Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.

Capítulo 31 - Gravidez.

Duas semanas se passaram desde que Remus voltou para casa. Durante aquele tempo, tudo parecia ter voltado à normalidade. Dora sem dúvidas tinha recuperado sua alegria e brilho habituais, se bem que mesmo quando ausentes ela fingia alegria, mas não podia se comparar com como estava agora.

Como não podiam guardar segredo para sempre, e na verdade não tinham motivo para isso, confirmaram a todos a sua decisão de continuarem juntos como marido e mulher por tempo indeterminado. Os primeiros a saberem foram os senhores Tonks, que receberam a notícia com grande alegria, Andrômeda não deixava de abraçar a filha, dizendo que era a melhor coisa que poderia fazer enquanto Ted felicitava Remus de forma um pouco menos efusiva.

Depois cada um contou aos seus respectivos amigos. Como óbvio, Lily e James ficaram alegres, Julia e Susan também, e Sirius e Hollie gritaram de alegria e propuseram fazer uma festa onde o álcool correria como água. Todos concordaram que era algo digno de comemorar, mas não no estilo daqueles dois, foi muito difícil controlá-los quando se juntaram para conseguir a festa.

Parecia que tudo continuaria assim por muito tempo, mas na verdade as coisas mudariam bastante em pouco tempo.

Naquele fim de semana em vez da festa que Sirius e Hollie propuseram, decidiram realizar reuniões de gêneros. Ou seja, Dora, Andrômeda, Julia, Susan, Hollie e Lily se reuniram no apartamento das garotas, enquanto Remus, James, Sirius e Ted estavam na casa do primeiro. As mulheres estavam conversando animadamente até que as conversas foram para a comida.

— Bom, senhoras e senhoritas — disse Andrômeda — O que vamos comer?

— Eu quero sushi — comentou Julia, animada — Faz tempo que não comemos.

— Não é uma má ideia. O que acha, Dora? — perguntou Hollie.

— Não tô com muita vontade — ela admitiu — Não seria melhor cordeiro assado ou...

— Mas, Nymphadora, você odeia cordeiro — Andrômeda contestou na mesma hora, surpresa.

— Eu sei, mas deu vontade.

— Então isso é um "não" ao sushi, sei que é peixe cru, mas você gosta bastante do rolinho de atum, e... Dora, tá tudo bem?

A mulher tinha ficado um pouco pálida, depois disso levantou-se muito rápido e foi correndo até o banheiro. PreoDromeda e Lily ficaram intrigadas e preocupadas, então decidiram ir até o banheiro para ver o que tinha acontecido. As outras ficaram na sala estranhadas enquanto escutavam o som de arquejos vindo do outro lado da porta.

— O que deu nela? — perguntou Susan.

— Quem sabe — disse Hollie.

— Ela nunca gostou de sushi, mas é a primeira vez que vomita — acrescentou Julia.

Esperaram um pouco de tempo até que ela voltasse junto com a mãe e Lily, voltaram a sentar-se onde estavam e ela parecia um pouco melhor.

— Tudo bem, amiga? — perguntou Susan.

— Só um pouco enjoada — respondeu.

— Um pouco? Devolveu o seu estômago — retrucou Julia.

— Eu sei, mas não é a primeira vez, não me sinto bem esses dias, acho que devia ir ao hospital.

— Tem sentido enjoo esses dias? — perguntou Dromeda.

— Sim, principalmente de manhã.

— E está se sentindo cansada? — perguntou Lily.

— É, também — respondeu surpresa — Mas como...?

— E quer comer cordeiro mesmo que odeie? — ela assentiu.

— Sabem o que tá acontecendo? — Tonks perguntou um pouco impaciente.

— Talvez estejam insinuando que tem um parasito — comentou Julia, ganhando alguns olhares estranhos — É, um parasito que dura uns nove meses e que algumas pessoas dão nome e levam para o parque para brincar com outros parasitos.

— É o quê? — Nymphadora não entendeu nada.

— Querida — disse Andrômeda com calma —, seu ciclo menstrual tá normal?

— Por que a pergunta?

— Porque são sintomas clássicos de gravidez — disse Lily — Eu me senti assim quando tava grávida do Harry.

— Verdade — disse impressionada — Mas não, não é possível.

— Eu não teria tanta certeza, não acho que vocês dois passam a noite jogando xadrez, não é? — debochou Hollie.

— Não, mas mesmo assim, eu tomo anticoncepcionais pra... — ela parou de falar, lembrou-se das últimas semanas antes de Remus voltar da viagem.

