Dragon Ball não me pertence.
CAPÍTULO 19
O retorno do rei
Vegeta adentrou a nave sem dirigir uma palavra a ninguém e pela forma como o rei sayajin bufava e pisava duro no chão, quase afundando o metal da nave, ninguém foi corajoso ou burro o bastante para puxar algum assunto com o rei. Apenas cuidaram em dar partida na nave que era o que a tripulação supunha que o rei queria que fosse feito.
O rei caminhou pelos corredores até chegar a seus aposentos, destravou a porta no painel eletrônico e quando essa se abriu ele rumou diretamente para uma pequena prateleira que havia no quarto onde havia uma inscrição: bebidas.
Pegou a garrafa do uísque que mais gostava e arrancou o lacre de uma vez. Sentia uma necessidade vital de se libertar do aperto que sentia no coração, por isso levou rapidamente à garrafa a boca.
Contudo, um segundo antes do líquido âmbar escapar de seu reservatório para os lábios do sayajin, Vegeta parou e baixou a garrafa.
— Não, não dessa vez. – resmungou com firmeza embora tivesse a respiração entrecortada pelo desejo de embriagar-se. Juntando toda sua força de vontade, ele jogou a garrafa no ar e antes que essa encostasse no chão, ele a pulverizou sem deixar resquícios.
Vegeta havia constatado desde a noite que passara com a última garota que seu vício pela bebida o havia deixado fraco naqueles últimos anos. Lembrou-se que a bebida era uma fraqueza que ele odiava em seu pai e concluiu que pagara com a própria língua ao sucumbir ao vício por aquele líquido infernal.
Quando bebia ele saía do comando da situação, quando bebia, era a bebida que mandava nele e lembrara-se o quanto odiava não estar no controle.
Ele havia jurado para si mesmo não se deixar mais dominar por aquele maldito vício, um vício que naquele momento culpava Bulma por fazê-lo adquirir.
Pois, no fim das contas, fora tudo por causa dela.
A falta dela o fizera ficar bêbado por todos aqueles anos e como tudo fora uma mentira, ela estava viva e o enganara, ele pulverizou todas as outras garrafas do quarto para acabar de uma vez por todas com aquilo. Não cairia naquela novamente, assim como não cairia por ela novamente.
Lembrou-se que tinha um jeito mais eficaz e mais digno de aplacar sua raiva. Faria o que um verdadeiro guerreiro sayajin faria para não cair na insanidade.
Com esse pensamento, Vegeta deu meia volta e saiu de seu quarto na nave.
Naquele mesmo instante em Vegetasei, Videl trazia uma jarra de limonada gelada para o marido. Gohan passara à tarde daquele sábado treinando nos jardins. Primeiro com Trunks, e agora que o menino se fora, treinava sozinho.
A jovem esposa deitou-se confortavelmente em uma cadeira de tomar sol após colocar a jarra de limonada na pequena mesa ao lado. Mesmo com todas as preocupações, Videl queria relaxar. Afinal, moravam na praia e era maravilhoso aproveitar o sol morno daquele final de tarde para bronzear-se no pequeno biquíni lilás que usava.
— Desse jeito não posso me concentrar no treinamento. – Gohan disse traquino ao aproximar-se de onde a mulher estava deitada, trazendo um copo cheio de limonada gelada. Sentou-se ao lado da esposa na cadeira de praia.
— Estou apenas pegando sol, não fiz nada... – Videl disse em um falso tom de inocência olhando o marido por trás dos óculos escuros. – Sabia que eu adoro quando você coloca seu uniforme de batalha? Bem melhor que aqueles jalecos horrorosos dos laboratórios. – insinuou levantando-se com os cotovelos e passando a mão pelo tórax do marido, fazendo Gohan descompassar a respiração.
— Eu também adoro quando usa esses biquínis. – Gohan disse atrevido, contornando a barriga de Videl com a ponta do dedo até chegar ao elástico da calcinha. Depois, puxando a mulher para um beijo apaixonado.
