Veremos
~*S2*~
Naruto e seus personagens não me pertencem.
~*S2*~
Transcrição/tradução da telenovela Corazón Salvaje de 93, que é uma adaptação do romance da escritora Caridad Bravo Adams.
~*S2*~
Fanfic dedicada a Pinkuiro que me convenceu a transcrever essa maravilhosa história. 3
~*S2*~
Em silêncio, Kurenai observava o marido tomar o café da manhã, a solidão fazendo-se presente apesar da presença dele. Hiashi chegara minutos antes, a roupa em desalinho, sustentava sinais de que não dormira muito e uma marca arredondada vermelha no pescoço, entrara na sala de jantar, a ignorara e pedira que Kin o servisse.
Anos sendo uma boa esposa, mãe e dona de casa, e nada disso era suficiente para manter o marido fiel a ela. Qualquer desagrado e ele sumia durante várias noites e quando aparecia a ignorava. Era o esperado, o mesmo ocorrera com seu outro marido. Pousou o guardanapo sobre a mesa, a fome esfarelada. Tinha algo mais importante a fazer do que se alimentar e lamentar sua sorte.
— Hiashi... — O marido sequer levantou a cabeça ou parou de cortar a panqueca, mas Kurenai se forçou a continuar dessa vez utilizando algo que atrairia o interesse dele: — Kushina nos fez um convite irrecusável.
Hiashi deixou a comida de lado, talheres colocados devagar ao lado do prato de sobremesa, olhos de gelo fitando Kurenai e uma ruga formando-se na testa masculina. Agora tinha atenção total do marido e a aproveitaria.
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Também tomando o café da manhã, o clima na casa dos Uchiha não se diferenciava muito do lar dos Hyuuga, embora a pessoa em completo e soturno silêncio fosse à esposa. Sasuke observava Hinata picotar o pão e deixar os pedacinhos no canto do prato, sem jamais levar um à boca, a expressão introvertida e o mutismo maior que os das outras vezes que compartilhavam a mesa.
— O que te incomoda? — questionou colocando a mão sobre o braço dela, apertando-o carinhosamente.
Hinata soltou o pão, as mãos repousando apertadas sobre a mesa. Pesou por um momento o que falar, questionando-se se era melhor desviar do assunto, poupando-se dos problemas que viriam, mas o olhar intenso de Sasuke exigia honestidade.
— Tenho um problema... com Ino — confessou, cansada de guardar para si as constantes ofensas da protegida de seu marido. — Me dá pena, mas não se comporta bem comigo — Hinata disse de fato consternada. — É insolente, especialmente quando há outras pessoas por perto.
Sasuke crispou o cenho, concluindo, não pela primeira vez, que Ino jamais cansaria de aprontar das suas.
— O que ela fez? — perguntou movendo a mão até pousa-la sobre a dela.
— Ontem á tarde, quando voltamos do passeio com Sakura e Naruto, fui à cozinha pedir as bebidas, e havia um jovem que eu não conhecia.
— Quem? — questionou tenso, temendo que a jovem tivera a audácia de trazer um desconhecido a casa somente para escandalizar Hinata.
— Se chama Konohamaru.
— Eu o conheço muito bem — Sasuke informou tranquilizando-se.
— Sim, mas ela não me disse. Só contestou arrogante que era um amigo seu. E quando lhe disse que antes de trazer convidados á casa tinha de pedir permissão, respondeu que ela não necessitava pedir nada. Então, o rapaz, notando meu embaraço, apresentou-se — contou, sentindo os dedos de Sasuke se fecharem com força em volta dos seus. — Eu me senti muito incomodada porque sei que ela quis fazer alarde, diante de Konohamaru e Temari, de que não me deve nenhuma consideração. E esse é só um de vários casos. Sempre que entro em um cômodo, ela sai. Responde-me com total falta de educação e respeito — completou, analisando os traços fortes de seu marido, incerta se ele ficaria de seu lado ou defenderia a jovem.
— Porque não me disse antes? — ele reclamou mortificado por só agora saber que sua esposa estava sendo destratada no próprio lar: — Falarei com ela.
— Não quero seja demasiado duro com ela — Hinata pediu, pois compreendia o motivo da antipatia da loira. — Creio que está com ciúmes.
— Pode estar o ciumenta que queira. Não permitirei que lhe falte ao respeito — exprimiu com fúria. — Sei como trata-la. Não permitirei que te falte. — Apertou a mão pequena com carinho, o tom de voz suave ao recomendar: — Não gosto que me esconda às coisas. Passe o que for, quero que me diga imediatamente. Agora me pertence, se alguém te ofende, me ofende também, entende?
Hinata entrelaçou os dedos entre os deles, querendo transmitir o quanto o amava, mas ao mesmo tempo preparando-o para o que tinha de dizer.
— Sasuke... Deixe-me fazer uma última tentativa.
Sasuke curvou os lábios em um sorriso de canto, a descrença latente em seus olhos negros.
— Duvido que consiga algo.
— Por favor! — ela implorou com doçura, verdadeiramente preocupada que o marido fosse rude demais com Ino. — Você tem um caráter um tanto difícil e se irrita facilmente...
Sasuke levou os dedos femininos aos lábios, plantando um beijo doce neles.
— Tenho um carácter de mil demônios, mas tu me manejas a tua vontade — confessou, os olhos brilhantes de amor, deixando Hinata imediatamente corada.
— Não é verdade! — murmurou sentindo o coração descompassado pelo olhar intenso e carregado de promessas do Uchiha.
— Sim... — ele sussurrou, estendendo a outra mão para acariciar a face macia da esposa. — Tenho razão ao dizer que me enfeitiçou.
Hinata sorriu encantada e se aproximou para beija-lo. Sasuke recuou, o brilho atrevido em seus olhos fazendo a esposa rir. Então ele a beijou, um simples roçar de lábios antes de sorrir de um jeito que fez Hinata corar e puxa-la carinhosamente pelo pescoço para um novo e intenso beijo.
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Sentado no canto da cozinha, lustrando as botas do Uchiha, enquanto Temari cortava verduras, Gaara não conteve mais a curiosidade:
— Onde está Ino?
— Saiu.
Olhou a irmã com atenção, recordando tudo que ouvira sobre Ino através de Orochimaru.
— Você a conheceu naquele lugar há muito tempo não é?
Temari parou um instante, a faca a centímetros de seu alvo, enquanto os olhos azuis se fixavam no irmão ao lado da porta dos fundos. Até aquele momento Gaara não mostrara o menor interesse de falar sobre o tempo em que ela estivera presa pelas garras de Orochimaru. O questionamento tanto a surpreendeu quanto encheu de uma mistura de medo e vergonha. Medo do que ele poderia pensar dela, vergonha do que ela mesma pensava sobre si.
— Só a conheço há pouco mais de três meses — murmurou voltando a olhar para a verdura em suas mãos, cortando em uma velocidade menor que anteriormente.
Gaara abriu a boca para fazer novas perguntas, porém a porta que dava para a sala abriu-se e Sasuke Uchiha entrou lançando um olhar agudo ao seu redor, parando um instante em Gaara para logo depois mover-se e deter-se em Temari.
— Viu Ino?
— Foi na rua, senhor.
Sasuke soltou um grunhido, então, sem nenhum motivo aparente voltou a olhar para o ruivo com uma de suas botas no colo.
Gaara sentiu o coração na garganta, esperando... Não sabia bem pelo que. Então, tão de repente quanto aparecera, Sasuke virou-se e saiu, e o Sabaku soltou a respiração que só naquele momento percebia que tinha prendido.
Temari riu divertida, pois reparara na palidez e mutismo do irmão.
— Ficou assustado?
— Bem, é a primeira vez que o vejo aqui — respondeu, abaixando a cabeça para a peça que tinha de lustrar, ocultando o que realmente causara sua reação.
— Ino diz que é muito bom e sempre ajuda o povo do porto — contou Temari, acrescentando agradecida: — Ele me ajudou ao me contratar.
— Sim... eu sei... — Gaara murmurou, passando o escovão com força pelo couro da bota.
Como sempre, um gosto azedo subiu por sua garganta, enquanto recordava a si mesmo que tudo que fazia - o que tinha de fazer -, era para o bem de Kankuro e também da irmã. Só estariam seguros se obedecesse Danzou e prejudicasse o homem que dera uma chance a Temari.
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Em seu escritório, recebendo a visita de Naruto, Kakashi não reconhecia o homem abatido e sentado de qualquer jeito bem a sua frente. Buscou na memória imagens do garoto cheio de energia, de sorriso fácil e bem humorado que vira crescer, o mesmo que voltara a Campo Real e a São Pedro. Aquele jovem sumira, dando lugar a uma pessoa de olhar vazio e uma tristeza latente no tom de voz.
— Como penso viver aqui necessito de uma pessoa de confiança na fazenda — contava Naruto acrescentando com desânimo. — Sabe que não confio em Ebisu. Nunca gostei dele e só segue na fazenda porque minha mãe quer.
— Posso encarregar-me de campo Real temporariamente — compromete-se, logo indicando: — Conheço uma pessoa séria e capacitada que será um bom administrador. Infelizmente está resolvendo um problema familiar em outro povoado, mas assim que retorne o levarei a fazenda.
Ele assentiu em silêncio, os olhos baixos, remexendo distraído a ponta da gravata azul marinho.
— O que te passa? — interrogou Kakashi, cansado de fingir não perceber o cansaço no corpo e na alma do filho de seu falecido amigo.
Naruto titubeou, não querendo expor as mulheres que amava, mas, por fim, vendo o interesse e a vontade de ajudar na face do advogado, e esperançoso que o Hatake indicasse um caminho para solucionar as desavenças que atormentavam seu lar, abriu-se:
— As coisas não resultaram como imaginei... Minha mãe e Sakura não se dão bem... E isso me mortifica muito — terminou de desabafar com dificuldade, envergonhado pela inabilidade de lidar com os problemas familiares.
— São períodos que passam — disse Kakashi simplesmente, causando um suspiro desolado do jovem fazendeiro.
— É o que espero...
Notando que suas palavras só aumentaram a angustia de Naruto, Kakashi perguntou-se como ajuda-lo, mas nada lhe vinha à mente e, antes que pudesse aconselhar paciência, batidas fortes quebraram o silêncio pesado da sala.
Ergueu-se, abriu a porta e ficou de frente para um ansioso Uchiha, que entrou sem cerimônia no escritório, só para parar tenso no exato instante em que seus olhos pousaram no Uzumaki.
— Bom dia, Sasuke! — Naruto cumprimentou erguendo-se.
— Bom dia! — respondeu com frieza, desviando sua atenção para Kakashi. — Se estiver ocupado regresso depois.
Já acostumado com o tratamento indiferente do Uchiha, Naruto interveio.
— Não é necessário, já estou de saída — Pegou o chapéu de sobre a escrivaninha, o colocou na cabeça e seguiu para junto de Kakashi. — Obrigado por tudo. — Parou um momento no vão da porta aberta, seu olhar detendo-se no Uchiha, que continuava a ignora-lo. — Nos vemos Sasuke.
Sem resposta – não esperava uma de qualquer forma -, retirou-se.
— Que queria? — perguntou Sasuke após ouvir o barulho da porta sendo fechada e seguir para a poltrona desocupada pelo Uzumaki.
