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*Pov. Hayato*

Adentrei o escritório de Sesshoumaru-sama apenas para constatar que o mesmo não estava lá.

Mas sim o ancião, Takeshi.

Ele parecia perdido nos próprios pensamentos à frente da mesa do lorde, com uma mão no queixo.

Encostei-me a batente da porta, aguardando que o baixinho dos cabelos prateados e desgrenhados notasse minha presença, o que não demorou muito já que logo se virava com uma face de tédio estampada na face.

Encarei o opaco dos olhos dourados dele e me perguntei o que faria com que aqueles olhos brilhassem.

— Perdeu algo, General Hayato? — A voz dele sempre fora fria, mas notei um tom cortante. Teria eu me demorado demais a observar a face do outro?

— "Algo" não, "alguém". Não teria visto nosso príncipe zanzando por aí, teria? — Perguntei, fingindo desinteresse pelo ancião.

— Ele parecia cansado e se retirou. Para onde ele foi, eu não sei te dizer.

Respondeu, parecendo tão cansado quanto ele dizia que o lorde estava.

Observei ele retirar a franja dos olhos com a palma da mão, enxugando o suor da pele, a puxando para cima e revelando a cicatriz em seu olho esquerdo.

O corte havia sido feito de cima a baixo e na parte superior tinha uma estrela desenhada, provavelmente a sangue frio.

Fiquei olhando para aquela marca. Parecia ser bem antiga, mas ainda estava vermelha, como se fosse renovada de tempos em tempos.

Estranho.

— Gostaria de saber a origem dessa cicatriz? — Tédio, era o que a voz dele denunciava, seus olhos me encaravam com um certo brilho assassino.

Ele ainda revelava a cicatriz, pois ainda segurava a franja.

— Não tenho interesse em saber de histórias que não querem ser contadas, ancião. — Confessei, realmente não queria saber se ele não quisesse contar.

Fechei os olhos e os pressionei com meus dedos.

Onde estará aquele príncipe do Oeste?

— Takeshi. — pisquei algumas vezes, voltando a olhar para o outro Inu-youkai.

Ele já havia soltado o cabelo, escondendo parcialmente a cicatriz e me encarava de braços cruzados.

— Como...?

— Me chame de Takeshi. Pareço velho 'pra você?

— Bem...não, mas creio que ancião seja um título de respeito. Afinal, os quatro são os que mais possuem anos de vida no reino.

— Eu ser antigo não me faz velho. — tive vontade de rir da frase dele.

Ele realmente não parecia velho, nem na aparência nem na personalidade. Mas me detive.

— Está bem, Takeshi-san. O que faz aqui, no escritório de Sesshoumaru-sama. Perdeu algo?

Me detive para não rir da expressão de ódio que ele me dava por usar a fala dele contra ele.

Encontrei um novo divertimento, irritar um ancião.

— Estava apenas divagando sobre algo que vi. Mas devo ter alucinado pois era algo impossível demais.

— Ora, que intrigante. E o que seria?

Os dourados ganharam vida por alguns segundos, que eu achei fascinante.

Fascinante? Desde quando eu acho Takeshi fascinante? Ainda mais sendo irmão daquele irritante do Okuda.

— Em cima da mesa de Sesshoumaru-sama havia uma carta.

Falou, me tirando de meus pensamentos.

Ele olhava para o móvel como se algo fosse surgir ali num passe de mágica e eu arqueei uma sobrancelha.

— Que tipo de carta?

— Do tipo impossível. — disse, voltando a me olhar com uma expressão séria. — O que sabe sobre o Antigo Norte, General Hayato?

Péssimo direcionamento de assunto.

Engoli seco, remoendo quais seriam as palavras certas para o responder. Não sabia o quanto poderia confiar em Takeshi.

— Sei o que todos sabem. Houve uma guerra e o Norte, o Sul e o Leste ficaram destruídos. O clã da Lua Minguante fora praticamente extinto. — quase, eu e Kagome-sama estamos vivos!

— Sim. Você era o último na linha de sucessão do reino do Sul, certo? — Apenas concordei com a cabeça. Onde ele quer chegar? — General Hayato, você era criança, mas se lembra do selo real do reino do Norte?

— Claro, uma Lua Minguante com uma flecha atravessada. Era o que diferenciava os Inus do Norte e do Sul, também era a marca que carregavam no corpo, assim como a Lua Minguante negra que os Inus do Sul possuíam. Mas o que tem isso?

— Eu vi esse selo. Hoje, em uma carta em cima da mesa do lorde.

