Dragon Ball não me pertence.

CAPÍTULO 17

Um certo planeta azul

"Pobre coração o dos apaixonados, que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor. Arriscando tudo por uma miragem..."

A Miragem, Marcus Viana

— Nós tivemos que proteger Trunks por causa da profecia. - O velho mestre revelou enigmático.

— Mestre, o senhor não deve contar ainda... - Oolong interrompeu apavorado ante a revelação feita pelo velho.

— Por que não Oolong? Está mais do que na hora de Bulma saber. - o velho disse confiante.- Ela precisa saber e estar do nosso lado por que logo teremos que contar tudo da profecia para Trunks.

— Profecia? - Bulma interpelou confusa. - Do que vocês estão falando? O que teremos que revelar para Trunks? Por favor, me digam logo! - pediu agitada.

— Existe uma profecia, Bulma. - Mestre Kame revelou se aproximando da cientista e pegando-lhe as mãos. - Uma profecia feita a quase trinta anos por uma vidente terráquea.

— E o que eu e Trunks temos a ver com essa tal profecia? - Bulma perguntou ainda mais atordoada, a voz fraca de preocupação pelo tom tenso da voz do velho.

— Mestre, por favor conte tudo logo. - Gohan pediu angustiado e entendendo o recado, Mestre Kame começou a falar.

— Eu tenho uma irmã. - ele começou compassadamente. - Ela se chama Urana vidente mais extraordinária do universo. Há cerca de trinta anos ela previu que surgiria o maior e mais impiedoso vilão já visto, um monstro que buscaria dominar e escravizar todas as raças. Esse vilão se chamaria Freeza.

— O ser que sequestrou príncipe Tarble? - Marvin interpelou com a voz preocupada, reconhecendo o nome.

— Sim, é ele. Esse monstro que sequestrou Tarble é o mesmo da profecia sim. Minha irmã me comunicou desse fato. Nós comunicamos raramente por sonhos... - Mestre Kame respondeu ao capitão ante os olhares espantados de todos. - Mas, não se preocupem, ele ainda estava vivo da última vez que nos comunicamos. - o Mestre continuou voltando a olhar para Bulma. - E esse vilão, Freeza, é muito poderoso e já subjugou parte do universo. Minha irmã foi sequestrada por ele logo após fazer a profecia e ainda está presa em seus calabouços... - o mestre explicou rapidamente.

— Ainda não entendi o que isso tem a ver com Trunks e Bulma... - Pirza comentou.

— Tem tudo a ver minha querida. - Mestre falou afastando-se de Bulma e aproximando-se de Pirza, olhando o decote da mulher, parando sua mão a meio palmo dos seios dela ao ver o Capitão olhar-lhe furioso. - Bem... - ele continuou virando-se rapidamente e olhando os outros. - Essa profecia é o motivo de tudo, é o motivo de todos estarmos aqui hoje.

— E, afinal, o que essa profecia diz? - Marvin indagou sem paciência.

— A profecia dizia que só haveria um jeito de Freeza ser derrotado. - Mestre Kame recomeçou solenemente. - Ele seria derrotado pelo herdeiro mestiço da realeza de duas raças. Um príncipe que seria a mistura da raça mais forte com a raça mais inteligente do universo. Ele seria derrotado pelo filho do rei sayajin com a princesa terráquea. Compreende? - Indagou sugestivamente, encarando Bulma que o olhava impressionada. Dois grandes olhos azuis arregalados - Você não está em Vegetasei por acaso, menina... Nós não viemos pra cá, por acaso. Seu pai sabia da profecia e ele fugiu da Terra por que Freeza queria eliminá-los afim de eliminar seu futuro filho, Trunks. Nós viemos para Vegetasei em busca de juntá-la com o herdeiro da raça sayajin, para que juntos, vocês concebessem o príncipe que mataria esse monstro. Tudo que você viveu, minha querida, já estava escrito antes de você nascer...

— M-mas, como pode? Eu não sou a herdeira de realeza nenhuma! - Bulma protestou, os olhos molhados, as mãos tremendo. Se recusando a acreditar no que ouvia. - Sou uma plebeia. Sempre fui... - disse com a voz falhando.

— Não é não. - Mestre Kame replicou com carinho. - Você é nossa princesa. A estória que lhe contei, de Trunks, o primeiro rei da Terra, a estória que seu filho tanto gosta, é a estória de seus ancestrais. Da sua primeira família...