— Está em busca de um administrador e me ofereci para ajuda-lo por um tempo. — Kakashi o olhou com repreensão enquanto seguia para sua poltrona. — O que não gosto é que seja tão seco com ele. Sabe, não o vejo nada contente, se nota deprimido, insatisfeito. Disse-me que as coisas não estão como esperava.
— Sinto muito — disse para surpresa do advogado.
E de fato o sentia. Tinha odiado Naruto por muito tempo, ainda sobrara certa magoa por tudo que a mãe dele fizera a sua família e a ele ao longo dos anos, mas, agora, por causa de Hinata, compadecia-se pela sorte do Uzumaki. Ser cercado por mulheres vis e mesquinhas deprimiria qualquer humano com o mínimo de decência.
— Ele e Sakura virão morar aqui — anunciou Kakashi fazendo o Uchiha dar de ombros.
— Já sei.
— Não te inquieta? — sondou observando o pupilo, que continuava com a expressão impenetrável.
— Inquieta por Hinata — confessou por fim, seu tom de voz, pela primeira vez tendo uma ponta de suavidade. Logo voltando ao tom seco e frio ao prometer: — Na primeira tentativa de Sakura em molesta-la lhe darei uma lição que nunca esquecerá.
A resposta tanto agradou quanto tranquilizou Kakashi. Menos uma complicação a atormenta-lo.
— Suponho que veio firmar os documentos de seu negócio — falou profissional, abrindo a primeira gaveta de sua escrivaninha, de onde retirou uma pasta parda que estendeu ao Uchiha.
— Sim.
Sasuke a abriu ampaciente, os olhos negros percorrendo as letras, captando cada mínimo detalhe que legalizava seu negócio, até sua atenção ser puxada pela voz preocupada de Kakashi:
— Soube que deu trabalho a um recomendado de Kabuto?
Focado na questão feita pelo advogado, seu cenho crispou-se.
— Eu?!
— Sim, um moço... — Kakashi buscou lembra-se da conversa com Kurenai: — Gaara é seu nome.
— Ele foi recomendado por Kabuto?!
— Não sabia?
— Não. Pensei que foi ideia de Hinata. Ela protegeu a família dele em Campo Real. Até me pediu que ajudasse a irmã dele, Temari — contou, logo questionando: — Quem disse que foi Kabuto?
— Dona Kurenai. Ela me garantiu que Kabuto a convenceu a pedir a Hinata que contratasse Gaara.
— Hinata não me disse que a recomendação partiu desse individuo — queixou-se austero.
— Talvez não saiba — argumentou, temendo que Sasuke brigasse com a esposa. — Não desejo ser mal interpretado, mas...
— Não é ser mal interpretado, é precaução — Sasuke o interrompeu, imediatamente alerta e revoltado. — Nada me tira da cabeça que este tipo teve algo a ver com o que aconteceu com Shikamaru e os outros. E, sendo assim, com certeza tem algum trato com Danzou.
— Fique atento! O capitão é um inimigo sem dignidade. Se Kabuto estiver aliado a ele para prejudica-lo, pode ser perigoso. Suas atividades passadas poderiam comprometê-lo.
— Não permitirei que ocorra nada — garantiu, acrescentando solene: — Não tanto por mim, mas por Hinata.
~*S2*~
Assim que pisou no chão de madeira polida da casa dos Uchiha, após um passeio pelo porto e pelo mercado, Ino foi interpelada por Hinata. Podia ignora-la, como sempre o fazia, mas, surpresa pelo tom autoritário da jovem, se viu seguindo-a até a sala privativa da senhora, situada ao lado do quarto do casal.
Assim que entrou no ambiente, preparado e decorado especialmente para a recém-casada, a inveja e a raiva envolveram como erva daninha o corpo formoso da loira. Tudo aquilo, a casa, a saleta e Sasuke deviam ser seus por direto. Hinata usurpara seus sonhos e nem ao menos amava o marido como ela amava. Era injusto e desleal o que o destino lhe reservara. Talvez um dia ocupasse o papel de amante, pois, não tinha dúvida, era questão de tempo para Sasuke se cansar da vida de casado e procurar outra. E essa outra seria ela, faria de tudo para ser. Mas, mesmo assim, não havia justiça nessa futura vitória, ponderou sentando-se no sofá de três lugares de frente para a poltrona da senhora da casa.
— Ino, não está se comportando como se deve — chamou-lhe a atenção Hinata, olhando-a com severidade. — Uma mulher não pode sair sozinha na rua quantas vezes lhe der vontade.
— Estou acostumada — soltou cruzando os braços em frente ao corpo, pouco se importando com a opinião da Uchiha.
— De acordo! — soltou Hinata em um suspiro, as mãos apertando o tecido da saia para controla-se e não ser rude com a jovem. Sabia o motivo do comportamento arredio de Ino, e tanto a revoltava - afinal a garota desejava seu marido - quanto a consternava, por saber por tudo que a outra passara na vida. Por isso, pensando no melhor para a própria consciência, obrigava-se a ser compreensiva. — Tínhamos combinado que iria se comportar como uma senhorita decente...
— Decente? — Ino soltou uma gargalhada zombeteira, seus olhos azuis encarando Hinata como se vissem um verme sem importância. — Como você e sua irmã?
— Não te permito que me fale dessa maneira — exigiu Hinata, deixando de lado o tom suave que adotara desde que entraram na saleta. — Escute-me bem! Goste ou não, sou a esposa de Sasuke e senhora desta casa. Deve se comportar, ou direi a ele...
Ino levantou-se e avançou até Hinata, que recuou contra o estofado de sua poltrona, temendo o que viria da impetuosa e imprudente jovem.
— Comete um grande erro ao se meter comigo — Ino anunciou feroz. — A que falará com Sasuke serei eu. — Os lábios carnudos se abriram em um sorriso cruel, gostando do receio transparecendo na face de Hinata diante de sua atitude intempestiva. — Veremos quem se irá.
Com essa ameaça preenchendo os ouvidos da recém-casada, Ino marchou em direção ao próprio quarto. Buscaria o que adiantaria seus planos de reaver o que era seu por direito.
Hinata, tensa contra o encosto da poltrona, virou a cabeça de lado, observando a porta escancarada, sem entender as ultimas palavras de Ino.
Respirou fundo e esfregou as mãos suadas de nervosismo no tecido suave da saia azul. Queria tanto se entender com Ino. Depois de tudo que a jovem passara, não queria ser responsável por acabar com a única segurança que tinha. Por isso, decidiu tentar novamente. Uma última e derradeira tentativa. Que Deus iluminasse a mente e o coração de Ino para acabar de uma vez por todas com sua tola e perigosa animosidade.
Ergueu-se e foi em busca dela, decidida a fazê-la ouvir. Primeiro foi ao quarto da loira, encontrando-o de porta aberta. Não havia ninguém, apenas uma gaveta aberta com peças de roupas penduradas do lado de fora. Suspirou, exigindo mentalmente não cobrar que ela mantivesse o próprio quarto arrumado. Teria tempo para falar sobre isso... Esperava ter.
Seguiu para a cozinha, na esperança que tivesse ido para lá, como sempre, reclamar dela para Temari. Mas, também ali, não havia sinal dela.
— Bom dia, senhora! — cumprimentou a empregada, apertando um pano de prato entre as mãos.
— Bom dia, Temari! Hum, Ino passou por aqui?
Temari desviou o olhar, soltou um som esquisito, quase sofrido, e então fitou Hinata com tristeza.
— Sim... Ela saiu... Disse que ia falar com o senhor...
Hinata respirou fundo, prevendo que Ino falaria da conversa que tiveram e que Sasuke a repreenderia como prometera.
— Bem, é o melhor — sentenciou apática, certa de que fizera o possível e o impossível para evitar que Ino fosse alvo do desgosto de Sasuke.
— Mas... Senhora, ela levava o retrato... — soltou Temari quase em um murmúrio, como se confessasse um segredo pecaminoso.
Tal atitude, juntando-se a estranha declaração, fez Hinata encara-la intrigada.
— Que retrato?
— O do senhor Naruto, que ela encontrou entre as suas roupas — Temari soltou de pronto, como se tal ato a libertasse de uma carga pesada e dolorosa.
Sem entender como um retrato de Naruto fora para em suas roupas, ou como isso abalaria seu casamento, Hinata não deu importância à ameaça de Ino e nem ao medo estampado no rosto de Temari.
Ela e Sasuke tinham conversado sobre o passado de ambos, sobre os amores que tiveram, não havia forma de uma simples foto macular o relacionamento deles.
Com essa conclusão em mente, juntou-se a Temari para o preparo do almoço. Queria deixar tudo pronto e depois se arrumar para receber o marido, suavizar qualquer sentimento ruim que ele tivesse após conversar com Ino.
~*S2*~
Com passos apressados, quase correndo pelas ruas de São Pedro, Kurenai atravessou o longo caminho de sua casa até o lar dos Uzumaki. Lançou alguns poucos cumprimentos a conhecidos pelo trajeto, ignorando pedidos para que parasse para uma conversa. Depois de horas pacientemente esperando o marido sair para o trabalho, tinha pressa.
Entrando na residência, pediu para a governanta dos Uzumaki anunciar sua chegada à prima, informando que necessitava lhe falar com urgência.
Aguardou tensa na sala, até vislumbrar um dos deslumbrantes vestidos de luto, enquanto Kushina descia calmamente as escadas. Um contraponto gritante a agitação que batia no peito de Kurenai.
— O que faz aqui tão cedo? — disse a viúva ao chegar ao último degrau e Kurenai, ansiosa, ir ao seu encontro. — O que aconteceu?
— Pensei em uma forma de Sakura não ficar aqui sozinha — soltou aflita. — Falei com Hiashi e agora só dependo de você, minha prima.
Interessada na proposta, Kushina indicou as escadas que acabara de descer.
— Vamos ao meu escritório.
— Claro.
Ao chegar à frente da porta do escritório de Kushina, a suíte do casal Uzumaki, ha algumas portas adiante, se abriu, dando passagem para uma arrumada e perfumada Sakura. A jovem ficou surpresa ao ver a mãe ao lado da sogra.
— Mamãe? O que faz aqui?— lançou um olhar desconfiado para Kushina. — Onde está Naruto?
— Saiu — respondeu Kushina, refletindo o mesmo olhar de desgosto da nora. — Sua mãe veio aqui, pois necessita falar comigo.
— Seguramente você encheu a cabeça dela de mentiras — soltou a rósea com evidente enojo e despudor. — Equivocam-se se creem que interferirão em meus planos.
— Filha! — suplicou Kurenai, interpondo-se entre a filha e a prima, que avançava com a nítida intenção de agredir a nora.
— Vamos ao escritório, agora! — rugiu Kushina abrindo a porta para que as outras duas entrassem.
Mesmo contrariada, Sakura fez o que lhe foi pedido, mas apenas para não chamar a atenção da criadagem com a discussão que se seguiria.
Assim que a porta se fechou Kushina, dando razão aos pensamentos da rósea, sem poder conter-se, fitou Sakura com desprezo.
— Cada vez que a vejo, sinto asco. É uma mau caráter!
— E você uma velha amargurada, seca, invejosa! — revidou no mesmo tom.
— Sakura, por favor! — engasgou Kurenai horrorizada com o comportamento da filha.
— E a senhora acredita em tudo que ela fala — ralhou Sakura, voltando-se irada para a mãe, agora pálida de choque com o tratamento. — O que planejam agora? Trancar-me em casa?
