J~L


Nota: Você leu o ultimo capitulo? Certeza? Estou postando em menos de uma semana =)

-PRESENTE-

A primeira coisa que fez quando acordou naquela manhã, foi conferir se havia alguma mensagem ou telefonema de James.

Não havia nada.

Talvez ela quem deveria entrar em contato com ele e não o contrário. Ela fugiu, o deixando sem respostas, talvez fosse o mínimo que deveria fazer.

Passou pelo quarto de Marlene e viu a porta fechada. Então ela já havia voltado para casa. Era sexta-feira pós feriado e como a Phoenix's sempre emendava, poderia tirar o dia para descansar. Porém, com a quantidade de trabalho que teria acumulado para a semana que vem, preferia adiantar algumas coisas hoje de casa.

Tomou o seu café da manhã em seu tempo, lendo as notícias e conferindo seu email pessoal. Resolveu tomar um banho rápido e se jogar no trabalho por algumas horas antes de ligar para James.

Sim, ela estava adiando a ligação, morrendo de medo de como ele reagiria, de perde-lo...

Abriu o chuveiro e tomou seu banho, a fazendo se sentir melhor. Talvez não deveria adiar aquela ligação, uma sensação bizarra de que deveria ligar para ele a tomava agora. Tinha que criar coragem e pensar que talvez não falar com ele logo poderia ser pior do que fugir.

Tinha que parar de fugir. Ele já sabia o que tinha acontecido, então não havia nenhuma razão de se esconder. O mal já havia sido feito e hoje eles estavam em uma situação onde a amizade estaria à salvo...se ele a perdoasse por esconder tal informação. Mas em relação ao pacto...ele não existia mais, então...

Aliás, ontem no elevador ela havia sido tão franca com ele, dizendo que ela o queria. Por que ainda insistia em fugir?

Estava decidido então. Ligaria para ele agora. Desligou o chuveiro e se enrolou na toalha, saindo do banheiro.

Um barulho insistente vinha da sala. Ela apertou mais a toalha no corpo e se dirigiu à cozinha. Alguém batia na porta e apertava a campainha insistentemente. Como Marlene não acordou com aquele barulho, era um mistério. Lily correu para a porta, assustada e olhou pelo olho-mágico, vendo Sirius.

- O que aconteceu? - Ela perguntou, abrindo a porta.

- Vá se trocar, rápido. Fleamont está no hospital! - Ele disse, entrando no apartamento como uma ventania.

- O que aconteceu? - Ela repetiu a pergunta, mas muito mais preocupada. Ela correu para o quarto, pegando as primeiras roupas que via: uma calça jeans e uma camiseta branca.

- Algo com o coração. - Sirius dizia da porta, de costas para ela. Lily estava tão desesperada e apressada, que nem se importava em se trocar com a porta aberta e tendo Sirius ali. - Não temos muitas informações ainda, ele está sendo examinado.

- James? - Ela perguntou terminando de colocar o sutiã e vestindo a camiseta.

- No hospital. Ele não pegou o celular, eu não peguei o celular...então eu tive que vir. Eu nem pensei em usar um telefone público, eu simplesmente o deixei no hospital e voltei.

- Obrigada por vir, Sirius. - Ela disse calçando seu tênis. Pegou sua bolsa, seu celular e o carregador.

Ela deu um tapa em seu ombro, o informando que estava pronta para ir. Os dois saíram correndo do apartamento e entraram no carro de James que estava estacionado um pouco de qualquer jeito, com as luzes de emergência ligadas. Lily enviou uma mensagem para Marlene para lhe informar onde estava indo e evitar que a amiga se desesperasse novamente.

Sirius a deixou na frente do hospital e voltou para o apartamento de James para pegar as carteiras, documentos e celulares de ambos.

- Potter Fleamont, por favor. - Lily pediu assim que chegou na recepção do hospital.

- Nome, por favor? - A recepcionista pediu, se virando para o computador.

- Evans, Lily.

A mulher digitou a informação e esperou. Lily olhava ao redor, tentando achar alguém por ali, mas duvidava que eles estariam pelo hall de entrada.

- Seu crachá, senhora. Você pode se dirigir ao quinto andar, sala 503.

- Obrigada.

Correu para o elevador e esperou uma eternidade. Desistiu e pegou as escadas, subindo de dois em dois degraus, até o quinto andar. Estava tudo muito silencioso. Aquele cheiro de hospital lhe dava calafrios. Olhou para as placas e seguiu as direções para a sala 503. Como a porta estava fechada, ela bateu primeiro e esperou.

- Oh Lily! - Euphemia a puxou assim que abriu a porta e a apertou em seus braços. Ela a abraçou de volta e Lily sentiu que Euphemia chorava. Acariciou os cabelos macios da mãe de James, tentando reconfortá-la, mesmo sabendo que ela nada poderia fazer para mudar a situação. - Estou muito feliz que tenha vindo. Obrigada.

- Não haveria outro lugar para estar.

Euphemia estava em uma espécie de sala de espera. Havia algumas poltronas confortáveis e uma televisão. Porém, ela estava sozinha.