Bulma olhou em volta desnorteada. Ela olhou os rostos dos amigos a procura de uma face discordante, de um olhar que negasse aquilo que ouvira do Mestre. Mas, todos simplesmente a olhavam como se concordassem com o que o Mestre dissera, como se pedissem desculpas.

— P-por que nunca me contaram? - Bulma indagou com a voz trêmula ao encontrar a verdade nos olhos de todos.

— Tivemos medo... queríamos proteger você. - Dezoito falou em tom de desculpas.

— Nos perdoe, por favor, Bulma. - Kuririn pediu também emocionado.

— É algo muito maior do que nós. - Gohan explicou com cuidado. - O futuro do universo está nas mãos de Trunks e não podíamos arriscar isso. Por isso eu o treinei sem sua permissão. É destino dele encontrar esse tirano e não podíamos deixá-lo despreparado...

— Acho que precisamos treinar o príncipe o mais brevemente possível, se realmente ele for o único que poderá vencer esse monstro. - Marvin interveio.

— Ei, ei, ei... - Bulma interrompeu passando de emocionada para defensiva. - Ninguém vai jogar o meu filho pra lutar contra monstro algum!

— Bulma, nós não vamos jogá-lo pra isso, mas é o destino dele. - Mestre Kame insistiu. - E com o destino não se brinca...

— Prova disso é que Trunks nasceu sem precisarmos intervir em nada. - Dezoito completou. - Quando o rei lhe adotou, ele era completamente contra você e Vegeta juntos por que não sabia da profecia, até os criou como irmãos! E nem isso impediu vocês de se envolveram e conceberem Trunks...

— É, ninguém foge do destino. - Oolong disse sombrio.

— Nossa, vocês são muito fatalistas. - Pirza irrompeu, ainda não acreditava muito na estória da profecia. Não acreditava em previsões. - E se essa profecia não passar de uma mera adivinhação e tudo que ocorreu foi simples coincidência?

— Não é assim, Pirza. - Marvin interrompeu, ele sim já estava completamente convencido. - Até aqui em Vegetasei, nós acreditamos em profecias, pois quando são verdadeiras, elas são as maiores forças do universo, pois são forças do destino. E o destino, ninguém muda.

— Então Bulma, você entende nossos motivos? - Videl disse aproximando-se da amiga e segurando-lhe as mãos. - Entende que fizemos isso pro seu bem e para o bem de Trunks? Que pensamos no futuro de todos? Você nos perdoa, minha amiga?

Bulma ficou em silêncio por um longo momento apenas observando os olhos de Videl. Todos esperavam uma explosão da cientista.

— Vocês não tinham esse direito! - Ela começo confusa deixando todos temerosos. - Mas... mas como eu poderia ter raiva de vocês? Eu teria que ser muito mal-agradecida... - Bulma disse baixinho. - Estou muito decepcionada, mas eu os amo como minha família. Vocês me acolheram, cuidaram de mim, me deram amizade e carinho todos esses anos. - disse olhando para todos. - Eu estou muito confusa com tudo isso de profecia e realeza terráquea... muito confusa. Mas, não estou com raiva de vocês. Desapontada, sim. Com raiva não. - Assegurou entre lágrimas, deixando todos emocionados.

— E sobre Trunks, o que pensa em fazer? - Gohan perguntou preocupado. - Precisamos treinar ele, Freeza se aproxima a cada dia e vai achar seu filho mais cedo ou mais tarde, é o destino. Agora cabe a você deixá-lo preparado ou não pra isso.

— Podem treiná-lo. - Bulma decidiu cansada, a cabeça confusa demais para pensar direito, mas convencida das palavras dos amigos. - Mas não contem nada ainda. Quero ter direito de contar isso eu mesma para meu filho, quando eu perceber que ele está preparado.

— Eu posso treiná-lo. - Marvin sugeriu. - Mas, farei isso apenas até Rei Vegeta retornar, depois disso ficará ao cargo do pai dele, por que vocês querendo ou não a verdade será revelada ao rei Vegeta.

Todos ficaram novamente surpresos com aquela revelação de Marvin. Ainda não sabiam nada sobre as intenções do capitão de contar a verdade ao Rei. Bulma não disse nada sobre o assunto, estava muito confusa com a estória da profecia, e seus pensamentos foram interferidos pelos protestos de Gohan.

— Não pode fazer isso! Ele matará todos nós por traição! - Gohan dizia apavorado.

