Capítulo 31: Beco Diagonal
Hermione então faz uma sugestão ao homem:
— Se você quiser, Severus, nós podemos ir até o Beco Diagonal em busca de traje para você. O que acha?
Severus pensa por alguns instantes, será a primeira vez que irá sair ao lado de Hermione e isso acaba o intimidando um pouco, não faz ideia de como agir ao lado dela em público.
Naquele segundo muitas dúvidas surgem em sua mente, mas a principal delas é "Qual a sua relação com Hermione no momento?".
Severus sabia que eles eram um casal, o próprio havia dito isso para Hermione. Porém ele também havia dito a Hermione que não sabia como nomear a relação deles, indiretamente isso deixou sua relação com Hermione sem um termo especifico para ser usado. E naquele momento, isso não era bom.
Snape concluiu então que precisava encontrar uma forma de nomear essa relação, mas isso não era algo para ser feito rápida ou levianamente, ele precisava pensar um pouco antes de tomar qualquer atitude.
Severus ficou tão perdido em seus pensamentos que acabou esquecendo que Hermione ainda aguardava uma resposta sua.
— Severus? — Chamou ela novamente. — E então?
Snape voltou sua atenção para Hermione e finalmente respondeu:
— Certamente, Hermione. Podemos ir amanhã à tarde?
— Sim, é perfeito. — Respondeu Hermione — Podemos passar pela Floreios e Borrões também? Há alguns livros que quero comprar.
— É claro. — Falou Snape.
Hermione então foi até o homem e lhe deu um leve beijo na testa, depois ela sentou-se na cadeira que estava usando anteriormente e retornou à sua leitura sobre leis.
Logo após receber aquele beijo de Hermione o homem questionou-se "eu poderia voltar a viver uma vida sozinho? poderia viver sem ela do meu lado?". A resposta chegava a ser óbvia demais aos seus olhos: "Não, não posso mais viver sem minha Hermione de meu lado". Foi naquele momento que ele tomou uma importante decisão, que certamente mudaria toda sua vida e consequentemente a vida de Hermione também.
Mas ainda não era o momento de compartilhar sua decisão, em breve contaria a Hermione, só esperava que ela aceitasse.
~ x ~
O casal passou toda a tarde na biblioteca. Só saíram para ir até a cozinha para preparar o jantar. Depois de terminarem a refeição, sentaram-se na sala de estar para saborearem sua tradicional xícara de chá.
Hermione percebeu que Severus havia ficado muito calado depois da decisão de irem até o Beco Diagonal, tinha receio de que ele se sentisse desconfortável saindo em público com ela. Sabia que Severus não gostava de chamar atenção e certamente sair com ela chamaria demasiado atenção, afinal ela era conhecida por praticamente toda a comunidade bruxa. Não queria que Severus se sentisse pressionado ao sair ao seu lado.
Não sabia de que forma poderia questionar Severus sobre o assunto, porém queria saber o que ele estava sentindo, mas também não queria magoar Severus com uma pergunta não pertinente. Hermione respirou profundamente, pensar demais sobre isso a estava deixando exausta.
Severus percebeu o suspiro dela e o aparente cansaço.
— Vamos nos recolher, Hermione? — Disse pegando a mão de Hermione e um leve beijo sobre ela.
— É claro, Severus. — Respondeu ela com um leve sorriso nos lábios e agradeceu mentalmente por Severus também já estar indo deitar-se, pois não queria deixá-lo só na sala de estar.
Severus recolheu as duas xícaras de chá e as deixou na pia da cozinha. Logo depois ele retornou à companhia de Hermione, que já o aguardava ao pé da escada. O casal então subiu lentamente as escadas, em direção aos seus aposentos.
Assim que chegaram em frente ao quarto de Severus, Hermione aproximou-se do homem para lhe dar seu habitual beijo de boa noite. Mas Snape tinha outros planos para aquela noite, assim que Hermione lhe deu o beijo, ele a enlaçou pela cintura e puxou-a para dentro de seu próprio quarto.
Assim que entraram no aposento Snape disse:
— Durma aqui, Hermione, em meu quarto, em minha cama, ao meu lado. — Falou Severus enquanto encarava os brilhantes olhos castanhos de Hermione. — A menos que não se sinta confortável para isso. — Completou o homem.
