Cap 19

Fazia meses que estávamos investigando o continente, Rhysand nos mostrou onde seria o ponto central da parte feérica do continente e por ali vasculhamos tudo e não encontramos nada. A partir de então começamos a fazer uma busca aumentando o raio, cada um em direções opostas. O raio já estava distante do ponto inicial e estava cada vez mais arriscado investigar terras de reinos diferentes. Por pouco Cassian não tinha sido capturado e Rhys precisava voltar a Velaris.

Enquanto eles estavam perdendo as esperanças de encontrar a caverna eu estava cada dia mais confiante. Não dormia direito a dias, mas nada disso importava quando eu sentia que estávamos próximo.

-Eu acredito que meus cálculos do ponto central devem estar errados. – Rhysand disse nas nossas reuniões noturnas – Não faz sentido termos procurado por tudo, já estamos muito longe e...eu acho que talvez o ponto central deva ser pra lá da parte dos humanos.

-Eu ainda acho que já passamos da entrada da caverna. Eu voto em fazermos o caminho de volta, mas na direção contraria. – Cassian não acreditava que Rhys estava errado, ele achava que nós não conseguimos enxergar a caverna, o que fazia sentido. Vheela eram mestres em camuflagem.

-Vamos fazer a ronda amanhã mais uma vez, aumentando o perímetro, se não encontrarmos nada fazemos o caminho de volta. – Disse encerrando o assunto, afinal era eu que estava liderando aquela investigação.

Rhysand bufou e passou a mão pelo rosto cansado. – Eu não tenho muito mais tempo Az. Vou trocar com Amren, preciso voltar.

Eu entendia, o grão senhor estava muito tempo afastado da sua corte. Estava levantando suspeitas, principalmente internas. Feyre estava em Velaris, mas para Keir não bastava. Não havia muito o que eu podia fazer, minha cabeça estava focada em apenas salvar Liz. Nunca em toda minha existência eu me dediquei tanto a algo, forçando até mesmo meu grão senhor e amigo nessa loucura.

-Vamos dormir. – Cassian interrompeu nossos pensamentos – Eu fico de primeira guarda.

No dia seguinte nos despedimos como costume, não falávamos muito desde que chegamos no continente, guardávamos energia e magia ao máximo para fazer tudo bem feito. Minhas pálpebras pesavam, pois eu não tinha dormido direito, pesadelos me atormentavam sempre que fechava meus olhos, infelizmente ou felizmente não me lembrava de todos. Deixei as sombras fazerem o caminho mais a frente, duvidava que podiam perceber a camuflagem, mas se vissem algo estranho ou sentisse uma potente magia seria o suficiente.

Eu estava subindo uma colina bastante íngreme quando ouvi a voz de Rhys "Acho que encontrei o que estávamos procurando! Como imaginei as coordenadas não estavam precisas, venha para o sul."

Voei o mais rápido que pude e a noite fria cortava como navalha minhas asas e rosto, mas fui o primeiro a chegar. Rhysand fazia uma pequena fogueira e estranhei. Ele mancava tinha sido ferido na perna, mas não deu nenhuma explicação.

-Não se preocupe, não estamos próximos da entrada. E tampouco vamos passar mais tempo aqui. Rhysand informava, pois, a fogueira podia chamar atenção. – Por enquanto se aproxime do fogo pra descongelar suas asas.

Eu agradeci e sentei próximo ao fogo, ouvi um farfalhar de asas e imaginei que Cassian tinha sido tão rápido quanto eu, mas ao virar meu rosto me deparei com Feyre. O que ela estava fazendo aqui? Não era Amren que ficaria no lugar de Rhys? Ela olhou a Rhysand com pesar e me cumprimentou.