- James está tentando obter algumas informações com Remus lá embaixo, perto da emergência. - Euphemia respondeu à pergunta silenciosa que os olhos de Lily pareciam fazer. - Ele está forte, o meu James.

- Eu não duvido. Vocês criaram um filho forte. - Lily sorriu, sentando-se ao lado da mulher.

- Ah sim. Foi tão difícil de colocar esse menino no mundo, e ele valeu todo e cada esforço. - Euphemia suspirou. - Fleamont vai ficar bem, eu sei que vai. Disseram que era princípio de infarto. Acho que vimos na hora certa, não esperamos muito para chamar a ambulância, sabe?

- Fizeram o correto. Fleamont vai sair dessa rindo, ainda fazendo piada.

Euphemia sorriu, concordando. A porta da sala se abriu e James e Remus entraram. Lily se levantou imediatamente. Remus se aproximou e a cumprimentou.

- E então? - Euphemia perguntou, ansiosa.

- Ele está com um monitor para verificar a frequência dos batimentos cardíacos e com oxigênio, para diminuir o esforço. Ele está lúcido, bem e, aparentemente, fazendo o dia do pessoal da emergência. - Remus respondeu, sorrindo. - As notícias são boas, Senhora P. Vamos esperar o cardiologista fazer todos os exames.

Lily respirou fundo e expirou, deixando a tensão sair. Ela se virou para James, que estava parado e quieto perto da porta. Os olhos castanho-esverdeados estavam sem o brilho de sempre, parecendo perdido, quase como uma criança triste de castigo no canto.

Nada do que havia acontecido na noite anterior importava agora, então ela não pensou duas vezes em se aproximar dele.

- Hey, você ouviu Remus, vai ficar tudo bem. - Lily o abraçou, sem temer se ele a rejeitaria ou não, pois ela sabia que ele precisava de todos eles, inclusive dela. Ela já havia precisado dele inúmeras vezes e o maroto nunca havia colocado nenhum empecilho: horário, dia ou distância. Ele sempre esteve com ela quando ela precisou e Lily nunca iria deixar de estar lá por ele, não importava a situação deles.

James a abraçou de volta, forte, escondendo seu rosto no pescoço da ruiva. Duvidava que James choraria na frente de sua mãe naquelas condições, mesmo estando tão triste quanto ele se sentia. Ele iria querer ser o suporte dela.

- Logo serei eu tendo um problema no coração. Primeiro foi você sumindo, indo para o hospital...agora ele. Eu não sei se meu coração vai aguentar muito mais disso.

- Vou ter uma conversa séria com todos e vamos prometer te deixar em paz por algum tempo. - Ela respondeu, rindo.

Eles se afastaram e ela o fitou, comovida. James tinha tanta preocupação com a saúde dos pais, por estarem em uma idade avançada e não era para menos. Euphemia tinha que seguir uma bateria de exames todos os anos, mesmo tudo sendo controlado agora. Fleamont era um homem que Lily nunca havia visto doente em todos esses anos que o conhecia, nem mesmo uma gripe. Vê-lo indo para o hospital assim, de repente, fazia entender que as pessoas ainda eram frágeis e as coisas podiam mudar muito rápido.

Sirius chegou meia hora depois, com todos os pertences de James e se juntou à eles, na espera do médico. Remus descia a cada meia hora para checar alguma novidade, mas Fleamont ainda estava fazendo exames e esperando por resultados. Marlene ligava para Lily e enviava mensagem, pedindo por notícias, dizendo que preferia não vir ao hospital para não atrapalhar. Quando Lily, e todos os outros, perceberam que as horas passavam e Euphemia começava a se estressar demais, a ruiva decidiu levá-la para andar pelos jardins atrás do hospital. O ar fresco e o sol pareceram ter feito um bom efeito na mulher, que respirava fundo e fechava os olhos, perdida em seus próprios pensamentos. Respeitando o seu momento, Lily apenas ficava ao seu lado, esperando caso ela quisesse conversar.

Lily estava passando por um mal momento com James, não sabendo como as coisas iriam se desenrolar à partir de agora, mas se sentia idiota quando via Euphemia passando pelo o que passava, tendo a saúde de seu marido em risco. Aquilo lhe deixava nervosa por estar tão estressada por algo que parecia tão pequeno em comparação à problemas reais da vida. Ela com certeza preferia ter aquele problema de ocultação de uma noite juntos, do que ter James no hospital com um começo de infarto.

Ainda sem conversarem, elas entraram no hospital e Lily deixava Euphemia liderar o caminho. Elas passeavam pelo terceiro andar agora quando seu celular tocou.

- Oi, mãe. Sem notícias ainda. - Lily respondeu. Seus pais eram outras duas pessoas pedindo por notícias a toda hora.

- Seu pai e eu decidimos ir para Londres. Estamos terminando de arrumar uma pequena mala. Ficaremos uns dois dias, caso Fleamont possa voltar para casa hoje.

- Acho que Euphemia ficará muito feliz em ter a amiga dela por perto. Eu também. - A ruiva respondeu, vendo Euphemia olhando por uma janela no fim do corredor. - Vocês podem ficar em casa. Eu durmo na sala e vocês no meu quarto. Marlene não se importa, vocês sabem.

