Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Maldición de una serpiente" postada em 2009 no FanFiction por Acarolin95.
Epílogo.
Harry encontrava-se encostado no chão de um quarto escuro, seus óculos tinham caído de seu rosto e estavam a poucos centímetros mais distante. Aos poucos, foi recuperando a consciência, não foi por dor, mesmo que na realidade a maldição nunca o tocou, mas pelo impacto e pela fadiga da ferida em seu estômago. Ao pegar seus óculos, focou a visão com a vã tentativa de descobrir onde estava. Se a maldição não o tocou, não podia estar morto, não é? Então, onde estava?
Quando escutou um sussurro não muito longe dali, parecia que algo muito pesado estava se arrastando sobre o chão na direção dele. Foi então que entendeu onde estava. Teria batido na sua testa com a mão por sua estupidez, mas preferiu manter-se alerta para o caso de ser a serpente amargurada em vez da voz rouca. Mas se estava no ponto de partida dos universos, voltaria para o seu universo? Então, percebeu que na verdade não tinha mentido para sua família sobre seu retorno, seguia doendo, mas pelo menos não estava morto, eles teriam visto que tinha desaparecido.
Quando o sussurro de algo aproximando-se chegou mais próximo, parou. E ficou tranquilo ao escutar quem falava.
— Parece que conseguiu cumprir sua missão, não é? — perguntou a voz rouca.
— Sim, mas suponho que não fui o único para desfazer a troca — respondeu Harry — Ou não foi meu homólogo que mostrou uma lembrança?
— Não. Na verdade, Harry, queria falar contigo antes que continue a mudança — ele assentiu, sentindo que a voz rouca podia vê-lo — Devo dizer que me surpreendeu, durante todo esse tempo foi muito paciente e sempre seguiu adiante, mesmo que Neville ou seu pai ou seu padrinho te pusessem para baixo. Sei que não foi fácil, mas admiro sua coragem e seu propósito de terminar com as horcruxes que não destruiriam o seu Voldemort. E por último, te devo desculpas — Harry ficou confuso por alguns segundos. Desculpas? Por que Neville foi horrível comigo, por que foi tão difícil conseguir a confiança de sua família ou por que teve que consertar os erros de seu homólogo? Era tudo parte da maldição e quando tudo passou, teve uma bênção, pensou — Não por isso, eu mesmo te contei as partes ruins e as boas, me refiro a não poder evitar a chegada do Voldemort de seu universo. Estava ocupando terminando uns conflitos com Atena sobre a economia e deixei a cargo de Zuthin, suponho que não posso deixá-lo mais a cargo e devolvê-lo a Yggdrasil. Quando voltei, descobri o que aconteceu, tentei fazer o que podia, mas já era tarde.
Harry ficou olhando a escuridão, sem entender muitas de suas palavras, não tinha ideia do que Atenas tinha a ver com aquilo e muito menos sabia o que era Yggdrasil, mas concordou com a cabeça.
— Bom, no começo foi um horror descobrir que meu Voldemort — deteve-se alguns segundos depois de pensar no que tinha dito. Meu Voldemort? — O Voldemort de meu universo tinha chegado ao meu universo. Pensei que podia tirar o peso do meu universo sobre mim, mas suponho que não foi possível, foi como disse a profecia: nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver, não importa onde eu esteja — acrescentou — Mas foi pior saber que se todos descobrissem que eu era de outro universo, esse secaria e seria sobrenatural não poder manter-se...
— Espera. Secar o universo? De onde tirou isso? — disse a voz rouca, rindo — Os universos não secam assim do nada, é só um mito. De tudo o que ouvi, essa foi a coisa mais engraçada.
Harry abaixou a cabeça, sentindo-se idiota de saber que era mentira, mas aquele sentimento foi ignorado por sua frustração por Dumbledore, que tinha mentido para ele e tornado as coisas mais difíceis. Se tivesse tido caminho livre, seus pais teriam o apoiado mais rápido e quem sabe, até mesmo Neville e Hermione.
