Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 29 - Enquanto estávamos separados.
Tinha se passado pouco de mais de uma semana desde sua chegada a Yorkshire. A encarregada dos projetos o recebeu pessoalmente e depois de pô-lo a par da situação, o castanho começou a fazer o seu trabalho. Demorou todo esse tempo para realizar uma avaliação completa do edifício e em considerar se alguma parte da estrutura era reaproveitável.
Por sorte para todos, o projeto estava na metade então o dano não foi tão extenso, rapidamente derrubariam as paredes inúteis e, quando recebessem os materiais adequados, poderiam reforçar os cimentos e continuar a partir dali. O mais importante era que estivesse funcional no prazo estabelecido, pois seria um ponto que prometia ser vital para o desenvolvimento econômico do lugar.
Um dia estava trabalhando, dirigindo aos trabalhadores e dando instruções do que deviam fazer, muitos costumavam reclamar dessa atitude, mas se comparassem com o outro arquiteto — o que queria passar a perna em todos —, gostavam mais dele. Estava tão focado nisso que não viu uma jovem aproximar-se.
A jovem em questão se chamava Christie Hamilton, filha de um dos clientes que contratou a construtora, mas além disso era conhecido que ela estava estudando arquitetura, o interesse que sentia por ele não se refletia apenas no âmbito profissional.
— Bom dia, senhor Lupin — cumprimentou amável.
— Bom dia, senhorita Hamilton.
— Que formal! Já disse que pode me chamar de "você" — lembrou-o enquanto ele dava um sorriso e voltava ao trabalho — E o que estão fazendo hoje?
— Pedi que reforçassem aquele muro ali — apontou — Quando estiver firme, vamos continuar, teremos que mudar algumas vigas de suporte, mas estamos em uma boa velocidade. Em dois dias, se continuarmos assim, podemos continuar com o resto da estrutura como estava previsto.
— Que ótimo! E me diga, na sua apertada agenda, tem algum tempo para se divertir? — perguntou com um tom de paquera.
— Garota, vai começar a agir como uma vadia? — uma segunda mulher aproximou-se.
Leonor Winwood, encarregada e representante da construtora Potter em todo o norte da Grã-Bretanha, era uma mulher um pouco mais velha que Remus, cabelos escuros e olhos verdes, era amável e vívida, mas em seu trabalho era justa, formal e inflexível.
— Senhora Winwood — exclamou a jovem, recompondo-se. Mesmo que Leonor não fosse casada, todos a chamavam de senhora por respeito —, mas eu não agi como uma vadia!
— Ah não? Então o que faz...?
— Bom — ela interrompeu — Lembre-se que eu estudo arquitetura e que estou realizando umas práticas na construtora para ter experiência.
— Muito bem, senhorita, mas não me interrompa — Leonor disse imediatamente — O que faz aqui vestida com essa saia mínima e essa blusa tão decotada? Lembre-se que aqui tem muitos trabalhadores e não é prudente se vestir assim. Não acha?
— Bom, é que eu...
— Além do mais, preciso lembrar que o senhor Lupin é um homem casado? Então se quer aprender coisas práticas para sua carreira, vai para o reboque que estão te esperando.
— Sim, senhora. Tchau, Remus — despediu-se deles com o seu melhor sorriso inocente.
— É boa no que faz, mas quando vê alguém que gosta, perde completamente o juízo — exclamou Leonor — Lamento ter que passar por isso.
— Não se preocupe, eu gostaria de dizer que é a primeira vez, mas sei como lidar com isso — Remus não deu importância — Qualquer um dia diria que isso diminuiria com o passar dos anos.
— É, o dinheiro e a fama são bons incentivos, não? — comentou com certa exasperação na voz enquanto ele ria — Bom, queria te perguntar uma coisa.
— Sim? — virou-se para vê-la.
— Essa noite tinha planejado um jantar com um amigo meu e,bom, faz tempo que me ligou porque não poderia ir, e sinceramente eu não queria perder a reserva do restaurante. Gostaria de ir? Só como amigos e colegas, é claro, nada mais.
Remus pensou por um momento. Por fora parecia um simples truque, mas ele teve algumas experiências assim sem nem ter procurado por isso, e tinha que admitir que a atitude dela não dava a impressão de que fossem mais do que colegas. Além do mais, desde que chegou em Yorkshire não fez outra coisa além de trabalhar. Não saiu do seu quarto de hotel e da área de construção, era como se tivesse voltado para os velhos dias como arquiteto independente, então pensou que não viria mal uma noite para espairecer e conhecer sua nova amiga.
