Dragon Ball não me pertence.
CAPÍTULO 18
Um desejo ao deus dragão
"Vou fazer um pedido e te chamar, pro começo do sonho acontecer. (…)
Mas se você é real, por que você não vem?"
Sonho de amor, Patrícia Marx
No capítulo anterior:
Qual é o seu desejo? ...
— Quero que ressuscite Bulma. - a voz de Vegeta saiu calma, embora seus punhos estivessem fortemente tensos e fechados e seu coração estivesse muito acelerado, quase subindo-lhe peito afora. Afinal, era uma frase que ele queria dizer há sete anos.
E ao dizê-la ele olhou em expectativa para o Dragão. Os olhos negros arregalados de ansiedade. O estômago cheio de borboletas.
O ser mágico o olhou de volta com atenção como se estivesse considerando o pedido, como se o analisasse. E passou-se o que para Vegeta foi uma eternidade, uma eternidade torturante, antes dos olhos rutilantes brilharem com maior força e a voz cavernosa fazer-se ouvir novamente.
— Não posso realizar esse desejo. - o dragão disse com simplicidade.
— O QUE? - Vegeta indagou incrédulo. - Como não pode? Você pode realizar qualquer desejo, dragão! - retrucou ainda tremendo de incredulidade.
— Sim, eu posso realizar qualquer desejo. - o dragão afirmou calmo.
— Então ressuscite Bulma! - Vegeta disse desesperado, a fúria lhe consumindo. Não acreditava que aquilo estivesse acontecendo.
— Sayajin, eu posso realizar qualquer desejo, mas não posso ressuscitar alguém que nunca morreu.
— Como? - Vegeta indagou sem entender.
— Não posso ressuscitar alguém que está vivo. - o dragão explicou novamente. A voz cavernosa com um ponta de irritação.
— Mas, desejo que ressuscite Bulma, Bulma Briefs! Ela está morta... morreu faz sete anos! - Vegeta replicou transtornado.
— Bulma Briefs está viva, rei dos sayajins. - o dragão disse novamente com segurança enquanto pairava no ar.
— ISSO É UMA INSANIDADE, SEU DRAGÃO MALUCO! - Vegeta gritou transtornado. - ELA MORREU! MORREU QUANDO AQUELA MALDITA NAVE EXPLODIU!
— Ela não morreu na explosão daquela nave, o feto sayajin no ventre dela a salvou. - o dragão insistiu ainda mantendo a mesma postura indiferente. - Ela está viva. - finalizou.
Vegeta olhou boquiaberto para o Dragão, ainda muito aturdido e ainda não acreditando no que ouvia. Quase achou que talvez estivesse sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo.
— Se ela está viva, quero então saber como está, onde está e o que aconteceu com meu filho. - Vegeta desafiou como uma atitude desesperada, como uma afronta para que o Dragão lhe confirmasse que Bulma estava mesmo morta. - Quero ver com meus próprios olhos. Vamos, FAÇA!
— Que assim seja. - O dragão disse pouco antes de tudo ficar escuro e uma forte tontura acometer o rei sayajin.
Vegeta abriu os olhos e sentiu o chão arenoso sob seu corpo.
Meio desajeitado, ele se levantou e procurou em volta o dragão que estivera a sua frente a menos de um minuto atrás.
Mas, ao observar o entorno, ele logo percebeu que não estava mais na ilha vulcânica no planeta Terra. O céu rosado aquela hora da tarde lhe denunciava algo: estava de volta a Vegetasei.
Ele andou meio aturdido lembrando-se das últimas palavras ditas pelo dragão: Bulma estava viva e ele havia pedido uma prova disso. Sua mente confusa foi parada quando ouviu um barulho que vinha do céu acima de uma casa que estava a sua frente.
Um sayajin treinava lá em cima.
Ele olhou o sayajin mas seus olhos não conseguiram enxergar com exatidão o vulto que se mexia lá em cima em alta velocidade. Mas podia sentir um forte poder vindo do ser que treinava solitário.
— Mas, o quê...? - ele indagou para si próprio ao olhar com atenção e perceber que era uma criança que estava lá em cima .
— TRUNKS, HORA DO LANCHE!
O sangue de Vegeta congelou dentro de cada uma de suas veias ao ouvir aquelas palavras gritadas que vinham da casa.
Aquela voz! Aquela voz que ele não ouvia há tanto tempo. Há sete anos. Aquela voz que ele conhecia melhor que qualquer coisa. O mais rápido que pôde, ele virou a cabeça na direção da voz.
E lá estava ela.
Como ele não pôde perceber sua presença?
Ele a olhou e sim, era Bulma que estava ali na varanda da casa, olhando para o céu lá em cima, para o mesmo lugar que ele olhara segundos atrás.
