Dragon Ball não me pertence

CAPÍTULO 21

A armadilha de Pilaf e Babidi

Passou-se um mês daqueles acontecimentos, Bulma já estava bem e voltara ao trabalho. Pirza vinha visitá-la com frequência. Estavam tornando-se boas amigas, a nova amiga de Bulma continuava trabalhando como garota da placa nas lutas da arena do distrito. Pirza fazia Bulma rir com seu jeito desbocado e incentivava a garota a conquistar o príncipe, o que Bulma continuava achando um absurdo. Ela gostava de Pirza, principalmente, por que a garota não era filha de nobres como as suas amigas, era uma plebeia que nem ela, e isso deixava Bulma muito a vontade. Pirza contou para Bulma que estava de caso com um soldado bonito, mas que só o queria se divertir, Bulma invejava um pouco a liberdade da garota. Ela dizia que estava juntando dinheiro pois queria abrir um negócio nos próximos anos, Bulma ficou chocada quando soube que tipo de negócio seria, mas não pôde deixar de achar divertido. Pirza não deixava de se surpreender com a ingenuidade de Bulma sobre muitos assuntos e ensinava a garota um pouco da vida fora dos muros do castelo.

A cientista havia voltado ao trabalho já a algum tempo e na linha de montagem dos laboratórios, as naves da encomenda dos terráqueos estavam quase prontas e logo a comitiva de Pilaf teria que partir para a terra. Bulma recebeu visitas de Pilaf, Babidi e Yancha durante a semana que passou no hospital e, a partir daí, Yancha passou a visitá-la escondido de Vegeta. Continuavam vendo-se constantemente, como era o plano de Pilaf e Babidi.

— Estou ficando preocupado, Babidi. - dizia Pilaf em seu pequeno trono no quarto onde estava com sua comitiva. - Já está quase no dia de partirmos e esse leso ainda não seduziu a cientista. - falou apontando Yancha, que escutava a conversa dos dois.

— Calma, Pilaf. - dizia Babidi com sua voz de cobra. - O acidente da menina atrasou um pouco as coisas, mas o plano continua, o general está casa vez mais próximo. Ele ainda não pode avançar mais, pois só pode vê-la escondido do príncipe.

— Esse aí é outro furo grande nesse plano, Babidi. Mesmo que o rei conceda a mão da cientista, o que já é muito difícil, aquele monstro não vai deixar levá-la. - Pilaf dizia desesperado. - Está na cara que ele é apaixonado pela garota, e agora que ele é o tal super sayajin da lenda, será invencível. Acho melhor esquecermos essa plano...

— NÃO! - Babidi gritou – já estamos quase lá. E precisamos da cientista ou perderemos o controle do planeta, lembra-se? Precisamos levar a cientista ou o mestre não nos perdoará. Nosso plano está indo bem, e quanto ao príncipe, eu já sei como tirá-lo do caminho, é só uma questão de tempo...

— Mas está demorando muito...- Pilaf insistiu.

— Vai dar certo, Pilaf. Executaremos a principal parte do plano amanha à noite.

— E como será? - o pequeno rei perguntou interessado.

— Eu vou lhe explicar...

Na noite do dia seguinte, Yancha, executando os passos mandados por Babidi, estava com Bulma nos corredores da ala restrita voltando de um passeio aos jardins, aquela noite, executariam uma parte importante do plano, o general estava ansioso e assustado, sabia que o príncipe lhe mataria se descobrisse algo. Yancha levou Bulma até o quarto dela. Pararam em frente a porta. Ele sabia o que teria fazer a partir daquele momento, era hora de seguir o plano de Babidi.

— Bem, então ficamos por aqui – Bulma falou tímida já abrindo a porta do quarto.

— Espere – ele disse tocando a mão dela que segurava a porta. - posso entrar um pouco?

— Não seria apropriado. – ela falou com receio.

— Ei, mas sou eu, não sou um bicho-papão – ele brincou – não vou fazer nenhum mal, só quero ficar um pouco mais com você, - ele disse segurando a mão dela.

Bulma, ainda relutante, abriu um pouco mais a porta e deixou o general entrar em seu quarto. Ela o seguiu e imediatamente sentou-se na poltrona que ficava perto da porta da varanda, não queria se aproximar da cama, com o rapaz ali dentro. Yancha foi até onde ela estava.

Enquanto isso, Pilaf e Babidi chegavam a sala do trono, para dar seguimento ao seu plano. Seus espiões lhe avisaram que Yancha conseguira entrar no quarto com a cientista, aquele era o momento de iniciarem a sua parte.

— Não os esperava mais por hoje. - rei Vegeta falou surpreso ao ver os dois alienígenas adentrando o salão do trono.

— Nós precisávamos ainda lhe falar por hoje, Rei Vegeta. É um assunto urgente e que não pode esperar. - Pilaf falou com a voz aguda quando chegou próximo ao rei.

