19 – Trauma e Medo
O calor do corpo embaixo dela era confortável e seguro, e todo o medo do dia anterior tinha desaparecido como mágica. Os braços ao seu redor, a mantendo firmemente como se fosse uma carga preciosa a fizeram suspirar, o que a fez sentir o cheiro que há muito tempo associou a ele.
Elizabeth abriu os olhos para um quarto na penumbra. Em seu pânico anterior, ela fechou as janelas e cortinas esperando trancar o medo do lado de fora, mesmo assim, era possível notar que o dia estava claro. Ela não tinha nenhuma ideia de que horas eram, mas sabia que não tinha vontade de mudar de lugar e continuou onde estava, fechando os olhos e apenas apreciando o conforto.
O som da vibração de um celular substituiu o silêncio, acordando Darcy. Percebendo Elizabeth enrolada quase sobre seu corpo e não querendo despertá-la, Darcy esticou o braço e agarrou o celular de Elizabeth que estava sobre a mesa de cabeceira com a intenção de recusar a chamada, mas era Jane. Ela deve estar preocupada, ele pensou e atendeu o celular com a voz baixa.
Era a segunda vez seguida que Darcy atendia o celular de Elizabeth e Jane se perguntou o que isso significava, mas sua preocupação com a irmã era maior. "Darcy? Como está Elizabeth?"
"Ela está dormindo... ontem foi um pouco cansativo para ela. Ela está bem agora." Ele respondeu num sussurro.
Jane ficou um momento em silêncio e seus olhos se arregalaram quando ela se deu conta de que Elizabeth estava com ele naquele momento. "Ela está com você agora?"
"Sim."
"Oh! Tudo bem... eu ligo depois." Jane se despediu e desligou rapidamente com inúmeras perguntas em sua mente.
Darcy colocou o celular de volta na mesa e voltou sua mão para os cabelos de Elizabeth, beijando a testa dela delicadamente. Ele tinha esquecido completamente de olhar o horário no celular e não tinha vontade de pegá-lo novamente. Felizmente, ele não tinha nenhuma reunião naquela manhã e mesmo se tivesse, ele optaria por ficar naquele mesmo lugar com ela.
Um movimento o alertou que Elizabeth estava acordada ou estava acordando. "Que horas são?" Ela perguntou em um sussurro de sono.
"Eu não sei... Você está melhor?" Ele ainda estava preocupado.
Envergonhada com tudo o que tinha acontecido, Elizabeth se afastou dele, mas continuou deitada de lado e de frente para ele, seus olhos timidamente longe do rosto dele. "William, me desculpa por ontem..."
"Nem pense em pedir desculpas por isso, Elizabeth." Ele a cortou e colocou uma mão no rosto dela, a fazendo olhar para ele. "Eu conversei com a Jane ontem e ela me explicou sobre a sua fobia. Eu não deveria ter deixado você sozinha por nem um minuto."
Elizabeth fechou os olhos se sentindo mortificada. Ela escutou centenas de vezes que não tinha porque sentir vergonha, mas todas as vezes ela não conseguia impedir. "Eu sei que isso parece ridículo..."
"Isso não é ridículo e você não tem motivo de se sentir constrangida." Ele a cortou novamente. Sua mão não deixou o rosto dela.
Sentindo-se grata por tudo o que ele tinha feito, Elizabeth acreditava que ele merecia saber o motivo do seu medo. "Foi um trauma de infância..." Ela mordeu o lábio por um momento se perguntando se ele se importaria em ouvir a história. "Você gostaria que eu compartilhasse a história com você?"
Ele escutou a voz dela baixa e fraca e sentia o coração apertar com a vulnerabilidade que ela demostrava. Elizabeth sempre pareceu tão forte, mas desde a noite anterior, ele viu um lado dela bem escondido. Ao mesmo tempo que ele se sentia privilegiado por testemunhar essa faceta da sua personalidade, o machucava saber que algo no passado dela acarretou aquilo. "Se você quiser me contar, eu quero escutar." Ele estava ávido por ouvir a história e assim, entendê-la melhor, mas não queria forçá-la.
Ele viu Elizabeth engolir em seco antes de começar. "Você sabia que meus pais morreram quando eu tinha oito anos?"
Darcy acenou que sim com a cabeça e ela continuou. "E você sabia que eles morreram no mesmo dia?" Ela o viu franzindo as sobrancelhas e acenando que não.
