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*Pov. Takeshi*
Finalmente conseguia respirar.
Agora que general Hayato havia, por fim, me deixado em paz para continuar minha pesquisa, eu podia encher os pulmões de ar. Porém o cheiro dele estava impregnado a minha volta e eu não conseguia fazer com que meus batimentos voltassem ao normal.
Trinquei o maxilar ao perceber que ainda estava ereto sob as vestes, mesmo após alguns minutos ele ter partido. Respirei fundo, pressionando os dedos em meus olhos, irritadiço, obstinado a jogar aqueles pensamentos longe.
Eu não vou mais pensar nele. Não faz o menor sentido nisso!
Quis me convencer, mas meu pau discordava veementemente ao lembrar da respiração dele próxima a minha pele e o calor de seu corpo próximo de mim.
Era como se ainda estivesse ali.
Me movi, enfim, pegando o livro que vira antes, ajeitando a postura e indo me sentar na poltrona que havia num canto do escritório. Olhei para o móvel, e lembranças dele se debruçando em mim quando estava sentado ali invadiram minha mente.
TRASTE MISERÁVEL!
Não importava o quanto tentasse, não conseguia me concentrar estando naquela sala. Apertei o livro entre minhas garras, pisando duro para fora do escritório. Iria tentar ler em algum lugar livre do cheiro inebriante de Hayato.
Eu precisava me manter calmo e desinteressado. Só poderia estar ficando maluco. O general estava conseguindo quebrar todo meu autocontrole apenas com seu cheiro próximo de mim ultimamente.
O mais impressionante era como ele sempre conseguia me encontrar, fosse no jardim, nos corredores e, principalmente, justamente quando estava pelo escritório; como se soubesse que ali raramente seríamos incomodados.
Todas as vezes que me encontrava sozinho, ele se aproveitava de alguma forma para me encurralar. E já não aguentava mais aquela sensação de que em algum momento eu perderia o manejo de meus próprios atos.
Ele era sempre tão intenso!
O que diabos havia sido aquilo, afinal?
Achei que ele continuaria a avançar sobre mim, mas ele apenas se afastou, com uma segurança inabalável.
Não estava tão excitado quanto eu? Achei que ele me queria. Quero dizer...esteve me seguindo para todos os lados nos últimos dias, o que fora aquela atitude de apenas se virar e ir embora obediente, como um bom cachorrinho?!
Estava ficando maluco! Tudo relacionado a ele estava a me deixar louco!
Virei em um corredor e dei de frente com Hayato conversando com uma youkai raposa, muito animada e se jogando no general. Ele mantinha aquele sorriso cheio de segundas intenções na cara. Aquilo me irritou.
Tinha a intenção de dar meia-volta, mas quando fiz o primeiro movimento, nossos olhos se encontraram.
Tch... – grunhi, tentando escapar dele, que havia dado uma desculpa qualquer para a outra e agora me seguia para fora do castelo.
Tão irritante!
– Com ciúmes? – o ouvi perguntar, às minhas costas.
Ainda me seguia enquanto eu atravessava o jardim para entrar em outra parte do castelo. E eu sabia, pelo tom, que ele tinha um sorriso pretensioso na cara ao querer saber aquilo.
– Hah! Você só pode estar em delírio, general! – debochei, o olhando por sobre o ombro, finalmente deixando o jardim e apertando os passos em direção aos alojamentos.
Talvez em meu quarto eu pudesse me livrar de sua presença irritante.
– Então, porque está com raiva? E está mais que óbvio que tenta fugir de mim. – Apertou os passos também, me alcançando e me ultrapassando.
Olhei bem para os orbes azuis do general quando este parou a minha frente, descobrindo, pela primeira vez, o quão profundos eram. Eles sempre foram tão intensos assim?
– Qualquer um ficaria com raiva de sua conduta devassa, general. E já disse, não estou fugindo de você, apenas não disponho de tempo e nem pretensão de lhe paparicar.
– Uhn. Está bem, então. – Deu de ombros. – Voltarei para o que eu estava fazendo antes. – Anunciou, estudando minhas reações. – Preciso aproveitar a folga que nosso lorde está nos dando, não é mesmo? – afirmou mais para si mesmo, passando por mim, com um sorriso maldoso.
