-Liz! Acorde querida! Estamos aqui! Vamos... – ouvi a voz de Feyre próxima a mim, era apenas um sussurro, mas despertei o máximo que pude. Minhas pálpebras ainda estavam muito pesadas, mas quando abri meus olhos reconheci o lindo rosto de Feyre e nunca senti tão feliz em toda minha vida. Lagrimas caíram dos meus olhos sem que pudesse conter.

Feyre olhou para trás e fiz algum sinal para os demais, acompanhei seu olhar e lá estava: Azriel. Atraente como sempre, vestido de preto, seus olhos avelas queimavam junto com a tocha que ele carregava. Senti meu coração parar por um segundo, ele realmente estava aqui! Olhei para Feyre sem acreditar, estava eu sonhando?

Ela pareceu entender minha dúvida e disse no meu ouvido quando senti mãos segurarem minha cintura.

-Viemos resgata-la. Você está salva.

Outras mãos trabalharam ao redor de mim, não conseguia abrir meus olhos, meu corpo estava fraco demais. Minha consciência pairava e eu não conseguia distinguir o que era real e se de fato a grã senhora da corte noturna estava na prisão Vheela. Eu achando que um resgate era impossível, mas eu sentia o perfume que eu tanto gostava, o cheiro de Azriel que me transportava para outro lugar distante da caverna, ele estava ali e isso era real! Ouvi gritos ecoando pelas câmaras, mas não distinguia nada.

- Azriel... – chamei seu nome. Mas meu corpo balançava frouxo eu não estava mais amarrada a parede. Uma luz incomoda bateu em meus olhos, e dedos tocaram meu rosto delicadamente.

Abri meus olhos para ver Cassian e Azriel me olhando apreensivos. Ouvi gritos, muitos gritos e agora conseguia identificar o que estavam falando. "Traidora!" , "Não tem saída!" , "sentença de morte", "me tira daqui", "ninguém sai sem julgamento e isso serve para outras cortes também" essa última fala eu ouvia mais clara, estava mais próxima. Se eu tivesse minha armadura, se eu tivesse a minha espada ou cordão teríamos a chance de sair, mas eu estava sem nada nem forças eu tinha.

Precisava ajuda-los, os gritos estavam cada vez mais próximos e percebi que tinha algo de errado. Eles corriam na direção errada, eles estavam fugindo ou queriam um combate? Não! Isso não podia acontecer! Agarrei o pescoço de quem me segurava e dei de cara com Azriel que olhava a frente muito concentrado, puxei seu rosto para o meu e disse mais uma vez para usarem as asas. Az continuou sem me entender, então apontei as costas de Cassian e meus braços caíram sem força.

Apaguei não sei por quanto tempo acho que foi rápido pois, quando voltei a minha consciência ainda estávamos na caverna, alguém sacolejava meu corpo.

-Liz! Seja forte, acorda! - Feyre segurava meu rosto gritando – Onde é a saída?

Olhei para cima e ela fez o mesmo.

-Não tem nada. Temos que quebrar a rocha? Eh isso? – Ouvi pancadas e gritos.

-Não tem saída. Só uma entrada. – Engoli em seco, não tomava agua alguns dias – Deve ter uma saída, mas só voando você consegue. Deve estar em algum lugar, no final... – olhei para outra extremidade onde podia ser o final da caverna.

-Liz eu não...não consigo te escutar. Aponta onde é a saída, por favor. – seu tom de desespero me fez apontar para direção oposta dos gritos que eu ouvia, se era a direção certa eu não saiba. Não tinha noção onde estávamos, mas eu escutava os guardas se aproximando e precisávamos sair dali o quanto antes. O que eles estavam fazendo? Que inconsequente eram! Se mexam! Saiam dai! Tentei me levantar com ajuda de Feyre.

Azriel correu na minha direção e me pegou no colo. Eu puxei toda minha forca e gritei: corram! Mas eles pareciam meio aturdidos e olhei novamente para os demais apontei a outra direção assustada e gritei mais uma vez. Dessa vez surtiu efeito pois eles começaram a correr.

Os guardas estavam ali, mas uma sombra correu pelo chão e prendeu os guardas no mesmo lugar, eles não se mexiam, mas seus gritos de ordem ecoavam pela caverna, não eram ordem para meus salvadores, mas para os presos. Estranho.

Por algum motivo eu consegui me manter desperta, o pânico me fazia avivar. Como nessas horas eu queria ter minha armadura e amuletos novamente, me sentia nua sem eles e incapacitada para ajudar. Todos da corte noturna estavam em silencio, Feyre era a única que falava comigo, tinha algo peculiar acontecendo, mas meus pensamentos foram rompidos quando chegamos ao que parecia o fim.

Um buraco enorme se abria a nossa frente, a outra extremidade ficava muito longe e a profundidade era impossível dizer, mas acima havia um filete de luz natural e essa era a tal saída. Meu irmão uma vez contou sobre uma lenda, em que um feérico ficava preso na caverna e o único jeito de escapar era usando suas asas quebradas. Foi instintivo achar que essa lenda pudesse se referir a prisão, mas respirei aliviada pela segunda vez. Eu estava com sorte hoje.

Entendendo o que devia ser feito, Cassian voou até a pequena fenda, os guardas estavam nas nossas costas Az, Feyre e Rhys mergulharam para as profundezas da fenda, tudo virou breu sentia um vento forte balançar meus cabelos, fechei meus olhos e esperei a vertigem passar, mas não passou. Com um impulso fomos empurrados para cima, mas com mais força e acelerado. Subimos e atravessamos a fenda num rompante, foi tudo muito rápido e quando saímos finalmente para fora a luz solar me cegou.