- Obrigada, filha. Nós avisaremos assim que pegarmos a estrada, ok? Se tiver notícias, nos avise.

- Certo. Estarei esperando sua mensagem. Façam uma boa viagem.

Lily foi em direção de Euphemia e via que ela sorria. Ela se aproximou lentamente e agora a ruiva podia entender o que trouxera, finalmente, um sorriso no rosto da mulher: era o berçário. Haviam alguns bebês por ali, todos dormindo e por um momento ela gostaria de ser um bebê novamente. Sem preocupações, sem problemas e apenas dormir e comer.

- Eles não são lindos? - Euphemia perguntou.

- Eu estou com tanta inveja. - Lily olhou, desejando poder caber naquela pequena cama.

- Ah querida, tenho certeza que logo terá o seu.

Lily riu.

- Eu falava que gostaria de ser um bebê e não ter um.

- Você não quer ter um bebê? - Euphemia se virou para ela, surpresa.

- Talvez um dia, mas não agora. Ainda há muito para acontecer na vida.

- Eu mal posso esperar para ser avó, mas James vive encalhado. - Lily riu novamente.

- Não é verdade. Ele sai bastante.

- Sim, mas nunca nada sério. Ele ainda não deslanchou com o amor. - Euphemia olhou de lado para Lily. - Acho que ele está esperando.

- Esperando o amor?

- Esperando a coisa acontecer.

Lily franziu a testa, olhando novamente para os bebês. Uma enfermeira se aproximou e perguntou atrás do vidro se elas estavam ali por algum dos bebês e elas negaram, Euphemia dizendo que estavam apenas admirando.

- Sabe, Lily, o dia de hoje só me mostrou uma coisa: podemos planejar o quanto quisermos a nossa vida, mas ela é muito inconstante para seguir os nossos planos. Planejamos uma viagem para a Escócia neste fim de semana, deveríamos embarcar hoje à noite. E veja só, estamos no hospital e apenas esperando que hoje à noite o meu marido possa dormir na nossa cama. Tudo o que fazemos hoje, vai refletir no nosso futuro. Talvez Fleamont esteja tendo este problema por não se exercitar? Talvez se ele se exercitasse, ele poderia ter tido outro tipo de problema antes? Há um leque enorme na vida e podemos desejar muitas coisas e as conquistar, mas há coisas que não temos controle.

- Eu não poderia concordar mais com isso.

- Por outro lado, há coisas que só ocorrerão se formos atrás. - Euphemia se virou para ela, sorrindo. Ela tinha os olhos cheios de lágrimas. - Eu iria amar ter um neto ou uma neta ali, deitado naquela cama, com os traços de James... - Lily sorriu para Euphemia. - ...e os seus! - Lily deixou a boca cair, em choque.

- Euphemia! - Ela murmurou, chocada.

A mãe de James deu uma leve dada de ombros, com um sorriso maroto, como o do filho.

- Achei que estava mais do que na hora de dizer isso. Imagina um pequeno ruivo com os cabelos para todos os lados, com os olhos amendoados de James...ou uma pequena garotinha de cabelos escuros e olhos verdes...ou um garotinho. Seria o bebê mais lindo do mundo.

- Euphemia! - Lily repetiu, ainda que ela fosse capaz de visualizar tudo o que Euphemia havia dito, ela estava mais do que longe de engravidar, ainda mais de James.

- Sim, eu sei, vocês são amigos. Apenas dizendo... - Euphemia deu de ombros. - Com James encalhado, talvez vocês poderiam fazer um acordo e terem um bebê juntos caso chegassem aos 30 solteiros...

- Meu deus, Euphemia...- Lily riu, nervosa.

- Não que eu deseja que você fique solteira até os 30, mas se isso significasse um bebê juntos, então eu não me sinto culpada por assim desejar.

Lily tampou o rosto, com vergonha. Claro, hoje em dia ela estava mais perto de ter algo com James do que há um mês, mas apenas pela estatística de que eles estavam embarcando em algo amoroso...não por querer engravidar.

- Bem... - Euphemia disse, quando Lily não a respondeu. A mulher olhou para os bebês pela última vez antes de se virar e caminhar para as escadas. - Vamos subir pelas escadas, fazer um pouco de exercício para o nosso coração.

Lily com certeza precisava fazer um exercício para o seu coração depois dessa conversa. Ao voltar para a sala, Remus era o único que não estava ali, provavelmente voando nos ombros dos antigos colegas na emergência. James tirava um cochilo e Sirius assistia algum programa tedioso na televisão.

- Vocês não perderam nada. Este programa é horrível. Fazem anos que não assisto televisão aberta e agora eu me lembro o por quê. Como foi a caminhada?

- Boa. Vimos alguns bebês. - Euphemia disse, sentando-se ao lado de Sirius. - Você me dará um neto, não?

- Wow! - Sirius descruzou os braços e tirou os pés da cadeira à sua frente. - Lily, por que a levou até lá?

- Eu não a levei - Lily riu, sentando-se entre Sirius e James. - Não se preocupe, você não é o único com demandas.

