Dragon Ball não me pertence.

CAPÍTULO 20

Sangue contra sangue

"Continue meu filho desobediente,

haverá paz quando você estiver acabado."

Carry On Wayward Son, Kansas

— LUTEM! LUTEM! LUTEM!

A multidão em polvorosa gritava enlouquecida enquanto assistiam a segunda melhor final do torneio infantil desde que os atuais rei e general haviam deixado aquela modalidade anos atrás.

E eram justamente os filhos desses dois que protagonizavam aquele novo combate, embora a população do mundo sayajin não soubesse que o mestiço que vencia a luta era o filho de seu rei. De início, a torcida das pessoas seria por Goten, filho do amado general, mas àquela altura, depois de verem o pequeno mestiço Trunks vencer sem nenhuma dificuldade e com habilidade surpreendente seus adversários anteriores, o príncipe bastardo já tinha conquistado seu povo.

E naquela luta com Goten, Trunks parecia que venceria novamente. Apesar de Goten ser um bom adversário, o filho de Kakkarotto parecia estar muito cansado, e mal conseguia atacar Trunks, que se desviava de todos os seus golpes com destreza e rapidez.

— Trunks, estou cansado. - Goten avisou enquanto se desviava de outro chute do combatente. - Vamos terminar logo com isso, você está só brincando! Sei que não posso vencer você...

— Goten, temos que deixar bem real. - Trunks falava sério enquanto se desviava do ataque do outro garoto.

— É, mas já deu... Vamos terminar logo, por favor! - Goten replicou parando um pouco no ar.

— Tá, bom, se você insiste... - Trunks falou despreocupado, levantando o punho contra seu amigo de infância.

E enquanto os dois lutavam, no meio da multidão havia pessoas especialmente aflitas com aquela luta, Bulma era uma delas.

— Ainda não consigo acreditar que você me convenceu a vir sem disfarce.- Bulma disse para Pirza, que estava sentada ao seu lado, enquanto olhavam para os dois pontinhos se mexendo rapidamente lá embaixo no tablado.

— Não tem mais problema, Bulma. Você logo vai revelar toda a verdade, e Vegeta nem está no planeta. Não se aflija à toa. - Pirza disse despreocupada enquanto não tirava os olhos do combate.

— Sim, mas... - Bulma tentou argumentar.

— Shii! - Pirza pediu silêncio e apontou para o céu. - Olhe! Trunks está atacando...

Enquanto isso, nas arquibancadas, não muito longe de onde Bulma e Pirza estavam, duas garotas parecidas na aparência, porém diferentes na vestimentas e no modo de ser também assistiam a luta lá embaixo.

— Nossa que coisa chata! Quando os sayajins lindões vão começar a lutar? - Nadine reclamava entediada com a visão do combate de Trunks e Goten.

— Cale-se Nadine! Não vê que Goten está sendo atacado, pobrezinho... - Nadesna gemeu ao ver Trunks socar Goten, jogando-o para fora do tablado. - Droga! Ele perdeu a luta! - ela concluiu triste ao ver Goten desacordado fora do tablado enquanto Trunks dava uma volta em torno do estádio, comemorando a vitória junto com a multidão.

— Ah, finalmente isso terminou. - Nadine replicou sem ligar para a tristeza da irmã. - Esse pirralho que você criou é um fraco mesmo!

— Nadine, já disse para não se atrever a falar mal de Goten! Ele é como um filho pra mim. - Nadesna replicou irritada enquanto olhava para Goten desacordado lá embaixo.

— Você só gosta do pirralho por que quer dar pro pai dele. - Nadine ironizou. - E que porcaria de empregada você é Nadesna! Matou a mulher do patrão e nem conseguiu dormir com ele... hahaha.

— Cale-se Nadine! - Nadesna resmungou irritada. - Eu não matei a Lady Chichi, você matou! E sabe muito bem disso... Foi você. Você e aqueles traidores que queriam matar nossos pais. Se não fosse minha irmã, eu teria lhe entregado! Agora me dê licença que eu vou atrás do menino. Coitadinho, deve estar muito machucado...

— Como se sayajins se machucassem à toa. Que estúpida... - Nadine resmungou baixinho quando a irmã saiu rápido pelas arquibancadas.

A bela mulher de cabelos longos, lisos e negros acendeu um cigarro, aguardava ver lutas interessantes a partir daquele momento, só nem imaginava ainda o quão interessantes seriam.

E alguns instantes antes de Trunks vencer Goten na arena do torneio, a nave de Vegeta fazia uma aterrissagem fácil e sem contratempos nas plataformas de lançamento, bem perto dali.

Quando a porta da nave se abriu a silhueta do rei podia ser vista imponente no portal. Vegeta sorriu de canto, calmo. Observou os sayajins de elite e da guarda real que lhe aguardavam.

Viu Marvin dar um passo a frente para recebê-lo ao final da rampa.

— Seja bem vindo de volta, majestade. - o capitão saudou respeitosamente ao fazer uma reverência.

— É bom estar de volta, Marvin. - Vegeta falou afável, colocando em prática a estratégia que pensara durante os dias de viagem. Olhou em torno e viu Spartaco que bateu uma continência para o rei no mesmo instante em que saía com um grupo de guardas. Era o sinal que haviam combinado para o início da ação.