-Capturem! – ouvi os berros dos homens metros a baixo de nossos pés. Olhei para baixo e vi Cassian amarrado em uma rede enquanto Vheelas caiam sobre ele a ponta pés e socos.

Meu corpo foi transferido de Az para Feyre e fui levada para longe enquanto via Az e Rhys aterrizando próximo a saída da caverna com armas em punhos, prontos para o combate com Vheelas. Não muito longe Feyre me colocou no chão, me ofereceu por fim o cantil cheio de agua. Ah era tudo o que eu precisava!

-Feyre! Feyre! – chamei ela enquanto ela olhava para o céu, mas ela não parecia me ouvir. Me apoiei na arvore e consegui me levantar, isso fez com que ela me olhasse. – O que vocês estão fazendo?

-Desculpa Liz, perdemos a audição. Precisamos te levar para longe daqui.

E assim minhas pernas fraquejaram e antes de sentar novamente, meu corpo foi içado por Azriel e no momento seguinte acordei deitada numa cama.

-O que aconteceu? Onde…? – A minha frente Camella me olhava com lagrimas nos olhos.

-Minha irmã! – Camella me abraçou – Eu não acredito que você esta viva! Você sobreviveu aquele lugar horrível!

-Camella? Eu estou sonhando?

-Claro que não! – Ela enxugou as lagrimas e voltou a sua expressão austera – Você está em Neldor. Foi resgatada da caverna e eu cuidei de você. Que estado deplorável você estava!

-Onde estão os outros? Eu...quanto tempo? – olhei para ela com medo da resposta.

-Quatro dias, seria uma semana inteira se não fosse meus cuidados. As curandeiras aqui são boas, mas a gente sabe algumas coisinhas especiais. – Camella piscou para mim enquanto me servia de agua.

-Eu me sinto fraca, mas não sonolenta.

-Também dormiu todo esse tempo. Te banhei, troquei sua roupa, dei todas as poções que eu conhecia, levanta defunto tambem.

Eu sorri, Camella estava bem. Minha irmã estava viva, sorridente como sempre, ela era excelente com ervas, muito melhor do que eu, não era a toa que estava disposta. Um peso tinha saído das minhas costas, ela realmente estava viva!

-O grão senhor da casa noturna tem um temperamento complicado, não é? – Olhei confusa para minha irmã – A conversa dele com Ruven foi ouvida a distância. Os dois se trancaram no escritório e bem, as coisas não ficaram boas. Mas eu fiz questão que você ficasse aqui, sob meus cuidados.

-E Azriel? – Não me contive. Camella me olhou de lado demorado, suspirou e me respondeu – Está numa hospedagem, esperando notícias. Que eu vou dar somente se você quiser, você quer?

-Sim! Por favor, ele me salvou. – A menção que Az ainda estava por ali aqueceu meu coração.

-O que há entre vocês? – Minha irmã sentou na beirada da cama, ainda preocupada.

-Ah...é que...ele...foi sem querer...quero dizer, não foi esperado. Por ninguém. – Então me recordei da rejeição – Eu só me importo com ele, e acho que ele também. Mas assim como todos da corte noturna, não viu o que eles fizeram por mim? Que loucura foi essa!

-Só isso? Esse feérico arrastou o seu grão senhor para o continente, resgatou você de um lugar que nem eu sei onde fica e só deixou você aqui porque eu insisti muito e você me diz que ele SOMENTE se importa com você?

"Vou te contar o que eu sei. Ele chegou aqui com Rhysand, carregando você nos braços. Assim que Ruven soube do seu estado me chamou. Azriel e Melaure ficaram de prontidão atrás da porta enquanto Rhysand e Ruven se trancaram no escritório, o que foi discutido eu não sei exatamente, fui cuidar de você. Mas Ruven está muito preocupado e com raiva da imprudência de Rhysand, os vheelas estão cientes do resgate e sabem que você foi trazida aqui. Rhysand voltou a sua corte na mesma noite, mas deixou Azriel, que não foi bem-vindo no castelo. Como eu disse as relações estão estremecidas. E por não sabermos qual vai ser a resposta dos Vheelas, Ruven não acha seguro nós duas ficarmos aqui. Ele e Azriel querem nos levar a Prythian! Mas eu só vou se você estiver de acordo, não importa o que eles querem decidir por nós. "

-Acho que podemos confiar em Rhysand e Azriel. – Fiz uma pausa tentando colocar os pensamentos em ordem – Nosso irmão! Ele também estava lá, todos seus aliados. Começaram os julgamentos, mas eu seria a última. Eu não consigo acreditar que estou livre!

-Não me diga, eles tambem?! – Camella estava surpresa e horrorizada.

Contei a ela tudo o que vi e ouvi dentro da caverna, fiz ela prometer a não contar a ninguém essas informações. Ela estava em choque no final do relato.

-Uhm...se Kristian está vivo... – Camella não seguiu os pensamentos – Tudo bem, eu concordo é mais seguro em Prythian. Vou trazer sua roupa de viagem.

Antes de terminar ela já estava saindo pela porta. Eu não conseguia ainda me decidir se me sentia aliviada, feliz ou preocupada com as consequências dessa fuga. O que aconteceria com meu irmão e seus aliados agora? O que os Vheelas iriam fazer? Atacar outro reino? Eles quebrariam o pacto por causa de uma reles guerreira? Onde estava Feyre e Cassian? Seria eu e minha irmã aliadas ou convidadas? Abracei meus braços cobertos pela camisola, ainda me sentia nua sem minhas armas e meu amuleto.