— Gohan... Vamos... – Videl disse um pouco arfante quando ele parou de beijá-la.
— Agora não, querida. – o rapaz replicou com um pequeno sorriso afastando-a gentilmente. – Bem que eu queria, mas tenho que voltar ao treinamento. Mas, à noite a gente continua. Prometo. – disse deitando-a novamente na cadeira e terminando de beber a limonada.
Videl fez biquinho de desagrado.
— Você nunca treinou tanto quanto agora... – disse um pouco chateada antes do marido levantar-se.
— É necessário, querida. – Gohan explicou paciente. – Preciso estar forte para proteger você e Pan quando Vegeta chegar, não sabemos qual será a reação dele ao descobrir que mentimos.
— Gohan, você não pode nem pensar em lutar com ele. É loucura! – Videl retorquiu sentando-se novamente, agora muito nervosa.
— Não irei lutar com o rei se não precisar. Apenas se ele quiser fazer algum mal a vocês. - Gohan disse calmo. - E se tiver de lutar, lutarei ao lado de Kakkarotto que é quase tão forte quanto o rei.
— Não, Gohan, por favor!- Videl pediu quase chorando, o marido não tinha lhe revelado aquela ideia louca ainda. – Ele é muito poderoso...
— Eu também sou, querida. – Gohan replicou com firmeza, revelando à mulher a decisão que tomara pouco depois de saber que Marvin contaria a verdade ao rei. – Você pode não achar, mas eu sou descendente da segunda família mais poderosa da raça sayajin. - explicou com firmeza. - Meu primo é um super sayajin como o rei e Kakkarotto me disse que se eu treinasse muito também poderia me tornar um. Ele falou que não existe isso de sayajin lendário, qualquer sayajin que treine com afinco pode chegar a ser tão poderoso quanto o rei. Vegeta está chegando e quando chegar, teremos que confrontá-lo. Não posso ficar morrendo de medo como eu estava e deixar machucar vocês. Olhe meu amor, eu pensei muito nisso e vou lutar como um verdadeiro sayajin faria. – disse decidido.
— Acho tudo isso uma loucura... – Videl replicou preocupada.
— Não é, querida. – Gohan falou dando um beijo no topo da cabeça da esposa e levantando-se em seguida. – Vou proteger vocês, custe o que custar. – O sayajin prometeu disparando novamente para o céu.
E enquanto Gohan voltava ao treinamento, perto dali nos jardins da casa da clareira, Trunks estava treinando incessantemente desde que deixara a casa do padrinho duas horas atrás.
O menino aproveitou que a mãe tinha ido ao Distrito Real com Pirza, e treinou do jeito que mais gostava: transformado em super sayajin.
Sim, isso por que Trunks já controlava essa técnica há algum tempo.
Foi pouco depois de começar na academia real. Ele transformara-se pela primeira vez na noite em que havia descoberto as atrocidades que o rei fizera com sua mãe.
Naquela noite tenebrosa, enquanto queimava as fotos e recortes que tinha do rei, o menino se transformava. Uma raiva intensa o consumiu e ele começou a sentir algo que nunca sentira. Um poder sobrecomum. Ele elevou seu ki o máximo que pôde e mal acreditou quando sentiu sua transformação.
Só acreditou realmente que havia se transformado quando Gohan chegou até ele instantes depois, atraído pelo ki gigantesco que sentira. Foi por um milagre que Bulma não descobrira, mas o menino sabia que as pílulas que a mãe tinha tomado a fizeram dormir profundamente.
Gohan guardara o segredo do menino e, desde então, o estava ajudando a dominar a técnica e o ki. Trunks nunca tinha testado todo o seu ki, pois Gohan o prevenira que apresentar um ki tão poderoso poderia atrair sayajins para a casa da clareira.
E agora, enquanto treinava golpes com sua espada, transformado em super sayajin, Trunks ansiava pelo momento em que poderia libertar livremente o poder descomunal que sentia dentro de si, e faltava muito, muito pouco pra isso.
