J~L
Nota: Estou postando em menos de uma semana =) Cheque se leu o ultimo capitulo ;)
-PRESENTE-
Um rastro de beijos a acordou naquela manhã. Não ousou abrir os olhos, aproveitando cada centímetro que a boca de James cobria de sua nuca e sua pele ficar toda arrepiada. Quando ele se afastou, ela resmungou com um gemido e ouviu um riso como resposta. Alguns segundos depois, uma fumaça quente se aproximou de seu nariz e quando ela inalou, sentiu o cheiro delicioso de café. Abriu os olhos e se deparou com James encostado na cabeceira da cama, sem camisa, com uma xícara de café na mão, que ele agora levava aos lábios sorridentes. Uma cena maravilhosa para se acordar.
- Bom dia. - James disse após dar o gole no café. - Dormiu bem?
- Muito bem. - Ela se espreguiçou e se sentou, encarando a xícara na mão dele. - Por um momento, quando eu senti aquele aroma delicioso me acordando, eu pensei que era para mim.
James deu de ombros.
- Enganos acontecem. Você é humana, não se culpe. - Ele deu um outro gole no café.
- Vou voltar a dormir então. - Lily voltou a se deitar, dando as costas para ele, encarando a janela. Ouviu uma movimentação na cama.
- Ok, eu vou te dar um pouco. Pode virar.
A ruiva prontamente se sentou e virou, se deparando não com uma xícara de café, mas com uma bandeja de cafe da manha em cima do baú, aos pés da cama. Lily se virou para ele, feliz.
- Isso é sério? Um café da manhã todinho?
- Veja como uma forma de agradecimento por ontem. Eu não possuo meios de te agradecer por ter estado com a minha família no hospital e por ter ficado comigo essa noite...mas achei que o mínimo que eu podia fazer essa manhã, era isso.
- Eu nunca recebi um café na cama. - Ela estava toda boba com aquele gesto.
- O que posso dizer? Eu sou o cara mais legal que você já passou a noite, pelo visto.
Lily revirou os olhos, mas logo se apressou para chegar até a bandeja, sentando-se de frente para toda aquela comida e pegou seu café, ainda quentinho. Ela se virou para ele, que a assistia ainda da cabeceira.
- Venha, eu divido com você.
- Ah, que generosa. - Ele disse, sarcasticamente. - Muito obrigado.
James se juntou à ela e eles puderam aproveitar o café da manhã juntos. Neste meio tempo, ele ligou para Euphemia para ter notícias de Fleamont.
- Passou uma boa noite e acordou bem disposto, filho. Parece que ontem nunca aconteceu. Gostaria de almoçar conosco hoje? Eu queria almoçar com os Evans, eles vieram de tão longe ontem para nos ver, foi muito gentil. E seu pai não quer ficar em casa, diz que se sente um doente terminal por como eu estou lidando com ele. - Euphemia dizia, sua voz ecoando no quarto. James olhou para Lily.
- Claro. Mas não seria muito cedo para tirá-lo de casa?
- Poderíamos comer no seu apartamento, o que acha? Eu posso preparar tudo aqui e trazer. Os Evans não conhecem seu apartamento ainda e foi a filha deles que o decorou.
Lily sorriu e assentiu, orgulhosa. Ela mastigava um croissant e abria os braços, mostrando o quarto como se fosse sua obra de arte. James riu.
- Claro, se não for muito esforço para ele. Às 13h?
- Às 13h estaremos ai.
Após terminar de comer, James saiu do quarto para conferir algo do trabalho e Lily pegou seu celular e continuou deitada, checando ela mesma seu email profissional. Ontem ela deveria ter trabalhado para adiantar algumas coisas, mas a vida, novamente, mostrando que os planos poderiam ir pelo ralo. Pessoas mais importantes precisavam dela.
Quando ele voltou, meia hora depois, Lily estava deitada atravessada na cama, olhando seu perfil em uma rede social, coisa que não fazia com frequência. Ele tinha uma caixa nos braços que depositou nos pés da cama.
- Terminou seu trabalho por agora? - Ela perguntou.
