Cap 20.
Olhei para os lados e a primeira pessoa que identifiquei foi Cassian que parecia estar berrando em plenos pulmões para mim, mas nada eu ouvia o zunido continuava. Virei meu rosto novamente para o portal e lá estava, aberto e escuro com duas tochas tremulantes na entrada, mas nem sinal de guarda ou outro ataque.
Levantei mais rápido que minhas pernas podiam, sem minha audição cada movimento parecia estranho, Cassian procurava por alguma coisa ou algo, ainda berrando sem som algum. O que eu temia aconteceu Feyre e Rhysand foram arremessados metros longe da entrada. Havia rastros de nos quatro pela vegetação, mas os dois foram arremessados mais distantes tamanha foi a potência da explosão.
Engoli em seco e corri para onde Feyre estava enquanto Cassian fazia o mesmo trajeto, chamei seu nome, mas novamente nada pude ouvir, não sei se gritei, se sussurrei, mas dizia seu nome em meu pensamento com tanta força que revibrava nas minhas cordas vocais. Se algo acontecesse a eles eu não iria me perdoar nunca! Jamais! Mas seus olhos abriram opacos, perdidos assim como os meus e ela tampou os ouvidos imediatamente me olhando chamando meu nome, li pelos seus lábios que ela me perguntou o que aconteceu.
-A porta está aberta, você conseguiu! – Eu disse, mas nenhum som foi ouvido. Feyre fez sinal que não ouvia assim como eu.
"Eu devia ter previsto isso, fomos ricocheteados com a magia de Feyre, a magia de proteção é muito forte e agora tenho esse zunido no ouvido. "Ouvi Rhys dizer na minha mente, olhei para ele assim como Feyre e ela fez um sinal.
- Mas a porta está aberta – disse mais uma vez apontando para a caverna.
Rhysand arregalou os olhos e se levantou rapidamente ignorando a ajuda de Cassian que estendia seu braço ao grão senhor. Feyre nesse momento agarrou minha manga chamando minha atenção e fez um sinal com os dedos para que fizéssemos silencio.
Embora aos meus ouvidos tudo estava silencioso e o zunido começava a dar trégua, era inevitável fazer o estardalhaço que estávamos fazendo, Feyre já quebrou outros feitiços e não teve efeito colateral. Mas se tratando de Vheelas nada sairia barato, tudo tinha um preço e entendi rapidamente que a explosão nos deixou surdos. Todos nós porque Cassian fazia gestos frenéticos na frente de Rhysand.
Meus olhos encontraram Feyre ao meu lado, ela me olhava concentrada e então eu dei espaço, ela queria se comunicar comigo telepaticamente como Rhys fazia. "Azriel! Azriel! Esta me ouvindo?" A voz de Feyre se fez presente e não pude deixar de pensar que era mais agradável ouvir a voz de Feyre de que de Rhysand. Acenei com a cabeça e ela continuou.
"Desculpe, mas esse e a única maneira de se comunicar. Você ouviu a explosão? Eu não ouvi nada, somente fui arremessada. Bom não importa. Escute, não temos muito tempo Rhys vai entrar na frente e eu vou com você atrás. "
"Você também está ouvindo esse zunido? Não acha extremamente arriscado entrar numa caverna sem um dos seus sentidos? Isso está arriscado demais! " Eu respondi segurando seu pulso. Vi mais adiante Rhysand atravessar com Cassian a fenda que dava a caverna. Eu quero salvar Liz, mas não preciso colocar meus grãos senhores em maior risco, um deles deve ficar. Tentei insisti, mas não tínhamos tempo, Feyre me puxou junto com ela pelo corredor mal iluminado agarrei a última tocha e fomos andando com passos firmes e rápidos.
"Rápido, temo que o portal esteja aberto somente por alguns minutos, não há sinal de guarda" Rhys comunicou.
Assim que entramos fundo na caverna esqueci momentaneamente todas as minhas preocupações e apenas foquei em encontrar Liz. Via o flamejar da tocha de Rhys na frente e nos guiávamos por essa pequena luz. Se nossos pés ecoavam ou não, não tínhamos como saber. Se quem estivesse ali dentro ouviu a explosão e agora gritava por socorro também era impossível concluir. Não havia como nos guiar pelos sons e estávamos andando no escuro literalmente. Cassian ia esticando uma corda pelo caminho para que soubéssemos por onde viemos, seria bom se não houvesse nenhum guarda.
O caminho ora era estreito, ora era largo, pouco acentuado totalmente natural. Não havia outras tochas sinalizando absolutamente nada, a única iluminação era providenciada no início da jornada como se os guardas que aqui monitoravam soubessem o caminho de cor. Feyre explicava que sua magia não foi eficiente e por isso sofremos efeito colateral e perdemos a audição, mas que possivelmente era apenas momentânea. Não conversamos, pois isso chamaria mais ainda atenção e delataria nossa posição.
Entramos mais a dentro da caverna, mas não encontramos nada. Comecei a respirar mais rápido e senti o desespero correr por entre minhas veias. Onde eles estavam? Passamos por câmaras e mais câmaras vazias. O caminho fazia pequenas bifurcações que Rhys e Cassian estudavam antes de escolher um. Eu me mantinha tenso com os olhos vidrados. Tentei chama-la pelo laço, mas de novo somente conseguia sentir a minha própria angustia.
Eu estava por último iluminado o resto do caminho, virava constantemente para trás para ver se alguém vinha ao nosso encontro. Uma prisão sem guardas era um tanto quanto não usual. Em um desses momentos algo me chamou atenção.
