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*Pov. Autora*

Os arcos de pedra podiam ser vistos de grandes distâncias, mesmo com a abundante vegetação ao redor.

Ao céu, uma mancha branca se movia com leveza, usando o vento a seu favor, em volta das grandes rochas, parecia procurar por algo.

Era Kagura, em sua pena, na companhia de Kanna.

– Ainda não entendo o que Naraku espera que eu encontre nesse lugar esquecido por Deus. – resmungou para si mesma.

– Apenas os humanos esqueceram esse lugar, Kagura. Veja...

A voz da menina inexpressiva veio num sussurro, fazendo com que a maior lhe olhasse por sobre o ombro por alguns segundos, antes de olhar para a direção que Kanna apontava.

Abaixo delas, em meio a floresta, podiam ser vistos muitos olhos, vermelhos como o sangue, as encarando com grande fúria.

Mas tão rápido quanto estavam lá, já não estavam mais.

– O...o que raios foi isso, Kanna?! – um arrepio havia passado pela espinha de Kagura ao ser encarada por aqueles olhos e ela se virou assustada para a menina do espelho a suas costas. – É por isso que Naraku procura? Um bando de selvagens?

– Não. Ele procura um ser antigo. Existe um rumor de que ele foi lacrado nessa floresta, em meio aos restos do reino. Mas parece que não nos deixarão chegar mais perto que isso das ruínas.

A menina desviou os olhos vazios da floresta abaixo de si e encarou os da irmã, ajeitando seu espelho no colo.

– Isso foi inesperado, Kagura. Vamos voltar.

– Tch...é? Então Naraku está interessado em algo assim?

Ela perguntou ao vento, pois sabia que Kanna não lhe responderia. Mudou a direção da pena voadora.

Maldito, o que estará aprontando dessa vez? Kanna não irá me contar os planos de Naraku.

Talvez seja hora de visitar ele novamente...

Logo as duas sumiam de vista.

...

Em meio a vegetação, escondidos pela escuridão da floresta, apenas se via os mesmos olhos vermelhos de antes.

Observavam as duas youkais se afastarem.

Em meio a fúria de tantos pares de olhos, dois pares se destacavam por seus olhos serem azuis como o oceano.

– Elas estavam aqui procurando por aquela coisa. Eu sabia que deveríamos tê-lo destruído quando tivemos a chance! O que faremos agora, Oyakata-sama?

Um rosnado soou pela floresta. Grave e furioso.

– Acho que isso responde sua pergunta, seu estúpido! Pare de deixar o papai zangado com suas perguntas idiotas e venha me ajudar a fortalecer o lacre!

– Para quê?! Se esse tal de Naraku for tão forte como dizem não vai adiantar de muita coisa...e além do mais ele já está com a jóia quase completa! Aquela estúpida da nee-san não conseguiu junt...

SILÊNCIO!

A voz bestial interrompeu a fala, acompanhada da silhueta de um grande youkai em meio as folhagens.

– Vocês dois! Saiam daqui. Vão e fortaleçam o lacre!

Uma das patas do grande youkai se revelou, quando este deu um passo à frente, assim como o resto do corpo foi vindo para a luz, mostrando um grande Inu-Youkai soturno.

Os grandes olhos azuis como o oceano, em contraste com a expressão de fúria, transmitiam gentileza.

– Sim, Oyakata-sama! – respondeu o casal de jovens youkais, finalmente sendo iluminados pela luz do sol que passava pelas folhas da majestosa árvore que os abrigava.

O primeiro, mostrava abertamente os caninos em um sorriso, aparentava ser um rapaz na faixa dos 19 anos. Cabelos como o céu noturno e olhos de um azul intenso hipnotizante.

Segurava uma lança com ambas as mãos, apoiada em seus ombros às costas. Olhou zombeteiro para o lado, para sua irmã.

Ela era uma versão feminina dele e mais nova, aparentando estar na faixa dos 16 anos.

Mantinha o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, e sua franja caía aos olhos, o que dava um certo charme a youkai de feições mais infantis.

Ao contrário do irmão, exibia uma face carrancuda e lhe devolveu o olhar na mesma intensidade de um leão prestes a pular em sua presa.

