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*Pov. Sesshoumaru*
– DESONRA! – exclamou Nizo Okuda, um dos quatro anciões, e eu estreitei os olhos em sua direção.
– Vossa-Alteza, queira perdoar meu irmão, mas tens certeza do que nos anunciou? Uma humana como a futura Senhora do Oeste?
Direcionei meu olhar para Takeshi Shimbei, o youkai que me dirigiu a palavra, sem vontade de me explicar a aqueles velhos.
Porque eu deveria?
– Esta é a minha vontade. E como Senhor do Oeste, minha palavra é final.
Takeshi baixou o olhar e negou com a cabeça silenciosamente, enquanto mais uma vez os outros três entravam em discussão entre si.
Nizo Okuda, Getsumei Seiki e Kawakami Himura. Eles continuaram trocando palavras afiadas e petulantes, como se seu lorde não estivesse presente.
Nunca entendi o motivo de meu pai manter esses quatro próximos de si.
Os anciões em sua juventude eram conhecidos como sanguinários. Os quatro grandes assassinos.
Ainda possuíam a aparência jovial, típico de youkais puros. E a mentalidade tão ultrapassada quanto meus antepassados.
Para mim não passavam de problemas ambulantes. Não conseguiam nem mesmo ficar sem discutir entre eles!
– QUIETOS! Devo lembra-los que estão aqui apenas por mero respeito à vontade de meu pai de manter os anciões próximos. Não possuem poder sobre minhas escolhas e com certeza não terão sobre minha futura companheira.
– Está cometendo um grande erro, Sesshoumaru-sama!
Okuda deu um passo à frente, os olhos me desafiando.
Rosnei perante sua atitude, fazendo os outros recuarem.
– O clã não verá essa união com bons olhos. O que diz a senhora, sua mãe? Já lhe informou de sua escolha, Vossa-Alteza?
Perguntou, mantendo o tom impertinente e o olhar desafiador.
Levantei-me da cadeira, decidido a encerrar a reunião...ou matar todos os anciões e acabar com futuras possíveis discussões.
– Mandou me chamar, Vossa-Alteza?
Hayato adentrou o escritório, sem bater na porta.
Ainda encarava o ancião, decidindo se o decapitava ali mesmo ou deixava para uma próxima oportunidade.
– Sesshoumaru-sama?
– Sim, General. Precisamos discutir sobre algumas medidas de segurança...entre outros assuntos pertinentes. – o olhei por um breve momento.
Sempre me irritava aquele sorriso desaforado. E parecia que seu youki havia se normalizado.
Ouvi o som de garganta se limpando e voltei minha atenção para Okuda. Aparentemente ele ainda aguardava que eu o respondesse. Tolo.
– Os senhores estão dispensados.
Os avisei, voltando a me sentar, fechando os olhos. Havia sido uma reunião cansativa. Eles apenas vieram tentar retirar alguma informação sobre a miko e me atormentar para desistir da ideia de torna-la minha companheira.
– Devo lembrar-lhe, Vossa-Alteza, que Toga-sama perdeu sua vida por cometer o erro de se unir a uma humana? Espero que saiba o que está fazendo.
Okuda estava pedindo.
Não. Implorando para que eu o mandasse para o além.
O youkai se virou para sair da sala, com os outros três anciões em seu encalço e eu lancei um olhar para Hayato que estava próximo à saída, que imediatamente sacou sua katana.
Um único golpe, rápido demais para olhos destreinados.
– AHHHHHH!
O ancião levou sua mão para a região onde ficava sua orelha.
– O que está fazendo, seu maldito?!
– Oh, me desculpe, pensei ter visto um daqueles bichos que controlam youkais. Aqui, toma, só botar no lugar de volta, que ela cola. Somos youkais, vai curar rapidinho.
Hayato parecia estar se divertindo e eu observei enquanto ele entregava o membro decepado na mão do ancião que o amaldiçoou com os olhos.
Ele jamais enfrentaria o general.
– Devo avisa-lo, Okuda. Não sou generoso ou benevolente como meu falecido pai, torne a me desafiar. Terei prazer em eu mesmo desembainhar Bakusaiga para enfrenta-lo. Ainda tens habilidade com a espada, não, Ancião?