Exclamou, apontando para a mesa do escritório de forma teatral.

O ar me escapou.

— Foi algo muito rápido e por isso eu posso estar confundindo, ele escondeu a carta e a levou consigo, por isso eu estava aqui pensando na possibilidade de não estar louco.

Falou de uma vez, parecendo muito ansioso, balançando a cabeça em negação. Eu só conseguia olhar para ele, estupefato.

Fechei os olhos, tentando recuperar o pouco de razão que eu ainda poderia ter diante aquela conversa e respirei fundo:

— Sabe que isso realmente é impossível, certo? Ora, vamos lá. Eu era uma criança, mas você já tinha umas centenas de anos. Esteve presente em toda aquela chacina.

"Aliás, eu me lembro de você. Estava no meio daquela destruição, desesperado, procurando por Toga-sama. Você achou que ele estivesse lá procurando por ela, não é? Por Kayo.

Takeshi me olhou, sério.

— Sabe que este nome é proibido, General.

Sorri.

Se ele queria mesmo conversar sobre isso, nós iríamos conversar sobre isso.

— Apenas porquê Inu-Kimi quis que fosse. — O ouvi rosnar em aviso, ignorei.

— Que conveniente que justo em meio uma guerra ela tenha mandado uma carta a Toga-sama, o chamando urgentemente para o lado oposto da batalha, não acha? Ele não estava lá para proteger Kayo. Ninguém sabia disso, por esse motivo você o procurava em agonia em meio aos corpos.

— Não era obrigação de Toga-sama proteger a filha do Lorde do Norte, seu lugar era ao lado de Inu-Kimi. Mas em meio uma guerra entre reinos, seria comum pensar que o herdeiro do Oeste estivesse presente na...

— Exatamente! Estava tudo nos planos daquela puta! Ela sabia que Kayo iria para o meio da batalha, não apenas por Toga-sama. Mesmo estando tão frágil...

— São apenas boatos! Ninguém sabe a razão da herdeira do Norte ter ido para lá, era suposto que as princesas não participassem.

— Kayo não era do tipo que se escondia de uma luta. E era com isso que Inu-Kimi contava, com sua teimosia e bravura. — falei entredentes. Lembrar dela era doloroso, afinal.

— O que sabe sobre a filha do Norte? Você era apenas uma criança, General.

— Eu a conheci. Era a pessoa mais doce e corajosa que eu já tive o prazer de conhecer, depois de minha mãe. Você é quem não conhece sua ex lady. Diga, também se arrasta e lambe os pés de InuKimi-Hime, igual Okuda?

Um soco.

Fora merecido, eu sabia que não era bem assim que o youkai a minha frente era, mas precisava cutucar a ferida dele.

Limpei o sangue do canto da boca e lhe fitei, me divertindo.

— Não ofenda minha lealdade para com o Oeste, General. É um aviso.

Dei de ombros. Estava cansado daquela conversa.

— Voltando ao que eu dizia, Hayato. Eu sei o que eu vi. Talvez eles tenham, de alguma forma, sobrevivido. Aquela carta tinha o selo dos Inus do Norte. O selo de Koji Shimizu.

O ar faltou. Uma dor se acumulou em meu peito e eu pousei uma mão no local, fincando minhas garras. Como se isso parasse a sensação de estar na beira de um precipício.

Impossível! Eu os procurei...incansavelmente, entre as ruínas, entre tantos corpos e partes deles, aquela explosão. Meus pais...isso não é algo que se brinque!

— Você só pode estar louco, Takeshi-san! Mortos, todos estão mortos! Aquela meretriz garantiu que fosse assim!

Estourei, assustando-o.

— Eu estou vivo, pois aos olhos dela eu não era nenhuma ameaça e fui usado a seu bel-prazer por anos! Ela ainda me considera inofensivo, sabe porquê?

Takeshi estava sério e me encarava. Mas não tinha mais volta, eu espumaria de raiva se pudesse.

Diante seu silêncio, eu revolvi continuar.

— Porque ela fez questão de entrar na minha mente pouco a pouco, dia após dia. Eu sou incapaz de tocar em um só fio de cabelo daquela puta! O meu ódio não tem fim e mesmo assim eu não sou capaz de arrancar a cabeça dela!

O ancião me olhava, sem mudar sua expressão.

Mas eu podia ver aquele sentimento horroroso em seus olhos. Pena.

— Então, Takeshi-san. Eu que o aviso. Não brinque com algo desse tipo! — Finalizei, em um fio de voz.