— Sem pânico, Gohan. Bulma disse que Kakkarotto concordou em contar tudo, vamos pedir clemência e torcer para que ele nos ouça. - Pirza explicou calma. - Mas, não aceitaremos mais esconder segredos do rei.

— Torcer? - Gohan resmungou quase em pânico.

Todos se entreolharam preocupados. Naquele momento, adentraram correndo na sala Pan e Marron. Goten veio logo atrás muito suado e sorridente e Trunks entrou por último, carrancudo.

O menino de cabelo roxo ficou estarrecido ao ver o capitão na sala de sua casa.

— O que o capitão faz aqui? - Trunks perguntou a mãe, apontando para o capitão, alheio aos rostos preocupados de todos.

— Trunks, ele é meu amigo. - Bulma falou olhando emocionada para o filho. - E aquela. - disse apontando para Pirza. - É outra amiga da mamãe...

Trunks aproximou-se de Pirza e curvou-se em um cumprimento respeitoso. A mulher agachou-se e pegou na face do filho de Vegeta.

— Se porta como um verdadeiro príncipe. - Pirza exclamou emocionada, abaixando-se e tocando na bochecha de Trunks. - Você é idêntico...

— Pirza, por favor. - Bulma interrompeu antes que a amiga falasse qualquer coisa, ela ainda precisava contar a Pirza sobre quem Trunks achava que era seu pai. - É melhor todos irmos jantar.

Pirza entendeu e levantou-se. Todos fizeram o mesmo e seguiram Bulma.

O jantar foi silencioso. Ouvia-se apenas o tilintar dos talheres e as poucas brincadeiras das crianças.

Não se falou de mais nada aquela noite. Quando o jantar terminou, todos alegaram cansaço e partiram rapidamente. Todos cheios de dúvidas e inseguranças.

Era a primeira vez que um jantar terminava assim na casa da Família Briefs.

Sete dias passaram muito rápido em Vegetasei.

Bulma dissera a Pirza sobre a mentira contada a Trunks sobre quem seria seu verdadeiro pai. A mulher ficara estarrecida com tal constatação e pediu a Bulma que logo que as coisas fossem consertadas, contasse a Trunks quem era seu verdadeiro pai, visto que o menino tinha direito de saber de tudo, assim como tinha direito de saber da profecia.

Paralelamente a isso, Pirza passara os sete dias em vão tentando falar com Vegeta. Ela queria pedi-lo para voltar, pedir que ele mandasse Kakkarotto de volta e que eles conversassem sobre algo importante.

A dona do Bulma's estava muito aflita e não podia dividir essa aflição com ninguém. Nem contara mais a Bulma sobre a busca das esferas que Vegeta estava executando. Sabia que Vegeta poderia descobrir tudo quando fizesse o desejo ao deus dragão. Ela sabia que se o rei descobrisse a verdade por outras bocas, ficaria ainda mais zangado e frustrado e Vegeta nessa condição poderia ser extremamente perigoso.

Pirza pedia a Kame todos os dias que o dragão não revelasse nada e que apenas dissesse que não poderia realizar aquele desejo, caso contrário, ela temia pela vida de todos os envolvidos naquela estória.

O pior pra ela é que não podia dividir aquela angústia com ninguém. Não queria alarmar Bulma e os outros e torcia para que o amor que o rei nutria pela cientista superasse todas as suas mágoas quando aquela terrível verdade fosse revelada.

Kakkarotto foi atender ao chamado da nave real.

Fazia dois dias que sua nave recebia chamados do rei e que deliberadamente eram ignorados à mando do general. Contudo, a equipe já estava ficando apreensiva por ignorar o rei e Kakkarotto sabia que não podia continuar com aquilo por muito tempo.

Então, engolindo de todas as formas possíveis a raiva que sentia do rei por ter dormido com Bulma e tentando ser o guerreiro mais profissional possível, Kakkarotto fez sinal para que um dos comandantes da nave aceitasse a chamada.

— Já não era hora! - Vegeta resmungou assim que apareceu na tela do comunicador. - Em que diabos de buraco vocês se meteram que não conseguem completar uma chamada, Kakkarotto? - o rei indagou com seu típico mal humor.

— Estamos no diabo do buraco em que você nos mandou ir, Vegeta. - Kakkarotto respondeu sério, sem paciência para a rabugices do rei.

