Naruto, obviamente não me pertence.
"A vida é um eterno carnaval. Por isso existem máscaras caindo o tempo todo!"
Capítulo 20 – Máscaras.
Eu subi as escadas principais da frente do prédio totalmente trêmula. Sentia dificuldades para respirar, demorei quase meia hora dentro do elevador sem apertar o botão do meu andar com medo do que Ino poderia dizer ao me ver. Assim que criei coragem e apertei o botão, cheguei no meu andar entrando em casa e dando de cara com a minha melhor amiga colocando nossa série favorita na TV.
— Você demorou! Onde estava? Disse que ia vir direto para casa! Quase que eu não te espero, saiu o episódio novo da série. — disse Ino animada, não respondi, só sentei no sofá. — O que foi Sakura?
— Ele está apaixonado por mim.
— Ele quem?
— Sasuke.
— O quê? Como você sabe? — disse sentando do meu lado.
— Ele disse — contei para ela tudo o que tinha acontecido. Eu não estava conseguindo pensar direito, talvez Ino pudesse me ajudar a entender o que estava acontecendo. — Mas ele só fica dizendo que é complicado, que é perigoso. Mas eu não entendo.
— Sasuke é estranho.
— Essa situação é estranha. Eu… estou apaixonada por ele também.
— Eu sabia que isso ia acontecer.
— Ino — repreendi.
— Como foi? — ela me encarou com os olhos brilhando. — O beijo?
— Nunca senti nada parecido. Foi incrível, mágico. Parecia que eu finalmente estava no lugar certo sabe? Que aquele beijo era o certo! Mas para ele foi um erro — disse ainda magoada.
— Olha Sakura, eu não sei o que falar. Essa situação é muito chata, mas acho que você precisa de tempo.
— Tempo?
— É. Já tem três anos que trabalho na Uchiha's, e nunca vi ninguém conseguir se aproximar assim do Sasuke, além do Naruto, mas ele não conta. Eles já eram amigos antes de trabalhar juntos.
— Pensei que eles tinham se conhecido no escritório.
— Eu também, mas eles se conheceram na faculdade, na verdade Sasuke e Naruto eram da mesma turma, a Karin também os conheceu lá, mas era de turma diferente. Mas isso não importa. Vamos voltar ao assunto que interessa?
— Tá legal, tempo. Tempo para quê?
— Você conseguiu furar a bolha onde Sasuke se esconde. Se aproximou e sabe mais dele do que qualquer um de nós. Talvez com um pouco mais de tempo você pode conseguir descobrir o que ele tanto esconde, o que é tão perigoso — mas a cara dela estava estranha ao dizer isso.
— O que o seu sexto sentido mágico diz?
— Pra você ter cuidado. Acho que o Sasuke pode ser a melhor ou a pior coisa que te aconteceu — Ah, ótimo Ino, obrigada. Como se eu já não tivesse coisas o suficiente para pensar — Mas vamos mudar de assunto? Me explica direito que estória é essa de perseguição?
— Pois é. Não sei o que aconteceu para ser mais exata com você amiga. Eu entrei no carro, sai da garagem e ai do nado um carro preto começou a me seguir, me passava, buzinava, voltava e ficava na minha cola. Passei em frente ao nosso apartamento mas fiquei com medo dele ser algum maluco ou quem sabe o Kakashi. — Ino me encarou com uma sobrancelha erguida. — Resolvi voltar para o escritório. Sai do carro e quando pisei na calçada o carro passou a centímetros de mim cantando pneu. Seu Jorge e o moço do prédio vizinho me ajudaram. — Suspirei. — Ai o Sasuke me trouxe em casa.
— Você não anotou a placa do carro ou qual era o carro?
— Amiga, eu fiquei cega. Só queria sair daquele caos. — Ino acariciou meus cabelos beijando-os em seguida. Era notável que ela estava preocupada comigo. Não queria que o dia dela ficasse ruim por minha causa. — Como foi com o Naruto? — perguntei mudando de assunto.
— Tudo ótimo, até o carro de morrer. Fomos no cinema e estava tudo lindo, mas quando viemos embora o carro não queria pegar, ficamos quase uma hora esperando um guincho.
— E você ama esperar, né?
— Ah, esperar beijando é até legal. Começou, vou pegar a pipoca. — foi correndo para a cozinha e voltou com o balde enorme de pipoca doce. Tirei meus sapatos e me deitei no colchão inflável que Ino colocou no chão da sala e começamos a ver a nossa série sobrenatural favorita, mas nem mesmo os vampiros, bruxas e lobisomens conseguiram desviar meus pensamentos de Sasuke.