– Tch...
Nizo saiu da sala, empurrando Hayato. Uma mão segurava o membro cortado e a outra no local ferido. Os outros não me dirigiram o olhar, apenas seguiram Okuda.
– Senhor, é uma boa ideia irritar Okuda? Ele é um tanto rancoroso.
– Foi você quem lhe arrancou uma orelha, Hayato. Se preocupe com seus próprios problemas.
– Que injusto! Achei que queria lhe dar uma lição pela impertinência. Além do mais, fazia tempo que queria testar um dos Quatro Grandes Assassinos. Meio enferrujado, nem conseguiu desviar de minha espada nessa velocidade.
– Não lhe chamei para tomar partido de minhas discussões, General.
Me atentei ao aroma que exalava do Inu a minha frente.
– Sinto o cheiro de Kagome em você.
O youki de Hayato oscilou.
Observei enquanto o sorriso do Inu do Sul desaparecia e sua face se fechava.
– Sobre isso...precisamos conversar sobre Kagome-sama, Vossa-Alteza.
– De fato. Eu sei quem ela é, General. – a face dele permaneceu séria. – Imagino que já sabia sobre meu conhecimento.
– Sim, mas ainda não sei qual o motivo de ainda não ter conversado com ela sobre, Sesshoumaru-sama. Andei pesquisando, além de Inu-Kimi-Hime, o senhor é o que mais tem conhecimento sobre o passado da miko.
– E por ter conhecimento, devo apenas contar tudo a ela. Entende as consequências deste ato, General?
O vi estremecer.
– Que bem trará ela saber desse passado vergonhoso? Ela teve sua chance de renascer e deixar tudo isso para trás.
– E se tornar sua companheira está incluído nisso de deixar tudo para trás, Vossa-Alteza?
Nossos youkis se chocaram.
Estava claro que meu general discordava de meus ideais. Sorri com seu óbvio desafio, digno do sangue real que corria em suas veias.
Fazia anos que não o via agir como o verdadeiro Príncipe das Terras do Sul.
– Isso vai além. Quando percebi de quem se tratava, já estava unido a ela e minha fera já havia feito sua escolha. Sabe que não há como desfazer isso, apenas a morte rompe.
– Não, Vossa-Alteza. A bela dama ainda não fora marcada. Apenas após isso, é que a morte é a única que rompe a ligação.
Estreitei os olhos.
Uma veia relutava em saltar em minha testa e minha fera rugiu.
Aquilo era um desafio?
– Onde quer chegar, General?
– Lugar nenhum, apenas quero ter certeza de que é a pessoa certa para Kagome-sama.
Suspirou, se encostando a parede.
– Contei a ela que é a Princesa dos Inus do Norte. Eu vi a Lua atravessada pela Flecha Imperial, realmente é ela. – terminou, fixando seus olhos em algum ponto no chão.
– Ainda tinha dúvidas?
Perguntei, me levantando e indo buscar um pergaminho em uma das prateleiras às minhas costas.
– Apenas queria ter certeza. Por isso estou com seu aroma em minhas vestes...o que Vossa-Alteza procura?
– Isto. – levantei o documento à altura dos olhos.
– Leve para ela, isto é, se ainda achar que ela precisa saber sobre o passado. Tem algumas informações importantes que talvez os ajude a entender melhor o que houve para causar a guerra entre os Senhores das Quatro Terras.
Hayato veio em minha direção, alcançando o pergaminho com uma das mãos.
– Mas lembre-se, você será o responsável por informa-la de tal imundice.
– Não seria sua mãe a responsável por tal imundice, meu Senhor?
Perguntou, já se virando para a saída com o papel em mãos.
– Cuidado com suas palavras, Hayato.
– Sim, Vossa-Alteza.
Me respondeu com seu costumeiro sorriso. Se virou ao chegar na porta.
– Já ia me esquecendo. Quais medidas de segurança gostaria de discutir, Vossa-Alteza?
– Você irá treinar Kagome. É o único que pode lhe ensinar a arte da guerra dos Inus da Lua Minguante. Ela precisa aprender a controlar e unificar a sua fera interior.