— Então, por que Dumbledore disse isso?
— Não acho que foi intencional. Muitos mitos pensam ser verdadeiros se aparecem em muitos livros, como por exemplo Plínio, o coitado tinha a cabeça muito abalada, conhecia muitas criaturas mágicas, mas exagerava ou inclusive as inventava, até que ele mesmo e muitas outras pessoas acreditaram. Suponho que de tanto ler, o velho Albus se confundiu, é um ser humano, apesar de tudo.
Harry voltou a ficar calado sem saber quem diabos era Plínio, sentia-se ignorante e outra vez quis ter Hermione com ele para que explicasse. Talvez a voz rouca viu porque disse:
— Não tem ideia de quem é Plínio ou Yggdrasil, não é?
Ele negou com a cabeça, envergonhado. Sua frustração por Dumbledore tinha desaparecido, ele também merecia errar de vez em quando.
— Plínio, mais conhecido como Plínio, o velho, foi um escritor naturalista romano que descobriu muitas criaturas mágicas como a mantícora e quantidades de serpentes mágicas, e as levou ao mundo trouxa, como vocês chamam, e o Yggdrasil é uma árvore cósmica que se encontra no paraíso. Mas isso não é importante agora...
— Mas o que não entendo é: como conseguiu Voldemort chegar ao universo onde estava? — perguntou Harry — Não era suposto que se chegasse a um universo paralelo se seu desejo se cumprisse nesse universo? Não tinha nenhum desejo de Voldemort nesse universo.
— De certa forma sim. O simplesmente desejo de te encontrar era suficiente para que sua serpente o cumprisse porque, como já sabe, a serpente de Voldemort não era normal como as outras. Nagini é diferente das outras pela simples razão de ter outra alma dentro dele — respondeu a voz rouca — Voldemort simplesmente precisava se concentrar em te encontrar e pedir a Nagini que fizesse o resto do trabalho, não seria muito difícil. Por isso Zuthin não pode detê-lo, Nagini era mais forte e bom... suponho que também não tinha muita vontade, já sabe como é.
Harry assentiu. Não esperava nada de diferente de uma serpente como Zuthin, que odiava os seres humanos e se conhecia Voldemort com aquela cara de cobra, com certeza o amaria.
— Bom, agora que já tem tudo resolvido, seu homólogo está esperando na outra sala que o chame, quero que conversem e expliquem o que aconteceu em seus universos — terminou a voz rouca.
Ele ficou paralisado. Escutou o sussurro afastar-se e logo o cômodo foi iluminado, mas não estava interessado em saber como era o lugar, continuava surpreso com a ideia de falar consigo mesmo, seria a coisa mais bizarra do mundo. O lado bom era que podia perguntar o porquê agiu tão idiota no seu universo e o porquê foi para o lado escuro e desperdiçou a família que o amava.
Antes que pudesse se fazer perguntas, voltou a escutar o sussurro. Harry levantou a cabeça para contemplar o mais estranho que viu. Além de estar em uma sala fracamente iluminada e úmida, e ter visto a si mesmo entrando por um arco seguido do que parecia ser um homem no tronco e uma serpente no resto do corpo. Por um segundo, não tinha ideia do que era aquele ser, mas quando falou, reconheceu como a voz rouca.
— Vou deixá-los a sós um tempo e quando terminarem, voltarão aos seus universos — explicou o homem metade serpente, e saiu por onde tinha chegado.
Os dois ficaram calados, nervosos do que dizer ou fazer. Apenas tinha assimilado que viu um homem metade serpente, que a maldição não o atingiu e que voltaria ao seu universo, e ainda precisava enfrentar seu homólogo, que pensava não ter que encontrar nunca.
— Parece que conseguimos, não é? — começou seu homólogo, com as mãos dentro dos bolsos.
— Sim, parece que eu consegui melhorar a sua vida enquanto você aprendia uma lição no meu universo — disse Harry com voz fria.
