22 – Um Casal Peculiar
Ele a encontrou em pé, com as mãos apoiadas em sua mesa de trabalho, queixo tremendo e grandes lágrimas caindo de seus olhos. O sorriso que estava em seu rosto desapareceu imediatamente e ele correu para o lado dela e a abraçou. "Elizabeth, por que você está assim? Nada de grave aconteceu. Eu estou bem."
Lutando para falar em meio aos soluços, ela se afastou dele. "Você se machucou por minha causa."
Ele a pegou pelos braços, a guiou até o sofá e se ajoelhou em frente a ela. "Não... não foi por sua causa... isso aconteceu porque eu me distraí. Eu deveria prestar mais atenção."
Ela não conseguia olhar para ele. "Se distraiu porque estava preocupado comigo... se não fosse esse meu medo irracional... Eu sinto muito, William... por tudo... por mal interpretar você desde o início, por ser difícil cada vez que conversamos, por fazer você beber em Las Vegas e te convencer a se casar comigo..."
"NÃO! Eu não quero que você me peça desculpas, principalmente sobre Las Vegas... você não tem culpa de absolutamente nada." Darcy fechou os olhos com força. "Elizabeth, eu preciso falar com você sobre Las Vegas..." Ele começou a dizer, mas ela não permitiu que ele continuasse.
"É claro que é minha culpa... Se eu não fosse essa grande bagunça..." Ela soluçou apontando para ela mesma e sua voz quebrou na última palavra.
Darcy segurou o rosto dela com as duas mãos, a forçando olhar para ele. "Querida, você não é uma bagunça... E você sabe como eu sei isso?" Ele perguntou com um pequeno sorriso e ela apenas olhou para ele esperando a resposta. "Eu nunca me apaixonaria por uma bagunça... e eu sou tão completamente apaixonado por você..." Ele a beijou nos lábios delicadamente. "Eu te amo tanto, Elizabeth... tanto... Eu não conseguiria explicar a intensidade do amor que eu sinto por você, querida."
Elizabeth se agarrou a ele e eles se beijaram por um longo tempo, e quando o beijo terminou, eles se abraçaram agradecidos por aquele momento. "Eu também te amo, William. Eu fui uma tola por não reconhecer isso antes."
Ele olhou para ela com um enorme sorriso. Ele já era o homem mais bonito que ela tinha visto, mas naquele momento ele era a própria imagem da felicidade e ela guardaria para sempre a lembrança do rosto dele. Sem aviso, ele a agarrou pela cintura e a puxou para o chão, junto com ele, causando um grito de surpresa e uma gargalhada.
"Pronto! Eu não quero que você chore mais, Elizabeth. Você nasceu para rir. E eu vou dedicar meus dias para manter você feliz e sorrindo." Ele capturou os lábios dela novamente, girando seu corpo para que as costas dela estivessem no chão com ele pairando sobre ela. Suas mãos deslizaram pela lateral do corpo, acariciando livremente de uma forma que ele nunca se atreveu antes.
Elizabeth sabia que ele estava machucado e que provavelmente o médico recomendou descanso. Foi só por este motivo que ela o parou. "William... você está machucado..."
"Isso não é nada, Elizabeth." Ele afundou o rosto no pescoço dela, beijando e mordiscando, se deliciando ao escutar um gemido dela.
"Eu tenho certeza que o médico mandou você descansar..." Ela não queria parar, mas sabia que era o certo.
"Eles sempre recomendam isso..." Ele mudou para o outro lado e sorriu ao escutar um suspiro e sentir a mão dela apertar seus cabelos.
"Você levou pontos..." Ela tentou novamente seus fracos protestos, mas sabia o que era certo para ele. Ela queria cuidar dele como ele cuidou dela. "William... deixe eu cuidar de você. Eu não quero que você piore."
Ele parou tudo o que estava fazendo e colocou seu rosto em frente ao dela, com um sorriso bonito mostrando suas covinhas. "Você quer cuidar de mim?"
Ela riu. "Sim. Mas não como você está pensando. Eu quero tanto quanto você, William, mas você bateu a cabeça. O médico pediu que você ficasse em observação, não pediu?"
Ele revirou os olhos. "Sim..."
"E eu aposto que ele recomendou nada de atividades físicas, pelo menos hoje..." Ela arqueou uma sobrancelha.
Ele enterrou o rosto entre os seios dela, respirando fundo. "Sim..." Ele respondeu em um tom desanimado que a fez rir.
"Vamos obedecer ao médico, William... Nós temos tempo..." Ela disse como se estivesse consolando uma criança enquanto acariciava os cabelos dele.
