Dragon Ball não me pertence
CAPÍTULO 23
Diálogos e discussões
O príncipe acordou com uma nesga de sol avermelhado tocando-lhe o rosto e amaldiçoou a porta da sacada que ele deixara aberta na noite anterior. De início não lembrou onde estava, mas logo sentiu o corpo delicado em seus braços e lembrou-se de tudo que ocorrera noite passada. Imediatamente, o arrependimento tomou conta dele. Culpou-e por ter sido fraco e ter ido longe demais, por ter complicado tanto as coisas para eles. E o pior é que gostara demais daquilo, mais do que achou que gostaria.
Então, ele lembrou do choro descontrolado dela, do momento de desespero, do prazer, de ela dizendo que o amava. Amor, ele nem sabia que sentimento era aquele. Amor era uma fraqueza que ele se sempre recusara a ter.
Logo uma preocupação tomou conta de seus pensamentos: o motivo do choro dela. O rei a havia prometido ao terráqueo, mas se era por que achava que o terráqueo a tivesse possuído, era fácil de resolver, ele próprio tirara a prova de que isso era mentira.
Foi muito difícil para ele se desvencilhar daquele corpo bonito que tanto o fascinava, mas o fez e vestiu-se olhando-a nua, comparando-a com algum tipo de deusa. Naquele momento, ele não sabia muito bem o que faria em relação a ela, a partir dali, estava muito confuso, só tinha certeza de uma coisa: ela não casaria com o verme terráqueo, ela nunca pertenceria a outro como pertenceu a ele. Ele cobriu-a com um lençol, tapando o corpo que tanto mexia com ele, voou pela sacada, iria procurar seu pai, queria resolver aquilo o mais rápido possível.
Pouco depois de voltar ao seu quarto e se arrumar, Vegeta não conteve-se e abordou seu pai quando esse terminava o café da manhã.
— Precisamos conversar. - ele falou após fazer uma reverência para o pai assim que esse chegou ao salão de jantar.
— Agora não, Vegeta. Tive uma noite difícil – o rei disse cansado, levantando-se. - Mas creio que precisaremos mesmo falar mais tarde. - falou já andando para a sala do trono, Vegeta o seguiu.
— Se for sobre Bulma e o terráqueo, conversaremos agora. - Vegeta falou, mandando a cautela às favas.
— Então você já sabe – o rei concluiu, cansado, parando no corredor sem perceber que um dos guardas de Pilaf os observava ao longe.
— Ela me contou. - ele rebateu, sério.
— Então não há nada o que conversar, ela casará e ponto. - o rei concluiu enquanto caminhava.
— Temos que conversar, sim. - Vegeta falou de mal-humor, acompanhando-o. - Ela não pode casar-se com aquele verme, não permitirei. - falou decidido.
— Você não tem o que permitir. - o rei falou andando sem olhar o filho que o acompanhava. - eu já dei minha palavra.
— Baseado em que, tomou essa decisão, papai? - o príncipe indagou exasperado.
— A menina e o terráqueo já consumaram a relação. - o rei disse parecendo um pouco constrangido, evitou contar da cena no quarto da menina, conhecia a ira do filho e não queria provocá-la.
— Isso é mentira. - Vegeta afirmou mal-humorado.- Aquele verme nunca tocou nela. - ele quase gritou.
— Como você sabe disso? - o rei rebateu sem dar importância.
— Por que eu passei essa noite com ela. - as palavras saíram naturalmente antes que ele pudesse conter-se. Sabia inconscientemente que era a único argumento que faria o rei ouvi-lo.
O rei parou de andar e olhou para o filho, perplexo.
— Mentira! Como ousa difamar sua irmã dessa maneira? - o homem mais velho quase gritou pegando o príncipe pela armadura e levantando-o. Os guardas que escoltavam a porta da sala do trono olhavam apreensivos.
— É verdade, papai. Você sabe que eu nunca menti pra você. - Vegeta falou olhando o pai nos olhos – Ela não é minha irmã, eu estive com ela e tenho certeza que nenhum outro a tocou antes de mim. - afirmou com decisão.
O rei soltou-lhe, ainda olhando-o como se tivesse visto um fantasma.
— Vamos a sala do trono, precisamos conversar.
Os dois entraram na grande sala, o rei ordenou que os guardas se retirassem e fechassem a porta.
Não perceberam que o espião de Pilaf observara toda a cena.
— Então, você me dizia que você e sua irmã...- rei começou constrangido já sentado em seu trono.
— Humrum. - Vegeta confirmou de pé em frente aos degraus que dava para o trono do pai. Tinha os braços cruzados e olhava para o lado.
— Por que fez isso? - o rei perguntou, tentando aceitar a ideia.
Vegeta não soube o que responder. Ficou calado, na mesma posição. O rei entendeu que aquela falta de resposta significava mais do que se ele tivesse falado.
— Imagino que ela lhe procurou. - começou de forma a levar o filho a falar. - Essa menina é muito esperta. Deve ter lhe procurado para provar que não havia sido tocada pelo terráqueo, pois ela mesma disse que não queria casar.