— Escuta, sei o que todo mundo disse sobre mim, mas não fui eu que fiz tudo aquilo. Se tivesse tido escolha, por nada no mundo teria machucado eles. Tanto você quanto eu não pudemos desfrutar de uma família, eu só pude tê-la por 10 anos e o resto dos sete anos eu nem estava consciente do que estava acontecendo.
— O que quer dizer com não estar consciente?
Então seu homólogo explicou a Harry sobre a cinta que Bellatrix e Malfoy tinham postos nele quando ele tinha onze anos, uma cinta que o controlou durante seis anos até que conseguiu livrar-se dela no universo de Harry. Também explicou que no começo apenas percebeu, então quando o puseram no chapéu seletor, ele não viu nada estranho.
— Sei que não posso comparar com o que você viveu, mas ainda assim sinto inveja de você, pelo menos teve amigos que te amam como uma família. Você merecia mais do que eu estar no meu universo.
— Isso não é verdade, eu tive a minha chance de estar com eles e agora é sua vez, pode continuar as coisas de onde eu deixei. E agora, por sua causa, sei onde estão as horcruxes e posso valorizar mais o que tenho — disse Harry, dando de ombros.
— Suponho que devo te agradecer pelo que fez por mim. Mas como reagiram mamãe e papai? Eles já sabem?
— Sim — ele sorriu — Acho que eles já sabem o que aconteceu e definitivamente continuam te amando. Só espero que possa ajeitar-se com Neville, porque eu não consegui, acho que é coisa de vocês.
— E com Sirius?
— Acho que você vai ver quando voltar. Vai te surpreender quem são seus amigos. Mas o que fez no meu universo?
— Foi difícil conseguir a confiança de Rony e Hermione, nem por um segundo acreditaram que vinha de outro universo e sempre estavam alertas comigo. Acho que não consegui ganhar sua confiança até agora, quando os ajudei a encontrar outra horcrux, a taça de Hufflepuff, mas — acrescentou ao ver a expressão de felicidade de Harry ao saber que um das horcruxes tinha sido destruída — tivemos uma grande perda e eu sinto muito. Dobby não conseguiu sair com vida de Gringotes, mas pelo menos morreu com um herói, sabe?
Harry ficou paralisado. Dobby tinha sido um bom amigo, o ajudou todas as vezes que precisou e era o único elfo que entendia as liberdades e direitos que os elfos domésticos mereciam. Apenas podia suportar, acabava de ver Dumbledore voltar a morrer e tinha se mantido estável com a dor da perda, mas saber que outro ser querido próximo dele tinha morrido era demais.
Não sabia que tinha realmente doído até levantar a vista e ver seu homólogo borrado. Rapidamente piscou até afastar as lágrimas de seus olhos e se recompor.
— Eu sinto muito, eu não queria que isso tivesse acontecido...
Negou com a cabeça, tranquilizando-o, sabia que não tinha sido sua intenção, mas não podia evitar que doesse.
— Espero que te sirva de consolo que vai poder enterrá-lo como devido. Consegui pegá-lo e levá-lo comigo — respondeu quando viu a expressão estranhada de Harry.
— Obrigado.
Depois de um longo silêncio, uma das tantas perguntas que tinha do universo de seu homólogo surgiu. Tinha passado para plano de fundo depois que Remus o fez padrinho de Teddy, mas quando viu o tanto que seu homólogo sabia, a pergunta voltou.
— Ei, posso te perguntar o que aconteceu entre James e Remus? — perguntou.
— Ah — exclamou seu homólogo, surpreso — Não sei se sou a pessoa certa para te dizer, eu descobri por engano e queria nunca ter descoberto — ficou calado quando viu a expressão de Harry. Depois de suspirar derrotado, disse — Foi há muito tempo e não foi realmente sério, é só que Remus uma vez ficou apaixonado pela mamãe, claro que ele nunca tentou nada, mas isso não quer dizer que não quisesse passar muito tempo com ela. Quando papai descobriu por Sirius, não se importou porque sabia que Remus nunca o trairia, mas quando soube que estava com os comensais, já não podia confiar nele, inclusive chegou a pensar que algo realmente tinha acontecido entre ele e a mamãe.