— Majestade, creio que tens um compromisso para agora. - Marvin continuou sem perceber o movimento dos guardas de Spartaco para fora da plataforma.

— Agora você é meu escriba, Marvin? - Vegeta retrucou com sarcasmo. - Seja o que for, deixe pra depois, tenho assuntos muito importantes para resolver nesse momento.

— Mas, Majestade, tem que ser agora. - Marvin insistiu firmemente. - é o torneio de artes marciais que está acontecendo. Vossa majestade precisa lutar com o vencedor do combate infantil.

Vegeta ponderou. Ele sabia que chegaria na exata data do torneio, mas não lembrava dessa obrigação com o torneio infantil. Sua primeira intenção foi dizer não, mas rapidamente lembrou-se de algo e a pergunta saiu de seus lábios como se sempre estivesse vivido lá.

— Quem foi o vencedor do torneio? - perguntou estreitando os olhos.

Marvin não esperava aquela pergunta. Sabia que era o sexto sentido do rei agindo, mas após hesitar um pouco, ele respondeu.

— Foi um mestiço, majestade. Um mestiço de nome Trunks. - anunciou um tanto sem jeito.

Vegeta encarou seu capitão por alguns momentos processando a notícia e o que faria com ela. Trunks não estava nos seus planos. Mas sorriu quando a imagem do menino relampejou em sua mente.

— Não poderia ser diferente. - Vegeta disse por fim ainda com um sorriso de canto. - Vamos, tenho uma luta para comparecer. - disse saindo a passos rápidos da plataforma.

Quando chegou à arena, Vegeta entrou sem ser anunciado. A multidão que gritava para o menino que pairava no ar, calou-se um segundo depois de perceber quem havia adentrado à arena.

O próprio locutor do torneio atropelou-se na ovação que fazia para o menino vencedor do torneio infantil e engasgou ao ver a figura imponente do rei lá embaixo.

— UMA MUDANÇA DE ÚLTIMA HORA, ESPECTADORES! - O locutor constatou o óbvio quando a multidão se calou. - PARECE QUE VOSSA MAJESTADE CHEGOU A TEMPO DE LUTAR COM O VENCEDOR DO TORNEIO INFANTIL!

Trunks, que pairava estático no ar desde que Vegeta adentrara à arena, desceu aos poucos, os olhos arregalados, sem acreditar na própria sorte. Sabia que lutaria com rei Vegeta, e estava até pronto pra isso. Tinha em seu pescoço um pingente com uma cápsula dentro, uma surpresa que havia preparado para a luta com o rei, mas não imaginou que lutaria imediatamente após vencer o torneio. Ficou satisfeito em ter deixado tudo preparado.

Então, aproximando-se do pai que desconhecia, o menino podia sentir um ki calmo e estável. Ficou feliz de qualquer modo, humilharia o rei em público e ainda teria sua mãe assistindo. Ele olhou para Vegeta que o encarava com os braços cruzados e um sorriso de canto.

— Lute comigo, garoto! - Vegeta desafiou encarando o filho, querendo saber a reação do menino ao ser desafiado pelo rei.

— Como quiser, majestade.— Trunks respondeu calma e vagarosamente, lançando um sorriso de canto que novamente fez Vegeta achar que se olhava no espelho.

E Vegeta ficou tão distraído com o olhar do menino, que foi pego de surpresa ao receber o primeiro golpe.

Trunks aumentou o ki bruscamente em um piscar de olhos, arrancando um "Ohhhhhhhhh" assustado da multidão que viu seu rei ser socado no estômago sem piedade enquanto scouters explodiam por toda a arena.

Vegeta, pego desprevenido, foi jogado a alguns metros de distância junto com o também scouter quebrado. Levantou-se para encontrar o olhar insano do menino encarando, voltando a socá-lo continuamente.

Aturdido, o guerreiro mais velho se defendeu dos golpes, voando facilmente para o outro lado do tablado quando Trunks o seguiu e já preparava-se para atacá-lo novamente. Agora que entendia que o menino estava lutando com toda a sua força, Vegeta sentiu-se satisfeito em ver que o filho não tinha medo. Pensou em deixar Trunks atacar um pouco para deixar o menino satisfeito.

— VEJAM QUE BONITINHO! REI VEGETA DEIXOU QUE O MENININHO LHE GOLPEASSE! - o locutor gritou entusiasmado quando Trunks surpreendeu novamente Vegeta ao lançar uma dolorosa bola de ki contra seu peito. Deixando-o surpreendido com seu poder. Toda a multidão achava que o rei estava representando.

"Ele está lutando a sério de verdade" Vegeta pensou consigo próprio enquanto desviava-se de uma série de rajadas de ki que Trunks jogava contra ele "O que faço? Não quero machucá-lo. Mas se ele continuar lutando desse jeito, terei que lutar de verdade para vencê-lo. Já sei, vou atacar com velocidade até derrubá-lo"

E Vegeta se desviou das rajadas de ki de Trunks e voou com velocidade até o menino na intenção de dar-lhe um pequeno golpe que o jogasse para fora do tablado sem machucá-lo muito, no entanto, seu objetivo não foi conquistado, pois Trunks desviou-se dele rápido como um raio.

