Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.

Capítulo 30 - Esperado reencontro.

Os dias continuavam avançando e também o trabalho. Nessas semanas, Dora tinha recuperado um pouco o bom humor, então podia pensar melhor no trabalho que tinha com Charity Burbage para o centro cultural, e claro as aulas que ainda tinha com ela antes que o ciclo escolar terminasse.

Já tinha começado o mês de agosto e desde o incidente da boate — que não voltou a se repetir —, Nymphadora voltou para sua casa. Mesmo que estivesse sozinha, não queria deixar o lugar abandonado, nesse tempo encarregou-se completamente do trabalho doméstico. Chegou a conclusão de que era mais trabalhoso do que tinha pensado, já que mesmo que ajudasse em algumas coisas, cozinhar, limpar e lavar era compartilhado entre ela e Remus, e agora absolutamente tudo caía sobre ela. A verdade é que isso lhe deu um novo respeito e apreço por sua mãe, que tinha se dedicado a isso por anos.

Uma vez, entrou no escritório de Remus para dar uma limpada, já que devia estar sujo e coberto de poeira. Não foi surpresa ver o lugar mais organizado que o seu próprio escritório, e a grande quantidade de livros que guardava ali em várias estantes, embora tenha se perguntado quando que os levou até lá, pois eram muitos.

Mas algo que realmente a pegou de surpresa foi que na frente da mesa onde trabalhava, encontrou várias fotos emolduradas. Em uma dessas, estava claramente ele e seus amigos na época de escola — estavam mais jovens —, em outra tinha um foto de um casal que supôs serem os seus pais pela semelhança entre eles, tinha uma foto onde Remus estava vestido a gala abraçando pela cintura uma sorridente jovem vestida de noiva, com um véu que cobria o seu cabelo rosa. Era uma das fotos que Andrômeda tinha insistido em tirar no dia de seu casamento. Naquele dia, pareceu muito incômodo, mas agora estava agradecida que retratasse aquele dia tão importante. Com um sorriso no rosto, voltou ao seu trabalho.

Era uma sexta-feira à noite, e o dia seguinte era sábado, seria o primeiro aniversário de casamento de Remus e Tonks, e teria uma pequena celebração na casa dos Tonks. Mesmo que era verdade que nenhum dos envolvidos estaria presente, Dora insistiu que fizesse a festa onde suas amigas, Hollie, Sirius e os Potters seriam convidados.

A ideia surgiu de uma reunião que Dora, Julia e Susan tiveram uma semana antes.

Uma cena comum estava se desenrolando em uma das mesas de um pequeno restaurante de Londres, as três amigas se juntaram para resolver algumas coisas.

— Muito bem, amiga. Como se sente fazendo absolutamente nada? — perguntou Julia brincalhona — Como na academia estão de férias.

— Não estou procrastinando — ela garantiu meio ofendida — Te lembro que estou trabalhando com a Charity no projeto do centro cultural, além de pintar.

— Nisso tem razão — apoiou Susan —, mas me diga... Vai voltar para a academia ano que vem?

— Não sei. Por um lado seria interessante, mas por outro...

— Por outro já vende suas obras, tem projetos importantes e vários contatos — Julia completou por ela — E dentro de um ano terá uma grande fortuna para você sozinha.

— Não exagere — disse Dora —, mas é verdade que é fácil deixar a escola e continuar minha carreira como artista. Tenho que pensar nisso.

— Isso é bom, mas não é a única coisa que deveria pensar. Digo, ainda tem o Remus e...

— Por favor, Julia, para de me irritar com isso. Estamos falando sobre isso o tempo todo e já chegamos a um beco sem saída.

— Verdade, poderíamos avançar mais se Remus estivesse aqui, mas como não está, só perdemos tempo — concordou Susan.

— Mas que momento para surgir essa viagem — reclamou Julia — Ele vai chegar essa semana? Seria legal se chegasse antes do aniversário.

— Eu não sei. Não deve demorar muito ,mas a verdade é que não tem um dia fixo — disse Tonks.

