter alguma ideia.
James concordou lentamente e então dirigiu-se a Harry para despedir-se, Lily o imitou e depois de um abraço forte de sua mãe, os viu sair pelo buraco do retrato. Harry ficou alguns segundos mais, pensando no que tinham dito. Não tinha entendido direito o que era o relicário Malfoy, mas já sabia que seu homólogo não era uma má pessoa, não por si mesmo pelo menos. Dando um suspiro, correu pelas escadas, entrou no quarto, colheu os livros, a capa da invisibilidade e saiu correndo até a Sala Precisa.
— Onde você estava? — gritou Neville ao vê-lo entrar — Estamos te esperando há meia hora!
— Desculpe, estava falando com meus pais — disse Harry indiferente aos seus gritos.
O quarto que tinham pedido era muito parecido com o salão comunal da Gryffindor, com exceção de janelas. Estavam quatro poltronas ao redor de uma mesa de madeira e em um canto, encontrava-se uma lareira acesa. Duas das quatro poltronas estavam ocupadas por Rony e Hermione, que não parecia muito cômoda nem muito feliz, inclusive Harry pôde notar como começou a tremer quando entrou. Sentou-se na poltrona ao lado de Rony e rapidamente começou a tirar os livros.
— Li um pouco sobre o livro das relíquias, fala muito pouco sobre o diadema de Ravenclaw, exceto que proporciona maior inteligência a quem a tem, mas o resto são só descrições e os momentos em que Rowena Ravenclaw o usou. Não diz em nenhum lugar como ou quando se perdeu — explicou Harry, enquanto passava as páginas procurando pela do diadema.
— É claro — disse Neville com sarcasmo — senão já teriam encontrado.
— É claro que já encontraram, Longbottom — retrucou Harry — Tom Riddle a encontrou. E se ele conseguiu, nós também, somos quatro. Então, as pistas que temos são: o corvo, que faz jus ao nome...
Harry se deteve quando Hermione levantou a mão como se estivesse em uma aula, o garoto ficou olhando-a por alguns segundos sem saber o que fazer e então assentiu lentamente.
— Obrigada — sussurrou Hermione timidamente —, senhor Potter — Harry quase caiu da poltrona, mas Rony conseguiu segurá-lo firmemente pelo braço — Se me permite dizer, o corvo não é o mascote de Ravenclaw, é a águia. Não é porque o nome é parecido que signifique alguma coisa.
— Sim, eu sei, mas talvez Tom achou interessante — Hermione não parecia convencida — Olha, a maioria das pessoas que procuram o diadema são corvinas e pensariam como você, descartariam o corvo — ela assentiu com a cabeça — E a outra pista é Albânia, não sei bem no que pode nos ajudar, mas foi onde a filha de Rowena morreu, então...
— Não só isso — exclamou Hermione ,segundos depois corou fortemente — Eu... M-me desculpe...
— Esquece, não me incomoda — disse Harry.
— Bom — ela parecia mais calma e confiante — Albânia onde esteve Quirrell quando conheceu Voldemort e o deixou possuir seu corpo, quer dizer que Voldemort estava procurando ou escondendo algo ali. Talvez a filha de Rowena tentava proteger o diadema de todos os alunos ambiciosos, o escondeu na Albânia e de alguma forma Voldemort descobriu, o transforma em uma horcrux e o deixou no mesmo lugar. Anos depois de sua morte, volta para lá para tentar conseguir um corpo. Mas ao ver Quirrell e descobrir sobre a pedra filosofal, isso soa mais tentador e não teria que usar uma de suas horcruxes.
Os três garotos ficaram calados e olhando-a com a boca ligeiramente aberta. Hermione Granger tinha descoberto em um segundo a localização do diadema? Parecia ser verdade, tudo encaixava perfeitamente: Albânia, filha de Rowena, Voldemort, Quirrell e a pedra filosofal. Além do mais, quem eram eles para contradizê-la? O único e pequeno problema era: como iam viajar para a Albânia? Não podiam esperar o final das aulas para ir e muito menos era perto para irem por uma noite e voltarem pela manhã.