— Tudo bem, desde que seja como amigos.
— É claro que é como amigos. Sem ofensas, mas não faz meu tipo — ela respondeu — Bom, de volta ao trabalho — e assim, passaram o resto da manhã cuidando do projeto.
Fazia algumas horas que tinham terminado de trabalhar e a noite estava chegando, em uma ligação Leonor disse a ele qual era o restaurante e onde estava. Quando chegou a hora, saiu do quarto e foi até o lugar.
O restaurante era bastante elegante, tinha uma suave música tocando e tudo era bem decorado, não foi muita surpresa que sua acompanhante já estivesse lá. Um garçom o levou até onde ela estava o esperando com uma taça de vinho.
— Desculpa, eu já pedi antes, não pude almoçar de tarde e estava morrendo de fome — ela disse sem levantar-se.
— Sem problemas — respondeu, sentando-se na frente dela e pegando o menu para ver o que pediria.
O jantar correu tranquilamente, ambos agiam como se fossem amigos da vida toda, conversaram sobre muitas coisas, anedotas e até alguma ou outra história que surgiu no trabalho. Quando terminaram de comer, pediram sobremesa, ela escolheu um bolo de baunilha e Remus obviamente escolheu de chocolate.
— É uma pena que seu amigo não tenha podido vir — comentou Remus — Quero dizer, a comida daqui é muito boa.
— Eu sei, por isso não queria perder a reserva — ela respondeu.
— O que aconteceu?
— Bom, é um pouco constrangedor, mas... ele está se formando na faculdade, tem uns vinte anos e tinha alguma coisa para fazer na academia.
— Então gosta dos mais novos, não é? — comentou brincalhão.
— Um gosto compartilhado, ou não é verdade que se casou com uma mulher mais nova? — Leonor retrucou — Eu sempre estou a par do que acontece no meio, e como é um grande arquiteto, é inevitável não saber.
— As razões são um pouco diferentes — foi sua vez de sentir-se envergonhado — E nem sei o que vai acontecer com o nosso casamento.
— Como assim? Na foto que eu vi, pareciam tão felizes.
— Bom, é uma história complicada e pessoal.
— Céus, com esse tom nem me dá vontade de perguntar. Então me diga uma coisa, qual é o problema que vocês têm?
— Acho que o ponto é se vamos continuar casados por muito tempo — respondeu depois de pensar um pouco — Nos casamos pensando que não duraria muito, mas muitas coisas mudaram.
— Você a ama? — perguntou para ver como ele assentia — Bom, então se joga, fica casado com ela — disse bem confiante.
— Não é tão simples, nem sei se ela quer que isso...
— Mesmo assim, se esforce para continuarem juntos. Acredite, eu sei do que estou falando — ela interrompeu seu discurso — Eu também tenho minha história. Uma vez tive a chance de estar com alguém que amava muito, mas eu só o via como amigo e quando tivemos a oportunidade de avançar, pus tudo a perder por medo ou sei lá, não tem ideia de como me arrependo.
— E então agora seduz jovens? — comentou Remus tentando aliviar o ambiente.
— Eles não parecem se incomodar, e eu não perdi meu encanto — comentou convencida — Espero algum dia encontrar alguém especial, mas claro, aprendendo com meus velhos erros, então você deixe de ser idiota e aposta tudo.
Depois disso, conversaram sobre outras coisas, embora no fundo Remus pensava que talvez ela tinha razão. Por outro lado, tinham uma conversa pendente. Vendo pela janela o céu estrelado sobre eles, não pôde evitar se perguntar como Nymphadora estaria naquele momento.
Só tinha passado um dia desde a grande reabertura do centro esportivo que foi renovado pela construtora Potter, era um lindo de domingo e pela primeira vez desde muito tempo, Tonks acordava e comia café da manhã na casa de seus pais. Tinha passado uma boa noite e se dispunha a passar o dia com suas melhores amigas — como combinaram na noite anterior —, mesmo sabendo que em algum momento começariam a falar e até repreendê-la pelo que aconteceu antes de seu marido viajar.