Hermione deu um largo sorriso e aproveitando-se da proximidade, beijou os lábios de Severus.
— É claro que quero dormir aqui, com você.
Severus, soltou a cintura de Hermione, mas segurou uma de suas mãos e guiou-a até a cama e disse:
— Vamos dormir então, meu amor.
As últimas duas palavras de Snape chegaram aos ouvidos de Hermione como um poesia, eram tão doces e espontâneas que o palpitante coração dela ficou repleto de alegria. Hermione estava adorando a sensação cálida que Snape estava lhe passando desde que haviam feito amor.
Sua inquietação anterior havia dado lugar a uma sensação de completude e felicidade.
Os dois então deitaram-se na cama, lado a lado, um de frente para o outro. Encaravam-se carinhosamente, enquanto ainda tinham as mãos entrelaçadas.
Snape estava decidido a não perder mais tempo, queria aproveitar ao máximo seu tempo ao lado de sua amada, isso incluía revelar-lhe seus desejos, convidá-la a dividir a cama com ele era uma forma de demonstrar isso.
Além disso a sensação de ter a mulher que amava deitada a seu lado, de certa forma, preenchia uma parte do grade vazio que ainda existia em seu coração.
~ x ~
Na manhã seguinte, a primeira visão que Hermione teve, foi dos olhos negros de Severus.
— Bom dia, — sussurrou Hermione preguiçosamente a Snape.
— Bom dia, — respondeu Snape, logo depois dando um leve beijo na testa de Hermione.
Hermione estendeu a mão na direção do rosto de Severus e tocou-o levemente. Então deu um sorriso.
— O que foi? — Perguntou o homem ao ver a reação de Hermione.
— Nada, — disse ela — só queria ter certeza de que você está mesmo aqui, do meu lado.
Severus a puxou para perto e abraçou-a. Hermione aproveitou aquela deliciosa sensação por uns bons minutos. Jamais imaginou que sentir-se amada fosse tão maravilhoso.
Snape beijou o topo da cabeça de Hermione e disse:
— Precisamos sair da cama, temos um dia cheio hoje.
Hermione suspirou, estava tão bom aquele momento que não queria sair dos braços de Severus.
— Só me irei me levantar da cama se me der um beijo. — Falou Hermione de forma divertida.
Severus deu um sorriso um tanto malicioso.
— Seu desejo é uma ordem, senhorita Granger. — Disse enquanto seus olhos encontravam-se com os dela.
~ x ~
Naquela tarde o casal aparatou em Londres, em uma pequena rua deserta, que era muito usada por bruxos para essa finalidade. Já que aparatar diretamente no Beco Diagonal havia sido proibido pelo Ministério da Magia após a guerra. Eles então tiveram que caminhar até o Caldeirão Furado, que guardava uma das entradas do Beco Diagonal.
Os dois caminhavam lado a lado, mas sem se tocarem.
Haviam combinado isso antes de saírem de casa. Hermione, naquela manhã, havia deixado claro para Severus que não era necessário assumirem seu relação em público, que ela entendia que ele não gostava de exibicionismos e que claramente ninguém precisava inteirar-se do tipo de relação que eles tinham. Desde que eles continuassem sendo felizes juntos.
Severus agradeceu mentalmente a Hermione, pois ela havia deixado a situação um pouco mais leve, já que ele ainda sentia-se um pouco inseguro em assumir seu romance com Hermione publicamente. Mas não sentia-se inseguro por si, pois tinha muito orgulho de ter uma mulher como Hermione ao seu lado, mas sim por Hermione, tinha receio de que a sociedade a julgasse por estar com um homem mais velho. Só queria protegê-la.
O casal então entrou pelas portas do Caldeirão Furado, haviam apenas duas pessoas no local, um homem sentado em uma das mesas e Tom, o proprietário, que estava atrás do balcão.
Tom ficou surpreso em ver Snape novamente, já que há muitos anos não tinha notícias do homem, que era um de seus clientes regulares, sempre pedindo duas ou três doses de Firewhiskey.
Assim que o casal aproximou-se, Tom cumprimentou-os.
— Há uns bons anos que não lhe vejo, Snape. — Diz Tom. — É bom vê-lo em por aqui outra vez.
