Olha quem apareceu! Faltam mais seis ou sete capítulos. Quem está pronto para dizer adeus?
Bruises
Maybe I, maybe I'm just being blinded
Talvez eu, talvez eu esteja apenas sendo cego
By the brighter side
Pelo lado mais positivo
Of what we had because it's over
Do que tínhamos, porque acabou
Well there must be something in the tide
Bem, deve haver algo de maré
I've been told, I've been told
Me disseram, me disseram
To get you off my mind
Para tirar você da minha mente
But I hope I never lose the bruises that you left behind
Mas espero nunca perder os machucados que você deixou
Oh my lord, Oh my lord
Oh, meu senhor, Oh, meu senhor
I need you by my side
Eu preciso de você ao meu lado
Chicago, 15 de Janeiro de 2018
Já faz um ano desde que você se foi. Dizer que estou seguindo em frente e me sinto menos morta a cada dia é ruim? Todos dizem que era o que você iria querer, então acho que finalmente acredito nisso. Voltei para casa e estou me aproximando dos meus amigos outra vez. Também voltei a pintar. Você não sabe, mas quando descobri que Edward era seu irmão, me senti tão traída e destrui o retrato que fiz dele. Acho que é hora de fazer outro, mas ainda não me sinto pronta para isso. Talvez com o tempo.
Também tenho ido a terapia e ela continua me dizendo que não havia nada que eu pudesse ter feito para impedir o que aconteceu. Mas isso não me impede de fazer a mesma pergunta dia após dia. Teria sido diferente se você tivesse me contado sobre o câncer? Isso teria feita você pensar duas vezes antes de me deixar? Ou teria sido igual ou pior? Sabe, Tom, não é bem a realidade que me deixa tonta. São as possibilidades do que teria sido. Isso é o que me tira o sono. Mas estou tentando melhor a cada dia.
Com amor,
Bella...
Bella estava terminando de colocar a mesa, quando ele a abraçou por trás, encaixando seu queixo no ombro dela.
- Nervosa? – Questionou, alisando seus braços docemente.
- Não. – Mentiu rapidamente, voltando a alinhar o prato.
- Mentirosa. – Respondeu sorrindo. – Já é a terceira vez que você alinha o mesmo prato. Você vai se sair bem. Ela gosta de você.
- Não. Ela não me odeia, não é a mesma coisa. O tempo que você passou no hospital nos deixou mais próximas, mas isso é tudo. Não é como se eu fosse uma filha para ela. E o jeito que eu a tratei quando a vi no hospital. – Resmungou, cobrindo os olhos.
- Tenho certeza de que ela entende que você estava defendendo o filho dela. Ou filhos, nesse caso.
- Como eu saberia que ela o deixou? – Questionou se soltando do abraço.
- É por isso que concordamos em fazer esses cafés aos domingos. Para que pudéssemos ter uma relação melhor. Agora, deixe esse prato aí, antes que isso vire Toy Store e eles criem vida.
- Só brinquedo criam vida, espertinho. – Retrucou, mais tranqüila. Edward sabia exatamente como acalma-la. A calma durou alguns minutos, até que ouviram a campainha tocar.
- Ela chegou. Vai ficar tudo bem. – A tranqüilizou, caminhando até a porta. – Olá, mãe.
- Olá, querido. – O cumprimentou, apertando sua bochecha. – Você parece muito bem.
- Eu estou, obrigado.
- E Bella, você parece... mais saudável. – Declarou com uma pausa, o observando dos pés a cabeça. Nas semanas em que Edward esteve internado, Bella não manteve uma boa aparência. Se recusava a voltar para casa e seus cabelos estavam sempre desalinhados.
- Obrigada, Esme. – Resmungou, ganhando um olhar de Edward.
- Então, onde vamos tomar café? Estou faminta.
- A cozinha é por aqui.
- Então, Edward. Como vai o trabalho? – Esme perguntou se servindo das panquecas de Bella.
- Ótimo. É bom estar de volta. Teve noticias do dono da galeria, Bella? – Perguntou, tentando se tirar do centro das atenções.
- Não, na verdade. A secretária dele diz que...
- Deve ser maravilhoso poder voltar a rotina de trabalho. – Esme a interrompeu, mas Bella ignorou continuando a comer.
- É sim, na verdade. Tenho certeza de que vão responder em breve, Bella. – Edward respondeu, olhando para a namorada.
- Assim espero. – Declarou, olhando para a cara de insatisfeita de Esme. – Algum problema? – Perguntou.
- A massa está um pouco borrachuda, mas tudo bem. Eu coloco mais calda. Você fez a calda? – Perguntou e Bella negou. – Ótimo. Industrializada. Muito..saudável. – Acrescentou, fazendo Edward apertar a mão de Bella para que ela se acalmasse.
- Então, mãe. Pretende ficar por aqui?
- Na verdade sim. Eu soube de um ótimo programa de enfermagem e seria bom voltar a trabalhar. Alem disso, nada me faria mais feliz do que ficar perto do meu filho. – Explicou, quando Bucky latiu.
- Parece que alguem precisa sair. Vou levar ele até a varanda. Porque vocês não continuam a conversa? – Declarou dando um beijo rápido em Bella e saindo antes que uma das duas pudesse protestar.
- Ele poderia abrir a varanda. Um pouco de ar fresco faria bem ao ambiente. – Esme implicou, levando Bella ao extremo.
