⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[Aokigahara - Caverna congelada aos pés do Monte Hakurei]
*Pov. Kikyou*
Estava claro que nem Orochi, nem Naraku me contariam os detalhes sobre o que planejavam.
Me diziam apenas o que eu deveria fazer, de quem deveria me aproximar e como executar o plano em uma certa miko para que tudo funcionasse de acordo com o desejo deles.
Eu apenas ouvia a tudo, absorvendo toda informação que recebia.
Ter apenas uma alma por dia me fazia mais fraca, e eu precisava de poupar forças para caso fosse necessário.
Do canto da sala, esperei que Orochi se afastasse, como ele sempre fazia após se reunir com Naraku, nos deixando a sós.
Olhei para o hanyou. Naraku mantinha o sorriso falso e aparentemente divertido de sempre, e me ignorar era uma de suas prioridades desde a última vez, em que segurou minhas mãos.
A sensação de que algo nele teria mudado não passava. Mas mais importante que isso, eu tinha uma pergunta crucial a fazer.
– Naraku. – o chamei, de forma baixa. Orochi poderia ainda estar por perto.
Ele não se virou, mas parou o recipiente com saquê a centímetros da boca, me olhando com o canto dos olhos e assumindo uma face séria, como se adivinhasse do que se tratava o assunto.
– Eu o conheço o suficiente para saber que você não se deixaria ser ordenado. Pelo menos, não da forma como eu vejo que ele o comanda.
Esperei que ele esboçasse alguma reação.
Como não teve nenhuma, continuei.
– Obviamente ele é de um nível diferente de qualquer youkai que eu já tenha enfrentado e que você já tenha conhecido, Naraku. Isso me faz pensar que você teve de mudar seus planos no meio do caminho, do que realmente planejava no início. Estou certa, Naraku? – dei ênfase no nome dele dessa vez, ato que o fez levantar uma sobrancelha.
Ele terminou o trajeto do recipiente em mãos para a boca, apenas provando do líquido e repousando o objeto de volta a mesa.
Senti a brusca mudança no youki dele, que ele forçou a acalmar, como se nada que o deixava enfurecido tivesse sido dito.
– Curioso. Está interessada em mim, querida Kikyou? – desviou, colocando o sorriso nos lábios.
– Estou.
Fazia tempo que não via choque sendo transmitido pelos olhos de Naraku.
Era verdade que eu estava interessada.
O hanyou aranha sempre agia de forma que favorecesse a si próprio.
E aquela parceria com Orochi? Eu simplesmente não via como isso o traria alguma vantagem, além, é claro, do poder absurdo que o daiyoukai possuía e que Naraku na certa desejava ter para ele.
– Os únicos objetivos de Orochi são os de vingança, sua mente está presa ao passado. Mas você. Eu sei aonde reside sua obsessão.
Parei de falar, apenas para observar um pouco sua reação antes de continuar. Ele permanecia impassível.
– Poder, controle, ter a certeza de que nada nem ninguém estará em seu caminho, nem mesmo você. Provou isso tentando se livrar de seu coração humano uma vez. Então, me diga, o que realmente planeja? O que espera conseguir desse jogo que os dois estão jogando? É uma brincadeira perigosa essa que está fazendo. Ele é muito mais inteligente do que pensa, Naraku. E sua alma é apenas ódio, puro e cego ódio.
Uma sonora e alta risada.
Me mantive séria, esperando que seu surto terminasse. Naraku se aproximou, ajoelhando-se em uma perna a minha frente.
Mantive minha expressão vazia, diante aquela frequente tentativa de se aproximar. Ele não esboçou nada por um tempo, apenas me encarou.
Tempo este, que percebi o que ele realmente fazia. Naraku estava a levantar uma barreira em volta daquele quarto, e seu dedo indicador acima dos lábios, me pedia silêncio.
Quis rir daquilo, não me importava de fato em ser pega.
Ao fim, ele se sentou, me analisando.
– Inicialmente eu pretendia absorver o corpo de Orochi, ele sabe disso. Não foi nada fácil convencer o youkai serpente de que eu poderia ser útil à ele em sua vingança tola. Está certa, Kikyou, eu viso apenas o poder, e o de Orochi é magnífico. Mas não sou estúpido. Forçar que ele se entregue à mim? Claramente eu perderia. Mais fácil jogar Orochi em uma luta perdida e, aproveitar a chance.