Harry passou uma mão pelo pescoço, sem ter certeza do que dizer. Não tinha esperado por isso, mas agora ele sabia que Remus não estava apaixonado pela sua mãe, e sim pela Tonks, ele nunca o viu tão feliz antes e ainda mais agora que ambos estavam esperando Teddy. Não entendia como que agora que todos sabiam que Remus estava apaixonado por Tonks, e que ele era apenas um espião de Dumbledore, seu pai podia continuar tendo rancor por ele.
— Eu sei que é idiota, mas eu era criança, fiquei chocado — disse seu homólogo, dando de ombros — Mas para ser sincero, não acho que papai vai voltar a se reconciliar com Remus até a guerra acabar e ficar tudo claro.
Continuava sem entender as razões de seu pai, era estúpido querer continuar com uma briga sem sentido quando podiam ser amigos como nos velhos tempos. O que mais o irritava era que Remus tivesse passado tantos anos sozinho, sem amigos e tendo que passar pelas transformações de lobisomem. O que também não entendia era as razões de Sirius, que também não esteve do lado dele e não podia ter nada contra ele se sabia a verdade, mas disso nunca saberia, já que o homólogo dele tinha morrido faz tempo.
— Acho que agora só nos resta esperar que nos leve aos nossos universos, não é? — perguntou seu homólogo nervoso quando Harry não respondeu — A menos que tenha algo mais a dizer...
— Na verdade queria pedir que desmascarasse Pettigrew — e continuou quando viu a expressão confusa dele — Pettigrew é um comensal, mas não é como Remus, ele realmente traiu meus pais e por mais que Dumbledore e nossos pais digam que mudou antes da derrota de Voldemort, eu não acredito e pensei que, como você tem contato com alguns comensais, poderia encontrar provas da traição dele.
— Bom — começou seu homólogo, não muito seguro do que ia dizer —, a verdade é que desde o tempo em que conheci os comensais, nunca viu Peter entre eles. E quando os comensais atacam algum lugar, papai e Sirius nunca viram Peter entre eles — deu de ombros, enquanto fazia uma careta de desculpas — Pode ser que o Peter do meu universo seja bom, não como o do seu universo.
Harry negou com a cabeça, suspirando. Entendia o raciocínio do seu homólogo, mas não era como no caso de Hermione, Peter não era diferente em nenhum dos universos. Era como um pressentimento que o fazia suspeitar de Pettigrew, simplesmente a maneira como dava aulas e como se comportava, além de ter ficado muito nervoso quando Harry o acusou e caso não fosse suficiente, Sirius também desconfiava dele. Tinha que fazê-lo entender isso, ele não tinha resolvido isso, mas seu homólogo podia. Mas como?
— Olha, talvez ele usava poção polissuco enquanto realizava os ataques e por isso nunca o viram — disse, ficando nervoso.
— Está bem — seu homólogo sorriu —, nunca disse que não ia ajudar, só que não tinha certeza de que fosse, mas se você tem tanta certeza, quem sou eu para negar. Só espero não estragar nada do que você fez — murmurou no final.
Como se alguém tivesse o avisado, o homem metade serpente voltou a entrar pelo arco, disposto a levá-los a seus correspondentes universos, mas antes levou seu homólogo para outro cômodo e voltou, apagando a tênue luz.
— Harry, espero que tudo acabe bem — disse a voz rouca — Ah! A propósito, meu nome é Cecrops.
E antes que pudesse reagir, estava de volta à inconsciência, esperando o momento para acordar.
