Naruto, obviamente não me pertence.
"Oh!
You've gotta live every single day
Like it's the only one
What if tomorrow never comes?
Don't let it slip away
Could be our only one
You know it's only just begun
Every single day
Maybe our only one
What if tomorrow never comes?
Tomorrow never comes"
Never Gonna Be Alone – Nickelback.
Capítulo 21 – Finalmente a verdade.
— Não, continuo sendo quem eu sempre fui, infelizmente. Seu chefe, que está com fome e você, minha funcionária, que estendeu o expediente para me acompanhar e nada mais justo que eu recompensá-la com um jantar. Mas se você não quiser, tudo bem.
— Eu estou com fome então você pode me levar para jantar. Você paga. — ele tentou ocultar o sorriso, mas sem sucesso — Já que continuamos com a relação chefe – funcionária — infelizmente a única que existe — acho que eu deveria te informar que embarcamos amanhã para a Holanda.
— Ah, ótimo.
— Vou reservar o hotel amanhã, hoje eu não tive tempo porque… bem, você sabe o porque.
— Sei? — disse desviando os olhos do trânsito para mim.
— Graças a você eu tive que lidar com vários clientes e advogados não muito educados que ficaram furiosos por ter que reagendar os compromissos. E eu acho que devia te cobrar por ter aturado aqueles americanos estúpidos. — ele sorria — quer para de sorrir e olhar para frente? Ou quer me deixar no escuro definitivamente me matando?
— Você está muito ervosa, será que um chocolate melhora esse seu humor?
— Talvez.
— Aproveitando que ainda temos uma boa relação chefe funcionária, você vai me contar o que houve com a Karin ou eu vou ter que ameaçar demitir as duas?
— Não, Sasuke! Isso não é justo — me agitei.
— Então me conta.
— Eu não sei o que está acontecendo.
— Jura?
— Juro! Ela está estranha comigo a dias. Me trata diferente. Não entendo. Nunca fomos amigas, mas, pelo menos, nos respeitávamos como colegas de trabalho. Ela começou a falar e me acusar de umas coisas sem pé nem cabeça.
— Que coisas? — já tinha falado demais, ele não precisava saber de tudo.
— Sasuke não importa. O que importa é que o que aconteceu hoje não vai mais se repetir.
— Você não respondeu minha pergunta. Que coisas? — fiquei calada — Sakura, me fala, é sério. Eu preciso saber o que está acontecendo.
— Não é nada demais.
— É sim. Então pode abrir essa boquinha linda e falar. — boquinha linda? Desde quando ele usava o diminutivo? E isso foi um elogio? — Facilita as coisas para mim.
— Estou sob pena de demissão?
— Para de falar isso. Eu não vou te demitir.
— Então eu prefiro ficar na minha.
— Ok, você é quem sabe. Mas fique sabendo que eu vou descobrir. Ninguém esconde nada de mim por muito tempo. — uma vez a Karin falou algo parecido com isso, obviamente a situação era outra.
Depois disso um silêncio incômodo se instalou. Teve um acidente na estrada o que fez o trânsito ficar congestionado, consequentemente, eu fiquei impaciente e Sasuke irritado. Trânsito sempre irritada Sasuke. Ele tamborilava os dedos no volante, abria e fechava o vidro da janela cinco vezes por minuto, trocava a estação de rádio a cada música que terminava e ficava passando a mão pelo cabelo bagunçando-o de um jeito sexy. Ou melhor, de um jeito despojado, quero dizer.
— Por um momento eu pensei que ela pudesse ser da sua família.
— Ela quem?
— Senhora Fernandes. — por que raios voltamos a falar dessa peituda?
— O que? Por que?
— Vocês tem o mesmo sobrenome — disse como se fosse obvio, e como esta noite eu estava desatenta e desinteressada, de fato não prestei atenção nesse detalhe.
— Isso não quer dizer nada. Existem milhões de pessoas por ai com o sobrenome igual e isso não significa que são da mesma família.
— Tem razão. Desculpe.
— Está se desculpando pelo quê exatamente?
— Por não saber como manter uma conversa com você.
— Você estava usando a senhora "oi eu tenho silicone" para puxar assunto?
— Eu não sou muito bom nisso.
— Ok… Primeiro você não responde o meu "bom dia" por meses, depois me promove a sua nova melhor amiga, em seguida você me beija e diz que tá apaixonado por mim e ai resolve me ignorar e não quer falar sobre o assunto, e por fim, resolve puxar assunto falando de uma mulher que estava dando em cima de você. Será que eu esqueci alguma coisa?