— Mas? - Vegeta resmungou ao não alcançar Trunks, logo depois sentindo uma forte pancada na cabeça que o fez cair novamente. Quando levantou-se o rei concluiu que o menino era forte demais para que ele levasse a luta na brincadeira.

— Ah, então quer dizer que você é muito forte, rapazinho? - Vegeta disse com orgulho ao se levantar. - Vamos lutar de verdade, então!

Dizendo isso, Vegeta partiu para atacar o menino com a mesma força com que lutava com Kakkarotto e ao começar ao golpeá-lo, Trunks conseguiu se desviar dos primeiros socos, contudo, Vegeta conseguiu acertá-lo no queixo, jogando-o facilmente para fora do tablado.

— O MENINO FOI JOGADO PARA FORA DO TABLADO! A LUTA ACABOU! - O locutor esbravejou quando Trunks desapareceu dentro do fosso de mais de um metro que circundava o tablado.

— Pronto! Está terminado! - Vegeta disse com satisfação caminhando até o final do tablado para ver onde o garoto tinha caído. - Já podemos convers-

A fala de Vegeta foi interrompida quando ele sentiu o ki absurdo que cresceu assustadoramente, fazendo a multidão que aplaudia o rei se calar quando o garoto que caíra atrás do tablado voltou a ele.

Vegeta tinha os olhos arregalados enquanto olhava o garoto que planava no ar. Ele não podia acreditar naquilo.

Trunks tinha uma aura dourada em torno de seu corpo, cabelos loiros e olhos verdes. Era sem dúvidas uma miniatura de super sayajin. Carregava entre as mãos uma grande espada brilhante e tinha na face um olhar assassino, um olhar idêntico ao do próprio rei quando estava muito, muito zangado.

— MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - O locutor esgoelava-se mais para si do que para os espectadores. - O MENINO VOLTOU AO TABLADO! E ELE ESTÁ TRANSFORMADO EM SUPER SAYAJIN? O QUE É AQUILO NAS MÃOS DELE?

Trunks não ligava para os gritos do locutor, nem para os murmúrios tensos da multidão. Ele não ouvia mais nada. Existia agora apenas ele e o rei. Apenas ele e o sayajin que machucou sua mãe. O monstro que a havia machucado e que tinha destruído sua família. E ele merecia pagar. Merecia morrer.

— Impressionado, majestade? - Trunks perguntou com desdém, contente com a face chocada de Vegeta.

— Não seja petulante, moleque. - Vegeta retrucou tentando não transparecer seu choque. - O que você quer? Você já caiu fora do tablado. A luta acabou. - disse na tentativa de terminar logo com aquilo.

— Essa agora será uma luta diferente... - Trunks disse com a espada em punho, os olhos verdes faiscando perigosamente.

— Está me desafiando para outra luta? - Vegeta indagou ainda sem entender o que o menino queria, estava completamente desarmado.

— Sim, um duelo para limpar a honra e sei que essa, vossa majestade é obrigado a aceitar. Um duelo de morte. - Trunks sibilou chegando mais perto de Vegeta, a espada ainda erguida.

— Uma luta de honra? - o rei murmurou confuso. - Um duelo de morte?

— Sim. Estou aqui para limpar a honra da minha mãe. - Trunks disse fazendo Vegeta ficar novamente chocado. - E vossa majestade sabe muito bem que honra só se lava com sangue! - afirmou com vontade.

Vegeta olhou o filho. Trunks parecia possuído. Transparecia uma fúria, uma febre, uma cólera que ele próprio havia sentido poucas vezes na vida. Então seu filho sabia ele e a mãe dele?

— Garoto, é melhor sairmos daqui. Precisamos ter uma conversa séria. - Vegeta disse ao lembrar da multidão que os assistia. - Não é hora para lutarmos, precisamos conversar e esclarecer as coisas.

— Não há nada para esclarecer! - Trunks disse nervoso, o ki aumentando drasticamente em sua fúria, fazendo a arena tremer. - Você machucou minha mãe e agora merece morrer por isso!

E ao dizer isso, Trunks não esperou mais. Cada fibra de seu ser queria matar aquele sayajin a sua frente. Com um grito gutural, ele empunhou a espada com ainda mais força e partiu para atacar Vegeta. E a espada só não cortou o soberano em duas partes por que Vegeta foi mais rápido, voando do lugar em que estava tão rápido quando Trunks atacou.

Pairando no ar, Vegeta respirava com dificuldade estarrecido com ação do próprio filho. E vendo Trunks vir ao ataque em sua direção novamente, o rei não teve outra alternativa: aumentou seu ki e transformou-se em super sayajin.

A plateia ainda não entendia o que estava acontecendo, mas aplaudiu satisfeita ao ver seu rei transformar-se no guerreiro lendário. E no meio do som ensurdecedor causado pelo estádio lotado, Vegeta desviou-se de mais dois golpes fatais de Trunks. Agora mais rápido, ele só queria parar o menino. Mas o garoto de cabelos roxos parecia incansável.