- Por hoje. Eu vou dar atenção para algo melhor. - James se sentou ao lado dela e piscou um olho para a ruiva. - Minha mãe me entregou essa caixa ontem. Era do meu antigo quarto e que esteve por anos guardada. Ela pediu para eu dar uma olhada. Eu acho que há alguma coisa ou outra que você dará risada.
Se animando, Lily se sentou na cama e fez sinal para ele passar a caixa para ela.
- Coisas constrangedoras de James Potter. Eu estou dentro.
Ele riu e pegou a caixa, colocando entre eles e a abriu.
A primeira coisa na caixa, bem no topo, era um guardanapo um pouco amarelado com um desenho de Hogwarts. Lily pegou a folha e tinha a surpresa completamente espalhada por seu rosto. Uma memória muito antiga, de quando tinham onze anos, a invadiu:
"Quando eles terminaram a refeição e os adultos passaram para a sala para conversarem, os dois continuaram sentados na mesa, conversando. A ruiva fez um pequeno mapa no guardanapo para demonstrar os prédios e as salas de Hogwarts, explicando para James um pouco sobre o terreno. O garoto ficava com os olhos grudados no desenho, sugando todas as informações que ela passava."
- Você guardou o mapa que eu fiz no primeiro dia que nos conhecemos?
"- Eu te vejo dia primeiro? - Ele perguntou, levantando.
- Sim. E não se preocupe: você vai adorar Hogwarts e todo mundo de lá. Eu vou te ajudar.
- Eu posso levar o desenho?
- Claro! - Lily pegou o guardanapo e entregou para ele."
- Eu sabia que eu o tinha, mas não sabia onde. Eu pensei que estava perdido, mas minha mãe guardou.
Aquilo era tão nostálgico e saudoso, que o sorriso não saia dos lábios dela. Por um momento, ela conseguiu se ver na sua antiga casa, vendo James pela primeira vez, mostrando fotos e contando sobre Hogwarts para o novo garoto bonito.
Sua atenção caiu para James, que revirou algumas coisas da caixa e tirou uma folha de dentro. Ele riu sozinho olhando para aquilo, antes de virar para ela e Lily ver que era a prova de biologia de James. O maroto apontou para o canto, onde havia alguns rabiscos e ela levantou as sobrancelhas, tirando a folha das mãos dele. Aproximando o rosto o suficiente, era visível o "L.E" e um par de olhos pintados de caneta verdes por baixo dos rabiscos de caneta preta.
- Eu não acredito…- ela disse baixinho.
- Eu te disse que isso existiu. Imagine essa prova rodando nas mãos dos professores. - James esfregou o rosto com uma mão. - Eu tenho certeza que Sprout espalhou para todos. Será que ela ainda está em Hogwarts? Eu deveria ir lá tirar satisfações.
- Ela nem deve se lembrar de nós.
- Claro que lembra! Qual professor não lembraria do grupo de quatro garotos que explodiram o laboratório em plena segunda-feira de manhã?
Lily começou a rir daquele episódio. Aquilo havia acordado à todos, sem sombra de dúvida. Ela estava perto da mesa de James e Sirius, onde ocorreu a explosão, e teve sua roupa coberta de material roxo bizarro que foi criado com a mistura de materiais que eles não deveriam ter feito.
Ela se safou mais do que Remus e Peter, que estavam na mesa da frente.
O laboratório ficou fechado por quase três dias para limpeza e os dois marotos haviam pego suspensão por uma semana.
- Em defesa de Remus e Peter, foi você e Sirius quem explodiram.
- Eles estavam virados para trás e instigando Sirius a colocar o líquido dentro do cubo de ensaio. - James se defendeu.
- O que eu não entendo até hoje é o que vocês faziam com aquilo, sendo que estávamos na aula de Biologia e não de Química.
- Você quer achar uma razão para Sirius fazer certas coisas? - Ele levantou a sobrancelha, incrédulo.
Lily assentiu, concordando com ele.
Dentro da caixa, mais memórias e que muitas delas Lily poderia dizer que esteve junto: tickets de cinema para os filmes de Star Wars de 2002 e 2005, entradas para festivais de música, ingressos para os jogos de futebol da Inglaterra durante os jogos olímpicos de 2012, cartões de embarque de viagens…
- Eu não sabia que você era do tipo colecionador. - Ela levantou os olhos para ele. James sorriu e se deitou.
- Eu não sou, na verdade. Não propositalmente ou talvez não conscientemente. Mas minha mãe costumava achar essas coisas e guardava. No final, virou uma caixa de coisas que ela achava importante guardar. Ela fez isso até o último dia que morei no apartamento com Sirius e Remus durante a universidade. Quando eu comecei a morar sozinho, ela parou.
- Você deveria estar grato por ela ter feito isso. Eu acho muito bom ter esse tipo de recordação. Queria ter feito o mesmo...não tenho muita coisa de antigamente.
- Muita coisa aí você pode considerar seu, já que você esteve comigo. - James sorria, mas olhava para o teto.
- Você parece estar pensativo. - Ela apontou, se deitando ao seu lado, com o corpo virado para ele.
- Eu queria compartilhar um insight que tive.
- Ok, diga.- Ela o incentivou.
- Nós estávamos vivendo como sempre vivemos e, do nada, tudo mudou. Você acha que as coisas começaram a mudar, porque aquela noite aconteceu? Como se tivesse sido o estopim, aberto uma porta que estava bem fechada e começamos a sentir tudo o que estávamos guardando? Digo, eu posso falar só por mim, claro. - Ele se virou para a encará-la melhor. Por um momento, Lily viu uma sombra de timidez correndo pelos olhos dele. Ficaram se encarando por longos segundos antes dele continuar. - Eu acho que está mais do que na hora de eu deixar algo claro, apesar de não ter planejado isso quando eu comecei essa conversa. - James sorriu para si mesmo e limpou a garganta. Ele se posicionou melhor na cama para ficar de frente para ela. Engoliu em seco antes de voltar a falar. - Eu sou apaixonado por você, Lily. Desde a primeira vez que te vi, quando eu nem sabia o que era aquilo. Eu entendi melhor isso no final daquele verão que passamos longe. Eu pensava que eu tinha me apaixonado por você naquele dia, mas na verdade, naquele final de verão, eu entendi que eu já era apaixonado por você, Lils. Você não me dava bola e ainda tinha o pacto bla bla bla... então eu só pude guardar isso. Eu acho que, mesmo não lembrando daquela noite que passamos juntos, ela foi primordial para chegarmos até aqui. Abriu essa porta que eu sempre mantive, ou tentava manter, bem fechada. Eu sei que falamos sobre os nossos sentimentos na adolescência, mas acho que faltou o detalhe sobre o presente e acho importante você saber que os sentimentos continuam o mesmo.
Ele respirou fundo e passou a mão nos cabelos, nervoso. Lily o olhava, com os olhos verdes bem abertos. Ela não estava esperando por aquilo, mesmo com toda a informação que já tinha sobre ele ter sido apaixonado por ela.
Aquilo era diferente. Aquilo era uma declaração e feita no presente.
Ele é apaixonado por ela. Ele ainda era apaixonado por ela. Uma explosão de felicidade parecia acontecer dentro do seu peito agora. Uma sensação de felicidade que nunca pareceu ter sentido antes.
A ruiva se aproximou dele, tentando conter o sorriso de idiota apaixonada que queria muito soltar.
- Eu acho que você não poderia estar mais certo, e você pode falar por nós dois: toda a paixão por você que eu escondi por anos por trás daquela porta, deve ter sido aberta naquela noite e eu não estou tentando fechá-la. Eu não quero guardá-la e nem escondê-la de ninguém mais. O que eu estou sentindo é muito bom para ficar como segredo e ignorado. Eu quero sentir tudo isso ao máximo que posso.
James encurtou o espaço entre eles, segurando o rosto dela contra o dele.
- Fica comigo? - Ele pediu, quase apressado, como se ela fosse desistir do que havia dito. - Fica comigo, ao meu lado. Como minha namorada, qualquer rótulo que quiser ou sem nenhum rótulo. Eu quero poder te beijar na frente de todos, quero segurar a sua mão, te abraçar sem me preocupar se as pessoas iriam entender errado. Te levar no Madame Puddifoot toda semana… - Ela soltou um riso com a última frase. - Quero dizer para as pessoas que eu sou seu. - Ele fechou os olhos após a última frase. Lily passou a mão pelo rosto dele, pela barba dele que ela tanto amava e que o diferenciava tanto daquele James adolescente.
- Por que você demorou tanto para perguntar isso? - Ela perguntou, rindo.
Ele respondeu a beijando e Lily mais do que aceitou a resposta. O beijo evoluiu rapidamente com todas as palavras e sentimentos a flor da pele.
Como ele já estava sem camiseta desde o começo, ela não precisava se preocupar com aquela peça de roupa dele e apenas deixava suas mãos passearem pelo seu corpo, sentindo a pele de James que parecia em chamas. Dessa vez, sem hesitar, ele puxou a camiseta do Star Wars para cima e a jogou longe, a beijando novamente, segurando uma perna dela para cima para apoiar nas costas dele. Lily sentia a mão dele subindo por sua coxa e parando em seu quadril, a puxando para se encaixar nele..
Os lábios dele deixaram a boca dela e começou a descer por seu pescoço, fazendo Lily apertar os olhos com aquela sensação deliciosa que sentia agora. A mão dele deixou seu quadril e ela sentiu que tateava algo não muito longe, a fazendo se distrair e olhar para o que ele fazia. A mão dele alcançou o botão das cortinas e apertou para fechá-las.
Ele levantou o rosto do pescoço dela.
- Dessa vez, Londres não verá o que acontecerá nesse quarto. - Ele respondeu a pergunta que ela não fez.
- Bem pensado.
James a olhou por um momento antes de depositar um beijo em seus lábios e, vagarosamente, passar para o rosto dela, descendo novamente pelo outro lado de seu pescoço. Se ela havia se distraído alguns segundos atrás, ele foi rápido em colocá-la onde estava antes. Quando seu pescoço acabou e ele se dirigia para baixo, ela soltou uma respiração alta, sem conseguir se segurar mais. Agarrou os cabelos dele e tentou regular a respiração, mas James não parecia querer colaborar.
De repente, ele congelou os lábios ainda em sua pele. Por alguns segundos, ele ficou assim, antes de levantar o rosto entre seios e apoiá-lo na curva do pescoço de Lily. Ela levantou a cabeça para olhá-lo, mas apenas podia ver James rindo.
- Não! não, não, não, não, não, não ! - Ele repetia.
- O que foi? - Ela perguntou, preocupada. Ela havia feito algo? Ele ria dela?
James rolou para o lado, saindo de cima dela e cobriu os olhos com um dos braços. Ele ria, mas não parecia haver graça na risada dele. Soava como uma risada de desespero.
- Nós usamos todos os preservativos naquela noite! - Ele respondeu, ainda cobrindo os olhos e rindo. Lily soltou um suspiro de alívio, sabendo que ele não ria dela de alguma forma.
Ela rastejou pela cama, tentando alcançar sua bolsa que havia pego mais cedo, se esticando o máximo que podia para alcançá-la. Era melhor James Potter segurar aquele pensamento, porque ela ia voltar com aquele preservativo que ela tinha na bolsa e ele ia terminar o que estava fazendo.
Pegou sua carteira e a abriu. Sempre tinha um dentro do zíper. Nunca usou, além da época em que namorava, mas o trocava regularmente para caso ela ou alguém por perto precisasse. Abriu o zíper…
- O que…?
- O que foi? - Ele perguntou.
Pegou a bolsa e começou a revirar. A virou de cabeça para baixo e a balançou, deixando tudo cair no chão. O preservativo estava ali, no meio de toda a tralha que tinha na bolsa…
- James! - Ela o chamou. Ele rapidamente foi até ela, olhando para o chão em meio a maquiagem, batons, creme, papeis de mercado, moedas, carteira, embalagens de chocolate, bala e a embalagem do preservativo aberta. Ela pegou a embalagem para confirmar que estava vazia. - Foram cinco vezes!
- Cinco?!
Raramente limpava sua bolsa. Havia tickets de mercado de dois meses atrás, ela podia ver. Normalmente, ela pegava a carteira ou qualquer outra coisa sem realmente ver o que tinha no fundo da bolsa. Ela virou para o lado quando viu James rindo.
- Por que está rindo?
- Porque nós transamos cinco vezes em uma noite e não lembramos. E quando tentamos uma vez estando completamente cientes de tudo, a gente não consegue.
- O que tinha naquele Firewhisky, James? - Lily se viu perguntando alto. Cinco vezes? Mas caramba, era tanta vontade assim?
- Eu não sei, mas eu duvido que foi culpa dele. Pelo tanto que eu me conheço, o alcool só iria me desacelerar...- James olhou para ela. - Você deve ter pulado em mim, Evans...e eu não pude resistir.
- A culpa é minha agora? Você está me acusando de ter me aproveitado? - Ela levantou uma sobrancelha para ele.
- Foi, com toda a certeza, consensual, mas para ter ocorrido cinco vezes em pouco tempo...- ele não terminou a frase e riu consigo mesmo. Ela adoraria saber o que ele havia pensado.
Lily se enrolou como pôde no lençol e virou na cama, encarando o teto. Era nisso que dava fazer as coisas escondido: ser sempre interrompido, nunca estar devidamente preparado para as coisas. Ou isso era um sinal dos céus? Ela poderia, por favor, se divertir um pouco e matar toda aquela vontade de James Potter que ela tinha? Porque ela não se lembrava do dia da confraternização e se foram cinco benditas vezes em uma noite...meu deus, ela estava perdendo algo.
- Isso é tão frustrante!
- Você usou a palavra frustrante na minha cama, Lily Evans?
O celular de James começou a vibrar dentro do bolso da calça de moletom e ele bufou irritado.
- Maldita ideia que tive de trabalhar esta manhã. - ele ralhou consigo mesmo. - Essa ligação é sobre o caso Diggory. Você quer que eu atenda? - Ele perguntou. Lily arregalou os olhos.
- Claro que sim.
- Tem certeza? Você está frustrada e usou essa palavra na minha cama. Eu estou bem inclinado a mudar isso.
- Não é a sua culpa a minha frustração. E de qualquer modo, nós não temos nem um mísero preservativo.
James se aproximou dela novamente, sorrindo torto. Ele a estudou por um momento, os lábios quase encostando nos dela.
- Eu não preciso daquilo para te fazer sair daqui mais do que satisfeita. Eu tenho mãos e boca para isso.
O coração dela falhou uma batida e seu corpo todo arrepiou. Como ele conseguia fazer aquilo apenas com palavras?
O celular continuava tocando. Malditos fossem os Diggory que confiaram na Riddle Company e os infelizes da Riddle Company que eram uns idiotas incompetentes e salafrários!
Lily Evans estava frustrada e puta da vida agora.
- Com muito pesar, eu digo para atender. - Ela suspirou. James suspirou logo depois e pegou o celular, saindo do quarto.
Havia pedido para sua mãe lhe trazer uma muda de roupa para trocar, já que preferia não colocar as roupas que havia passado o dia de ontem no hospital. E nenhuma roupa de James lhe serviria. Então tomou um banho e recolocou a camiseta do Star Wars.
Ela vinha em direção a sala, avistando James sentado no sofá e o laptop aberto na mesa de centro. A televisão estava ligada em um canal qualquer. Ele tinha o olhar muito profissional e ela revirou os olhos, mas não disse nada. A sua raiva havia passado agora, entendendo que James era ocupado e sendo sócio de um escritório com muitos clientes e clientes grandes, ele tinha que atender ligações e às vezes sair para reuniões inesperadas.
Olhou para o relógio e viu que os Evans e os Potter não tardariam. Apoiou as mãos na poltrona, pensando que poderia provocá-lo um pouco.
- Para quem disse que havia parado de trabalhar, você parece estar trabalhando bastante.
- Eu juro que não estou trabalhando. - Ele respondeu, se virando para ela.
- Que bom, porque aquela coisa que você disse sobre mãos e boca...
James se levantou na mesma hora, fechando o laptop e indo em sua direção, com um sorriso maroto, mas a campainha o parou.
- Estou começando a achar que somos muito populares. Quando eu estou sozinho, essa campainha nunca toca como quando você está aqui - O moreno disse indo até a porta. Lily riu, já sabendo que eles seriam interrompidos em pouco tempo, e foi em direção ao quarto, esperando por sua mãe.
Mary Evans e Euphemia vieram ao seu socorro após cumprimentar James. Enquanto Lily trocava suas roupas íntimas no banheiro, ela podia ouvir Euphemia mostrando o quarto para Mary, explicando algumas funcionalidades e não economizando nos elogios à Lily. Quando ela voltou para o quarto já com seu vestido florido e sandálias, riu vendo as duas mulheres brincando com o botão das cortinas.
- O que achou, mãe?
- Você sabe que tem um talento enorme, não sabe? Eu adorei.
- Venha, vou mostrar o resto da casa.
As três saíram do quarto e se viraram para o outro corredor, que levaria ao escritório. Ela mostrou e explicou a ideia no geral, segundo as necessidades de James. De lá, iam em direção a cozinha, mas parou para cumprimentar Richard e Fleamont que conversavam com James.
- Como está se sentindo hoje, Fleamont?
- Ótimo. Estou pronto para pegar aquele avião para a Escócia.
- Nem nos seus sonhos. - Euphemia disse da porta da cozinha.
- Seria ideal talvez deixar para o mês que vem, nao ? Junho deve ser levemente mais agradável do que Maio. - Lily comentou.
- Sabe que naquela terra só chove, não sabe? - Richard comentou.
Ela deixou os três homens conversando e foi até a cozinha, orgulhosamente mostrando o seu trabalho. Depois, da porta da cozinha, ela mostrava a sala. Richard se juntou a elas naquele momento, escutando atentamente a filha.
- Eu amei cada pedaço desse apartamento. - Mary disse, com os olhos brilhando. - Ficou lindo. Claro, não havia como não ficar. - Ela abraçou a filha e lhe dando um beijo.
- Puxou os meus talentos, obviamente. - Richard debochou.
- Honestamente, eu apenas disse do que precisava. Todo o projeto foi ideia dela. - James comentou entregando uma cerveja para Richard, que o agradeceu.
- Ok, parem. Eu sei, eu sei.
Lily ainda conversava com seus pais e Euphemia, enquanto James puxou Fleamont para a sala. Os dois se sentaram, James segurando a sua cerveja e Fleamont com um copo de suco.
- Você se sente bem mesmo? - James perguntou, pela terceira vez em poucos minutos.
- Filho, eu estou ótimo.
- Ok. Certo...então acho que eu posso adiantar algo, assim você não será pego de surpresa.
Fleamont encarou o filho por alguns segundos, sorrindo depois. O mesmo sorriso maroto que os três Potter tinham, ele sabia.
- Você conseguiu a garota! - Fleamont disse. James enrugou a testa, mas sorriu.
- Que?
- Você finalmente conseguiu Lily Evans! - James não respondeu, apenas riu das palavras do pai.
- Como assim "finalmente"? Eu nunca tentei.
- Mas queria. - Foi a vez de Fleamont rir. - E como queria. Vamos ter que levar a sua mãe para o hospital dessa vez.
- Você acha que ela iria pirar com isso? - James perguntou, preocupado. Nem havia pensado em Mary e Richard Evans também. Eles aprovariam?
- Quer fazer um favor para o seu pai? - James assentiu. - Então vou te dar uma ideia. Você fará o meu dia.
Euphemia chamou todos à mesa. Ela havia preparado uma deliciosa lasanha para todos, e um prato especial de salmão para Fleamont, já que ele estava proibido de comer aquela bomba de lasanha.
- Poderia servir a todos, James querido? - Euphemia pediu.
Não era novidade que ela pediria, então ele já estava em pé e a postos. Serviu um por um, entregando o prato correspondente. Olhou ao redor da mesa e confirmou que todos estavam servidos, inclusive ele mesmo.
- Bom apetite! - Disse.
- Bom apetite! - Eles responderam e pegaram seus talheres.
James continuou em pé, observando a todos. Ele olhou para o lado, onde Lily estava sentada e pronta para atacar, quando ele se inclinou, segurou o rosto dela e a beijou. Obviamente que não a beijou como gostaria ou como já havia feito, mas ele mais do que selou os lábios, querendo realmente mostrar que James Potter não estava ali para brincadeiras. Lily não recusou e nem o empurrou, apenas sorriu entre seus lábios. Ouviu um talher caindo em um prato não muito longe dali.
Quando ele se afastou, pôde ver a reação de todos: Fleamont sorria, com o celular na mão e filmando; Richard Evans tinha a boca aberta; Mary tinha os olhos arregalados e Euphemia parecia ter visto um fantasma.
- Bom, ai está. Agora vocês já sabem. - Ele se sentou e pegou seu garfo, como se nada tivesse acontecido.
Os que haviam acabado de descobrir, se viraram para Lily, esperando a reação da ruiva.
- Ele não me forçou a beijá-lo. - Lily sorriu. - Nós estamos juntos!
- Meu senhor!
Euphemia e Mary se levantaram e, indo ao contrário das expectativas de todos de que elas viriam até o novo casal, elas se abraçaram.
- Finalmente!
- Eu pensei que morreria antes de ver isso.
- Eu te falei que aconteceria.
- Minha nossa, como ela era cega…
- ...como ele foi lerdo…
- ...os netos…
- ...casamento na praia...
Quando elas se largaram, com James apoiando o rosto na mão e revirando os olhos com a conversa entre elas e Lily cobrindo o rosto, as duas mulheres deram a volta na mesa e abraçaram os filhos e depois trocaram, abraçando a nora ou o genro.
- James! - a voz de Richard cortou toda a felicidade da sala, fazendo todos os olhos se virarem para ele. O pai de Lily depositou a taça de vinho vagarosamente na mesa, enquanto olhava para o maroto.
- Richard! - disse James, se ajeitando na cadeira, mas antes Richard sequer começar, James continuou. - Eu tenho o maior respeito do mundo por você, Mary e Lily, mas eu gostaria de dizer que, independente da opinião de qualquer um aqui nessa mesa, aquela que vai prevalecer vai ser a de Lily. Eu sou louco por essa mulher e sabendo agora que ela me quer, não haverá ser humano neste mundo que vai me manter longe. Então vocês todos gostando ou não, não vai mudar em nada, apenas se ela disser não.
- James! - Euphemia ralou com ele aos sussurros.
- Rapaz! - Richard se pronunciou novamente. - Depois de todo esse seu discurso, me responda então: por que você demorou tanto para agir? Nossa, aquela minha casa em Londres só faltava sair boiando de tanto que você babava na minha filha. Eu não aguentava mais ter Mary e Euphemia sonhando com vocês dois juntos. Eu não aguentava mais ver Lily olhando para você, esperando uma bendita ação.
- Ela poderia ter agido também, Richard, você sabe. - Mary comentou.
- Mas ela estava sendo mais discreta. - Richard defendeu a filha.
Lily e James se entreolharam.
- Ah, isso é certo. Os olhares dela eram mais tímidos. Os ciúmes também. - Euphemia concordou.
- Lembra daquela vez que Lily deixou cair a garrafa de refrigerante no meio da festa de aniversário de Fleamont quando James chegou com aquela morena há alguns anos atrás? - Mary riu, trazendo Euphemia com ela.
A ruiva escondeu o rosto nas mãos enquanto James levantava as sobrancelhas para ela.
- Ou quando James teceu quase um mestrado sobre como o namorado de Lily na universidade era um idiota fracassado horroroso e que provavelmente era brocha! - Fleamont disse.
As três mulheres se viraram para Fleamont, surpresas, e depois para James. O maroto teve a decência de se envergonhar e abaixar a cabeça.
- Eu estava bêbado.
- Brocha? - Lily perguntou ao seu lado.
- Ele tinha cara.
- Bom, ele não era! - Ela respondeu um pouco indignada.
- Eu imaginei depois da resposta daquele "Eu nunca" no casamento quando Alice aparentemente quase te pegou no ato. Era dele a quem eu me referia.
- Durma com essa informação então, Potter! Eu nunca falei essas coisas sobre as suas namoradas.
- Ah! - Fleamont levantou o dedo, lembrando aos dois que todos escutavam a conversa. - Uma vez eu te peguei falando com Marlene nos jardins de casa em como Tina, a mesma morena da festa e do refrigerante, parecia não…
- Ninguém quer saber, Fleamont. - Euphemia cortou o marido.