— Não, acho que não. Desse jeito parece que eu sou o protagonista de uma novela mexicana que não sabe o que quer.
— E você sabe?
— Sei, mais é complicado, eu já te expliquei.
— "É complicado" deveria ser o nome da novela.
— Eu já te falei que eu sou peri… — não me segurei e tive que interromper.
— Ah, é. Essa é a parte que eu esqueci. O protagonista não tem nada de herói, na verdade ele é o vilão perigoso e eu, obviamente, sou uma pobre moça indefesa que usa um chapéu vermelho. Mas sabe, eu não sei se já mencionei isso antes, mas eu não tenho vocação para ser chapeuzinho vermelho e você muito menos para lobo mal.
— Chegamos — saiu do carro e rapidamente abriu a porta para mim e deu a chave do carro para o manobrista.
O restaurante era bem luxuoso com mesas dispostas de forma harmônica e clientes bem requintados. Fomos para um a mesa afastada de onde dava para ver todo o ambiente e acompanhar a música clássica que era tocada ao vivo. O garçom chegou e Sasuke pediu um vinho que custava quase um terço do meu salário. E naquele momento eu vi o quanto éramos incompatíveis. As nossas diferenças eram enormes em momentos como aquele. Eu realmente não me sentia digna de sua presença e duvidava se me sentiria bem de fato em um ambiente ou em uma vida com tanto luxo.
Sasuke parecia a vontade, mas é claro. Ele tinha tudo sobre o controle, entendia cada nota da música que era tocada, apreciava o aroma do vinho com experiência e se encaixava perfeitamente naquele lugar. Talvez ele também soubesse das nossas diferenças e talvez por isso fosse tão complicado. Provavelmente ele sentiria vergonha de estar acompanhado de uma mulher que não era tão linda nem tão fina como aquelas outras que estavam acompanhando os grã-finos, mas que culpa eu tenho? Aquela não era a minha realidade e nunca seria.
— É por vergonha? — ele franziu o cenho como se não entendesse — Por isso é complicado? Você sente vergonha de mim?
— Por que eu sentiria? — a expressão dele era de como se eu tivesse falado o maior absurdo do século.
— Porque eu não sou como você — disse desviando o olhar para o meu prato que eu nem sabia o que era, mas estava uma delicia. Era a sugestão do chefe, mas eu não conseguia comer, era como se eu não tivesse forças.
— Como eu… — disse instigando a continuar.
— Ah, você sabe. Rica, poderosa, elegante, inteligente, linda e uma série de outras coisas que todas as mulheres do seu nível são — disse ainda sem olhar para ele.
— Eu não posso acreditar que você pensa uma coisa dessas.
— Eu estou ficando sem opções. Eu… estou tentando te entender. Procurar as razões para você não me querer por perto, mas quanto mais eu penso mais confusa eu fico. A conclusão mais plausível que cheguei foi essa.
— Eu fico imaginando qual seria a menos plausível.
— Ah, bom… você disse que é perigoso embora eu não acredite. Talvez você seja uma serial killer manipulador que conseguiu enganar a todos — ele riu.
— Acho que essa opção não me ofenderia tanto.
— Desculpa.
— Acredite em mim, é melhor você não saber.
— E eu vou ficar com essa dúvida me corroendo por dentro até quando Sasuke? Você não pensa em mim?
— É justamente por pensar em você que faço isso — suspirei e resolvi deixar para lá.
Sasuke nunca confiaria em mim a ponto de contar tudo o que realmente estava acontecendo. De repente eu senti uma grande vontade de ir embora, me afastar daquele homem e ir para a minha cama. Talvez eu fosse infantil demais por querer isso, mas era a opção que eu tinha.
A música que tocava era de uma banda que eu gostava e eu me perdi olhando 4 lindos casais dançando. Um deles era um casal de velhinhos, e o senhor olhava para a sua dama de uma forma tão encantadora. Estava visivelmente apaixonado e admirava sua acompanhante, o carinho entre eles era visível e por um momento eu senti inveja daquela senhora. Eu queria que alguém me olhasse daquele jeito, que me tocasse daquela forma, que me fizesse rir como aquele homem a fazia.
Minha mão estava sobre a mesa e senti o toque de Sasuke. Ele sorria torto e olhou para o casal, por um momento eu pensei que ele soubesse tudo o que eu sentia e que era recíproco. Mas não. Não era. Apesar de estar apaixonado por mim, ele não agia assim. E eu sinceramente, não conseguia acreditar.