Tomando o controle de seus nervos, Kurenai respirou fundo e informou sem hesitar:
— Seu pai anda estressado com o falatório a cercar do casamento de Hinata. Hoje, dei a ele uma ideia para fugir dessa situação, que considera humilhante, e ele aceitou — anunciou, entristecendo-se ao notar que a filha demonstrava desinteresse com as preocupações dos pais. — Estou aqui para pedir que sua tia permita que fiquemos em Campo Real por uma temporada.
Ao ouvir a ideia de sua mãe, Sakura a encarou exaltada, os olhos fulminando Kurenai.
— Já a tem — anunciou uma sorridente Kushina, puxando para si o olhar colérico da nora ao acrescentar com indisfarçável prazer: — Assim que iremos todos de volta a fazenda.
— Eu. Não. Regressarei — sentenciou Sakura pausadamente, os punhos fechados ao lado do corpo trêmulo de ódio.
— Terá de fazê-lo, meu amor — disse Kushina com uma doçura venenosa. — Naruto não permitirá que fique sozinha aqui, meu bem.
Sakura soltou um grunhido nada delicado para uma dama, que horrorizou Kurenai e aumentou o sorriso de satisfação de Kushina.
— Todas entraram em acordo contra mim. Planejaram juntas para não me deixar nenhuma saída — rugiu, sentindo que sua cabeça explodiria de pura raiva. Voltou-se para a mãe com os olhos debulhados em lágrimas. — Não percebe que minha tia não me suporta? Odeia-me, despreza-me, sempre me trata com a ponta da bota como se fosse uma empregada.
— A culpa é sua, querida — musicou Kushina com um sorriso perverso. O que só fez aumentar o rancor que corroía a nora.
— Não é verdade! Todos me odeiam, inventam mentiras — gritou descompensada.
— Todos mentem e você é a única que diz a verdade — zombou Kushina sem paciência para o drama criado pela rósea.
— É assim — revidou furiosa.
— Não! — intrometeu-se Kurenai segurando as mãos da filha para conforta-la. — Talvez não tenha culpa de ser como é Sakura. Talvez esse sentimento que te domina seja mais forte que qualquer outra coisa. Mas é minha obrigação como sua mãe...
— Qual obrigação? Qual sentimento? — urrou soltando-se do toque carinhoso da mãe. — O que acontece é que você, Hinata e essa harpia da minha sogra querem que pague toda a minha vida por uma besteira. Vá você a Campo Real, ficarei — concluiu batendo o pé com fúria infantil.
— Filha, pense melhor! — Kurenai suplicou, mas Sakura lhe fez ouvidos surdos, abriu a porta e saiu correndo. — Espere!
Kushina saiu atrás da nora, que já descia correndo as escadas com as mãos suspendendo as saias para não tropeçar.
Uma servente passou, olhou curiosa as canelas expostas da esposa de seu padrão, algo incomum nas damas bem nascidas, levando um grande susto ao ter o braço agarrado por Kushina.
— Alcance à senhora — a viúva ordenou quase lançando-a pelas escadas.
A servente atendeu prontamente o pedido, saindo correndo a toda velocidade, mesmo assim, quando voltou, informou com receio que não conseguira alcança-la e nem sabia qual rumo tomara.
Kushina trincou os dentes de raiva. Deus a perdoa-se, mas, se sua despudorada nora fosse atrás do Uchiha, a mataria.
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No quarto improvisado como escritório, que alugara na taberna de Shikamaru, Sasuke conversava com Kiba e Shino, deslizando os dedos pelo mapa estendido na escrivaninha, passando o máximo de informação a ambos sobre a viagem que fariam dali a alguns dias. Ao final, com tudo acertado, contou o que ouvira de Kakashi mais cedo, sobre o funcionário indicado por Kabuto.
— E porque acha que colocou esse tipo em sua casa? — questionou Kiba com desconfiança. Desde que passara um tempo na presença de Kabuto, construíra uma antipatia e desconfiança automática do sujeito.
— Não sei. Pode ser que estejamos imaginando coisas.
— Pretende expulsa-lo? — perguntou Shino, o homem de armas do Satán, pronto para executar cada pedido do capitão.
— Primeiro quero que averiguem se Kabuto o colocou em minha casa com algum propósito — olhou para Shino. — Quero fique de olho na minha casa, e redobre a atenção nele quando sair da residência.
Shino assentiu.
— Farei perguntas no porto — ofereceu Kiba. — Também posso fazer uma visita à fazenda Campo real. Fiz algumas amizades por lá.
Sasuke concordou e estava prestes a dizer algo mais, quando Ino entrou sem se anunciar.
— Preciso falar com você — ela sentenciou quase sem fôlego, culpa do longo trajeto que fizera correndo.
Sasuke encostou o quadril na escrivaninha e cruzou os braços em frente o corpo, os sombrios e inexpressivos olhos negros se fixando na insolente jovem.
— Que bom que veio, também preciso falar contigo — voltou-se para os outros dois. — Depois conversamos.
Shino e Kiba assentiram, saindo e fechando a porta.
— Hinata me disse que está se comportando mal com ela — Sasuke disse assim que se viu a sós com a loira.
— É ela que está se comportando muito mal contigo — ela revidou de queixo erguido, causando um respiro cansado do Uchiha. — Como pode se casar com uma mulher que deseja outro?
— Não diga bobagens — vociferou exasperado com a insinuação.
Disposta a tirar Hinata do pedestal criado por Sasuke, Ino sacou de dentro do bolero de seu vestido a fotografia de Naruto, estendendo-a para o Uchiha.
— Isto é bobagem? — Sasuke pegou a imagem, inicialmente sem interesse, crendo que se tratava de mais um disparate da jovem, enquanto Ino o desafiava exultante. — Leia o que diz atrás!
Depois de ler a mensagem, e reconhecer a escrita perfeita e cheia de floreios da esposa, suas pupilas relampejavam de fúria. Virando a foto uma, duas, três vezes, intercalando o rosto sorridente de Naruto com a escrita feminina, Sasuke queimava de ódio e ânsia de vingança.
É e sempre será meu único amor...
— Onde encontrou isso? — soltou entredentes, olhando Ino com uma selvageria que fez a jovem, acostumada aos rompantes do Uchiha, ignorou.
Era exatamente essa a reação que queria e esperava, por isso respondeu orgulhosa do que fazia:
— Entre as roupas da sua mulher.
— Quando? — Sasuke perguntou sentindo um bolor doloroso e quente subir por sua garganta, sem conseguir tirar por muito tempo os olhos das palavras emocionadas.
É e sempre será meu único amor...
— Faz alguns dias — ela respondeu dando de ombros, não notando as labaredas que alimentava com suas palavras. — Não fará nada? Vai deixar que esta também o engane como a irmã? — zombou venenosa.
— Cale-se! — Sasuke gritou assustando pela primeira vez a jovem, logo exigindo com dureza. — Volte para casa e não diga uma palavra sobre isso.
— E você?
É e sempre será meu único amor...
Sem responder, com os ciúmes e a humilhação exigindo retaliação imediata, Sasuke saiu a passos largos, descendo as escadas e passando direto pelos amigos que bebiam junto ao balcão.
— Sasuke? Sasuke? — gritou Kiba sem obter resposta.
— Agora sim que Ino irritou o capitão — comentou Konohamaru, que ajudava Shikamaru no balcão.
— O que Ino fez? — perguntou Shikamaru olhando para as escadas que levavam para fora da taberna.
— Alguma burrada com certeza — deduziu Kiba. — Porque não fala com ela?
— Falar o que? Sabemos muito bem o que tem: Ciúmes.
— Creio que tem algo mais — pronunciou Shino, até então parado em pé ao lado de Kiba em completo silêncio, o que voltou a ficar diante dos olhares interrogativos dos outros dois. Preferia não verbalizar suas suspeitas sobre a amiga, por ter uma ínfima esperança de estar errado. De qualquer forma, era questão de meses para ter a resposta.
~*S2*~
Em busca de uma escapatória do plano arquitetado por sua sogra e sua mãe, Sakura correu até a casa de Hinata. Primeiro tinha passado pelo porto, mas, não encontrando Sasuke, decidiu apelar para a irmã, com uma pequena centelha de esperança que o Uchiha estivesse presente.
A contragosto e por respeito às convenções, Hinata permitiu a entrada da irmã, porém, durante todo o discurso raivoso da rósea, sobre como odiava a sogra, manteve-se concentrada em arrumar os arranjos dos vasos que decoravam a sala, colocando flores recém tiradas do belo jardim. Foi somente ao ouvir o absurdo apelo da Uzumaki, que Hinata a encarou, perplexa com tamanho desatino.
— O que disse?
— Mamãe e papai decidiram passar uma temporada na fazenda e não quero ir — choramingava com a voz falsamente embargada. — É um inferno viver com minha tia. Ofende-me e me humilha todos os dias, o tempo todo.
— Mas você se hospedar aqui? Perdeu o juízo? — Hinata ralhou indignada com a proposta descabida da irmã.
— Se for pelo de Sasuke passou. Juro-te! — persistiu Sakura, seguindo a irmã da sala de jantar para a da entrada. — Somos irmãs e se você não me ajudar...
— É melhor desistir — Hinata sentenciou, voltando a se concentrar nos vasos, resmungando para o desgosto de Sakura: — Nunca pensei que seu descaramento pudesse chegar a tanto.
— Não é descaro é desespero — corrigiu ainda esperançosa de alcançar o bom – e tolo - coração da irmã. — Você sempre foi nobre, boa. Deus nos ensinou a perdoar e você não pode fazê-lo comigo, sua própria irmã?
— Está bem! Perdoou-te — anunciou esgotada, vendo um sorriso vitorioso moldar-se nos lábios de Sakura como uma rosa desabrochando. O que lhe deu ainda mais motivos para fazê-lo murchar: — Mas de nenhuma maneira aceitarei que fique aqui.
— Você aceitou Ino, não deveria negar a abrigo ao próprio sangue.
Hinata abriu a boca para revidar, mas nesse momento a porta de entrada abriu-se e Sasuke, com os cabelos bagunçados pelo vento, o rosto sisudo e olhos faiscantes, olhou de uma para a outra, demorando-se mais do que o necessário – para apreensão da esposa – em Sakura
— Olhe, as irmãzinhas juntas — zombou, andando devagar para junto das damas.
— Olá, Sasuke! — cumprimentou Sakura aproximando-se.
Para surpresa das irmãs, Sasuke desmanchou-se em amabilidade e fez questão de pegar a mão da rósea, levando-a até os lábios em um beijo demorado. Sakura sorriu sedutora, enquanto Hinata empalideceu, apertando os caules em suas mãos.
— Como está Sakura?
— Bem, e você?
— Não tão bem como você. Hoje está particularmente formosa — elogiou olhando a cunhada de cima a baixo devagar, com o simples objetivo de humilhar e irritar a esposa. — A que se deve a grata visita?
— Vim pedir um favor a Hinata e a você, claro.
— Mas eu já lhe disse que não é possível — Hinata intromete-se, as palavras saindo rápidas e amarguradas. Odiou que o marido sequer a encarou, demonstrando mais interesse em admirar a ex-amante.
— Em que podemos ajudar? — ele incentivou, ignorando a mulher e mantendo os olhos em Sakura, para deleite da rósea e frustação da esposa.
— Todos, incluindo meus pais, se vão para Campo Real. E como não é adequado que eu fique sozinha... — Deu um sorriso largo e piscou os olhos, fingindo candura. — Seria possível que me hospedassem em sua casa?