E pensando numa estratégia para poder contê-lo, Vegeta achou que sua melhor chance era encarar o menino de frente.

Então, quando Trunks atacou novamente, Vegeta reuniu todo o seu ki e parou à frente do menino. Quando a lâmina afiada da espada veio em sua direção, ele segurou-a, impedindo que ela lhe cortasse ao meio. Segurou a lâmina entre as mãos com toda sua força, fazendo suas mãos sangrarem, sujando a espada de Trunks com seu sangue.

O pequeno super sayajin olhou impressionado seu ataque que não dera certo. Ele ainda estava na posição em que atacara e Vegeta ainda segurava a lâmina de sua espada com as duas mãos sangrantes.

Então, rapidamente, o sayajin mais velho tomou a espada para si. Outra ovação seguiu-se à isso. Encarando o rei que agora o olhava satisfeito, Trunks temeu apenas por um instante quando viu a pequena bola de energia se formar na palma da mão de Vegeta. Depois, viu um brilho dourado e tudo ficou escuro.

Vegeta segurou o corpo desfalecido do filho e se teletransportou deixando todos na arena impressionados e sem ter a mínima ideia do que havia acontecido.

— Bulma, acorde! Bulma, por favor... - Pirza insistia nervosa enquanto tinha Bulma em seus braços nas arquibancadas. Bulma desmaiara pela primeira vez quando Vegeta entrou nas arenas e desafiou Trunks para uma luta, depois disso, Pirza a havia acordado, mas a cientista desmaiara de novo ao ver seu filho e o pai dele lutando. - Vamos, Bulma por favor...

Bulma abriu os olhos devagar, estava pálida como a morte.

— Onde? Onde eles estão? - a cientista disse nervosa olhando em torno, depois olhando a arena vazia lá embaixo. - Pirza, onde está meu filho!? - Perguntou desesperada. - O que fizeram com ele? Ai! - disse colocando a mão sobre o lado esquerdo do tórax.

A cientista tinha as mãos geladas e tremia, sentia uma falta de ar como se seus pulmões estivesse sendo comprimidos e seu coração estava apertado como se uma mão invisível o esmagasse.

— Pirza, não minta pra mim! O que ele fez com meu filho? - Bulma perguntou quase sacudindo a amiga.

— Eu, eu não sei, Bulma. - Pirza disse com sinceridade ante a amiga desesperada. - Eles lutaram, Vegeta deixou Trunks desacordado e se teletransportou com ele.

— DEIXOU ELE DESACORDADO? - Bulma indagou alarmada. - Acho que vou desmaiar de novo... - disse sentindo-se fraca novamente.

— Calma, B. Calma! - Pirza pediu temendo outro desmaio. - Vamos sair daqui e procurar Marvin. Ele deve saber o que está acontecendo e pra onde Vegeta levou Trunks. Acha que consegue vir comigo?

— Pra procurar o meu filho, eu vou andando até o inferno! - Bulma falou juntando forças.

Assim, as duas caminharam pelas arquibancadas na intenção de ir até o castelo, procurar Marvin e tentar descobrir onde Trunks estaria.

Enquanto isso, numa nave que atravessava a galáxia oeste, Kakkarotto olhava o universo pelas janelas espelhadas da nave, sentado em sua poltrona na sala de comando. Tinha um semblante tenso e preocupado.

Depois que salvara Tarble na nave de Freeza, Kakkarotto havia decidido que já era hora de ligar para Bulma e tentar conversar alguma coisa. O problema é que a mulher não atendera nenhuma de suas chamadas até aquele momento.

O general já estava sinceramente arrependido das palavras duras que dissera à cientista. Chamá-la de vadia era chegar ao nível de Vegeta e ele nunca havia feito aquilo antes em sua vida. Ele devia ter compreendido que quando tivesse chance, ela iria atrás de Vegeta. Ele sempre soubera disso, só tentara tapar o sol com a peneira achando que ela agora amava só a ele. O general só não conseguia engolir era como Bulma podia amar alguém que havia lhe feito tanto mal.

Mas, isso era uma coisa interessante sobre Vegeta, Kakkarotto pensava. Por mais cretino que o rei fosse, eles não conseguiam odiá-lo. Isso por que, assim como Bulma, Kakkarotto sabia que ele próprio não odiava o rei. Bem que tentara odiá-lo e conseguira chegar bem perto disso quando Vegeta matara seu irmão, quando humilhara Bulma ou quando era o bastardo que dizia coisas que machucavam. Ele o odiava nesses momentos para depois acabar por sentir uma grande pena do rei.

Kakkarotto concluiu que era muito difícil odiar alguém que fora seu companheiro a vida toda. Alguém com quem você havia crescido, passado por todas as experiências marcantes, alguém com quem você tinha vivido tantas coisas. E ele até entendia por que Bulma também não esquecia o rei apesar de tudo, eles, os três, tinham uma história juntos. Uma história difícil de ser ignorada.

— Comandante, quanto tempo para chegarmos a Vegetasei? - Kakkarotto perguntou talvez pela décima vez depois que chegara a sala de comando.

— Trinta e seis hora, no mínimo, general. - o comandante respondeu eficiente.

— Não há como aumentar a velocidade?