— Dança comigo?
— Eu não sei dançar Sasuke, você sabe.
— Não foi o que pareceu da última vez. Você sabe sim — ele se levantou e se colocou ao meu lado com a mão estendida — Me concede a honra?
Peguei sua mão e ele me guiou até a pequena e agradável pista. Ficamos perto do casal de velhinhos que eu admirava e a senhora, que usava um elegante vestido vermelho e mantinha os cabelos brancos presos em um coque, me deu um sorriso. Sasuke me abraçou e começou a me guiar. Minha cabeça descansava em seu peito e eu conseguia sentir seu coração acelerado. O queixo dele estava apoiado na minha cabeça e foi ai que eu notei o quão baixinha eu era perto dele — apesar de usar o salto de Ino. Eu feche os olhos, apreciei o momento que eu não sabia quanto tempo duraria, mas era um momento nosso. Ali nos braços dele não me sentia em perigo, pelo contrário, ali era o lugar mais seguro do mundo.
— You're Never gonna be alone! From this moment on, if you ever feel like letting go, I won't let you fall, When all hope is gone, I know that you can carry on, We're gonna see the world out, I'll hold you 'til the hurt is gone — Sasuke cantarolava baixinho. (Você nunca estará sozinha, de agora em diante, mesmo que você pense em desistir, eu não vou deixá-la cair, quando toda a esperança se for, sei que você pode continuar, nós vamos sobreviver a este mundo, vou te abraçar até a dor passar)
Por um momento eu quis acreditar nas palavras daquela música. No significado dela. Eu realmente não queria mais me sentir sozinha e queria que Sasuke, que cantava a música baixinho no meu ouvido, continuasse do meu lado. Quando abri os olhos novamente, vi que não tinha mais nenhum casal dançando, só nós dois. Levantei o rosto e vi que estávamos muito próximos. Se eu esticasse o pescoço mais um pouquinho conseguiria alcançar seus lábios. Mas não faria isso. Sasuke era uma pessoa pública, se saísse alguma foto nossa em alguma revista de fofocas ele não gostaria. Entretanto, ele não quis se afastar. Ele fechou os olhos e puxou meu rosto para frente, fazendo com que sua testa encostasse na minha e fechasse os olhos novamente.
— Eu sei que você precisa de respostas. Mas… eu não… — ele não conseguiu concluir.
— Está tudo bem. Quando você estiver pronto para falar eu estarei pronta para ouvir. — ele sorriu, eu senti. Então afastou seu rosto do meu e eu abri meus olhos encontrando aquela imensidão escura que teria me feito cair no chão se eu não estivesse segura em seus braços.
— Mas você não está feliz.
— Não. Mas assim como você não quer me contar por pensar em mim, eu também não quero te ouvir sem que esteja pronto por pensar em você.
— Acho que me apaixonei de novo por você. Todo santo dia você diz ou faz alguma coisa que faz com que eu me apaixone ainda mais por você, se é que isso é possível.
— É possível. Eu sei que é… porque é o que acontece toda vez que eu olho para você. — ele franziu o cenho e seus olhos se iluminaram de um forma surreal v Estou apaixonada por você.
— Sakura… — ele fez carinho em meu rosto, me puxou e me beijou. Foi um beijo diferente de todos os outros. A paixão ali era real e pela primeira vez eu senti o amor em um beijo.
Eu nunca senti isso. Quando namorava Kakashi eu achava que realmente o amava. Mas não. Nunca senti nada mais forte por homem nenhum do que sinto por Sasuke. Eu não sei explicar, eu só sei sentir. E eu adoro isso.
— Sentiu isso também? — perguntou e eu assenti.
— É melhor a gente tomar cuidado. Amanhã uma foto nossa pode aparecer em algum jornal.
— Eu não me importo.
— Não? — ele negou com a cabeça e sorriu.
— Depois de muito tempo está é a primeira vez que eu me sinto feliz. Muito feliz. Obrigado. — disse sorrindo — Obrigado por ser quem você é e por me fazer sentir coisas que eu achei que nunca mais sentiria. — então ele me beijou de novo e, bom, eu não resisti.
No caminho para casa o clima estava leve e agradável, eu tentava reprimir o sorriso enorme que insistia em ficar no meu rosto, e vez ou outra via que Sasuke fazia o mesmo. Só de pensar que amanhã estaríamos juntos, indo para outro país, longe de tudo e todos mesmo que apenas por três dias, borboletas se agitavam em meu estômago. as ai eu lembrei que teria que reservar o hotel ainda, o que significava que eu teria que dar uma boa pesquisada para achar um lugar à altura de Sasuke.