— Bulma, já está passando da hora de você contar a verdade a Trunks, minha amiga. – Pirza disse em tom de reprovação para Bulma enquanto tomavam um café na sala da casa da loira. - Já faz dias que você sabe sobre a verdade de sua origem, Vegeta voltará dentro de uma semana e Trunks ainda não sabe de nada.
— Calma, Pirza. Estou tomando coragem. – Bulma disse cansada. – Acha que não tenho pensado nisso cada segundo do meu dia? Estou ainda muito confusa. Minha cabeça dá voltas e às vezes parece que vai explodir... Tem essa estória maluca de eu ter sangue nobre, tem a volta do Vegeta se aproximando a cada segundo, tem Kakkarotto...
— O que tem Kakkarotto? – Pirza perguntou desconfiada. – Pensei que ele tivesse concordado em contar tudo...
— É... É... concordou. – Bulma disse nervosa. Ainda não tinha contado a amiga sobre seu relacionamento com Kakkarotto e nem sabia como e quando iria contar. Sabia que quando Pirza soubesse, além de reprová-la completamente, ainda poderia obrigá-la a contar para Vegeta. E ela não fazia ideia de como contar isso a ele. Não fazia ideia nem de como encará-lo. E não queria nem imaginar esse momento.
— Bulma, não sei por que tanto receio de contar tudo a Trunks. – Pirza continuou, tirando Bulma de seus devaneios. – Acho que seu filho ficará feliz em saber que é o filho do rei, quem não ficaria? Você mesma disse que ele já desconfiou disso e que ficou muito animado com a ideia...
— Ele vai é ficar com muito ódio de mim, isso sim. – Bulma confessou triste. – Não sei se ele me perdoará por ter concordado com Kakkarotto sobre Raditz ser o pai dele...
— Também, né, Bulma? Eu ainda não acredito que você concordou com um despautério desses! – Pirza replicou zangada, levantando-se. – Que mentira deslava! Se você e Kakkarotto não fossem quase da família pra mim, eu odiaria vocês só por terem tido a coragem de destruir os sonhos daquela criança. Vocês privaram Trunks de um direito sagrado dele. E não venha me dizer que você tem algum direito com isso por ser mãe dele. O menino tinha o direito de saber quem era o pai dele. – a mulher replicou indignada. – Olhe, Bulma, eu adoro você, mas você pisou na bola feio com isso aí. Você e Kakkarotto. – complementou. - E é melhor desfazer esse erro logo, por que acho que Vegeta pode até te perdoar por mentir que estava morta, mas não perdoará se souber que você disse ao filho dele que Raditz era seu pai. Ele vai ficar puto da vida, eu ficaria. Temo só de pensar...— finalizou em tom de preocupação.
— Eu sei que ele vai ficar furioso. – Bulma afirmou pensativa. – Eu me sinto muito envergonhada por isso. - confessou. - Mas. Tenho medo de Trunks me odiar. Não sei se eu suportaria isso... Eu já passei por tanta coisa... Mas perder Trunks tiraria minha razão de viver.
— Mas, você tem que contar, minha amiga! – Pirza insistiu. – E logo, por que o relógio está correndo. – finalizou com um tom alarmante. - Será pior se não contar! E quanto a Trunks, você vai ter que correr o risco, pagar pelo erro que cometeu. Não há como desfazer. - disse vendo a amiga desesperar-se. - Mas tenha esperanças. Trunks a idolatra. Tenho certeza que ele lhe perdoará. - Pirza disse sentando ao lado da amiga e abraçando-a.
E quando Bulma saiu da casa da amiga meia hora mais tarde, tinha uma resolução em mente: contaria tudo para Trunks.
Só teria que encontrar o momento certo e tomar a dose de coragem adequada.
— Há quanto tempo ele está assim? – Um dos membros da tripulação da nave real perguntava ao olhar o grande monitor de tela de cristal líquido.
— Mais de vinte quatro horas. Não parou nem um instante. – o outro Sayajin de primeira classe respondeu com semblante preocupado.
