Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 24 - Uma reportagem e ciclos encerrados.
O dia amanhecia esplendoroso, embora talvez não fosse assim para uma mulher que encontrava-se desesperada há dias. Tinha posto muito tempo e esforço em voltar a enlaçar aquele que um dia foi seu marido, mas até aquele dia não teve nenhum avanço. Sabia que se queria conservar o estilo de vida que levava e todas as coisas que ambicionava, precisava tê-lo, já que não tinha tempo nem recursos para pensar em outro plano.
Pegando o jornal daquela manhã, começava a tomar seu café da manhã. Na capa tinha várias notícias e uma nota breve da exposição de arte do dia anterior que dirigia aos leitores a outra parte do jornal onde estava a reportagem completa.
Bufando, lembrou-se daquela maldita de cabelo rosa com quem esbarrou no dia anterior. Com um sorriso arrogante, abriu o jornal na parte que devia falar sobre a reportagem, esperava poder ler que sua exposição em específico foi um completo fiasco. Segundo ela, era o que aquela grossa merecia, mas não pôde ler nada porque uma das fotos que tiraram na noite anterior atraiu toda a sua atenção. A surpresa, indignação e cólera que lhe fez sentir essa foto conseguiu até tirar o seu apetite.
Depois de uma noite cansativa em vários sentidos, Remus e Tonks levantaram-se alegres, embora um pouco esgotados. Enquanto a mulher foi ajeitar algumas coisas para preparar o café da manhã, o castanho ia pegar o jornal do dia para ler durante a refeição, como de costume. Era chamado de "O Profeta" e era um dos poucos que tinha sobrevivido à chegada da internet e continuava vendendo sem dar muita importância a fofocas.
Depois que estiveram juntos na cozinha, se dispuseram a preparar algo leve. Sem dúvidas os dotes culinários de Dora tinham melhorado muito com toda a prática que tiveram. Sentaram-se juntos na mesa e começaram a comer entre conversas. Não demorou muito para que o celular de Remus começasse a tocar.
— Alô — respondeu o homem, engolindo o que tinha na boca — Ah, oi, Sirius. Não, ainda não li o jornal. Por quê? Algo interessante? — isso chamou a atenção de Dora também — Ler a seção de cultura... Sim, eu tenho... mas, Siri... Desligou — exclamou no final, deixando o telefone sobre a mesa.
— O que meu tio queria? — perguntou Tonks, que estava tão curiosa quanto ele.
— Não entendi muito bem, mas disse que tinha algo interessante no jornal de hoje — explicou o castanho. Pegando o jornal, abriu na seção que Sirius tinha dito e deixou sobre a mesa para que pudessem ler juntos. Entre os dois, deram de cara com uma foto em específico.
Na coluna, tinha uma reportagem completa da exposição, mas em uma parte da folha encontrava-se uma foto colorida, onde uma jovem de cabelo rosa dava um beijo apaixonado nos lábios de um homem castanho. A boca de Dora abriu-se na mesma hora enquanto Remus se viu impossibilitado de desviar o olhar da foto, se perguntaram como não perceberam quando foram fotografados. Ainda impressionados, se puseram a ler a reportagem.
"A exposição realizada por parte da renomada artista Charity Burbage para apresentar alguns de seus estudantes como as "futuras promessas da arte" foi, como já se imaginava, um completo sucesso, mas entre as promessas foi umas poucas que se sobressaíram mais.
Nymphadora Tonks é sem dúvidas a que mais chamou a atenção, uma prova disso foram as cinco obras vendidas em variados preços, embora outro expositor conseguiu vender quatro de suas obras, foi essa jovem a que recebeu menos críticas negativas conforme seu estilo de arte. "Desde o primeiro momento, notei seu grande potencial, e em muito curto tempo, conseguiu refinar sua técnica, e embora só esteja começando, continua tendo o mesmo potencial que eu já tive um dia" declarou a própria Charity Burbage.