– Fala de Hanna? Acho que ela já o faz instintivamente.
– Não. Hanna é uma fração de sua alma. Que sim, está mais ligada ao lado bestial. Mas ela é uma parte fracionada de sua alma, por uma feiticeira e uma miko. Falo da verdadeira fera.
– Espera, isso não seria como se ela fosse uma hanyou?
– Parecido. Lembre-se que ela renasceu com seu lado youkai lacrado, como humana.
Suspirei diante o fato, aquilo nunca havia sido feito, não havia como comparar a nada.
– Não há nenhuma informação sobre algo assim já ter sido aplicado antes, general. É como se ela pudesse ser youkai ou humana, conforme sua vontade. Hanyous são a mistura dos dois e não há como escolher um lado.
– Interessante.
– Eu diria irritante.
O Inu me observou por alguns instantes, os lábios relutantes em se curvar em um sorriso maior.
– Qual a graça, General?
– Pfft...nada, nada. Então, como está sendo resistir ao aroma de Kagome-sama? É de enlouquecer sua besta, né, Vossa-Alteza?
Com um salto, ele conseguiu desviar a tempo de meu chicote de veneno.
– Wow! Isso foi perigoso. Bom, eu vou indo estudar esse pergaminho e avisar minha discípula sobre sua nova rotina. Até mais ver, Vossa-Alteza.
Sem mais me amolar, o General partiu para fora do escritório.
Sentei novamente, ainda haviam documentos para assinar antes que pudesse estar livre de meus deveres. Entre os papéis espalhados pela mesa, um se destacou.
Era uma carta.
E eu sabia bem de quem era aquele selo.
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*Pov. Kagome*
Tateei o tecido macio ao meu lado, o procurando.
É claro que ele não estaria ali, mas inconscientemente, o procurei. Apertei o local vazio entre meus dedos.
Sesshoumaru idiota.
~Capaz que tenha ficado a noite toda em seu escritório. Hah! Viciado em trabalho.~
Isso não tem graça, Hanna! Depois de conversar com Mayu e termos jantado, ela me obrigou a vir para os aposentos descansar. Eu vim de bom grado na esperança de poder ficar nos braços dele a noite toda.
~Sabe que ele a perguntaria novamente sobre a proposta de casamento, né?~
Abri os olhos, encarando o teto.
Minhas bochechas queimavam, aquele assunto ainda me deixava envergonhada. O que eu diria a ele se me perguntasse de novo?
Sei. Mas diante as últimas informações...preciso saber mais antes de tomar uma decisão.
~Precisa treinar também. Eu gostaria de poder esticar minhas asinhas um pouco, sem ser em um momento de vida ou morte.~
Torci os lábios. Queria não lembrar das vezes em que ela teve mais controle sobre meu corpo. Sempre foram momentos desesperadores.
Achei que fosse parte de mim.
~ E sou! Mas graças aquela bendita miko e sua amiguinha feiticeira, eu fui separada. Por isso, mesmo que sintamos as mesmas coisas, ainda podemos pensar diferente. Não sei se consegue entender bem...~
Sorri, achava graça de como Hanna se comportava diferente dependendo de quem falasse com ela. Comigo era sempre carinhosa e preocupada em usar as palavras certas, mesmo que autoritária algumas vezes. Acabo de descrever minha mãe?
~ Eu diria uma irmã mais velha. ~
Sorri largamente.
Irmã mais velha?
~ Oras, como youkai, me considero sim mais velha. ~
~ Oh, okay, anciã. Mas então. Vai me dizer o que queria me avisar lá na gruta? ~
Silêncio. Podia sentir Hanna hesitando em prosseguir com aquele assunto. A pegara desprevenida, do jeito que eu queria.
~ Mayu já fez este favor. Era sobre a Inu-Hime. Mas ela não atentou sobre algo importante...ela não esteve sozinha. O Senhor do Leste esteve envolvido. E era sobre ele que eu queria lhe avisar. Aquela cobra! Gostaria de saber que fim ele teve...se teve. ~
Leste...agora quem comanda o Leste, são os lobos, não?