Então, ele teve uma ideia. Ele levantou a cabeça para olhá-la novamente parecendo um pouco nervoso. "Elizabeth... eu queria perguntar isso há muito, muito tempo... você aceita jantar comigo? Como em um encontro? Amanhã?"
Ela sorriu e acariciou o rosto dele. "Sim, é claro que eu aceito..." Ela mordeu o lábio inferior. "Você quer me perguntar isso há quanto tempo?" Sua curiosidade foi despertada como nunca. Ela se lembrou de Charlote dizendo que ele na verdade gostava dela, mas ela nunca acreditou. Ela teria que dar o braço a torcer se sua amiga estivesse certa e escutaria provocações por toda a eternidade.
"Você ficaria chocada..." Ele escondeu o rosto novamente no vale dos seios dela, mas ela o puxou. Sua curiosidade levando a melhor.
"Desde quando?"
"Acho que desde a primeira vez que nós nos vimos e eu estraguei tudo." Ele respondeu de olhos fechados.
Elizabeth bufou. "Ah, por favor... eu não te impressionei. 'Meramente tolerável'... " Ela o imitou fazendo uma voz grossa.
Darcy gemeu. "Quando eu falei isso eu ainda não tinha te visto... isso era uma resposta padrão para todas as vezes que Bingley tentou me forçar a dançar com alguém... quando eu vi você, eu tive que morder minha língua... e aproveitando que estamos conversando sobre isso, meu segundo insulto foi totalmente inconsciente. Eu não estava prestando atenção nem na conversa de vocês e nem na TV... Deus, eu não conseguia tirar os olhos de você... você estava tão linda... e para disfarçar eu falei o que me veio na cabeça sem nem ao menos saber do que se tratava..."
Elizabeth começou a rir até escorrerem lágrimas de seus olhos. "Eu não acredito que nossos desentendimentos foram por causa disso... William, todas as nossas interações posteriores foram moldadas por esses dois comentários... Nós somos dois tolos."
Darcy riu esfregando o rosto na curva do pescoço dela. "Mas a culpa não é só minha. O que deu na sua cabeça para usar aquele vestido, Elizabeth? Eu me transformei em um adolescente com tesão descontrolado quando olhei para suas costas... Meu cérebro literalmente travou."
Ela riu ainda mais. "A intenção foi exatamente essa."
Ele levantou a cabeça e a fitou com olhos estreitos, mas sorridentes. "Ah, então você estava tentando me provocar."
"Eu estava tentando provar que não era 'meramente tolerável', e eu provei." Ela respondeu com o queixo erguido.
"E você nem sabia que não precisava provar nada..." Ele distribuiu mordidas no pescoço dela, a fazendo gritar e rir.
Quando ele parou, Elizabeth acariciou o rosto dele. "Quando você se apaixonou por mim?"
Ele a olhava daquela forma intensa e ela finalmente entendeu o que significava. "Aproximadamente três segundos depois de olhar para você. Eu estava perdido e eu sabia. Eu mendigava informações sobre você para o Bingley em cada oportunidade e tentava parecer indiferente..." Ele balançou a cabeça. "Eu fui um tolo... eu queria voltar atrás e fazer tudo certo... Eu sonhei mil vezes, Elizabeth, mil vezes eu imaginei os eventos do dia em que nos conhecemos de maneira diferente..."
Ela olhava para o rosto dele pairando sobre o dela carinhosamente, seus dedos traçavam cada característica que ela amava. "O que você imaginava?"
O rosto dele estava sério e ele fechou os olhos sentindo as carícias dela. "Eu imaginava Bingley perguntando se eu queria ser apresentado a você, mas dessa vez eu olhava para você e me apressava em concordar. Eu imaginava te chamar para dançar, perguntar seu nome e me apegar em cada palavra que você falava. Eu imaginava não ser capaz de me separar de você até chegar a hora de ir embora. Eu imaginava pedir seu número de celular e não conseguir esperar um dia inteiro para ligar. Eu imaginava que eu não suportaria esperar você voltar de Washington, então, eu pegaria um avião para te encontrar. Eu imaginava pedir um encontro e você dizendo sim... e que no fim da noite do encontro, você aceitava meu beijo. Eu imaginava que nenhum de nós dois aguentaria esperar mais tempo para assumir um namoro. Eu imaginava pedir você em casamento no nosso aniversário de seis meses. Eu imaginava você caminhando na minha direção com um lindo vestido e prometer me amar para sempre. Eu imaginei nossa vida inteira, Elizabeth... Toda a felicidade que eu sei que nós teremos."