— É assustador. – o primeiro sayajin afirmou continuando a olhar o monitor.
O grande monitor ficava externo a sala de treinamento gravitacional da nave. Por ele, via-se Vegeta totalmente suado e machucado, vestido apenas com um short dentro da luz vermelha da câmara de treinamento. Lutava incessantemente no limite de gravidade que a nave podia aguentar.
— Se ele continuar assim poder morrer... – um dos sayajin que olhava o monitor comentou.
— Talvez seja isso que ele quer. – o primeiro sayajin explicou. – Morrer... Ou melhor, quase morrer... – falou significativamente.
— Como assim? – o outro indagou sem entender.
Porém seu colega não pôde responder essa pergunta, pois nesse momento, Vegeta abriu bruscamente porta da sala de gravidade e saiu através dela. Estava totalmente ensanguentado, com uma das mãos segurando o tórax machucado, respirava com dificuldade e mancava um pouco, mas, por incrível que pareça, parecia satisfeito.
— Avisem ao comandante que procure um planeta desabitado de gravidade regular e atmosfera respirável para pousarmos. – o rei ordenou sem olhá-los, ao passar pelos dois. – Estarei na enfermaria da nave.
Os dois sayajins se entreolharam nervosos. Seu rei realmente era alguém intrigante.
Pirza deixou Bulma em casa no final daquela tarde e voltou para o distrito real. Estava mais aflita a cada dia que passava.
Aquela altura ela imaginava que Vegeta já tivesse reunido as esferas e encontrado o deus dragão. Estava nervosa, ansiosa, preocupada...
O que o dragão teria dito a Vegeta? Como estaria naquele momento?
Ela sentia que não podia mais conviver sozinha com aquela tortura. Ela tinha que se abrir com alguém. Por isso, quando chegou ao distrito real, ela não dirigiu em direção ao Bulma's e sim para o centro do Distrito, precisava ir ao castelo, precisava encontrar Marvin. O capitão era obrigado a residir no castelo quando governava interinamente, o que o separou quase totalmente da companheira desde que Vegeta viajara, por isso, Pirza não dividira todas as suas angústias com o capitão, pois o pouco tempo que tinham juntos estavam tratando da recém-descoberta de Bulma e da conspiração da ilha Cápsula.
E então, em pouco tempo ela adentrava pelo salão de entrada do castelo, rumo à sala do trono. Ela não pediu permissão a ninguém para andar pelos corredores, era cumprimentada pelos guardas como uma verdadeira nobre. Pirza tinha até seu próprio cartão de identificação.
Entretanto, antes de alcançar o corredor do salão do trono, Pirza encontrou Marvin que seguia pelo corredor na direção oposta a dela.
— Meu bem, o que faz aqui? - Marvin perguntou surpreso ao ver a mulher vir em sua direção no corredor, o semblante preocupado dela, deixando-o aflito.
— Precisava ver você. - Pirza falou ao chegar frente a frente com o companheiro, pegando-lhe as mãos.
— Sobre o que? - Marvin indagou ainda preocupado.
— Quero saber se já conseguiu contato com a nave do rei. - ela disse rapidamente.
— Ainda não, meu bem. Você sabe que só teremos contato quando a nave adentrar na galáxia leste e isso só vai acontecer daqui a dois dias...
— Estou muito angustiada, Marvin... - Pirza confessou. - Vegeta foi atrás das esferas para ressuscitar Bulma, a essa altura o dragão já deve ter dito a ele que ela está viva e vivendo com o filho dele na ilha Cápsula! Ele ficará muito enfurecido quando souber da conspiração da ilha Cápsula! Quando souber que todos mentiram e que até Gohan e Kakkarotto o traíram. Ai, acho que não consigo respirar... - a mulher falou extremamente nervosa quase desfalecendo. Marvin a segurou com força, muito preocupado. Pirza não era o tipo de mulher que tinha crises de histeria e nem fazia escândalo por pouca coisa.