– Ele não nos deu folga, mas, claro, fique à vontade. Se uma cortesã é o que lhe atrai. Com sua licença, preciso de ler este livro. – Levantei o objeto em mãos, para mostrar que realmente tinha mais o que fazer, andando em direção ao meu quarto.
Não olhei para trás e ele não me deu mais nenhuma resposta.
Ao dar a volta no corredor para meus aposentos, dei uma espiada para o caminho de onde eu havia vindo, mas estava vazio.
Então, ele realmente desistiu?
Abri a porta mais devagar que o normal, ainda olhando em volta. O que eu estava procurando?
Bufei, em grande irritação e adentrei o cômodo, tomando o cuidado de trancar a porta após entrar e me recostar nela. De repente eu não tinha mais interesse algum em ler aquele livro em minha posse e meus pensamentos eram ocupados por imagens grotescas de Hayato com uma youkai bruaca cavalgando em cima dele.
Eu não estou com ciúmes! Só é terrível que um general – e príncipe do Sul - de alto nível como ele, se envolva com tal tipo de fêmea.
Imagens dos últimos dias apareceram como flashes. Ele me cercando, me acariciando, o olhar penetrante, os lábios entre-abertos, o sorriso malicioso. O jeito como seu cabelo caía sobre os olhos azuis, tão profundos, como o oceano.
O toque em meu pescoço, os arrepios que me causava. O beijo.
Respirei fundo, indo em direção da varanda. Havia jogado o livro em algum canto e não estava motivado em dormir. Me sentei, esticando as pernas para fora e joguei o corpo para trás, afim de olhar o céu. Estava uma noite bonita.
O que ele está fazendo agora?
Realmente teria ido atrás daquela raposa? Talvez tivesse ido para a sala de refeições, mais cedo ele tinha dito que estava com fome, antes de me atacar.
Mas provavelmente estava com aquela raposa. Ou com outra. Ou outro. Não é incomum entre youkais. E Hayato é atraente...eu acho. Difícil imaginar que aquele inu passaria uma noite como essa sozinho.
Espera, o que...atraente?
Levantei, bagunçando o cabelo, para afastar o pensamento. Mas não funcionou e, eu acabei pressionando o rosto com a palma da mão, massageando os olhos com a ponta dos dedos.
Loucura!
Era a única coisa que poderia explicar todas aquelas reflexões. Também era a única coisa que poderia explicar o desejo que estava sentindo pelo general irritante que passou dias me amolando.
Eu odiava aquele tipo insistente! Como meu pau poderia estar tão duro só em pensar em estar perto dele? Ou sentir seu cheiro?
E era a loucura que estava a me fazer sair apressado do quarto, no meio da noite, tão rápido que poderia deixar os outros generais em alerta caso eu não tomasse cuidado com minha presença e youki.
Eu precisava saber. Digo, a loucura em mim precisava saber se ele estava mesmo com alguém, ou sozinho. Era a loucura que precisava saber a verdade, se ele queria estar comigo tanto quanto eu queria naquele momento.
Fora aquele pensamento insano que me obrigou a ir até seu quarto, para bater em sua porta. Eu sabia que não deveria estar ali. O que me traria de bom? Absolutamente nada!
Porém, eu ainda ansiava por vê-lo.
O coração estava aos solavancos enquanto aguardava. Sabia que deveria estar uma bagunça, sentia minhas presas sobressaltadas sobre meu lábio. Estava em um estado de adrenalina tão grande que podia sentir o sangue mais quente em minhas veias. Meu pau pulsava em ansiedade.
Quando a porta entre-abriu, eu agucei meu olfato para o interior do aposento. Só havia o cheiro dele ali, na certa estava se banhando, ainda havia o cheiro de soluções de banho, misturado a aquele aroma almiscarado com algo que me lembrava a limão, só me excitou ainda mais.
Antes que ele pudesse terminar de abrir a porta, agarrei a mesma, minhas garras rascando a madeira.
Praticamente o empurrei de volta para dentro do quarto, fechando a porta com um chute as minhas costas.
O olhei tempo suficiente para confirmar que realmente havia acabado de se banhar. Hayato vestia apenas uma yukata branca, que havia se tornado transparente por tê-la vestido ainda molhado.
Segurei seu queixo, impaciente, tomando a boca do general antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
– Maldito seja você. – Rosnei contra sua boca, o olhando diretamente. – Estou com ciúmes. Feliz?! – Vociferei, perdendo um pouco o controle do volume da voz.
