Dragon Ball não me pertence
CAPÍTULO 24
Marcas no espelho
Bulma acordou tarde aquele dia, o sol já ia alto e ofuscou sua visão. Seu corpo estava completamente dolorido, como se tivesse levado uma surra ou coisa do tipo. A dor no baixo ventre fez ela lembrar-se do acontecido na noite anterior. Ficou triste ao perceber o outro lado da cama vazio, mas justificou-se que era algo esperado, não podia esperar, nem em seus sonhos mais loucos de amor, que o príncipe amanhecesse olhando-a dormir. Sentou-se na cama e um calafrio de medo lhe perpassou: e se Vegeta não a ajudasse? Se ele simplesmente tivesse lhe usado por prazer? Ela ficou temerosa, não sabia como seria o tratamento que o príncipe e o rei lhe dariam daquele dia em diante, sentiu até medo de se levantar da cama, Vegeta era sua última esperança, sem a ajuda dele ela teria de casar-se à força, e agora ela temia que ele não a ajudasse.
— Ele seria bem capaz disso.— ela disse para si mesma, em voz alta, um pouco desapontada.
Seu único consolo era saber que, mesmo que tivesse que casar com outro, ela teria aquela lembrança maravilhosa de ter estado nos braços do sayajin que amava, ao menos uma vez na vida. Quando levantou-se, ela viu a mancha de sangue no lençol e agradeceu a Kame por Dezoito não estar mais com ela para acordá-la e ver aquilo, seria constrangedor. Ela foi até o grande espelho de moldura entalhada em madeira que estava em um canto do quarto e olhou-se nua. Estava destruída. Os olhos inchados e rodeados por duas grandes olheiras, Os cabelos desgrenhados caíam desalinhadamente em seu rosto, as marcas da noite anterior, manchas roxas no colo, nos seios, na barriga lhe davam um aspecto fantasmagórico. Ela tocou uma mancha perto do umbigo, haviam manchas arroxeadas em todos os lugares onde Vegeta a beijou, a mordeu. Na coxa esquerda uma mancha ocasionada pela cauda, quando ele apertou-lhe. Não entendia como uma noite poderia lhe causar tanto estrago, com suas amigas não tinha sido assim, pelo menos era o que elas diziam. Apesar de tudo, tinha valido a pena estar com ele, e por ela, aquelas marcas poderiam ficar o resto da vida para lhe lembrar que estiveram juntos.
Caminhou até o banheiro e resolveu tomar um banho. Deitou-se na banheira cheia de água morna, preparando-se para enfrentar o mundo lá fora.
Quando Bulma saiu do banho enrolada em uma toalha, bateram na porta do quarto, e ela ficou tão aflita com medo do que pudesse ser que abriu do jeito que estava.
Um dos guardas da escolta do rei estava postado a porta, meio assustado em ver a bela jovem só de toalha.
— Lady Bulma, - o guarda chamou respeitoso, meio constrangido. - o rei a espera na sala do trono.
— Ele adiantou o motivo?
— Não, milady. - falou formalmente, - mas a espera o mais rápido possível.
— Obrigada, diga que já estou indo. - ela falou calma, fechando a porta após o guarda retirar-se.
Bulma sentou-se na cama, o coração à mil. O que será que o rei queria? Será que Vegeta tinha revelado tudo ao rei? Será que ele ia castigá-la?
Ela não sabia se aguentaria aquele olhar de reprovação outra vez...
A garota foi tirada de seus pensamentos, quando bateram na porta outra vez. Ela a abriu sem pensar.
Era uma das curandeiras do castelo.
— Diga...
— Posso entrar milady? - A curandeira perguntou de forma simpática.
Bulma abriu caminho para a mulher sem entender o que a pequena mulher gorducha de cabelos negros queria.
A curandeira entrou e começou a abrir uma maleta que trazia em cima da cama.
— Como você está? - a curandeira perguntou bondosamente quando Bulma fechou a porta. - A primeira noite de uma garota nem sempre é fácil...
— O príncipe mandou você aqui? - Bulma perguntou atônita, sem acreditar que Vegeta tivesse revelado aquela mulher sobre o que fizeram.
— Não, - falou pegando Bulma pelo braço e sentando-a na cama. - o rei me chamou, ele me falou das condições... hum... especiais da sua situação.
Bulma ficou de boca aberta, o rei tinha lhe mandado? Então ele já sabia sobre ela e o príncipe, ou achava que era ela e Yancha? Sentiu-se lívida de vergonha.
— Não precisa ficar com vergonha- a curandeira falou tentando tranquilizá-la – atendo casos como os seus todos os dias, moças nobres como você que são um pouco apressadinhas. Eu também acho que esse costume de posse é muito ultrapassado mas... - a mulher falava enquanto tirava a toalha de Bulma e examinava seu corpo. Bulma deixava como se não fosse com ela, ainda pensando no rei.