— Como é que não tinha descoberto antes? — Rony foi o primeiro a reagir.
— Porque não sabia sobre a Albânia, Rony — disse Hermione com um sorriso no rosto — Então, acham que estou certa?
— É a coisa mais lógica que já escutei — assentiu Harry —, mas agora o problema não é a localização, e sim o transporte.
— E sem esquecer em que lugar da Albânia está. Não vamos até a Albânia, não é? — perguntou Rony e logo acrescentou — Não que me incomode, mas acho que minha mãe não vai gostar que eu saia de Hogwarts no meio do ano para conhecer a Albânia.
— Não, claro que não — disse Harry — Não precisam arriscar suas vidas nem nada, Neville e eu podemos lidar com isso.
— Quê? Desculpe, mas desde quando toma decisões por mim, Potter?
— Desde que Dumbledore nos fez trabalhar juntos, Longbottom. Agora, deveríamos falar com o professor Dumbledore.
— Eu não acho uma boa ideia — disse Hermione, voltando a corar — Quero dizer, até que tenhamos o lugar. Dumbledore os mandou encontrar o diadema, não o país, e também que falassem com a dama cinzenta, talvez ela saiba onde exatamente está.
Harry pensou por alguns minutos. Hermione tinha razão, Dumbledore não tinha pedido o país. Seria como dizer: "Voldemort está na Inglaterra, o encontramos", seria absurdo. Harry viu pelo canto de olho Neville assentir com a cabeça, então apressou-se em imitá-lo.
— Bom, acho que deveríamos deixar isso para outro dia, já passamos uma hora e meia do toque de recolher — disse Hermione, levantando-se de sua poltrona e olhando-os ameaçadora.
— Vamos, Mione, já passamos do toque de recolher milhares de vezes, uma hora não é nada — reclamou Rony, espreguiçando-se.
— Vocês pularam o toque de recolher milhares de vezes, eu não — retrucou e acrescentou com firmeza — Vamos.
Harry pegou os livros e saiu da Sala Precisa junto com os outros. Não tinha ninguém na área, o corredor estava escuro e deserto. Rapidamente, Harry pôs a capa da invisibilidade em cima. Neville o olhou com o cenho franzido.
— Pensei que tinham te tirado...
— Eu vou primeiro e aviso se tem alguém — disse Harry.
— Nos vemos amanhã, garotos — disse Hermione antes que ele pudesse andar.
— Espera, e se te verem?
— Sou monitora, e a torre da Ravenclaw está nesse andar — ela deu a volta.
Harry se amaldiçoou mentalmente, tinha voltado a se esquecer de que Hermione estava na Ravenclaw. Tirando esses pensamentos da cabeça, começou a caminhar sigilosamente até a esquina. Quando não viu ninguém, tirou a mão da capa e fez um sinal. Depois de uns dez minutos aproximadamente, chegaram finalmente ao salão comunal da Gryffindor, alguns estudantes ainda faziam seus deveres para o dia seguinte ou estudavam.
Quando Harry, Rony e Neville entraram no quarto, ficaram paralisados na porta. Os corpos de Dean e Seamus estavam jogados no chão, aparentemente inconscientes e justo no meio do quarto estava Draco e a linda e querida Bellatrix. Como diabos tinham entrado?
— Viemos tirá-lo desse lugar esfarrapado, Harry. Quando não respondeu minha carta no natal, pensei que seus pais tinham queimado ou coisa do tipo, então não me preocupei, mas quando recebi a carta de Zabini e de Pansy... — disse Draco, fazendo uma careta — Não temos muito tempo, por isso viemos só eu e Bella.
— Deve estar feliz, não é? — riu Bellatrix com sua estridente e linda voz —, sua poção funcionou e — ela lançou outra gargalhada, não parecia importar-se de ser escutada — o pequeno Dean está morto!
Harry dirigiu um olhar para o corpo de Dean e tinha razão. Ao contrário do peito de Seamus que subia e descia, este nem se movia. Não podia ver e nem queria acreditar. Lentamente tirou sua varinha da túnica, olhou sobre seu ombro e viu que Neville e Rony já estavam com as varinhas em mãos, mas nem Draco nem Bellatrix pareciam intimidados por isso.