Como poderia? Ele devia estar sonhando!
A passos lentos, se aproximou da varanda da casa enquanto era ultrapassado por um vulto rápido que descia do céu.
Era mesmo Bulma que estava ali. Era ela que agora entrava pela varanda e sentava-se à pequena mesa de madeira e se servia de um copo de suco.
Mas, não era bem a Bulma de que ele se lembrava.
Ainda tinha o mesmo corpo esguio e curvilíneo, podia se perceber pelo vestido longo de malha fina, mas estava diferente.
Vegeta subiu os degraus de madeira da varanda e até chegar a menos de um metro da mesa onde Bulma conversava com o garoto de cabelos roxos enquanto os dois lanchavam hambúrgueres e suco.
— Mas... Mas é você! - Vegeta murmurou ao aproximar-se e reconhecer o aluno estranho da academia que parecia alheio a presença dele ali. - Eles não podem me ver...— constatou para si próprio um segundo depois ao colocar a mão na frente do rosto de Trunks, para depois aproximar-se de Bulma e examiná-la.
Ela parecia mais velha, ele notou. Mais velha, não, mais madura. Alguma coisa do rosto de menina ainda estava ali, mas havia uma face madura junto ao aparente semblante de preocupação da mulher. Os cabelos estavam mais curtos do que ele gostaria, mas tinha que admitir que ela estava verdadeiramente bonita com eles. Era uma mulher agora e ele nunca poderia imaginá-la assim.
Espantado, Vegeta tentou tocar o rosto dela, mas sua mão o perpassou rapidamente como se ele, ou ela, fossem fantasmas.
— Estou alucinando?— ele se perguntou, mas logo sua atenção foi tomada pelo menino que dava uma resposta para Bulma, em um tom de voz, assustadoramente parecido com o seu próprio.
— E eu tenho. - o menino afirmava insolente. - Kuririn e Dezoito são meus pais perante a lei. Não são? - Vegeta ouviu o menino dizer antes de tomar um copo de suco.
"Que menino petulante!" Vegeta pensou irritado ao ver o rosto chateado de Bulma, após essa resposta.
— Não acredito que eles assinaram uma autorização sem me comunicar! - Vegeta viu Bulma dizer com raiva. Nunca tinha visto aquele olhar de ira nela antes, já havia lhe visto zangada, mas não com aquele olhar de fera.
— E tenho. - O menino retrucar de forma segura.
— Trunks mocinho, você não... - ele ouviu Bulma dizer novamente zangada.
— Viu mamãe? Eu também tenho meus segredos. - Trunks falou com um sorriso de lado que fez Vegeta estremecer ao perceber como era assustadoramente parecido com o seu. Parecia que estava olhando lhe sorrir de um espelho.
— Obrigada pelo lanche. - o menino disse com classe e arrogância, antes de disparar para o alto com um pulo.
Por um instante, Vegeta sorriu satisfeito e divertido.
"Que moleque arrogante! Tem todas as qualidades de um membro da família Vegeta. Só pode ser meu filho. Mas, de que segredos ele estava falando?" Vegeta se perguntou ao voltar a encarar Bulma que estava parada, muito pensativa com um hambúrguer pendendo de uma das mãos e um copo de suco na outra.
— Por que você mentiu pra mim? - ele perguntou de repente sentindo raiva ao encarar a mulher que levantava-se com um suspiro. - POR QUÊ? - gritou amargurado batendo na mesa com o punho fechado enquanto olhava no céu o garoto que treinava.
Seu filho. O filho que ele foi privado de conhecer a vida toda. Privado por ela. A mulher que ele achava que estivera morta por tanto tempo e que estava viva em algum lugar de Vegetasei.
Vegeta viu Bulma pegar a bandeja e a jarra quase vazias e entrar pela porta da varanda, sua intenção era segui-la, seguir e gritar. Gritar tão alto até aquele fantasma ou alucinação lhe ouvir. Gritar o quanto estava ferido por descobrir aquilo. O quanto a odiava por mentir tão depravadamente pra ele.
Contudo, antes que ele pudesse alcançar a porta de madeira da varanda. Sua visão se turvou e tudo ficou escuro de novo, fazendo-o cair com uma forte tontura.
— Seu desejo foi concedido.
Vegeta ouviu a voz cavernosa ao abrir os olhos e perceber que encontrava-se novamente na ilha terráquea.
— Espere... - Vegeta gritou ainda do chão. - Preciso saber mais! Preciso saber o por quê! Preciso saber onde eles realmente estão!