— Encantados! — Sasuke aceitou para horror de Hinata.
— Que amável! — alegrou-se Sakura, ao mesmo tempo em que Hinata bradava:
— Não!
Sasuke, pela primeira vez, olhou diretamente para Hinata, a raiva que fervia em seu interior, evidente na forma desdenhosa que a encarou.
— Vai negar um favor a sua irmã? Não seja rancorosa — ele falou causando um crescente mal estar na ex-Hyuuga, que só fez piorar quando ele voltou a flertar com sua irmã. — Conte conosco, Sakura. Já sabe que está é sua casa.
— O agradeço muito Sasuke. Será só por alguns dias — prometeu, embora seu olhar desejoso para o marido da irmã deixasse claro que não desejava que sua estada fosse breve.
— O tempo que queira — ele ofereceu, fazendo-a ter certeza que ele desejava o mesmo que ela.
Conseguindo seu objetivo a jovem voltou-se sorridente para Hinata, que encarava o marido com assombro, o rosto pálido como se estivesse frente a um fantasma.
— Nos vemos, irmãzinha! — despediu-se, ficando grata por Sasuke oferecer-se para acompanha-la até a porta. — Essa temporada faz tanto calor na fazenda. Será um prazer ficar aqui com vocês
— O prazer será meu!
Sakura riu e Hinata espremeu os caules com mais força, desejando que fosse o pescoço da irmã, ou do marido, melhor, de ambos.
Quando a porta foi fechada, olhando as costas de seu marido, Hinata sentiu a humilhação subir como fogo por sua garganta.
— O que te aconteceu? — disse com as palavras doloridas achando passagem por seus lábios. — Como pode me fazer isso?
Sasuke virou-se, a mágoa da traição dominando seu corpo como labaredas cáusticas.
— E você? — ele urrou avançando até ela como uma fera pronta para o ataque, fazendo Hinata recuar instintivamente. — Como pode me dizer que me queria, quando todo tempo estava pensando naquele imbecil?
— Do que está falando?
— Tire essa cara de vítima! — ele exigiu avançando ainda mais, cada músculo tenso pelo autocontrole que se exigia para não chacoalhar a mulher. — É pior que sua irmã, porque pelo menos ela não esconde o que é.
— O que eu fiz para que fale assim comigo?
— Porque me fez crer que havia esquecido Naruto?
— Eu o esqueci — garantiu, sem entender a pergunta.
Sasuke a agarrou furioso, a dor que o atravessava se fechando como aço nos braços da esposa. Assustada, Hinata sacudiu-se para escapar, deixando as flores que carregava caírem ao chão. Ao conseguir se libertar, assustada com o destempero do marido, impôs alguns passos entre eles.
— Hipócrita! Pare de mentir ou sou capaz de mata-la — bradou, logo recuando ao vê-la se encolher e colocar as mãos em frente ao corpo, como se temesse apanhar. Respirou fundo, mas nem isso teve o poder de acalma-lo, de despertar seu costumeiro e inabalável autocontrole. — Nem sequer tem o valor de dizer a verdade — desabafou mais para si mesmo do que para ela.
— É a verdade! — ela revidou em um grito angustiado. Não era merecedora daquele olhar amargo, daquelas palavras ferinas, daquela hostilidade desmedida.
— E o que é isso? — Sasuke sacou algo do bolso, quando ele o virou e o ergueu a frente dos próprios olhos, Hinata reconheceu o retrato de Naruto. — É e sempre será meu único amor, até o último instante...
— Ah, por favor! Cale-se! Essa foto é muito velha — o interrompeu irritada e angustiada por ele agir com tamanha ferocidade por causa de uma estúpida fotografia.
— E porque a trouxe? — ele questionou, acusando com os olhos injetados de asco. — Para te consolar vendo-a quando eu não estiver? Para imagina-lo em meu lugar quando estiver na cama.
— Não a trouxe — defendeu-se com a voz embargada, as lágrimas amontoando-se em seus olhos. — Não sei como chegou aqui.
— Não minta! — ele trovejou fazendo-a se encolher de pavor novamente. — Ino a encontrou entre suas roupas.
Então Hinata lembrou-se do que Temari havia dito. Ino levara a foto para Sasuke como ameaçara. Porém, não via ali nenhum motivo para o comportamento agressivo e desleal dele.
— Talvez estivesse ali por algum erro — justificou, tentando trazer a razão ao marido, mas o efeito foi o contrario.
As feições varonis ficaram descompostas pela ira, e suas palavras, como dardos, tinham o firme objetivo de feri-la.
— Porque deveria acreditar?
— Porque é a verdade — gritou desesperada.
Cansada de ser acuada moveu-se para se afastar, sair da sala e colocar distância da dolorosa desconfiança do marido. Mas Sasuke a puxou de volta pelo braço, não aceitando ser deixado falando sozinho.
— Mentirosa! — bradou após ela soltar-se com um safanão. — Direi qual é a verdade. Você segue amando-o. E fizeste o enorme sacrifício de casar com um paria como eu somente para protegê-lo — rosnou furioso consigo por ter sido ludibriado pelas palavras e gestos amorosos de Hinata.
— Não! — Hinata murmurou, sua negação, sua voz embargada e suas lágrimas deixando Sasuke ainda mais descontrolado.
— Mentiu e continua a mentir, porque a única verdade é essa! — Louco de ciúmes jogou nela a fotografia. — Fui um imbecil, um estúpido por cair na mesma armadilha.
— Já te disse que não — Hinata soltou sentindo as lágrimas quentes escorrerem por sua face. — Por favor... deixe-me explicar... — implorou tentando aproximar-se do marido. Mas, assim que suas mãos alcançaram os braços dele, sentindo que o toque dela o feria na alma Sasuke a empurrou para longe de si.
— Não quero explicações! Não quero nada de você — disse com o olhar sombrio. — E se acreditava que podia me enganar, te dará conta de quem realmente sou — ameaçou afastando-se sem ligar para o choro da mulher..
Com várias passadas chegou à cozinha, ao mesmo tempo em que Ino entrava pela porta dos fundos.
Tanto Ino quanto Temari olharam o Uchiha com medo, pois viam que estava com os olhos irradiando ódio, no semblante uma carranca de fazer tremer a alma do mais corajoso dos homens.
— Onde está o rapaz?
— A senhora o mandou ao mercado — disse Temari com receio do que motivara os gritos que ouvira na sala e da pergunta inesperada do patrão.
— Saia! — Sasuke ordenou para Temari, que desapareceu o mais rápido que suas pernas trêmulas permitiram. — O que sabe sobre Gaara? —perguntou para Ino ao ficarem sozinhos.
— Só que é irmão de Temari. Por quê?
— Não te interessa — foi à resposta furiosa. — E, dessa vez, quero que fique de boca fechada. Está claro?
Ela assentiu em silêncio, e Sasuke saiu da cozinha batendo a porta atrás de si com tamanha força que o estrondo fez o corpo de Ino estremecer.
Ele regressou a sala encontrando-a vazia, olhou para o chão, onde a fotografia caíra, só encontrando as flores que, em algum momento Hinata deixara cair e, provavelmente ambos, pisotearam. A ausência da foto e da esposa só fez inflamar o sentimento amargo de traição.
Colérico, seguiu para o quarto de casal, abriu a porta, encontrando Hinata sentada na cama, nenhum sinal da foto, mas isso não fez diminuir o desgosto que oprimia seu peito. Mirando-a ressentido, vociferou:
— Não te atrevas a sair se não quiser que te regresse arrastando-a.
Hinata levantou-se e caminhou até ele implorando:
— Por favor, pelo menos me deixe...
— Não deixo nada! — ele cortou. — Você não merece nada! E deste momento, está proibida de falar quando eu estiver presente!
Sem mais a dizer, saiu do quarto e da casa.
~*S2*~
Minutos mais tarde, depois picotar o retrato, joga-lo fora e tentar compreender como uma foto de Naruto fora parar em suas roupas, sem encontrar nenhuma resposta satisfatória, Hinata foi à busca de Ino, encontrando-a no quarto de Temari.
— Onde encontrou o retrato do senhor Naruto? — questionou nervosa.
— Estava escondido entre suas roupas.
— Quando exatamente a encontrou?
— Não tenho que te dizer nada! — Ino respondeu mal educada, pronta para se afastar do interrogatório e da Uchiha, mas, diferente das outras vezes, Hinata a agarrou com força pelo braço.
— Não te atrevas a sair sem me responder — ela disse afundando sem perceber as unhas na pele da loira.
Querendo se livrar das garras de Hinata, Ino tentou se desvencilhar, mas a pressão das mãos da outra só fizeram aumentar dolorosamente. Sem escapatória, sustentando seu costumeiro olhar petulante e desafiador, para não transparecer a dor cortante no braço, decidiu responder:
— Estava na maleta com roupas que sua irmã trouxe.
As mãos de Hinata afrouxaram e Ino conseguiu se soltar, lançando um olhar irritado para a outra. No entanto, Hinata não percebeu, a mente assimilando o que descobrira. Sakura aprontara das suas, tinha certeza disso. Agora só necessitava de provas que a foto fora plantada pela irmã.
— Se o senhor Sasuke regressar, diga que fui à casa de minha mãe, mas voltarei — pediu para Temari – uma vez que duvidava que Ino atenderia seu pedido -, e saiu apressada do quarto.
— Sim senhora! — disse Temari em voz alta, temendo que a Uchiha não a ouvisse. Então, lamentando pela briga dos patrões, voltou-se para a amiga: — O que fez Ino!
— Não fiz nada.
— Pois saiba que não acredito. — Temari fitou a loira com pesar. — Porque se tornou tão má?
— Por dizer a Sasuke a verdade? — Ino encarou a outra com desdém. — E você não deveria se meter. Lembre-se que se está aqui...
— Devo a você — Temari zombou. — Sempre me diz isso. Mas não justificarei as coisas erradas que faz por ter me ajudado.
— Quer que peça a Sasuke que te demita? — a loira ameaçou sem dó, mas o efeito não foi o esperado.
— Faça! — Temari desafiou encarando a outra com desgosto. — Prefiro isso a continuar aqui vendo como se torna uma velha amarga e maldosa.
Mesmo o quarto sendo seu, Temari saiu, deixando Ino com seus próprios demônios.
~*S2*~
Na sala de estar da casa dos Uzumaki em São Pedro, aproveitando do nervosismo e apreensão da viúva, Kabuto acercou-se de Kushina, tanto para consola-la quanto para cortejar.
— É o cumulo! Saiu sozinha, quem avisar para onde. Quando Naruto chegar... — ela reclamava alheia a intenção do amigo de seu filho.
— Quando chegar o que?
— Direi para ele.
— Para que? Provocar outra discussão sem sentido?
— E se foi à procura de Sasuke? — desabafou abanando-se com nervosismo. — Não posso ficar tranquila vendo essa sem vergonha desonrar meu filho.
— Dissemos toda a verdade a Naruto, e...?
Kushina o encarou em choque.
— Contar sobre Sasuke e Sakura, como pode propor isso?
— É uma solução — respondeu simplesmente, embora seu plano real fosse outro. — Outra seria que você me deixasse encarregar do assunto. Não gosto de vê-la aflita — argumentou segurando a mão da viúva entre as suas, os dedos acariciando a pele macia. — Quero ajuda-la.