~ Ah sim, aquele tal de Kouga, seu amigo. Os lobos devem ter tomado o controle após a queda da cobra. Bem feito! ~
~ Hum. Como pode saber tanto, Hanna? Quero dizer...eu não me lembro de nada. Eu não deveria ser capaz de acessar suas memórias também? ~
Em meu interior, Hanna se agitou. Franzi o cenho, elevando meu houriki, ela não me deixaria acessar essa parte. Porque?!
– Kagome-sama? – a voz viera suave, ao lado da cama.
Levantei-me de súbito, tamanho o susto que eu havia levado. Não ouvi nem senti a presença.
– Desculpe se a assustei. Eu bati na porta.
– Lógico que bateu! Hahah
Tentei soar o mais natural possível, mas em meu peito o coração ainda batia descompassado.
Coloquei uma mão sobre o local, acalmando o músculo e deixei o ar escapar de minha boca.
Olhei para o pequeno corpo que me olhava com curiosidade. Eu sabia que era uma youkai, apesar de se parecer muito com uma criança humana.
Os olhos lilases eram tão vazios quanto os de Kanna. O cabelo curto, em estilo chanel, tão escuro quanto a noite, acentuou mais os enormes e lindos olhos.
Estava com um vestido branco, simples, de alcinha e com babadinhos.
A pele pálida me fez perguntar se era feita de porcelana ou algo parecido.
Eu diria que era até bizarra a semelhança a uma boneca.
Ela segurava um urso marrom enorme.
Olhei atentamente para a imagem toda, aquele urso definitivamente não combinava com o olhar vazio e profundo dela.
Ela me encarava, sem se incomodar com minha avaliação. Sorri sem graça.
– Err...qual seu nome? – perguntei, para quebrar o silêncio.
Tentei sentir alguma presença vindo da menina, mas não havia. Nada. Zero.
Diabos é isso?
– Hotaru.
E continuou me olhando, profundamente. Okay, isso está ficando horripilante.
– E o que faz aqui, Hotaru? Está perdida?
A menina inclinou a cabeça levemente para o lado e abriu um sorriso, fazendo com que seus olhos se fechassem no processo.
– Não, Kagome-sama. Vim lhe avisar que o desjejum está pronto.
Abri a boca para perguntar quem a mandara, mas em um piscar de olhos ela já não estava mais ali.
– Certo. Isso foi bem esquisito!
~ Concordo. Mas acho que a menina é inofensiva. E um pouco familiar também... ~
Familiar como?
– Ainda na cama, Kagome-chan?!
Meus olhos se expandiram. E pus a mão firme em meu peito.
– Quer me matar do coração, Sango?! Porque todos entram assim?!
– "Todos"? – perguntou, arqueando uma sobrancelha.
Decidi que não era necessário contar o episódio anterior e apenas neguei com a cabeça.
– Nada!
– Vem, vamos tomar café! Troque logo suas vestes! – exigiu, já me puxando da cama e me empurrando para a sala de banho.
Estava feliz por minha amiga ter vindo me ver tão animada logo de manhã, mas ainda sim fui me arrastando.
Quero voltar para a cama!
...
Após ter me banhado devidamente, com Sango me apressando, é claro, coloquei uma roupa de minha era que julgava confortável e fui até ela que estava sentada na varanda do quarto.
A exterminadora olhava para o jardim pensativa.
Será que está pensando em Kohaku?
– Aí está você! Finalmente! – disse, se levantando e me tirando de meu devaneio.
Abri um sorriso, ela tinha a face mais tranquila agora do que a alguns segundos atrás.
– Não nos vemos desde que...bom, desde que impedi que Sesshoumaru matasse o Inuyasha.
Suspirei com a lembrança. Não era uma imagem fácil de se esquecer.
– Como ele está, Sango-chan?
– Vai sobreviver. – disse, ríspida. – Se eu soubesse do motivo por trás antes, eu mesma o teria matado.
Ela voltou a se sentar, encostando suas costas a pilastra que havia ali e eu imitei seu movimento.