Na parede oposta da última câmara que passamos havia um gancho, era o único registro de mãos feéricas na caverna desde que entramos.
"Rhys, tem alguma coisa aqui. Voltem!" Eu gritei pelo pensamento sem me dar conta.
Feyre notou que eu estaquei no mesmo lugar e me acompanhou até o gancho.
"O que pode ser isso? Um gancho no meio do nada? Entalhado numa pedra?" Feyre me perguntou balançando a cabeça como se quisesse tirar agua dos ouvidos.
"Não sei exatamente, mas não está aqui a toa." Olhei para cima e descobri um buraco no teto da câmara e uma corda, iluminei o que pude e vi um balde preso pela corda, devia ter uma roldana metros a cima.
"Eles estão acima! Eles estão em cima de nós! Estamos procurando no lugar errado!" Eu não saberia explicar, mas algo me dizia que eu estava certo. Tentei lembrar dos sonhos de Liz e tudo lembrava aquele lugar frio e úmido, mas todas câmaras e tuneis eram iguais. O único detalhe que encontramos foi o gancho e o balde.
Rhysand e Cassian chegaram catatônicos, observaram a mesma coisa que eu.
"Não havia uma montanha próximo, como é possível ser para cima? " Feyre perguntava sem entender.
"Nós estamos andando para baixo desde que entramos aqui. Não é muito íngreme, mas caminhamos alguns metros, o suficiente para eles estarem no nível da entrada e nós não." Rhys disse apontando para cima, eu achando que Feyre estava falando comigo, mas Rhys que respondeu. Será que ele ouvia ela simultaneamente?
Balancei a cabeça, era muita coisa pra assimilar. "Precisamos achar um jeito de subir." Disse a Rhys.
Cassian fez um sinal para seguirmos ele e invés de ir pela bifurcação da esquerda como tomamos anteriormente, fomos pela direita e logo dávamos em uma parede de pedra, mas Rhysand subiu com facilidade pisando em pedras alternadas como uma escada.
O zunido persistia e eu suava frio. Estávamos próximos! A corda de Cassian era comprida até ali, de agora em diante não teríamos apontador para voltar. Rhys comandou para andarmos mais rápido, estávamos a muito tempo dentro da caverna, os vheelas já sabiam que nós estávamos ali. Precisávamos encontrar Liz agora! Então assim, se o caldeirão deixar, ter tempo para voltar a entrada.
Rhys seguia a frente um pouco desgovernado e meu coração saia pela boca. Estávamos tão perto! Tão próximos como nunca estivemos e ninguém nunca esteve! Eu só queria uma coisa: apenas ela. Eu tinha sido um tolo, contei os dias pra ver Liz de novo desde o nosso primeiro encontro, tentei negar, apagar, esquecer, diminuir o que eu sentia, simplesmente porque não aceitava. Não aceitava que uma feérica excêntrica como Liz podia ser minha parceira, não aceitava que meu destino não era com aquela que eu amei incondicionalmente por séculos! Não a aceitava e pouco conhecia sobre ela, mas ao mesmo tempo era como se ela fosse um pedaço da minha alma. Uma extensão do meu coração confuso e intenso.
Fechei meus olhos tentando lembrar do seu cheiro, esquecendo da umidade da caverna e sem minha audição foi fácil lembrar da textura da sua pele, das suas asas magnificas! Senti a corrente magica que atravessava meu corpo quando nossos olhos se cruzavam. Os pelos do meu braço arrepiaram. Liz!
Eu precisava encontra-la, precisava dar uma chance de vida a ela. Quem sabe um dia ela me daria o prazer da sua parceria! Eu tinha paciência o suficiente para esperar o tempo que fosse e com ela eu não precisava me deter, não precisava ter todos os medos e inseguranças que eu tinha com Mor. Liz era livre, receptiva, ela era...diferente. E eu podia lutar por ela. Onde você esta? Liz, fala comigo. Por favor.
Foi muito rápido, eu senti o laço e eu senti a sua vibração bem no fundo daquela caverna. Continuei chamando por ela, falando com ela. Qualquer coisa que me fizesse senti-la. Arrastei Feyre comigo, e segui a frente de Rhys e Cassian, agora eu sabia onde ir.
E assim que eu tomei a dianteira reconheci as câmaras que antes eram vazias agora jazia com corpos e feéricos desnutridos, eram mantidos vivos mas com pouca ou nenhuma iluminação eles semiviviam, essa prisão era cruel! Eles se agitavam com a nossa passagem, alguns eram Vheelas, mas surpreendentemente não todos. Pediam por socorro, suponho, mas não ouvia e isso era mais fácil para seguir o caminho.
Meus pés corriam agora. Eu não sei o que estava acontecendo na nossa volta, não percebi ou reparei em mais nada. Liz estava na caverna, ela estava alguns metros. Eu sentia.
O cheiro forte adentrava minhas narinas e eu estaquei assim que encontrei o que devia ser a penúltima câmera ao final da linha. Amarrada a correntes, suja, sentada na parede fria com olhos fechados Liz se localizava. O que fizeram com ela! Engoli a bile de má vontade. Subitamente meu pavor e pena se transformaram em fúria e uma mistura de saudade. Como sempre com ela era assim, esses sentimentos conflituosos. Nunca faziam sentido, mas eu sentia todos! Sempre juntos um sobrepondo o outro.
Feyre passou como um raio por mim e se prostrou de joelhos a frente da minha adorável, sempre respeitosa e alegre parceira, mas que nesse momento parecia adormecida. Liz era somente um resquício da feérica que tinha sido um dia. E eu faria de tudo para vê-la em sua potência de novo.