— Ela acha que os terráqueos tramaram para que você acreditasse que ela havia se entregado ao verme terráqueo e resolvesse casá-la com ele. - Vegeta disse ainda olhando para o lado.
— Se isso for verdade, podemos estar diante de conspiradores. - o rei concluiu sobressaltado.
— Você sabe que não gostei daqueles vermes desde o início. - Vegeta falou agora encarando o pai. - Acho que seriam bem capazes disso.
— Precisamos ser diplomáticos, Vegeta, não sabemos se Pilaf e Babidi sabem da história, pode ter sido armação apenas do general que está apaixonado pela menina, não vamos nos precipitar ou podemos perder um acordo comercial valioso. - o rei disse pensativo. - E mais, mas que provas temos que tudo foi uma armação?
— A menina não foi tocada, quer prova maior que essa? - Vegeta concluiu.
— Você tem certeza, digo, certeza absoluta? - o rei perguntou constrangido.
— Claro que tenho! - Vegeta falou com raiva, a face rubra. - Eu...eu...conferi de vários modos. - concluiu bastante constrangido.
— Não precisa entrar em detalhes. - o rei disse depressa. - Acho melhor pedir para investigarem esses terráqueos mais a fundo.
— E quanto ao casamento? - Vegeta perguntou impaciente, queria aquilo encerrado o mais rápido possível, odiava a ideia de Bulma estar comprometida com outro.
— Hoje a noite, chamarei os terráqueos para um jantar e minha promessa será desfeita.- o rei falou decidido. - sei que podemos perder muito, mas não faria isso com a menina, e se for uma armação apenas do general, creio que o Rei Pilaf irá entender. Não seguirei com essa promessa.
Vegeta confirmou com a cabeça a decisão do pai.
— Agora, precisamos decidir como fica você e a garota. - o rei comentou preocupado.
Vegeta olhou seriamente para o pai, não se sentia impelido a conversar sobre aquilo naquele momento, no entanto, o rei continuou.
— Apesar do que aconteceu entre vocês, você sabe muito bem que não pode fazê-la sua esposa. - o rei falou para Vegeta que olhava para o lado. - E não permitirei, em hipótese alguma, que faça dela uma de suas amantes.
Vegeta não disse nada, continuou olhando para o lado.
— E então? - o rei perguntou impaciente.
— Então, o que? - Vegeta perguntou aborrecido.
— Como ficará sua relação com a menina?
— Você mesmo colocou as opções, papai. - ele falou sem dar atenção. - Cabe a mim, segui-las, não é isso? Ou, por acaso, tenho outra escolha?
— Não, você não tem. - o rei falou sentindo um pouco de pena de seu filho, ele sabia que, se o filho nutria algum sentimento por algum ser vivo, era pela menina.
— Então, nos vemos a noite, no maldito jantar. Vou treinar agora. - Vegeta disse, retirando-se do salão do trono, queria fugir o mais breve possível daquela conversa.
— Filho, - o rei chamou e Vegeta estacou, voltando-se para olhá-lo. - Se serve de consolo, ela estará sempre ao seu lado. - disse com emoção na voz.
Vegeta apenas lhe deu um olhar contrafeito, deu meia volta e saiu do salão do trono, a capa vermelha esvoaçando, o rei o achou muito parecido com ele mesmo e naquele momento, admirava a bravura do filho, ele no seu lugar, com aquela idade, teria largado tudo para ficar com aquela que fora sua rainha, se o tivessem proibido disso. Pensou que talvez o filho amasse mais o trono do que ele próprio amava.
O que pai e filho não contavam era que um dos espiões de Babidi ouvira a conversa no salão real, escondido atrás de uma cortinas em um das sacadas e que esse mesmo espião correu até o mago e contou-lhe tudo, instantes depois.
— E agora, Babidi? - Pilaf gritava apavorado após o espião contar a conversa– nosso plano perfeito, caindo por água a baixo. Ele já desconfia da gente, vai cancelar o casamento e até pode nos matar...
— Acho que deveríamos pegar nossa nave e ir embora o mais rápido daqui. - Yancha sugeriu, estava largado em uma poltrona deprimido, por saber que Bulma não queria casar-se com ele e ainda havia se entregado ao príncipe, que ele sabia, não era um rival que pudesse enfrentar.
— Pilaf, por que você sempre entra em pânico? - Babidi falou esganiçado de mal -humor. - nós temos um plano B, lembra-se? E já que ele vai nos chamar para esse jantar, é a chance de colocá-lo em prática.
— Vocês não vão fazer o que eu estou pensando, não é? - Yancha perguntou temeroso.
— Claro que vamos. - Babidi respondeu como se fosse óbvio – funcionou com os reis e governantes da terra e funcionará com esses sayajins metidos a besta, embora mais fortes que os humanos, nem eles podem sobreviver à nossa arma secreta.
— Mas..mas...isso é terrível. - Yancha falou descontrolado.
— Você quer viver, não quer? - Babidi perguntou zangado. - pois você viverá, por que levaremos a cientista para o mestre e levaremos mais o quisermos desse planeta, quando o rei e o príncipe estiverem mortos. E será essa noite. - concluiu com um sorriso maléfico.