No dia seguinte, Sasuke chegou e logo se trancou no escritório. Ele estava de volta a sua caverna, totalmente frio, distante e profissional. O meu "bom dia" não foi respondido, como na época em que não éramos amigos. Eu não devia ficar tão mexida com isso, mas fiquei. Poxa, nos beijamos ontem, e não foi só uma vez. Foram duas! Por que ele não agia naturalmente? Depois de ontem, daquele beijo e daquela conversa interrompida por Naruto, eu precisava de mais.
Mas seu comportamento deixava claro que ele não me daria mais nada. Infelizmente, Karin flagrou Sasuke me ignorando, e isso foi motivo para mais uma provocação.
— Parece que o romance não está em seus melhores dias. O que houve? Ele descobriu seus planos?
— Karin, pela milésima vez. Não tem plano nenhum. Eu não tenho, nunca tive e nunca terei nada com Sasuke. — não por escolha minha, mas ela não precisava saber disso — eu estou aqui para trabalhar. Apenas isso, trabalhar. Como você. Então faz o seu trabalho que eu faço o meu.
— Olha, ela está nervosinha. — disse sorrindo — Com certeza seus planos deram errados. Não vou negar, estou feliz por isso. Não é todo mundo que engana Sasuke assim por muito tempo e sai ileso. Estou aguardando ansiosa sua demissão. — piscou para mim e deu a volta dando de cara com Naruto.
— E por quê ela seria demitida? — ela não respondeu, estava de costas para mim, mas sem dúvidas podia apostar que ela estava bem surpresa — Então Karin, estou esperando. O que a Sakura fez de tão grave para ser demitida?
— Ela… confundiu uns documentos de clientes muito importantes e isso gerou uma bagunça — improvisou.
— E por isso Sasuke vai demiti-la? — Naruto arqueou a sobrancelha, olhando para ela, depois para mim e para ela de novo. Seu olhar era bem intimidador e eu dei uma leve estremecida. — convenhamos, isso não é nada que ela nunca tenha feito, Sasuke foi tolerante antes.
— Mas… mas… é que ele vai ficar furioso.
— Sakura, que documentos são esses?
— Eu não sei do que ela está falando, Naruto. — disse a verdade, não ia queimar meu filme por conta de uma advogadazinha louca.
— Então tem algo errado. Se você não fez confusão nenhuma, por que a Karin aguardaria ansiosamente a sua demissão?
— Eu não sei Naruto. — eu estava bem confusa, apesar das provocações, eu realmente não sabia o motivo de Karin fazer tudo isso, portanto eu não menti.
— A pergunta volta para você então. — disse Naruto olhando para Karin com o semblante sério — Não vai me responder? Tudo bem, eu acho que talvez o Sasuke queira saber sua resposta.
— Não! — disse de imediato — Não vamos incomodá-lo com coisas bobas.
— Creio que uma demissão não seja coisa boba — rebateu.
— Eu me expressei mal, não vai acontecer novamente. — disse apressada — Garanto! Agora, eu tenho uma audiência, preciso ir. — colocou a bolsa ao lado e se virou novamente, me fuzilou com os olhos, antes de Sasuke abrir a porta.
— Sakura, liga para a agência de viagens e… O que está acontecendo aqui?
— É o que eu estou tentando descobrir — disse Naruto — Parece que a Karin acha que a Sakura vai ser demitida.
— Ah é? Por que? — Sasuke perguntou franzindo o cenho de um jeito extremamente sexy.
— Eu adoraria continuar essa conversa, mas tenho uma audiência agora Sasuke, e você mesmo diz que não podemos deixar ninguém esperando. Pontualidade é essencial aqui na Uchiha's. — disse Karin nervosa e apressada.
— É sim, tudo bem. Eu não estou com tempo para suposições e fofocas. Você pode ir Karin, mas fique sabendo que o único que sabe a hora de demitir ou contratar alguém aqui sou eu. E não se preocupe com o emprega da sua colega, não pretendo desligá-la da Uchiha's. — se virou para mim, e ignorou completamente a existência de Karin v liga para a agência de viagens, preciso estar na Holanda na quinta-feira. Você tem passaporte? — eu ainda estava assustada e confusa com o que estava acontecendo, mas consegui assentir. — Ótimo, providencie tudo. Estou de saída e não vou atender ligações, resolve tudo para mim. Naruto, depois do almoço venha até minha sala, por favor, preciso falar com você. — ele se virou para sair e encontrou uma Karin paralisada — Karin, eu achei que estivesse atrasada. — ela nada respondeu, foi para a saída de emergência e desceu as escadas evitando ficar com Sasuke no elevador. Assim que as portas do elevador se fecharam e Sasuke se foi, eu soltei a respiração que até então não havia notado que havia prendido e me joguei na cadeira.
— E então? Estamos só nós dois aqui. Não vai me contar o que aconteceu?— Naruto perguntou.