— O que foi? — disse Sasuke quando eu suspirei um pouco frustrada.
— Nada, eu só lembrei que não consegui reservar o hotel ainda. Mas não se preocupa, vou fazer isso assim que eu chegar em casa.
— Não se preocupa, eu esqueci de te falar mais cedo. Eu tenho uma casa lá. Vamos ficar bem. — é claro que vamos.
— Você vai… — fui interrompida pelo celular dele.
— Desculpa.
— Tudo bem, pode atender.
— Oi Naruto — silêncio — mão, estou levando a Sakura para casa, Tivemos uma daquelas recepções hoje. — silêncio — o que está fazendo ai? — silêncio — ah, ótimo. Já estamos chegando. Resolvemos isso mais tarde. — silêncio — Ok, tchau. — desligou e olhou para mim — o Naruto está na sua casa. Disse que quer falar com a gente.
— O Naruto? O que será?
— Não sei. Mas ele está bem acompanhando lá né.
— Está sim, Ino já deve ter colocado ele para assistir nossa série de vampiros preferida.
— Eles estão juntos há quanto tempo? — eu olhei para ele e tive a certeza que ele sabia.
— Não era para você descobrir.
— Eu sei que não. Mas Naruto não fez exatamente questão de esconder.
— Eles não queriam que você os demitissem.
— Não faria isso só porque estão apaixonados. Faria se isso atrapalhasse a Uchiha's, mas não seria de uma hora para outra. Eu os alertaria.
— Como descobriu?
— O Naruto e eu temos um amigo de faculdade que nos convidou para ir beber e ver umas strippers, o Naruto recusou na hora sem nem pensar duas vezes. O problema não foi a recuso, foi a desculpa que ele deu, embora nosso amigo tenha aceitado, eu descobri a mentira uma hora mais tarde.
— O que ele disse?
— Que a mão dele estava doente e que ele tinha que cuidar dela. Quando eu cheguei em casa, ela estava lá jantando com a minha mãe e vó como uma saúde de ferro.
— Você já contou para ele que sabe?
— Ainda não, vou contar daqui a pouco lá na sua casa. Mas eu quero me divertir antes com ele e Ino um pouquinho.
— Isso não parece legal — ele riu.
— Não é para ser. Ninguém esconde nada de mim por muito tempo. O pior é que eu nem fiz força para descobrir a verdade. Só aconteceu.
— A relação de vocês é mais forte do que eu pensei.
— Naruto é da família.
Não tinha gostado nem um pouquinho de saber que ele tinha recebido um convite para ver stripper, e apesar de dizer para mim mesmo que aquilo não importava, eu não consegui evitar a curiosidade e tive que perguntar:
— Você aceitou?
— O que? — disse fazendo um sinal para o motorista do carro ao lado mostrando que ele ia mudar de pista.
— O convite do seu amigo.
— Ah, — ele sorriu — Não. Preferi jogar truco com a minha avó. — um alívio percorreu toda a minha espinha e acalmou meu coração. Não haveria resposta que me agradasse mais.
— Parece um bom entretenimento.
— Na verdade ela ganhou todas, eu fiquei zangado e fui para o meu quarto dormir. — disse rindo — na verdade, não tão zangado assim.
— Você fala dela com muito carinho.
— Ela é quem mais me entende no mundo. Também é quem eu mais amo.
— Ela é uma mulher de sorte — ele estacionou há uns metros de distância da praia, e com o olhar questionador, eu perguntei — Não estávamos indo para a minha casa?
— Que tal um passeio? — disse sorrindo.
Sasuke desceu do carro, abriu a porta para mim e fomo em direção a praia. Estava uma noite fria, a lua estava cheia e no ápice. Tinha poucas pessoas na praia de modo que nossas roupas não chamavam muita atenção. Sasuke se ofereceu para carregar meus sapatos e desfrutávamos de um silêncio único e gostoso. Ele se sentou a areia e eu me sentei ao seu lado, mas com um gesto inesperado ele me puxou, fazendo com que eu ficasse no meio de suas pernas sendo abraçada por ele. Eu estava novamente em seus braços e isso era tão bom, tão reconfortante e tão gostoso. Mas eu sabia que não seria assim para sempre. Eu poderia fingir que estava tudo bem e ignorar o resto, mas sabia que não era tão fácil assim. E isso não tinha haver com o fato de Sasuke esconder coisas de mim.
— E agora? O que acontece?