– Vamos lá, onee-chan? – perguntou o rapaz a menina.

Ela, por sua vez, o ignorou e passou a caminhar sem ele para alguma direção.

– "Chan" o meu rabo... – resmungou entre dentes, ajeitando a aljava com flechas no ombro e apertando o arco entre os dedos.

– Eu ouvi isso! – exclamou, a seguindo para dentro da floresta.

O grande Inu observou os dois desaparecerem de sua vista em silêncio, suspirando em seguida.

– Oyakata-sama, podemos mesmo confiar essa missão a aqueles dois?

A pergunta viera de um de seus subordinados.

General Ren, um KomaInu de olhos dourados e cabelos igualmente de ouro. Parecia ter um pouco mais de 20 anos, mas seu semblante sério e experiente denunciava as centenas de anos.

O general estava ajoelhado ao lado, aguardava em silêncio a chance de falar, junto de outros youkais.

O grande cão de pelagens escuras ponderou por alguns segundos, antes de se virar para responder à pergunta.

– Confio em meus filhos, Ren. – deixou o ar escapar por entre os caninos, o olhar se perdendo em algum lugar do passado. – Em todos eles.

Um burburinho se iniciou entre os presentes e o grande youkai os encarou com fúria. Uma ordem muda para que fizessem silêncio.

Teve seu comando acatado de imediato.

– E nós confiamos em sua decisão, Oyakata-sama.

General Ren se pronunciou, olhando de esguelha para os outros.

Logo o restante dos youkais se retirou do local, deixando apenas o grande Inu e Ren a sós.

– Agora. A respeito de nosso território. É preocupante que Naraku tenha conhecimento daquele ser venenoso estar aqui. Devemos levantar uma kekkai na fronteira?

– Não. Isso levantaria atenção indesejada. – a voz feral veio firme.

O olhar azul mirou o subordinado, podia se ver a sede de sangue que surgia no profundo oceano.

– Deixe que Naraku venha. Ele não conseguirá o que deseja, general.

Os dourados de Ren brilharam em expectativa. Havia anos que não tinha uma luta verdadeira.

Em sua distração, não percebeu quando o grande Inu voltou para sua forma de aparência humana.

– Ren, sua tribo conseguiu preparar o que lhes pedi?

Ren piscou, deslumbrado pela aparência de seu mestre, tentando lembrar sobre o que ele falava.

Estalou a língua dentro da boca ao se lembrar e sorriu em satisfação, com a resposta já pronta.

– Sim, Oyakata-sama. A armadura está perfeita. Mas por que pediu apenas por isso? Realmente não deseja que façamos uma arma também?

Perguntou, observando seu mestre passar por si, em direção as sombras da floresta.

– Não é preciso, esta tarefa já foi entregue a outro. – se virou para seu servo, com um sorriso em seus lábios. – Ela desejava que fosse assim, apenas acato ordens.

Ren notou o olhar triste de seu mestre, mesmo que este sorrisse.

Se calou perante a aura melancólica de seu lorde e encarou suas costas e ombros caídos enquanto este se afastava. O deixando sozinho.

– Pelo visto essa ferida ainda não se fechou, não é mesmo, Oyakata-sama? – perguntou ao vento, suspirando em seguida. – Ao menos, uma parte dela, ainda está viva.

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*Pov. Kagome*

Após termos devorado o desjejum, Sango e eu voltamos a conversar sobre coisas banais, tendo Miroku a participar vez ou outra.

Visto que o monge parecia entretido em observar as servas do castelo, que passavam pelo corredor em frente a cozinha.

Sango fingia não ver, mas era óbvia sua expressão de raiva toda vez que ele fazia menção de se levantar.

Era quase cômica a face de sofrimento que o monge exibia, quando percebia que se fizesse algum movimento corria o risco de perder a vida.

Uma youkai de cabelos prateados e orelhas felpudas passou pelo corredor e eu me lembrei imediatamente de Inuyasha.

Uma hora eu teria que enfrentar essa situação, não poderia fugir para sempre.

– Miroku, Sango. Como está o Inuyasha? De verdade. Sejam sinceros.

Perguntei de supetão, fazendo com que o monge desviasse os olhos do corredor de imediato e me encarasse. Sango apenas abaixou o olhar, evitando contato visual.