Quando abriu os olhos, conseguiu visualizar manchas borradas sobre ele, que se moviam depressa ao seu redor e pareciam preocupadas. Não foi até que alguém pôs os óculos sobre seu nariz que pôde ver os rostos de Hermione e Rony inclinados sobre ele. Por um segundo, Harry estranhou que Hermione estivesse ali, mas quando olhou ao redor e se viu em uma caverna só com Hermione, Rony e um vulto azul não muito longe, soube que tinha retornado. Sem poder conter a alegria de estar com seus melhores amigos de novo, saltou para abraçá-los com ambos os braços.
— Eu me alegro tanto de estar de volta — disse Harry, enquanto se separava e sorria para os dois surpresos — Não sabem por tudo o que passei.
— Harry? É realmente você? — perguntou Hermione cautelosa.
Ele assentiu apressado com a cabeça e esperou que eles fizessem uma pergunta.
— Quando soube que eu queria entrar no time de quadribol? — perguntou Rony.
— No nosso quinto ano, quando saía de uma das detenções da Umbridge e você estava em um corredores, praticando no escuro porque não queria que os gêmeos soubessem.
Com essa resposta, eles jogaram-se em cima dele para abraçá-lo com força. Mesmo que quisesse que o ambiente continuasse feliz assim, não podia, tinham uma missão para completar e muitas perguntas a responder.
Se aproximou do vulto azul, onde pareciam ter enrolado Dobby, o pegou em seus braços estremecidos e com muito cuidado, o tirou da caverna. Caminhou durante um tempo até encontrar um lugar onde tinha terra suficiente para cavar uma tumba. Com cuidado, o deixou sobre o chão e começou a cavar com as próprias mãos, até criar um fundo buraco onde Dobby caberia à perfeição. Quando terminou de cobri-lo com terra, já estava muito tarde e sabia que teria que voltar antes que Rony e Hermione se preocupassem.
Quando entrou na caverna, Hermione estava andando de um lado para o outro ao redor de Rony, que também parecia preocupado, mas se mantinha firme.
Durante toda a noite, explicou-os sobre o que era a maldição da serpente e o que teve que passar para ter a confiança de sua família. Hermione e Rony ficaram muito surpresos quando contou que Sirius estava lá, que não tinha morrido, mas ficaram espantados com a atitude de Neville. Era óbvio que o Neville dali era desastrado e tímido, mas nunca um mau sujeito, mesmo que tivesse desculpa para isso. Harry estava feliz de poder desabafar com seus amigos, apreciava que tivessem as mesmas opiniões que ele sobre Neville e entendessem quando disse que tinha pensado sobre a reação de seus pais.
— Harry, eu tenho certeza de que seu homólogo vai explicar que não morreu — disse Hermione, pondo uma mão em seu ombro — Além do mais, você se despediu deles e explicou que não voltaria, não é?
— Sim — murmurou para sua mão —, é só que queria ter mais tempo com eles, a maior parte do tempo estivemos falando sobre Gringotes.
— O importante é que teve a chance de conhecê-los, amigo — interrompeu Rony — Nem todos tem essa sorte. E já sabem o que eles pensam sobre você e é melhor do que pensou, então não se preocupe.
— Você tem a nós. Sei que não é a mesma coisa, mas vamos sempre estar do seu lado. Até o final, Harry — eles sorriram para ele.
Ele assentiu com a cabeça. Amava seus amigos mais do que podia pensar, porque eles também eram sua família e nunca os trocaria. Ele teve sorte de conhecer seus pais e com isso conseguiria fazer melhor na guerra. Como disse Sirius, ele já era um homem e conseguiu tudo o que queria.
Na manhã seguinte, o trio começou a fazer novos planos para conseguir as horcruxes restantes. Durante sua viagem ao outro universo e com a chegada do homólogo, ajudou a saber a localização e não sentirem-se tão perdidos na busca. Agora sabiam que o próximo passo era ir a Hogwarts. Hermione manteve-se teimosa sobre isso, já que não podia ser coincidência que a taça de Hufflepuff estivesse em Gringotes, mas não tinha certeza de que o diadema fosse igual. Harry não se importava muito se o diadema estava lá, mesmo se não estivesse, a sua chegada alertaria Voldemort e poderia aproximar-se de Nagini.