— Estamos na potência máxima, senhor, se aumentarmos a velocidade, poderemos ter uma pane no sistema de navegação ou nos motores. - o comandante observou eficiente.

— Faça o melhor possível então. - Kakkarotto pediu cansado acomodando-se na poltrona.

— General, há uma chamada. - o comandante avisou um minuto depois.

— Se for de Vegetasei, ignore. - Kakkarotto mandou. - A essa altura rei Vegeta já deve estar no planeta e ele vai ficar ligando para cobrar a nossa chegada.

— Mas, general, não é de Vegetasei. É da Terra.

— Terra? - Kakkarotto indagou surpreso. - Mas você não disse que não conseguimos nos comunicar com a Terra pelo espaço...

— E não conseguimos mesmo senhor... Não entendo... - o comandante disse confuso.

— Receba, então, - Kakkarotto ordenou. - Mas deixe que eu atendo em meu quarto.

Dizendo isso, o general se teletransportou pro seu quarto e chegou a ele no momento em que o rosto preocupado de seu pai aparecia na tela do comunicador.

— Papai? Como conseguiu contato? - Kakkarotto indagou impressionado ao ver o rosto parecido com o seu na grande tela de cristal líquido.

— Olá filho!- Bardock cumprimentou pouco à vontade. - Tive uma ajudinha divina. - disse mostrando um ser velho e verde que estava ali próximo.

— O Kame da Terra?

— Sim, ele mesmo. Mas não é isso que quero lhe falar. - Bardock recomeçou com o semblante pesado, fazendo o filho compreender que ele trazia problemas.

— O que aconteceu, papai? - Kakkarotto perguntou apreensivo.

— Vegeta voltou para nosso planeta. E já deve ter chegado lá a essas alturas. - Bardock recomeçou.

— Sim, isso eu sei. - Kakkarotto interpelou. - Mas o que tem isso?

— Ele veio... - Bardock começou baixando um pouco o rosto tomando coragem pra falar. - Você sabe por que ele veio à Terra?

— Na verdade ele não me disse. - Kakkarotto falou com sinceridade. - Não nos falamos mais como antes. - disse com uma ponta de chateação.

—Entendo... - Bardock comentou mesmo sem entender por que os dois melhores amigos que ele conhecia estavam afastados. - Bem, ele veio para a Terra para usar certos artefatos mágicos que realizam desejos.

— Ah, suponho que foi atrás de mais poder, típico do Vegeta. - Kakkarotto concluiu irritado.

— Na verdade não foi bem isso. - Bardock recomeçou. - Ele veio aqui para fazer outro desejo...

— Qual? - o general indagou curioso, temendo o que tinha por vir.

— Ele queria ressuscitar Bulma.

— O QUÊ? - Kakkarotto quase gritou.

— Eu sei que parece loucura, filho. - Bardock continuou alheio as revelações que Kakkarotto conhecia. - Mas, essa foi a obsessão de Vegeta por todos esses anos. - revelou. -Ele me fez vir aqui para esquadrinhar o planeta e juntar esses sete objetos que juntos lhe fariam realizar qualquer desejo, e tudo que ele queria era ressuscitar a irmã adotiva. Nós levamos sete anos para juntá-las e agora ele veio até aqui fazer o desejo...

— E o que aconteceu? - Kakkarotto indagou temeroso.

— Ele não conseguiu ressuscitá-la.- Bardock revelou. - O dragão que realiza os desejos não a ressuscitou por que disse que ela está viva, que está em Vegetasei.

— Ele disse isso? - Kakkarotto indagou estarrecido.

— Pois é, eu sei que parece loucura, mas foi o que aconteceu. - Bardock disse. - Agora Vegeta partiu furioso e disse que ia atrás de Bulma em Vegetasei e que a mataria por tê-lo enganado por todos esses anos.

— NÃO! ELE NÃO PODE FAZER ISSO! - Kakkarotto esbravejou ficando furioso.

— Eu sei, não pode. - Bardock concordou angustiado. - E filho ele não pode por causa da profecia e tenho que lhe contar sobre ela...

— EU JÁ SEI DE TUDO DA PROFECIA, PAPAI! - Kakkarotto esbravejou sem paciência, andando pelo quarto.

— Como sabe? - Bardock indagou de queixo caído.

— Mestre Kame me contou. - Kakkarotto falou ao parar e olhar para o pai.

— Conheceu Mestre Kame? Então, acredita que Bulma pode estar viva?

— Oras, se fui eu que cuidei dela durante todos esses anos, papai. Por favor! - Kakkarotto revelou sem ligar para a expressão chocada do pai.

— Você o quê?

— Eu cuidei dela. - Kakkarotto reafirmou. - Eu a protegi como prometi a Raditz! EU SOU o super sayajin que a profecia dizia que iria cuidar dela e do herdeiro.

— Então, o menino está bem? - Bardock indagou quase aliviado.

— Está. E está treinando para vencer Freeza, não se preocupe. - Kakkarotto disse irritado. - E tudo ia dar certo se o infeliz do Vegeta não tivesse atrapalhado.

— Você ainda está longe de Vegetasei, Kakkarotto? - Bardock perguntou preocupado.

— Mais de um dia, papai. - o general replicou preocupado.