— Naruto, não sei o que aconteceu.
— Tudo bem — ergueu as mãos em sinal de rendição — Você é quem sabe, só estou tentando ajudar. Não é de hoje que eu percebi que o clima entre vocês duas anda tenso. Quando quiser falar, sabe onde me encontrar. — piscou e foi para sua sala.
Quase no fim do expediente, Sasuke parou na frente da minha mesa, me desconcentrando completamente, enquanto eu falava com um americano irritado que sua reunião com ele deveria ser reagendada por conta da viagem. Pra onde mesmo?
— Posso ajudar? — perguntei e ele sorriu. Por que ele sorriu? Ele não foi capaz de responder o meu "bom dia" e agora estava sorrindo para mim. Se existia alguém mais bipolar no universo que Sasuke, eu desconheço.
— Já consegui as passagens para Holanda? — Ah Holanda! Eu sabia.
— Já. — menti — estava remarcando alguns compromissos da sua agenda. Os americanos não estão muito felizes.
— Droga, esqueci deles. — ele pressionou a testa como se estivesse com dor de cabeça — Mas conseguiu uma nova data?
— Sou sua assistente, se eu não conseguisse não estaria a altura para o cargo.
— Que sorte a minha. — disse abrindo um sorriso que com certeza, teria me feito desmanchar por inteira até ontem. Hoje aquele sorriso me deu nos nervos.
— O que foi? Por que está sorrindo assim? Está feliz?
— Na verdade não.
— Ah então é só para me irritar? Ou é para me deixar no escuro como na noite passada?
— Eu jamais irritaria você.
— Mas com certeza quer me deixar no escuro.
— Aqui não é lugar para essa conversa.
— E existe algum lugar para essa conversa?
— Vai ter uma recepção no Hotel Fasano está noite — Lá estava ele de volta para a casinha profissional e me ignorando por completo. Se esse era o jogo, eu estou pronta para jogar.
— Não tem nada marcado na sua agenda.
— Eu sei, esqueci de te mandar. É um problema? Posso ir sozinho se não puder.
— Quer que mande buscar o seu smoking preferido? — ele sorriu.
— Não precisa. Vou direto daqui, tenho uma videoconferência com os holandeses e…
— E o quê?
— Você não precisa ir se não quiser.
— Sasuke, você me paga para cuidar da sua vida e ficar atrás de você que nem um cachorrinho. Não se trata se eu quero ir ou não, é minha obrigação.
— Você sempre tem uma resposta na ponta da língua né?! Acho que é uma das coisas que eu mais gosto em você.
— Pensei que aqui não fosse local para esse tipo de conversa.
— Que conversa?
— Eu posso ser demitida se eu te mandar sumir da minha frente?
— Hoje não. — piscou e voltou para sua sala.
Foquei no meu trabalho e resolvi todas as pendências de Sasuke e comprei as passagens, me lembrei do sonho que tive com a minha mãe a algumas noites atrás. Ela estava animada por uma viagem para a Holanda, mesmo lugar para onde eu iria com Sasuke. Não sei se era uma coisa boa, mas era o meu trabalho e eu tinha que ir.
A recepção no hotel sei lá o que, foi de longe a mais chata de todas que já acompanhei Sasuke. Ele também não estava se divertindo e aposto que queria ir embora tanto quanto eu. Não era evento luxuoso como os outros mas tinha muitas mulheres, bem elegantes, e minha simplicidade foi evidenciada pela blusa social e o jeans preto. Minha sorte é que eu e Ino usamos o mesmo tamanho de sapatos, de mofo que no fim do expediente pude trocar as minhas sapatilhas gastas pelo salto preto novo que ela usava e que combinou com a minha roupa. Sasuke notou a mudança no elevador, mas não comentou nada. Apenas riu sozinho e como eu estava irritada com ele não respondi, só ignorei. No caminho de casa estávamos calados e o único som que se ouvia era o rádio que tocava uma música clássica. Até que ele resolveu puxar assunto.
— Nem acredito que acabou. Se a senhora Fernandes falasse por mais dez minutos eu explodiria.
— Era o que estava de azul exibindo o belo par de peitos para você?
— Era. Ela não estava exibindo nada para mim. E como sabe que ela tem silicone?
— A natureza não seria tão legal de dar tudo aquilo de presente para ela. — ele riu — mas a voz dela era meio chata mesmo.
— Tem planos para a noite? Ainda tá cedo.
— Tenho, dormir. E esquecer que o dia de hoje existiu — suspirei.
— Antes disso, me acompanharia em um jantar? Estou morrendo de fome e pelo que eu vi você também não comeu, deve estar com fome também.
— Você me convidando para jantar? Sua vida mudou por acaso? — não resisti e tive que dar uma alfinetada.