Ele abriu os olhos para a imagem dos olhos dela marejados e um sorrido sonhador em seus lábios. "Eu fiz você chorar de novo?" Ele perguntou, delicadamente retirando uma lágrima do canto dos olhos dela com o dedo indicador.
"Lágrimas felizes..." Ela sussurrou com um sorriso ainda maior.
"E quando você se apaixonou por mim...? Você sabe, eu também preciso ter meu ego acariciado." Ele abaixou o rosto para colocar um beijo nos lábios dela.
Elizabeth pensou por um momento fugaz e riu. "Você mexeu comigo desde o primeiro momento, mas eu me convenci que te odiava... Charlote dizia que eu falava demais sobre você. Você me irritava tanto, William, mas eu simplesmente não conseguia me afastar, e todas as vezes que você não nos acompanhava nos nossos encontros eu ficava secretamente decepcionada, mas nunca admitiria isso... eu não sei exatamente quando me apaixonei por você, eu não tenho ideia quando começou, mas eu sei o momento exato que eu descobri e me desesperei..."
Darcy estava prestando atenção em cada palavra que ela falava e quando ela fez uma pausa, fechou os olhos e balançou a cabeça, ele sentia seu corpo ansiar para ela continuar.
"Quando eu pedi que você me beijasse no baile dos Rodwell... William, eu soube, naquele momento, que eu estava completamente perdida... alguns dias depois, você me encontrou aqui, respirando profundamente com as mãos no rosto, lembra?"
"Sua dor de cabeça..."
"Não... meu ataque de pânico. O primeiro em muitos anos." Ele estreitou os olhos e ela continuou. "Eu me dei conta que o nosso tempo era limitado, que eu teria que voltar para o meu apartamento... sem você... eu tentei domar meu coração, William, mas eu o tinha perdido para você há muito mais tempo do que eu sabia."
Ele encostou a testa na dela. "Eu sinto muito, querida... se pelo menos eu tivesse coragem de me declarar antes, se eu conseguisse dizer as palavras certas..."
"Não, William... talvez eu não estivesse preparada para receber seu amor antes... eu poderia cometer o maior erro da minha vida e recusar você por puro orgulho e me arrepender amargamente. Vamos pensar que tudo aconteceu exatamente como deveria, e que agora nós temos a oportunidade de levar felicidade para a vida um do outro." Ela se agarrou a ele e respirou fundo sentindo o seu cheiro... "Sândalo... eu sempre amei o seu cheiro..." Ela sussurrou.
Ele enterrou o rosto no pescoço dela e aspirou o perfume. "Jasmim e rosas... a combinação perfeita para a mais linda mulher que eu já vi..."
Darcy pegou uma das almofadas do sofá, e colocou sob a cabeça de Elizabeth. Eles ficaram se olhando, trocando carícias e beijos, até Elizabeth rir baixinho.
"O que é engraçado?" Ele perguntou sorrindo, adorando vê-la tão tranquila mesmo que fosse possível perceber que a chuva tinha recomeçado.
"Eu estou vendo cada encontro que nós tivemos antes desse casamento sob uma luz diferente..." Elizabeth mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça. "Você realmente queria dançar comigo no baile da sua tia..."
Darcy riu um pouco triste. "Sim... mais do que qualquer coisa. Eu vi você chegando aquela noite, tão bonita, com um sorriso fácil para todo mundo. Eu tinha decidido que seria o homem mais galante possível e que naquela noite eu mudaria a forma que você olhava para mim..."
"E eu estraguei tudo achando que você estava me esnobando... que estava mostrando que sua família era superior porque tinha poder para contratar aquele quarteto de cordas famoso..." Elizabeth sentia seu rosto corado. Se castigando novamente por não perceber as intenções dele antes.
Darcy fez uma careta e mordeu o lábio inferior, um pouco constrangido. "Na verdade... fui eu quem contratei aquele quarteto de cordas... eu escutei você falar um dia para a Jane o quanto queria assistir a uma apresentação deles. Então, eu verifiquei a agenda deles, mas não havia nenhum show programado para o nosso país... eu tive que contratá-los para você."
Elizabeth arregalou os olhos, mortificada. "OH, MEU DEUS..." Ela escondeu o próprio rosto com as mãos. "Como, William? Como você ainda gosta de mim? Isso sempre vai ser um mistério..."
"Eu amo você... não existe escolha, Elizabeth. Nunca existiu." Ele respondeu puxando as mãos do rosto dela. "Está tudo bem... eu não fui feliz com as minhas palavras aquela noite... aliás, eu não fui muito feliz com palavras e ações aquele ano inteiro... e minha tia também não ajudou muito..."