— Então, a essa altura, Vegeta já pode ter matado Bulma. - o sayajin mais velho disse alarmado.

— Não sei, espero que Gohan e Trunks a tenham protegido. Se bem que Vegeta é muito forte... - Kakkarotto afirmou sentando-se preocupado em sua cama. - Vou me comunicar com Vegetasei, papai. Saber o que está acontecendo. Pedir que protejam e escondam Bulma até eu chegar. E juro por todos os Kaiohs que se Vegeta tiver encostado um dedo sequer em Bulma, ele vai sentir toda a fúria que tenho em meu coração. - Kakkarotto prometeu com o punho fechado, os olhos faiscando enquanto via seu pai preocupado olhando-o da tela.

Trunks acordou com a cabeça pesada e dolorosa. Os olhos ofuscaram pela nesga de luz que vinha do alto naquele ambiente sombrio. Sentiu o chão gelado sob seu corpo e mexeu-se vagarosamente tentando lembrar como chegara ali.

— Finalmente acordou. - A voz plácida e forte fez o menino lembrar rapidamente do que acontecera e tentando levantar-se aos poucos, ele percebeu que estava em um ambiente circular que parecia uma cela. Olhou para as grades do portão a sua frente. A voz viera dali. Aproximou-se a passos lentos. A cabeça ainda doendo onde fora atingido.

Os olhos do menino enxergaram aos poucos um vulto sentado no chão do outro lado da grade, recostado a parede do portal. Apenas pelo ki ele pôde sentir que era Rei Vegeta.

— Você... - Trunks disse rápida e furiosamente pegando nas grades do portão, sem conseguir no entanto tirá-las do lugar.

— É inútil tentar sair daí. - Vegeta disse despreocupado. - Acredite, eu sei por que eu tentei. Se ficar segurando essas grades muito tempo só vai sentir sua energia ser sugada.

Trunks não entendeu muito o que o rei dizia, mas tratou de tirar as mãos das barras do portão. A raiva ainda pulsava dentro dele, raiva e vergonha por sua derrota. E ver seu inimigo ali calmo, sentando à porta de sua cela, soava para o menino quase como um deboche.

— Por que queria me matar? - Vegeta indagou tentando parecer indiferente, já antecipando um pouco da resposta do menino. Precisava saber o que Trunks sabia.

— Você desonrou minha mãe. Merece morrer por isso. - o menino disse colérico. Não falou sobre a morte de seu pai por que isso, realmente, não interessava. Só interessava o que ele fizera com sua mãe, a única que era verdadeiramente importante para o garoto.

— Como você sabe disso? - Vegeta perguntou impassível. Um gosto amargo subindo-lhe à boca. Vergonha. - Ela lhe contou?

— Não. Ela jamais falaria sobre isso, mas eu descobri e isso é o que importa. - Trunks retrucou enraivecido. - E precisava limpar a honra dela, precisava matar você pra isso, mas eu falhei... - falou decepcionado.

— Você é muito criança pra entender de honra, moleque. - Vegeta disse calmo, sentindo-se mais envergonhado a cada minuto.

— Sou criança apenas na idade. - Trunks replicou irritado. - Eu cumpro meu dever de guerreiro de proteger minha mãe e já sei o que é honra e o valor que ela tem. A honra é uma das coisas mais importantes para um guerreiro, assim como a força e a perseverança. E todas, deve ser lavadas com sangue.

Vegeta impressionou-se com a oratória do menino. Trunks falava tão firme que poderia convencer uma multidão. Se não tivesse tão incomodado com aquela história toda, o rei estaria verdadeiramente feliz por ter um filho com tanta vocação para rei.

— Então o que exatamente você sabe que eu fiz com sua mãe? - Vegeta tomou coragem para perguntar.

— Você a machucou. - Trunks começou transparecendo muita dor. - Você queria transformá-la em sua concubina e como ela não queria você... você... - Trunks não queria dizer aquelas palavras, doía muito. - Você a machucou! E ainda tentou matá-la, sabotando a nave em que ela fugia! - esbravejou com a raiva tomando-o novamente.

— Mas isso é um absurdo! Eu nunca quis transformar Bulma em uma concubina! Eu não tentei matá-la - Vegeta ficou de pé ao defender-se. - Eu não fiz isso!

— Não tem coragem de assumir sua culpa como um guerreiro honrado, Majestade? - Trunks indagou ficando com mais raiva. - Vai negar que a machucou? Que por sua causa ela foi para um tanque de regeneração?

— Não, eu não vou negar isso. - Vegeta retrucou alterado. - Eu tive um momento de insanidade na minha vida. Um único momento. E eu a machuquei, mas fui um acidente. Eu não medi minha força... Eu não quis fazer aquilo... E nunca em minha vida me arrependi tanto de uma coisa... - confessou sincero jogando para o filho toda as verdades que ele constatou e que lhe corroeram por sete longos anos. - Mas eu nunca quis fazer dela uma concubina... - explicou. - Eu... eu estava confuso apenas... estava cheio de orgulho por que achava que ela era uma plebeia que ia me dar filhos fracos... eu odiava o sangue que corria nas veias dela por que nos impedia de ficar juntos. Mas, eu não tentei matá-la naquela nave. Foi ela quem fugiu de mim.