Levando as bochechas de Kushina chegarem quase ao tom de seu flamejante cabelo, Kabuto levou os dedos da Uzumaki até os lábios em um beijo demorado. Foi dessa forma que Naruto os viu, Kabuto com a boca sobre a mão de uma corada Kushina. E não gostou nem um pouco disso.
Nervosa, Kushina retirou sua mão e ergueu-se para recepcionar o filho.
— Que bom que chegou, filho.
— Me tardei no banco — ele falou, lançando um olhar vagaroso e avaliativo dela para Kabuto.
Notando o desgosto evidente na face do filho, Kushina encaminhou os pensamentos dele para outra direção.
— Seus tios, Kurenai e Hiashi, decidiram passar alguns dias em Campo Real, e como compreenderá sua esposa não poderá ficar aqui.
Naruto assentiu, uma ruga de desconfiança se formando em sua testa, quando Kabuto adiantou-se:
— E eu vou com vocês.
Nesse momento Sakura retornou a casa, sua face corada pelo sol, sua boca rosada abrindo-se em um sorriso ao anunciar.
— Fui à casa de Hinata e tenho tudo resolvido.
— Tudo o que? — questionou Kushina intrigada.
Ignorando a pergunta da sogra, Sakura acercou-se do marido.
— Meu amor, podem ir para campo Real sem se preocupar comigo. Hinata e Sasuke ofereceram hospedar-me na casa deles — contou segurando as mãos dele entre as suas, um sorriso deslumbrante endereçado ao marido, sem notar que a expressão dele continuava distante e carrancuda.
— Por favor, Sakura, como pode querer se hospedar na casa de recém-casados? — intrometeu-se Kabuto para surpresa da rósea.
— Qual é o problema? — ela revidou com secura. — Eles também viveram em Campo Real após meu casamento.
— É diferente! — vociferou Kushina, espantada com a ousadia e descaramento da nora. — A fazenda é grande.
— É melhor que regresse conosco a campo Real — falou Naruto para acabar com a nova discussão entre sua mulher e sua mãe. — Até que termine a safra, é lá que ficaremos.
Ignorando o tom taxativo, Sakura persistiu sorridente.
— Não é preciso... Eles já disseram que sim...
— E eu digo que não — ele a interrompeu taxativo, causando a surpresa de todos na sala. — Não vi Sasuke cordial conosco e não quero que se vejam forçados a hospeda-la.
— Ninguém está forçando-os — Sakura revidou irritada.
— Mas eu não quero! — Naruto finalizou aborrecido com a insistência da mulher.
Furiosa, Sakura encarou Kushina, que sorria satisfeita.
— Outra vez sua mãe o convenceu? Não posso deixa-lo sozinho cinco minutos...
— Basta! — Naruto trovejou causando o assombro de Sakura, que só piorou ao ouvi-lo acrescentar irritado: — Não permitirei que me falte ao respeito. Assim que mande uma nota a sua irmã, agradecendo a amabilidade e se desculpando. Depois prepare suas coisas, pois amanhã mesmo voltaremos.
Sem dizer nada, Naruto afastou-se a passos pesados para as escadas, sendo seguida por sua apreensiva e revoltada esposa.
— Até que enfim, meu filho reagiu — Kushina comemorou quando não havia mais sinal do casal.
— Não cante vitória ainda. Sakura é uma mulher de muitos recursos.
Kushina abanou a mão com pouco caso. Pelo menos, dessa vez, Sakura perdera a batalha.
Percebendo que seu aviso não agradara o amigo e, possivelmente, causara o ímpeto dele de ir contra os desejos de Sakura, Kabuto falou:
— Reconheço que foi uma imprudência e atrevimento de minha parte beijar sua mão. Falarei com Naruto para explicar meus sentimentos.
Kushina o encarou com reserva.
— Não creio que deva...
— Oh, por favor! Você necessita de minha companhia e eu preciso da tua — disse sedutor, causando um leve desconforto na Uzumaki.
Gostava da presença de Kabuto, mas as lisonjas e flertes começavam a incomoda-la.
— Esperemos alguns dias — falou por fim. — Ele não está de bom humor. Além do mais, estaremos todos em Campo Real, incluindo minha insuportável nora, não quero aborrece-lo com bobagens.
Ser colocado na categoria de "bobagens" não agradou Kabuto, mas, por hora, também se sentia vitorioso. Em Campo Real teria oportunidades melhores de conquistar o interesse e o amor da viúva.
~*S2*~
Depois de tomar dois copos de conhaque ao lado de Kiba, permanecendo em completo silêncio e ignorando as perguntas do Inuzuka desde que chegara, Sasuke voltou-se para Shikamaru que se aproximara para remover o copo vazio.
— Quero que Konohamaru trabalhe alguns dias dentro da minha casa para que averigue o que Gaara pretende. Se faça de seu amigo.
— Está bem. — Shikamaru o encarou com atenção, e fez a mesmo pergunta que Kiba fizera quando Sasuke entrou na taberna. — Tem algum problema?
— Nenhum — foi à resposta mal humorada, idêntica a anterior.
Karin, uma jovem que Shikamaru trouxera do porto para trabalhar de garçonete, aproximou-se para entregar ao patrão uma bandeja de copos vazios, para serem lavados por Konohamaru nos fundos, e, como sempre ocorria quando Sasuke estava na taberna, inclinando-se sobre ele, de forma a dar uma visão ampla dos dois montes apertados e expostos no decote em V. Era uma jovem mais ou menos da sua idade, pele clara, cabelo e olhos vermelhos, que, mesmo atrás das lentes dos óculos, não escondiam o desejo pelo tão aclamado capitão Uchiha. Mais de uma vez, até mesmo depois do casamento dele, ela se oferecera e ele recusara...
É e sempre será meu único amor...
Mas naquele dia, coberto de raiva, concluiu que necessitava apagar o sentimento que oprimia seu peito e, ao mesmo tempo, vingar-se da ilusão criada por Hinata. Levantou-se e correspondeu ao olhar desejoso da mulher.
— Karin, suba-me uma bebida!
Vendo nos sedutores orbes negros o convite implícito, a jovem sorriu pronta para atender aos mínimos desejos dele, gostando de finalmente ser correspondida pelo ex-pirata.
— Em seguida, capitão — disse apressando-se a buscar uma garrafa do melhor conhaque da taberna.
Ignorando os olhares questionadores dos amigos, Sasuke subiu para o quarto escritório e jogou seu paletó sobre a cama, sentando-se junto à escrivaninha com a raiva corroendo-o. Acabara de remover o lenço em volta do pescoço para começar a desabotoar o colete quando ouviu três batidas na porta. Por um instante titubeou, uma briga interna fazendo-se presente em sua mente e coração, mas, vencido pelo ressentimento, logo a permissão abriu passagem por seus lábios:
— Entre!
Karin entrou, sustentando uma bandeja com uma garrafa de conhaque em uma mão, enquanto a outra fechava o quarto isolando-os do mundo.
— Aqui está sua bebida, capitão — anunciou com um sorriso sugestivo.
~*S2*~
Angustiada, Hinata chegou à casa dos pais e bateu descontroladamente na porta.
— Mamãe! Mamãe! — chamava, ignorando a dor nas dobras dos dedos por causa do impacto forte e repetitivo contra a madeira. Não era nada perto da que dilaceraria sua vida se Sasuke persistisse em despreza-la.
Kurenai abriu a porta, encarando a filha com espanto. Não tanto pelo horário, próximo ao almoço, quando esposas como elas deveriam se encarregar da alimentação de seus maridos, mas pelo estado transtornado das feições normalmente serenas.
— Hinata? O que faz aqui?
Sem cerimônia, movida pela urgência, Hinata adiantou-se para dentro, sendo seguida pela mãe.
— Mamãe, recordar que Sakura levou minha maleta de roupas no dia seguinte ao meu casamento? — disse olhando ao redor da sala.
— Sim.
Hinata parou junto ao sofá e encarou a mãe com amargura.
— Estou segura que colocou nela uma foto de Naruto.
— Mas, por quê?
— Para prejudicar-me — respondeu sentindo a voz embargada ao lembrar-se da briga que tivera com o marido. — Ino a encontrou e contou ao Sasuke. Ficou furioso, me ofendeu, disse que continuo apaixonada por Naruto.
— Você não explicou...?
— Tentei, mas ele não acredita — respondeu limpando as lágrimas que escorriam por seu rosto, a tristeza dando lugar à indignação ao declarar: — Se o perco nunca a perdoarei. Nunca! Não suporta me ver feliz. Quer destroçar minha vida.
— Não fale assim, filha! É sua irmã.
— Por desgraça — resmungou fazendo Kurenai repreendê-la com o olhar. — Não me olhe assim. Sabe o que ela fez hoje? Disse que como você pensa ir à fazenda, quer que a hospeda-se em minha casa.
— Não posso crer! — murmurou cobrindo a boca escancarada com as mãos. Até que ponto a loucura de Sakura iria?
— E Sasuke aceitou, certamente para se vingar, porque estava furioso — contou irritada ao lembrar-se do flerte, dos olhares lânguidos e palavras amáveis que seu marido lançará a sua irmã. — Ficou feliz a sem vergonha. Não a perdoarei! Desta vez irei contar toda a verdade a Naruto.
Kurenai a segurou pelo braço, implorando.
— Não filha, isso não!
Ignorando o pedido, Hinata voltou a olhar ao redor com aflição.
— Kin, está?
— Sim. Para que a quer?
Sem responder a pergunta de sua mãe, Hinata marchou em direção à cozinha da casa. Sua mãe seguiu em seu encalço, ao mesmo tempo curiosa e preocupada com o estranho interesse da filha na empregada.
— Hinata, filha, por favor, o que pretende?!
Como esperado Kin estava junto ao fogão, concentrada na preparação do almoço dos patrões. Levou um tremendo susto ao ter o braço apertado, deixando a colher de pau cair e espalhar gordura no chão ao ser puxada com brutalidade para ficar frente a uma face transtornada.
— Menina Hinata...?!
— Senhora Uchiha — Hinata corrigiu hostil, deixando a mãe e a servente espantadas com a raiva em sua voz. — E você me deve explicações.
~*S2*~
No quarto da taberna, a bebida misturada a vontade de revanche não eram suficientes para que Sasuke consumasse sua infidelidade. Assim que Karin despiu o vestido e deitou-se na cama, a barra do chemise levantada deixando a mostra as coxas roliças e o corpete ressaltando os seios, chamando-o e oferecendo-se voluptuosamente, ele forçou-se a aproximar-se e sentar ao lado dela, mas quando o tocou de leve no tórax, exposto pela abertura da camisa desabotoada, a aversão subiu por sua espinha. Por ela e por si mesmo.
É e sempre será meu único amor...
Aquelas malditas palavras ficavam martelando em sua cabeça, esfaqueavam seu coração, mas não eram suficientes para leva-lo adiante em sua desforra. Era um homem que possuía movido pela paixão. Seu corpo não reagia à oferta suculenta, não desejava a mulher a sua frente, sequer se imaginava tomando-a para aplacar a traição da esposa. Ela era bonita, atraente, mas não era Hinata.
Virou-se para a direção contraria, ficando sentado de costas para Karin, sentindo-se vazio e sujo. Queria fazer como Hinata, deitar-se com uma pessoa pensando em outra, mas, simplesmente, não conseguia. Quando mais jovem ser amante de mulheres casadas nunca lhe fora um problema, até mesmo o fascinava ser cobiçado pelas damas bem nascidas, mas ele jamais fora infiel com suas parceiras. Com o passar dos anos e sua crescente possessividade com tudo que arrebatava as duras penas, ser o "outro" não era suficiente e nem o atraia. Queria ser o único, queria ser amado e respeitado. Era pedir muito?