— Não sei — ele suspirou — Mas confesso que estou com medo.
— Também estou.
— De mim?
— Não — eu sorri — você não é perigoso para mim. Por mais que diga que é, eu não acredito.
— Acho que isso faz de você uma tola.
— Ou uma mulher apaixonada que não tem medo do que sente — rebati e ele suspirou.
— Você sabia que eu sou viúvo?
— O que? — me virei para ele, mas ele não me encarou de volta, olhava para o mar.
— Eu me casei com 19 anos. Ela tinha 18 e na época ninguém gostou muito da ideia. Diziam que éramos muito jovens, inconsequentes e tudo acabaria mal. De certa forma acertaram, acabou mal. Mas nossa idade nada teve a ver com isso. — ele enfim me olhou, não sei o que ele viu no meu rosto, mas isso o incentivou a falar mais — Lembra quando eu disse que o Naruto é da família?
— Lembro.
— Além de ser meu melhor amigo, ele é meu cunhado.
— Sério?
— Ele que me apresentou a Tenten. Na época a gente estava na faculdade de direito e teve uma festa de aniversário dele, onde eu a conheci. Ela estava tentando ganhar a vida como modela, mas as coisas não estavam indo muito bem. Minha cunhada estava preparando o primeiro desfile dela e eu acabei indicando a Tenten para desfilar. A Konan adorou a ideia e então a gente foi ficando amigos, começamos a namorar e em menos de um ano eu a pedi em casamento. Rápido né?
— Não acho que exista um tempo certo para isso, é o tempo da gente, do sentimento da gente.
— Você devia ter dito isso para o meu pai há treze anos. Ele foi totalmente contra. Mas depois ele e todo mundo viu o que eu queria e como eu estava feliz e a Tenten acabou sendo aceita, tanto pela minha família como para o resto do mundo. Casar com um dos herdeiros da Uchiha's acabou fazendo a carreira dela decolar, não que ela tenha se aproveitado disso, mas foi inevitável. A imprensa estava em todos os lugares e aonde quer que ela ia, não era conhecida como Tenten Uzumaki, e sim como Tenten Uchiha, a esposa de um dos grandes herdeiros. Ela odiava isso, e eu também.
— Eu imagino.
— Imagina?
— Não deve ser fácil. Todo mundo quer se realizar profissionalmente e ser o responsável por isso. Por mais que ela tenha batalhado fica parecendo que só conseguiu porque casou com você e isso é errado. Deve ser horrível.
— O que faria se estivesse no lugar dela?
— Como assim?
— Como reagiria as críticas da imprensa e minha fama? — fez aspas com as mãos quando disse fama.
— Se você fosse meu marido, e se você me amasse e nós fossemos felizes eu acho que me importaria. Eu ia ignorar o resto, pensar na gente e na minha carreira. Acho que se você ignorar, um dia não vai mais fazer diferença o que falam ou não — ele sorriu v mas você se importaria, não é?
— Claro que sim. É injusto.
— Esse é um dos motivos para você não se envolver comigo?
— Não. Para falar a verdade, esse seria o menor dos nossos problemas.
— E qual seria o maior?
— Eu — então ele desviou o olhar e suspirou — ela morreu na minha frente. Eu cheguei do trabalho, iriamos no teatro com minha mãe e minha irmã. Meu irmão estava com Konan em um desfile, então eu estava responsável pelas mulheres da família. Tinha uma peça na cidade que ela adorava e então eu entrei em casa e… vi acontecer.
— Eu sinto muito. Ninguém deveria passar por uma coisa dessas.
— Foi minha culpa. Foi sim.
— O que houve?
— Um assalto — ele disse depressa, não me passando confiança então desconfiei que estava mentindo — mas ela não foi a única que eu perdi. Minha irmã mais nova morreu e minha mãe quase se foi também.
— Ai meu Deus, que horror! — levei as mãos a boca.
— Um tiro certeiro em Tente e outro em Misayo. Minha mãe foi atingida na perna — ele suspirou — eu só não sei porque não me acertaram — disse isso olhando para o mar de um jeito como se estivesse revivendo a cena e quando a expressão de dor tomou o seu rosto eu não suportei, me joguei em seus braços e o abracei tão forte como se minha vida dependesse disso. Ele retribuiu — tem tanto tempo que eu não ganha um abraço assim que eu nem lembrava que era tão bom.
— Você não está mais sozinho — seus olhos se iluminaram e eu me peguei lembrando da música que dançamos mais cedo e no que ela significava de repente me parecia que os papéis estavam invertidos — nunca mais.
