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*Pov. Kagome*
[Dia seguinte. Cachoeira. Arredores do Castelo do Oeste.]
A senhorita está se distraindo novamente. - A voz de Mizuki-san às minhas costas me fizeram endireitar a postura e me concentrar novamente.
Mas estava sendo uma tarefa impossível!
No dia anterior, Sesshoumaru havia me avisado sobre meu treino com a feiticeira que uma vez havia salvo minha vida e a de Rin.
Por estar na forma youkai, acabei nem dando importância ao fato.
Ainda precisava controlar a excitação naquela forma, tudo era motivo para correr, caçar, pular em Sesshoumaru. Não exatamente nessa ordem.
E de repente eu me via em águas geladas, a frente de uma cachoeira, com água até a cintura e tendo que me manter centrada em meu poder espiritual, com uma feiticeira youkai; que até o momento não pensei ser tão rígida, por ter uma face tão tranquila em todas as suas ações.
- Feh! Aposto que fica doente antes de aprender alguma coisa... - Inuyasha resmungou baixo, para si mesmo, mas com minha audição mais apurada eu conseguia ouvir perfeitamente.
Abri os olhos, que até então estavam fechados para uma maior concentração, e o mirei com irritação evidente.
Ele apenas deu de ombros, do galho onde estava me observando durante toda a manhã.
A víbora de Mizuki-san serpenteou para meu pescoço, me causando alguns choques, pois ela também era essencialmente uma youkai, e no momento eu estava concentrada em meus poderes de sacerdotisa.
- Ouch! Isso era mesmo necessário? - Resmunguei, me virando para Mizuki-san.
- Precisa se focar, senhorita. Até que consiga estar em contato com Nara sem nenhum atrito, irei pedir que ela vá para você constantemente assim.
A serpente roçou o focinho em minha bochecha, causando mais choques, e eu apertei o maxilar com a dor.
- Mas isso também não a machuca, Mizuki-san? Quero dizer...ela está ligada a você, não está? - perguntei, tentando ignorar o novo choque em meu pescoço quando a cobra se enroscou, se ajeitando de forma confortável em meus ombros.
Mizuki-san andou graciosamente, seus longos e ondulados cabelos negros lembravam um véu a suas costas; mesmo para alguém dentro da água até quase o peito. Ela segurava seu crânio de estimação de forma protetora, entre as duas mãos.
Parou a minha frente, após dar a volta por mim.
- Eu e Nara já temos controle de nossas energias, senhorita. Se preocupe em focar em sua essência. Hanna e Akemi precisam estar em sincronia com a senhorita, uma vez que já as aceita completamente.
Ela disse com tanta calma, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E eu só conseguia pensar em como ter aquele animal em volta de mim dava agonia, arrepiando até o último fio de meus cabelos.
Estremeci com o toque gelado da ponta dos dedos de Mizuki-san em minha bochecha e foquei em seus grandes orbes dourados, percebendo que aquilo era uma ordem muda, para que eu fechasse os meus.
Soltei um muxoxo, olhando de canto para Inuyasha, que permanecia calado, nos observando às margens, em cima de uma árvore próxima da água.
Voltei meus olhos para Mizuki que me encarava com o semblante calmo, mas seus olhos evidenciava certa impaciência.
~Igual alguém que conhecemos.~
Quis rir da sentença de Hanna, mas Mizuki-san rosnou baixinho e eu fechei os olhos, assustada por nunca a ter ouvido rosnar antes.
Mas...a presença de Inuyasha realmente me incomodava.
Porque ele está aqui, afinal?!
~Não percebeu? Desde o encontro com InuKimi ele tem estado ao seu redor...quero dizer, menos quando o cachorrão do irmão dele tá perto. Até que o hanyou não é tão burro assim.~
Hanna! Bem...de fato, essa manhã Sesshoumaru saiu cedo e me liberou dos treinos com ele e com Hayato, me mandando ir ao encontro de Mizuki, para ela me treinar.
Tem ideia do susto que levei quando abri a porta do quarto e vi Inuyasha encostado do outro lado do corredor, Hanna?! Ele não pode estar normal! ~
~Eu realmente não usaria "normal" para descrever esse aí. Faz um tempo que queria perguntar sobre isso...tem certeza que ele é mesmo um hanyou? ~
Uhn? O que isso quer dizer, Hann...?