Depois de alguns dias, Hermione aceitou, mas com a condição de que ele não fizesse nada de perigoso e ficassem juntos. E sem antes esquecer-se de destruírem a taça de Hufflepuff, foi a vez de Rony usar a espada de Gryffindor.
A chegada a Hogwarts não foi como o esperado. Foram resgatados por Aberforth Dumbledore quando um alarme soou por Hogsmeade avisando aos comensais que tinham intrusos. Depois disso, foram ajudados a entrar em Hogwarts através do quadro de uma garota e se encontraram com Neville e o resto dos alunos, que foram castigados pelos irmãos Carrow, mas o que os impactou foi que os alunos esperavam-nos como um sinal do começo de uma batalha. Não foi até que chegaram até uns membros da Ordem que ele teve que desistir.
— Bem — disse Harry com voz potente —, precisam tirar do nosso caminho os irmãos Carrow, então avisarem os professores para que eles cuidem dos mais novos. O mais importante é fazer Voldemort descobrir e então... lutar.
A sala gritou em acordo com Harry e, sem que tivesse que dizer mais nada, todos saíram, deixando o trio a sós.
Contou a eles como era o diadema de Ravenclaw e separaram-se para procurar mais rápido.
No final daquela tarde, quando Harry destruiu o diadema e viu os corpos das pessoas que morreram na guerra, decidiu que tinha chegado o momento definitivo em que se sacrificaria pelo mundo bruxo.
E como todos sabem, Harry abriu o pomo de ouro e encontrou-se com a pedra da ressurreição. Foi um alívio para ele voltar a ver seus pais até o final. Mas como o planejado, Harry não morreu e no final do dia, sabia como todos os planos de Voldemort tinham fracassado e como os de Dumbledore deram certo. E com um só feitiço, Harry Potter tinha terminado com o grande e obscuro bruxo, ou como ele gostava de se chamar. Tinha acabado com o reino de Tom Riddle, Lord Voldemort e foi o que sobreviveu com a morte do outro. A profecia foi cumprida, mas não por dever, e sim por amor.
Harry ficou desconcertado quando sentiu-se sobre uma cama macia e escutou uma respiração muito próxima de seu ouvido. Mudou de posição e percebeu que estava na enfermaria de Hogwarts. Sua mãe estava sentada ao seu lado com a cabeça apoiada na cama e seu pai estava descansando os pés na cama. Um sorriso apareceu em seus lábios, algo que não aconteceu pelos últimos seis anos.
— H-Harry? — perguntou seu pai, que tinha sentido o seu movimento — Tudo bem?
— O que houve? — perguntou sua mãe, acordando de repente e olhando ao redor confusa — Harry?
— Estou bem, é sério — Harry continuava sorrindo quando murmurou — Eu senti a sua falta e me desculpem por terem passado por tanta dor por minha culpa, eu gostaria de ter feito algo enquanto estava sob aquela cinta, talvez deveria ter suspeitado das intenções de Bellatrix e Malfoy, era criança, mas não idiota...
Lily pôs uma mão na boca dele para calá-lo, estava confusa com aquele monte de palavras, já que não tinha certeza de qual Harry era aquele. Deu uma olhada para o seu marido, que estava na mesma situação que ela.
— É o Harry? O daqui? — perguntou seu pai, levantando-se lentamente da cadeira.
Ele assentiu e a última coisa que soube é que estava sendo abraçado por seus pais. Fazia muito tempo desde a última vez em que foi abraçado sendo consciente, e então entendeu o que o seu homólogo sentiu enquanto estava ali. Era a melhor sensação do mundo. E por mais que o seu outro eu tivesse dito que seus pais continuavam amando-o, era avassalador e surpreendente.