- Imagine ter uma casa cheia de netos correndo no domingo. Fleamont ficaria tão feliz. - A entonação da voz dela mudou para melancólico.

- Remus desceu há uns dez minutos e já virá com notícias. - Sirius passou os braços pelos ombros de Euphemia.

Duas horas e muitas idas e vindas de Remus depois, eles ainda esperavam por resultados. Os Evans chegaram e Euphemia caiu no choro novamente com Mary Evans. Tendo um bom suporte emocional, os marotos e Lily desceram na cafeteria para um bom café. Durante toda a tarde, eles haviam apenas comido alguns chocolates e salgadinhos da máquina, ninguém querendo ficar longe por muito tempo.

O celular de Remus apitou com uma mensagem enquanto eles se sentavam, em silêncio.

- O meu contato está me chamando. Acho que chegaram todos os resultados. - Ele se levantou e tomou o café em um só gole. - Voltem o mais rápido para a sala, pois acho que o cardiologista chegará em alguns minutos. - E assim Remus correu em direção à emergência.

James não perdeu tempo e já se levantou, Sirius e Lily o seguiu. Dez minutos após voltarem para a sala, a porta se abriu e um homem esbelto e bonito entrou, seguido logo por Remus.

- Senhora Potter? - Ele pediu, entre todos ali. Euphemia deu um passo à frente e se apresentou, o cumprimentando. James se adiantou e se apresentou também. - Prazer, Augusto Pye, cardiologista que cuidou do Senhor Potter durante sua estadia aqui. Ele está bem. - Um suspiro geral na sala o fez pausar. - Nós o medicamos, fizemos uma bateria de exames, e ele vai bem. Ele teve um princípio de infarto hoje e sua rapidez em acionar a emergência foi primordial. Ele terá que fazer acompanhamento todos os anos e dependendo como ele reagir, de seis em seis meses. Eu posso indicar um ótimo cardiologista que conheço, ele faz ótimos acompanhamentos e eu o indico de olhos fechados. Mas claro, será sua decisão com quem ele poderá se consultar.

- Meu marido vai voltar para casa hoje? - Euphemia perguntou, os olhos brilhando para o médico.

- Nossa equipe já o está preparando. Ele foi o sol da equipe hoje. Vocês podem esperar por ele na recepção, nós o traremos assim que estiver pronto.

Todos desceram, bem mais animados. Remus voltou com o médico, dizendo que traria Fleamont até eles. Na recepção, James e Euphemia não paravam de olhar pelas portas, esperando o momento que finalmente poderiam ver o pai e marido saindo por ali.

- Lily? - Sirius a chamou um pouco mais no canto. - Você poderia levar o carro de James para o apartamento? Eu não acho uma boa ideia tê-lo dirigindo por aí hoje.

- Claro, claro. - Ela pegou as chaves com Sirius.

- Remus irá levar Fleamont e Euphemia para casa, com James. Eu vou junto e depois eu deixo James em casa.

- Sem problemas.

Lily se virou quando percebeu uma movimentação de James e Euphemia: Remus vinha acompanhado de um ótimo e sorridente Fleamont. Euphemia logo se aproximou e abraçou o marido, o beijando por todo o rosto, deixando-o sem graça. Quando a mãe terminou, James abraçou o pai por longos segundos. Eles conversavam baixinho entre eles, com apenas Euphemia ouvindo. A mulher começou a chorar. Aquilo a fez se virar para os próprios pais ali perto, que também assistiam a cena. Doía tanto tê-los longe.

- Muito obrigado pela presença de todos. Eu sinto muito fazê-los esperar por tanto tempo por uma coisinha de nada.

- Não foi uma coisinha de nada. - Euphemia o repreendeu.

- Eu tenho James como filho, como ousam pensar que meu coração é fraco? Ele já me deu dores de cabeça piores do que as de hoje no coração.

Remus se apressou para pegar o próprio carro e lotá-lo com os Potter e Sirius dentro. Após se despedirem, Lily acompanhou os pais até o carro do casal, entregando as chaves do apartamento

- Marlene já sabe que vocês estão vindo e está esperando com pizza e bolo.

- A que horas você volta? - Mary perguntou.

- Eu aviso. Eu vou esperar James voltar, caso ele volte, e fazê-lo comer algo. Não se preocupem comigo, ok?

Seus pais partiram e foi a vez dela de pegar o carro de James. Ela não dirigia todo o tempo, preferindo sempre andar ou pegar o transporte por Londres, mas gostava bastante de dirigir. Porém, o carro de James era muito tecnológico para ela. Havia tantos botões ali, que tinha medo de apertar algo e ser ejetada do carro.

Tendo todos bem e seguros, ela ligou o carro, tomando cuidado de não apertar algo errado e saiu com o peito mais leve daquele hospital.

J~L

O carro bem estacionado na vaga de James, ela pegou o elevador e subiu para o apartamento. Era muito estranho estar ali sem ele, o lugar parecia sem vida. Ou talvez, por ter tido o dia que teve, sua mente estava mais melancólica que o normal. Lily não tinha ideia se ele voltaria para casa hoje ou se iria ficar com os pais, mas preferia estar ali caso ele precisasse.