Os pensamentos de Elizabeth estavam em alvoroço, várias conversas e discussões que eles tiveram no passado passando por sua mente. "A praia! Eu tenho certeza que pelo menos na praia você estava com raiva de mim... você me encarou com desprezo o tempo todo. Eu sabia que os biquínis que eu estava usando eram um pouco mais reveladores do que nós estamos acostumados, mas não eram vulgares... eu tentei trocar por um mais recatado, mas você continuava me encarando com aquela carranca eterna..."
Darcy escondeu novamente o rosto entre os seios dela e gemeu. "Elizabeth... eu fiquei todos aqueles dias em um estado desconfortável para um homem ficar em público... eu estava com uma carranca porque eu não podia nem ficar em pé ao seu lado sem revelar minha situação para todo mundo que estava ao redor..."
Elizabeth estreitou os olhos confusa por um momento, e então, os arregalou quando se deu conta do significado das palavras dele e começou a rir.
"Isso não tem graça." Ele a olhou aborrecido.
Ela se forçou a parar e se lembrou de outra coisa. "Quando você me carregou até a casa de praia do Charles depois que eu me machuquei... você mal respirava direito e virou o rosto o mais longe possível de mim... eu achei que eu estivesse fedendo. Sem contar que você andava como se estivesse marchando, todo tenso. E então, quando nós chegamos, você praticamente fugiu da sala correndo."
Darcy olhou bem dentro dos olhos dela, decidido a ser o mais sincero possível. "Primeiro: eu mal respirava porque seu cheiro é delicioso demais e mexe comigo desde a primeira vez que eu senti... Segundo: eu estava com o rosto o mais distante possível porque você estava roçando os seus peitos em mim e eu estava fazendo um esforço gigantesco para não babar sobre eles como um tarado. Terceiro: eu estava andando todo tenso porque você nunca vai saber o quanto é difícil andar com uma ereção enorme entre as pernas. E por último... eu saí correndo da sala porque eu não queria que você percebesse como eu estava e... eu precisava me aliviar, se é que você me entende."
Elizabeth arregalou os olhos e em seguida os estreitou. "Eu não estava esfregando os meu peitos em você."
"Há, você estava sim... você pode não ter percebido, mas estava." Ele se afastou um pouco e abriu alguns botões da camisa dela, expondo os seios vestidos com um sutiã de renda azul. "Ahhhhhh... olha para vocês dois... nós estamos nos olhando de longe por um longo tempo... nós três precisamos nos conhecer intimamente..."
Elizabeth ria tanto que seus olhos escorriam lágrimas. "Você está conversando com os meus seios?"
"Shhhhh... é rude interromper uma conversa..." Ele passou a ponta dos dedos sobre a pele dos seios dela, em seguida, segurou um com uma das mãos. "Hummmmm... exatamente como eu imaginei... transbordando da minha mão..." Ele lambeu os lábios e abaixou o rosto, colocando alguns beijos delicados sobre os seios dela. "Nós vamos nos divertir muito juntos..."
"Você vai me excluir para conversar com eles todas as vezes?" Ela perguntou em diversão.
"Não... você sempre vai ser incluída... você vai gostar de me assistir brincando com eles..." Ele respondeu com um pequeno sorriso, olhando rapidamente para ela e voltando sua atenção para os seios. "E eu ainda preciso ter uma conversa séria com o seu traseiro... muito séria..."
"E qual é a ofensa que você tem contra o meu traseiro?" Ela perguntou, amando conhecer o lado brincalhão dele.
"Ele tem me provocado esse tempo todo. Sempre balançando de um lado para o outro na minha frente... como se fosse um pêndulo hipnótico..." Ele respondeu enquanto passava o rosto entre um seio e o outro.
Elizabeth gargalhava. "Eu nunca, nem em um milhão de anos imaginei o frio e sério Sr. Darcy falando esses absurdos..."
Ele estava eufórico, amando ser o responsável pela risada e diversão dela. Nenhum som no mundo era mais bonito do que a risada cheia e quente de Elizabeth. Ele distribuiu beijos pelo decote aberto dela, o pescoço, o queixo, até estar novamente com o rosto posicionado sobre o dela. "O que mais você quer esclarecer?"
"Eu poderia continuar a noite inteira lembrando das brigas ridículas que nós tivemos... mas acho que eu só descobriria o quanto eu fui cega durante esse tempo todo..." Elizabeth respondeu meio em diversão e meio em tristeza. Eles perderam tanto tempo!