Severus, que ainda não sabia como reagir as pessoas sendo "gentis", apenas agradeceu rapidamente com um aceno de cabeça.
— E a senhorita, como está? — Pergunta Tom dirigindo-se a Hermione.
— Estou bem. — Responde a castanha.
— E os meninos? O casamento de Potter é um poucos dias, não? Minha sobrinha não para de me perturbar, tentando me convencer a ir com ela e com namorado. — Diz Tom com um meio sorriso.
Hermione sorri. Anna, a sobrinha de Tom, era uma excelente pessoa, mas era muito teimosa, certamente ela iria conseguir convencer o tio a ir ao casamento de Harry.
— Os dois estão bem. Harry está bem ansioso. — Disse Hermione.
— Imagino que esteja, não é todo dia que um homem se casa. — Respondeu Tom de forma divertida.
— Deveria ir ao casamento, aproveitar para distrair-se um pouco, Anna tem razão em insistir no convite. — Completou Hermione.
O homem ri.
— Bem, talvez eu dê uma passada por lá para parabenizar o Potter e a esposa. — Disse Tom.
— Harry certamente gostaria disso, — falou Hermione.
— Bem, não vou segurá-los por mais tempo. — Disse o homem sacudindo o guardanapo que tinha em mãos. — Espero vê-los em breve.
Hermione disse o mesmo para Tom e então partiu com Severus ao seu lado.
Depois o casal seguiu para os fundos do bar, onde ficava a parede de tijolos que dava acesso ao Beco Diagonal.
— Isso é muito nostálgico, não acha, Severus? — Disse Hermione após tocar nos tijolos com sua varinha.
Severus concordou, aquele momento até lhe trouxe algumas lembranças de sua infância, da primeira vez que veio ao Beco Diagonal acompanhado de sua mãe.
A parede logo abriu-se para uma estreita rua repleta de lojas. Havia poucos bruxos caminhando pelo local, pois era uma época do ano calma, diferente de quando estava próximo o início das aulas em Hogwarts.
— Primeiramente preciso ir até o Gringotts, preciso retirar uma quantia para pagar o custo do traje. — Disse Severus assim que ultrapassou o portal de tijolos.
— Claro, — falou Hermione enquanto seguia caminhando ao lado do homem — também preciso retirar algo de dinheiro, tem alguns livros que quero comprar.
Os dois seguiram caminhando, sendo observados pelos bruxos que também caminhavam pelo local, sendo até alvo de um ou outro cochicho.
Hermione respirou fundo, ela estava disposta a ignorar os olhares e as fofocas, não deixaria ninguém estragar seu dia ao lado de Severus, então seguiu caminhando ao lado de seu amado.
O casal atravessou o Beco Diagonal em poucos minutos, logo chegando em frente ao banco dos bruxos. Ambos entraram no prédio, passando primeiro pelas portas de bronze, em seguida pelas portas de prata, para só então acessarem o saguão. Cada um foi atendido e levado até seu cofre por um duende diferente, o que não levou muito tempo.
Em poucos minutos os dois já estavam de volta ao saguão. Cada um com seus valores em mãos.
— Vamos primeiro em busca de seu traje, — falou Hermione assim que se viram fora do banco — depois, enquanto aguardamos ficar pronto, podemos passar na Floreios e Borrões.
Snape concordou com Hermione. Eles refizeram seu caminho pelas ruas, parando em frente à loja de Madame Malkin.
Hermione foi a primeira a entrar no local, assim que empurrou a porta do estabelecimento uma sineta tocou, avisando a proprietária que haviam clientes. Snape entrou logo depois de Hermione.
Logo a própria Madame Malkin, uma bruxa baixa e simpática, que sempre usava trajes lilás, veio recebê-los alegremente.
— Que honra tê-la em minha loja, senhorita Granger. — Disse Madame Malkin cheia de sorrisos para Hermione. — Há muito tempo que não a via, minha jovem.
Logo depois de cumprimentar Hermione, a bruxa direcionou seu olhar para quem a estava acompanhando.
— Severus Snape, — surpreendeu-se a bruxa mais velha — não lhe vejo desde que era uma adolescente. — Depois deu um sorriso complacente e completou: — É um prazer vê-lo novamente.