– Sango não lhe contou?

A exterminadora o fulminou com os olhos e eu quase tive pena de meu amigo.

– Não sabemos muito sobre ele, desde aquele dia. Inuyasha foi levado para ser tratado por uma youkai muito lind...Caham, digo, por uma youkai chamada Lucy. Parece que ela é a Curandeira Real.

Explicou, se atropelando nas palavras sob o olhar insano de Sango.

– O que? E vocês não o procuraram desde então?!

Sango deu um soco na cabeça do monge e ele massageou o local com uma expressão sem graça, fazendo menção de se explicar logo em seguida, mas foi interrompido pela exterminadora.

– Tentamos! Não nos deixam vê-lo. A tal de Lucy nos disse que ele precisa de cuidados especiais e que humanos não deveriam se envolver nos assuntos do castelo. Ao que parece, Inuyasha é visto como um príncipe, tanto quanto o Sesshoumaru por aqui.

Arqueei uma sobrancelha.

Inuyasha sendo visto como um príncipe? Essa é nova! Sesshoumaru não falou nada sobre isso.

– Estranho. Achei que por ser um hanyou ele fosse renegado. – sussurrei, tentando entender o quadro todo.

– Pelo que entendemos, apenas Sesshoumaru e alguns anciões não o aceitam. Sem falar, é claro, da mãe de Sesshoumaru.

Engoli em seco. Inu-Kimi Hime.

~Bruxa! Ah, aquela maldita, filha de uma...~

– Ouviram algo a respeito da mãe de Sesshoumaru? – perguntei, ignorando os xingamentos de Hanna à mãe de Sesshoumaru.

Meus amigos trocaram olhares e me fitaram, parecendo um pouco em dúvida se falavam algo.

– Desembuchem logo!

– Parece que ela virá em breve visitar. É o que estão fofocando as servas do castelo. – foi Sango quem se pronunciou primeiro.

– Infelizmente não sabemos quando. Dizem que ela possui uma beleza estonteante! Imagine minha ansiedade em...

POFT

Quando vi, Miroku já estava ao chão com um novo galo em sua cabeça, e Sango com o Osso-Voador em mãos.

Me levantei na intenção de impedir que Sango o acertasse novamente, quando Mizuki adentrou a cozinha, com Rin e Shippou.

Ara. Interrompemos algo? As crianças desejavam vê-la, Kagome-sama.

Disse a moça dos cabelos negros e ondulados, exibindo um sorriso que mostrava sua diversão em ver a cena que se desenrolava.

Tive minha cintura envolvida pelos bracinhos de Rin, no momento em que conseguia afastar uma Sango muito zangada do monge.

– Senhorita Kagome! Ficamos com saudades! Poderia brincar com a gente agora? – perguntou a pequena, com seu grande sorriso.

– Mas é claro que eu posso, Rin-chan!

Devolvi o sorriso, enquanto ela se afastava e dava pulinhos a minha volta.

Olhei para Shippou, o mesmo parecia se conter, ao lado de Mizuki, apertando as próprias vestes.

– Como está, meu menino?

Os lindos olhinhos verdes que antes encaravam o chão finalmente me encararam.

Então ele estava mesmo zangado.

– Bem! Você demorou, mamãe! – senti que havia falhado e muito com o pequeno.

Nossa relação se tornou algo de mãe e filho desde o momento em que nos conhecemos, e mesmo assim eu estava sendo tão relapsa para com ele.

Me agachei e o abracei, como sentia falta de meu menino!

– Desculpe! – me afastei para olhá-lo nos olhos.

Não tardou para surgir um sorriso na face do pequeno kitsune e eu o acompanhei. Era sempre assim, ele nunca ficava bravo por muito tempo e eu amava isso em Shippou.

– Assim eu vou ficar com ciúmes, Senhorita Kagome! – disse uma Rin com as bochechas estufadas e eu ri da expressão da menina.

– Bem...então nós vamos tentar conseguir mais alguma informação sobre o In...sobre aquela pessoa!

Se corrigiu Miroku, ao sentir o beliscão que Sango o dava quando Shippou pareceu prestar atenção ao assunto.