Ligou a televisão, onde um canal de esporte apareceu. Zapeava pelos canais até que achou algo sobre ursos polares. Avisou sua mãe e Marlene que havia chegado bem no apartamento e foi até a cozinha, se servindo de suco e voltando para a sala, se acomodando no chão, em frente ao sofá. Como tinha passado o dia todo no hospital, não queria esfregar suas roupas na mobília. Percebeu que cochilou quando sentiu o celular vibrando em sua mão, a foto de James brilhando na tela. Viu a hora rapidamente e confirmou que dormira por mais de uma hora.

- Hey. - Ela respondeu, um pouco sonolenta.

-Desculpe, te acordei.

- Não tem problema. Eu estava esperando pela sua ligação.

- Onde você está? - A voz dele estava bem melhor do que a do hospital.

- Na sua casa, na verdade.

- Estou chegando em dez minutos! - a voz dele apareceu apressada. Claramente ele não queria que ela fosse embora antes.

- Está com fome? - Ela perguntou, se ajeitando no chão, se espreguiçando.

- Morrendo, na verdade.

- Macarrão com queijo no menu, se quiser. - Ele riu levemente.

- A sua especialidade. Seria ótimo.

Quando desligou, ela se apressou para a cozinha e começou a pegar os ingredientes, que no final não passava de uma caixa de macarrão e queijo. Esperou a água ferver e colocou o macarrão, se ocupando de ralar o queijo. Não sabia se ele iria querer falar sobre a história do fim de semana da confraternização. No hospital, ele não a tratou mal e não parecia bravo. Claro, ele tinha uma coisa muito mais importante para se preocupar do que aquilo. A saúde do pai dele era imensamente mais importante do que uma noite de sexo com alguém.

Talvez eles pudessem simplesmente deixar para lá e focar no importante agora, que era viver. A não ser, claro, que ele não quisesse mais nada.

Lily parou o que fazia, encarando o nada. James poderia muito bem não querer mais nada com ela depois de ter descoberto o que aconteceu. O peito dela apertou tão forte.

Um barulho de chave rodando no ar a tirou dos pensamentos e ela se virou para trás, vendo James encostado no batente da porta, a olhando.

- Há quanto tempo está aí? - Ela perguntou.

- Alguns segundos. Eu não queria te assustar enquanto usava o ralador.

James se desencostou e entrou na cozinha. Ele estava visivelmente cansado e abatido.

- Como está Fleamont? - Ela perguntou, se aproximando do balcão

- Bem, porém cansado. Remus garantiu que os exames estavam bons e que o cardiologista o assegurou que não há motivos para pânico, apenas sermos mais atentos e fazer um bom acompanhamento. Mas no geral, foi mais um susto e alerta de que algo não está do jeito que deveria. - Ele respirou fundo. - Ele contou piadas sobre a emergência durante todo o trajeto até em casa. Você não diria que ele passou por um quase infarto. - A última frase foi dita com um nó na garganta, ela percebeu.

- Este é o Fleamont Potter que conhecemos. - Ela disse, sorrindo para ele. - Por que não toma um banho e tire essas roupas de hospital? Vai se sentir melhor.

- Ótima ideia. Eu já volto.

James desapareceu da cozinha e ela voltou a sua atenção ao seu prato cinco estrelas. Quando o macarrão finalmente ficou pronto, ela preparou um prato com muito queijo, pois sabia que ele adorava. Ele não demorou muito para voltar com a sua calça de moletom que lhe caia muito bem e uma camiseta.

- Você não vai comer? - Ele perguntou, vendo apenas um prato no balcão.

- Eu não estou com fome, na verdade. Mas eu comeria uma fruta para te acompanhar. - Ela abriu a geladeira e pegou uma maçã. Quando se virou, James já atacava o prato. Ela sorriu ao vê-lo comer, era algo a menos para se preocupar.

Os dois comeram em silêncio. Lily terminou primeiro, claro e continuou sentada, o fazendo companhia enquanto ele acabava com o prato inteiro. James se esticou quando terminou de comer, parecendo satisfeito. Lily percebeu que ele ganhou um pouco mais de cor agora. Ele sorriu para ela.

- Estava delicioso.

- Parecia mesmo. - Ela riu levemente, vendo o prato vazio. Ela foi pegar o prato, mas James a impediu.

- Você cozinhou, então eu lavo. Ou a máquina lava, na verdade.

Tendo feito o seu serviço de manter James vivo e bem, ela se dirigiu para a sala, enquanto ele se ocupava de colocar a louça na lava-louça. Quando ele voltou para a sala, Lily pegou sua bolsa.

- Se você precisar de mim... - Ela começou, mas James a cortou.

- Você vai embora? - Lily o encarou. Ele parecia surpreso ao vê-la com a bolsa no ombro. - Você não vai ficar?

- Você precisa descansar, James. Está acabado de cansaço e eu não quero te impedir de dormir por nem mais um segundo.

- Fica comigo. - Ele pediu, se aproximando. - Durma aqui. Eu, honestamente, não quero ficar sozinho.

Aquilo quebrou o coração dela. O olhar dele era tão inocente e pedinte.

- James...