Severus apenas fez um leve movimento com a cabeça, como um sinal de que estava grato pelas palavras da bruxa.
— Mas certamente não é para conversar que vieram à minha loja. — Continuou Madame Malkin mudando o foco do assunto. — Digam-me o que precisam.
— Estamos em busca de um traje formal, — disse Hermione.
— Para um casamento, mais especificamente. — Completou Snape.
Madame Malkin sequer esperou o casal falar algo mais. Puxou rapidamente Snape para um lado e o colocou sobre um pequeno palanque. Deu um assovio e sua fita métrica logo apareceu e passou a tirar as medidas do homem, enquanto uma pena e um pergaminho faziam anotações.
— Venha minha querida, — disse Madame Malkin enquanto puxava Hermione para o lado oposto de onde Severus estava — vamos aproveitar enquanto as medidas dele são tiradas para escolhermos algumas opções de tecidos para a confecção do traje.
Hermione foi levada pela bruxa mais velha, que aparentava estar muito empolgada com a situação, até uma bancada. Assim que aproximaram-se o suficiente, Madame Malkin abriu uma grande pasta que estava sobre essa bancada. A pasta estava repleta de amostras de tecidos, que a bruxa mais velha passou a mostrar para Hermione.
— Este azul royal está muito na moda, é um dos que mais vendo — disse Madame Malkin. — Tem esse marrom, que também está conquistando alguns clientes.
Os tecidos eram bonitos, porém Hermione sabia que Severus preferia tecidos escuros e também pesados.
— O que acha deste aqui, é uma bonita cor — Madame Malkin estava mostrando um tecido da cor bordô.
Hermione negou, disse que os gostos de Severus eram bem mais sóbrios. Madame Malkin então pediu que Hermione selecionasse algo que ela acreditava que Snape fosse gostar.
Hermione seleciona então três cores, o tradicional preto, um cinza grafite e outro cinza chumbo, os três eram retalhos de tweed, um tecido pesado, que ela sabia que Severus costumava usar. Ela acredita que aquelas três opções podem agradar ao homem.
Depois de alguns minutos, Severus junta-se as duas mulheres, finalmente aquela fita métrica o havia liberado. Hermione logo lhe estende as amostras de tecidos e pergunta:
— O que acha dessas, Severus? — Perguntou Hermione.
O Snape analisa cuidadosamente as amostras e logo chega à conclusão de que Hermione conhece bem seus gostos, ela não poderia ter escolhido melhor, pensou o homem.
Enquanto Snape decidia-se pelo tecido, Madame Malkin diz:
— O colete do traje deveria ser de uma cor diferente do paletó, de uma cor mais viva, como o roxo, talvez. Isso daria um destaque a mais.
Hermione apenas riu da proposta da bruxa e aguardou para ver qual seria a reação de Severus, tinha certeza que ele rejeitaria a ideia.
Severus parou de olhar os tecidos em suas mãos no mesmo instante em que Madame Malkin terminou de falar e direcionou seu olhar para a bruxa mais velha.
— De forma alguma, — falou o homem firmemente — quero o colete da mesma cor do paletó. Sem qualquer detalhe em outra cor que não seja a do tecido que selecionei.
— Mas isso está tão fora de moda, — protestou Malkin.
Severus mirou a bruxa enquanto lhe estendia uma amostra de tecido.
— Todo o traje deverá ser dessa cor.
— Há tantas opções joviais. — Tentou argumentar Madame Malkin.
Percebendo a carranca de Snape, a mulher deu-se por vencida.
— Farei o traje completo da cor e tecido que selecionou, Snape. — Suspirou a bruxa. — Qual será o corte do terno?
— Tradicional, estilo inglês. — Respondeu o homem.
Madame Malkin pensou que um terno de corte italiano ficaria melhor no homem, mas dessa vez resolveu não argumentar. Snape já carregava uma expressão pouco amigável. Ela então apenas informou o tempo que levaria para ficar pronto.
— Ele ficará pronto em cerca de uma hora, gostariam de esperar aqui ou retornarão mais tarde? — Perguntou a bruxa.
— Voltaremos mais tarde, Madame Malkin. — Disse Hermione, que havia se divertido vendo a situação desenrolar-se a sua frente.