— Dora — Susan chamou sua atenção —, nós temos o ciclo menstrual quase sincronizado. Eu menstruei faz quase uma semana, então... já desceu?

— Não — respondeu — E agora que eu tô pensando, faz mais de um mês que não tomo anticoncepcional, mas não pode ser... Remus e eu não planejamos...

— Isso nem sempre acontece — garantiu sua mãe — Olha, seu pai e eu queríamos ter um filho, mas nunca planejamos quando, e aí uma noite nos te concebemos e foi uma linda surpresa...

— Mãe, para de falar — ela pediu.

— Por quê? Não é como se você e Remus não...

— Nenhum filho quer escutar como foi "concebido" pelos seus pais! — Dora exclamou — Mas como pode ter certeza de que... bom...

— Só me dá vinte minutos. Não sejam cuzonas e deixem comida pra mim — e Hollie saiu do apartamento sem dizer mais nada.

Durante aquele tempo, as mulheres continuaram conversando e por pedido de Dora, retomaram o tema da comida. No final desistiram de pedir sushi e iam comprar o cordeiro que ela queria, e claro, as brincadeiras não faltaram. Depois de mais de vinte minutos, Hollie voltou com uma sacola branca.

— Certo, rosinha — ela tirou quatro caixas pequenas da sacola — São testes de gravidez caseiros, o mais recomendável é usar de manhã quando a urina está mais concentrada.

— E por que trouxe tantas? — perguntou a de cabelo rosa.

— Porque não são infalíveis, é melhor fazer mais de uma — ela tinha experiência com isso.

— Mesmo assim é melhor ir ao médico — disse Lily — Eu posso pedir uma consulta com uma médica muito boa, foi a que me atendeu durante minha gravidez.

— Ela tem razão. Acha que podemos ir na segunda? — perguntou Andrômeda.

— Eu vou ter que ligar pra perguntar.

— Faria um grande favor.

— Obrigada por perguntar a minha opinião — retrucou Dora, que ainda não tinha aceitado a ideia de ir se consultar.

— Desculpa — desculpou-se sua mãe.

— E esses testes, são confiáveis? — ela perguntou.

— Na maioria das vezes sim — respondeu Susan —, mas não são infalíveis, é melhor um teste de laboratório.

— E só posso fazer de manhã?

— É o melhor, a urina fica mais concentrada, mas em teoria pode fazer em qualquer hora... — o discurso de Hollie ficou no ar, pois Tonks pegou a sacola e foi correndo para o banheiro. Na verdade não ia poder se aguentar até o dia seguinte.

Meia hora depois a comida tinha chegado. Julia bateu o pé e pediu sushi só para ela, as outras, com exceção de Julia e Dora — que ia comer o cordeiro —, pediram pizza, já que não conseguiram chegar a um consenso. Todas estavam comendo com exceção de uma delas que não deixava de olhar para as quatro barras de plástico que estavam na frente dela.

— Dora, eu sei que isso é difícil, mas pode tirar essas coisas de cima da mesa? — pediu Susan — Estão usadas e é nojento você colocá-las onde tá comendo.

— Eu sei, mas eu ainda não consigo acreditar — exclamou a jovem.

— Relaxa — disse Julia — Sim, os quatro testes deram positivos, mas deixa isso de lado e vai comer, lembra que agora vai ser por dois — acrescentou com um sorriso travesso.

— Julia, não é hora para brincadeiras.

— Desculpe, Andrômeda, não pude evitar — defendeu-se.

— Eu já falei com minha amiga e ela disse que pode se receber na terça à tarde — comentou Lily.

— Eu não queria ir, mas vou precisar — Tonks resmungou — Pode ir comigo? — pediu para sua mãe.

— É claro que vou.

— Eu também posso ir, se quiser — ofereceu-se Hollie.

— Mesmo que não queira ir, vai poder nos contar a fofoca de primeira mão — comentou Julia.

Com essa brincadeira, deixaram o assunto de lado e continuaram com seu dia de garotas. Continuaram falando um pouco de muitas coisas e só de vez em quando Dora intervinha com algum comentário. Depois de toda aquela confusão, não podia deixar de pensar na grande possibilidade de estar grávida e como seria sua vida depois disso.

Já começava a anoitecer quando Lily deixou Nymphadora em sua casa e foi buscar seu marido. Tinha sido um dia bem agitado e sentia que só queria cair na cama e dormir. Remus a recebeu com um abraço e depois de despedir-se dos Potters, eles foram para a sala passar um tempo.

O castanho esteve contando como foi seu dia. Para variar, foram eles quem estiveram enchendo o saco de Sirius durante a tarde, principalmente perguntando sobre os seus sentimentos e sua relação com Hollie, mas ela não estava prestando muito a atenção.