— Deixe de ser petulante, Kakkarotto! - Vegeta ralhou ante a postura do general. - Tem notícias de Tarble?

— Ele está vivo. - Kakkarotto anunciou ainda sério. - Segundo as informações que colhemos até aqui, ele está preso na nave principal de Freeza.

— E a nave? Estão próximos de encontrá-la? - Vegeta perguntou secamente, escondendo a emoção que sentia.

— Já encontrei a nave de Freeza. A alcançaremos hoje ou amanhã no máximo. Mas, foi fácil demais... - falou significativamente.

— Deve ser uma armadilha, então. - Vegeta complementou o pensamento do general. Quando trabalhavam juntos era assim, podiam completar o pensamento um do outro. Juntos, o general e o rei eram o time perfeito no campo de batalha. - O que planeja fazer? - Vegeta indagou interessado. Adorava discutir planos de combate com Kakkarotto.

— Vou usar uma das nossas estratégias ensaiadas. - Kakkarotto revelou sem dar mais detalhes.

— Qual delas?

— Não posso revelar, podemos estar sendo interceptados, Vegeta. Esqueceu das regras de precaução padrão? - Kakkarotto explicou com um pouco de irritação.

— Kakkarotto, é impressão minha ou você está de má vontade comigo, seu imbecil? - Vegeta indagou notando a hostilidade com a qual estava sendo tratado.

— Deve ser coisa da sua cabeça. - Kakkarotto retrucou sem dar atenção. - A falta de oxigênio do espaço deve estar mexendo com vosso neurônios, majestade. - Ironizou.

— Kakkarotto, seu verme, se continuar falando assim quando voltarmos ao planeta terá o castigo merecido. - Vegeta disse zangado ao perceber que todos os subordinados das duas naves observavam a conversa. - E a propósito, sobre o planeta, tem notícias? Os inúteis daqui não conseguem comunicação desde que saímos da galáxia leste.

— Está tudo certo por lá, Vegeta. - Kakkarotto respondeu de mau humor. - Falei com Marvin a dois dias, a propósito quando voltarmos precisamos conversar sobre...

— Majestade, estamos chegando. - Kakkarotto viu um dos comandantes se aproximar de Vegeta e interrompê-lo no exato momento em que ele ia falar sobre a "conversa" que teria com o rei quando voltassem a Vegetasei.

— Kakkarotto, me mande notícias depois. - Vegeta disse desligando o monitor de repente.

E ao desligar o monitor, Vegeta viu pela janela principal da nave, o planeta do qual eles se aproximavam.

Vegeta sempre achara o universo por si só muito bonito, mas nunca imaginara o quanto ele podia ser lindo.

Ao vislumbrar o mundo azul suspenso na imensidão escura do universo, Vegeta concluiu que só Bulma mesmo podia ser a princesa daquele planeta, pois como ele imaginara, aquele planeta deslumbrante tinha a exata cor de seus olhos.

— Você acha que ela vai voltar?— Ângela perguntava preocupada para Tarble pela milésima vez naqueles últimos dias. Estavam na cela quase escura e tentavam dormir. Ângela agora ocupava a cama que fora de Uranai. A velha havia sido levada há quase sete dias da cela sem nenhum explicação e nunca mais regressara.

— Eu não sei, Ângela. Não sei mais de nada. - Tarble disse cansado de sua cama. Fazia doze dias que estava em cárcere e ainda passavam por sua mente as cenas de seus amigos sendo trucidados quando foram atacados e embora o príncipe se sentisse agora fisicamente melhor, pois já não estava sendo espoliado de seu sangue há uma semana, ele ainda sentia-se terrivelmente abatido pela sensação de impotência, a sensação que sentira ao ver sua nave atacada, a sensação que sentia ao estar ali sem poder escapar, sem nem ao menos poder ajudar a bela garota à sua frente.

— Tarble, o que será da gente? - Ângela perguntou novamente, ela já havia levantado de sua cama e fora até a cama de Tarble, sentando-se nela e olhando o deitado. - Acho que vamos morrer aqui... - disse sem esperança.

— Não fale assim, Ângela. - Tarble consolou sentando-se na cama e abraçando a companheira de cárcere. - Sempre haverá uma esperança... Meu irmão está lá fora e tenho certeza que ele virá atrás de mim. Ele é muito mais forte que esse lagarto e seus comparsas e quando eu sair daqui vou levar você...

— Promete? - Ângela perguntou tentando se apegar a ínfima esperança que lhe era oferecida.