— Harry, quero que saiba que não é sua culpa, é nossa por não ter percebido isso antes. E se não é nossa, então é de Voldemort, Bellatrix e dos Malfoy, mas nunca sua — disse James pondo ambas as mãos no seu rosto — Não podia fazer nada para evitar, estava sendo controlado e por mais que quisesse sair, não podia. É como o imperius, poucas pessoas podem lutar contra, mas — acrescentou antes que ele pudesse argumentar — o seu foi pior.
— O seu pai tem razão, nós não te culpamos, nem agora, nem antes, nem nunca — disse Lily, sorrindo — Estamos orgulhosos de você.
Sorriu agradecendo pela compreensão, mas não sentia que merecia aquele orgulho. Por mais que não fosse ele, não tinha feito nada de ruim ou bom.
Depois de algumas palavras, o deixaram a sós para que pudesse estar com seus amigos, isso o deixou confuso. Não queria ver Draco naquela hora, realmente não queria enfrentá-lo justo agora. Ficou ainda mais confuso quando viu Luna, Rony e Hermione entrarem pela porta.
Os três ficaram felizes ao ver que estava bem e pediram detalhes de como tinha sido a missão em Gringotes, foi quando teve que explicar que não era o seu homólogo. Hermione esteve a ponto de sair correndo, mas Harry a impediu quando disse que tinha explicar o porquê de seu comportamento.
— ...Não fiz porque queria, eu estava sendo controlado por esse tempo, então tudo o que fiz não foi intencional — terminou de explicar.
— Então quando me manteve sobre o crucio não era você? — perguntou Hermione de repente — Ou quando disse que não merecia estar na Gryffindor? Ou quando me insultava pelos corredores me chamando de "sangue ruim"? Ou quando fazia da minha vida um inferno por tirar as melhores notas e estar na ação...
Harry corou ao escutar o que tinha feito, mas Hermione não parou ali, continuou com sua lista de todas as coisas que Harry Potter fez em Hogwarts e era bem longa, inclusive Rony tinha acabado dormindo e Luna tirado uma estranha revista do bolso, o que a irritou mais ainda.
— Eu sei que são muitas coisas, mas não foi minha intenção. Além do mais — retrucou Harry, cruzando os braços —, você podia não ter me dado ouvidos, sabia? Por exemplo, realmente se deixou influenciar por causa de algumas palavras para que mudasse de casa? O que eu disse foi uma idiotice, se realmente quisesse ser uma grifinória, podia ser e ter pedido ao chapéu seletor — resmungou.
— Bom, isso não foi totalmente sua culpa — ela murmurou — A verdade é que também foi culpa de Neville, mas ele estava furioso com você e não quis dizer aquilo — disse rapidamente. Harry ergueu uma sobrancelha e esperou que ela contasse o resto da história — Quando saí do compartimento, cheguei onde estavam Rony e Neville, eles estavam falando sobre casas também e quando entrei e perguntei onde queriam estar, eles disseram que seriam da Gryffindor como o resto da família. Eu pensei que todo mundo era igualmente racista naquele trem. Neville também se irritou quando comecei a falar sobre o que tinha estudado e onde queria ir, também pensou que não tinha nada a dizer sobre isso por ser filha de trouxas. Disse que com tanto estudo só podia ser uma lufana, nem mesmo a Ravenclaw porque era uma casa de bruxos de verdade — Hermione ficou calada por alguns segundos, engoliu com força e continuou — Então pensei que se todos os grifinórios eram assim, eu não queria estar ali. Quando o chapéu estava indeciso, pedi para não ser grifina por nada nesse mundo.
Harry ficou impressionado, nunca pensou que Neville agisse assim quando se irritava. No pouco tempo que conhecia Hermione do outro universo, percebeu o quão corajosa e forte era, mas aquela Hermione não tinha passado pelas mesmas coisas e por isso era tão sensível, mas também era apenas uma menina e tinha acabado de descobrir que era bruxa quando isso aconteceu, não podia esperar outra reação.