— Mas tem que estar aqui para o seu "primeiro aniversário" — frisou essas duas palavras — Teriam que fazer uma grande festa e...

— Ai, Julia — repreendeu Susan — Mesmo que fizessem uma festa, o que te faz pensar que te chamariam...

— Ai, Susan, que má você é — Julia acusou, fazendo um beicinho.

— Bom, se tanto querem, podem fazer uma festa — propôs Tonks, deixando-as estranhadas.

O resto de seu dia de garotas continuou com várias conversas que giravam em torno desse tema.

Depois de muitas críticas e comentários tanto a favor quanto contra a ideia de comemorar o aniversário sem os aniversariantes, todos acabaram aceitando a ideia. Estava tudo pronto para o dia seguinte e seria uma grande comemoração supostamente.

A noite avançava e ela estava recostada sobre a cama do quarto de Remus. Não, no seu quarto, já tinha até mesmo guardado algumas roupas e levado algumas coisas de seu outro quarto, praticamente tinha se apossado dali. Além do que isso a fazia sentir-se pronta para enfrentar esse medo que sofreu da última vez, então só esperava que ele voltasse para que tudo ficasse claro.

Estava a ponto de conciliar o sono quando o ruído de um carro interrompeu o silêncio da noite. Depois escutou como a fechadura da porta se movia, o que a alertou. Em um só movimento, sentou-se na cama, conseguindo ouvir como algumas coisas caíam no chão, acendiam as luzes e a porta se fechava. Jogou as cobertas para um canto e levantou-se da cama, pôs sua bata rosa e foi até a sala para confirmar que o que escutava era real.

Na porta principal, vestido em um casaco cor de café, um homem de cabelos castanhos trancava com chave a porta, com algumas malas no chão, estava de costas, então não pôde vê-la.

— Remus — exclamou.

— Dora — ele surpreendeu-se ao vê-la — Pensei que já estava dormindo.

Ela não respondeu, fosse porque o tempo se deteve, ou que tudo aconteceu muito rápido. A garota começou a ter mil ideias nesse momento, sabia que tinham uma conversa pendente da última vez que se viram, pensou em dizer tantas coisas, mas no final as palavras não saíram.

Sem pronunciar um só ruído, Tonks caminhou, ou quase correu até ele, e pendurou-se em seu pescoço, dando-lhe um profundo beijo nos lábios. A surpresa do homem foi grande, mas não demorou em abraçá-la pela cintura e devolver o beijo, aquele toque que sentiram falta naquelas semanas que estiveram separados.

— Bem-vindo — disse a mulher quando se separaram — Eu senti sua falta.

— Também senti a sua — respondeu antes de voltar a beijá-la.

No meio do beijo, Dora deixou de segurá-lo pelo pescoço e desceu as mãos pelo seu peito, e começou a tirar o casaco que vestia, deixando-o cair no chão, depois começou a repetir o processo com a sua camisa.

— Dora, o que tá fazendo? — perguntou, separando-se um pouco dela.

— Te incomoda? — ela retrucou, dando um beijo rápido e doce.

— Não — respondeu, também beijando-a.

— Então não pergunte — exclamou, erguendo a mão para apagar as luzes — Vem aqui.

Com um andar decidido, levou-o até o quarto, entre beijos e carícias deitaram-se na cama, continuando com seu idílio, era quase como na primeira vez que se fundiram naquele existente jogo.

— Dora, espera — interrompeu Remus com o pouco fôlego que tinha.

— E agora? O que foi? — perguntou impaciente, sentando-se no seu colo.

— Nada, é que o que estamos fazendo... Bom, ainda temos que conversar.

— Depois, agora deixa eu marcar meu território — disse, desamarrando a bata rosa.

— Quê? — ele perguntou sem entender.

— Esteve longe por várias semanas, rodeado de vagabundas...

— Dora, eu tava num canteiro de obras trabalhando, não em um bar — ele a interrompeu.

— Que seja, essas malditas saem dos bueiros. Ou preciso te lembrar daquela sua maldita secretária que ainda trabalha contigo? — ela retrucou.

— Sabe que não posso demiti-la sem...