— Vamos, pegue suas coisas, o diadema e vamos — ordenou Draco.
— Que diadema? — perguntou Harry lentamente.
— O único diadema, idiota! — gritou Bellatrix irritada — Não temos tempo para brincadeiras, garoto.
— Lamento dizer que não a tenho, caso se refira ao diadema de Ravenclaw. Ou não sabiam que está perdido? — disse bem tranquilo.
— Não foi o que disse na última carta. Disse que a tinha, foi a carta que me mandou a receita da poção — disse Draco com a voz um pouco estremecida.
— Ah! Essa! — exclamou Harry — Desculpe, é que tive um pouco de amnésia esses dias. Eu te disse onde estava?
Bellatrix não gostava tanto do jogo quanto Harry, adiantou-se com sua varinha, mas Draco a deteve com um olhar. Bufou, mas pelo menos ficou quieta. Draco negou com a cabeça, respondendo sua pergunta.
— Eu vou olhar no baú — disse Harry. Então deu um toque discreto no braço de Rony, não teve que fazer mais nada, já que ele entendeu e assentiu imperceptível.
Aproximou-se de seu baú e começou a procurar entre suas coisas com lentidão, esperando que o tempo acabasse e se fossem. Sabia que não era tão fácil, mas assim teria tempo para pensar no que fazer quando o momento chegasse. No baú encontrou um monte de roupas escuras, vermelhas e verdes, um monte de livros de magia obscura, que pareciam muito antigos, bugigangas, poções, frascos e caldeirões. Quando chegou no fundo, Bellatrix já estava impaciente, gritava insultos e ameaças. No fundo tinha apenas pedaços de pergaminho e, é claro, uma pequena relíquia que pensavam estar na Albânia. A simples vista, parecia um simples diadema prateado, mas quando a pegou nas mãos, sentiu as palpitações de um coração.
— Olha, aqui está. Tinha razão, Draco — disse, segurando agora o diadema com uma só mão e com a outra a sua varinha.
— Bem, agora vamos — rosnou Bellatrix.
— Acho que não. Estupefaça! — o feitiço pegou Draco de surpresa, não teve tempo de se defender. Logo apontou a varinha para ela.
— Não tem a relíquia Malfoy, não é? — perguntou Bellatrix com o tom um pouco assustado.
— Não, mas por que não me fala sobre ela?
— Pensei que já sabia — ela ergueu as sobrancelhas — Vamos fazer um trato. Te conto sobre a relíquia Malfoy e me dá o diadema. O que acha? Assim ninguém saiu machucado.
— Acho que não.
Fez um sinal para Rony e Neville, quem se jogaram sobre Bellatrix, lançando feitiços a torto e a direta, mas ela esquivava com facilidade. Harry se uniu na luta depois de colocar o diadema sobre sua cama. Rony e Neville não tinham tanta destreza na luta quanto Harry, mas era porque eles ainda não tinham enfrentado uma verdadeira guerra, mas não podia fazer muito, tinha que vigiar Rony, Neville, Draco e as janelas. Consequência: muitos feitiços o atingiram. Então decidiu usar um dos antigos feitiços de Snape, sabia que era ruim, mas sentia uma grande vontade de machucá-la, não sabia de onde saía tanta raiva, porque ele tinha chegado a superar a "morte" de Sirius e já não queria vingança. Sem pensar duas ou três vezes mais, pronunciou o feitiço Sectumsempra sobre a perna de Bellatrix, enquanto ela se distraía com um feitiço de Rony. A maldição atingiu o alvo e sem esperar que ela começasse a gritar, a estuporou.
— Estão bem?
Neville e Rony concordaram, ainda apontando as varinhas para Bellatrix. Seus sangue era uma poção ao redor da perna e lentamente a ferida abria mais. Rony aproximou-se para examinar Dean e Seamus.
— Dean... está morto — disse Rony com a voz triste — Nunca pensei que fossem matá-lo.