Um ponto que talvez deva se mencionar, é que apesar de usar o sobrenome de sua família, a jovem artista se encontra felizmente casada com o também renomado arquiteto Remus John Lupin. "Apesar de usar seu nome de solteira, Nymphadora e Remus levam uma relação muito estável há vários meses, não creio já ter visto um casal mais unido que eles" declarou Burbage, dando um ponto final nas insistentes perguntas de um repórter companheiro.
Pelas fotos tiradas do casal, pode-se comprovar a veracidade da declaração de Charity. Sem dúvidas, contradiz a crença de que não se pode ter sorte no amor e no trabalho ao mesmo tempo."
Quando terminaram de ler, ficaram sentados na frente da mesa sem dizer uma só palavra.
— O que foi isso? — perguntou Dora, que foi a primeira a falar enquanto levantava-se — Entendo que falem da exposição, mas por que se metem na minha vida pessoal? — reclamou — Não é que me incomode que saibam que estamos casados, mas mesmo assim...
— Muitos jornalistas não têm escrúpulos — interveio Remus, pensando em alguns em específico — Não devem ter deixado Charity em paz até que teve que dizer algo a respeito.
— Claro, só procurando rumores e fofocas — exclamou a garota.
— Mas esqueça disso, melhor terminarmos de comer e então irmos visitar seus pais — lhe propôs.
— Sim, sim, está bem — disse, relaxando-se e voltando a se sentar — Remus, já que saiu o tema, queria te falar algo. Conhece um tal de Firenze Robertson?
— Firenze? — ele repetiu — Sim, há algum tempo falei com ele, quando ele tomou o controle da organização Centaurus. Quando me ofereceu uma bolsa para estudar, lembra? — ela assentiu — Pessoalmente, me pareceu uma boa pessoa. Mas por que pergunta?
— É que o encontrei ontem na galeria — contou para sua grande surpresa — Ele e seu sócio, Alastor, falaram comigo, me perguntaria se gostaria de pintar um mural para um lugar que eles têm.
— Bom, sem dúvidas soa interessante, mas que tipo de lugar?
— Acho que já vai saber. Quando disse que era meu marido, se mostraram interessados em falar contigo. Disseram que pensavam em fazer uma remodelação e pensavam em ir falar contigo...
— Bom, nesse caso, eu falarei com ele em algum momento — comentou, terminando o que tinha em seu prato.
Depois de lavarem o que tinham sujado no desjejum, escolheram a roupa que usariam no dia. A jovem foi ao seu estúdio pegar uma pintura que tinha feito especialmente para dá-la aos seus pais.
Conduziram tranquilamente até a casa dos Tonks, onde já eram esperados. Estacionaram o carro do lado de fora e aproximaram-se da porta, foram recebidos por Ted, que os levou até a sala. Andrômeda demoraria para descer, já que estava tomando banho, então conversaram sobre qualquer coisa até que chegasse.
— Olá, minha menina — cumprimentou Dromeda quando chegou.
— Oi, mami — levantou-se de sua cadeira e abraçou-a — Ainda está fraca pelo tratamento, não é? Quando vai terminar?
— O médico diz que dentro de dois meses poderemos terminar — respondeu com um sorriso — Remus, meu genro, como está?
— Muito bem, Andrômeda, um prazer voltar a vê-la — disse para depois dá-la um rápido abraço.
— Certo — disse Dromeda, indo sentar-se com seu marido — O que acharam da menção pública do casamento? — perguntou risonha.
— Viram o jornal, não é? — perguntou Dora — Bom, pessoalmente achei fora do tema.
— Justo o que esperaria de você, filha — comentou Ted.
— Mas bom, já que sua relação é pública, me digam. Quando vão me dar um neto?
— Mamãe!
— Minha vida não é eterna e eu queria ver um menininho correndo pela casa como você fazia.
— Chega, mãe — a jovem envergonhado a fez parar — Bom, deixando isso de lado, queria lhes dar uma coisa — pegou o quadro e então passou para sua mãe.
— É lindo, filha — exclamou sua mãe.
— E talvez algum dia valha muito.