— Sasuke...?!
Karin, sem entender o motivo de Sasuke não se juntar a ela, deslizou a mão do ombro masculino até o antebraço, sorrindo exultante quando ele segurou sua mão.
— Melhor não! — decidiu refreando o toque dela.
— Por quê?
Confusa pela rejeição inesperada, Karin sentou-se no leito e encarou o perfil másculo, esperando sua resposta ou mesmo a olhasse de volta, mas Sasuke a evitava até mesmo com os belos orbes negros.
— Porque não quero — ele informou, afastando-se da cama, e dela, em busca do vestido largado no chão. — Se vista e volte para a taverna — ordenou entregando-o para Karin.
— Não o agrado?
— Não é isto — contestou tenso, a verdade oculta por trás de uma resposta seca e descontente: — Não estou de humor.
Sentou-se junto à escrivaninha, pondo-se a colocar os botões da camisa em suas respectivas casas, quando alguém bateu na porta e, sem aguardar permissão, abriu a porta.
— Sasuke... — Kiba calou-se ao ver a empregada da taberna enrolada no lençol, praticamente nua. Surpreso limpou a garganta e questionou: — Posso entrar?
— Sim — Sasuke respondeu de costas.
Forçando-se a ignorar a mulher no leito, Kiba dirigiu-se ao capitão com as informações pedidas mais cedo.
— Gaara Sabaku, segundo Shino conseguiu captar, tem um irmão que teve problemas com Orochimaru. Ele tentou tirar a irmã do bordel e está preso.
— Hum, talvez seja esse o assunto.
Sem muito mais a dizer, Kiba retornou ao bar, deixando-se cair pesadamente junto ao balcão que Shikamaru limpava.
— Algo tem Sasuke para estar tão mal — ponderou o Nara, a mente perspicaz adivinhando o que causara o mutismo do imediato.
— Deve ter brigado com a mulher, porque fazia muito tempo que não saia com outra, e agora... — Kiba inclinou-se, falando baixinho. — Karin está nua lá em cima.
Assobios ecoaram no salão, todos os olhos se voltaram para a escada que levava a entrada da taberna, por onde Hinata descia de cabeça erguida, embora seus receosos olhos e sua palidez deixassem evidente o desconforto.
Atônico com a ousadia da esposa do Uchiha, Kiba ergueu-se e aproximou-se da mulher.
— Senhora, o que faz aqui?
— Quero falar com meu marido — ela anunciou decidida. — Onde está?
— Lá em cima... — Kiba pigarreou, seus olhos se movendo para a área que levava aos quartos. — Mas é melhor voltar para sua casa. Prometo que dou seu recado.
— Não! Preciso falar com ele agora! — foi taxativa, seguindo na direção indicada pelos olhos negros com pupilas verticais, certa que era lá que seu marido estava.
Rápido, temendo que Hinata se perdesse nos corredores que levavam aos seis quartos da taberna ou, pior, encontrasse o marido na cama com outra, Kiba barrou sua passagem.
— Espere! Melhor que não vá — aconselhou em busca de uma escapatória benéfica para todos. — Ele se irritará. Eu avisarei que está aqui.
Pesando as consequências de aumentar a raiva do marido, Hinata concordou.
— Por favor, diga que estou aqui e não partirei sem falar com ele.
~*S2*~
Alheio a presença inusitada no salão, Sasuke, encostado na escrivaninha, aguardava Karin terminar de se vestir, mal prestando atenção no tagarelar incessante dela.
— Na verdade, estou procurando um homem que me dê uma casinha... — ela disse lhe lançando um olhar sedutor. — Sem pretender nada, claro. Por isso, se quiser capitão, te juro que não lhe darei trabalho, sua esposa jamais saberia.
— Agradeço a companhia, mas quero ficar sozinho — ele sentenciou acabando com qualquer esperança da jovem.
Novamente batidas se fizeram ouvir e Kiba entrou no quarto, lançando um olhar rápido e curioso para a mulher agora totalmente vestida. Não entendeu bem o que houvera ali, afinal, o capitão se demorava com suas escolhidas, mas também não tinha tempo, nem humor, para fazer graça com a virilidade de um homem cuja esposa o aguardava a poucos metros.
— Sasuke, sua esposa está lá embaixo — falou como o prometido a Uchiha. — Quer falar contigo.
A exasperação subiu na face até então inexpressiva.
— Diga que se vá. — ordenou irritado pela mulher, uma dama que deveria se dar ao respeito, entrar em uma taberna cheia de homens sedentos por bebida e diversão fácil. — E que a proíbo de voltar a um lugar como esse.
— E se não quiser?
— Me avise — ordenou.
— Está bem!
Pegando o colete largado na cadeira, Sasuke colocou-se a se arrumar, lançando um olhar irritado para a mulher sentada na cama.
— Arrume-se! — exigiu, aborrecido com a morosidade de Karin.
— Sim, capitão! — ela garantiu fechando ansiosa os últimos botões do decote de seu vestido.
~*S2*~
Kiba retornou apressado ao salão, porém não a tempo de impedir um dos bêbados, que Shikamaru chamava de clientes, tentar se aproximar de Hinata. Pisou fundo, pronto para afundar o punho na cara do abusado. No entanto, não foi preciso, o Nara foi mais rápido, uma vez que permanecera ao lado da Uchiha desde que o Inuzuka subira, e afastou com rudez o sujeito, obrigando-o a girar nos próprios calcanhares.
— Sente-se e fique longe da dama! — Shikamaru aconselhou, praticamente jogando o homem cambaleante na cadeira mais próxima.
Lançando um olhar agradecido ao taberneiro, Kiba aproximou-se da Uchiha, que assim que o viu ergueu-se ansiosa.
— Disse que agora não pode atendê-la — falou o Inuzuka vendo a tristeza abater-se sobre Hinata. — Também falou que é melhor que vá para casa.
— Não sairei sem falar com ele — anunciou determinada.
— Falei, mas ele não quer.
Desobedecendo a ordem, Hinata caminhou na direção que Kiba viera. Depois de tudo o que passara, das acusações injustas, do tratamento cruel e de ter que se rebaixar a ponto de entrar naquele lugar de aparência, pessoas e odores duvidosos, Sasuke a ouviria.
— Por favor, senhora, obedeça o capitão — Kiba implorou, detendo-a novamente.
— Vim falar com ele e falarei — insistiu, mas o Inuzuka assemelhava-se a uma muralha, impedindo-a de dar qualquer passo. — Saia da minha frente!
— Ele ficará furioso — alertou o Inuzuka.
— Não me importa! Deixe-me passar — ela exigiu pronta para empurra-lo se fosse preciso.
Desesperado para conte-la, Kiba explicou sem pensar:
— É que não está sozinho. Está com uma mulher.
Um frio intenso a dominou dos pés a cabeça, o corpo imediatamente petrificado. Pensou que desmaiaria ali mesmo, mas nem para isso tinha forças, estava rígida, ouvindo pequenas rachaduras trincando conforme a declaração de Kiba se solidificava em sua mente. Sasuke estava com outra. Ela viera explicar o que acontecera, garantir que o amava e a mais ninguém, e ele a estava traindo.
Seus olhos, perdidos, desolados, moveram-se sem destino, percebendo que se tornara o centro da atenção no salão. Todos a olhavam veladamente ou explicitamente. Todos ali sabiam o que seu marido estava fazendo e deviam achar que era uma mulher tola, carente, que corria atrás de um homem que nem bem saíra de seu leito e pulara no de outra mulher.
Virou-se para fugir e teria caído, por culpa das pernas trêmulas, se Kiba não tivesse a amparado pelo braço.
— Vou acompanha-la até em casa — determinou voltando-se para Shikamaru. — Avise o Sasuke.
O homem assentiu, mas Hinata mal notou, assim como não notou o trajeto que percorreu com Kiba escoltando-a, só se dando conta de onde estava quando chegaram à porta principal de sua casa.
Kiba afastou-se, mas Hinata o segurou pela manga da camisa de algodão encardido pelos anos de uso.
— Com quem Sasuke está?
— Ninguém importante, senhora — garantiu, ao que Hinata não acreditou, embora seu temor que fosse Sakura diminuirá. Notando sua expressão, Kiba, aconselhou: — Não se aflija pelo que aconteceu. Sasuke quer você. Uma mulher dessas não tem importância para um homem. Bom, com licença.
— Até mais. Obrigada!
Hinata engoliu em seco, virou-se e atravessou a porta, zonza, não acreditando em uma só palavra do Inuzuka. Quem ama não traia apenas por causa de um desentendimento.
Kiba olhava com pena a esposa de Sasuke se afastar, aguardando ela fechar a porta antes de tomar o rumo de volta à taberna.
Assim que alcançou os portões do terreno, foi interpelado por Shino
— Afinal o que aconteceu? — Shino perguntou, estranhando encontrar o amigo ali.
— Se desentenderam. O capitão estava com outra na taberna e ela apareceu lá — disse, passando os dedos entre os fios castanhos. — Fiquei tão surpreso e incomodado que creio que falei demais.
Shino o encarou sem entender e ao receber a explicação, teve certeza que Sasuke não agradeceria a atitude de Kiba.
~*S2*~
Desesperada depois de tudo que ouvira de Kin e das ameaças feitas por Hinata, Kurenai retornou ao lar dos Uzumaki, encaminhando-se para o quarto de sua prima para contar o que ocorrera durante a rápida visita da filha.
— Saiu de casa furiosa, disposta a dizer tudo a Naruto.
— Aqui não apareceu — Kushina a tranquilizou, acrescentando com satisfação. — Além disso, não há do que se preocupar. Naruto se recusou a deixar Sakura ficar na casa deles. Amanhã regressara conosco.
— Menos mal! — comemorou Kurenai, logo lamentando: — Não sei o que fazer com essa minha filha. Que pecado cometi para merecer tamanho castigo — lamentou.
— Por agora esqueça o assunto. De todos os modos, diga a Hinata que não seja tonta e controle seu caráter — aconselhou Kushina. — Não entendo de onde saiu todo esse amor por um desgraçado de sangue ruim, que desde que apareceu em nossas vidas só tem trazido desgraças — bradou indignada.
Devia ter exigido que o eliminasse quando teve chance, quando era apenas um fedelho sem eira nem beira, e ela tinha contato direto com os guardas de São Pedro. Mas um dia o momento chegaria e ele queimaria ao lado da mãe devassa.
~*S2*~
No mesmo andar, vários quartos adiante, sentada na cama de casal, Sakura continuava a interpretar o papel de vítima desafortunada, as lágrimas caindo aos cântaros por sua face acetinada.
— O que acontece é que já não me ama — choramingou, ouvindo um suspiro profundo do marido.
— Sim, a amo, muito — ele garantiu parecendo insatisfeito e inabalável diante da nova atuação da esposa. — Você está levando essa situação a um ponto realmente molesto — reclamou, pois, assim que saiu de um demorado banho para relaxar o corpo, Sakura recomeçou sua cobrança absurda. Estava com os músculos mais doloridos e tensos que antes.
— Mas você tinha me prometido — ela revidou irritando-se por perceber que suas lágrimas não eram suficientes para convencê-lo.
— Sei muito bem o que prometi, mas já é abuso de sua parte querer ficar aqui sem ter onde ficar — ele disse seco.