— É claro. - Ele sorriu de lado olhando nos olhos da garota e os dois se encararam profundamente por um bom espaço de tempo. - Sabe Ângela, agora eu entendo por que os sayajins são fascinados pelas terráqueas. - ele confessou um pouco trêmulo tocando numa mecha do cabelo ruivo de Ângela. - Vocês são realmente as fêmeas mais bonitas que já encontrei pelo universo.

— Eu também posso entender a atração que as terráqueas sentem pelos sayajins... - a garota disse aproximando seus lábios dos lábios do príncipe. Um encontro de lábios secos e rachados, que logo molharam-se com a saliva um do outro quando beijaram-se novamente. Ângela passando a mão livre na nuca do sayajin fazendo-o se arrepiar inteiro. Tarble colocando os braços ao redor do pequeno corpo de Ângela trazendo-a mais para perto de si.

Quando pararam de se beijar, Ângela olhou o sayajin na penumbra da quarto e tirou o vestido que cobria-lhe o corpo. Tarble hesitou ao perceber a intenção da jovem.

— Ângela, por favor, não... - ele pediu preocupado. - Não quero que pense que estou me aproveitando...

— Eu sei que você não está. - Ângela disse trêmula arqueando o corpo sobre o do príncipe. - Eu quero ficar com você. Quero ficar com alguém por vontade própria.

— Eu também tenho vontade de ficar com você... - o sayajin confessou agarrando o corpo da jovem e voltando a beijá-la, jogando-a sobre a cama e colocando-se sobre ela e na medida em que suas mãos passeavam com cuidado pelo corpo da jovem, as mãos dela ajudavam-o retirar parte da armadura que ainda usava.

— Tem certeza que quer isso? - Tarble perguntou com a voz embargada quando terminou de tirar sua roupa.

A resposta dela foi a carícia na calda do sayajin. Carícia que o fez respirar ainda mais descompassadamente.

— Está tudo bem? - ele perguntou em um dado momento. Sentia muito desejo, mas ainda tinha uma ponta de preocupação.

— Está perfeito. - Ângela murmurou ao ouvido do príncipe. - É muito bom.

— Pode ficar ainda melhor... - ele falou rouco de excitação com as palavras dela, começando a se mexer devagar, e ao senti-la estremecer, ele beijou-lhe a boca.

Tremendo, ambos se abraçaram na cela escura. Tarble beijou o topo da cabeça de Ângela e a abraçou com força, adormeceram tranquilos e contentes pela primeira vez naquele lugar sombrio.

Bulma preparava alguns hambúrgueres naquele fim de tarde. Ela encontrava-se bastante distraída na última semana devido ao acontecimentos recentes.

Ainda não conseguia processar a revelação de Mestre Kame. Ela? Como ela poderia ser a herdeira da realeza terráquea? Aquela revelação a deixara as últimas noites em claro.

Pois, descobrir aquela verdade aquela altura de sua vida era algo brutal. Ela que passara tanto tempo sofrendo, tanto tempo pagando por seu sangue plebeu... Agora o jogo virava e ela descobria seu sangue nobre, e não conseguia deixar de pensar que, talvez, tudo pudesse ter sido diferente se tivessem lhe dito aquilo mais cedo, se ela soubesse a mais tempo sobre seu direito de sangue. Ela também não podia deixar de pensar "Se Vegeta soubesse..."

Em meio a seus pensamentos ela terminou a enorme bandeja de hambúrgueres e com um pouco de dificuldade, levantou-a com um dos braços enquanto o outro pegava uma grande jarra de suco, antes de seguir para o jardim dos fundos da casa.

Quando chegou a parte detrás de sua casa ela colocou rapidamente os fardos sobre uma mesinha de madeira que havia na varanda e olhou para o céu.

Trunks estava lá.

Treinava sozinho como se estivesse lutando com alguém de verdade. Treinava com vontade. Treinava mais do que ela considerara normal.

E Bulma estava preocupada com aquilo também. Pois, nem suas diversas preocupações sobre a descoberta de sua origem, a briga com Kakkarotto e a verdade para Vegeta a deixavam perder o foco de Trunks.

Bulma já havia notado o quanto o menino estava calado, sisudo e até triste desde a época da briga com Kakkarotto. Desde que ela ajudara a dizer que o rei não era seu pai. Mas, Bulma observava outras mudanças se operando em Trunks e aos poucos ela ia ficando mais preocupada com o menino.