Os dois logo saíram da loja, Hermione então olhou para Severus. Ele ainda tinha o cenho franzido e expressão nada amigável. Mas não parecia de todo desgostoso da situação.
— Certamente divertiu-se com a situação — comentou Snape irônico quando percebeu que Hermione o mirava.
Ela deu um leve sorriso.
— Me desculpe, Severus. Mas foi inevitável. — Disse Hermione em tom divertido.
— Pelo menos alguém divertiu-se, — disse Severus ainda usando de ironia.
Hermione percebeu que o tom de voz do homem era leve, ele não estava realmente chateado.
— Madame Malkin certamente vai seguir as suas orientações, Severus. Não se preocupe. — Disse Hermione. — Agora, vamos aproveitar esse tempo que temos para ir até a Floreios e Borrões.
Snape concordou, então os dois foram até a antiga livraria.
Assim que entraram Hermione foi cumprimentada pelo dono, um senhor de cabelos e bigode grisalhos, que estava atrás do balcão do caixa.
— Senhorita Granger, que prazer em revê-la. Há algum tempo não aprece para comprar seus livros. — Diz o homem alegremente.
— Estive muito ocupada nesses últimos meses, senhor Flourish. — respondeu Hermione. — Somente hoje arrumei um tempo para passar por aqui.
— Fico feliz que tenha conseguido um tempo para vir, chegaram muitas novidades. — Disse o homem.
Hermione agradeceu e passou a andar pela loja, que possuía prateleiras que iam do chão ao teto repletas de livros de diversos tamanhos e formas.
Snape não pode negar que sentiu uma pontada de ciúmes, pela familiaridade com que o homem tratou Hermione. Porém tentou deixar esse sentimento de lado o mais rápido possível, pois não era um sentimento muito agradável.
Severus buscou então outra coisa em que concentrar-se, seus olhos logo encontraram Hermione, então passou a observar as reações dela. Ele percebeu que os olhos de Hermione brilhavam enquanto ela examinava as prateleiras. Severus podia ver como ela estava animada. Ela era linda dessa forma, quando demostrava sua paixão por algo.
Por diversas vezes Hermione lhe chamou e mostrou-lhe livros, comentou sobre eles e pediu-lhe opiniões. Severus precisava admitir que estava desfrutando do passeio mais do que havia esperado.
Ele também vagou pelas prateleiras e seções, acabou sendo levado a comprar alguns livros para si, a empolgação de Hermione acabou contagiando-o de certa forma.
O casal passou praticamente uma hora inteira dentro da Floreios e Borrões, ao saírem Hermione tinha três sacolas cheias de livros consigo e Severus tinha uma.
— Acho que comprei livros demais. — Disse ela com um pequeno sorriso nos lábios.
— Livros nunca são demais. — Severus rebateu enquanto enfeitiçava a sua sacola e as de Hermione, reduzindo-as o suficiente para caberem na palma da mão.
Após ouvir aquela frase de Severus Hermione teve a completa certeza de que ele era o homem perfeito para ela.
— Acho que você tem razão, Severus. — Ela sorriu lindamente enquanto colocava suas pequenas sacolas em um dos bolsos de sua calça.
Mas, o sorriso alegre de Hermione, foi substituído por uns sorriso nostálgico quando seu olhar repousou na fachada da loja que ficava do outro lado da rua. Aquela loja, Animais Mágicos, era o local onde havia comprado Bichento.
Severus percebeu a mudança no semblante de Hermione, ele então acompanhou o olhar dela, percebeu que ela observava a fachada da loja em frente. Imaginando o motivo da nostalgia dela, Snape perguntou:
— Você costumava ter uma bola de pelos alaranjada quando estudava em Hogwarts, onde ele está agora?
Hermione surpreende-se por Severus lembrar de seu animal de estimação, não esperava que ele fosse atentar a esse detalhe.
— Precisei deixá-lo na casa de meus pais — respondeu Hermione com um sorriso levemente triste. — Depois que comecei a trabalhar no hospital, com horários um tanto confusos e logos turnos, eu já não tinha mais tempo para tomar conta dele. Então achei melhor deixá-lo aos cuidados de meus pais. Mas talvez agora que eu vá assumir um cargo no Ministério da Magia, eu busque ele para viver comigo novamente.