— Pirza, não sabemos se o dragão disse alguma coisa. - Marvin falou tentando acalmar a companheira. - Precisamos ter fé. Vegeta chegará e conversará com Kakkarotto e tudo se resolverá. Vamos torcer para que ele fique tão feliz quando souber que Trunks é seu filho que perdoe todos que o traíram.
— Não sei, Marvin. Não sei mais de nada. - Pirza replicou em sobressalto. - E quanto a Bulma? Ela mentiu que estava morta por sete anos. Por Kame ela veio ao castelo e dormiu com ele sem revelar sua identidade! Ela o enganou de todas as maneiras possíveis! Não consigo ver isso terminando de forma boa...
— Pirza, acalme-se, mulher! - Marvin mandou sacudindo-a. - Não é você que diz que desespero não resolve nada? Vamos esperar. - disse calmo e sério. - Rei Vegeta saberá de tudo pela boca de Kakkarotto e compreenderá. Se nem o dragão, nem ninguém revelar nada a ele antes da hora, estaremos bem. Venha, vamos até meu quarto. - falou pegando-a nos braços. - Sei exatamente o remédio pra acalmar você...
E os dois rumaram para o quarto reservado ao capitão. O que eles não contavam e que no corredor, atrás da bela e grande estátua de mármore de um Oozaru, um guerreiro com o ki diminuído ouvira toda a conversa.
Spartaco sorria triunfalmente.
Os sayajins olhavam estupefatos a grande nuvem dourada que cobria o campo deserto quilômetros à frente.
Eles haviam pousado naquele planeta deserto minutos antes e viram seu rei voar até aquele lugar distante. Transformar-se em super sayajin e começara a liberar uma quantidade absurda de energia. Uma energia que todos eles juntos não conseguiriam alcançar.
O grito do rei era tão alto que seu eco podia ser ouvido pelos sayajins abismados.
Alguns achavam aquilo assustador, outros temiam que seu rei tivesse enlouquecido, mas a maioria estava impressionada e orgulhosa do poder de seu soberano.
O que eles não sabiam, é que embora o rei estivesse estático apenas reunindo e liberando energia, sua mente, naqueles quilômetros distantes estava a mil por hora.
Vegeta pensava incessantemente e remoía tudo que tinha juntando nas últimas vinte quatro horas.
Uma ilha... a ilha que o menino mora... a ilha Cápsula. A ilha do pai dela. Como não pensei nisso? O menino tem um padrinho... Gohan, meu chefe de tecnologia e ele, Kakkarotto. Kakkarotto disse que conhecia os pais do menino...
"– Você conhece o pirralho, Kakkarotto?
— Conheço. Ele é filho de amigos meus da ilha Cápsula.
— O lugar onde vive sua amante?"
Amante! Todos sabem que ele tem uma amante... Uma amante que vive escondida na ilha Cápsula e o cretino não faz questão de negar. Ele nunca falou dela... Ninguém nunca a viu... Ninguém sabe seu nome... Ele sempre desconversava... Como eu não percebi?
Claro! Eu estava bêbado! Bêbado por sete anos... Foi muito fácil pra ele.
Ele a escondeu na ilha Cápsula. Mas... Mas será que ele só a ajuda? Que ele só a protege? Ou será... Será que ele... Será que eles...?
Não! Não! Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!"
Uma explosão similar a uma explosão atômica aconteceu naquele planeta deixando os sayajins apavorados.
O cogumelo de fumaça que surgiu e o intenso brilho dourado que desapareceu dava a entender que seu rei tinha se explodido.
E por alguns instantes eles aguardaram estáticos tentando vislumbrar o corpo de seu rei no meio da fumaça ao longe, depois da grande onda de energia que os atingiu.
E quando acharam que não havia mais chance do rei Vegeta ter sobrevivido aquilo, eis que um brilho dourado se fez ver no meio da fumaça branca. Algo estava aproximando.
De olhos arregalados e queixo caído, todos viram Rei Vegeta sair do meio da fumaça. Mas não era o rei Vegeta de sempre, nem o rei Vegeta super sayajin normal. Ele estava diferente. Ele havia se transformado e poder era algo que os sayajins não puderam calcular, pois seus scouter haviam explodido com o impacto anterior.