Hayato entre-abriu os lábios para dizer algo, seus olhos mostrando o quão surpreso estava. Entretanto, não o deixaria dizer nada ainda. Com ferocidade, busquei novamente sua boca com a minha.
Enfiei a língua por entre os lábios dele sem a menor delicadeza, sentindo os quão suculentos e firmes eram. Passado a surpresa, Hayato retribuiu, com igual intensidade. Podia sentir suas mãos apertando minha cintura, passeando por minhas costas, indo até o final da coluna, para apertar minha bunda com vontade.
– Desprezível, maldito, canalha... – agora sussurrava, o empurrando para a direção da cama com meu corpo. – ...seja você, por me enlouquecer desse jeito.
O derrubei, pulando em seu colo e me colando ao seu corpo, enquanto segurava suas mãos acima de sua cabeça.
– Acha divertido, general? Agora sou eu quem está por cima. – falei rouco, próximo de sua nuca, chupando o local e lambendo a pele que se arrepiava.
Seu rosto ganhou uma coloração vermelha, ainda estava surpreso e parecia sem palavras. Mas logo me olhou com a mesma safadeza que me olhava quando estava a me caçar.
Seu pau pulsava abaixo de mim, e pelo volume estava tão duro e grosso que quase gemi com a sensação.
Rapidamente inverteu as posições, segurando meus pulsos com uma só mão, a outra trilhou por meu rosto, fazendo uma carícia brusca em meus lábios. Se aproximou, e pude ver que seus olhos estavam ferais, o azul lutando para se manter no mar vermelho.
– Se acho divertido? Acho! – falou, convencido, mordiscando meu lábio inferior e adentrando minha boca com sua língua ávida.
As presas arranharam, tanto as minhas quanto as dele, mas nada insuportável. Na verdade, tornava ainda mais gostoso aquele atrito, pois sentia ainda mais seu gosto.
Ele soltou meus pulsos, na intenção de se aventurar por meu corpo e eu agarrei sua mão, a levando diretamente até meu pau, que estava doloroso de tão duro, desejando por mais dele.
Imediatamente, ele segurou meu pau por cima das vestes, me fazendo soltar um rosnado baixo e sofrido. O som pareceu tê-lo atiçado mais, no momento seguinte ele havia rasgado minha hakama e segurava meu pau diretamente, gemendo junto comigo ao aperta-lo quando movimentou para cima e para baixo.
Aproximei minha mão do seu, que pulava de excitação, mas fui impedido, novamente tendo minhas mãos presas. Ele sorriu, sádico.
– Não. Eu quem vou controlar agora. – Tendo dito isto, Hayato passou os dentes e lábios e língua por meu corpo, mordia meu ombro, lambia minha garganta, beijava minha boca. Só conseguia gemer e enlouquecer com cada toque e suspiro que ele dava.
Seu cheiro me inebriava.
Ele apertou minha cintura, me puxando mais perto, fazendo nossos paus se tocarem, enquanto sua boca me devorava os lábios, chupando minha língua. Gemi entre o ósculo, sentindo-o endurecer mais contra mim.
Quis urrar quando ele esfregou o pau contra o meu. Forcei meus braços e agarrei seus cabelos, deslizando para seu pescoço, para seus ombros, chegando com as garras por seu peito largo, arranhando-o, sentindo os músculos de seus braços. Aquilo estava a me fascinar.
Hayato deslizou sua mão que estava a me apertar a cintura, para baixo, entre nossos corpos. Ele segurou nossos dois paus juntos com aquela mão, e eu contive um gemido, porém logo rosnei em satisfação quando ele começou a nos masturbar.
Estávamos escorregadios, era visível que estávamos perto de alcançar o orgasmo. O pau dele estava quente e duro contra o meu, entre seus dedos já completamente molhados. Fitei o quão ofegante estava o general sobre mim, aquele estado ardente e indomável. Adorei vê-lo daquele jeito.
E ter a ideia de que ele estava daquele jeito por minha causa, me excitava ainda mais. Estava em agonia já, tentava conter meus gemidos com as costas da mão, a mordia com força para não deixar o som sair.
Hayato se curvou, mordendo meu pescoço, quase me fazendo explodir. – Eu quero que você goze. – Sua voz rouca saiu entre-dentes.
Segurei a vontade que tinha de acatar sua ordem, em sofrimento visível, virando o rosto para o outro lado. Aquilo pareceu irrita-lo.