Sentei ao seu lado e deitei minha cabeça em seu ombro. Sentia falta de minha amiga e de nossas conversas. Talvez o café possa esperar um pouco mais.
– Sinto muito que tenha passado por isso, Kah. – sussurrou, segurando uma de minhas mãos entre as suas.
– Está tudo bem.
Fechei os olhos, tentando não pensar em nenhum pormenor e respirando aliviada em concluir que Hanna havia mesmo se livrado dos sórdidos detalhes em minhas lembranças.
– Eu possuo as melhores pessoas a minha volta, por isso, está tudo bem! – Conclui, levantando a cabeça para olhar minha amiga nos olhos.
Sango me observou por alguns segundos antes de devolver o sorriso que eu lhe mostrava.
– Acredito em você. – deu uma leve tapinha em meu braço, me fazendo a encarar, assustada. – Agora, pode me contar tudo. Tim-tim por tim-tim! Sesshoumaru e você, hein?!
É verdade, eu ainda não havia tido a chance de conversar com ela sobre aquilo.
A curiosidade estampada na face da exterminadora me fez gargalhar alto e logo eu esquecia de todos os problemas que envolviam estar apaixonada pelo Senhor de Oeste. Contei a ela tudo o que havia acontecido.
Os detalhes que não havia contado na frente de Miroku e os outros.
~Argh, papo de garotas humanas.~
Hanna estava verdadeiramente incomodada com mais um grito agudo que Sango dava e eu sorri sem graça.
Apenas com ela eu poderia conversar sobre as coisas mais...íntimas.
Nem com minha mãe eu teria coragem de falar o que fiz com o daiyoukai. De repente minha face esquentou.
– Quem diria que você acabaria ficando junto do meio-irmão do Inuyasha. Bem feito pra ele. – disse, rindo com satisfação.
– Ele nunca me amou de verdade mesmo, Sango. Acho que eu também...talvez tenha confundido meus próprios sentimentos. O que sinto por Sesshoumaru agora, é bem mais intenso, mais maduro.
– Uhm. Sei bem o maduro que quer dizer...
– Sango!
– O que? Sabe que é verdade! Inuyasha nunca te tratou como mulher. Aos meus olhos, sempre pareceu que ele lhe tratava como uma propriedade, como a irmãzinha que precisava ser protegida, sempre.
Explicou, com mais seriedade.
– Kah, eu acho que nem ele percebia que estava a fazer isso. Idiota do jeito que ele é.
– Pois é. Mas agora acho que finalmente vamos poder resolver isso. Da mesma forma que ele me vê como uma irmãzinha, eu também estou começando a...sei lá. Vê-lo de outra forma, ainda não defini o que acho dele.
Sango me lançou um olhar de canto um tanto estranho.
– O que foi?
– Bem. Acho que depois do que houve, ele não a vê mais como uma menininha que precisa de proteção. – soltou, bufando em seguida. – Mas como eu disse, é bem feito pra ele. Ainda acho que merecia mais castigo.
– O que isso quer diz...
– AH! Chega de falar de Inuyasha, Kah! E sobre essa tal de Hanna? Ela está nos ouvindo agora?
Desviou do assunto, mas parecendo realmente curiosa. Estava claro que ela não falaria mais sobre nosso companheiro de batalha, então, resolvi lhe contar tudo o que poderia sobre a Hanna.
Claro que, sob os protestos desta em minha mente.
~ Se soubesse controlar isso melhor, eu mesma poderia conversar com a exterminadora. ~
Sabe que ainda não consigo fazer isso muito bem, Hanna.
~Hunf. Mas logo irá!~
Após ter lhe contado tudo o que sabia sobre Hanna, acabei contando também sobre toda a história sobre ser a Princesa das Terras do Norte.
Sob o olhar atento e preocupado de Sango, que vez ou outra perguntava algo ou opinava sobre o assunto, de forma cautelosa.
– Nossa, Kagome! Isso é muita coisa! Como está conseguindo ficar tão calma? Eu estaria enlouquecendo!
– Sinceramente? Eu não sei, Sango.
Suspirei, e voltei meus olhos para o jardim a nossa frente. Transmitia uma paz tão grande.