- Concentre-se, senhorita! - Um novo choque. Nara deslizou por meu corpo, envolvendo minha cintura e se enroscando em meu braço esquerdo.
Trinquei as presas que teimava em querer sair, sabendo que o objetivo atual era treinar apenas meu lado humano, o de sacerdotisa.
Mas Akemi queria tanto sair!
- Feh...sinto o cheiro de youkai daqui... - ouvi a voz debochada de Inuyasha, agora alta e clara para que eu o ouvisse.
Abri os olhos, encontrando a face de Mizuki impassível, mas o olhar dela estava feroz. Como ela queria que eu me concentrasse desse jeito?
- Não tem como eu treinar com ele aqui! - Exclamei, exasperada, apontando na direção do hanyou, sem o olhar diretamente.
E por consequência, levando outro choque com o contato de Nara em meu corpo.
- É bom que ele esteja aqui, precisa aprender a se desligar de sentimentos inúteis, senhorita. - A olhei descrente, torcendo a boca.
- Que sentimentos?!
- Raiva é um sentimento, senhorita.
~Ela tem razão, está dando muita importância para isso.~
Calada!
Após horas tentando manter o foco, Mizuki-san viu que eu não estava tendo nenhum progresso com a presença de Inuyasha e me dispensou; avisando que no dia seguinte era para eu estar no mesmo lugar pontualmente às seis da manhã.
Fiz careta para o horário e ela sorriu, parecendo se divertir com meu sofrimento, logo desaparecendo e me deixando sozinha com o motivo de meu estresse.
- Preciso falar com você. - Inuyasha não demorou a se aproximar, e me senti irritada por algum motivo.
~Ele é o motivo de "Sesshy-sama" estar lhe tratando com desgosto, faz sentido estar irritada com ele. Hehe. ~
O jeito zombeteiro como Hanna chamara Sesshoumaru me fez sorrir por um instante e Inuyasha me olhou interrogativo.
Estava molhada, enrugada igual uma uva passa e gelada por estar o dia todo naquela água.
Ainda não entendia a necessidade de estar mergulhada até a cintura para aquele treinamento.
Só queria ir logo para o castelo me aquecer e quem sabe ter o aconchego dos braços de Sesshoumaru para sentir que o dia valera a pena.
Desmanchei o sorriso, visto que ainda estava risonha por me imaginar agora com o lorde, e sustentei uma carranca na direção de Inuyasha que ainda me encarava duvidoso, de braços cruzados e visivelmente ansioso.
- Não temos nada para conversar, Inuyasha. - falei crua, já de costas, na intenção de caminhar para longe dele. Mas tive meu braço agarrado por ele, fazendo Akemi e Hanna se eriçarem dentro de mim.
Rosnei para Inuyasha, me virando rapidamente e quase o acertando com minhas garras, que haviam surgido por instinto. Ele desviou, é claro, mas também soltou meu braço.
- Eu entendo que esteja com raiva de mim. Mas escuta aqui, Kagome! Aqui não é seguro para você! Vamos embora! Aquela youkai voltará alguma hora, e ela não é o tipo com quem você quer se meter!
O olhei atentamente.
Ele realmente achava que ainda possuía o direito de opinar sobre o que eu deveria ou não fazer?
Enquanto me fazia essa pergunta, notava que Inuyasha mantinha uma aparência mais demoníaca.
As orelhas no topo de sua cabeça ainda denunciavam sua essência hanyou, mas aquelas marcas em seu rosto, em suas mãos, as unhas mais saltadas lembrando garras, até mesmo seus olhos pareciam mais duros, mesmo que ainda tivessem o dourado tão conhecido por mim.
Sua aura estava mais forte, assim como seu youki, uma presença youkai tão forte quanto quando ele perdia o controle, mas ali estava ele, em plena consciência de seus atos.
Precisava parabenizar Lucy pelo feito, o treinamento parecia estar funcionando bem para ele.
- Está conseguindo controlar melhor isso, não é? - Minha pergunta o deixara desarmado. Seu corpo retraiu levemente, e o vi desviar o olhar do meu.
- Sim. Agora eu controlo minha fera sem problemas. Me desculpe pela dor que lhe causei, eu realmente n...