– Agora. – Ordenou, feral, nos masturbando ainda mais rápido e forte. Os músculos de minhas coxas se retesaram, podia sentir o clímax chegando. – Não resista!
Não poderia mais, nem que quisesse. Eu urrei enquanto o gozo jorrava quente e espesso em sua mão, barriga e peito. Ele chegou ao limite logo após, rosnando algo incompreensível, urrando e nos melando ainda mais com seu gozo.
Era culpa da loucura. Só podia ser isso.
E eu não me interessava mais em lutar contra ela.
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*Pov. Sesshoumaru*
– Diz alguma coisa, Sesshoumaru! – Havia frustração em sua voz.
O que ela queria que eu dissesse, exatamente? Estava me rejeitando de novo. Mas ela quem estava nervosa, passando a mão nos cabelos molhados, e os deixando ainda mais despenteados.
~Nossa fêmea esconde alguma coisa. ~
Sim, eu sabia disso. Porém, não havia nada que eu pudesse fazer, ela teria de confiar em mim e me contar por vontade própria.
– Agora não é um bom momento para você voltar para casa. – Senti um incômodo por ela não considerar meu território como sua casa, mas prossegui. – Daqui dois dias estará tudo preparado e eu mesmo a levarei. Não precisa mais treinar comigo ou com o general, mas pode ficar à vontade para continuar a treinar com a feiticeira, se for seu desejo.
Ela balbuciou algo, mas eu já havia a tirado de meu colo e me levantado em direção da sala de banho.
Estava tudo molhado, ela não tomou cuidado algum ao sair da água. Geralmente era tão atenta, que me preocupava vê-la em um estado tão angustiado.
Me despi, entrando na banheira em seguida. Ouvi passos e olhei para trás. Kagome já estava vestida com uma yukata azul e me olhava aflita da entrada. Sua mão em punho no batente, vi quando mordeu o lábio antes de se aproximar e sorri internamente.
– Já deve estar fria. Não quer que peça para trocarem? – parou a alguns passos, hesitante.
– Não é necessário. – Respondi, sucinto, voltando a face para frente para não ter de olhar demais para aqueles orbes azuis, ou eu não permitiria que ela se fosse, nunca.
~ Este Sesshoumaru não deve permitir! ~ a fera iria relutar, porém, ser rejeitado tantas vezes mexia seriamente com meu orgulho.
O cheiro dela se tornou mais próximo e eu trinquei o maxilar, tentando controlar a lascívia. Kagome pegou um pano e o mergulhou ao meu lado, torceu e se voltou para mim. Observei curioso, o que ela pretendia?
Quando seus dedos entraram em contato com a minha pele, enrijeci. Uma corrente elétrica correu por minhas costas e quase perdi a compostura.
Ela afastou meu cabelo das costas e começou a esfregar com o pano que havia mergulhado antes. Sua outra mão apoiada em meu ombro me fazia dividir a atenção entre o que ela fazia e o calor de seu toque.
– Você deve me achar uma estúpida – sussurrou –, que se confessou, se entregou e agora diz que quer ir embora.
– Não acho nada disso, Kagome.
– Bem...alguma coisa, você deve achar, Sesshoumaru. – disse, esfregando com um pouco mais de força e bufando em seguida, antes de prosseguir. – Desde antes, quando me encontrou, mal esboçou uma reação sobre tudo o que eu falei. Isso realmente me deixa constrangida.
– Como eu deveria reagir, miko? – olhei para ela por sobre o ombro, ficando bem próximo de sua face. – Você disse que precisava ir para casa. Que não poderia ser minha Lady do Oeste. Estou deixando que parta, exatamente como queria.
Seus olhos tremeram e eu virei, tirando o foco deles. Talvez devesse ser mais direto, sem nenhuma enrolação, poderia fazer a diferença em sua decisão.
– Eu permito que vá, mesmo que não seja minha vontade. Eu não quero que vá, Kagome. Sabes disso. E acho que você também não deseja partir. Mas, se não houver outra escolha, se realmente tiver que ir. Tudo bem.
A mão dela se apertou em meu ombro, e sabia que estava tensa, pela oscilação de sua energia espiritual, que me queimou levemente e de seu youki, que se chocava com a pureza da outra energia. Ela não disse nada por alguns segundos.
