Naruto, obviamente não me pertence.
A partir desse capítulo, teremos o Sasuke narrando.
Espero que curtam ler as coisas pela visão dele.
"Ter um irmão é como ter um guardião das suas melhores recordações".
Capítulo 24 – Irmãos.
A vida é uma caixinha de surpresas. Depois de tanto tempo, me encontrava vivendo uma nova paixão. Se há alguns meses me perguntassem se estaria disposto a abrir meu coração para um novo amor, a resposta, com certeza, seria não. Eu poderia me imaginar indo para a Holanda sozinho, ter uma reunião chata, mas nunca pensei que estaria indo apaixonado pela minha acompanhante e assistente.
Estava me sentindo vivo. Depois de Tenten, ninguém havia mexido comigo como Sakura. Aquela pequena parte que havia morrido jundo do meu passado estava ressuscitando aos poucos. Entretanto, o sentimento era diferente, é claro. Tente e Sakura são mulheres completamente distintas, mas o fato é que eu não pensei que me apaixonaria novamente.
Apesar de nunca ter me envolvido com ninguém depois de Tente, não vou ser hipócrita e omitir certas situações, como por exemplo: eu tive meus dias de farra, incentivado pelo meu cunhado, confesso que flertei algumas vezes, mas nada que realmente tocasse a minha alma, até agora.
Tenten foi a primeira mulher da minha vida, a primeira e a única que eu disse eu temo, a única com quem eu queria passar o resto dos meus dias e a única que eu queria que fosse minha, como os meus pensamentos estavam mudados agora. O meu mundo virou de cabeça para baixo quando cheguei no escritório e entrevistei Haruno Sakura.
Na época, estava desesperado por uma recepcionista. Tsunade estava com muito trabalho acumulado por fazer duas funções ao mesmo tempo e ela não tinha idade para ficar se sacrificando dessa forma. Fiz várias entrevistas, mas nenhuma prestava e quando já estava desistindo, Ino indicou uma amiga para o cargo. Quando eu entrei no escritório com o meu irmão e cunhado vi uma moça linda em um vestido extremamente extravagante olhando admirada para os quadros favoritos de meu pai.
De imediato, eu pensei que fosse alguma cliente, mas quando Ino me disse que aquela era a sua amiga, meu coração quase saiu pela boca. Minhas pernas começaram a tremer. Eu estava me sentindo vivo novamente. Ino a chamou várias vezes, mas a mulher de cabelos rosas estava tão intrigada com os quadros que a ignorou por completo. Senti muita vontade de ir até ela e tocá-la, mas não podia fazê-lo. Não era o correto.
Tive que me contentar em ver Ino fazer exatamente aquilo que eu queria fazer. Sua mão tocou o ombro da garota e ela se virou na nossa direção e minha respiração ficou presa na garganta com aquele olhar penetrante e verde. Minha cabeça era uma confusão só. O desejo de tocar a pele dela, beijar os lábios rosados e cheirar o doce perfume que exalava de sua pele me atormentou durante todo o dia.
Quando ela entrou na minha sala, ficou evidente que estava nervosa, mas isso não afetou o seu desempenho na entrevista. Pelo contrário, ela se saiu muito bem e não se assustou quando eu comecei testá-la em outros idiomas. Na metade da entrevista eu já sabia que Sakura era a cara da Uchiha's. Além de querer ela do meu lado para sempre.
Aqueles olhos verdes enigmáticos e misteriosos guardavam algum tipo de segredo que eu estava disposto a descobrir. Contudo, um alerta gritava em minha cabeça me dizendo o quanto era perigoso me envolver com outra mulher. Eu não podia. Não podia envolver Sakura nos meus problemas, era perigoso demais para ela e eu não estava disposto a perder mais ninguém.
O que eu mais gostava em Sakura era que ela não tinha medo de mim, muito pelo contrário, de quase todos os funcionários que eu tinha, Sakura era a que mais me enfrentava. Sua leveza e alegria me contagiava e me fazia querer ser assim também, pra ela e por mim mesmo. Tinha sempre uma resposta na ponta da língua, sabia o que dizer e quando dizer. Me desafiava a querer saber mais dela, a querer desvendá-la. Eu não me cansava dela.
Quando Tsunade morreu e ela se tornou a minha assistente às coisas mudaram consideravelmente. Estar tão próximo a ela era incrível. Sakura me trazia paz, sossego era como a calmaria depois da tempestade. Antes dela eu não vivia, eu sobrevivia, depois que a conheci, o gosto pela vida se tornou presente mais uma vez no meu dia a dia.
Agora ela estava deitada em meus braços, o seu calor me acalmava, assim como o perfume de sua pele. Antigamente, nem mesmo Tente tinha a capacidade de me acalmar durante uma decolagem, mas ela conseguiu. Ela conseguia qualquer coisa. Mudei a minha vida com a sua chegada e mesmo que fosse errado, mesmo que fosse perigoso, eu não queria mudar com sua partida.