O mesmo piscou algumas vezes, encarando todos os adultos, um por vez.

– Eu não sou nenhuma criancinha, gente. Sei que falam do paspalho do Inuyasha. A Mizuki-nee-san já nos falou sobre ele...

Todos lançaram um olhar a youkai, que apenas manteve a expressão passiva. Seria algo comum aos youkais a cara de paisagem?

–...e ele está sendo cuidado pela curandeira real. Não tem nada demais nisso. Vocês deveriam de verdade parar de se preocupar com aquele idiota.

Falou um Shippou, de peito estufado e ar de adulto.

Contive uma risadinha para a cara que Miroku e Sango faziam.

Eu já sabia que o pequeno estava mais atento aos últimos acontecimentos, mesmo que contra-a-gosto.

Não me alegrava em nada que ele tivesse alguma noção daquelas coisas, mas já que não se podia evitar, era melhor não mentir para ele.

– Me perdoem se falei algo indevido. Mas o menino não parava de perguntar sobre o hanyou.

Mizuki não parecia verdadeiramente arrependida, mas somei isso ao fato de ela ser uma youkai que provavelmente tinha muito contato com Sesshoumaru.

O lorde nem mesmo teria pedido desculpas.

– Está tudo bem! – sorri para a youkai que cuidava das crianças e a mesma me devolveu o sorriso. Estranho.

Sempre sentia uma grande paz na presença dela, desde o dia em que a vi a primeira vez...o dia da explosão da Tessaiga.

– Kagome-chan! – Sango me chamou, me despertando de meus devaneios.

– Sim?

– De todo modo, acho melhor irmos verificar o estado de Inuyasha. Vamos tentar convencer aquela metida da curandeira a nos deixar vê-lo. Tem algo específico que...queira saber dele?

Pensei por alguns instantes o que Sango queria dizer.

O que eu iria querer saber afinal? Eu ainda me preocupava tanto? Sim, como companheiro de batalha eu ainda me preocupava. Como amigo? Não sabia mais.

Ouvi alguém pigarrear e levantei o olhar para minha amiga.

– Não. No momento certo eu mesma me resolverei com ele. Apenas lhe diga que o desejo melhoras, Sango.

~Você é boazinha demais, menina.~

Sorri amarelo para o comentário de Hanna e para a expressão de incredulidade de Sango.

A mesma deveria esperar que eu fosse atrás de Inuyasha para fazer com que ele ouvisse poucas e boas, mas não tinha nenhuma vontade de o encontrar.

Quando o vi quase morto, achei que poderia perdoá-lo. Mas agora vejo que não é bem assim, Hanna.

Fui puxada por uma Rin e um Shippou extremamente impacientes, interrompendo meus pensamentos.

Suspirei perante a ansiedade dos dois e os segui para o jardim, deixando Sango, Miroku e Mizuki para trás.

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*Pov. Autora*

Kagome vai para um dos jardins do castelo com as crianças.

As horas passavam com facilidade na presença dos pequenos. Conversaram bastante, fizeram coroas de flores, brincaram de pique-esconde e enquanto discutiam qual seria a próxima brincadeira, Rin deu uma tapinha nas costas de Kagome, que estava sentada.

– Tá com você! – gritou, já rindo da expressão de susto da miko.

A mesma, após o susto se levantou rapidamente, correndo atrás da menina.

Shippou rolava de rir na grama, pois Kagome não conseguia pegar Rin de jeito nenhum.

– Pestinha! Agora eu te pego, Rin!

Durante a brincadeira de pega, enquanto Kagome corria atrás de Rin, alguém surgiu para interromper a brincadeira.

Hayato apareceu repentinamente, agarrando Kagome pela cintura, e a levantando.

– Te peguei, bela dama! – disse sorrindo, os caninos se mostrando de forma graciosa.

Kagome com a surpresa gritou para que ele desça e se agitou nos braços do inu, que a soltou de imediato.

– Nossa, quanta energia! Me alegra que esteja tão bem! – disse, com um sorriso amável nos lábios, deixando a sacerdotisa encabulada.

– Onde esteve, Hayato? Não senti seu cheiro por perto. Conseguiu descobrir mais alguma coisa?