— Era normal, Rony — Neville deu de ombros — Filho de uma trouxa e seu pai negou-se a se juntar aos Comensais, era alvo fácil.
— Sim, bom, mas não precisa falar como se não se importasse que está morto — rosnou Rony — O que houve? — perguntou ao ver a expressão de Harry.
— Acho que não estou bem — disse Harry com a voz ofegante, lentamente afastou a túnica para mostrar uma grande mancha vermelha que tinha na camisa. Levantou o olhar e olhou para eles — Precisamos levá-los ao escritório de Dumbledore o mais rápido possível, podem ter mais Comensais esperando lá fora.
— Mas e se o Ministério descobrir? — perguntou Neville lentamente.
— Melhor, não acha? — ergueu as sobrancelhas. Apontou com a varinha os corpos de Bellatrix e Draco e os fez levitar — Levem Dean e Seamus.
— Não é melhor! Eu pessoalmente não quero ir para Azkaban, Potter! — gritou.
Harry franziu o cenho, mas não prestou atenção nele, saiu do quarto com os corpos de Draco e Bellatrix flutuando atrás dele. Rony fez o mesmo com os corpos de Dean e Seamus. Antes de chegarem ao salão comunal, foram interrompidos pela voz de alguém muito familiar. Harry levantou o olhar e encontrou-se pessoalmente com Crouch e Dumbledore. As coisas nunca podem sair bem? pensou irritado.
— Harry Potter e Rony Weasley, estão presos — disse Crouch. Do nada, apareceram aurores pelo buraco do retrato — por atacar ao senhor Malfoy e a senhora Lestrange e pelo assassinato do senhor... Thomas.
— Bartemius, acho que podemos falar sobre isso — disse Dumbledore firme — Podemos provar que Bellatrix Lestrange é uma Comensal, assim com o senhor Draco Malfoy.
— Nada disso, Dumbledore, já me cansei de seus joguinhos, esses dois garotos virão comigo e se querem demonstrar algo, será no Ministério diante da Suprema Corte — disse Crouch sem aceitar um "não" como resposta.
Harry não entendia nada. Por que ia prendê-lo? E o que diabos fazia Crouch ali? Estava Crouch sob imperius ou algo assim? Sem poder fazer nada, deixou os aurores tirarem suas varinhas e o levarem. Com o coração a mil e uma dor horrível no abdômen, disse com a mandíbula apertada:
— Nós somos inocentes. Não acha estranho que Draco Malfoy e Bellatrix Lestrange estejam aqui?
— Tem um grupo de Comensais lá fora, eles só vieram avisá-los — replicou Crouch.
— Por um dos quartos da Gryffindor?
— Sendo o do garoto Neville, é claro, ele é o alvo disso tudo.
— Olhe no braço esquerdo! Não vai perder nada — gritou Harry irritado — Não seja covarde! Tem medo de que esteja enganado toda a vida, não é?
Crouch respirava entrecortadamente e as suas narinas alargavam-se.
— O garoto tem razão, Bartemius, e sabe que é verdade. Como te disse há muitos anos, não pode continuar mantendo o mundo bruxo na escuridão. Se são Comensais, pode perder a vida de inocentes pessoas, mas se estamos errados... não perdemos e se permite ter uma palavra com meus alunos primeiro — disse Dumbledore —, não permitirei que os leve assim da minha escola.
Crouch não parecia se decidir logo, então Harry deu uma boa cotovelada nas costelas do auror que o segurava. Isso funcionou para despistá-lo por alguns segundos, moveu-se rapidamente até Bellatrix e antes que pudessem impedi-lo, puxou a manga de seu braço esquerdo, ali estava a marca negra, mas havia algo estranho: não estava preta e sim cinzenta, como se Voldemort não estivesse vivo... Embora isso não importasse ao ministro Crouch, que se pôs reto como uma tábua, franziu o cenho e disse:
— Isso não pode ser verdade! — exclamou — Podem... estão livres...
Essas últimas palavras foram o suficiente para Harry, sentiu como lhe tiravam as algemas e antes que pudesse fazer algo, sua visão nublou-se e o último que sentiu foi como seu rosto batia contra algo rígido e duro.