- Você não é obrigada a ficar, claro. Mas é apenas dormir. Quando eu digo dormir, é dormir, fechar os olhos e sonhar. No seu caso, babar também. - Ela bufou. - A minha cama é grande o suficiente para ficarmos separados a noite toda.

Ela quase respondeu que já conhecia a cama dele, mas o bom senso a impediu de soltar aquelas palavras.

- Ok. - Ela respondeu, tirando a bolsa do ombro. James abriu um sorriso enorme.

- Toma um banho, tire essas roupas. Eu vou te dar algo para dormir, venha.

Eles foram em direção ao quarto dele, enquanto Lily digitava uma mensagem para avisar a mãe de que não voltaria aquela noite, e James abriu a porta do guarda-roupa. Aquilo era um sinal verdadeiro de como eles haviam crescido: o guarda-roupa dele era cheio de ternos, camisas e gravatas, de variadas cores. Lembrava do guarda-roupa de James adolescente, cheio de camiseta, principalmente de banda de rock e muitos jeans e All Star. O moreno abriu uma gaveta e tirou uma camiseta cinza escura. Ela arregalou os olhos, surpresa.

- É a mesma? - Ela perguntou, aceitando a camiseta que ele oferecia.

- Sim.

Lily havia usada aquela camiseta do Star Wars quando tinha dezesseis anos e dormira na casa dos Potter após uma festa de família. Os Evans não haviam programado dormir por lá, mas uma tempestade muito forte devastou Londres naquela noite e eles foram obrigados a passar a noite. James havia lhe oferecido aquela camiseta para dormir.

Aquilo soava certo, porque ela usou aquela camiseta na noite que se reconciliaram, após terem ficado meses sem se falar por conta de Aleksia.

Seria um sinal de que as coisas iriam melhorar?

- Acho que vai servir como antes, você continua do mesmo tamanho. - Lily levantou os olhos para ele e fez uma careta. Ele ofereceu uma toalha e uma escova de dente e a deixou tranquila, saindo do quarto e fechando a porta. Tomou seu banho, muito feliz. Também não era a primeira vez tomando banho ali, então não se sentia deslocada ou sem graça. Apesar de, realmente, não ter crescido muito comparado aos seus dezesseis anos, outras coisas cresceram e a camiseta não era tão longa como antes, mas ainda sim cobria o essencial tranquilamente.

Começou a ficar um pouco tensa, agora que a preocupação do dia havia diminuído, tendo em vista que Fleamont parecia bem e estava em casa. As coisas não pareciam tão ruins quanto ela pensava que seriam entre ela e James. Ele parecia calmo (o máximo que podia estar naquele dia complicado, claro) e aberto com ela. Havia pedido para ela ficar, inclusive, o que lhe mostrava que ele queria sua companhia. Talvez ele tivesse ignorado Pomfrey e achado que aquilo era tudo baboseira e devaneios da vizinha?

Só havia uma jeito de descobrir.

Encontrou James na sala, assistindo o recapitulativo de algum jogo de futebol. Os olhos castanho-esverdeados estavam pequenos de sono e ela sabia que eles lutavam para ficar abertos. Olhou para o relógio e viu que era quase meia noite. Havia sido um longo e estressante dia para todos, e muito mais para ele.

- Você teve alguma notícia da sua mãe? - Ela perguntou, chamando a atenção dele. James se virou e sorriu ao vê-la usando sua camiseta.

- Não. E eu acho que é um bom sinal. Meu pai deve estar descansando com os remédios que foram dados.

- Bom! Você também precisa descansar. Não lute mais contra o sono, Potter. Você precisa dormir.

O moreno assentiu, desligando a televisão e vindo em sua direção. Sorrindo, ele pegou sua mão e a levou até o quarto novamente. Ela sabia que eles iriam apenas dormir, mas agora seu coração estava disparado de nervoso. Aquilo era novo para ela, era algo que eles nunca haviam feito e dada às circunstâncias, sua mente estava pirando um pouco.

James a deixou apenas para escovar os dentes e ela ficou parada ali, olhando para a cama, sem saber o que fazer. Lily foi até o banheiro, que estava com a porta aberta.

- Você dorme do lado direito? - Ela perguntou. James a fitou pelo espelho.

- Eu durmo aonde você preferir. - Ele respondeu, dando de ombros.

- Eu não tenho preferência, na verdade.

- Então deite e teste os dois lados. - Ele riu e colocou a escova na boca.

Voltando para o quarto, ela encarou a cama novamente. Lembrou do dia que acordou ali, há algumas semanas e estava do lado esquerdo. De alguma forma, ele deveria preferir o lado direito. Seu celular apitou e checou a mensagem de sua mãe, dizendo que a veria amanhã e desejando uma boa noite.

Se sentou na cama, enquanto conferia algumas mensagens. Viu uma de Edgar, enviada hoje mais cedo, querendo vê-la na semana que vem. Precisava conversar com ele o mais rápido possível, não podia continuar daquele jeito. Não sabia o que seria dela e James, mas ela não queria deixar Edgar pendurado nela, não era justo.

Se assustou levemente quando sentiu o lençol se movendo embaixo dela e olhou para trás, vendo James se sentando e sorrindo.