- Eu quero saber! - James protestou, olhando Lily de lado.
- Acho que isso tudo é passado. - A mãe do moreno insistiu.
James bufou e cruzou os braços. Uma mão quente pousou em sua perna e ele olhou para o seu lado esquerdo, onde Lily sorria para ele. De repente, nada do que Lily havia dito sobre Tina importava mais.
Pela santa paciência de todos e a sua própria, Lily Evans era sua namorada.
E nada era mais importante do que isso agora.
Após o almoço e as conversas indelicadas que acabaram rolando, fazendo James e Lily ficarem morrendo de vergonha pelos pais e os outros dois casais rirem do passado, decidiram ir embora quando Fleamont mostrava um cansaço atípico. Lily decidiu ir junto, já que tinha coisas acumuladas para resolver, ainda que ia embora contra sua própria vontade. Mary e Richard seguiram Euphemia e Fleamont até o elevador, e quando Lily ainda estava prestes a sair, James agarrou sua cintura, a virando, e a beijando atrás da porta. Não era mais segredo para os pais deles e, logo todo mundo saberia, mas o jeito que ele queria beijá-la não era para os olhos de ninguém.
- Eu queria que você ficasse. - Ele disse no meio do beijo.
- Eu queria ficar, mas não posso. - Lily apertou com mais força os cabelos dele, a respiração descompassada. - Hoje à noite, James Potter, você tem um segundo encontro comigo.
- Isso não é uma pergunta? - Ele riu no pescoço dela.
- Nem um pedido.
Lily tentou se afastar, mas riu quando James a segurou mais forte.
- A que horas? Onde?
- Eu vou te informar.
Com um outro beijo rápido e arrumando seu vestido e cabelo, Lily limpou a garganta e saiu de trás da porta aberta. Sua mãe segurava a porta do elevador enquanto conversava distraidamente com os outros três que a acompanhavam.
- Até mais tarde, Evans. - James acenou enquanto se encostava no batente da porta do apartamento e lhe mandava um olhar sedutor.
- Até mais tarde, Potter.
E com um sorriso travesso, ela entrou no elevador.
N/A: Oi, gente. Sim, um capitulo super pequeno, mas tem uma razão: EU PRECISO DE VOCÊS! Chegamos em um estagio da fic onde temos dois caminhos à seguir e eu fiquei em duvida agora do que fazer. E eu preciso da opinião dessas lindezas de pessoas que leem, porque essa fic é para vocês :D Esse é um dos motivos para eu postar um capitulo curto e rápido, porque precisamos decidir e ter tempo para fazer as mudanças. Me ajudem:
1- Eu continuo com o plano de alongar mais a fic e fazer aquela tempestade e o drama chegar;
2- A calmaria continua, teremos ainda mais capítulos que vão mostrar o que acontece com eles (alguns fatos, alguns acontecimentos específicos aqui e ali) e etc, mas sem o grande drama.
Eu preciso saber o que vocês preferem. Eu vou fazer essa mesma pergunta no outro site onde eu posto (eu não sei se o F.F iria censurar o nome do outro site que começa com Watt e termina com pad) e o mais votado, ganha :D
Resposta para reviews sem login:
Laura: Ooohhh uma aquecidinha leve no coraçãozinho de vocês...esse capitulo tbm :D Euphemia mal sabendo o quanto tava ajudando, meu. Sirius tava tentando fazer acontecer as vias de fato, mas foi a Sra. Potter que deu a cartada final para as coisas ruins ficarem para trás e deslanchar =D Obrigada pela revieew, lindaaa! Beijoooos e espero que tenha gostado desse também :)
Lene Mckinnon: Vovô Potter sobreviveu *ufa* foi so um susto, e que susto. E a vovó Potter representando todos nos hehehehehe veeem, harry. Adoro quando os capitulos da uma aquecida no coraçao de voces *-* fico tao feliz. Prefiro isso do que quando voces ficam bravas HAHAHAHAHAAH Espero que tenha gostado desse tbm. Obrigada pela review, viu? E pela presença sempre *-* Beijoooos, lindaa.
Beijos e até a próxima! hehehehehe