— Obrigado, filha, mas também poderia interpretar de outra forma — comentou Ted, ganhando olhares curiosos das mulheres.
— Acho que o que Ted quer dizer é que o presente pode se interpretar como um "eu avisei" pelas reclamações que fizeram por sua escolha de carreira — disse Remus.
— Exato, isso seria característico de uma Black.
— Ei! — reclamaram ao mesmo tempo as duas mulheres por seu comentário.
Toda a tarde estiveram desfrutando de uma agradável reunião familiar, as discussões pelo trabalho ou vida amorosa de Dora ficaram no passado, e em seu lugar Andrômeda de vez em quando falava sobre o tema de seu neto e quanto mais demorariam para dá-lo.
Já era hora do jantar em sua própria casa e nem Remus nem Tonks se lembravam mais do artigo que leram pela manhã, então foi uma noite tranquila. Quando terminaram de ajeitar tudo, se dispuseram a ir dormir, estavam no escuro do quarto abraçados quando veio algo à cabeça dele.
— Dora — disse a jovem, que lhe respondeu com um grunhido — Posso perguntar uma coisa?
— Claro — respondeu — Não tem nada a ver com a obsessão da minha mãe por um neto, não é?
— Não — ele riu — Bom, é uma dúvida sem muita importância — assegurou —, mas de manhã pude ver no estúdio que ainda tem o quadro que fez para aquela prova há muito tempo, a que Charity gostou.
— Sim, ainda a tenho. Por quê? — perguntou sem entender qual o seu ponto.
— Bom, eu só estranhei que não tenha posto na exposição — explicou-se.
— Ah! É isso? Não sei — começou a garota — Não costumo ser muito sentimental, mas esse quadro foi muito importante para o meu desenvolvimento. Além do mais, pintei depois que nós, bom, nossa primeira vez, você sabe — disse meio corada — Não queria me desfazer dela.
— Entendo — disse o homem.
— É tudo?
— Bom, quanto ao neto...
— Boa noite, Remus — o interrompeu, acomodando-se na cama.
Os dois sabiam que era uma brincadeira dele, mas mesmo que não soubessem, só estava assimilando de certa forma a possibilidade de que fossem pais, talvez com isso não procurassem ter um filho, mas se acontecesse, seria mais fácil de aceitar a notícia.
A semana de trabalho começou, e na construtora Potter tudo estava desenrolando-se com bastante normalidade, os empregados iam começando assim como alguns clientes que tinham reunião cedo naquele dia, parecia que nada de ruim aconteceria, então ninguém esperaria o escândalo que aconteceria naquela manhã.
James, Sirius e Remus estavam chegando coincidentemente no mesmo horário, não era estranho ver o moreno e o castanho chegando ao mesmo tempo, mas Black parecia não ter um horário fixo de entrada. Podia chegar ao mesmo tempo que os amigos ou algumas horas depois, principalmente em uma segunda-feira, já que ele ia para a farra aos finais de semana.
Os três homens iam entrando pelo saguão do edifício conversando, escutaram as brincadeiras de Sirius pela reportagem de sábado, quando logo uns gritos agudos e altos foram escutados por todo o lugar. Rapidamente viraram-se e conseguiram ver uma Nicole descontrolada sendo segurada por um dos seguranças.
— Me solte, desgraçado!
— O que está acontecendo aqui? — perguntou James por cima dos gritos da mulher.
— Seu infeliz! — acusou a mulher, apontando na direção de Remus — Por que não me disse que era casado?
— Porque não...
— Espera, Sirius — o interrompeu, era algo que devia fazer ele mesmo, precisava fechar aquele capítulo de sua vida de uma vez por todas — Nicole, com todo o respeito, minha vida pessoal não é da sua conta — garantiu com firmeza.
Ela finalmente conseguiu se soltar do segurança e aproximou-se dele. Os empregados e todos que estavam no lugar, até mesmo os que estavam chegando e algum ou outro que estava passando, ficaram paralisados observando e escutando a cena.