— Sem uma boa razão ética, eu sei — interrompeu, tirando a bata para revelar que debaixo dela só estava usando calcinha, que deixou ele um pouco nervoso — Mas isso não importa, essa noite você tá comigo — disse em um tom sensual enquanto inclinava-se, dando-lhe um beijo — Você é só meu, Remus Lupin, essa noite e sempre — acrescentou antes de beijá-lo outra vez.

As carícias e beijos aumentaram de intensidade até que inevitavelmente ficaram sem roupas, desfrutando do toque do outro. Era uma sensação que sentiram falta naqueles dias, não se importaram que as malas dele ficaram lá embaixo, não se importaram que ainda tinham uma conversa pendente. E Dora também não se importou que fazia um mês que não tomava os anticoncepcionais. Naquela noite desfrutaram apenas da companhia e nada mais.

O sol começava a sair depois de uma intensa noite, a luz começou a entrar pela janela, fazendo o casal acordar. Na noite anterior as coisas aconteceram bem depressa, mas nenhum dos dois se arrependia.

Lentamente cada um começou a abrir os olhos e perceberam a grandiosa realidade que estavam vivendo. A jovem estava recostada sobre o peitoral de seu marido, escutando as batidas de seu coração, enquanto ele a mantinha abraçada pelas costas, estavam cobertos apenas pelos lençóis da cama. Ela levantou o olhar, encontrando-se com os olhos dele. Estava a ponto de dizer algo quando soou um telefone. Com certa má vontade pela interrupção, ela esticou a mão e pegou o seu celular da mesa de cabeceira.

— Alô — respondeu de forma brusca.

— Bom dia, filha — escutou a voz confusa de Andrômeda — Dormiu mal ou o quê? Que mau humor!

— Mãe, o que você quer? Por que tá me ligando tão cedo?

— Filha, já passou das nove horas. Não dormiu bem? — defendeu-se — Que seja, preciso que compre umas coisas para a festa.

— Ah, sobre isso — exclamou — Eu não vou.

— Mas, filha, foi você quem...

— Eu sei, mamãe, mas Remus chegou ontem e...

— Remus já chegou? — Dromeda impressionou-se — Isso é ótimo, podem vir os dois juntos, afinal a festa é sobre vocês.

— Foi mal, não vai rolar — informou decidida — Vamos ficar sozinhos hoje, temos muito tempo pra recuperar, então aproveitem a festa.

— Ai, Nymphadora, o que você vai fazer?

— O mesmo que fizemos ontem, praticar a forma de te dar um neto — e então desligou.

Com um sorriso travesso no rosto, por pensar na expressão que sua mãe deve ter posto no rosto quando escutou o que ela disse, virou-se para ver seu marido, que estava com uma expressão tão pasma quanto sua mãe devia estar agora.

— Que foi? — ela perguntou divertida.

— Como que foi? — ele rebateu — Como você fala uma coisa dessas pra sua mãe?

— É o que estivemos fazendo, ou não? — defendeu-se com um sorriso de lado — E isso com certeza a impactou — deu uma risadinha.

— Não duvido — disse por experiência própria.

— Vamos parar de falar sobre isso — acomodou-se novamente no seu peito — Não pensa nisso, vamos só passar o dia juntos sem nos importar com mais nada, depois conversamos.

— Tá bem — cedeu, dando um beijo em sua testa e aproximando-a mais dele com um abraço.

O dia seguiu bem para todos. Remus e Tonks ficaram juntos o tempo todo, e na casa dos Tonks a festa foi bem amena. Embora Sirius se tornou um problema quando descobriu que o amigo tinha voltado e que não iria, começou a fazer perguntas e insinuações sobre o que eles poderiam estar fazendo, até que para calá-lo Hollie se "sacrificou", jogando um outro flerte para que ele esquecesse do assunto.

Já Andrômeda não deixava de pensar no que tinha escutado de sua filha. Obviamente não contou a ninguém, sabia que só estava querendo se fazer de espertinha para cima dele, mesmo que no fundo sentisse que não era brincadeira. Estava surpresa e um pouco alegre, talvez finalmente aqueles dois se resolvessem e pusessem a cabeça no lugar.