Trunks estava obcecado em lutar.

Ele acordava cedo e treinava antes de ir para academia. Passava o dia na academia onde Marvin passara a lhe dar um treinamento especial na última semana, voltava da academia e se colocava a treinar só parando para comer, fazer as lições e dormir. Bulma sabia que o filho tinha que treinar, pois um dia teria que enfrentar esse monstro horrível de que todos falavam. Só em pensar nisso sua espinha gelava. Mas, mesmo assim, ela ainda estava inquieta com as atitudes de Trunks, parecia que havia algo mais.

— Trunks, hora do lanche! - Bulma gritou para o alto a fim de que o menino ouvisse.

Trunks parou no ar, olhou para a mãe com uma visível cara de desagrado e desceu até ela. Bulma notou a expressão do menino. Novamente, era assustador como parecia com Vegeta. Com um suspiro cansado, ela sentou à mesa de dois lugares, pegou um sanduíche e se serviu de um copo de suco.

— Mamãe, não devia ter atrapalhado meu treinamento. - Trunks reprendeu-a ao se aproximar e sentou-se à mesa no lado oposto ao que Bulma se encontrava.

— Querido, já faz três horas que você estava ali. - Bulma replicou explicando-se.

— Eu sempre treino por quatro horas quando chego da academia, a senhora sabe. - O pequeno disse pegando alguns hambúrgueres e colocando no seu próprio prato.

— Trunks, pra quê treinar tanto? - Bulma perguntou direta. - Goten tem sua idade, não treina nem a metade do tempo...

— Goten é um paspalho. - Trunks disse após engolir o segundo sanduíche. - Além do mais, já está chegando o torneio de arte marciais.

— Mas, você nem vai participar desse torneio, filho. - Bulma comentou sem entender o que tinha a ver aquilo.

— Eu vou sim, mamãe. - Trunks falou como se fosse algo há muito decidido. - Estou na categoria infantil.

— E por que não me disse nada? - Bulma perguntou exaltando-se. - Pensei que pra essas coisas tivessem que ter a autorização dos pais.

— E eu tenho. Kuririn e Dezoito não são meus pais perante a lei. Não são? - Trunks disse antes de beber um grande copo de suco.

Bulma o olhou estarrecida. Um misto de surpresa e raiva.

— Não acredito que eles assinaram uma autorização sem me comunicar! - Bulma replicou zangada.

— Eles não assinaram, mamãe. - Trunks falou calmamente.

— Mas você disse que tinha a autorização. - Bulma retorquiu sem entender.

— E tenho. - Trunks afirmou sugestivamente encarando a mãe.

— Trunks, mocinho, você não... - Bulma disse zangada entendendo o que o menino quis dizer. Ele havia falsificado a autorização.

— Viu mamãe? Eu também tenho meus segredos. - Trunks falou com um sorriso de lado ao terminar o último hambúrguer. Um sorriso cínico, terrivelmente parecido com o de Vegeta. - Obrigada pelo lanche. - ele completou disparando com um pulo para o alto.

— Mas, Trunks... - Bulma ainda tentou dizer antes do menino disparar para o céu sem lhe dar ouvidos.

Bulma ficou estática, o hambúrguer mordido pendendo entre uma das mãos, o copo de suco meio cheio.

Trunks lhe dera o troco na medida certa por sua mentira sobre a noite no bar. E fizera exatamente como Vegeta teria feito. Se seu amado não estivesse vivo, ela poderia jurar que ele havia morrido e reencarnado em Trunks.

Os dois faziam o que queriam. Eles a manipulavam como queriam. E ela havia se libertado daquilo com Vegeta, e não queria que Trunks fosse o mesmo que ele.

Finalmente, decidiu que não ia brigar por isso. Ela merecia aquilo por mentir para Trunks. Ela não ia se impor ao menino participar do torneio, sabia que não adiantaria mesmo.

Além do mais, Vegeta não estava no planeta e agora haveria Marvin para cuidar de Trunks na arena. Concluiu que era uma forma de compensar Trunks pelas mentiras que lhe contara.

E agora que entendia por que o menino se dedicava tanto a treinar, seu coração estava um pouco mais leve.

O que Bulma não sabia é que Trunks, naquele momento, treinava lá em cima com um pensamento fixo na conversa que tivera com Marvin aquela manhã.