— O que se passa? - o rei falou inquieto. - Aconteceu alguma coisa?

— Na verdade aconteceu... - Pilaf falou fazendo-se de preocupado.

— Alguma guerra? Invasão? - o rei interrogou, alerta.

— Nada disso. - Pilaf negou. - problemas familiares.

— De que tipo? - rei Vegeta perguntou, curioso.

— Bem, é sobre nosso general, o jovem Yancha. - Pilaf continuou ainda se fazendo de preocupado – Sabe, ele é como o filho que eu não tive... e estou muitíssimo preocupado pois o menino anda sofrendo muito. - falou dramático.

— E o que houve? - o rei perguntou interessado, já imaginando do que se tratava.

— Ora, Rei Vegeta, todos já perceberam que meu general está apaixonado por sua chefe de tecnologia. Mas sofre por que sabe que ela não pode casar-se, ainda mais sabendo que seu amor é correspondido.

— Bulma não me falou nada a respeito. - o rei disse desconfiado.

— Bem, parece que ela tem medo que o senhor e seu filho descubram – Pilaf apressou-se em explicar. - e estamos aqui para tentar acabar com o sofrimento desses dois jovens apaixonados. Por isso, Vim pedir-lhe que conceda a mão da cientista em casamento para meu general.

— Perdoe-me, mas é impossível. – o rei disse conclusivo.

Babidi lançou um olhar sugestivo para Pilaf e ele continuou.

— Mas, Rei Vegeta, as vantagens serão enormes. - explicou imediatamente - Sei que não quer casar a cientista para que ela não saia de seu planeta, mas Yancha poderá permanecer aqui com ela para cuidar de nossos negócios por aqui. - Pilaf falou persuasivo e o rei escutava com a atenção. - Estou tão interessado em ajudar Yancha, que é como meu filho, que lhe garanto, que, se casar a cientista com ele, seu planeta terá a rota comercial da galáxia norte livre para suas mercadorias e terá todos os nossos planetas amigos abertos para negociar com seu planeta.

Rei Vegeta ponderou. Era uma oferta quase irrecusável. Há anos tentava conquistar o mercado da galáxia norte que era muito promissor, Bulma não sairia do planeta e ainda poderia afastar completamente o príncipe da atração perigosa que sentia pela irmã postiça, no entanto, não queria obrigar Bulma a casar-se se não quisesse e não tinha certeza que a menina queria.

— Não tenho certeza, Pilaf – ela falou indeciso. - Não sei se a menina iria querer, ela é quase um filha pra mim e eu não queria impor um casamento que ela não quisesse.

— Mas, rei Vegeta, tenho certeza que a garota está interessada. - Pilaf insistiu. - e além de tudo, - ele continuou após o olhar sugestivo de Babidi. - tem outra coisa.

— O que é?

— Bem,eu não queria precisar falar – ele começou fingindo receio – para não expor a garota...

— O que é, Pilaf? - o rei perguntou nervoso.

— Bem, é que eles já consumaram a relação. - Pilaf rebateu.

— Não acredito. - o rei falou incrédulo – Bulma é muito recatada, ela sabe que, pela nossa tradição, se ela se entregar, terá que casar-se. Ela foi criada com muitos cuidados...

— Bem, então acho que devem ser os hormônios, - Pilaf continuou – essa idade é terrível para as fêmeas, principalmente, sayajins, não é?

— Pilaf, não acredito nisso, minha menina não seria capaz. – o rei disse ainda incrédulo.

— Posso provar-lhe, majestade – Babidi falou com um reverência. - Nesse horário eles sempre se encontram no quarto da menina, os vi entrando lá, antes de virmos para cá.

— Você está inventando – o rei falou zangado levantando-se do trono. - como ousa difamar minha filha? - ele falou pegando Babidi pelo pescoço e quase o matando, sabia que Bulma jamais lhe daria esse desgosto.

— Acalme-se, rei Vegeta – Pilaf falou nervoso. - por que não vamos ao quarto da menina e verá com seus próprios olhos, assim poderá conceder a mão dela.

— Iremos – ele falou arfante soltando Babidi que caiu com um baque no chão. - se eles estiverem lá, eu concedo a mão dela, do contrário, Pilaf, matarei esse inseto difamador. - falou apontado Babidi, que tremeu de medo com esse aviso.

Enquanto isso, Bulma em seu quarto, inocentemente, já fora levada da poltrona em que estava até a cama, onde estava sentada esperando Yancha lhe falar algo que ele disse ser muito importante. Yancha recebeu um sinal de Babidi por uma escuta no ouvido, aquele seria o momento.

— Bulma, estou apaixonado por você – ele falou sério enquanto ela ria de uma piada que ele acabara de lhe contar, enquanto enrolava esperando o sinal de Babidi.