— Que pouco homem é para dizer isso.
— Olhe só quem fala, se casou por conveniência e enganando as pessoas para tirar o dinheiro delas — retrucou Remus — Diga-me, no que isso te torna?
— Eu não sou uma vagabunda! — disse com o mesmo ódio com que o olhava.
— Não disse que era, foi você quem se classificou assim.
Seu tom calmo e sua expressão indescritível sem dúvidas era o que mais incomodava a mulher.
— Mas como pode estar casado com aquela maldita pirra...
— Não vou permitir que fale dela dessa forma — a interrompeu, foi quando deixou mostrar um pouco de sua ira.
— Ah claro — exclamou com raiva a mulher — Ela te tem na coleira.
— Que curioso você dizer isso — ele riu com ironia — Não era justamente o que você estava procurando? Fazer com que caísse aos seus pés para te ajudar com a herança do seu terceiro ex-marido, e de quebra se aproveitar do meu dinheiro — a mulher o olhou surpresa — Sim, eu conheço bem essa história.
— Você não me conhece — retorquiu Nicole, sem conseguir olhá-lo.
— Claro que sim, você mesma me contou da sua vida, ou já esqueceu? Como quando era só uma menina, sua família apenas tinha o que comer, e agora que é mais velha, se desviou do bom caminho, esforçando-se em enganar e mentir só para conservar inúteis riquezas.
— Inúteis? No mundo, as pessoas são medidas pela fortuna que têm.
— Só pessoas tão infelizes como você pensam assim. Tem milhares de coisas mais valiosas do que o dinheiro. Meus amigos e minha esposa sentem raiva de você, mas eu não, eu sinto pena — ele disparou — Tomara que algum dia se arrependa, mas agora, deve viver na imundice que você mesma criou — e então fez um sinal para que o segurança a tirasse dali.
Entre gritos, blasfêmias e insultos, a mulher foi tirada da construtora, enquanto que Remus com muita dignidade afastava para seu escritório, fingindo não escutar tudo o que diziam.
— Remus, Remus, Remus, espera — falava Sirius que o alcançava seguido por James — Isso foi incrível! Embora eu preferisse ver um pouco mais de ação, e até um pouco de sangue não faria mal, mas quando disse que sentia pena dela, a cara dela foi... foi espetacular!
— Sabe que não sou tão violento quanto você ou Hollie — comentou.
— Mas ainda assim merecia ter recebido pelo menos um tapa — argumentou o moreno, enquanto Lupin negava com a cabeça.
— Remus — disse James antes de separarem-se e ir cada um ao seu escritório — Está tudo bem com...? Bom, está tudo em ordem?
— Sim, James — respondeu depois de pensar um pouco — Está tudo em ordem — e sem dizer mais nada, foram trabalhar.
O incidente da manhã foi bastante forte, mas apesar disso Remus estava bastante tranquilo em seu escritório. Tinha dito o que tinha que dizer, e sabia que de uma vez por todas aquela velha história tinha chegado ao fim, talvez em algum momento teria a desgraça de voltar a esbarrar com ela, mas já não o afetaria nem um pouco, pois ele já estava em paz. Começaram a bater em sua porta, então seus pensamentos foram interrompidos, voltando à realidade, deu passagem para a pessoa que devia estar do lado de fora.
— Desculpe incomodá-lo, senhor Lupin, mas tem um visitante, diz que é importante — informou sua secretária.
— Muito bem, deixe-o entrar — pediu a mulher.
Era curioso que alguém fosse diretamente vê-lo, geralmente contatavam primeiro a James e então era informado, então talvez fosse uma visita social em vez de profissional, embora também fosse uma alternativa pouco provável.
— Boa tarde, jovem Lupin, é um prazer voltar a vê-lo — cumprimentou um homem loiro com um grande sorriso quando entrou ao escritório dele.
— Firenze Robertson — exclamou o castanho, pondo-se de pé quando viu de quem se tratava — Passaram-se muitos anos desde a última vez que nos vimos.