Perguntou, tentando disfarçar o embaraço de alguns momentos atrás. Não havia se esquecido do episódio com o youkai em seus aposentos.

O inu diminuiu o sorriso com sua pergunta, e olhou com pesar para a jovem, se perguntando se deveria mesmo contar a ela sobre tudo.

Sobre o que havia descoberto com o pergaminho que tinha pego com o lorde.

– Senhorita Kagome! Desistiu de me pegar?! Tio Hayato, você tá estragando a brincadeira! – Rin interrompeu, com Shippou logo atrás.

– Rin, não vê que os adultos estão conversando sobre algo sério?

A pequena raposa ralhou com a menina, tentando passar um ar de maturidade. Kagome e Hayato riram com a percepção da kitsune.

– Não tem problema, Shippou! Outra hora nós brincamos de novo, Rin. Eu prometo! – disse Kagome, se agachando para ficar da mesma altura que a criança, que emburrada pula para o colo de Kagome, lhe abraçando.

– Eu vou cobrar!

– Bela dama, porque não brinca mais um pouco com eles? Mais tarde nós conversamos com mais calma.

Kagome o olhou desconfiada, mas deu de ombros.

– Ok. Ouviu isso, Rin? Agora você não me escapa!

Falou para a menina, já se levantando, e fazendo garras com as mãos.

Rin correu fingindo estar assustada e Shippou riu das duas, logo participando da bagunça que elas faziam.

Hayato observou com um sorriso a cena de Kagome a brincar com as crianças, e silenciosamente se afastou.

Adentrou o castelo e rumou em direção ao escritório de Sesshoumaru.

Tinha acabado de se encontrar com o lorde do Oeste, mas haviam surgido novas perguntas que não poderiam esperar.

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*Pov. Sesshoumaru*

Massageei as têmporas pela quinta vez, desde que Takeshi adentrara meu escritório.

Geralmente o ancião não me era desagradável, mas naquele instante, tudo o que eu mais queria era que o youkai a minha frente evaporasse.

– Está tudo bem, Vossa-Alteza? Conseguiu ouvir tudo o que eu dis...

– Eu ouvi tudo o que você disse, Takeshi. – o interrompi rapidamente. Não queria que repetisse as mesmas bobagens que eu havia ouvido.

Minha atenção se dividia entre o que eu havia ouvido do ancião e a carta que jazia sobre a mesa.

Notando minha distração, o youkai fitou a mesma direção que meus olhos e eu rapidamente puxei um pergaminho que estava ao lado para cima da carta, a tempo de esconder o selo.

– Okuda sempre foi fiel a minha mãe. Deixe-o fazer o que quiser, nada disso irá me impedir. – falei, tomando sua atenção de volta para meus olhos.

Não parecia que ele havia notado de onde a carta vinha e eu agradeci mentalmente por meu pai ter reunido logo os quatro youkais mais tolos para segui-lo.

Ele olhou de mim para a mesa e pareceu pensar por alguns momentos.

Talvez não tão tolos assim.

Caham...bom, e sobre o garoto? Eu o vi morrer, lorde. Estava espiando ao redor do castelo e Okuda o matou. Sabe o quão agressivo ele é com aquela espada. Mas nós nos viramos e PUF! Ele sumiu.

Pela descrição eu já tinha uma boa ideia de quem poderia ser o garoto.

Massageei a têmpora novamente.

Desde quando eu tinha dores de cabeça? Ah sim. Desde que havia conhecido a miko.

– Não precisam se preocupar com o garoto. Já era esperado. – pronunciei, me levantando da cadeira. Estava a tempo demais naquele escritório. – Algo mais, Takeshi?

– Bom...não.

Sabia que ele tinha questões acerca de minha decisão em me unir a uma humana, mas não possuía interesse em suas perguntas e por isso apenas me retirei.

Não sem antes pegar a carta e leva-la comigo, seu conteúdo era algo perigoso demais para ser deixado em meu escritório.

Encarei o papel em minhas mãos quando já estava afastado do escritório.

De todas as horas possíveis, ela havia chego em um momento extremamente delicado.

– Então, aquele velho ainda está vivo? – sorri ao pensar no grande Inu das histórias que meu pai contava. – Interessante.

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