- Já basta, está no passado. Agora, se me dá licença... - Evoquei Akemi, sem esperar pela resposta de Inuyasha, correndo para longe dele em direção ao castelo.
Era desagradável estar em sua presença, ainda não conseguia perdoa-lo por completo.
Transformar-me em um youkai cão era um processo doloroso, mas era algo tão rápido que se tornava uma dor insignificante, perto do prazer que era poder correr naquela forma.
A sensação de liberdade era contagiante e eu gostaria de ter podido vivenciar aquilo antes.
Antes...
Enquanto corria, comecei a pensar em minha vida, no meu tempo. Como nunca havia sentido que era diferente? O lacre era tão forte assim?
~Sim. Aquelas duas fizeram um trabalho impecável, mesmo que na verdade quem deu o toque final fora você mesma. ~
Parei de correr imediatamente, digerindo aquelas palavras. Era verdade, eu havia terminado de lacrar Hanna, quando criança, após a morte de meu pai.
~ Irá me contar o que realmente aconteceu naquele dia, Hanna? ~
Sabia que aquele assunto a incomodava, e já estava saturada de esperar por respostas de minha outra parte. Não poderia mais ignorar aquilo e Hanna teria de me contar tudo dessa vez.
Desviei o caminho, indo para outro canto da floresta. Para onde eu e Sesshoumaru havíamos confessado nossos sentimentos.
A gruta escondida pela outra cachoeira era um lugar perfeito para conversar com Hanna sem ser interrompida.
A sentia tensa dentro de mim e pensativa.
Quando cheguei à gruta, me desfiz da forma youkai, percebendo que havia anoitecido e que não poderia me demorar. Logo viriam me procurar.
- Muito bem, Hanna. Aqui eu posso falar em voz alta, ninguém me ouvirá mesmo. Conte tudo o que sabe!
Exigi, olhando em volta da gruta.
Ainda havia vestígios da fogueira da outra vez, mas claramente estava úmida e não daria para acender. Lembrei que youkais não sentem frio com facilidade e deixei meu youki livre, para me aquecer. Já estava seca pela corrida, de todo modo.
~Está bem. Irei contar, espero que esteja preparada para isso. ~
Começou, um pouco mais decidida e eu me sentei recostada a parede rochosa da gruta, tentando manter o foco na voz de Hanna e não no som alto que a queda d'água da cachoeira fazia.
~ Quando éramos crianças, sempre nos falávamos. Sua família humana não sabia de minha existência, e como eu a instruí, você não contava para eles também. Era nosso segredo. ~
Ela hesitou, suspirando.
~ Mas seu pai. Ele desconfiava...não, ele sabia. Sabe, seu pai tinha algum tipo de poder, puro, poderia dizer que se ele treinasse, teria sido um grande sacerdote naquele templo.
Vez ou outra ele quase nos pegava em nossas conversas e brincadeiras. Ele a olhava por um tempo, acariciava sua cabeça com um sorriso e colocava um dedo sobre a boca, em pedido de silêncio. Posso dizer que ele também pedia para manter segredo.
Mas naquele dia...~
O dia do acidente.
~ Sim. Você e sua mãe, grávida do menino, estavam no banco de trás, e seu pai dirigia o carro. Ela estava dormindo e você, nós, aproveitando disso, deixamos nossa forma youkai mais livre. As garras expostas, as marcas, as presas.
Seu pai não tinha medo, ele a olhava pelo retrovisor quando...~
Segurei a respiração, tentando assimilar toda a cena...como eu não me lembrava de nada daquilo?
Eu apenas lembrava de estar sentada ao lado de mamãe e depois já estava no hospital. E papai havia ido embora, para nunca mais voltar...tinha algo de errado naquela história e algo me dizia que eu era culpada de algo.
Hanna vendo que eu estava perdida em pensamentos, fez uma pausa, mas logo retomou a fala.
~Escute bem o que vou dizer, minha menina. Não foi sua culpa.
Sua mãe acordou já assustada, gritando e nos chamando de monstros. Seu pai tentou acalmá-la, e por isso se distraiu da estrada. Aquele caminhão não era para estar ali.