De certa forma foi estranho que sua mãe não mencionasse o tema durante o café da manhã ou no tempo em que esteve em casa. Depois disso, e de falar com seus pais para ficar com eles mais um tempo, foi ao encontro de Julia e Susan.
Foi uma tarde andando por Londres, visitando lojas, tomando alguns sorvetes em uma deliciosa cafeteria que gostavam de visitar e como o previsto, aquela incômoda conversa com suas amigas. No final, quando parecia que não podiam dizer algo novo, decidiram deixar para lá. Durante aquelas semanas em que estivesse sozinha, trabalharia com aquele medo, tudo esperando que a situação melhorasse.
Nymphadora chegou na casa de seus pais quando o sol estava se pondo, Andrômeda se dispôs a preparar o jantar enquanto Ted via televisão. Ela teria o acompanhado, mas preferiu ir para seu quarto.
Estava sentada na cama, pensando novamente em como estava a sua vida no momento. Queria ficar com Remus, mas uma relação para a vida toda soava muito complicada. O que aconteceria se vacilassem e saíssem machucados? Ela não queria sofrer e não queria fazê-lo sofrer. Estava tão focada nisso tudo que nem percebeu sua mãe entrando no quarto.
— No que tá pensando? — perguntou Andrômeda.
— Ai mãe! Me assustou — reclamou.
— Desculpa — sentou-se perto dela — No que tá pensando?
— Em tudo, mami — respondeu, suspirando cansada — Isso é tudo culpa sua, estava tudo bem até você me questionar daquela vez.
— Eu sei querida, mas acredite, é o melhor.
— O melhor?
— Filha, cedo ou tarde teriam que discutir isso. Se não fosse agora, seria em algum momento antes dos dois anos, e talvez fosse tarde demais para fazer algo a respeito.
— Quer que nos fiquemos juntos, não é? — perguntou.
— Quero que seja feliz, filha — acariciou a sua cabeça.
— Eu sei — respondeu depois de um tempo —, mas é que parece tudo tão complicado. Era tudo tão mais fácil antes, só conhecia alguém e depois ia sem choro nem nada.
A mulher viu sua filha pensando em várias coisas de uma só vez, quando pensou que sua mente tinha planejado algo bom, começou a falar.
— Por que não sai essa noite para se divertir? Como fazia antes — propôs.
— Do que tá falando? — ela exclamou, olhando-a curiosa.
— Que você saia um pouco, relaxe e depois volte para casa.
— O que tá planejando, mamãe? — desconfiou.
— Quê? Por que diz isso? — fez-se de ofendida.
— Porque eu te conheço e nunca diria algo assim se não tivesse planejando alguma coisa. Também porque nunca aceitou que eu saísse para me divertir assim.
— Tudo bem, foi só uma ideia.
— Além do mais, não posso fazer isso. Não agora. Não posso trair Remus e nem sei como isso influenciaria na herança da minha avó.
— O meu tratamento já acabou, não usamos mais o dinheiro e você começou a trabalhar e é muito boa. Então não se preocupe com isso e, se de verdade pensa em se separar, então não importa se vai fazer isso agora ou daqui a um ano — ficou de pé — Só lembre-se que se for sair, quero que volte para casa, não importa que horas são — e saiu do quarto.
Meia hora depois Andrômeda estava sentada com seu marido vendo um programa na televisão. Sem aviso prévio, escutaram como sua filha descia as escadas e da porta gritava que voltaria logo.
— Nymphadora saiu? — perguntou Ted.
— Eu disse para que ela saísse como fazia antes — respondeu Andrômeda, sorrindo travessa enquanto seu marido a olhava surpreso e sem entender.
— Mas, querida, por que...?
— Calma, não vai acontecer nada. Ela vai voltar atrás — garantiu. Mesmo sem entender, Ted sentiu-se mais tranquilo.
A noite já tinha caído quando Tonks chegou a um lugar que costumava ir meses antes, era o típico lugar iluminado com luzes de neon onde serviam bebidas alcoólicas, perfeito para encontrar o que se chamava de "aventuras de uma noite". Não tinha certeza do que estava fazendo lá, só sabia que decidiu seguir o conselho de sua mãe, aproximou-se do bar e pediu uma bebida, esperando para ver o que aconteceria.
Não muito depois um jovem de boa aparência aproximou-se, movendo-se no ritmo da estrondosa música do lugar, a observou por um tempo antes de aproximar-se para cumprimentá-la.