— Dora, tá tudo bem? — perguntou a sua esposa.

— Hã?

— Perguntei se tá bem, estou te sentindo um pouco distante e distraída.

— Me desculpa, Remus, é que... muitas coisas na cabeça — justificou-se.

— Quer conversar sobre isso? — propôs um pouco preocupado.

— Sim. Não — corrigiu-se — Eu quero falar sobre isso, mas ainda não. É que tem uma coisa acontecendo, mas quero ter certeza antes de te falar.

— Mas tá tudo bem? — voltou a perguntar — Ultimamente parece cansada e outro dia parece que você vomitou.

— Não se preocupe, eu tô bem, não é nada sério — lhe garantiu — Remus, eu comi muito de tarde e na verdade tô sem fome. Eu vou me deitar um pouco.

— Tá bem, vamos — ele disse, pondo-se de pé.

— Não, você não precisa...

— Eu quero — a interrompeu — Vamos.

Momentos depois estavam deitados na cama, abraçados fortemente. Nymphadora voltou a refletir, há pouco tinha aceitado ficar com Remus por tempo indeterminado, mas ainda assim não tinha pensado na possibilidade de ser mãe, mesmo que fosse algo lógico de acontecer, não duvidava que ele seria um grande pai, e só esperava que ela também fosse.

A tarde de terça-feira chegou mais lentamente do que algumas pessoas esperavam. Dora, Andrômeda e Hollie chegaram ao hospital uma hora antes da consulta que Lily marcou. Fariam um teste de gravidez mais confiável para garantir que então fazer um check up para saber como estava e receber as recomendações necessárias para que continuasse sua gravidez e talvez marcar outra consulta de seguimento.

A médica era uma mulher um pouco gorda de cabelo escuro, as recebeu muito amável, pegou as amostras de sangue precisas e foi dizendo como levaria a vida agora. Deu várias recomendações sobre como seguir uma dieta balanceada e sugeria que comesse em poucas porções, mas de forma contada para evitar os enjoos.

A verdade é que as quatro se deram muito bem, e quando chegou o resultado, que deu positivo, a médica a parabenizou e depois de ajeitar algumas coisas, elas decidiram que seria a profissional que acompanharia a sua gravidez. Deu uns suplementos e vitaminas que precisaria e despediram-se.

Caminhavam pelo hospital em completo silêncio. Nymphadora ainda não podia acreditar que seria mãe, estava feliz, nervosa, ansiosa, preocupada, feliz, todo o tipo de sentimentos. Atrás, Andrômeda e Hollie acompanhavam-na de perto com sorrisos idênticos, cada uma lembrando de suas experiências passadas, apesar de só uma das lembranças ser feliz. Parecia que nada mais poderia acontecer naquele dia.

— Andrômeda? — escutaram uma voz de homem que reconheceram na mesma hora — Prima, Hollie, o que fazem aqui? — era Sirius Black que aproximava-se delas.

— Poderíamos perguntar o mesmo — Tonks ficou na defensiva.

— Vim para uma consulta de rotina, tá no contrato da construtora que façamos uma consulta anual. É irritante, mas útil — explicou-se — E vocês?

— Seguimento da minha mãe — ela mentiu.

— Sério? Mas ali é a maternidade, a oncologia é no... ai, meu Deus — ele ligou os pontos — Alguma de vocês tá grávida! — ele as deixou nervosas enquanto as analisava — Priminha? — chutou ao ver que ela segurava uma sacola de papel e pelas reações de nervosismo, teve sua resposta — Tá grávida do Aluado! Espera só eu contar pro James...

— Nem se atreva, Sirius Orion Black — disse Dora em um tom sombrio, aproximando-se dele — Remus não sabe e se souber por outra pessoa que não seja eu, você vai sofrer tanto que não faz ideia.

— Tá bem — ele levantou as mãos, se rendendo — Eu vou esperar que o Remus nos conte. Boca fechada, juro.

— É bom mesmo — acrescentou Hollie, aproximando-se dela — Calma, amiga, você precisa se acalmar.

— Uau, eu sei que já dissemos isso várias vezes, mas ainda é surpreendente que vocês serão pais

— Nem tanto. Ao contrário de outros, eles saberão como ser pais — alfinetou a mulher sem olhá-lo.

— Não sei o porquê, mas sinto que foi uma indireta.

— Claro que não, mas se a carapuça serve...

— Bom, é melhor nós irmos...

— Não, espera, Dromeda — Black a interrompeu — Exatamente o que quer dizer com isso? O que pretende insinuar?