No dia seguinte, Dora continuava monopolizando Remus. No dia anterior estiveram todo o tempo em casa vestidos principalmente com suas blusas, estiveram conversando, rindo e, bom, "praticando". Mas daquela vez decidiram sair e dar uma volta, passar o dia no parque ou talvez ver um filme. Era como nas primeiras semanas de casados, parecia que tinha tudo voltado à normalidade, mas faltava uma coisa.

A tarde começou a chegar e tanto Remus quanto Tonks estavam cansados de tanto caminhar, decidiram descansar em um banco do parque, que naquele momento estava vazio. Ela abraçou o seu braço e em silêncio contemplavam o entardecer.

— Remus — ela disse de repente — O que pensa do futuro?

— Como assim?

— Bom, você queria conversar, não é? E eu queria saber o que pensa do seu futuro? E, bom, o que pensa de nós?

— Não sei o que dizer.

— Não vai sair correndo, não é? — ela perguntou, divertida.

— Não, eu não vou — ele garantiu com um sorriso — Bom, pra começar, eu me sinto muito bem do seu lado. Os momentos que passamos juntos são os melhores que tive em muito tempo, e não me incomodaria se continuássemos assim por mais dois anos — disse com um leve rubor na face que fez com que ela sorrisse.

— É por isso que tem a foto do nosso casamento no seu escritório? Outro dia entrei pra limpar um pouco e encontrei.

— No começo tava numa caixa, mas depois de tudo que passamos, eu quis botá-la ali. Aquelas fotos me trazem boas lembranças.

— Dos seus pais e dos seus amigos? E agora o do nosso casamento — ele assentiu.

— Depois de um tempo, ficar contigo se tornou parte da minha vida e essas lembranças são muito mais importantes pra mim, pelo que temos vivido — confessou — Talvez não sinta o mesmo, talvez queria que as coisas voltem ao normal — abaixou a cabeça ao dizer isso.

— Eu mentiria se dissesse que não pensei nisso, mas sabe... Depois que você se foi, eu tentei. Uma noite saí pra lembrar dos velhos tempos, quando eu procurava alguém pra passar a noite. Não demorou muito pra um cara se aproximar, mas quando ele começou a me tocar, eu não consegui, eu só pensei em você — o começo foi como um balde de água fria nele, mas o final o surpreendeu — Pensei nos seus beijos, nos seus toques, e eu soube que não ficaria feliz fazendo isso com outra pessoa. Eu não sei o que você fez, Remus Lupin, mas é como se eu só pudesse ficar contigo.

— Por isso me atacou ontem? — Remus brincou, sentindo uma grande felicidade.

— É, desculpa por isso — ela riu —, mas eu realmente senti sua falta. Da próxima vez, eu vou contigo — disse confiante.

— Pra não sentir saudades.

— E pra pôr essas vagabundas no lugar delas — completou, fazendo-a rir — É sério — acrescentou severa por sua risada — Elas têm que saber que você tem dona.

— Uau, que possessiva você se tornou — debochou ainda sorrindo.

Quando se acalmaram das risadas, foi Dora quem falou.

— Remus, eu sei que daqui a um ano deveríamos nos divorciar e tudo o mais, mas se não se importa, eu queria continuar assim por mais um tempo.

— E quanto tempo seria? — perguntou.

— Não sei, outros cinco, sete anos — hesitou — Talvez o resto das nossas vidas.

— Será todo o tempo que você quiser — abraçou-a pelos ombros enquanto ela fazia o mesmo com sua cintura — Eu te amo, Nymphadora.

— Eu também te amo, Remus, mesmo quando você usa o meu nome.

Com essa cena de entardecer, chegaram a determinação de continuar juntos, confessaram o tanto que se amavam e se precisavam, e agora poderiam navegar as águas como verdadeiros esposos. Mas esse renovado amor não era o único que estava gestando naquele momento. Algo novo e inesperado chegaria em suas vidas em pouco tempo, e seria algo que os uniria mais do que o imaginado.