— Não há nada de mal que me hospede na casa de minha irmã.
— É que não quero que fique com eles — soltou por fim, claramente esgotado.
— Por quê? — interrogou surpreendida. — Pensei que queria estreitar sua amizade com Sasuke.
— Sim, mas ele não está disposto — disse lembrando-se do tratamento frio que o Uchiha lhe reservava toda vez que se encontravam.
— Se fosse assim ele não teria oferecido sua casa — retrucou Sakura persistente. — E o fez de boa vontade. Pergunte-lhe se não acredita em mim.
— Talvez não seja uma boa ideia viver aqui — declarou, deixando claro que, além de não querer Sakura ali, não morariam mais em São Pedro.
— Por quê?
Por fim, Naruto decidiu explicar o forte motivo que o fazia querer retornar de vez para Campo Real.
— Não quero que minha mãe fique sozinha.
A face bonita da rósea se torceu em uma carranca.
— Vê. E se zanga quando digo que ela voltou a convencê-lo.
— Não foi minha mãe que me convenceu e sim Kabuto. — Diante da expressão confusa da esposa, explicou: — O vi tendo certas liberdades com minha mãe, e tenho medo que se aproveite de sua solidão e busque uma maneira de se casar com ela.
Sakura sorriu minimamente, mas logo apagou qualquer traço de sua alegria zombeteira para não aborrecer, ainda mais, o marido.
— Porque se incomoda? Muitas viúvas voltam a casar — argumentou.
— Mas não com um tipo como Kabuto.
— E o que tem de mal nele? — questionou, pensando que se o casamento ocorresse, a sogra teria menos tempo para persegui-la. — Até queria casa-lo com Hinata — pontuou, causando um olhar contrariado do loiro.
— Kabuto gostava de Hinata, com o tempo poderia ama-la — disse, acrescentando com expressão soturna: — Mas o que ele pretende com minha mãe nada tem a ver com amor.
Mesmo entendendo, e concordando, com o raciocínio de Naruto, Sakura teria continuaria a opor-se a voltar a Campo Real, porém, vendo e ouvindo a determinação do marido decidiu que, por hora, era melhor recuar.
~*S2*~
Buscando ajuda para Hinata conciliar-se com Sasuke, aproveitando que o marido, após não aparecer no horário do almoço, só voltaria à casa de noite – se aparecesse -, Kurenai apresentou-se no escritório de Kakashi.
— Que prazer vê-la, dona Kurenai!
— Desculpe-me se o incomodo, talvez esteja ocupado.
— Não! Entre por favor, sente-se! — ofereceu a poltrona de frente para sua escrivaninha.
Assim que se acomodou, Kurenai narrou o que ouvira de Hinata e de Kin, vendo a expressão de Kakashi se anuviar conforme chegava ao fim do relato.
— Como vê, don Kakashi, necessito que fale com Sasuke. O convença que tudo não passou de um ato impensado de Sakura e Hinata é inocente — suplicou com fervor, lamentando pelos infortúnios causados por Sakura. — Não entendo como uma filha minha, uma moça de boa família, criada como deve ser, tenha cometido tantas barbaridades.
Kakashi coçou o queixo pensativo. Conhecendo Sasuke, esse novo baque o deixaria descontrolado, surdo a qualquer racionalidade. Mas, pela felicidade das pessoas com as quais se importava, atenderia ao pedido da amiga, e foi isso que disse causando um respiro tranquilizado de Kurenai.
— Pelo menos arranjei um jeito de acabar com as loucuras de Sakura — contou com evidente alívio em suas palavras.
— Qual?
— Convenci Hiashi a passarmos uma temporada em Campo Real — respondeu. — Iremos amanhã e Sakura irá conosco.
— Será um sacrífico enorme conviver com dona Kushina — Kakashi comentou lembrando-se dos absurdos que a viúva dissera a Kurenai.
— E que outra escolha tenho? — lamentou girando a aliança em seu dedo.
— Talvez estejamos preocupados demais — ele argumentou. — Se Sasuke não se interessa mais por Sakura, e está apaixonado por Hinata como penso, por mais que ela o procure e atormente ele não corresponderá.
— Ah, don Kakashi, o senhor sabe como os homens são despreocupados, ainda mais depois do que houve hoje.
— Não tenha tão má opinião de nós, dona Kurenai — pediu, tamborilando os dedos no tampo de mogno, a atenção movendo-se um instante para o mata borrão sobre a escrivaninha. — Quando um homem está realmente interessado em uma mulher, não pensa em outra. Creio que esse é o caso de Sasuke.
— De todos os modos farei o que pensei — Kurenai persistiu. Por experiência sabia que, sendo homem, Kakashi ocultaria qualquer mau passo do Uchiha. E, além disso, depois de tudo que ouvira dos lábios de Sakura, sua única garantia era ficar de olho na filha e mantê-la bem longe de São Pedro pelo maior tempo possível.
— Tudo bem! Mas não permita que dona Kushina a moleste, defenda-se.
— O farei, prometo. — Ergueu-se, voltando a pedir fervorosamente: — E o senhor prometa-me convencer Sasuke da inocência de Hinata.
Kakashi prometeu, torcendo para que o amor que vira refletido nos olhos de seu pupilo mais cedo fosse suficiente para Sasuke recuperar a razão.
~*S2*~
Na taberna, depois de Shikamaru contar o que Kiba fizera, Sasuke aguardou impaciente o retorno do amigo, e seu oficial substituto no comando de Satán, para questiona-lo e repreende-lo. Como podia confiar na competência do Inuzuka se quando pressionado, falava mais do que devia.
— Não tive opção além de dizer — Kiba justificou mortificado pela bronca. — Pior seria se subisse e o visse na cama com Karin.
— Mas não aconteceu nada — Sasuke retrucou, zangado com a atitude impensada de seu primeiro comandante.
— Karin estava seminua... — Kiba recordou.
O Uchiha soltou um resmungo, os dedos passando impacientes pelos fios negros, então, inesperadamente relaxou contra a cadeira que ocupava.
— Que ela visse! Seria merecido — comentou sombrio.
Pensando friamente, era melhor que ela imaginasse que havia levado a traição ao extremo, se corroesse de raiva e humilhação como ele se encontrava por dentro. Podia não ama-lo, mas tinha certeza que, orgulhosa e carola como era, a falsa traição lhe doeria no mais profundo da alma. Que sofresse pelo menos um terço do que ele sofria.
— Me deu muita pena — Kiba comentou.
— Pena pelo que? Ela não é nenhuma santa — retrucou tirando a culpa de seus ombros. — Também se pode trair com o pensamento.
— Se me permiti dize-lo. Creio que sua esposa o ama e muito.
— Você não sabe de nada!
Vendo que nada convenceria Sasuke do amor da esposa, Kiba decidiu mudar de assunto.
— Quando quer que Konohamaru vá vigiar o garoto?
— Amanhã — respondeu, e dando fim a conversa, ordenou taxativo: — E quero que ninguém suba para me incomodar. Quero ficar sozinho.
— Sim, capitão — Kiba disse erguendo-se e se retirando rapidamente.
Sasuke caminhou até a cama e deitou-se, cansado demais até mesmo para retirar as botas, os olhos observando as manchas de mofo no teto.
Aquele dia começara tão bem, estava cheio de esperança com o futuro, cheio de planos... planos e esperança que incluíam sua traidora esposa. Planos e esperança que alimentava enquanto ela desejava outro em seu lugar.
É e sempre será meu único amor...
Fechou os olhos e colocou o braço sobre eles, querendo afundar na escuridão tão conhecida e presente em seu caminho. Só isso lhe restava agora.
~*S2*~
Kurenai visitou Hinata para informar o que acontecera na casa dos Uzumaki, passando a informação dada por Kushina.
— Não tem mais motivo para preocupar-se, filha. Naruto não quis que Sakura aceitasse o convite de Sasuke para ficar com vocês. Amanhã todos iremos para a fazenda.
— Que bom! — Hinata murmurou sem vigor.
— Apague essa carinha de tristeza, filha — pediu compadecida. — Estou segura que Sasuke pensara melhor. Kakashi a de convencê-lo.
— Não, mamãe. Fui busca-lo para contar o que Kin me disse... — Hinata sentiu um bolor quente e doloroso dificultar sua fala, seus olhos encheram-se de renovadas lágrimas. — Ele estava com outra mulher...
Kurenai lamentou e buscou as mãos da filha, esfregando-as entre as suas.
— Não se aflija por isso, meu amor, assim são os homens. É sua natureza. Terá que se acostumar — declarou recebendo o olhar horrorizado da filha.
— Acostumar-me que ele tenha outras mulheres? Isso é horrível — falou indignada. — Me doeu tanto... Porque do que ele me culpa eu sou inocente, enquanto ele sim me traiu.
— Agora que já está casada, posso te dizer. Todos os homens são assim — Kurenai declarou, erguendo a mão para acariciar a face da filha, um sorriso triste moldando-se em seus lábios. — Seu pai, quando se irrita comigo, passa noites sem voltar a casa...
Hinata a encarou com olhos esbugalhados. Não crendo no que seus ouvidos escutavam.
— E você o perdoa? O recebe tão tranquila sabendo que... — calou-se aflita, logo declarando decidida: — Não posso, mamãe! É vergonhoso, repugnante. Nunca o perdoarei. Nunca!
— Hinata, tem muito que aprender, filha. A vida de casada tem suas alegrias, mas também suas tristezas — confidenciou, utilizando-se do conhecimento de vida que a filha ainda não obtivera. — O marido que manda, e a mulher deve ser obediente e comedida.
— Devo aceitar até que meu marido quebre os votos matrimoniais e cometa pecado? — Hinata indignou-se ainda mais, puxando suas mãos de perto da mãe. — Não posso!
— É demasiado orgulhosa — lamentou Kurenai, penalizada pela reação da filha as verdades cruéis da vida. — Se quer reconciliar-se com teu marido, aconselho que sequer mencione tal deslize. Ele contestara que é o homem, e que o homem pode fazer o que quiser. E não terá outro remédio, Hinata, que engolir a vergonha e baixar a cabeça — finalizou deixando Hinata sem palavras.
~*S2*~
Ainda deitado sobre a cama, porém, acordado e assombrado pelo complicado relacionamento, Sasuke ergueu-se em um pulo quando a porta do quarto abriu-se de repente, tranquilizando-se ao ver que se tratava de Kakashi.
— Já disse que não quero ser incomodado.
— Disse, mas não me importo — revidou o advogado, fechando a porta e pondo-se em frente ao Uchiha. — Estou cansado que um homem feito e direito como você cometa tantas idiotices.
— Se quer brigar, pode ir-se por onde entrou — Sasuke recomendou sentando-se na cama e encarando-o com irritação. — Não estou de humor para sermões.
— Não irei e tampouco me importa seu humor.
Sasuke ergueu-se e caminhou até Kakashi, que se sentava, e ocupou a cadeira em frente ao advogado.
— Já imagino do que se trata — sorriu de canto com azedume. — Minha esposinha foi chorar em seu ombro. Dizer que sou um desalmado, sem vergonha.
— Não falei com Hinata!
— Então foi à mãe — deduziu e, notando que acertara, insinuou grosseiro: — O que tem com dona Kurenai?
— Não vale a pena contestar tamanha bobagem — Kakashi o reprendeu, voltando ao cerne do problema. — Você é um tonto por se zangar com um estúpido retrato.