- Escolheu o seu lado, então?

- Me pareceu adequado. - Ela respondeu, deixando o celular em cima do móvel ao lado da cama e entrando embaixo dos lençóis. James apertou um botão do lado dele e as cortinas das grandes janelas se fecharam. Ele mexeu no celular e as luzes se apagaram. Ela riu, conhecendo cada sistema que ele estava comandando. Percebeu que James se deitou e muito longe dela. Parecia que tinha uma doença contagiosa. - James! - Ela o chamou.

- Sim?

- Não somos adolescentes, você sabe, né? Não precisa quase cair da cama para ficar longe de mim.

- Eu não quero que pense que pedi para ficar para tirar proveito ou algo do tipo.

- Eu não pensaria isso de você.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Então, ela sentiu duas mãos a segurando e a deslizando pela cama, enquanto James a abraçava. Ela não podia ver ainda, seus olhos não estavam acostumados ainda com a escuridão, mas não precisava ver para saber que os rostos estavam muito perto um do outro. James passava uma mão por suas costas, a acariciando.

- Está tudo bem se for assim? - Ele perguntou.

- Está ótimo! - Ela sorria. Ou ele ficava absurdamente longe ou ele ficava absurdamente perto. Ela, obviamente, preferia o James absurdamente perto.

Sentiu o nariz dele encostar no seu, bem levemente, a embalando em um carinho gostoso e que enviava uma onda de arrepios pelo seu corpo.

- Me desculpa! - Ele disse, em um tom baixo.

- Por que está pedindo desculpas? - Lily perguntou, chocada. Ela quem deveria estar pedindo, não ele.

- Primeiro, por não conversar antes com você sobre o que aconteceu ontem e a bomba que Madame Pomfrey jogou. Eu precisava digerir a notícia e acho que se fosse atrás de você, do jeito que eu queria, eu não seria justo. - Lily sentiu que ele virou o rosto, encarando o teto. - As coisas entre nós mudaram de repente, nós evoluímos tanto as coisas nos últimos dias...e saber que algo havia acontecido antes e eu não lembrava, me pegou um pouco desprevenido. - Ele riu. - Ter passado a noite com você era algo que eu gostaria de lembrar, sabe? Até agora me soa como algum tipo de brincadeira do Sirius, na verdade. Eu sei que você também não lembra, então deve se sentir um pouco assim também?

- Sim. - Lily confirmou. Por ele saber que ela não lembrava, ele devia ter conversado já com alguém que sabia. Talvez Sirius? Provavelmente Marlene havia contado ao outro maroto algumas informações. - Acho que por ter acordado e realizar o que aconteceu, a ideia do que aconteceu é mais forte para mim. Mas não lembrar do ato...sim, poderíamos dizer que Sirius nos embebedou, nos colocou na mesma cama para nos fazer crer que tudo aquilo aconteceu.

Eles caíram no silêncio por alguns minutos. Lily chegou a pensar que ele havia dormido.

- Minha mãe ficou bem chocada com tudo o que aconteceu hoje, sem surpresa nenhuma. - Ele se ajeitou na cama. - Quando os deixamos em casa, depois do hospital, ela começou a falar coisas bem profundas, o que foi um pouco constrangedor no começo, mas no final, estávamos Remus, Sirius e eu ouvindo tudo com atenção.

- Ela falou algo sobre como podemos planejar nossa vida o tanto quanto queremos, mas nada é garantia de acontecer? - Ela perguntou se lembrando da conversa mais cedo.

- Algo não muito longe disso, sim. Euphemia Potter nos contou um pouco sobre a sua vida. Eu não sabia que ela havia perdido um namorado em um acidente de carro na adolescência. Ela já conhecia o meu pai e ele era louco por ela, mas minha mãe já namorava quando eles se conheceram. Ela disse que foi uma perda muito violenta para alguém tão jovem quanto ela. Eles tinham planos de se casarem logo depois da escola...faltava apenas um ano para a formatura. - Lily ouvia com atenção a história. Euphemia já havia contado muita coisa sobre sua vida, mas essa era a primeira vez que ouvia sobre tal assunto. - Minha mãe aceitou o convite para ir à formatura com o meu pai, como amigos, porque ela não estava nem um pouco recuperada ainda. Foi naquela noite que meu pai a fez rir de verdade e a fez ver que, ainda que a vida do seu ex namorado havia sido brutalmente parada por um acidente, a vida dela continuava e ela não poderia se perder nessa tristeza eterna e raiva da vida, sentimentos tão negativos para honrar a memória do falecido namorado, quando ela poderia viver com amor.

- Ela estava viva, ela tinha que continuar a viver.

- Sim. - Ele fez uma pausa antes de continuar. - Essa história me chocou um pouco. Eles tinham me dito que tudo havia começado na formatura e que meu pai era louco por ela, mas não teve oportunidade antes de lhe convidar para sair...mas não que algo tão triste estivesse no meio.

- Eu imagino que o dia de hoje trouxe algumas memórias dolorosas para ela, assim como o fato do homem que ela ama ter tido um quase infarto.