Ela ficou séria e o olhou longamente. Sabia que o general não queria apenas amizade com ela, mas não sabia se ela também queria o mesmo, gostava da companhia dele e só.

Ele não esperou resposta e se aproximou para beijá-la.

— Yancha, eu n-não posso – ela falou virando o rosto.

— Eu entendo, - ele disse pegando em seu queixo. - Eu não me aproveitaria de você. Mas estou decidido, e mais, Pilaf vai pedi-la em casamento ao rei.

Bulma afligiu-se.

— Não faça isso – ela falou nervosa. - Ele nunca dará minha mão para ninguém em casamento. - ela falou nervosa, apesar de gostar de Yancha, não queria casar-se com ele.

— Vou pedi-la. - Ele falou decidido, - sei que tenho chances, Pilaf está me ajudando, ele sabe que gosto de você...

— Não quero casar. -ela falou aflita.

— Você está apenas com medo. Não se preocupe, ele não terá como não aceitar a proposta de Pilaf e nós vamos ficar juntos para sempre. – ele falou pegando novamente o queixo dela e puxando-a para um beijo.

— Yancha, não... - ela tentou falar ao escapar um pouco do beijo. Ele não queria forçá-la mas não podia parar naquele momento, precisava seguir o plano.

Bulma tentou sair do abraço de Yancha, mas não conseguiu escapar, ele deitou-a na cama e ficando sobre ela. Bulma estava aflita e ficou ainda mais quando escutou a porta do quarto sendo aberta.

— Bulma...- ela escutou a voz forte do rei e sentiu-se ser solta por Yancha que pôs-se de pé e fez um reverência.

Bulma levantou-se de um salto, ainda atordoada. Viu o rei à porta, acompanhado por Pilaf e Babidi.

— Papai, eu... - ela falou apressada, vendo a cara de desaprovação do rei.

— Cale-se! - ele gritou como nunca havia feito antes com ela. - Você casará com esse rapaz o mais breve possível. - ele disse com desgosto o que fez o coração de Bulma estraçalhar.

— Mas, papai...- ela começou chegando perto dele.

— Eu não sou seu pai, menina – ele falou lançando-lhe um olhar decepcionado que a magoou ainda mais – se você tivesse meu sangue não se portava dessa maneira. Você casará com esse rapaz como é de sua vontade.

— Mas eu não quero casar!- ela falou apavorada.

— Pensasse isso antes de trazê-lo ao seu quarto. Vamos todos, - falou saindo.

Babidi e Pilaf o seguiram vitoriosos e puxaram Yancha que olhava condoído para Bulma, que chorava sentada na cama.

Bulma parou um pouco para assimilar o acontecido naqueles últimos minutos. Decepcionara seu pai e iria se casar contra sua vontade. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela sentia o peito apertar e o ar faltar-lhe aos pulmões.

Ela não queria casar, gostava de Yancha mas não o amava e não sabia se seria capaz de amá-lo. O que mais doía era a lembrança do olhar de decepção que o rei lhe lançou, ela nunca recebera aquele olhar antes e nunca imaginou como ele a magoaria. Foi nesse momento que ela lembrou do príncipe. Se o rei se decepcionara tanto, o príncipe então, a odiaria para sempre. Sentiu uma ponta de alívio por não ter sido Vegeta a encontrar Yancha em seu quarto, se fosse ele, as coisas poderiam ser piores.

Enquanto andava pelo quarto, ela não se perdoava por ter sido tão tola, de levar Yancha até lá. Concluiu que o general e os amigos dele armaram para ela, só não sabia o motivo. Talvez para casar-lhe e levá-la do planeta Vegeta para trabalhar como cientista na Terra, o que a apavorou mais ainda. Vegeta sempre lhe dissera que o sequestro de cientistas era comum entre os planetas, era esse o motivo que alegavam sempre para que ela não saísse do castelo e que o rei alegou para adulterar seus arquivos e dá-la como morta. Estava chocada como sua vida havia virado de ponta cabeça em poucos instantes. Perguntou a Kame por que ela não dava sorte e sempre algo ruim lhe acontecia.

Desesperou-se por que não queria casar e agora que o rei tinha dado sua palavra ela sabia que ele não podia voltar atrás e não sabia se ele queria. Ela tinha certeza de que não amava Yancha, e naquele momento confessou para si própria que amava o príncipe e apavorou-se por que estava prestes a perdê-lo para sempre. Sim, por que, quando ele descobrisse o que aconteceu e quando ela casasse, ela não teria nem a chance de amá-lo a distância, de poder sempre estar ao seu lado ajudando-o, pois ele a odiaria para sempre. E ela sabia que ia perdê-lo, sem nunca nem ao menos o ter possuído. De repente, teve uma ideia, precisava vê-lo, enquanto ele não a odiava, ele era o único que poderia salvá-la.