No último segundo seu pai pediu para protegermos sua mãe, e nós o fizemos, sem pensar duas vezes.
Na intenção de proteger a todos com uma barreira, você jogou seu pequeno corpo para cima dela e projetou uma barreira ao nosso redor, mas não fora rápido o bastante para a barreira alcança-lo e...me desculpa, minha criança...eu sinto muito. ~
Solucei alto.
Então era mesmo minha culpa que papai havia morrido.
Levei minhas mãos ao rosto, em desespero, as lágrimas sem contenção, e podia sentir o descontrole de meu youki atingir as paredes da gruta, marcando as rochas.
Os choques que minha energia causavam no ar estavam cada vez maiores e provocavam grandes fissuras na estrutura rochosa.
Estava perdendo o controle de meu corpo.
Hanna tentou tomar o domínio, assustada por eu não a estar ouvindo e eu a forcei para longe em minha mente.
Não pode ser verdade.
Tentei me convencer, mas imagens daquele acidente começavam a surgir e, eu me lembrei. Eu lembrei de tudo.
Do sorriso de papai através do retrovisor, era para ser uma viagem de um dia para a praia, eu havia pedido para ver o mar. Eu pedi.
Lembrei do semblante tranquilo de minha mãe se tornando aterrorizado ao me ver naquela forma, meu pai tentando acalmá-la, meu choro, a buzina do caminhão, o pedido desesperado de papai. Os gritos!
Fora tão rápido...eu não pude, não consegui proteger papai.
Olhei para minhas próprias mãos, as garras visíveis. Eu sou um monstro. Fora minha culpa que mamãe se assustou, ela não podia ter me visto daquele jeito. Eu fui a culpada!
Minha energia se dissipou com o pensamento, voltando a ser uma simples humana. Eu nunca deveria ter usado meu lado youkai...papai ainda estaria aqui.
Eu só precisava manter escondido...
E então eu lembrei.
Eu lacrei Hanna ainda no hospital. Estava deitada na cama, com minha mãe me sacudindo os ombros, chorando copiosamente.
Algo se quebrou e eu apaguei as memórias, minhas e de minha mãe. Eu fui covarde. Fugi da culpa que eu tinha. Porque eu tive que vir para essa maldita Era?!
Eu precisava voltar, mamãe precisava de mim. A quanto tempo não voltava para casa? O que estivera fazendo aqui? Descobrir sobre o passado...como eu poderia estar procurando por lembranças de outra família sendo que eu fui a culpada por destruir a única família que eu conhecia?
Hanna tentava falar comigo, mas eu a havia afastado para longe em minha mente. Não era capaz de conversar com ela, não podia.
Ela havia me alertado quando éramos crianças para não deixar nosso lado youkai livre, mas eu estava confiante naquele dia. Eu e minha maldita teimosia!
Percebi a presença de Sesshoumaru próxima e me apressei na direção da saída da gruta, lavando rapidamente o rosto na cascata que caía e saindo dali de dentro. Ele não poderia ver o estrago que estava lá dentro.
Assim que coloquei o corpo para fora da gruta, me molhando no processo, Sesshoumaru já estava do lado de fora, me olhando com o semblante zangado e desconfiado.
- O que está fazendo aqui, miko? - a voz cortante do youkai não me abalou. Eu não estava com humor para lidar com ele naquele momento.
Evitei olhar em seus olhos, passando reto por seu corpo. Caminharia para casa, sem usar o aspecto youkai. Eram coisas demais para suportar.
Porém, Sesshoumaru me impediu de seguir, se pondo a minha frente em grande velocidade. O olhei, cansada de tudo aquilo.
O amava demais, e não sabia o que fazer com aquele sentimento agora. Eu não tinha o direito de ser feliz.
- Preciso voltar para casa. - falei simplesmente, tentando não deixar a vontade de chorar me vencer.
Voltar para casa significava colocar um ponto final em tudo aquilo.
Ainda precisava completar a Jóia e derrotar Naraku, mas iria deixar isso para Kikyou. Daria um jeito de entregar o pedaço que estava comigo para ela e depois...nunca mais retornaria.
Lacraria tudo novamente e apagaria tudo.
Inclusive ele.
~NÃO, MENINA! ~
Quieta...
Empurrei Hanna para os confins de minha mente de novo.