— Nada, vamos — quis desviar o assunto e afastar-se, mas Sirius segurou a sua mão, impedindo-a.

— Espera, eu quero saber.

— Não, me solta!

— Não até que você... — não pôde terminar de falar porque Hollie lhe deu um tapa na cara e depois caminhou o mais rápido possível para afastar-se dele.

— Sirius, é melhor vir conosco — pediu Andrômeda, mas ele não a escutava.

Muitas vezes tinha discutido com aquela mulher, e sabia por experiência própria que nunca era tão explosiva. Seja lá o que estivesse escondendo, devia ser sério, e algo lhe dizia que precisava saber, então ignorando suas primas, começou a correr para alcançá-la.

— Isso não vai dar bom — comentou Dora, que começou a andar apressada com sua mãe.

Na frente do hospital tinha um jardim cheio de grama e árvores bem cuidadas. Hollie saiu correndo do edifício até chegar na árvore mais próxima, onde apoiou-se para recuperar o fôlego, isso tinha sido um pouco mais forte do que queria, talvez porque aquele assunto a deixava mais sensível do que o normal. Esperava que isso tivesse acabado assim, mas viu quando o moreno aproximou-se rapidamente de onde ela estava.

— Sirius, me deixa em paz — quis evitá-lo.

— Não — ele ficou na sua frente, impedindo-a de continuar andando — Olha, não importa o quanto você corra ou até onde vá, eu vou te seguir até me dizer o que tem de errado — disse confiante — Não costuma agir assim e quero saber o porquê.

— Quer saber? — vendo-se encurralada, encarou-o — Não é o tipo de pessoa que seria capaz de ser responsável, e muito menos um bom exemplo de pessoa ou pai.

— E como pode ter tanta certeza disso?

— Ah por favor, Sirius. Você põe a sua liberdade acima de tudo, só quer conseguir quantas mulheres puder — estava dizendo coisas que guardava há muito.

— Isso não é verdade — rebateu com pouca segurança na voz.

— Já esqueceu daquela vez que eu fui te ver depois que transamos bêbados no natal? — lembrou-o — Lembra do que aconteceu? Você nem me deixou falar e já começou com aquela estúpida filosofia, que o que vivemos era um erro e me expulsou dali.

— Eu me assustei, tá bem? E o que isso tem a ver...

— Porque eu fui te contar que tava grávida — disse de uma vez.

— O... Quê?

— Antes de ir te ver, eu fiz um teste de gravidez de farmácia, deu positivo e eu fui falar contigo, e viu como terminou — algumas lágrimas traiçoeiras começaram a surgir.

— Não, não é possível — ele ficou alterado — Você nunca esteve grávida.

— Não, uma semana depois fui ao hospital e descobriu que foi um falso positivo, mas você já tinha mostrado o tipo de pessoa que é.

— Isso não é verdade — disse com a voz falhando — Se realmente estivesse grávida, eu...

— Teria o quê? Assumido?

— Sim!

— E seria porque queria ou pra aliviar a consciência? — retrucou — Não diga mais nada, não importa — ela abaixou o olhar — Já sabe agora o porquê eu te odeio, agora me deixa em paz — e afastou-se dele, indo até onde devia ter estacionado o carro.

Sirius ficou impressionado com aquela revelação, estava apoiado sobre a mesma árvore, pensando em tudo. Sem poder conter-se, deu um soco na árvore, sentindo-se impotente. Andrômeda e Nymphadora tinham escutado e visto tudo à distância e foram aproximando-se com bastante calma.

— Sirius, tudo bem? — Andrômeda pôs uma mão no seu ombro.

— Não, eu sou um idiota.

— Tem alguma coisa que nós...

— Não — a interrompeu — Não, é o meu erro, sou o único que pode resolver. Parabéns, rosinha — acrescentou, virando-se para Dora para abraçá-la — Remus vai ficar muito feliz com a notícia — garantiu antes de afastar-se — Por favor, sejam felizes — e então foi até onde devia estar o seu carro.

Nas horas que se seguiram, as mulheres não puderam deixar de pensar em outra coisa que não fosse a cena que Sirius e Hollie tinham montado no jardim do hospital. Um grande segredo tinha sido revelado e não podiam dizer que foi o dia que tinham planejado. Apesar do que Black tinha dito sobre ser seu problemas, elas sabiam que teriam que fazer alguma coisa para ajudá-los. Dora queria fazer alguma coisa, mas teria que esperar até falar com seu marido, queria preparar algo especial para a noite. Nem todos os dias se podia dizer a alguém que ama que vão ser pais.