Arrependido pela explosão com o youkai a minha frente, desviei os olhos dos dele, fechando as mãos em punho.

Falei demais. Merda!

— "Aquela meretriz". Você fala de Inu-Kimi-Hime, certo? Então os boatos estavam realmente certos? Ela de fato teve alguma culpa naquela guerra... — Terminou a fala mais para si do que para mim.

Apenas dei de ombros e lhe dei as costas. Não podia mais perder o controle daquela forma.

— ...Esse é o motivo de não assumir seu verdadeiro título, Príncipe dos Inus do Sul? Por medo?

Um rosnado grave escapou e eu soquei a parede ao meu lado, deixando um buraco ali.

Takeshi apenas olhou para os estilhaços que iam ao chão, com cara de tédio e voltou seus olhos para mim.

— Sesshoumaru-sama vai ficar muito puto com esse buraco aí.

— Não saia espalhando o que não conhece, Takeshi-san.

O mirei por sobre o ombro. Podia sentir o sangue rumando para os olhos.

— Este assunto não deve sair daqui, ancião. — Soltei um riso sem humor. — Para o seu próprio bem.

— De minha segurança eu me preocupo sozinho, obrigado. Sabe, se esse é o caso, você não deveria estar um pouco feliz e esperançoso?

Não respondi.

Como poderia ter alguma esperança? Não fazia sentido.

O ouvi suspirar e comecei a caminhar em direção a porta.

— Espere, ainda tem algo que preciso lhe comunicar, General. — Detive meus passos, me virando para ele em uma das pernas.

— Estou de péssimo humor, seja breve.

— Tch...como se isso fosse problema meu. — Reclamou, coçando a nuca e eu me virei decidido em ir embora.

— Quem diria que eu sentiria falta daquele sorriso besta que você sempre carrega.

Comentou em um sussurro, mas eu ouvi nitidamente.

— Isso não é problema meu, Takeshi-san. — Olhei para ele por sobre o ombro. — Última chance.

Bufou, resmungando algo indecifrável e continuou após limpar a garganta.

— Havia um espião ao redor do castelo. Um garoto. Já comuniquei o lorde, mas ele não pareceu preocupado.

"Achei que deveria saber já que é o responsável por cuidar da segurança do reino. E também...

Por um momento senti hesitação do ancião e me virei, cruzando os braços para demonstrar minha falta de paciência.

— ...Era para eu conversar sobre isso com o lorde, mas ele não parecia muito aberto ao assunto...

— E você acha que eu estou, ancião?

Fúria. Gosto disso nos olhos dele, pelo menos não estavam mais opacos e sem vida.

Vá se foder, General! Você e esse seu humor de merda! — Caí na gargalhada, enquanto ele passava por mim a passos firmes.

Quase podia ver uma fumacinha saindo de suas orelhas.

— Tenha cuidado com Okuda-nii-san, você o deixou furioso! Além de que, ele não está satisfeito com essa união do lorde, e talvez vá até Inu-Kimi. Ele sempre foi leal à ela.

Na mesma hora parei de rir e fechei o semblante. Takeshi já estava longe e só ouvia seus passos pelo corredor.

— Eu sei. — Sussurrei para o nada, me virando para a saída. Preciso falar urgente com o lorde.

Mas assim que me virei, estanquei no lugar. Um pressentimento ruim me dando uma sensação esquisita na boca do estômago.

Porque ela estava ali?

— Kagome-sama?

Seus olhos não se desviavam dos meus nem por um segundo. Suas mãos estavam fechadas firmemente e eu sentia o cheiro de sangue que começava a sair de suas palmas.

Corri em sua direção pegando suas mãos, as abrindo daquele aperto.

— Assim irá ferir, sua tonta!

— Vai curar depois. — respondeu, fria.

Olhei em seus olhos, ela tinha ouvido alguma coisa.

Mas o quanto será que havia escutado? E porque não senti sua presença? Nem mesmo Takeshi pareceu notar que havia ouvidos atentos a nossa conversa.

— A quanto tempo está aqui? — perguntei, temeroso da resposta.

— Tempo suficiente.

Soltei suas mãos e cruzei meus braços. Começava a entender o motivo do lorde achá-la irritante algumas horas.

— E...? Poderia me dizer o motivo de sua cólera? Logicamente que eu a procuraria para conversar sobre essa tal carta, pois lhe diz respeito e...

— NÃO É ISSO! — arregalei os olhos, surpreso por perceber algumas lágrimas querendo escapar dos azuis da princesa do Norte.

— Então, o que?!

Quase cuspi as palavras, pressionando os olhos com os dedos, numa tentativa de aliviar uma dor que se instalava ali.

— Eu tenho outros assuntos para resolver, depois conversamos.

Já estava a dois passos dela, quando senti seus braços me rodearem a cintura, com ela em minhas costas.

Olhei para baixo sem entender, tocando com meus dedos levemente a pele da descendente do Norte. Um arrepio passou por minha espinha com o contato.

Perigoso.

— Bela dama, se está tentando me seduzir, saiba que...

— Idiota! — ela estava chorando. Por quê?

Idiota?

— Sim! Um grande, estupidamente idiota! — Uma veia começou a pulsar em minha testa, é um hábito de seres baixinhos me irritar?

A toquei em seu braço novamente, na intenção de o retirar de minha volta, sentindo outro arrepio que tratei de ignorar.

Me virei e segurei em seus ombros. Ela chorava mais. O que a deixou desse jeito?

— Por quê? — ela perguntou entre uma fungada e outra.

— Hein?

— Porquê não me contou sobre nosso passado?! Sobre o que aquela bruxa fez! Com você e comigo! Não confia em mim?

Limpou as lágrimas, usando força demais com as mãos, deixando a pele marcada em vermelho abaixo dos olhos.

Meu coração se apertou quando ela me fitou intensamente.

— Kayo! Era o nome da minha mãe, não era? Não minta 'pra mim, Hayato! — E então eu entendi.

Merda, ela conseguiu perceber.

— Sim. Era sua mãe, Kagome-sama. Me desculpe não ter contado tudo.

— Prometa que vai me contar tudo o que sabe, Hayato. Eu não aguento mais isso!

Estava sem chão. Não era para ela descobrir dessa forma.

— Eu realmente sinto muito, bela dama.

Ela tampou os olhos com as mãos e confirmou com a cabeça, enquanto limpava o rastro das lágrimas do rosto.

Me senti quebrado por dentro com as lágrimas dela e antes que percebesse já estava lhe segurando o rosto com minhas mãos, para que a mesma não o escondesse mais.

— Desculpe, Kagome-sama. — pedi, afastando sua franja e beijando sua testa.

Queria abraçá-la, mas um novo arrepio se instalava em minha espinha.

Um arrepio completamente diferente do anterior.

Senti o youki inconfundível as minhas costas e virei minha cabeça lentamente.

Sesshoumaru-sama tinha uma aura sinistra a sua volta e ele olhava de mim para a miko. Provavelmente se perguntando o que estava acontecendo.

— Miko. — O corpo a minha frente deu um pulo, ficando logo todo tenso, e ela rapidamente limpou o que sobrou das lágrimas, levantando a face em seguida para olhar quem a chamara.

— Sim?! — perguntou, com a cara mais deslavada do mundo.

Como consegue mudar tão rápido assim?

Olhei para o lorde e este levantava uma sobrancelha. Olhei para a princesa do Norte e esta sorria.

Ah, ela não quer preocupá-lo, então.

Me afastei e coloquei minhas mãos para dentro do kimono, cruzando os braços.

Lá vem bomba, o único motivo de ele não ter pulado em meu pescoço ainda, era a bela dama, ele iria querer saber a razão das lágrimas de antes.

Bufei internamente, eu deveria saber que isso aconteceria.

Bom, pelo menos ela não está mais chorando. Depois devemos conversar com mais calma.

— Miko, qual a causa das lágrimas? O general lhe fez algo? — A última pergunta veio acompanhada de um olhar acusador e feroz em minha direção.

Desviei os olhos para algum outro ponto e acabei por olhar para o buraco que eu havia feito na parede do escritório.

Mil vezes merda!

O príncipe, provavelmente percebendo meu desespero, dirigiu seu olhar para onde eu olhava.

Sua face permaneceu impassível, mas eu vi as duas veias que pulsaram em sua têmpora.

Uma das vantagens de ter crescido ao lado dele, perceber esses pequenos detalhes.

Merda.

— Foi minha culpa! — Kagome-sama se colocou à frente do buraco com os braços abertos, e eu por pouco não bati em minha própria testa.

Ele não vai cair nessa!

Sesshoumaru olhou para Kagome e depois para mim. Uma pergunta explícita em sua expressão: "O que infernos aconteceu aqui?!"

— Não olhe assim para o Hayato-kun, Sesshy! Ele não tem culpa, já disse que a culpa foi minha! — olhei incrédulo para a menina.

Do que ela o chamou?

Voltei meus olhos para o lorde e este se encontrava com os olhos fechados e os braços cruzados. Podia jurar que também encravava as garras nos braços, de forma discreta. Mais duas veias pulsavam.

— Miko. Explique-se.

Curioso. Não a castigou nem reclamou pelo apelido carinhoso.

Percebi que ela havia ficado chateada com algo, mas disfarçou, parecendo não querer se importar com algo.

Achei adorável. Detive uma risadinha que teimava em surgir e voltei meus olhos para a menina que tropeçava nas próprias palavras.

E agora, Kagome-sama?

— B-bom...veja só! Eu estava aqui conversando com o Hayato-kun e acabamos entrando em um assunto que me deu muita raiva! Meu lado youkai despertou e eu acabei fazendo isso. Me desculpe, Sess...Sesshoumaru. — se corrigiu, olhando para baixo.

Quase gargalhei quando o lorde a mirou de olhos semicerrados, a desafiando a chamá-lo pelo apelido de novo.

— E espera que eu acredite que você fez isso? — Perguntou, olhando para ela e depois para mim. Apenas levantei as mãos.

Ninguém engana Sesshoumaru-sama.

— Deixe passar, está deixando a bela dama constrangida, Vossa-Alteza. — Recebi um rosnado como resposta e uma gota de suor passou por minha testa.

Que dia mais tenso!

— Para estarem tão tranquilos assim, imagino que já tenha a informado de sua nova rotina, então, General?

Pisquei algumas vezes.

Putz, o treinamento! Esqueci completamente!

— Que nova rotina? - perguntou Kagome, com as mãos na cintura olhando de Sesshoumaru-sama para mim e eu suspirei de cansaço.

— Irei treinar você, franguinha. — A chamei, apenas por achar fofa a carinha dela de brava e ela ficou vermelha igual um tomate.

Abriu a boca já pronta para soltar alguma ofensa, quando Sesshoumaru-sama a interrompeu.

— Nós iremos. Precisa controlar seu lado youkai, miko. — disse ele, soltando o ar pela boca e olhando para outro lado.

Com o que ele está incomodado?

— Quêêêê? Eu posso treinar com o Miroku e com a Sango, eu já ia mesmo pedir isso a eles, não precisam se incomodar comigo e...

— Eles são humanos, você precisa de treinamento youkai. Estava me ouvindo, miko?

De vermelha, Kagome estava indo pro roxo e daqui a pouco ficaria azul. Não sei com o que Vossa-Alteza estava a provocando, só sei que ela estava prestes a retrucar e eu imediatamente a segurei pelos ombros antes que pulasse em Sesshoumaru-sama.

— KA-GO-ME! Qual sua dificuldade em me chamar pelo nome, cubo de gelo ambulante?! — praticamente gritou, apontando um dedo para o lorde, se desvencilhando de meus braços que tentava segurar a fera.

Ferrou.

A puxei pelos ombros tentando impedir que ela saltasse de fato nele e ousei olhar para a face do lorde.

Congelei. Raramente Sesshoumaru-sama sorria, o que tornava o ato um tanto macabro quando acontecia.

Lentamente ele descruzou os braços e veio em nossa direção, tomando Kagome-sama de minhas mãos, a colocando abaixo do braço, como uma boneca.

Claro que com os gritos e protestos da mesma.

— Ela estará pronta para o treino de manhã cedo. Esteja no campo de treinamento no horário de sempre, General.

Anunciou, ignorando os gritos e ofensas de seu saco de batatas e eu sorri amarelo, concordando.

— Avise as servas que não desejo ser incomodado. — ordenou e se virou, acho que ia levá-la para seus aposentos.

Estavam longe, e mesmo assim eu ainda ouvia Kagome-sama protestando.

— Aquelas faíscas de houriki que saem dela devem doer... — falei para o nada, estremecendo ao lembrar quando usou aquela energia em mim.

Ela devia estar realmente muito brava para usar a energia espiritual para queimar o lorde.

— Bom, depois tenho que agradecer a bela dama, realmente me livrou de uma boa!

— Oh, é mesmo? — a voz de Mayu me pegara desprevenido e um tremor passou por meu corpo.

Mas mantive a compostura, fingindo não ter sido afetado. Me virei para a kitsune ao meu lado.

— Olá, Mayu, querida!

— Nada de querida! Vá já arrumar essa bagunça que você arrumou, Hayato! Que porcaria de buraco é esse? Sempre sobra pra mim esse tipo de merda! — Exigiu, me empurrando, e eu suspirei.

— Logo agora que achei que estaria livre!

— Cala a boca!

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