Fiquei chocada por alguns segundos.
Não apenas por Naraku achar que o daiyoukai cairia nessa jogada estúpida, mas também...se aquela era uma batalha perdida, então o que eu estava fazendo ali? E se Naraku; mesmo com um plano falho desse, conseguir absorver o corpo de Orochi...
– Querida Kikyou, está com dúvidas? Se desejares, eu posso te libertar de nossa...– molhou os lábios, em uma pausa. – ...sociedade.
Mentiroso.
– Mas é claro que não. Irei cumprir minha parte do acordo.
Naraku não respondeu e eu tampouco quis prosseguir com o assunto.
Um de seus insetos, Saimyousho, se aproximou e quando Naraku lhe deu atenção, sua expressão mudou para uma de raiva. Mas logo se formou um sorriso pretensioso nos lábios.
O hanyou aranha me olhou mais uma vez.
– Parece que um dos nossos foi capturado.
– E mesmo assim consegue sorrir dessa forma? Não se importa com a vida de seus aliados. Não é, Naraku?
– Sabe bem, querida Kikyou, o que realmente me importa.
Sua barreira se desfez e, eu levantei e saí da sala assim que ele a dissipou.
Maldito Naraku.
Eu tinha esperança de que não fosse o menino humano que ele mantinha vivo com um fragmento da jóia; que tivesse sido pego em sua espionagem.
Desde o começo eu sabia que não poderia recusar me aliar ao hanyou. Por mais que quisesse mesmo fazer parte daquilo.
Foi por conta daquela sensação, que aceitei, a sensação que tive quando conheci Orochi.
A sensação de que ele teria apenas evaporado meu corpo se eu me negasse a ajudar os dois, sem nenhum peso na consciência.
E agora que eu sabia do que ele era capaz. Era só questão de tempo.
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[Oeste - Arredores do Castelo - Floresta]
*Pov. Autora*
Kohaku evitava a todo custo encontrar com Sango.
Ser visto pelos insetos de Naraku com ela poria todo seu esforço a perder e, isso era algo que ele não poderia permitir. Se tudo desse certo, eles poderiam se livrar não só de um mal, mas de dois.
Era difícil se desvencilhar dos guardas, especialmente dos Quatro Sanguinários que pareciam estar ainda mais decididos em encontrar o jovem invasor.
Dando uma olhada em volta para ter certeza de que era seguro, ele desceu da árvore de onde estivera vigiando.
Naraku havia solicitado informações a respeito da segurança do castelo, número de guardas, movimento diário, tanto youkais quanto humanos que estivessem no território de Sesshoumaru; entre outros detalhes internos.
Um remexer de folhas o fez olhar na direção de onde viera o barulho e sorriu ao ver de quem se tratava.
– O que faz aqui, Kirara?
A gatinha youkai de fogo miou, se enroscando nas pernas de Kohaku, e ele se abaixou para pegá-la nos braços.
Ele suspirou após acariciá-la. Sabia que sua irmã estaria por ali em breve. E ele se sentia indeciso sobre escapar ou ficar. No fim das contas, a saudade apertava.
Em contrapartida, Sango o procurava mata a dentro, com o auxílio do pequeno Shippou.
Nenhum dos dois quis avisar seus amigos de sua busca, com medo do que poderia acontecer ao garoto. Se chamassem muita atenção, seria difícil encontrar Kohaku sem colocá-lo em perigo.
Shippou ainda não era tão bom em localizar pelo cheiro, mas se esforçava ao máximo em seguir o aroma da youkai gato e, com o máximo de cuidado para não fazer barulho, guiava Sango na direção que ele acreditava ser a correta.
Algo dentro de si o alertava que estavam correndo contra o tempo.
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[Oeste - Castelo - Corredor interno]
*Pov. Hayato*
Desde o momento que havia dito a Kagome que eu deveria terminar de lhe mostrar minhas memórias, ela não trocava uma sequer palavra ou olhava diretamente em meus olhos.
Eu só sabia que deveria segui-la, pela energia intensa que a mesma emanava. Havia um misto de ansiedade e medo a sua volta.
Quando estávamos de frente para a porta de seus aposentos com o lorde, engoli em seco.
– Bela dama, tem certeza que aqui é o local mais apropriado para isso?