Hermione suspirou, há algum tempo já amadurecia a ideia de buscar Bichento pois sentia muita falta dele. Poderia também aproveitar a oportunidade para comunicar aos pais a mudança de emprego. E talvez, somente talvez, poderia contar sobre seu relacionamento com Severus. Mas não queria pensar nisso agora, ela só queria aproveitar aquela tarde com Severus, sem preocupações.
— Acho que seu traje deve estar pronto. — Disse Hermione, para fugir de seus próprios pensamentos. — Vamos buscá-lo.
O casal então retornou à loja de Madame Malkin.
— Podem esperar apenas mais um instante? — Perguntou a bruxa ao casal assim que eles entraram. — Falta colocar apenas um detalhe.
Hermione olha para Snape, ele balança a cabeça afirmativamente.
— É claro, — responde Hermione.
— Por favor, sentem-se enquanto aguardam, será rápido, é apenas um pequeno detalhe que falta — disse Madame Malkin
Eles se sentam nas poltronas que estavam próximas ao caixa da loja.
Snape, logo depois de sentar-se, disse a Hermione:
— Lembrei-me que preciso ir a um lugar, espere por mim aqui, voltarei em alguns minutos.
Hermione percebeu que Severus aparentemente não desejava sua companhia, pois ele havia pedido que ela aguardasse ali. Ela não pode negar que havia ficado curiosa com o que Severus iria fazer, mas não iria perguntar, então apenas disse:
— É claro, Severus.
O homem então levantou-se da poltrona e saiu da loja. Assim que se viu novamente no Beco Diagonal, olhou em volta, em busca de um local específico. Em poucos segundos o avistou, umas quatro lojas mais a frente.
Severus então caminhou rapidamente até o local, que trazia a placa Black Mistic Star pendurada em sua fachada. O homem entrou no local, que era pouco iluminado e tinhas grandes prateleiras abarrotadas de mercadoria, algumas estavam organizadas, outras nem tanto.
Severus, não querendo perder muito tempo, logo dirigiu-se a uma bruxa que estava parada atrás de um balcão.
— Mandei uma coruja na manhã de ontem, fazendo uma encomenda, está no nome de Snape. — Disse ele com seu habitual tom autoritário, que só não era usado com Hermione.
A bruxa reconheceu o homem, o herói de guerra, mas devido a carranca que ele carregava no rosto e a maneira como dirigiu-se a ela, preferiu não mencionar nada, apenas realizou o atendimento, pois ele não aprecia estar de bom humor.
A bruxa olhou nas fichas que estavam à sua frente, buscando saber se o pedido do homem já estava pronto.
— Aguarde um momento, vou buscar sua encomenda, senhor Snape. — Disse a bruxa afastando-se do balcão e entrando em uma porta que ficava atrás do balcão e estava encoberta por uma cortina escura.
Ela retornou alguns minutos mais tarde com um embrulho pardo nas mãos.
— Aqui está, senhor Snape. Gostaria de conferir se as peças estão de acordo com seu pedido?
— Não será necessário. — Respondeu o homem já deixando uma pequena bolsa com moedas sobre o balcão.
A bruxa conferiu o valor, assim que confirmou a quantia disse:
— Foi um prazer atendê-lo, Senhor Snape. Se precisar de qualquer outra peça, pode entrar em contato com a loja novamente.
Severus apenas acenou com a cabeça, então deixou o local, logo guardando o pacote no bolso de seu paletó. Havia gastado uma quantia relativamente grande naquelas peças, mas era um gasto que realmente acreditava ser necessário.
Em cerca de dez minutos, Severus já estava de volta a loja de Madame Malkin. Hermione continuava muito curiosa, mas como Snape havia retornado de mãos vazias, sequer poderia supor onde ele havia ido. Às vezes, Hermione achava sua curiosidade o seu maior defeito.
Madame Malkin, assim que ouviu que Snape havia retornado à loja, chamou-o para provar o traje que havia acabado de confeccionar.
— Snape, prove o traje e diga-me que está de seu agrado. — Disse a bruxa.
— Não será necessário provar. — Falou Snape, que não estava com a mínima vontade de provar a peça.