Só sabiam que aquele poder era algo pavoroso. Algo que nunca havia sentido antes.
Vegeta passou por eles rumo à nave como se nada tivesse acontecido.
— Andem logo, vermes! - ordenou com a voz imperiosa. - Quero chegar a Vegetasei o mais rápido possível. - disse alto. - Tenho muitas contas para acertar.— murmurou de forma que só ele próprio ouvisse.
Aquela missão estava mais complicada para Kakkarotto do que ele imaginara. A primeira etapa até que fora ridiculamente fácil. Tudo acontecera como ele previu. Os soldados de Freeza lhe aguardavam para uma armadilha enquanto estavam pousados em um planeta desabitado. Kakkarotto soubera que Freeza não estava na nave desde o momento em que descera de sua própria nave, pois não sentira nenhum ki poderoso.
E assim como ele imaginara, foram atacados pelos soldados de Freeza. Não era difícil vencê-los, o problema é que haviam mais do que Kakkarotto havia previsto e sua pequena tropa estava em desvantagem numérica. Por conta disso, ele tivera que se transformar e revelar sua identidade de super sayajin, surpreendendo os soldados de Freeza e seus próprios soldados, pois precisava salvar Tarble o mais rápido possível já que a nave em que o pequeno príncipe estava aprisionado havia sido colocada em modo de autodestruição.
E após se transformar em super sayajin, rapidamente ele conseguiu destroçar vários soldados do lagarto, aprisionar alguns e afugentar a maioria que fugiu em pequenas naves. Depois, salvou o príncipe e os demais prisioneiros que estavam cativos na nave.
Kakkarotto só não contava com a ousadia dos comparsas do lagarto.
Um dia depois, quando pararam para abastecer no planeta Kalel, ainda na galáxia oeste, foram surpreendidos por um novo ataque.
Rapidamente, Kakkarotto e sua tropa conseguiram vencer o ataque, afugentando novamente os atacantes. Contudo, a nave fora muito danificada pelo ataque sofrido.
Por isso, naquele momento, Kakkarotto dirigia-se até a equipe de mecânicos que os acompanhavam. Eles haviam terminado de avaliar as avarias que a nave sofrera.
— E então? Dá pra consertar? – Kakkarotto perguntou olhando para uma parte da fuselagem que estava destruída.
— Sim, general. – O chefe dos mecânicos respondeu com prontidão.
— Quanto tempo? – Kakkarotto perguntou ansioso.
— Dois dias. Um dia e meio se tivermos sorte. – o mecânico respondeu com firmeza.
— Tudo isso? – Kakkarotto replicou com desagrado. – Desse jeito estaremos em Vegetasei só daqui a seis dias! – exclamou após fazer as contas mentalmente.
— Infelizmente é isso aí, general. – o mecânico disse compreensivo.
— Está bem. – Kakkarotto suspirou resignado. – Voltem ao trabalho.
Os mecânicos voltaram a mexer na fuselagem da nave. Foi quando alguém que observara a conversa falou.
— O que pensa fazer agora, Kakkarotto? – era Tarble que escutara toda a conversa.
— Esperar, infelizmente. – o general respondeu desgostoso. – Se formos esperar uma nave vir de Vegetasei a demora será ainda maior. Enquanto isso, vou montar uma estratégia de guarda e proteção da nave, vou mandar equipes de reconhecimento por esse planeta e interrogar alguns dos soldados de Freeza que pegamos como prisioneiros. Minha única dúvida agora é se, depois do interrogatório, pulverizo esses animais eu mesmo ou se os entrego para que Vegeta faça isso...
— Deixe que eu faça. – Tarble falou com segurança. – Quero assistir os interrogatórios, depois quero pulverizá-los eu mesmo.
— Acha que consegue? – Kakkarotto indagou, instantaneamente se tocando da gafe. – Quer dizer, você é... – tentou consertar.