Sesshoumaru me fitava com uma expressão impassível. Seus olhos pareciam tentar enxergar através de minha alma.
Fiz um grande esforço para que aquele olhar não me quebrasse e eu caísse em prantos a sua frente. As palmas de minhas mãos suavam. Espremi uma na outra, nervosa, e depois passei pela minha roupa, tentando secar, desviando o olhar do youkai branco.
- Está bem. - Sua voz veio suavemente, sua respiração atingindo minha pele no pescoço, me fazendo arrepiar.
Levantei o olhar, apenas para perceber que ele estava próximo e tocava em minha bochecha com um carinho raro.
Lacrimei.
Não seria tão fácil me afastar dele. Quis abraça-lo e chorar em seu peito. Invés disso, apenas deixei minha cabeça pesar para frente, encostando a testa. Fechei as mãos em punho, as unhas ferindo as palmas. Se eu o abraçasse, perderia a força de minha decisão.
Voltamos calmamente para o castelo. Sesshoumaru não tocou mais no assunto e nem eu, de fato, o caminho fora tortuosamente silencioso.
Ele parecia estar mergulhado em pensamentos. E eu não queria conversar e acabar mudando de ideia.
Quando chegamos, Sesshoumaru se despediu, dizendo que precisava resolver algo em seu escritório e que era para eu ir para os aposentos, que logo ele estaria lá.
Nem respondi, apenas assenti com a cabeça, já me afastando. No corredor, a poucos passos dos aposentos do lorde, senti a presença de Inuyasha e bufei em irritação. Ele ainda estava me rondando, pelo visto.
Apressei o passo e entrei no quarto, batendo a porta com força. Ficaria louca com aquela preocupação desnecessária dele.
Segui para o banho direto, me despindo no caminho, jogando as roupas pelo quarto, sem me importar com a bagunça que estava fazendo no ambiente impecável que era.
Já tinha água quente na banheira, provavelmente ordens de Sesshoumaru.
Dei de ombros, entrando e constatando a temperatura morna, do jeito que sabiam que eu gostava. Não queria me demorar, então me banhei rapidamente e voltei para o quarto, molhando o chão.
Quando cheguei ao quarto, Sesshoumaru já estava no meio, como se tivesse acabado de entrar, e pensasse em vir ao meu encontro.
Ele me olhou com uma sobrancelha erguida e depois seus olhos seguiram para o rastro que eu havia deixado com a água que escorria de meu corpo.
O ouvi suspirar, indo até uma das cômodas, pegando um grande pano felpudo, logo se voltando para mim e me cobrindo com ele. Ele secou meus cabelos com cuidado e se inclinou para me olhar diretamente.
- O que lhe aflige, Kagome? - indagou, tirando a toalha de minha cabeça, para envolver meu corpo com ela.
Nesse momento, eu perdi para ele. Me joguei em seus braços. Como eu sabia que aconteceria caso me demorasse demais em seus olhos.
Sesshoumaru apenas me envolveu, sem dizer nenhuma palavra.
As lágrimas não cessaram por um tempo e quando secaram, percebi que estava em seu colo, já na cama, envolvida por seus braços.
Sesshoumaru pacientemente esperou que eu terminasse de chorar, sem dizer nada ele apenas aceitou que eu precisava daquele aconchego.
- Melhor? - quis saber, quando finalmente levantei os olhos para ele.
A face sempre impassível não escondeu a preocupação em seus orbes. E eu me senti agradecida, aquecida...e extremamente dividida sobre o que fazer dali em diante.
Confirmei com a cabeça, mesmo que por dentro ainda estivesse devastada pelas últimas lembranças. Se eu soubesse de tudo aquilo desde o começo, tudo teria sido diferente.
Mas não havia como mudar as coisas, não é mesmo?
Engoli seco. Me preparando para o que teria de dizer a ele.
- Sesshoumaru...me perdoe, mas...Não posso ser sua Lady do Oeste.
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*Pov. Autora*
Shippou tentava controlar a ansiedade, por ter visto algo que supostamente não deveria, no dia anterior.
Contava ou não contava para alguém?
A pergunta martelava em sua mente e ele andava de um lado para o outro no jardim, quase fazendo um caminho, de tanto que passara pelo mesmo lugar diversas vezes.