— Mas o que você queria que ela fizesse? - Trunks perguntou com raiva, mas um pouco balançado pelas palavras do rei, seu ki transmitia uma dor que o menino quase conseguia sentir. - Você a machucou! Ela estava sozinha depois que você matou meu pai!

Vegeta que escutava as palavras de Trunks com a cabeça abaixada, levantou-a após aquela declaração.

— Você matou meu pai com suas próprias mãos, apenas para afastá-lo de minha mãe! - Trunks acusou. - Vai se esquivar desse crime também?

— Que insanidade é esse, moleque? - Vegeta indagou chocado.

— Primeiro, você rebaixou meu pai para um terceira classe só por que ele gostava de minha mãe, - Trunks começou a enumerar os fatos. - Depois você deu uma surra nele e o mandou pra longe por ele a ter pedido em casamento. E por último, matou-lhe quando soube que ele ficara com minha mãe novamente.

Vegeta ficou com a boca levemente aberta, tamanha era sua surpresa com as declarações do filho. Nunca tinha ouvido algo tão absurdo na vida. O moleque estava falando de Raditz!

— Espere... Você acha que Raditz é seu pai? - Vegeta indagou com raiva. - Aquele idiota de terceira classe?

— Anran. Vai negar que o matou? - Trunks desafiou.

— Claro que não! - Vegeta afirmou zangado. - E se pudesse o matava de novo! Eu fiz tudo isso sim com aquele idiota. Vivia perseguindo Bulma... Achava que poderia tê-la. Como se ele fosse digno de possuí-la... - Vegeta devaneou. - Eu o surrei, o rebaixei e o mandei pra longe por isso. -admitiu. - Mas dei uma chance pro desgraçado e ele deu sua palavra de honra que não encostaria mais nela. Só que ele não cumpriu com sua palavra, desobedeceu uma ordem direta, e de acordo com a lei sayajin a pena pra isso é a morte. Ela sabia muito bem o que estava fazendo, morreu por suas próprias mãos. - Vegeta concluiu. - Agora, por favor, achar que esse idiota é seu pai? Achei que tivesse mais orgulho, moleque.

— Mas, ele é meu pai. - Trunks insistiu.

— Raditz não é seu pai, Trunks. - Vegeta disse sem paciência. - EU SOU.

— MENTIRA! - o menino gritou exaltado pulando sobre as grades, tendo muita energia sugada de uma vez sendo jogado longe, contra uma parede da cela.

— Olhe para mim, moleque, somos idênticos! - Vegeta disse para o menino que levantava-se de onde havia caído. - Raditz nunca encostou um dedo em sua mãe. Eu sou seu pai! Não percebe seu poder? Você até já se transforma em super sayajin! - afirmou quase orgulhoso. - O mais jovem super sayajin da história. Um inseto como Raditz não poderia ter um filho assim. - desdenhou. - Sinta o sangue nobre que corre nas suas veias, pirralho. Você é um Vegeta e nada pode mudar isso.

— Não sou... - Trunks sibilou colérico voltando para perto da grade. - Nem quero ser. Por que se fosse, seria o fruto das agressões que você cometeu contra minha mãe. Você a obrigou...

— Sua mãe ficou comigo por vontade própria. - Vegeta admitiu mesmo sentindo-se desconfortável em falar daquilo com o filho de sete anos. - Ela nunca esteve comigo se não fosse por livre e espontânea vontade. Eu não sei de onde você tirou essas insanidades de achar que Raditz é seu pai, mas digo-lhe que é mentira.

— Ela mesmo confirmou que Raditz era meu pai. - Trunks disse desafiador. - por que ela mentiria?

— Eu não sei. É isso que pretendo descobrir quando encontrá-la. - Vegeta disse enraivecido. - Quero saber por que ela se escondeu de mim e escondeu você por todos esses anos. E agora quero saber por que ela mentiu tão descaradamente, inventando essa bizarrice sobre o verme do Radtiz ser seu pai! Nunca pensei que ela fosse capaz disso. Mas, vai me pagar, ah, se vai...

— O que pretende fazer com minha mãe? - Trunks perguntou com raiva e preocupação.

— Isso não é da sua conta, moleque. - Vegeta desconversou.

— Não pode machucá-la! - Trunks pediu desesperado.

— Ela mentiu para o rei. Você é muito esperto e deve saber a pena pra isso. - Vegeta insinuou só para ver a reação do menino.

— Quer matá-la? Mas não afirmou que gostava dela? - Dessa vez foi Trunks que encontrou o ponto fraco do rei.

— Eu não afirmei isso, garoto. - Vegeta retrucou sem jeito.

— Mas também não negou. E você já me disse isso uma vez... lembra-se? - Trunks retorquiu sabiamente lembrando-se do que o rei dissera na galeria tempos atrás.

— Quando você for mais velho, vai entender como uma mulher pode ser perigosa para um sayajin e por que não falamos dessas coisas. - Vegeta desconversou.

— Como pode querer machucar alguém que gosta?