— Você está muito machucada...- estranhou a mulher- parece que seu..hum...noivo não é uma amante gentil...
— Pode apostar nisso... - Bulma disse sem emoção, entrando no jogo, não adiantava acanhar-se para aquela mulher que parecia já saber de tudo.
A mulher colocou algumas unções sobre as marcas de Bulma que foram desaparecendo como que por encanto. A curandeira observou que Bulma olhava o sumiço das marcas muito interessada.
— É apenas sangue. - a mulher explicou.
Bulma a olhou sem entender.
— As manchas roxas, é apenas sangue preso na pele que precisa ser absorvido. - ela explicou mostrando a mancha no abdome de Bulma que também já desaparecia. - O sangue fica preso, sai dos vasos sanguíneos, quando pressionado por um beijo, por uma mordida ou por uma pancada. Fica na pele até o corpo reabsorvê-lo, essa pomada acelera esse processo de reabsorção.
Bulma ainda olhava fascinada. Cada beijo, cada mordida de Vegeta, havia feito pequenas marcas com seu sangue. Era pura ironia.
Ao terminar de aplicar a pomada a mulher tirou dois pequenos frascos da bolsa. O primeiro continha um líquido verde esmeralda, o segundo parecia rubi líquido.
— Beba isso. - a mulher falou entregando o pequeno frasco verde esmeralda. - é para a dor que você deve estar sentindo no ventre.
Bulma que estava realmente muito dolorida, tomou o líquido de um gole só, sentiu um forte gosto de raízes, mas logo sentiu a dor se esvair aos poucos.
— E o outro frasco? - ela indagou à mulher assim que terminou o primeiro.
— Tome o também. - a mulher falou entregando-o. - esse é para evitar que você fique grávida.
— Grávida? - Bulma perguntou assustada, essa possibilidade ainda não tinha passado por sua cabeça, a ideia de ela ter um filho com Vegeta era, na melhor das hipóteses, ridícula.
— Tome logo. - A mulher reiterou diante da hesitação de Bulma. - O rei deu ordens específicas para que eu lhe desse esse.
Bulma levou o frasco aos lábios, estranhamente tinha gosto de sangue. Ela não gostou nadinha, tomou fazendo uma careta.
— O que tem aqui? É horrível. - ela perguntou entregando o frasco vazio a mulher.
— Se eu te dissesse, você não tomaria. - a mulher falou parecendo divertir-se com aquilo. - Sabe, lembro da última vez que cuidei de uma garota tão linda quanto você, foi depois da noite de núpcias da nossa última rainha, e ela estava tão assustada quanto você, e tão apaixonada também. Ela vivia cuspindo a poção vermelha, era muito geniosa. Só o rei a acalmava. - a mulher falou devaneando. - Mas, isso é passado, agora. É hora de ir. - a mulher falou fechando a maleta e indo até a porta. - Mais juízo da próxima vez menina, tanto amor pode acabar lhe matando.
— Talvez mate, mesmo...- Bulma resmungou para si, quando a porta bateu.
Bulma possuía um bracelete de ouro que tinha várias pedras azuis engastadas. Era lindo e muito valioso, era também uma das poucas jóias que possuía, ganhara do rei no seu aniversário de quinze anos e ela raramente usava, não gostava de ostentar uma posição de nobre que não era sua. Aquela manhã, porém, Bulma pôs seu bracelete antes de ir conversar com o rei. Ela escondeu as olheiras com um pouco de maquiagem, que também raramente usava. Vestiu um de seus simples vestidos de linho sem mangas que iam até os tornozelos. Interfonou para o laboratório avisando que só trabalharia a tarde. Calçou as sandálias sem saltos, amarrando as tiras nas pernas e fez uma trança no cabelo. Olhou-se no espelho sentindo-se bonita, isso lhe deu um pouco de ânimo para enfrentar a reunião com o rei.
Ainda assim, ela andou pelos corredores como um condenado para o corredor da morte. Entrou no salão do trono sem precisar ser anunciada, como era de costume. O rei não estava em seu trono, ela olhou para a outra extremidade do salão e o viu na cabeceira de sua longa mesa de reuniões, parecia avaliar alguns documentos.
— Não vai se aproximar? - o rei perguntou sem levantar os olhos dos documentos, sentira o ki de Bulma desde que ela saíra de seu quarto, percebeu que a menina tinha medo.
Bulma andou receosa até ele.
— Sente-se. - ele falou sem olhá-la indicando com mão a cadeira à sua esquerda.
Bulma puxou a cadeira pesada e sentou-se de forma desconfortável.
— A sra. Malkin cuidou bem de você? - ele perguntou, desinteressado, ainda olhando os documentos.
— Humrum, - Bulma resmungou temerosa.
Rei Vegeta parou de mexer seus documentos, olhou para Bulma e ela não soube dizer o que se passava nos pensamentos do rei, ele a olhava de forma inexpressiva.
— Venha aqui, e sente-se no meu colo, como fazia quando era criança... - ele falou de repente, a voz parecendo muito embargada.
Bulma emocionou-se imediatamente, jamais esperava por aquilo. Levantou-se e foi até o rei abraçando-o com lágrimas nos olhos. O rei a pôs no colo.
— Você sempre será minha garotinha. - ele falou emocionado, abraçando a menina e depositando um beijo no alto da cabeça dela. - Me perdoe por não ter prestado mais atenção em você e deixado lhe envolverem nessa trama sórdida. Sei que deve ter sido horrível, mas não permitirei que lhe machuquem mais, eu prometo.
Os dois ficaram abraçados por um tempo, Bulma soluçava de tanto chorar, mas dessa vez de felicidade.
— Me perdoe, Rei Vegeta. - ela pediu, não sabia ainda como chamá-lo.
— Ei, - ele pegou-lhe o queixo. - Volte a me chamar de papai, está bem? Eu fui um estúpido ontem, e você não tem nada que se desculpar, você foi uma vítima.
— Foi Vegeta quem lhe contou a verdade? - ela perguntou olhando o rei, após se acalmar um pouco, enquanto enxugava as últimas lágrimas. Ela agora precisava saber se fora Vegeta quem a ajudara.
— Sim, foi ele. - o rei limitou-se a dizer.
— E ele contou...tudo? - ela perguntou temerosa.
— Temo que sim, menina – o rei falou sério. - meu filho pode ter uma lista interminável de defeitos, mas ele é muito leal, sincero e corajoso. Ele contou sobre vocês dois, sobre como ele descobriu que não havia existido nada entre você e o terráqueo.
— Eu não queria lhe decepcionar – ela apressou-se em dizer – mas precisava provar que estavam me caluniando e também...
— Também o que? - indagou ansioso.
— Não podia permitir que Vegeta achasse que me entreguei a outro. - ela confessou de cabeça baixa.
— Eu sempre soube que isso ia acontecer! - o rei suspirou cansado. - desde que vocês tinham cinco anos e viviam se engalfinhando pelo castelo. A rainha me disse isso, ela tinha percepção. Ela dizia "esses dois ainda vão se amar quando crescerem", ela era muito perspicaz. Espero poder encontrá-la de novo, um dia – ele suspirou novamente. - eu também sabia que seria assim. Vegeta nunca suportou ninguém ao lado dele, exceto você, a única que ele tolerava. Quando ele começou a envolver-se com garotas de cabelo azul, eu devia ter desconfiado e parado aquilo. Era obvio que se apaixonariam, eu nunca quis ver e quando descobri, era tarde demais.
— Você está errado, papai – Bulma disse triste. - Vegeta não gosta de mim, não precisa se preocupar com isso.
— É melhor que você pense assim. - o rei devaneou. - e você, o ama? - ele perguntou sério.
— Muito. - ela disse sem hesitar, a resposta veio rápida, como se sempre tivesse morado em seus lábios.
— Isso vai ser fonte de muito sofrimento, infelizmente. - ele disse abraçando-a. - Mas, se você o ama de verdade, precisa deixá-lo cumprir seu destino de ser o maior soberano que esse reino conheceu e deixar nele uma linhagem de sangue nobre. Eu sei que é muito duro lhe pedir isso, espero que entenda.
— Eu entendo, - Bulma falou abraçando mais o rei – Infelizmente, eu entendo.
Um pouco entristecida por ter de prometer ao rei que nada mais teria com Vegeta, mas também com o coração mais leve por saber que não iria casar à força e também pelo rei não odiá-la mais, Bulma deixou o salão do trono e retornou a seu quarto. Descansaria até voltar ao trabalho à tarde.
E a tarde correu arrastada e pesada para todos eles. Bulma, por mais que se esforçasse não conseguiu se concentrar no trabalho, embora fosse um dia muito importante, pois estavam terminando aquele dia a construção das naves para os terráqueos. No salão do trono, o rei conversou com um de seus capitães que estava em viagem espaço para se colocar a par da situação da Terra e ficou chocado ao saber que Pilaf era um tirano que oprimia a todos e era odiado em seu planeta. Sua desconfiança aumentou em relação ao grupo e decidiu colocar tudo em pratos limpos aquela noite. Vegeta apenas treinou e treinou tentando conter a ansiedade pela reunião de logo mais e tentando em vão esquecer a noite anterior com Bulma.
Pilaf e Babidi receberam o convite para cear com o rei e com o príncipe, e já sabendo o motivo de tal reunião, colocavam os detalhes do plano em prática. Yancha apenas olhava os dois, muito descontente com aquilo tudo mas sentindo-se impotente em relação ao que estava por acontecer.