– Eu não preciso exatamente ir...só sinto que é o certo a se fazer.
– Por que acha isso?
Ela se calou. Olhei para ela novamente e ela mordia o lábio.
– Não precisa me dizer, se não quiser.
Me levantei, me afastando de suas mãos. Me sequei rapidamente e segui para o quarto, vestindo a primeira coisa que estava à vista, uma yukata vermelha. Comecei a trançar o cabelo, dormir seria a melhor opção, mas precisava colocar os pensamentos no lugar.
A fera não se calava em meu interior e me instigava a voltar para o interior de meus aposentos.
~ Quero marca-la! Nossa fêmea não deve partir! ~ Rosnei para a sugestão de minha fera.
Não o faria sem o consentimento de Kagome. Precisava me manter focado para não seguir minhas vontades mais primitivas.
Infelizmente, sabia que o tempo passado com ela havia quebrado certas barreiras que talvez não conseguisse mais reerguer. Por mais que eu quisesse manter-me afastado e neutro em tudo aquilo, ela havia tornado impossível agir assim.
Fiquei horas em meu escritório a pensar, sem sucesso de me manter alheio ao fato de que ela iria embora, provavelmente para nunca mais voltar. E a cada vez que essa certeza se voltava em minha mente, a fera rugia, tentando tomar o controle de minhas ações.
Ouvi o som da porta se abrindo e sabia que era a miko, antes mesmo de ela se aproximar.
– Não desejo vê-la agora, miko.
Ela surgiu entre a porta e o portal, parecendo um pouco desconcertada, com o rosto desviado de meu olhar inquisitivo.
– Não queria invadir...ou algo assim. Mas...
– Hn...
– Você não estava voltando para o quarto, achei que talvez nem tivesse intenção de retornar, por isso qu...
– Não havia necessidade de vir. – A interrompi.
– Então decidiu por si só que o assunto estava por encerrado.
– Hn...
Olhei para os papéis espalhados pela mesa, lembrando o motivo de ter ido até ali. Precisava de ir ainda mais longe dela se quisesse manter o foco, pois ela sempre me encontraria nos arredores do castelo, eu a treinara assim.
– Ficarei um dia ou mais fora, enquanto os preparativos para nossa viagem até o poço não estão prontos. Esteja pronta quando eu retornar.
Passei por ela ao proferir as palavras, deixando-a para trás.
Abri a porta do quarto, adentrando o aposento e ela rapidamente me seguiu, parando ao meu lado e fechando a porta as nossas costas, enquanto apertava meu braço com uma mão, me afastando da saída. Olhei para ela com uma sobrancelha erguida.
– Eu quero dizer 'pra você. Só não sei como começar. É sobre o passado, bom, pelo menos sobre o passado que eu conheço, de quando eu era criança. – falou, respirando fundo, encostando-se a parede, os olhos caídos. – É verdade, eu não quero ir. Quero ficar com você, quero lutar e descobrir tudo sobre a vida que me tiraram. Pensei muito sobre isso...ainda assim, me parece errado que eu busque pela minha felicidade, pelo conhecimento.
Se ela estava disposta a finalmente se abrir, provavelmente esperava que este Sesshoumaru também estejivesse.
– E por que seria errado? – perguntei, afastando-me ligeiramente da mão que ainda se encontrava em aperto no meu braço.
Ela sorriu, meio amargurada.
– Eu tirei a felicidade da minha mãe. E como uma covarde, lhe tirei as lembranças disso. – Balançou a cabeça. – E se te dissesse que sou a culpada pela morte de meu pai. O que diria disso?
Seus olhos se levantaram para encarar os meus.
Uma vez que não sabia as circunstâncias acerca da morte de seu pai, não poderia concordar nem discordar de sua culpa.
Porém, não achava verdadeiramente que ela fosse capaz de causar a morte de um ente querido por querer. Escolhi as palavras com cuidado, palavras que provavelmente mais a tranquilizaram.
– Não acho que seja culpada. Não deveria ser tão dura consigo mesma. Você o amava, tenho certeza. Ele não gostaria nada de ver o quanto você se culpa.
– Mas eu sou a culpada! Se eu não fosse tão teimosa...quero dizer, tudo o que eu precisava fazer era manter meu lado youkai escondido. Minha mãe não teria se assustado e o carro não teria batido!