— Acho que consigo lidar com alguns aliens semimortos e amarrados, Kakkarotto. – Tarble disse de bom humor.
— Está bem, como quiser, alteza. – Kakkarotto disse com um raro bom humor, fazendo uma reverência antes de se retirar.
— Kakkarotto, espere. – Tarble chamou antes de Kakkarotto sumir pelo corredor. O general parou e olhou para o príncipe. – Você é um grande guerreiro. – Tarble falou com sinceridade. – Meu irmão tem sorte por tê-lo como braço direito. Agora compreendo que ele não lhe mandou por que não gosta de mim e sim por que confia plenamente em você. A lealdade entre vocês dois é algo muito bonito. Obrigada por tudo.
Kakkarotto assentiu com a cabeça e saiu rapidamente. As palavras de Tarble o fizeram sentir uma dor lancinante.
Como se uma lança tivesse atravessado seu coração.
Dois dias se passaram e a nave real finalmente chegava á galáxia leste.
Vegeta estava quieto em sua cama na nave. Quase não tinha saído de lá desde que se transformara para o segundo nível de super sayajin.
Ele chegava até a se sentir bem. Estava leve assim como quando chegara a Terra. Isso por que colocara para fora toda a sua raiva em forma de energia. Quase morreu de exaustão e renasceu muito mais forte. Agora muito mais forte que qualquer um. Sorria ao pensar que estava mais forte até que Kakkarotto.
Ele queria ter calma. Manter a calma e a serenidade. Sua tática de jogar pra fora toda a sua raiva em forma de energia lhe dera esse direito.
Vegeta só conseguia pensar em encontrar Trunks e Bulma. Queria seu filho, seu poderoso filho.
E queria pegar Bulma e fazê-la dizer por quê o enganara antes de matá-la, dessa vez de verdade. Pensava e ria com prazer.
Pois ela só merecia isso por mentir pra ele, por brincar com seu amor.
Pensava calmamente nos castigos que daria a todos que o traíram, Gohan e provavelmente os vermes terráqueos que viviam com ele. E ainda tinha Kakkarotto. Kakkarotto sofreria mais, isso se não tivesse encostado um dedo em Bulma, por que Vegeta não queria nem pensar no que faria se ele confirmasse que os dois o haviam traído. Se essa hipótese se confirmasse, Vegeta sentia que poderia explodir tudo ao seu redor, inclusive ele próprio.
Os pensamentos vingativos e sórdidos do rei só foram interrompidos quando o sinal de sua tela comunicadora apitou. Vegeta apertou o controle remoto ligando-a.
— O que quer? - ele perguntou rude ao comandante da nave que lhe encarava apreensivo.
— Conseguimos contato com Vegetasei, majestade. - o comandante anunciou.
— Marvin quer falar? - Vegeta indagou despreocupado.
— Não majestade. É Spartaco, chefe da guarda do castelo.
— Aquele imprestável? - Vegeta indagou irritado, não ia com a cara do chefe da guarda. - Diga a ele que não tenho tempo e que não ouse em me perturbar mais.
— Mas, majestade, - o comandante insistiu pensando na boa recompensa que Spartaco lhe prometeu se conseguisse a chamada com o rei. - Ele disse que quer falar sobre a ilha Cápsula e um menino chamado Trunks.
— O quê? - Vegeta sobressaltou-se se levantando da cama. - Coloque-o na linha imediatamente.
Depois de resmungar um "sim, majestade" o comandante desapareceu e em seu lugar surgiu à figura grande de Spartaco, estava falando da sala da guarda real do castelo.
— Majestade. - Spartaco disse com uma reverência.
— O que sabe sobre Trunks e a ilha Cápsula? - Vegeta perguntou sem rodeios.
Spartaco sorriu brevemente. Valera a pena tentar a sorte. Pelo tom de voz do rei, sabia que ele estava interessado em saber da história que entreouvira.
— Majestade, estou me comunicando, pois estou muito preocupado com algo que descobri e precisava informá-lo imediatamente. - Spartaco disse com respeito.
— Claro que está. - Vegeta disse incrédulo. - Além de estar interessado na recompensa que ganhará por me contar o que sabe. Vamos, diga logo.
Spartaco compreendeu que não era fácil ludibriar o rei, por isso, foi direto ao ponto.
— Entreouvi uma conversa entre o capitão Marvin e a prostitu... , digo, a companheira dele, senhorita Pirza.
— Pirza e Marvin? Eles também estão metidos nisso? - Vegeta perguntou zangado.
— Pelo que entendi eles descobriram algo a pouco, mas não vão contar a vossa majestade. Querem que Kakkarotto conte.
— E o que eles descobriram, Spartaco?
— Que algumas pessoas incluindo o general e o chefe de tecnologia estão escondendo de vossa majestade à existência do garoto Trunks, que me parece ser seu filho. – Spartaco falou com cuidado e ante o interesse do rei, continuou. - Devo dizer, aliás, que o conheci e trata-se de uma criança adorável. - acrescentou pomposo.
— Pare de besteiras, Spartaco. - Vegeta ralhou. - Se meu filho for igual a mim, ele deve ter meu mau gênio e deve ter odiado um fraco como você. Conte o que mais descobriu. – Vegeta indagou ansioso, maravilhado em dizer as palavras "meu filho".
Spartaco engoliu a indignação por ser destratado com tanta frieza e continuou a falar.
— Eles também escondem de vossa majestade a existência da mãe do menino, uma senhorita chamada Bulma. – Spartaco se referiu a mulher com respeito, visto que poderia ser a mãe do herdeiro. – Ela mora na ilha Cápsula com o menino e visitou vossa majestade no castelo antes de sua partida. – Acrescentou.
— Ela me visitou? Como assim? - Vegeta indagou sem entender. Ele já havia constatado por si só tudo que Spartaco lhe confirmara até ali, mas Bulma tê-lo visitado, ele não compreendia.
— A mulher que vossa majestade trouxe do bar na noite antes de partir. - Spartaco explicou ficando satisfeito ao ver os olhos do rei se arregalarem. – Naquela noite, a mulher que vossa majestade levou para o quarto era a senhorita Bulma...
— Como? - Vegeta falou surpreso. - Ela? Ela esteve comigo, em meu quarto?
— E o enganou novamente, majestade. - Spartaco concluiu vitorioso.
— Mas... Mas como? - Vegeta perguntava-se, lembrando-se de algo. Rapidamente olhou para o monitor e decidiu o que faria. - Entre em contato daqui à uma hora. - ordenou para Spartaco. - Preciso que prepare meu retorno. Você ira seguir minhas instruções precisas, teremos um grande circo para armar e você, é claro, será muito bem recompensado pelo que fizer.
— Como desejar, majestade. - Spartaco disse satisfeito antes de desligar o monitor.
E no mesmo instante que isso ocorreu, Vegeta foi até a gaveta da mesa de cabeceira. Abriu-a com rapidez e pegou a delicada peça de renda que achara no chão de seu quarto.
Cheirou-a e confirmou o que Spartacus dissera. O cheiro de Bulma estava ali.
— Mas... Por quê? - ele perguntou-se atônito.
Passaram-se quatro dias rapidamente.
Nesse período Bulma tentara sem sucesso falar com Trunks e contar a verdade sobre Vegeta. Mas ela quase não tivera tempo de encontrar o menino, que passara a última semana treinando ininterruptamente para o torneio de artes marciais com Marvin, com Gohan ou sozinho e nas vezes que conseguira encarar o menino, a coragem lhe fugira como água entre as mãos.
E agora, sentada naquela arquibancada, vendo seu filho lutar com o filho de Kakkarotto pelo título do torneio de artes marciais infantil, ela havia decidido de uma vez por todas, que assim que terminasse o torneio, contaria a verdade a seu filho. Contaria o mais rápido possível, antes que Vegeta chegasse.
Ela só não contava que naquele mesmo instante, a nave real pousava nas plataformas de embarque, muito, muito perto dali.