- Pois é. Então imagina o quão pensativa, emocional e sensível ela esteve. E então ela começou a falar sobre perdas.

- Perdas?

- Sim. Sobre perder tempo, momentos, oportunidades e pessoas. - Ela o ouviu soltando o ar. - Eu não quero perder tempo, momentos e oportunidades com você. Eu acho que tive a minha cota de tudo isso no passado. O que aconteceu, o fato de que você escondeu a noite que passamos juntos, é tão mínima com o que podemos fazer à partir de agora, que eu não consigo ver motivos para ficar bravo. Eu poderia me afundar em uma raiva, chateação e revolta, mas onde isso seria melhor do que esquecer e poder estar aqui agora com você?

O peito de Lily se encheu de alegria ao ouvir aquilo. Não estava acreditando que estava sendo tão fácil. Estaria sendo fácil se Euphemia não tivesse conversado com os marotos mais cedo? Era impossível dizer algo sobre como ele estava no hospital, porque ela mesma não ficou pensando nisso e apenas estava preocupada com o bem-estar dele.

- Eu acho que é a minha vez, e eu deveria ter sido a primeira, em pedir desculpas. - Ela começou. - Eu realmente pensei que você iria pirar. Não posso dizer que foi uma decisão difícil fingir que nada aconteceu apenas para manter nossa amizade quando eu descobri que você não se lembrava. Foi cômodo para mim, mas muito egoísta. Eu não fiz isso para te prejudicar, eu apenas não queria te perder.

Os dedos de James acariciaram seus cabelos fazendo Lily se deliciar em uma onda de prazer com aquele gesto.

- Eu sei que deveria não gostar, mas eu gosto.

- Do que? - ela perguntou.

- Que você fez isso para não me perder. Eu não consigo não me sentir bem em saber que você lutou por nós. Saiba que está mais do que perdoada e eu nem quero culpá-la for ter feito isso. Na verdade, eu quero pedir desculpas de novo, mas por ter te deixado lidar com a notícia sozinha. Eu acho que não deve ter sido muito agradável acordar e descobrir que dormiu com o seu melhor amigo, ainda mais com aquele estúpido pacto. Eu não sei como conseguiu guardar essa informação com você. Ainda mais com tudo isso acontecendo entre nós.

Lily respirou fundo. Foi a vez dela levantar a mão e passar pelos cabelos dele.

- Desagradável não é a palavra certa. Desespero se encaixa melhor. - Ela parou por um momento. Estar tendo aquela conversa no escuro parecia mais fácil. - Eu fiquei morrendo de medo de você surtar e se afastar.

- Eu nunca faria isso, Lily.

- Eu não sabia das coisas que eu sei hoje, era diferente. Eu só lembrava que você havia proposto o pacto e de que havíamos quebrado aquilo. Você disse, há anos atrás, de que esse tipo de coisa só arruinaria a amizade. Na minha cabeça, você veria assim.

Foi a vez dela ouvir James respirando fundo.

- Nós devemos parar de dar ouvidos ao James de doze anos. Ele era um idiota. Como dois adultos seguem tão à risca palavras trocadas por duas crianças?

- Nós tínhamos boas intenções com essas palavras, mas não podíamos contar com o que estava vindo.

- Eu me arrependo de cada maldita palavra sobre esse pacto. - James murmurou. - Ele apenas nos atrasou. Eu sinto que perdi anos que poderia estar com você.

- Nós não podemos mudar isso mais. Agora já passou e, de qualquer forma, nós estivemos sempre juntos. Eu gosto da minha infância e adolescência e todas as memórias que tenho com você. Eu não sei o que seria caso não tivéssemos o pacto, mas eu sou muito grata por estar aqui hoje com você.

James a cerrou mais forte em seu braço, a fazendo o abraçar forte de volta. Aquela era uma sensação absurdamente boa. Ela gostaria de saber como seria a sua vida caso passasse sua adolescência beijando James, descobrindo as coisas com ele, mas não queria focar naquilo, sendo que eles tinham o presente e o futuro para escreverem.

- Podemos apenas fingir que aquela noite não aconteceu? Eu não quero pensar na minha primeira noite com você sendo algo apagado pelo álcool. - A voz dele estava fraca, muito sonolenta, como se ele estivesse em um quase sono e brigando para ficar acordado.

- Eu aceito. - Ela respondeu baixinho, não querendo tirá-lo daquela névoa de sono que ele tanto merecia.

- Bom, porque a nossa primeira vez será sóbria e inesquecível!

Notou que a respiração dele ficou mais lenta e sorriu. Agora era hora dela mesma se deixar ir para os braços de Morfeu e ter um sono tranquilo nos braços de James.


N/A: hehehehehe Cheguei antes e espero que tenha pego vocês de surpresa :P Perdoem erros ou algo assim, esse capitulo não foi o mais betado desse mundo. Me avisem se tiver algo muito nada a ver, por favor hahahaha

Resposta para reviews sem login:

Lene Mckinnon: HAHAHAHAHAHA imaginei que ninguém estivesse pronto para a bomba do cap anterior LoL assim que eu gosto. Quero susto, porrada e bomba :P

Beijos e até a próxima! hehehehehe