— Você já viu o que tinha que ver, sayajin. E é toda a verdade. - o dragão falou severo, fazendo os ventos, as ondas e os raios aumentarem. - É chegada a hora de partir.
Uma forte luz amarela quase cegou Vegeta e, no momento seguinte, pôde ver sete pontos dourados desaparecerem no horizonte.
Tarble acordou diversas vezes com os barulhos das explosões. Ele sabia que haviam pousado havia pouco tempo e imaginou que os soldados de Freeza estivessem purgando outro infeliz planeta. Nas quase duas semanas que estivera na nave, já escutara aqueles gritos lancinantes e aquelas explosões mais de meia dúzia de vezes. Parecia que aqueles monstros destruíam tudo que havia pela frente.
Ele abraçou novamente o corpo pequeno de Ângela. Ela ainda dormia profundamente, talvez muito mais acostumada do que ele a esses episódios sombrios. Tarble fechou os olhos, tentando fazer o mesmo. Contudo, ele mal cerrou as pálpebras, abriu-as novamente. Havia algo, ou alguém se aproximando. Alguém muito, muito poderoso.
— Ângela... - ele sussurrou tentando acordar a garota. - Ângela, acorde por favor! Tem alguém vindo! Pode ser Freeza!
— Freeza?— a garota abriu os olhos espantados ao ouvir aquele nome.
— Vamos, vista-se. - ele falou com pressa entregando o vestido surrado para a garota. - Vá para sua cama. Ele pode castigá-la por estar aqui comigo.
Ângela, que era sobrevivente nata, vestiu rapidamente a peça de roupa e deu um pequeno beijo na boca de Tarble, correndo então para a cama que fora de Uranai. Desabou na cama no exato instante em que alguém arrancava fora a porta da cela. Um brilho dourado enchendo o lugar.
— Vegeta? - Tarble indagou ante ao guerreiro que surgiu no portal. Um super sayajin com certeza.
— Não é ele Tarble. - uma voz grossa encheu o ambiente. - Sou eu, general Kakkarotto. Vim buscar você.
— Kakkarotto, você é um... - Tarble disse ao aproximar-se.
— Sim, eu sou. - Kakkarotto disse apressado. - Mas, não posso falar disso agora. Vamos rápido que nosso tempo é pouco. - disse já virando-se para deixar a cela.
— Espere. - Tarble disse entrando de novo na cela e indo até Ângela que estava encolhida em sua cama.
— Vamos, Ângela. Ele veio nos buscar. É hora de ir. - Tarble disse com pressa.
— Eu... Eu não sei. - Ângela disse relutante ao olhar Kakkarotto. - Tarble, estou com medo...
— Quem é ela? - Kakkarotto perguntou ao ver a jovem que encolhia-se na cama.
— Ela é minha companheira. - Tarble respondeu sem pestanejar.
Kakkarotto piscou impressionado.
— Bem, então pegue-a e vamos. - falou prático.
— Vamos Ângela. - Tarble insistiu mas a garota não se mexeu. Ainda olhava assustada para Kakkarotto.
Tarble entendeu. Ela tinha medo de guerreiros. E Kakkarotto entendeu também naquele momento, por isso aproximou-se da garota frágil notando que já havia visto aquela face de terror outra vez na vida.
Era a face de Bulma quando acordou no tanque de regeneração anos atrás. Aquilo doeu instantaneamente no coração do guerreiro. O fez sentir uma empatia enorme por Ângela.
— Ei, menina. Não vamos lhe fazer mal. - Kakkarotto disse brandamente sentindo uma grande empatia pela pobre garota. - Você é a companheira de nosso príncipe. Nós somos os mocinhos. Viemos resgatar vocês, mas só temos uma única chance. - disse confiante olhando nos olhos da garota.
Ângela pareceu entender. Ela segurou a mão que Tarble lhe ofereceu e levantou-se da cama. Não pegou nada, deixou tudo pra trás.
— Sigam-me. - Kakkarotto disse ao sair pelos corredores.
Ângela e Tarble seguiram o guerreiro que rumava apressado para fora da nave. Todas as outras celas haviam sido esvaziadas. Havia alguns soldados de Freeza estraçalhados pelos corredores. Tarble não quis olhar, mas Ângela fazia questão de chutar e cuspir em todos que encontrava.
Sem nenhum contratempo, logo desceram a rampa da nave e pararam no chão pedregoso daquele planeta desconhecido. Uma grande nave com o símbolo real de Vegetasei pintado na fuselagem estava estacionada a frente deles. Kakkarotto rumou para ela e o casal o seguiu.
— Vamos decolar o mais rápido possível. - Kakkarotto falou entrando na nave, no mesmo instante em que desfazia sua transformação de super sayajin. Com um baque, a nave deu partida e decolaram tão rapidamente que precisaram se segurar para não cair.
Minutos depois todos viam lá embaixo a nave de Freeza explodir.
— Os malditos colocaram a nave em modo de autodestruição antes de fugir... - Kakkarotto comentou com Tarble enquanto observavam a explosão lá embaixo. - Seja bem vindo a bordo, alteza. - o general disse simpático ao olhar para o pequeno príncipe e sua companheira, fazendo uma pequena reverência para Tarble que se mantinha de mãos dadas com Ângela. - Vou pedir que preparem aposentos para você e sua companheira. - continuou afastando-se. - Desculpe não conversar agora, mas tenho uma bagunça para organizar por aqui. - disse olhando em volta.
Tarble só então olhou em torno. Havia muita gente ali no ante-salão da nave. Guerreiros sayajins suados e cansados, alguns oficiais médicos cuidando de prisioneiros sujos e caquéticos, alguns soldados de Freeza presos com amarras sugadoras de ki.
Ângela mantinha-se atrás de Tarble, ainda muito apreensiva. O general se afastou fazendo uma pequena reverência.
— Ele parece ser um bom guerreiro. - Ângela disse tímida para Tarble quando o general se afastou.
— E é. - Tarble disse pensativo. - Só não imaginava que fosse um super sayajin também. - falou olhando Kakkarotto que dava ordens a alguns de seus soldados mais adiante.
— Alteza, podemos levá-lo com sua companheira para seus aposentos. - um dos soldados falou com respeito ao aproximar-se do casal.
— Sim, vamos. - Tarble concordou apertando a mão de Ângela como que para lhe dar coragem.
Já esperança, agora ela tinha de sobra.
Vegeta demorou alguns minutos antes de conseguir voar até Bardock novamente.
— E então, majestade? - o ex-general indagou apreensivo ao ver Vegeta retornar transtornado, sem as esferas e sem Bulma.
— Ele não a ressuscitou! - Vegeta exclamou furioso quando pousou, fazendo Bardock e Picollo lhe olharem espantados. - E sabe por que ele não fez isso, Bardock? - Vegeta perguntou quase insano. - POR QUE ELA ESTÁ VIVA! A maldita está viva! Sempre esteve e me enganou por todos esses anos!
— Ele sabia... - Picollo resmungou zangado, de repente. Vegeta não lhe deu atenção. - Maldito! - o namekuseijim disse com raiva antes de disparar para o céu como uma bala.
— O quê..? - Bardock disse atordoado ao ver Picollo sumir.
— Estou indo embora, Bardock. - Vegeta falou sério já subindo a rampa de sua nave. - Ela está em Vegetasei. Vou pegá-la.
— Por favor, não faça nenhuma besteira, majestade! - Bardock pediu ao rei ao acompanhá-lo. - Lembre-se da profecia. - Avisou.
— Não se preocupe, Bardock. - Vegeta falou entre dentes, meio insano. - Dessa vez eu sei exatamente o que fazer. - disse perigoso. - Enquanto isso, junte novamente as esferas do dragão. - ordenou jogando o radar nas mãos do ex-general. - Acho que vou precisar delas antes do que você possa imaginar.
E com um riso sombrio, Vegeta desapareceu dentro da nave real. Em questão de minutos, ele estava fora do planeta Terra.
E pouco minutos após a nave real de Vegetasei deixar o planeta azul, uma outra nave adentrava a atmosfera do planeta, só que num ponto muito distante da fortaleza do ex-general Bardock.
E ninguém viu essa nave que pousou. Ela usava um sofisticado sistema de supressão de sinal nos radares e o sistema de invisibilidade inventado por Bulma. Seus ocupantes tinham o ki diminuído ao máximo.
Ninguém percebeu quando eles entraram no planeta.
— Imperador, parece que o rei sayajin não conseguiu reaver a princesa terráquea. - Um dos soldados informava a Freeza após ler uma mensagem na tela do computador. - E saiu daqui realmente zangado.
— Ótimo. - Freeza disse satisfeito ao esvaziar sua taça de vinho. - Sinal que o Dragão já disse ao macaquinho que amada está viva. Que comovente! - zombou. - E que bom que o bastardo já se foi, achei que não ia sair nunca desse planeta! - resmungou. - Jazar, os idiotas do Maki Gero e do Daburá já estão me esperando? - Freeza indagou para o soldado que lhe dera a mensagem.
— Sim, imperador. - Jazar confirmou eficiente. - Pousaremos em cinco minutos.
— Excelente. - o lagarto disse sorrindo maldosamente para o planeta azul lá embaixo pensando na ironia de ir buscar justo na Terra as armas para vencer o descendente de sua linhagem real.