— Este retrato estava em minha casa — rugiu descompensado. — Ela o trouxe.
— Foi Sakura que escondeu entre as roupas de sua esposa — Kakashi explicou, erguendo a voz de forma a sobrepô-la a de Sasuke.
Sasuke soltou um riso abafado, desprovido de humor.
— É muito cômodo sempre colocar a culpa em Sakura.
— É a verdade. Kin, a empregada dos Hyuuga, confessou.
— Os empregados dizem o que os patrões querem — desdenhou.
— Basta! — exaltou-se o licenciado. — Porque é tão burro e cego?
— Cego fui ao me casar com essa sem vergonha — Sasuke retrucou com amargura.
— Surpreende-me, por ser um homem com tanta experiência com as mulheres, porque não se deu conta rapidamente que Hinata fingia quando estava contigo? — Kakashi zombou.
— Uma coisa é desfrutar da cama e outra é querer — foi à resposta insolente e mal humorada.
— Sempre tem uma resposta para tudo. Coisas que nem você acredita. — Desapontado com o comportamento do Uchiha, Kakashi continuou paternal: — Fico muito triste. Acreditei que estava contente, satisfeito em se converter em um homem respeitado, com uma esposa linda, terna e apaixonada.
— Apaixonada, mas não por mim — ele soltou seco e amargurado.
— Acredita mesmo nisso? Que Hinata segue apaixonada por Naruto?
— Não sei... Isso que não me deixa em paz... — Sasuke murmurou passando a mão pelos cabelos com frustação. — Também estava convencido do carinho de Sakura. Teria colocado minhas mãos no fogo por ela. E viu o que me fez? — Olhou para um ponto qualquer na parede, ali vendo a imagem da rósea, a raiva tomando forma em suas palavras. — Me apaixonei por ser bela, ardente, decidida. Depois a odiei. Então apareceu a irmã... — Ao lembrar-se de Hinata, seu tom suavizou: — Parecia um anjo, doce, suave, terna. Conquistou-me, reconheço, admito. — Sentindo uma dor intensa o corroendo confessou: — Comecei a gostar dela em Campo Real. Dava-me uma raiva tremenda quando defendia Naruto, me arrebentava que estivesse disposta até a dar a vida por ele. Eu pensava: Porque eu... Porque não posso ter uma mulher assim? Que me queira dessa maneira?
— Você a tem — Kakashi fez questão de destacar.
— Sim, tenho seu corpo, mas sua alma... — O olhar sombrio voltou-se para Kakashi. — Também a tenho?
— Ninguém além de você pode responder essa pergunta.
Sasuke olhou para o vazio em busca da resposta. Se lhe perguntassem naquela manhã, diria orgulhoso: Sim. Mas agora...
— Não sei... — resmungou erguendo-se inquieto.
Kakashi também se levantou e aproximou-se do Uchiha.
— Sasuke, uma vez te disse que os ciúmes são maus conselheiros. Arruínam as pessoas, as destrói — frisou pesaroso, acrescentando para fazê-lo racionalizar: — Se te importa conservar seu matrimônio e o carinho de tua mulher, reflita! Com o comportamento que tem agora, somente conseguira que ela acumule rancor. E então sim, será infeliz, e com razão. — Colocou a mão no ombro dele, apertando de leve, querendo transmitir naquele gesto todo carinho que nutria pelo jovem, mostrar que não estava sozinho, que havia alguém que se importava de verdade com seu bem estar, com sua felicidade. — Vá para sua casa, fale com Hinata e peça perdão.
Sasuke não disse nada, permaneceu imóvel e sequer emitiu uma palavra quando o advogado despediu-se, deixando-o novamente sozinho e entregue a novas dúvidas.
~*S2*~
À noite, antes do jantar, aguardando o marido e a sogra terminarem de se aprontar e descerem se encaminharem juntos a sala de jantar, Sakura encontrou Kabuto Yakushi sentado no sofá duplo na sala de estar e, divertida, zombou:
— É um abusado ao pretender casar com minha sogra.
— Quem te disse isso?
— Naruto. E o previno que ele não o aprova — alertou sentando-se em frente ao grisalho.
— Por quê?
— Disse que você só deseja assegurar teu futuro como esposo de uma viúva rica — respondeu com um pequeno sorriso.
— Entendo!
— Posso ajuda-lo a convencê-lo — Sakura ofereceu esperançosa de tê-lo como aliado. — Deve ter notado que não me dou bem com minha sogra, e quero que Naruto e eu moremos aqui em São Pedro.
— Para ficar perto de Sasuke? — Diante do assombro da rósea, contou: — Já sei de tudo. Kushina não me disse, descobri.
— Não é verdade! — ela mentiu, como sempre o fazia, buscando em sua mente formas de convencê-lo de sua inocência, mas Kabuto adiantou-se.
— Não precisa nega-lo, não contarei a Naruto. — Deu de ombros. — Assim é a vida. Às vezes nos apaixonamos por quem não devemos. Que podemos fazer? Amor é amor — filosofou, inclinando-se conspiratório. — Assim que podemos fazer um pacto: Você me ajuda e eu te ajudo.
Sakura sorriu confiante. Sabia que Kabuto, igual a ela, só pensava no que era melhor para si mesmo, o que significava que o conhecimento de seu deslize era um trunfo nas mãos dele, tornando-o um inimigo. Mas, se o ajudasse a fazer Naruto aceita-lo, Kabuto seria capaz de guardar seu segredo e, mesmo contra a vontade de sua futura esposa, retribuir o favor.
— Está bem!
~*S2*~
Conforme as horas passavam e Sasuke não retornava, a tristeza e desolação tomavam conta de Hinata. Não tivera fome no almoço, também recusara o café da tarde e o jantar. Apesar do gesto bondoso de Temari, ao depositar uma bandeja com comida na mesinha do quarto, Hinata o ignorara e horas depois a empregada retirara o prato intocado, o olhar transmitindo toda pena que lhe ia no íntimo ao ver a patroa encolhida no leito, chorando copiosamente.
Hinata supôs que, como sua mãe declarara, essa seria sua vida dali em diante. Aguardar o marido, chorar quando ele não viesse, ser motivo de pena dos demais e aceita-lo se, por um acaso do destino, Sasuke relevasse a "traição" dela e decidisse reivindicar seus direitos matrimoniais.
Sem poder conciliar o sono, não parava de se questionar o que faria se Sasuke tentasse beija-lo ou toca-la, por mais ínfimo que fosse o toque. O amava, era fato, mas saber que as mãos que a acariciava, os lábios que beijava e o corpo que se alinhava ao seu fizera o mesmo com outra sentia raiva, seu estomago embrulhava e desejava sumir.
Fungou sentida. Essa era a parte irônica, estava sendo castigada por algo que não fizera, enquanto ele passava a noite com outra. Quantas vezes condenara Sakura por trair o marido, desfilara palavras sobre honradez e decência, para agora descobrir que o mesmo não se aplicava aos homens.
Amava Sasuke, de alma e coração... Mas não sabia se seria capaz de perdoa-lo.
~*S2*~
N/A – Problemas psicológicos a frente marujo! Desculpem-me a demora e os constantes sumiços, minha cabeça (vida) tá uma bagunça, mas aos poucos tudo vai se ajeitando(?). Mesmo esse ano sendo o mais bizarro da minha vida - ganhando até do fim de 2018 (Embora 2018 influencia negativamente esse de certa forma) -, consegui criar e escrever. Talvez esteja abaixo do esperado, mas, sinceramente, estou feliz por ter persistido e conseguido termina-lo. :)
Falando de coisa boa, enquanto assistia o capítulo 27 no youtube ficava cada vez mais encantada com a sonoplastia e os atores da novela, principalmente na parte 2. É tudo tão maravilhoso que eu não sabia se ria, chorava ou dava uns tapas no Sasuke na parte que ele usa a Sakura pra causar raiva na Hinata. Tudo tão intenso, como não amar. Busquem conhecer essa preciosidade. Vale muito a pena. Linda, linda! 3 Só isso explica assistir tantas vezes o mesmo capítulo, amar loucamente e não cansar NUNCA de apreciar essa obra prima. *-*
Avisem-me de qualquer erro. Corrigirei o mais breve possível.
Obrigada a todos que me enviaram reviews e mensagens, amei ler todas e responderei o mais breve possível a partir de hoje. :*
Obs: Esse capítulo corresponde às cenas dos episódios 27 e 28.
Até o próximo capítulo estrelas da minha vida! o/
Big beijos,
Luciy
Resposta aos reviews não logados
MayJDornanBieber – Vontade de bater na Sakura só crescerá, tenha certeza disso, rs.
Natalya – Obrigada! De verdade, é maravilhoso ler que o que escrevo é bom, embora, nesse caso, devo dar os créditos a Caridad Bravo Adams e as pessoas que adaptaram os livros tela na novela maravilhosa de 93. Amo essa história e pretendo finaliza-la, é questão de honra agora. A história é intensa, com personagens intensos, então fico feliz de conseguir transmitir um pouco dessa intensidade e causar tantos sentimentos em você durante a leitora 3 Espero do fundo do coração que sua espera seja recompensada... embora esse capítulo tenha terminado mal para nosso casal favorito...
Angela k – Desculpa a demora, explicando por cima, tá complicado, mas sou persistente.
LeneP – Olha, desculpa, de verdade, por fazer com que releia a história. É complicado, eu sei, ser leitora de alguém que demora e agradeço imensamente sua compreensão 3 Espero, do fundo do coração, que o capítulo tenha compensado a demora. Sakura apronta muito, às vezes obtém sucesso e em outras não, nesse conseguiu ambas as coisas. Naruto começa a parar de agir só com o coração, pra raiva da Sakura, rs. Sasuke e Hinata ainda tem um longo caminho pra acabar com alguns desentendimentos, mas amor não falta *-*
Lell ly – Obrigada Lell! Pelos elogios, pela compreensão, por ser sempre essa pessoa maravilhosa que me fez sorrir com suas histórias e com seus comentários *-* Espero que esse capítulo compense todo o carinho que me enviou e a espera.
Carina Rissi é supertalentosa, amei os livros da série Perdida e quero ler mais outros dela 3 Menina, tu perdeu a conta? O.O Ando tão atarantada e, o ffnet tão parado nas notificações que pensei que, assim como eu, só tinha se perdidas nas ruas movimentadas da vida fora da net, das fics. Suas histórias são tão lindas, quando decidir voltar me avisa que seguirei correndo *-*
A novela de 93 é maravilhosa, quando tiver uma chance, recomendo *-* Naruto começa a prestar atenção ao seu redor. Não é tão bobo quanto Sakura pensava. Sakura e Ino conseguem ser insuportáveis na fixação por Sasuke... Não nego que também teria, rsrs. Kabuto é malandro, rs. Orochimaru e Danzou são odiáveis demais mesmo, rs.
Como vimos nesse capítulo, à insegurança é um problema enorme no relacionamento deles, mas, pelo menos, tem pessoas que querem garantir a felicidade do nosso casal favorito 3
Obrigada pela compreensão, de verdade, faz toda diferença. Beijos!
SrtaJaque – É muita gente invejosa nessa história, mas também tem muita gente torcendo pelo nosso casal, e o amor sempre vence, pelo menos sempre deveria vencer 3 Espero que o capítulo compense a espera 3
Guest - Sorry for the mistake, I reviewed the chapter. Google translator is my great friend, in several cases, lol. It is complicated to update, but I am persistent. Kisses.