— É necessário sim, — insistiu Madame Malkin. — Prove-o logo, pois se precisar de algum ajuste eu já posso fazer agora.
O homem pegou o terno pronto das mãos de Madame Malkin e muito a contragosto foi até um dos provadores que havia na loja.
Alguns minutos mais tarde, Snape saiu do provador.
Hermione o observa por alguns momentos, ela achou que o terno havia caído perfeitamente em Severus, ele estava extremamente elegante.
Mas Snape não parecia tão contente com seu traje.
Snape olhou para Madame Malkin e questionou:
— Deixei claro que não desejava nenhum detalhe colorido no terno. Por que há um lenço lilás em meu bolso?
Madame Malkin tinha muitos anos de experiência, jamais havia colocado um detalhe equivocado em suas peças. Aquele lenço, estar no terno de Snape, era completamente proposital. A bruxa então dá um pequeno sorriso e responde ao homem:
— Esse lenço é para combinar com o vestido de Hermione, que é exatamente dessa cor. — Respondeu Madame Malkin. — Ou eu me equivoquei e vocês irão separados ao casamento de Potter?
Tanto Hermione como Severus ficam surpresos com a constatação da bruxa.
— Nós vamos juntos, — respondeu uma corada Hermione.
— Então está tudo perfeito — a bruxa dá uma piscadela para Hermione — esse pequeno detalhe conecta vocês dois, quero dizer o traje de vocês dois. — Madame Malkin terminou a frase com um sorriso.
Snape não prosseguiu com sua reclamação, bem diferente disso, tinha gostado da ideia de estar conectado com Hermione, mesmo que fosse por um detalhe tão simples e pequeno. Hermione também gostou da ideia, era algo tão simples, mas que carregava um grande significado.
Severus, logo depois de se trocar, foi até Madame Malkin para pagar seu traje.
— Foi um prazer tê-los aqui. Espero vê-los em breve. — Disse a bruxa.
Hermione e Snape despediram-se da bruxa e com o terno em mãos, saíram da loja. Assim que se viram do lado de fora, Severus disse:
— Espero não precisar voltar tão cedo. — Seu tom era levemente sarcástico.
Hermione apenas riu.
O casal então voltou a caminhar na estreita rua. Novamente foram alvo de olhares curiosos e cochichos. Hermione logo percebeu a situação, pois ela já estava acostumada a isso, era o preço que pagava por ser uma "heroína de guerra".
Porém, ela estava preocupada com a reação de Severus. Não queria acabar "ajudando" a criar mais boatos sobre ele. Severus já havia passado por situações complicadas o suficiente. Hermione não queria gerar mais transtornos para Severus.
Hermione direciona seu olhar para Severus, ele carregava uma expressão nada amigável em seu rosto.
— Está tudo bem, Severus? — Perguntou ela.
— Esses olhares não lhe incomodam, Hermione? — Pergunta Snape.
Hermione dá um leve sorriso e responde:
— Já estou acostumada, procuro me importar o menos possível. — Falou Hermione suspirando. — Pelo menos hoje ninguém aproximou-se e começou a me elogiar por todo meu trabalho duro durante a guerra.
Depois de uma pausa, Hermione conclui:
— Deve ser por que você está ao meu lado, Severus. — Disse ela com um pequeno sorriso divertido nos lábios. — Ninguém teve coragem de se aproximar.
Snape responde de forma irônica o comentário de Hermione.
— Fico feliz em ser útil para a senhorita.
Ela riu e disse de forma descontraída:
— É ótimo ter você para proteger-me.
Severus não disse nada, mas gostou de ouvir aquilo. Era bom saber que tinha o "poder" de proteger a sua Hermione.
Os dois então seguiram caminhando, em direção a saída do Beco Diagonal.
Assim que se viram do lado de fora do Caldeirão Furado, Severus perguntou:
— Há mais algum lugar que queira ir, Hermione?
Ela pensou por alguns instantes, então respondeu:
— Não. Eu só quero voltar para casa.
Severus olhou para Hermione assim que ela terminou de falar. Hermione certamente não havia se dado conta de suas palavras, mas Snape sim.
A frase "voltar para casa" poderia parecer simples, mas naquele momento, para Severus, parecia ter muitos significados. Significados que foram capazes de fazer o coração dele bater mais forte.