Por um momento me perguntei o que seria aquele "carro" que ela se referia, mas pelo início entendi que sua forma youkai foi o que desencadeara o que quer que tenha acontecido. E por isso ela se culpava.
– Você é o que você é. Ser você mesma não matou seu pai.
Ela riu, abaixando o olhar novamente.
– Como se você soubesse alguma coisa sobre isso.
Lembrei-me da noite em que meu pai havia morrido, protegendo aquela humana e o filhote bastardo. Inuyasha.
Meu pai havia lutado comigo antes de ir até eles, eu o obriguei a lutar contra mim, pois desejava as espadas que ele carregava consigo. O achava indigno de as possuir. E que eu seria um mestre melhor para elas.
Quão tolo eu era.
Se não houvesse lutado comigo, talvez ele tivesse sobrevivido. Minha ganância causou a morte de Toga. Ele me venceu, é claro, mas eu o deixei ferido demais e não havia tido tempo de se curar antes de lutar novamente. E isso, causou sua sina.
Porém, ele nunca me perdoaria por pensar assim. Meu pai era um guerreiro orgulhoso e honrado. E sei que assim como ele amava aquela humana e o bastardo, ele também amava a mim. Por mais que eu admita o quão fraco esse sentimento nos torna, eu não estou livre de o sentir.
– Há quanto tempo recuperou essas lembranças? – perguntei, desviando-me de minhas próprias memórias.
– Recuperei hoje, depois do treino com Mizuki-san. Fui para aquela gruta e conversei com Hanna, ela finalmente me disse a verdade. É doloroso, mas prefiro a verdade que viver sem saber de nada.
Respirei fundo. Era uma conversa complicada e irritante, mas necessária.
– Entendo. – Pensei por um instante. – Quer me contar essa lembrança?
Kagome me olhou apreensiva. E depois de respirar fundo umas duas vezes e suspirar, ela me contou tudo o que se lembrava.
De como seu pai sabia sobre sua forma youkai, mas sua mãe não. Que no dia que o infortúnio aconteceu, ela deixou sua forma livre, achando que sua mãe não veria, porém ela se assustou, e isso ocasionou o choque com outro meio de transporte. Ela tentou os proteger. Mas só conseguiu proteger a mãe e o irmão que estava ainda dentro da mãe dela.
Ouvi tudo atentamente, mesmo não entendendo algumas palavras, que provavelmente se referiam a coisas comuns no futuro.
– Ele ainda estaria vivo se não fosse minha teimosia. Eu sabia que era errado e mesmo assim... entende agora, Sesshoumaru? Não posso ser feliz. Tenho de estar com minha mãe e não aqui. Ela não se lembra de nada e provavelmente está preocupada comigo aqui, sem saber se estou viva. E isso é tão injusto com ela!
– Seu pai, quando você estava em sua forma youkai naquele dia. Como ele estava?
Ela pareceu confusa com minha pergunta e piscou, pensando um pouco.
– Ele sorria. Pelo espelho, eu o via sorrir, seus olhos transmitiam tanto carinho e felicidade naquela hora...antes de tudo acontecer.
– Sua mãe, como era sua expressão quando a viu a primeira vez depois do desastre. Ela a olhava com raiva?
Seus olhos lacrimejaram, enquanto seus lábios se comprimiram. Levou o punho ao coração, apertando o tecido das vestes, num movimento que dizia que ali doía.
– Não! Ela...ela só...parecia tão desolada! Estava chorando e... ela me sacudia e eu pensei...que ela nunca me perdoaria, pois me achava um monstro. Mas seu olhar era tão triste e... aliviado.
Sorri.
– Ela nunca te culpou. Seu pai nunca te culparia. Eles só queriam o seu bem. – Fiz uma pausa, ficando sério, e ela chorava. – Mas, Kagome. Você apagou a memória de sua mãe, ela não se lembra de ter se assustado e nem de sua forma youkai. Para ela é como se tivesse adormecido e acordado com você ferida e seu pai, morto.
Ela piscou, tentando entender aonde eu queria chegar, algumas lágrimas ainda rolavam. Apenas queria poder abraça-la e fazê-las parar, mas não era a hora certa para isso.
– O jeito como ela te acordou, a sacudindo, sugere que ela se culpava e teve medo de te perder também. – O choque em seus olhos mostrava o entendimento, mas eu prossegui. – Se retornar agora, sem controlar seu lado youkai e ela o ver, é possível que ela se lembre do acidente. E da culpa que sentiu. Das palavras que proferiu.