- Já chega! Eu cansei de tentar ser educada. Edward diz que temos que nos dar bem, e pela felicidade dele, eu estava disposta a tentar. Eu lamento pelas coisas que eu disse quando nos conhecemos, e adoraria que nos déssemos bem, mas eu não estava errada no que disse. Você pode se importar com seu filho e pensar que sabe o que é melhor para ele, mas ele é adulto e sabe o que quer. E o que ele quer, é ficar comigo, então, embora eu adorasse ter uma dessas relações de novela entre sogra e nora, talvez não seja possível. Mas temos que manter a boa e velha educação por aqui.
- Bem, já era hora. – Esme comentou sorrindo. – Eu estava ficando cansada de tentar ser desagradável com você, Bella. Sinceramente, você é sempre gentil, o que só torna tudo muito mais difícil.
- Desculpe, o que? – Indagou perdida.
- Quando nos conhecemos, você me deixou saber exatamente o que pensava sobre mim. Não pareceu se intimidar e isso me deixou impressionada. O vigor com que você defendeu Tom e depois Edward. Fez com que eu pudesse ver o que Tom viu em você. Aquela paixão e fidelidade. Eram as coisas que ele mais valorizava nas pessoas. Mas as semanas foram se passando e eu vi aquela chama se apagando em você. Era como se não importasse o quão desagradável as pessoas fossem desagradáveis com você, você parecia não se importar. Bom, ao menos até agora. É bom ver aquele fogo outra vez. É claro que Edward ama você e quer estar com você, Bella. Por que mais eu estaria aqui? Eu falei sério quando disse que queria participar mais da vida dele e você é parte disso.
- Eu não fazia ideia...- Murmurou, começando a entender o que Esme dizia. Nas semanas em que Edward esteve internado, era como se ela estivesse perdendo o brilho, pouco a pouco. Se sentindo cada vez mais apagada.
- Eu tive uma conversa e tanto com aquele seu amigo médico. Ele me contou como você esteve depois da morte do meu filho e isso quase me fez voltar atrás. Eu sabia que Edward a amava, mas nunca tive certeza sobre o que você sentia por ele. Não sabia se poderia descobrir, então pensei que se trouxesse aquela paixão e lealdade a tona, pudesse saber, e agora eu sei. Você também o ama.
- Todos me disseram isso e parece que eu fui a ultima a descobrir. É claro que eu o amo. Olhe para ele! – Exclamou apontando para a varanda, onde Edward brincava com Bucky.
- Quando eu a conheci, isso não era claro para mim. E como ele era a única família que me restava, eu precisava ter certeza.
- Você nunca pensou no porque de eu nunca dizer nada? Como eu diria a mãe do homem que eu amei e perdi, que eu estava apaixonada por seu outro filho?
- Lamento que tenha sentido que não podia me contar isso. Eu disse a Edward e agora vou dizer a você. Espero sinceramente que possamos nos dar bem, Bella. Você trouxe luz para essa família de tantas maneiras diferentes?
- Então não acha que eu estou ocupando o lugar do Tom com Edward? – Perguntou o que mais temia obter uma resposta, mas Esme apenas sorriu em resposta.
- É claro que não. O amor age de maneiras misteriosas. Seria muito útil controla-lo, mas qual seria a graça nisso?
- Fico feliz que tenhamos esclarecido as coisas.
- Eu também, querida. Agora, sei que você deve estar cansada de responder essa pergunta, mas hoje é um dia difícil para todos nós, então, como você está?
- Por que hoje...- Bella começou a falar, mas parou ao ver o calendário. Era quinze de janeiro. Fazia um ano desde a morte de Tom e ela havia se esquecido. Aqueles últimos dias com Edward a haviam feito perder a noção do tempo. – Hoje faz um ano. Eu havia me esquecido. Como eu pude ter esquecido, Esme?
- Tudo bem, querida.
- Não. Não está tudo bem. Nós deveríamos ter feito algo hoje e não fizemos.
- Mas nós fizemos, Bella. Conhecendo Tom como conhecia, onde acha que ele gostaria que estivéssemos? Em uma cerimônia, usando roupas formais, ou em uma cozinha, tomando café da manhã em família? – Indagou e Bella não precisou pensar para responder. Ela sabia o que ele teria escolhido.
- Café em família. Ele adorava os cafés aos domingos.
- Mas se faz com que você se sinta melhor, mais tarde podemos levar flores. – Declarou pegando sua mão e ela assentiu.
- Eu gostaria disso. – Respondeu mais tranqüila.
- Agora que somos amigas, tem uma coisa que eu gostaria de saber. – Declarou e Bella a olhou confusa. Esme olhou para o filho, para ter certeza de que ele continuava na varanda. – Eu estive no hospital essa semana, para encontrar com Carlisle.
- Edward está bem? Ele me disse que seus exames estavam normais.
- Oh, ele está ótimo. Não é sobre isso que gostaria de falar. Depois que Edward saiu do hospital, Carlisle me chamou para um café.
- Ah. – Exclamou, entendendo onde ela queria chegar.
- Eu não tenho certeza se devo fazer isso. Eu deixei Richard não tem tanto tempo e não tenho certeza de que entrar em um relacionamento novo é o melhor.
- Edward sabe? – Perguntou, olhando para a varanda.
- Não. Eu não disse a ninguém, porque a verdade é que não sei como me sinto. Me sinto como uma adolescente boba. Ele é doce e parece um bom homem, mas Richard também parecia.
- Eu não acho que sou a melhor pessoa para conselhos de relacionamento, Esme, mas se gosta dele, deveria sair com ele. Carlisle é um bom homem.
Talvez não fosse t]ao difícil fazer aquela relação dar certo afinal de contas...