- Vai fazer um buraco no chão, pirralho. - A voz de Inuyasha fizera a pequena raposa dar um pulo, e depois de constatar de quem se tratava, o olhar com desprezo.
- Ah, é só você, Inuyasha! - falou com certa antipatia na voz, já se afastando dali. O ato fez com que o hanyou o olhasse irritado e o pegasse pelo rabo.
- Tá olhando assim pra mim porquê, hein, Shippou?! - questionou, o colocando a altura dos olhos.
- ME BOTA NO CHÃO! Tô olhando assim porque você é um imbecil! Tá me ouvindo?! TU É UM IDIOTA, INUYASHAAAAAAA!
- O que está acontecendo aqui? - Atrás do meio youkai, estavam Miroku e Sango.
Acompanhados de Hayato, que olhava a cena parecendo se divertir com a cara que Inuyasha fazia.
O hanyou soltou a pequena raposa de uma vez, que logo correu para o ombro de Miroku, dando careta para o meio youkai. Inuyasha torceu os dedos, em uma ameaça muda.
- Ele não vai fazer nada com você. Não é mesmo Inuyasha?! - defendeu Sango, acariciando as costas do pequeno, que na hora se sentiu culpado por esconder dela que seu irmão estava pelas redondezas.
Quer dizer, ele não estava escondendo, apenas não sabia como e quando contar para ela. Suspirou e desviou os olhos da exterminadora que sorria para ele.
Estou mesmo escondendo dela. Pensou, se sentindo ainda mais culpado.
Inuyasha bufou e deu as costas para o grupo, saindo rapidamente dali. Ele queria evitar discussões, visto que o monge agora o olhava de forma dura e Sango parecia sempre prestes a pular em seu pescoço.
O único ali que parecia não ligar tanto para sua presença era o tal general Hayato, que ele ainda não havia formado uma opinião.
Todos os encontros com ele haviam sido curtos e o mais próximo que estiveram fora quando lutaram. Foi uma boa luta, precisava admitir.
Hayato observou o hanyou se afastar, pensando na mudança visível do outro.
Lucy realmente está focada em colocar ele na linha.
Sorriu, tinha orgulho de Lucy, assim como Vossa Alteza também tinha, mesmo sem assumir em voz alta.
Virou-se para o grupo, olhando para cada um antes de parar os olhos em Miroku.
- Bem, então estamos combinados. Irei informar Sesshoumaru-sama dos novos planos. É uma honra tê-los como nossos aliados!
Mal terminara de falar, virou-se para adentrar o castelo. O grupo ainda ficara um tempo conversando sobre como Inuyasha parecia diferente e como estavam ansiosos para pôr em prática a nova união na luta contra Naraku.
Shippou ouvia tudo atentamente, procurando uma brecha para dizer o que vira, mas não encontrando uma e resolvendo deixar para o dia seguinte.
Amanhã. Amanhã eu consigo dizer! - Tentou se animar, com Kirara o olhando atentamente.
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*Pov. Hayato*
- Saia de cima de mim, general. - Takeshi estava irritado. Não. Estava possesso.
E eu estava amando ver aquele olhar furioso que ele me dava abaixo de mim, enquanto me movia para segurá-lo pelos pulsos com a mão esquerda, acima de sua cabeça.
Com a mão direita, desci por seus braços, afaguei seus cabelos, toquei sua bochecha, ao que ele rosnou em desaprovação, me fazendo sorrir em satisfação. Com o polegar acariciei seu rosto, me sentindo curioso sobre aquela cicatriz.
- Me contaria como conseguiu isso, ancião? - seus lábios se curvaram, mas era um sorriso sombrio.
- Caso não saia de cima de mim, não estará vivo para saber. - A ameaça não me abalou, tampouco.
Me curvei sobre ele, aproximando meu rosto, e ele ganhou um tom vermelho, virando o rosto para o outro lado.
- Ora, mas você poderia ter saído sozinho. Admita, você também quer isso, Takeshi-san.
Seus olhos se voltaram para mim, assombrados, como se pela primeira vez notasse que o que eu dizia era verdade.
Rapidamente sua expressão mudou, mostrando o quanto estava zangado e envergonhado de si mesmo. E eu me vi sendo jogado ao chão, pela força dele.