Vegeta não soube o que responder. Ele próprio ainda não sabia direito o que fazer com Bulma. Queria, precisava castigá-la, mas teria que passar por cima de seus sentimentos pra fazer isso.

Mas como bom estrategista, vendo que o menino estava com muita raiva, Vegeta sabia que precisava ganhar tempo. Ele agora queria o menino ao seu lado, vinha devaneando com isso desde que descobrira que Trunks estava vivo. Queria o garoto, queria treiná-lo para enfrentar Freeza, o queria para ser rei. E como sabia que o menino faria tudo para proteger a mãe, ele sabia como sair ganhando duplamente daquela situação.

— Moleque, eu posso evitar que algo aconteça a sua mãe. - ele começou. - Mas isso implicaria em um acordo.

— Acordo? - Trunks indagou sem saber exatamente o que o rei sayajin queria, embora soubesse que faria qualquer coisa proteger sua mãe.

— Aqui estão eles, Majestade. - Spartaco anunciou pomposo ao adentrar à sala do trono meia hora depois. Atrás dele alguns de seus guardas traziam quatro adultos algemados e um preso à amarras sugadoras de ki.

Vegeta levantou o olhar, satisfeito. Reconheceu na hora seu chefe de tecnologia, uma moça que deveria ser a esposa dele, a androide que cuidara de Bulma na infância, o velho que lhe falara das esferas do dragão, um terráqueo baixinho e um metamorfo que ele não conhecia.

Depois de cruzarem o salão, os guardas comandados por Spartaco fizeram todos ajoelharem-se quando Vegeta se levantou.

— Ora, ora, ora mas que grupo interessante... - Vegeta disse irônico enquanto olhava os prisioneiros que mantinham as cabeças abaixadas. - Uma bela turma de conspiradores... Faltou prender algum, Spartaco?- Vegeta indagou levantando a voz.

— Segundo nossa investigação, Majestade, esses aí eram os únicos que conheciam a cientista foragida. - Spartaco disse satisfeito. - Tem também duas crianças que encaminhamos para o orfanato do Distrito Real.

Videl gemeu baixinho quando ouviu sobre o orfanato para onde as pequenas Pan e Marron haviam sido levadas. Chorava copiosamente. Kuririn e mestre Kame tremia. Gohan e Dezoito estavam impassíveis.

— Excelente. - Vegeta afirmou com gosto. - Se estão todos aqui podemos começar o interrogatório e aproveitarei para fazer o julgamento, e claro que a sentença será a forca. Teremos um belo espetáculo ao pôr-do-sol... Seis mastros na entrada do castelo com seis conspiradores pendendo enforcados... Acha que pode providenciar isso a tempo, Spartaco? - Vegeta indagou sem preocupação.

— Obviamente, Majestade, agora mesmo se quiser. - o grandalhão respondeu prontamente.

— Não há necessidade de ser agora, nem haverá necessidade posteriormente se eles cooperarem.- afirmou olhando os prisioneiros. - Sabem, parece que meus soldados não conseguiram localizar a cientista traidora, isso é muito bom pra vocês meus caros, por que gera uma chance de terem minha clemência. Ficarei amplamente grato àquele que me revelar onde a cientista está. E claro, o pouparei da morte. - Vegeta anunciou satisfeito andando em frente aos prisioneiros. - Então, chefe de tecnologia, - disse levantando o queixo de Gohan. - onde está sua amiga cientista que lhe passava as invenções que eram vendidas pra mim?

— Eu não sei, majestade. - Gohan disse sério. - E não contaria se soubesse. - Complementou com uma coragem que fez Vegeta admirá-lo pela primeira vez na vida.

— Está certo, - Vegeta disse soltando o prisioneiro. - Então vejamos o que sua jovem e bela esposa tem a dizer. - o rei afirmou ficando em frente à Videl, porém sem tocá-la.

— Vá pro inferno! - Videl disse entre lágrimas olhando o rei, um guarda ameaçou bater-lhe nas costas, mas Vegeta fez sinal indicando que não era necessário.

— E você androide. Você sempre foi muito esperta. O que me diz? - Vegeta indagou para Dezoito.

— O mesmo que Videl, majestade. - A loira disse encarando os olhos com a coragem que ele já conhecia.

— E esses três panacas aí tremendo? - disse voltando o olhar para Kuririn, Mestre Kame e Oolong. - Vocês tem a chance de salvarem...

— Eu nunca contaria... - Kuririn disse mesmo com medo.

— Nem eu... - Oolong falou tremendo.

— Eu jamais entregaria nossa princesa! - Mestre Kame afirmou com coragem.

— Pois bem, - Vegeta ponderou satisfeito. - Parece que escolheram seu lado. São fieis a sua princesa e dariam suas vidas por ela. - concluiu. - Spartaco, leve-os. Já sabe o que fazer com eles.

— NÃO TÃO RÁPIDO! - uma voz de mulher se fez ouvir quando a porta da sala do trono foi aberta. - DEIXE-OS EM PAZ, VEGETA! É A MIM QUE VOCÊ QUER E EU ESTOU AQUI PARA ME ENTREGAR! - Bulma disse enquanto caminhava em passos firmes e apressados pelo tapete vermelho.

Vegeta sorriu de canto, era exatamente aquilo que ele queria.