-Eu chamei ela assim que encontrei o que pode ser a entrada da caverna, há muita energia num ponto especifico no meio da mata, fiquei observando por um período a região, mas não encontrei nenhum sinal! Nenhuma criatura, nada, eles devem estar camuflados e eu não. Não posso simplesmente ficar passeando na entrada da fortaleza deles. – Rhysand sentou puxando a perna machucada e Feyre se acomodou entre suas pernas recebendo um pouco do calor humano e do fogo.

-Me diga onde é e deixo minhas sombras encarregadas de observar o local.

-Eu pensei nisso. – Continuou Rhys – mas precisamos de um plano, estou esperando Cassian chegar.

-Rhys me contou que não parece nada com um portal, somente uma pedra natural. A entrada deve ser camuflada também e bem trancafiada, por isso eu estou aqui. – Feyre estava vestida com um vestido negro parecido com a corte dos humanos e não com sua armadura Ilaryana.

-Somente Feyre pode quebrar feitiços e abrir aquela pedra. – Rhys disse assim que ouvimos outro barulho de asas e Cassian chegando com cara de poucos amigos.

-Está uma noite muito fria para essa época do ano! Uma fogueira não é muito inteligente Rhysand, mas é bem-vinda. Falando em bem-vinda, Feyre... – Cassian fez uma mensura e sentou do lado oposto da fogueira levantando as mãos ao fogo.

-Achei que Amren viria, como chegou tão rápido Feyre? – Não contive minha curiosidade.

-Ah! Eu estava com as rainhas humanas quando Rhys me chamou. Como já estava no continente, o passeio foi rápido. – Feyre e Rhys se olhavam com amor, e tinha certeza que eles estavam juntos antes mesmo de eu chegar. Saudades definia o sentimento entre os dois, eu olhei o céu com poucas estrelas pensando se um dia teria essa mesma cumplicidade com Liz.

-Você é um grande sortudo Rhys. – Cassian deu um meio sorriso e começou a montar uma estratégia para resgatar Liz.

Cassian queria somente fazer uma pequena imersão na caverna, saber se Liz ainda estava lá e esperar o julgamento para então salva-la, ficaríamos de guarda e assim saberíamos onde iriam leva-la. Feyre achava arriscado esperar e preferia buscar por algum guarda e vasculhar a mente dele para que pudéssemos encontrar algum Vheela que pudéssemos pedir a soltura de Liz, utilizar meios mais diplomáticos. Rhysand já desfez a ideia pois sabia que não seria fácil entrar na mente de um guarda Vheela para obter informação, sem contar que esse não seria um caminho nada diplomático. Uma vez que atravessarmos o portal estaríamos entrando em território Vheela e isso já era suficiente para criar inimizade, eles queriam distancia de qualquer povo e nós estaríamos forçando nossa presença sem contar que estaríamos mostrando uma fraqueza na sua fortaleza.

-Esse é o único jeito deles se mostrarem a nós. Atacando. Atacando eles vão ter que se defender e só assim podemos criar uma forma de comunicação. Nenhuma outra corte ou reino chegou tão perto, simplesmente porque ninguém nem sabia onde ou quem atacar. Esperar por livre e espontânea vontade que Vheelas se juntem a nós foi a minha primeira opção!

"Mas sabendo que Neldor e outros reinos do continente já não acreditam mais na lenda Vheela, muitos sabem que eles ainda existem e se escondem em algum lugar por aqui. Eu me deparei com um grupo muito suspeito do reino em que estamos agora, eles estavam assim como nós, investigando o território, pode ser porque notaram a minha presença, ou pode ser por outro motivo. A área que a entrada fica é cheia de criaturas sombrias e incrivelmente perigoso estar sozinho ali. Só me dei conta quanto estava voltando para o ponto de encontro."

Nossos olhos foram para sua perna e Feyre fez um pequeno carinho no seu joelho.

- Está tudo bem, já tratei como podia. Mas precisamos ser rápidos, quanto mais nos demorar ali, mais riscos corremos.

-Quanto mais nos demorarmos aqui também. – Cassian emendou.