Takeshi me olhou de onde estava, de cima, com a respiração ofegante e visivelmente chateado. Para mim era uma visão magnífica.
Quis rir do próprio pensamento. Depois do beijo que eu roubara do ancião, ele ocupara minha cabeça ainda mais que antes.
- Eu te chamei aqui para lhe informar sobre as ordens de Sesshoumaru-sama. - Se endireitou, ajeitando as vestes no lugar e colocando a máscara de frieza de sempre. Bufei pela mudança.
- E não para me incomodar com seu comportamento depravado, general.
Rosnou entre as palavras, se virando para onde estava antes de eu chegar, uma das prateleiras do escritório do lorde.
Me apoiei em meus cotovelos, para poder seguir melhor seus movimentos pela sala. Interessante como daquele ângulo eu podia ver melhor as curvas que seu corpo tinha, e como sua bunda parecia ainda mais atraente aos meus olhos.
- E quais seriam essas ordens? - perguntei, limpando a garganta, de repente me sentia extremamente sedento.
Me levantei de uma vez, arrumando meus trajes e dando leves tapas para tirar a sujeira do chão que havia nelas.
Takeshi se virou, com um livro em mãos, parecendo compenetrado na leitura, antes de me mirar com seus frios e impassíveis orbes dourados, que outrora pareciam pegar fogo.
- Tomar conta de suas terras e investigar sobre o Norte. Ele precisará se ausentar daqui dois dias, por algum tempo. Também ordenou que não o incomodasse até lá.
O encarei intrigado.
Para onde Vossa Alteza pretendia ir?
Bem, antes de ir, tenho quase certeza que se trancará nos aposentos por dois dias junto de Kagome-sama.
Pensar no que eles fariam me fez sorrir maliciosamente. Talvez eu devesse me trancar junto de alguém também?
- Trate de tirar esse sorriso da cara, general. E saia já daqui, levo minhas ordens a sério, ao contrário de você, e preciso ler mais sobre o Norte e seu antigo lorde. Pareço estar perto de encontrar algo realmente importante.
Ignorando completamente a ameaça clara que seu youki direcionava a mim, me aproximei do ancião, aproveitando que ele havia se virado para guardar outro livro e dedilhava a procura de algo nas prateleiras.
- Ah, mas agora pouco parecia tão bem embaixo de mim, ancião... - inspirei e expirei em sua nuca, fechando os olhos. Estava o encurralando com os braços em cada lado de sua cabeça, apoiadas na grande estante.
Vi, embevecido, sua pele se arrepiar com o toque de minha respiração, e meu sangue esquentou, vê-lo tão sensível a mim estava me causando uma ereção dolorosa. Não conseguia ver que expressão ele fazia de onde estava, e como ele não dizia nada, me perguntei se estaria passando dos limites de novo.
Sabia que estava corado, pelo tom vermelho que estavam suas orelhas. Provavelmente confuso com o que sentia, já que estava em silêncio, sua face estava direcionada para baixo, a franja escondendo seus lindos olhos.
Reparei que sua mão que estava esticada na direção de um livro tremia levemente.
Eu não queria força-lo a nada, queria sua permissão para continuar a sentir o que estava sentindo. Eu o queria, por completo. Mas só o faria se fosse convidado...por ele.
Suas vestes permitiam que seu pescoço estivesse a livre demanda, então, depositei um beijo no encontro de seu ombro com o pescoço, tendo o prazer de saber que havia causado algo nele, pois imediatamente ele estremeceu. Sorri contra sua pele e me afastei rapidamente.
- Irei deixa-lo com sua pesquisa. Até mais, Takeshi-san. - O que será que ele está pensando? Me perguntei, evitando a todo custo olhar para trás. Deveria controlar mais meus desejos por ele.
Estaria me odiando?
Arrisquei uma última olhada para dentro do escritório antes de fechar a porta da mesma. O ancião permanecia na mesma posição, de costas.
Talvez realmente estivesse me odiando e não quisesse nem mesmo olhar na minha cara.
Segui pelo corredor, cumprimentando alguns guardas, com os pensamentos no inu.
Quero beijá-lo de novo. Quero pôr minhas mãos nele. O que diabos eu estou fazendo?
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