— Olá, linda, não lembro de ter te visto aqui antes.
— Talvez porque faz um tempo que não venho — ela respondeu.
Depois disso começaram a conversar sem se importar com nada, nem mesmo disseram seus nomes, sem dúvidas era como nos velhos tempos. Então continuaram bebendo por um tempo até que finalmente ele agiu.
Começou a acariciar a mulher e a brincar com ela, isso tinha acontecido algumas vezes, mas pela primeira vez ela sentiu-se incomodada. Se deu conta de que estava incomodada desde que entrou, e tudo foi pior quando o desconhecido aproximou-se para dar beijos no seu pescoço. Lentamente começou a lembrar-se dos beijos e das carícias de Remus, do seu Remus, foi só quando lembrou-se da sensação, que de alguma forma ficou impregnada em sua pele, que começou a sentir-se melhor.
Depois de um tempo a realidade lhe atingiu e lembrou-se de onde estava e de que aquelas carícias não eram do homem certo. Rapidamente separou-se do jovem, que ficou impressionado, tentou aproximar-se de novo, mas ela o afastou. Depois de uma discussão e que ele se afastasse com o orgulho ferido, Tonks decidiu pagar o que tinha consumido e foi embora. Enquanto caminhava para a entrada, pegou seu celular para pedir para alguém buscá-la.
Depois de meia hora, um carro preto chegou até a porta do local, e ela aproximou-se correndo de onde estava.
— Olá, Hollie, como está? — perguntou Dora.
— Bem, mas estaria melhor se uma amiga não tivesse me tirado do meu sofá para que fosse buscá-la — exclamou, abrindo a porta do carona.
— Desculpa, e obrigada por me buscar — disse, entrando.
— Certo, certo — ela pôs o carro em marcha — O que estava fazendo ali?
— Conselho da minha mãe. Propôs que eu saísse para me divertir como antes.
— Quê? — exclamou surpresa — Mas por que ela...?
— É como se ela me conhecesse, era uma de suas armadilhas — foi então quando contou o que aconteceu com aquele jovem e como terminou afastando-o.
— Então quis dar uma de louca, mas no final acabou lembrando do seu marido — ela resumiu — É uma boa prova sobre o que sente e que não importa o que fizer, sua vida não vai voltar a ser como era antes.
— Eu sei! — exclamou abatida — Eu deveria voltar para a casa dos meus pais — comentou para ela, que deu uma volta no volante — Não interrompi nada, não é?
— Não, só discutindo com seu tio.
— O que meu tio fazia na sua casa?
— Disse que tinha se esquecido de algo outro dia no meu apartamento. Faz um tempo que deixa as coisas para trás de propósito, e quando vai pegar uma, deixa outra no lugar — respondeu — Morro de curiosidade para saber o que vai esquecer dessa vez.
— E não reclamou ainda?
— Não.
— É, amiga, nós somos patéticas — exclamou, encostando a cabeça na poltrona e ofendendo a sua acompanhante.
— Espera, como assim patéticas? — rebateu.
— Estamos apaixonadas e por algum motivo não ficamos com eles.
— Eu não estou apaixonada por Sirius — retrucou a castanha na defensiva, mas com um evidente rubor nas bochechas.
— Ah não? Então por que não diz a Sirius que já sabe que ele deixa as coisas de propósito no apartamento? — não tinha resposta para esse argumento — Você quer tanto estar próxima dele que continua esse jogo para conseguir — acusou — Por isso eu te chamei, sabia que podia falar contigo sobre isso, e eu não queria ver aquele sorriso arrogante da minha mãe.
— Sim, e suas outras duas melhores amigas têm uma relação sólida entre elas, e não poderiam entender porque não são patéticas como você.
— Como nós — a corrigiu com um sorriso.
— E agora o que vai acontecer? — perguntou curiosa, mas mais para mudar de assunto.
— Continuar a minha vida, esperar meu marido voltar e deixar de ser tão patética — disse — E você deveria fazer o mesmo.
— Cala a boca.
Novamente caiu em um dos planos de sua mãe e o pior é que foi por decisão própria. Odiava quando isso acontecia, mas precisava admitir, que essas armadilhas sempre lhe davam uma perspectiva diferente das coisas. E em casos como aquele, lhe dava a coragem e o motivo para seguir em frente com o que devia fazer.