– Não quero ser interrompida ou observada por olhares curiosos, aqui é o único lugar que não se atrevem invadir sem uma boa razão.
– Entendo seu ponto, mas não é esse o problema... – ela me ignorou, abrindo a porta e adentrando o quarto, enquanto eu suspirava derrotado.
Ela estava irredutível.
Enquanto atravessava aquela curta distância para dentro, senti a presença do irmão mais novo do lorde.
Olhei para o final do corredor, e lá estava ele encostado a parede, de braços cruzados e com uma cara fechada. Sorri, piscando um dos olhos para ele e fechando a porta às minhas costas.
Não resistia à uma boa provocação.
Do lado de dentro do quarto, Kagome fechava as portas da varanda, quando o som de algo se partindo chamara nossa atenção.
– O que foi isso? – ela perguntou. Dei de ombros.
– Provavelmente uma das colunas do castelo se partindo.
Um soco ou uma cabeçada?
Sorri com o pensamento.
Kagome arregalou os olhos, fazendo menção de sair do quarto. Apenas segurei seu pulso.
– Não se preocupe, se fosse algo que realmente precisasse de atenção, eu mesmo iria. – ela confirmou com um simples movimento da cabeça. – Vamos começar, bela dama.
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[Escritório de Sesshoumaru]
*Pov. Autora*
Inuyasha adentrou o escritório de supetão, sem nem mesmo bater na porta ou permitir que os guardas anunciassem sua presença.
Sabia que seu irmão estava sozinho, e mesmo que pedisse, o outro não lhe daria permissão para entrar.
Sesshoumaru levantou seus olhos do pergaminho minimamente, deixando claro em sua expressão mortal que uma única frase errada seria o bastante para que ele cumprisse uma promessa feita a não muito tempo atrás para sua fera.
O hanyou pigarreou, evitando olhar diretamente nos olhos do mais velho, adotando uma pose mais relaxada, com os braços cruzados e olhando para um canto do teto, pensando se era mesmo sensato ficar sozinho com o mais velho.
– Algo a me dizer, Inuyasha? – a voz de Sesshoumaru soou baixa e calma.
Mas Inuyasha sabia bem o que aquele tom queria dizer.
– Feh! Quando vai dizer a Kagome sobre o risco que ela está correndo em ficar aqui? – finalmente declarou, olhando diretamente nos olhos do lorde.
Então era sobre isso.
Sesshoumaru pousou o pergaminho na mesa, logo entrelaçando as mãos, apoiando seus cotovelos na madeira maciça.
Olhou atentamente para o irmão mais novo. Certamente Lucy havia se dedicado, mas o mestiço ainda não estava em sua total capacidade.
Percebia pelas nuances de energia sinistra que constantemente lutavam pelo domínio do corpo do mais novo.
Ele não treinaria seu irmão. Isso estava totalmente fora de cogitação.
Um passo em falso e sua fera arrancaria a cabeça do mais novo, lhe fazendo quebrar a promessa com sua lady.
Mas ignorar o fato de que ali estava outro descendente de seu pai que precisava de controle, isso também ia contra suas convicções.
Seu olhar pousou sobre um envelope em cima da mesa, o brasão do Norte marcado à cera havia sido feito com um pouco mais de força que o eventual, mostrando toda a raiva de quem o havia selado no momento.
O lorde do Norte seria perfeito para o que ele precisava. Talvez isso funcionasse.
– Ela estará a par de tudo que precisa saber ainda hoje. Era só isso, Inuyasha?
As orelhas de Inuyasha se mexeram, incomodado. Não era só isso. Mas ele não sabia como tocar no assunto, aquilo não era mais de sua conta.
Kagome não era tonta e ela certamente não gostaria dele se metendo em seus assuntos.
No fim, resolveu que não diria nada sobre o que acontecia em seus aposentos. Não era de sua conta, afinal.
Levantou os braços, cruzando as mãos atrás da cabeça, decidido.
– Sim, era só isso. – sorriu, pretensioso. Que seu irmão lide sozinho com seu general.
Sesshoumaru observou com cuidado as feições do mais novo. Esperava não se arrepender daquilo depois.
– Teremos convidados em breve. Convidados Inus. Eu espero que você comece a treinar com eles em minha ausência e dê um jeito de vez nessa sua fera indomada. Não irei permitir que cometa outro erro, Inuyasha.