Meus pais começaram a perceber que havia algo diferente em mim, meu irmão estava feliz com a minha mudança e minha cunhada parecia radiante em me ver abrindo o coração mais uma vez, mas foi minha avó que me fez dar uma chance a mim mesmo. Ela segurou o meu rosto com as duas mãos e sussurrou: — Meu querido, por mais que o seu coração ainda esteja machucado pelo que aconteceu no passado, não tenha medo de seguir em frente. A vida está sempre abrindo portas, precisamos saber a hora de aproveitar as oportunidades que a mesmo nos dá, pois quando a mesma passar, não terá retorno.
Aquelas palavras aqueceram o meu coração e eu pude chorar nos braços da minha avó como há muito tempo não havia feito. Outra pessoa que passou a me perturbar por causa de Sakura, foi Naruto. Ele soube de imediato, assim que percebeu a forma como eu a olhava.
— Ela é uma boa mulher, é jovem, mas ainda sim uma mulher que vale a pena — ele falou com um sorriso. Seus olhos azuis avaliavam a minha expressão facial esperando qualquer vestígio de sentimento que eu pudesse deixar transparecer.
— Ela quem? — perguntei, fazendo de conta que não sabia o que ele estava falando.
— A Xuxa — debochou.
— Esquece isso. Não está rolando nada e nem vai rolar.
— Tem certeza? — ele estreitou os olhos em minha direção — E o que eu ouvi hoje?
— O que você ouviu?
— Que você está apaixonado por ela — suspirei vencido.
— Eu não devia ter dito isso, você sabe. Só vai complicar as coisas ainda mais.
— Deixa de ser chato. Só vai complicar se você quiser — ele cruzou os braços e me encarou com as sobrancelhas erguidas — Cara, tem tanto tempo que eu não te vejo assim. Não entendo por que você não pode ficar com ela.
— Tem certeza que você não entende? — falei sem desviar minha atenção do trânsito.
— Cara, já tem dez anos. Você não pode parar a sua vida assim, você tem que tentar de novo. Pelo amor dos deuses, você merece ser feliz. — a frustração na voz de Naruto era palpável. — estou fazendo o mesmo. — sua voz saiu mais baixa.
— Não é fácil.
— Claro que é. Só quem pode decidir se vai ser ou não feliz é você. — ele me encarou e seus olhos azuis estavam levemente marejados. Naruto não era de chorar, mas eu entendia que falar sobre aquilo era tão doloroso para mim quanto para ele — Só depende da gente. Você está tendo a oportunidade de ser feliz pela segunda vez, mas está escolhendo errado, meu amigo.
— E você quer que eu faça o quê? — parei o carro no acostamento e o encarei — Eu vou lá, a gente namora, casa, ela engravida e aparece um lunático de merda que dá um tiro nela. — desabafei. — Não vou aguentar perder a mulher que eu amo e mais um filho, você sabe que eu perdi dois!
Naruto me encarou com os olhos cheios de lágrimas. Eu pensei que ele fosse me bater, mas não o fez. Seus punhos se fecharam e antes dele falar qualquer coisa, notei que respirou fundo.
— Você não foi o único que perdeu alguém. — sua voz saiu baixa e calma demais pro meu gosto — Eu perdi a minha irmã naquele dia, eu perdi dois sobrinhos. Não vou falar que a minha dor é maior que a sua, mas, com certeza, direi que se eu consegui superar, você consegue. Ela odiaria saber que você não seguiu com a sua vida.
As palavras dele me acertaram em cheio. A poiei a cabeça no volante tentando controlar as minhas emoções. Meu amigo estava certo. Eu não tinha sido o único a ser destruído naquela noite. Naruto e sua família haviam perdido também. Ele perdeu sua irmã e sua mãe perdeu uma filha, além dos dois netos.
— Além do mais — ele tornou a falar — Isso não vai acontecer mais, graças a Karin. Orochimaru está preso. Ele nunca mais vai chegar perto de você ou de quem você ama.
— Infelizmente isso não muda o que aconteceu. Orochimaru só puxou o gatilho, mas o culpado fui eu. Eu casei aquilo tudo. Graças a mim, Tenten e minha irmã estão mortas e a minha mãe quase morreu também. Eu quase perdi tudo. A culpa é toda minha.
— Você está se ouvindo? Tem noção do que está falando? Foi aquele babaca do Orochimaru que matou as duas e não você. Você não pode se responsabilizar por algo que não lhe cabe. — Naruto estava a ponto de gritar comigo.
— Foi por minha causa — não tinha me dado conta que estava chorando.
Naruto suspirou alto e fechou os olhos. Seu corpo encostou no banco do carona e eu pude escutar ele contar para se acalmar.
— Você sabe que eu te amo, você é muito mais que um amigo, é meu irmão. O irmão que a vida me deu, mas tem horas que me dá vontade de te dar um soco para ver se você acorda.
— Bonita forma de demostrar o seu carinho por mim — brinquei entre um fungar e outro, mas ele não riu.