Ele sorriu, acariciando o rosto dela e a olhando com amor. "Eu não quero que esse casamento acabe... eu nunca quis... nós estamos bem agora, não estamos?"
"Estamos melhor do que bem..." Ela ergueu um pouco o rosto para receber mais um beijo. Diminuindo um pouco a intensidade quando percebeu que ele estava novamente perdendo o controle. Naquela noite, eles não poderiam demonstrar o amor que sentiam um pelo outro como gostariam, e seria doloroso parar se ela se deixasse levar. E era tão fácil esquecer que ele estava machucado quando ele a beijava daquele jeito.
Darcy começou a rir contra os lábios dela e ela se afastou o olhando com uma sobrancelha arqueada. "Você não estava fingindo no sábado quando estávamos na boate..." Ele finalmente se deu conta.
Elizabeth sentiu o rosto quente e corado e desviou os olhos, subitamente tímida. "Não... eu não estava..."
Ele roçou os lábios do queixo dela até a orelha para sussurrar. "Quando eu me despedi de você na porta do quarto... se ao invés de beijar a sua testa, eu tivesse beijado a sua boca... como você reagiria?"
Elizabeth sentia seus olhos revirarem com o pensamento. Ela teve dificuldade para dormir aquela noite e mais de uma vez ela pensou em passar por aquela maldita porta tentadora entre os quartos dos dois. Virando um pouco o rosto para que sua boca ficasse próxima do ouvido dele, ela sussurrou sua resposta. "Eu faria amor com você no meio daquele corredor... sem me importar com nada. E depois eu arrastaria você para o quarto e faria amor com você de novo... e em seguida, eu insistiria para você tomar um banho comigo... onde eu devoraria você inteiro..."
Darcy congelou por um momento, não esperando aquela resposta, ele sentia seu corpo reagir e seu coração disparar. Com um gemido que mais parecia um rosnado, ele a atacou com beijos ainda mais profundos, deitando-se sobre ela e se deleitando com o quanto ela respondia com igual paixão.
Eles perderam a noção de tempo e só voltaram a realidade quando escutaram uma batida na porta. Eles se separaram ofegantes e Darcy pediu um momento enquanto Elizabeth fechava os botões da própria camisa e ele organizava suas roupas e seu cabelo. Elizabeth olhou para ele e sorriu. "Desculpa... eu me deixei levar... você precisa descansar..."
Darcy olhou para ela quase suplicante, implorando para ela deixar de lado as ordens do médico.
"Não! Você está se sentindo bem porque está sob medicação... eu não quero que você piore." Ela declarou sem permitir que ele a convencesse do contrário.
Darcy respirou fundo e pediu que quem quer que bateu na porta entrasse. A Sra. Reynolds colocou a cabeça para dentro da sala e, vendo os dois juntos e deitados lado a lado no chão, riu e balançou a cabeça. "O jantar está pronto... Eu pedi para Hill fazer uma comida bem leve."
Eles estavam se levantando quando escutaram o sussurro da Sra. Reynolds saindo da sala. "Até que enfim..." ela disse e eles caíram na risada.
"Eu me pergunto quantas pessoas vão falar exatamente isso quando nós assumirmos..." Ele deixou a frase incompleta e pensou por um momento. "O que nós somos?" Ele não soube como terminar e os olhos de Elizabeth brilharam.
"Nós somos um casal que se casa, depois se torna amigos e depois começa a namorar... nós somos dois esquisitos..." Ela constatou com uma gargalhada.
"Esquisitos não, Elizabeth... Peculiares." Ele a corrigiu rindo.
"Isso soa muito melhor..." Ela respondeu e passou os braços ao redor dele. "Vamos jantar... depois você vai tomar um banho e nós vamos para a cama..."
O sorriso dele ficou maior e ele balançou as sobrancelhas para ela de forma bem sugestiva.
"Dormir, William... nós vamos dormir." Ela o corrigiu rapidamente com humor.
"Você vai me deixar sozinho?" Ele perguntou com um rosto triste.
"Oh, William, não faça drama... é claro que eu vou dormir com você." Suavizando a voz, ela continuou. "Eu disse que queria cuidar de você, e eu vou cuidar."
Ele sorriu e a abraçou apertado. "Obrigado. Você não tem ideia do quanto isso significa para mim."
"Você fez o mesmo por mim... não é necessário agradecer. É um prazer e um privilégio." Ela ficou na ponta dos pés para um beijo nos lábios. "Vamos jantar..."