-Você está certo. – disse me levantando. – É melhor agir o quanto antes. Para os Vheelas nós somos inimigos, não importa se resgatamos um prisioneiro ou não.

-Az tem razão. Verifica se suas sombras podem encontrar algo aqui. – Rhys abriu um pedaço do mapa e apontou um ponto no meio da floresta.

-Se pudéssemos encontrar um meio sem guerra... Não era isso que Liz queria e sim uma aliança - Feyre abraçava os próprios braços.

-Infelizmente não temos opção Feyre querida. E nosso tempo esta esgotando.

-A aliança foi firmada com ela, não com o seu povo. Eles ainda nos desdenham e agora vão julgá-la como traidora. Ninguém pega leve com um traidor, Feyre. – Seu rosto virou para mim e ela baixou a cabeça concordando com minhas palavras. Triste, mas verdadeiras.

Apagamos a fogueira antes do sol nascer. Ainda estava muito escuro e caminhamos com pequenas tochas por um caminho tortuoso entrando por uma floresta densa, parecia a parte do meio de Prythian. Sentia o pelo da minha nuca constantemente arrepiada. Nada bom vivia entre aquelas árvores. Estávamos todos silenciosos, Rhys fazia um cordão de escuridão entre a gente, não queríamos despertar o que for que habitava por ali.

-Precisamos andar mais rápido. – Disse Cassian baixinho. – Tem algo nos farejando.

-Estamos perto? –Feyre perguntou a Rhysand que nos guiava.

-Falta pouco, silencio! – Rhys nos lembrou.

O sol já tinha saído algumas horas, mas não conseguia ver entre as copas das arvores qual era sua posição. A sensação de ser observado já tinha passado, mas ainda me sentia incomodo. Andávamos juntos lado a lado e quando chegamos próximo ao local designado no mapa, Rhysand parou. A algum tempo atrás senti que passamos por um portal invisível, desde então até o ar era diferente, denso pesado e magico. Fingíamos que estávamos somente descansando, bebendo agua. "Não identifiquei nada em horas, somente que todas formigas fazem um desenho estranho próximo a pedra mais escura. Deve ser ali o portal". Ouvi um sussurro em meus ouvidos, era minha sombra que tinha feito vigília.

-Essa pedra mais escura é realmente mais diferente das demais, não acha Feyre? – Meu olhar sugestivo a pedra fez os olhos brilhantes de Feyre que rodava pela floresta, fixar na pedra escura.

Cassian se afastou procurando por algum sinal de inimigo dentro da floresta. Rhys se manteve ao lado de Feyre enquanto caminhavam em direção a pedra, Feyre parecia hipnotizada e andava com passos firmes até o portal.

Meus sentidos estavam todos alertas, procurava com a minha visão algo se mexer entre as pedras do pequeno penhasco que estava a nossa frente. Porém, sem vestígio de algum Vheela, estava calmo demais. Meus instintos diziam que alguma coisa estava fora do lugar, mas o que? Rhys não quis entrar em detalhes como ele achou esse lugar, mas sua perna mostrava que era um lugar cheio de armadilhas.

-Não se afaste. – Rhys disse a Cassian que adentrava a floresta novamente.

Eu mantive próximo a entrada com minha mão na minha espada. Foram meses procurando esse lugar, eu devia estar eufórico! Contudo a preocupação com os meus grãos senhores ali, juntos e próximos a uma emboscada não deixava espaço para qualquer outro pensamento. E pela primeira vez eu me dei conta do quão arriscado era toda essa missão.

Não vou deixar que nada aconteça com Feyre ou com vocês. Confie em mim.

A última coisa que ouvi foi a voz de Rhys. Uma explosão nos jogou longe, minhas costas quebraram a árvore em que fui arremessado. Um zunido ensurdecedor e constante me deixou completamente surdo, olhei assustado ao meu redor, mas o que me chamou atenção foi uma porta aberta entre duas fendas. A caverna estava aberta.