Seu tom era autoritário. Sesshoumaru não estava fazendo um pedido ou sugerindo. Era uma ordem.
– Tch. – Inuyasha grunhiu, insatisfeito, mas não se recusou.
Irritado por ter de acatar a vontade do mais velho para ficar próximo da miko, ele apenas se virou, saindo do escritório do lorde, a passos firmes e largos.
Porém satisfeito de que em breve poderia assistir sua ira cair sobre um certo general metido.
Era como ter dois coelhos em um só golpe.
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[Oeste - Arredores do Castelo - Floresta]
Seiki estava irritado.
Após a sessão, nada agradável, com InuKimi, ele só queria terminar logo com seus deveres e buscar prazer com alguma youkai do castelo.
Ou, pelo menos, estar ao redor de uma em específico.
– Preciso dizer o quão inútil é essa busca? O que aquela maldita poderia querer com o pirralho?
Sua pergunta foi ignorada por Takeshi, que caminhava ao seu lado. Os olhos dourados e a face, geralmente entediada, estavam centrados em outra coisa; ou pessoa.
Himura soltou um longo suspiro, olhando de relance para Seiki, mas fora Nizo, que caminhava liderando o grupo, que deu a graça de uma resposta.
– O pirralho, é um exterminador de youkais, filho de um grande líder. E apesar de estar sendo controlado por um youkai como Naraku, eu lhe garanto que ele é mais do que capaz de ser uma dor na bunda, até para anciões como nós.
Seiki bufou, detestava quando lhe davam uma lição. Ainda mais vindo de alguém como Nizo.
Takeshi, que até então estava perdido no próprio mundo, retornou sua atenção para seu irmão. Não era comum o ver centrado e falando desse jeito.
Nizo era ação. Puramente ação e deboche.
– Sobre o espião, como conseguiu essa informação? De quem ele é e, de que ele está a ordens de Naraku.
Himura perguntou, atraindo a atenção de Nizo, que estava com o nariz para o alto, cheirando o ar, no meio da floresta. Claramente começava a entrar em modo de caça.
– Do mesmo jeito que sempre consigo. Torturando alguma criatura burra o bastante para atravessar meu caminho quando estou caçando.
– Deixou a pobre criatura viva dessa vez?
Himura questionou, seus olhos semi-cerrados. Não concordava nem se permitia fazer parte dos jogos do outro. Ainda mais agora, quando ele tinha suas dúvidas de quem havia sido capturado.
Com uma risada, Nizo respondeu.
– Quase isso. É estranho, ela simplesmente não morre. Eu até perfurei seu coração, mas veja que curioso. Estava oca. Nada. Não tinha nada pulsando dentro dela. Tinham que ter ouvido os gritos da 'vadia.
Himura conteve o rosnado que havia se iniciado em seu peito, antes que o barulho se tornasse alto o bastante para ser audível. Mas Seiki, ao contrário dos outros, percebeu.
– Algo errado, Himmu?
O sussurro em sua mente fez Himura tornar seus olhos para Seiki. Eram raras as vezes que o youkai dos olhos carmesim fazia uso daquela habilidade. E mais ainda que o chamasse daquele jeito.
Mas Himura apenas negou com a cabeça, voltando sua atenção ao caminho que estavam trilhando, liderados por Nizo.
O ancião, cabeça quente, levantou o nariz mais uma vez e parou abruptamente.
– Heh. Já estava na hora!
Sem esperar pelos outros, iniciou sua caçada desenfreada. Nizo precisava descontar sua raiva em alguma coisa. Qualquer coisa.
– Takeshi.
Himura chamou pelo irmão que era mais centrado e, após conseguir sua atenção, deu um passo em sua direção.
– Há algo que preciso dizer sobre a refém de Nizo.
– Então foi isso! Eu sabia que tinha visto você fazer cara feia!
Seiki se intrometeu, recebendo um olhar zangado. De ambos.
Takeshi suspirou.
Enquanto não se livrassem da maldição de InuKimi, não havia muito como controlar o passa tempo de seu irmão.
– Deixemos Nizo cuidar do espião. Venha, eu sei onde ele deve estar a mantendo.
Himura e Seiki concordaram, o seguindo.
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
[ Oeste - Castelo - Aposentos do Lorde ]
*Pov. Kagome*
– Hayato, isso é... simplesmente loucura!