– Acho que minha vontade de resolver as coisas é maior. Mas confesso que estou bem cansada de pensar em tudo.
– Vai perguntar ao Sesshoumaru-sama sobre seu passado?
– Eu prometi a Mayu que não o faria. Há outros meios. – tentei sorrir, para lhe passar tranquilidade, mas eu mesma não sabia que outros meios seriam esses.
Se Hayato não souber de mais nada, eu teria que descobrir por mim mesma.
E isso incluía sair perguntando pelo castelo sobre o assunto.
~ Nada passa despercebido pelo Lorde, ele logo descobriria. ~
Não precisa me lembrar disso, Hanna!
Ouvimos três batidas na porta do aposento e nos entre-olhamos. Será que passamos tempo demais conversando?
– Entra! – gritei, me esticando ao máximo, para ver quem entrava no quarto.
– Desculpe interromper, lindas damas, mas a hora de tomar café já se passou faz tempo. Acabou que tive que tomar sozinho!
Reclamou Miroku, enquanto entrava no quarto com uma falsa face de choro.
– Deixe de ser dramático, monge pervertido! – ralhou Sango. Uma gota desceu por minha têmpora.
Ah, esses dois!
– Bem, acho que já conseguimos colocar o papo em dia, de todo modo. Vamos, Sango-chan? – a chamei, me levantando.
– Vamos! Agora que falaram, me deu fome!
– Não me ignorem! Eu vou com vocês para fazer companhia!
Anunciou o monge, atrás de nós, passando a mão em nossos traseiros.
Nós nos viramos ao mesmo tempo para acertar um soco em Miroku.
– NÃO PRECISA!
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*Pov. Autora*
[Floresta. Arredores do castelo.]
– Estou lhe dizendo, Okuda. Isso não vai acabar bem!
Himura tentava, inutilmente, convencer o outro youkai a desistir da ideia de avisar Inu-Kimi sobre os planos de seu Lorde em se unir a uma humana.
Este se encontrava limpando o sangue de sua katana, com uma expressão entediada.
– Sabe que devo avisar nossa Senhora sobre o que seu filho planeja, Himura. – disse simples, com um sorriso zombeteiro no rosto. – É nosso dever...
– Nosso dever é servir o atual Lorde do Oeste, Okuda! E não especular sobre sua vida. Não sabia que gostava de criar intrigas. Isso me dá nojo.
Seiki disse, o interrompendo, com cara de asco.
Okuda levantou o olhar para os três youkais que lhe cercavam de pé. Ele estava sentado em uma grande rocha, terminando de fazer a limpeza de sua arma.
– Que seja! Todos vocês se tornaram covardes após a morte de Toga. Inu-Kimi saberá o que fazer nessa situação.
– E ir com o rabo entre as pernas para ela o faz muito corajoso, não? – debochou o irmão, Takeshi.
Okuda lhe direcionou um olhar raivoso abaixando sua espada e parando de limpa-la.
– Não me provoque, irmão.
– Então pense melhor antes de falar besteiras.
O youkai mais velho pulou da pedra em direção ao irmão mais novo, se preparando para lhe dar um soco, enquanto o outro se colocava em posição de ataque. Quando Himura se pôs entre os dois.
– Crianças, crianças, guardem essa energia para os inimigos. – pediu, afastando os dois com a palma das mãos.
– Agora. O que faremos com o que sobrou desse espiãozinho? – perguntou Himura, apontando para uma direção. – Hué...cadê o garoto?
– Vocês o deixaram escapar! Maldição! – Okuda gritou, correndo para dentro da floresta.
Himura suspirou. Como sempre Okuda se comportava de forma impensada.
– Devemos ir atrás dele? – Seiki questionou, dando dois passos para frente.
– Não, ele consegue dar conta disso sozinho. Vamos voltar para o castelo, preciso falar com o Lorde sobre Okuda e sobre o garoto que encontramos rondando o território. Vocês devem avisar General Hayato para aumentar a guarda.
Takeshi falou, com o semblante sério, cruzando os braços.
Os outros concordaram e com o soprar do vento, já não estavam mais ali.
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