Kagome se calou, pensativa. As lágrimas marcavam suas bochechas e pude notar que ela estava chegando a alguma conclusão dentro de si. Finalmente, as lágrimas haviam cessado, sua face se tornando mais distinta.
– Tem razão. Eu jamais poderia deixar que minha mãe se culpasse por aquele acidente.
– Você também não deveria.
Ela me sorriu triste.
– Eu sei. – Deu uma risada baixa e eu senti meu peito vibrar em resposta. – Meu pai me daria uma boa bronca por pensar assim. E minha mãe me olharia duramente. – Olhou-me doce e absorta. – Ele gostaria muito de você, fico triste que não possam se conhecer, mas...o que diz de conhecer minha mãe? Eu ainda preciso voltar em casa. Vai me ajudar a controlar meu lado youkai, não vai?
Sorri para ela, assentindo.
Ofereci minha mão para que ela a pegasse, e depois dela hesitar por um segundo, logo estava a guiando para a cama.
Nos deitamos e eu nos cobri. Kagome se aconchegou em meus braços, a cabeça apoiada em meu peito. Ela olhava para baixo, refletindo sobre alguma coisa. Seus olhos ainda estavam vermelhos do choro e sua face corada.
Sua mão estava apoiada abaixo de seu queixo e eu agarrei-a, fazendo com que levantasse a cabeça e se focasse em mim.
Havia decidido não mais questionar sobre isso, após sua resposta. Mas tê-la em meus braços novamente me fazia quebrar minhas próprias convicções.
– Ainda rejeita este Sesshoumaru? – seria a última vez que perguntaria.
Seu rosto avermelhou mais e seus olhos mostraram surpresa. Ela balançou a cabeça em negativa, parecendo estar sem palavras.
Era tudo que eu precisava saber.
Mas não era o bastante saber daquele jeito, ela precisava dizer.
– Será minha Lady do Oeste? – Apertei sua mão, a levando em direção ao meu coração, deixando que sentisse meus batimentos. Kagome se surpreendeu, olhando na direção de nossas mãos, logo focando novamente em meus olhos.
– S-sim. – Admitiu, mas ainda querendo dizer mais. – Eu aceito ser sua Lady do Oeste, meu lorde.
Admirado com como aquelas palavras soaram doces nos lábios da miko, rocei minha boca na dela com voracidade. Estava a muito tempo lutando contra aquela vontade, e agora que tinha sido aceito, simplesmente não poderia mais deter aquele desejo ardente de a ter por completo.
Ela gemeu, entreabrindo a boca, me deixando aprofundar o beijo. A fera se regozijou em meu interior, e não se calava, exigindo marca-la, que estava na hora e que daquela forma poderíamos protege-la, definitivamente.
Me movi, afim de tê-la sob mim, devorando-a com os olhos. Porém, quando voltei aos seus olhos, ainda via a tristeza que ela tinha com a conversa anterior, e foi o que bastou para que eu a abraçasse, a aninhando novamente.
– Vamos dormir por hoje, miko. – falei, esfregando um dos lados de minha face em sua bochecha. O que, por algum motivo, a fez rir.
– Vamos hahah...o que está fazendo, Sesshy? – me dei conta que me encontrava, sem perceber, tentando a deixar com meu cheiro.
Estava sendo ainda mais possessivo, agora que estava permitido a marca-la. Descansei meu queixo no topo de sua cabeça, tentando não pensar muito na palavra "marcação".
– Hn. Durma. – Ordenei, sabia que ela estava cansada.
Ela fechou os olhos e ficou em silêncio, por um tempo, mas sabia que não estava dormindo ainda.
– Sesshoumaru...?
– Hn?
– Poderia apenas me chamar de Kagome? – perguntou, levantando o olhar.
Ponderei seu pedido. Era mais do que justo.
– Boa noite, Kagome.
Ela sorriu, satisfeita, se entregando ao mundo dos sonhos em pouco tempo. Quanto a mim...não consegui dormir nem um só minuto. Estava alerta, por algum motivo desconhecido, a fera não se aquietava, mesmo com a miko segura em meus braços.
Rosnei ao sentir o cheiro do bastardo por perto. Mas não era isso que estava a me incomodar. O que poderia ser aquela sensação de que algo estava errado?
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