Os olhos de Elizabeth ficaram desfocados quando ela recomeçou a falar, como se ela estivesse assistindo uma cena que ele não conseguia ver. "Naquele fim de semana, Jane estava em um acampamento da escola. Eu fiz uma birra porque queria ir com ela, mas era apenas para os alunos da sala dela... então, meus pais me levaram para um chalé em Kent, para que eu não me sentisse excluída. No domingo, nós estávamos na estrada voltando para casa. Meu pai dirigia lentamente porque uma chuva forte nos surpreendeu... estava difícil enxergar o caminho. Naquele momento, a estrada seguia o curso de um rio, e na curva, outro carro entrou na contramão, exatamente na nossa frente. Meu pai não teve outra opção a não ser jogar nosso carro para o lado, em direção à agua. Nós capotamos algumas vezes antes de cair no rio."
Elizabeth parou de falar por um momento e fechou os olhos. Darcy pegou a mão dela, apertou e beijou para confortá-la. Quando ela abriu os olhos novamente, estavam marejados e seu rosto, um tom mais pálido. "A última lembrança que eu tenho é da água entrando no carro e o rosto ensanguentado do meu pai virado para mim, retirando meu cinto de segurança e gritando em desespero para eu sair do carro pela janela quebrada. Eu ainda posso ouvir a voz dele. Os gritos aterrorizados se repetindo sem parar, ecoando na minha cabeça todas as vezes que eu me sinto como ontem... Eu ainda vejo as gotas de sangue pingando do rosto dele sobre a água e se desmanchando... desaparecendo. Eu ainda consigo ver a minha mãe inconsciente no banco ao lado dele, com a cabeça em um ângulo estranho..." Darcy sentiu suas próprias mãos tremerem ao escutar aquela história e não conseguia nem imaginar como foi viver aquilo. "Tudo o que eu sei depois disso, me contaram com base no que encontraram e investigaram no local do acidente."
Elizabeth respirou fundo tentando impedir as lágrimas e Darcy se aproximou ainda mais, acariciando seus cabelos sem tirar os olhos dela. "Eles acreditam que eu fiz o que o meu pai mandou... que eu saí do carro, mas a correnteza me levou para a margem oposta à da estrada e eu corri assustada pelas árvores. No outro lado do rio existe uma floresta." Darcy sentiu o corpo inteiro de Elizabeth estremecer. "O resgate me encontrou um pouco mais de dois dias depois do acidente. Eu estava dentro da casca de uma árvore em completo estado de choque. Nós tivemos naqueles dias a pior série de tempestades da década. Choveu durante todo o tempo em que eu estive desaparecida." Elizabeth respirou fundo novamente para tentar se acalmar. "Eu sempre soube que a culpa foi minha... se eu não tivesse feito aquela birra... eu não falei por quase um ano e meu tio, que era pianista, descobriu que a única forma de me acalmar era através da música, principalmente quando chovia."
"A culpa não foi sua, querida... não foi." Ele tentou consolá-la, lutando contra suas próprias lágrimas.
Ela fechou os olhos com força e seu queixo tremia. "Desculpa..."
"Não me peça desculpas..." Completamente entristecido por escutar a experiência terrível que ela tinha sofrido, ele não resistiu e a beijou demoradamente na testa, sentindo seus próprios olhos marejados, e a abraçou. "Eu sinto tanto, Elizabeth, tanto... Eu não consigo imaginar você sozinha... Deus... Ninguém merece passar por isso, principalmente você. Tão pequena... tão indefesa... Eu sinto muito, querida." Ele esfregou as costas dela a confortando até as lágrimas pararem de escorrer de seus olhos.
Elizabeth sorriu um pouco. "Jane, querida como sempre, começou a pesquisar formas de me curar desde criança. Com todo o trauma que eu sofri, tudo o que aconteceu depois e os cuidados que eu precisei, minha pobre irmã foi deixada um pouco de lado e sofreu em silencio tanto pelo nossos pais quanto por mim. Ela trabalha com pessoas com trauma por minha causa... acho que ela tenta fazer pelos outros o que acredita não ter conseguido fazer por mim naquela época... e quando meus tios morreram, sobramos apenas nós duas... só nós duas... eu e Jane só temos uma a outra. Todos que nós já amamos se foram..."
Ele entendia as irmãs muito melhor. O apego e o cuidado que uma tinha pela outra, que muitos riam e apontavam como exagerado, era na verdade medo de mais perdas. Que tristeza! Todavia, não era apenas a profissão de Jane que foi escolhida por essa terrível experiência. "E é por isso que o seu projeto mais querido são os jogos para ajudar soldados traumatizados..." Ele disse fechando os olhos e lembrando o maldito comentário que fez mais de um ano antes, mais uma vez sentindo todo o peso do seu insulto.
"Sim..." Ela sussurrou. "Eu posso usar minha própria experiência para ajudar outras pessoas." Ela fez uma pausa antes de continuar. "Eu não quero que você pense que todas as vezes eu fico assim... Jane acha que essas mudanças dos últimos meses me perturbaram mais do que eu percebi. Eu consigo me controlar muito mais do que aparento."
Preocupado por ser a causa, ele arregalou os olhos. "Isso é de alguma forma culpa minha? Eu posso fazer alguma coisa para te ajudar? Ou eu fiz alguma coisa que perturbou você?"
Elizabeth sorriu para ele. "Não. Não é culpa sua... Olha, eu nunca imaginei que eu me sentiria tão confortável na sua casa, mas é verdade. Eu me sinto em casa aqui."
Ele sentiu seu coração acelerar. Ela se sente em casa. Comigo. "Essa casa é sua também... e eu fico tão feliz em ouvir isso..." Ele declarou com um sorriso carinhoso, suas mãos acariciando novamente as costas dela inconscientemente.
Elizabeth lembrou de como ele a acalmou na noite anterior, a incrível maneira que ele a fez dormir. "Obrigada por ontem... e por hoje. Ninguém nunca conseguiu fazer isso por mim antes. Geralmente quando eu chego no estado que eu estava ontem eu preciso de calmantes." Rindo baixinho, ela continuou. "Minha tia contava que minha mãe vivia reclamando dos nervos... talvez eu tenha herdado isso dela."
"Não precisa me agradecer e eu estou à sua disposição a qualquer momento." Ele respondeu sorrindo, feliz por ter conseguido ajuda-la, e eles se encararam durante alguns momentos em silencio agradável até o estômago de Elizabeth roncar alto e ela gargalhar.
"Isso foi horrível." Ela disse escondendo o rosto completamente corado no travesseiro. "Eu não comi quase nada ontem e agora meu corpo exige alimento... ugh, embaraçoso..."
Rindo, Darcy se inclinou para ela, tirou o rosto dela do travesseiro e a beijou na bochecha. "Vamos tomar um café-da-manhã, Elizabeth. Eu só vou até o meu quarto trocar de roupa..."
Ele se levantou e Elizabeth percebeu que ele ainda vestia o Jeans e a camiseta que estava usando no jantar da noite anterior e se sentiu terrivelmente culpada. "Você deve estar cansado... não deve ter dormido nada essa noite..."
Ele balançou a cabeça, sorrindo. "Na verdade, eu tive uma ótima noite de sono... Eu dormi logo depois de você e só acordei com a ligação da Jane." Ele piscou para ela e passou pela porta de ligação entre seus quartos. De certa forma, ele sabia que aquela experiência tinha aproximado os dois.
Nos dias após o incidente da chuva foi possível perceber uma intimidade ainda maior entre Elizabeth e Darcy. Eles sempre sorriam quando se viam, conversavam com mais frequência, ficavam tanto tempo juntos quanto era possível e se tocavam com bastante liberdade. Não era raro flagrá-los sentados juntos assistindo a um filme lado a lado, Elizabeth encostada na lateral do corpo de Darcy, ou deitada com a cabeça em seu colo enquanto ele acariciava seus cabelos... Eles sempre se abraçavam e beijavam o rosto um do outro quando se despediam ou se cumprimentavam, e faziam isso com naturalidade.
Na semana seguinte, Elizabeth conseguiu tempo para um almoço com a sua irmã e a Charlote. Elas estavam reclamando há semanas que seus almoços frequentes tinham diminuído severamente e tanto Jane quanto Charlote estavam curiosas sobre como Elizabeth e Darcy estavam se comportando. Por mais que ambas tivessem certeza de que um gostava do outro, mas não admitiam, pensaram que eles estariam se estrangulando depois de quatro meses.
"Quer dizer que vocês não brigaram nem uma única vez?" Charlote gargalhou. "Quem diria que bastava um casamento para finalmente vocês se entenderem... geralmente com outros casais acontece o contrário..."
Elizabeth revirou os olhos. "A gente nem brigava tanto quanto você faz parecer..."
Foi a vez de Jane rir. "Lizzie, vocês discutiam cada vez que estavam juntos e começavam a conversar. Cada vez." Jane mordeu os lábios para se impedir de rir ainda mais. "Você ainda não me contou como ele cuidou de você no dia da tempestade... eu liguei no seu celular de manhã e foi ele quem atendeu."
Charlote se interessou imediatamente e praticamente se debruçou sobre a mesa em direção a Elizabeth. "Ohhhh... Eu quero escutar essa história."
Quando as duas olharam para Elizabeth e perceberam seus olhos fechados com força, elas pararam de rir e se preocuparam. "Eu tive uma crise como eu não tinha há anos...foi... foi terrível..." Ela sussurrou.
Jane pegou a mão de Elizabeth e apertou. "Lizzie... você deveria ter me contado... me ligado... Por que Darcy não me ligou? Ele disse que me ligaria se você precisasse."
Charlote, que conhecia e já tinha presenciado uma dessas crises estava apreensiva com o que iria escutar.
"Eu acho que ele nem pensou nisso, Jane... Ele só tentou me confortar. Eu estava próximo da histeria, acho que não foi bonito de se assistir." Elizabeth respondeu ainda em voz baixa.
"O que ele fez? Ele sabia que tinha que te dar um calmante?" Charlote perguntou.
"Não... Eu não tomei nada. Eu... eu consegui dormir." Elizabeth disse como se ainda não acreditasse.
"Dormir? Você dormiu no meio de uma crise?" Jane perguntou incrédula. "Como ele conseguiu fazer você dormir no meio de uma crise e sem calmantes?"
Elizabeth sentiu seu rosto quente e corado. "Ele cantou para mim." Ela respondeu em voz baixa, quase um sussurro.
"ELE O QUE?" As duas perguntaram ao mesmo tempo e percebendo que metade do restaurante olhou para elas, tentaram conter a surpresa.
Elizabeth sorriu um pouco, mas ainda não acreditava que estava contando sobre aquela noite. "Ele se deitou comigo, me abraçou, pediu que eu me concentrasse na voz dele e cantou... músicas do Elvis."
Charlote fez um show se abanando dramaticamente. "Lizzie, querida, com aquele barítono baixo que ele tem cantando Elvis Presley... Oh, eu acho que eu derreteria na mesma hora... eu viraria uma pocinha na cama... Você pode dizer o que quiser, mas o seu marido é o homem mais bonito que eu já vi."
Jane ignorou Charlote, ela estava interessada demais no que sua irmã contou. "Ele conseguiu te tranquilizar assim? Lizzie, ninguém conseguiu isso antes... nem mesmo o tio Ed que era a pessoa que você procurava quando tinha uma crise... Isso é... inacreditável e incrível."
"Eu sei..." Elizabeth respondeu pensativa, ainda sem entender o poder que Darcy tinha de acalmá-la.
Jane e Charlote trocaram olhares e ambas sabiam com certeza o que cada uma estava pensando. Há muito tempo elas não viam Elizabeth e Darcy juntos e precisavam ver qual era a dinâmica atual na relação dos dois.
"Lizzie, faz tempo que a gente não se diverte... desde que voltamos de Las Vegas só jantamos juntos poucas vezes e almoçamos raramente... vamos combinar de irmos até a boate. Meu irmão perguntou por que você nunca mais apareceu, ele está chateado achando que só porque casou não se importa mais com ele..." Charlote disse com um olhar na direção de Jane, que cobriu o sorriso com seu copo ao perceber o golpe-baixo que ela estava aplicando em sua irmã.
"Oh, Charlote... Explica para ele que eu estou finalizando um projeto importante e trabalho todos os dias... e como William precisou participar de um monte de eventos e eu tinha que estar junto, nós realmente não tivemos tempo... mas eu prometo que vamos mudar isso. Escolha um dia e nós vamos." Elizabeth se apressou em se desculpar.
"Eu vou falar com o Charles... ele vai adorar mais uma noite como antes... ele sente falta do Darcy." Jane estava contente com o combinado e piscou para Charlote que tinha um grande sorriso presunçoso no rosto. Ficou decidido que no sábado seguinte eles sairiam juntos. Elizabeth se despediu dizendo que tinha uma reunião em menos de meia hora e partiu deixando a irmã e a amiga juntas.
"Jane, eu estou tão curiosa para ver os dois juntos... É inacreditável que eles ainda não assumiram um relacionamento real." Charlote estava achando tudo muito divertido.
Jane riu e balançou a cabeça. "Aqueles dois são as pessoas mais teimosas do mundo."
No jantar daquela noite, Elizabeth falou para Darcy sobre os planos para o sábado. "Nós não temos nenhum compromisso anterior, temos?" Ela perguntou com uma careta.
"Não... mas mesmo que nós tivéssemos, poderíamos cancelar... faz tempo que não saímos com a Jane, o Charles e a Charlote." Ele a encarou seriamente por um momento antes de continuar. "Elizabeth... você não é obrigada a ir em todos os eventos que eu decido participar. Se alguma vez você não estiver com vontade de ir, eu cancelo... sem problemas." Ele garantiu a ela, um pouco preocupado por estar monopolizando todo o tempo dela.
"Eu não me importo em acompanhar você. Eu me diverti e conheci muita gente interessante. Acredite, se eu não quisesse, eu não iria." Ela disse com um sorriso tranquilo. "Mas eu sinto falta dos meus amigos... Eu não vejo John há meses... e Hans estará aqui neste fim de semana, ele acabou de voltar da Europa... eu vou ligar para ele."
Imediatamente, Darcy sentiu seu maxilar travar com o ciúme violento que sentia do loiro gigante. "Você parece bastante íntima desse amigo."
Elizabeth estava totalmente alheia ao ciúme de Darcy enquanto sua atenção estava principalmente na torta de frutas vermelhas que estava devorando. "Muito. Hans e eu começamos uma carreira de modelo juntos, mas enquanto ele seguiu em frente, eu desisti rapidamente. Ele é mais um irmão que um amigo."
Darcy relaxou ligeiramente e se lembrou de algo que Jane tinha falado no dia em que ele conheceu esse amigo de Elizabeth na boate dos De Luca. "Jane disso algo sobre um fotógrafo se insinuar para você e ele te defender." Ele estava tentando especular mais informações.
Elizabeth revirou os olhos e fez um som de desgosto. "Sim... aquele homem nojento. Ele me levou para uma sala mais isolada e pediu para que eu tirasse algumas peças de roupa. Eu me recusei e ele se aproximou e me agarrou. Eu gritei e Hans apareceu, nós temos a mesma idade, mas ele já era enorme." Elizabeth riu, balançando a cabeça. "Ele pegou o fotógrafo pela camisa e o jogou longe. Depois disso muitas meninas o denunciaram. Ele nunca mais trabalhou em um lugar decente. Só rezo para que tenha aprendido a lição."
Darcy estremeceu ao pensar o que poderia ter acontecido e se sentiu grato ao amigo dela, prometendo ser agradável com ele. "Você foi modelo durante muito tempo?"
Ela sacudiu a cabeça negando. "Não... alguns meses... talvez um ano, no máximo."
"Fez algum trabalho conhecido?"
"Algumas propagandas e desfiles... nada grande. Eu não sou bem o que se espera para uma modelo... não sou nem alta e nem... sem curvas." Ela terminou corada olhando fixamente para a sua torta. Darcy se sentiu tenso por outros motivos. Não. Definitivamente você tem muitas curvas, todas nos lugares certos, ele pensava evitando olhar para ela. A proximidade crescente entre eles era tanto um bálsamo quanto uma tortura. Ele a desejava mais a cada dia, mas não queria força-la.
"Jane deveria seguir essa carreira, mas ela não quis nem cogitar... ela seria perfeita. Linda, alta, magra e elegante..." Ela continuou sorrindo. "Pelo menos eu tenho várias fotos bonitas dessa época."
Darcy se interessou por esse pedaço de informação. "E onde estão essas fotos?"
"No meu apartamento."
"Eu adoraria vê-las." Ele confessou sem olhar para ela.
"Oh! Tudo bem... a próxima vez que eu passar por lá eu pego algumas." Elizabeth deu de ombros, acreditando que ele só estava sendo educado.