— Por que está treinando com tanto afinco, Trunks? - Marvin indagou interessado após uma sessão pesada de treinamento com o menino.

— Quero vencer o torneio de artes marciais infantil. - Trunks disse simplesmente, um motivo para encobrir suas reais intenções.

— Está interessado no prêmio ou está interessado em lutar com o rei? - Marvin indagou enquanto tomavam água.

Trunks ficou surpreso. Como o capitão havia descoberto suas intenções de enfrentar Rei Vegeta?

— Como soube que quero lutar com o rei? - Trunks indagou impressionado.

— Se quer ganhar o torneio é por que quer lutar com o rei. - Marvin explicou. - Afinal, a criança que ganha o torneio, tem direito a uma luta com o rei não é mesmo?

Trunks ficou perplexo. Ninguém havia lhe contado ainda que esse era um dos "prêmios" daquele torneio.

E era por isso que o menino estava agora especialmente animado com o torneio. Ele venceria a contenda infantil de qualquer maneira, já que agora sabia que o vencedor do torneio infantil seria presenteado com um confronto com o rei.

Aquela era a chance que Trunks esperava e ele não ia desperdiçá-la.

Vegeta desceu a rampa da nave se sentindo estranhamente leve. Fosse por que a gravidade naquele planeta era inferior a de Vegetasei, fosse por que a brisa fresca daquela tarde batesse no seu rosto, fosse por que o sol amarelo e morno tocasse sua pele quase como uma carícia, ou fosse por que estava prestes a conseguir o que tanto queria, Vegeta se sentia muito leve.

Ele próprio carregava a maleta de chumbo contendo as seis esferas em uma das mãos, enquanto na outra tinha o radar do dragão, que para sua satisfação, já apontava um pontinho piscando numa distância não muito longe dali.

Ao chegar ao final da rampa ele se deparou com dois rostos conhecidos aguardando-lhe.

O primeiro, insanamente parecido com Kakkarotto, era Bardock, o velho general e conselheiro de seu pai, que fez uma reverência assim como os demais sayajins, quando ele se aproximou. O outro, um alien verde e alto, tinha os braços cruzados e o olhava com cara de poucos amigos. Ele sabia que era Piccollo, o ser que lhe contara sobre a profecia anos atrás.

— Seja bem vindo, Rei Vegeta. - Bardock falou respeitoso ao fazer uma reverência para o rei.

— Sem tempo a perder, Bardock. - Vegeta disse entregando a maleta com as esferas ao ex-general. - Vou buscar essa última esfera imediatamente.

— Sayajin! Antes de qualquer coisa, tenho um recado para dar-lhe. - Piccollo interrompeu.

— Não tenho tempo para recados. - Vegeta disse incisivamente e mal-humorado.

— Você já esperou pelas esferas sete anos, alguns minutos a mais ou a menos não fariam diferença, mas podem fazer para seu planeta se Freeza invadi-lo. - Picollo insinuou.

— O que está dizendo, alien? - Vegeta indagou dando atenção pra Picollo ao ouvir seu planeta ser citado.

— Tenho um convite. - Piccollo anunciou. - Kami Sama quer encontrá-lo agora. Ele tem algo muito importante a falar-lhe sobre Freeza e o futuro de seu planeta.

— O Kami Sama desse planeta quer me ver? - Vegeta indagou um pouco surpreso. - O que ele sabe sobre Freeza e Vegetasei?

— Mas do que você pode imaginar. - Picollo rebateu. - Ele quer falar sobre a profecia. Vamos até ele. A esfera ainda estará no mesmo lugar quando retornarmos...

Um tanto a contra gosto, mas interessado e curioso, Vegeta consentiu. Piccollo disparou para o céu em voou imediatamente. Vegeta seguiu-lhe.

Voaram pelo céu como foguetes. Depois de alguns minutos estavam na morada celestial.

— Aqui é o castelo de seu Kame? - Vegeta desdenhou. - O meu é muito melhor.

Picollo olhou o rei com desagrado e caminhou para a entrada do lugar, Vegeta o seguiu em silêncio. O alien parecia até mais rabugento que ele próprio.

Ao adentrarem ao lugar, Kami Sama já os esperava de pé ao final de um grande salão de pedra branca polida.

— Este é o rei dos sayajins, Kame. - Picollo anunciou quando se aproximaram.

Vegeta sustentou um olhar firme para o ser velho e verde que o olhava quase que impressionado.

— Então você é o Kami Sama desse planeta? - Vegeta indagou desdenhoso. - Pensei que seria coisa melhor...

— Não se engane com as aparências, rapaz. - Kami Sama disse severamente. - Vamos ao que interessa já que você mesmo anda dizendo que está apressado.

— Gosto disso, velho. - Vegeta retorquiu satisfeito. - O que quer me dizer?

— É melhor nos sentarmos, - Kame falou indo até uma mesa grande próxima. - Essa será uma longa e difícil conversa.

Uma hora mais tarde, Vegeta saía a passos firmes da morada celestial. Estava furioso e ultrajado com as coisas que o velho Kame lhe dissera. Que ideia ridícula, ele pensava. Era a maior insolência que já tinha ouvido na vida. Se não fosse pelo alien maior ter lhe segurado, ele teria pulverizado o velho Kame daquele planeta só por insinuar tantas besteiras.

Como achavam que ele se submeteria a tal humilhação? Ele próprio venceria o tal Freeza, isso era fato inquestionável. Não precisaria de ajuda nenhuma pra isso, nem mesmo do que estava envolto naquele embrulho que ele trazia guardado em sua armadura. O velho verde só poderia estar maluco em achar que ele um dia usaria aquilo.

Achando que tinha perdido seu tempo e tentando dispersar sua irritação pra longe, Vegeta tentou concentrar-se no que realmente era importante pra ele naquele momento.

Voou de volta até Bardock e pegou com o ex-general o radar do dragão e a maleta com as esferas. Seguiu com eles até o lugar apontado na tela do pequeno radar. Em questão de minutos estava em uma ilha vulcânica no meio do oceano pacífico.

— Maldição! - disse irritado ao ver a localização da esfera. - Por que elas sempre tem que estar embaixo d'água? - resmungou juntando o ki e aumentando-o. Teria que se transformar em super-sayajin para pegar a esfera e agora entendia por que não haviam encontrado o artefato.

A esfera estava muito, muito submersa e Vegeta sabia que só conseguiria alcançá-la na forma super sayajin, do contrário, seria esmagado pela pressão da água nas profundezas do oceano.

E quando seus olhos tornaram-se verdes e seus cabelos loiros, Vegeta voou sobre o oceano, parando em cima do local onde a esfera estaria.

Juntou todo o ar que podia e como uma bala, ele mergulhou oceano adentro.

Passou muitos e muitos minutos mergulhando. Passou por algas, peixes e todo tipo de criaturas marinhas que ele nunca tinha visto na vida. Quando finalmente achou que tinha chegado ao fundo, encontrou o que parecia ser uma fenda no chão no oceano. Uma grande e profunda fenda onde ele não podia enxergar nada, a não ser o brilho de seu corpo e um ínfimo ponto brilhante na escuridão lá embaixo.

Mergulhou novamente entre a fenda e sua emoção aumentava a medida que aproximava-se do ponto brilhante.

Ao chegar ao fundo da fossa abissal, ele pegou o ponto brilhante com a mão enluvada, agarrando-o com força entre os dedos.

Disparou oceano a cima o mais rápido que podia. O ar em seus pulmões acabando-se.

Respirou profundamente ao voltar a superfície. Secando seu corpo com seu ki.

— Consegui! Já tenho as esferas do dragão! - ele gritou emocionado com a respiração cansada. - Nada poderá me separar dela agora! - disse com convicção olhando o brilho dourado da esfera erguida em sua mão.

Voltando à praia, Vegeta pegou a maleta que deixara sobre a areia e retirou os artefatos juntando-os. O brilho dos artefatos deixando Vegeta trêmulo de ansiedade.

— Apareça, Dragão! - ele gritou e os artefatos brilharam com ainda mais intensidade. Por um segundo Vegeta temeu que fosse dar errado, por que nada acontecera.

Mas, quando ele menos esperava, o mar se agitou. As ondas cresceram e descontrolaram-se. O vento começou a balançar com força a mata que circundava a praia. O céu escureceu como se uma grande tempestade se aproximasse e relâmpagos começaram a cortá-lo freneticamente. Os trovões quase ensurdeciam o rei, quando ele viu algo aparecer no horizonte. Um grande dragão surgiu aterrador e aproximou-se, olhando-o com dois olhos vermelhos brilhantes.

Qual é o seu desejo?

A voz cavernosa e assustadora fez o rei abrir um sorriso de canto. Cheio de satisfação.