Com o passar dos dias, Harry voltou a aprender a estar com sua família e adaptar-se com seus bons amigos, eles não eram muito abertos e só compartilharam tempo quando Neville voltava de alguma missão. Começou a procurar provas sobre a traição de Peter, mas por mais que procurasse, não encontrava nada. Durante esse tempo, só tinha visto Sirius uma vez, ele parecia distante, como se pensasse em alguém e não pudesse manter-se concentrado, mas mesmo assim ofereceu-se para ajudá-lo com Peter.
Apenas se deu conta do tempo passando, tinha ficado tão feliz com seus pais e seu amigos que passou voando.
Mas a ação chegou uma tarde quando o corredor vibrou com violência seguido de um berro estrondoso, e de outros mais. Harry abandonou o livro de transfiguração sobre a estante e saiu correndo da biblioteca até o corredor, onde havia um monte de gente correndo em todas as direções. Procurou com o olhar alguém que pudesse explicá-lo o que acontecia.
— Ginny! — gritou quando viu a garota correr na direção contrária com a varinha em mãos — O que está acontecendo?
— A guerra está acontecendo — rosnou Ginny — Os comensais entraram no castelo, se prepara, Harry.
Ela continuou correndo na direção contrária de onde ia o resto dos alunos, ele vacilou por alguns segundos antes de decidir segui-la. E começou a lançar feitiços a torto e a direita quando viu homens vestidos de preto com máscaras. Ainda não lutava muito bem, mesmo que tivesse recuperado a memória e os feitiços que aprendeu, mas faltava a prática. Mesmo que estivesse treinando todos os dias, não era o suficiente.
A luta se prolongou durante um longo tempo, até que aquele monstro deu um tempo para lamentarem as perdas e, para alívio de Harry, nenhum dos seus entes queridos tinha morrido, só sido feridos. Quando o tempo limite estava acabando, a voz de Voldemort encheu o cômodo avisando sobre a morte de Neville. Não pôde evitar sentir uma pontada de dor pela perda, ainda tinha fresco na memória a lembrança de sua amizade e não podia julgá-lo, não ainda.
Quando todo mundo saiu aos jardins para comprovar as palavras dele, para seu horror, ele estava morto. Neville estava jogado na grama aos pés do bruxo.
Antes que se desse conta, todo mundo recomeçou a luta contra Voldemort nos jardins. Harry apenas podia virar-se com tantas pessoas ao seu redor e com tão pouca agilidade, mas a luta paralisou quando Neville levantou-se atrás de Voldemort, surpreendendo por alguns segundos. As coisas aconteceram muito rápido, nenhum dos dois compartilhou uma palavra além de feitiços. Harry estava surpreso por sua agilidade, tinha melhorado muito desde a última vez que o viu — quer dizer, enquanto estava sendo controlado —, mas não foi suficiente. Voldemort tinha se cansado daquela dança e decidiu ser mais violento e agressivo.
O seguinte que aconteceu não podia descrever ou acreditar, nunca pensou que teria culhão para isso, talvez a palavra não fosse "culhão" e sim sangue frio para lançar uma maldição da morte, mesmo que fosse contra Voldemort. Isso significaria rebaixar-se ao seu nível.
Percebeu que era o único que continuava parado, pensando no que Neville tinha feito. Todos estavam felizes pela morte de Voldemort, com exceção dos comensais e Harry, de certa forma, mas era mais decepção por Neville. Não foi até seus pais e Sirius abraçarem-no que reagiu.
Quando as coisas se acalmaram, Harry foi para casa com sua família. Tentou melhorar sua relação com Neville, mas com o passar do tempo não tinha progredido, Neville continuava frio e arisco com ele desde o começo, mesmo que tivesse explicado sobre o que tinha acontecido, era indiferente às suas palavras.
Ambos os garotos viviam em uma casa feita de pedras, pisos, paredes e umbrais de madeira. Era um lugar onde não se sentiam sozinhos, um lugar onde se sentiam em casa, porque eles estavam com sua família e ninguém mais perturbaria suas vidas. Eles construíram seus lares, para eles e para suas famílias.