Exclamei, afastando minha testa da dele lentamente. Abri os olhos e vi as marcas recuarem em nossas peles.
Ele abriu os olhos e me observou por um tempo. Não sabia dizer se por falta de palavras ou por ter muito o que falar e não saber por onde começar.
Um soluço quebrou o silêncio e, percebi que o soluço era meu. Estava chorando.
– Essas memórias, eu não consigo acreditar em tudo isso! Tem algo de estranho! Ele jamais faria algo assim e você sabe que...
Uma batida na porta me fez engolir o que estava prestes a dizer.
Suspirei ao sentir quem eram as duas presenças do outro lado da porta e, olhei para Hayato com uma promessa muda de que aquela conversa continuaria depois.
Ele desviou os olhos dos meus, indo em direção da varanda e abrindo as portas da mesma. Tinha intenção de sair.
– Entrem.
Minha voz saiu num sussurro estrangulado, ao tempo que secava minhas lágrimas com a manga da roupa, mas eu sabia que as duas poderiam ouvir.
A porta abriu rapidamente, revelando as figuras de Mayu e Lucy.
Mayu caminhou a passos largos para dentro do quarto e, não deixando tempo para que Hayato fugisse, ela o agarrou pelo braço.
– Seria interessante que você ficasse para ouvir o que temos a revelar, general.
O tom usado pela raposa era firme. Sua face mostrando a seriedade que tinha naquele momento.
Hayato respirou fundo e se recompôs antes de se virar para Mayu.
– Ah, então finalmente descobriram?
A pergunta dele tinha um "quê" de — eu teria descoberto antes se a tarefa fosse minha —, que irritou a ambas. Mayu e Lucy.
A curandeira fechou a porta e caminhou até mim, mesmo que sua atenção estivesse direcionada ao inu.
Seus olhos celestes só o abandonaram quando estava bem a minha frente, se fixando nos meus.
– Kagome-sama, preciso lhe perguntar algo de extrema importância.
Lucy parecia estar medindo suas palavras, me deixando tensa com sua postura. Olhei de relance para Hayato e ele me lançou um - vai ficar tudo bem - ao afirmar com a cabeça.
Respirei fundo e voltei minha atenção à youkai a minha frente.
– Fique a vontade para me perguntar o que precisar, Lucy-san.
Lucy trocou o peso das pernas e cruzou os braços frente ao peito, olhando para o chão por alguns segundos antes de voltar para mim.
– Quando Inuyasha fez...o que fez a você. Ele estava em seu estado selvagem. Mas, ele aparentava estar ciente do que fazia? Quero dizer, ele ainda era capaz de falar, conversar?
Lembrar do ocorrido fez meu corpo travar. Já estava com a mente bastante perturbada e aquele não era um assunto do qual eu desejava entrar.
Mas perante a obstinação nos olhos da youkai, eu pude apenas suspirar, angustiada, e a responder.
– Sim. Ele ainda estava bem capaz de conversar e dizer as coisas mais horríveis e nojentas possíveis. Por quê?
Lucy fechou os olhos e adotou uma face mais fechada.
– Se ele tivesse sido dominado apenas por seu lado youkai, ele nunca seria capaz de agir conscientemente. Restaria apenas a besta a rugir com sede de sangue. Para isso que seu pai, Toga-sama, lhe deixou a Tessaiga.
Pisquei, sem entender.
– O que diabos isso supostamente quer dizer, Lucy?
A curandeira olhou para Hayato, que havia se aproximado dela.
– Estou querendo dizer que houve algo que o fez agir daquele jeito, e não era apenas a fera dele! Não estou tirando a culpa de Inuyasha. O idiota poderia ter controlado aquela coisa se ele não fosse tão teimoso e...
– Quietos.
A interrompi.
Havia um som ao longe. Um choro, um pedido de ajuda. E eu conhecia bem aquela voz. Eu sabia de quem era aquela dor distante a me chamar.
– Kagome-sama...!
Mayu me chamou, sua voz trêmula mostrando que ela também havia ouvido e que também sabia de quem era o choro.
Uma raiva me dominou e, quando percebi, já estava fora do castelo, indo em direção da floresta.
~Grr...Se ousaram tocar em um só fio de cabelo de meu filhote...!~
⊱⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅⊰
