Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 33 - Armando a armadilha.
Era de noite naquele momento, e um casal de esposos estava sentado no sofá da sala sem ter comido nada do jantar. Parece que a notícia de que em menos de nove meses seriam pais foi suficiente para tirar o apetite, estiveram conversando sobre várias coisas sobre sua relação e o que poderia mudar agora. Estava felizes e um pouco preocupados pela nova mudança.
— É incrível — repetiu o castanho pela enésima vez — Ainda não consigo acreditar.
— É melhor você acreditar — respondeu novamente a mulher.
— Mas pensava que tava tomando os anticoncepcionais.
— Então, tava, mas como você viajou, não precisava — justificou-se — Além do mais, esqueci de continuar tomando — acrescentou, fazendo-o rir.
— Pra falar a verdade, isso é mais fácil de acreditar — disse, levando um tapa no braço — E quem mais sabe?
— Obviamente a minha mãe, Hollie e... Bom, Sirius também descobriu.
— Sirius? — ele estranhou — Ah claro! De tarde se esbarraram no hospital, não é?
— Sim, antes da briga.
— Isso explica muitas coisas, inclusive a insistência dele pra que eu viesse pra casa.
— Que bom que ele guardou segredo como prometeu, mesmo que eu tenha ameaçado ele — comentou — O que a gente vai fazer com eles?
Remus começou a pensar. Sirius Black era seu amigo, mas tinha que admitir que tinha o enorme defeito de que todas as suas relações não duravam mais do que alguns dias. Em uma noite, dava um passo adiante e dois ou três para trás. A prova disso foi que tudo desmoronou depois daquela noite de natal, James e Lily não paravam de dizer que se tivesse acontecido com eles, já estariam casados.
Sem dúvidas Sirius tentaria falar com Hollie, mas no momento em que ficasse nervoso, corria o risco de dizer alguma estupidez e regredir ainda mais. Isso junto com a teimosia e orgulho dela, seria como jogar uma faísca em pólvora.
Por mais volta que Lupin desse no assunto, não podia pensar em uma solução para o problema. Seria um tempo longo de gritos, ataques, ligações, discussões, visitas tanto de um quanto do outro em casa ou trabalho para brigarem. Então e só então, estariam próximos de resolver a sua relação e aceitar finalmente o quanto se amavam.
— Vai ser difícil juntar aqueles dois — disse por fim — Na verdade não sei como podemos ajudar, teria que ser algo muito extremo.
— É pra tanto?
— Você os conhece, poderiam passar meses e até anos discutindo.
— É, eu pensei nisso também — confessou — O que podemos fazer?
— Agora devíamos comer — disse Remus, olhando para o relógio — Já tá tarde e não jantamos ainda.
— Bom, eu não tô com fome. Comi o dia todo, não muito, é claro, foi uma recomendação da médica — explicou — Vai você.
— Eu também tô sem fome.
— Ótimo porque agora me surgiu um desejo — disse com um sorriso travesso.
— Ah sim? Um desejo? — repetiu debochado.
— Sim, mas não se preocupa, não vai ter que sair pra comprar.
Aproximou-se dele e sentando-se no seu colo, começou a beijá-lo com cada vez mais paixão. Mesmo que em algumas vezes Remus se sentisse como um fantoche, porque quase sempre era ela quem começava, não podia dizer que desgostava de ter essas oportunidades de estar com aquela linda mulher.
— Bom, sendo assim — disse o homem com um fio de voz depois que se separaram — Por que não vai pro quarto? Eu só vou guardar a comida e já subo.
O sol começava a sair pela manhã, era um dia de semana, mas o casal não importou-se com esse detalhe quando ficarem acordados até tarde, realizando certas atividades que requerem uma considerável quantidade de energia. Segundo Tonks, precisavam aproveitar enquanto era tempo, já que quanto maior ficasse a barriga, mais difícil seria "brincar".
O despertador tocou na mesma hora de sempre, tirando os dois do sono. Desligaram com certa má vontade e ficaram deitados alguns segundos, só vendo-se e acordando lentamente.
— Bom dia, Dora.
— Bom dia. Noite animada — comentou travessa.
— Hora de levantar — ele corou um pouco.
— Temos mesmo? — ela reclamou — Seu chefe é seu amigo, se pedir, ele te dá uma folga.
— Vou preparar o café da manhã — ele disse com um sorriso de lado, dando a entender que isso não ia acontecer.
— Certo — Tonks aceitou de má vontade — Eu vou ao banheiro. Se hoje for como todos os outros dias, a qualquer momento vou querer devolver o estômago.
Remus foi até a cozinha, pensando no que podia fazer. Nunca tinha convivido com uma grávida, mas supunha que não devia cozinhar nada muito pesado ou muito gorduroso. Só fez algumas torradas com geleia, também um pouco de fruta picada, e fez tudo isso escutando o som distante de sua esposa vomitando no banheiro. Alguns minutos depois, ela entrou na sala de jantar, depois de escovar os dentes e com uma evidente expressão de desgosto.
— Espero que esses malditos enjoos acabem logo — ela disse, sentando-se em frente a mesa — É bem irritante ter que passar por isso.
— Eu imagino — foi a única coisa que conseguiu pensar em dizer, enquanto punha as torradas e frutas na mesa.
— Torradas! — comentou Dora, recompondo-se do enjoo — Só falta bacon, salsichas, e panquecas não seria uma má ideia, o suco de laranja ou melhor ainda, chocolate quente. Sei que não tá na época, mas uma rabanada de maçã ou torta de melaço. Tem também o guisado que minha mãe fez ontem, não tava ruim, mas também...
— Não acha que tá exagerando? — ele a interrompeu, risonho.
— Eu tô com fome, e agora eu como por duas pessoas — ela defendeu-se, esfregando a barriga.
— Sim, e dá pra ver que o bebê vai ter a fome Black — ele brincou, pegando uma torrada.
— Palhaço — acusou, fazendo o mesmo —, mas sabe, enquanto estava inclinada no banheiro, adorando ao deus de porcelana...
— Acha que é uma boa conversa pro café da manhã?
— Enquanto estava ali — continuou, ignorando o seu comentário —, pensei em um cômodo que temos vazio, sabe, a que deixou pra ser a adega.
— Sim, onde guardou alguns dos seus quadros. Que que tem? — ele perguntou.
— Acho que tive uma ideia de como usá-lo, e ajudaria aqueles amigos cabeça dura que temos.
— Como?
— Escuta, será bem cruel, e já que vai trabalhar hoje, pode pedir a ajuda de James.
O resto da manhã passaram conversando e arquitetando a ideia que Tonks teve, embora em algumas vezes a conversa se desviava para a infinidade de coisas que ela queria comer só no café da manhã. No final, combinaram em seguir em frente com o seu plano, tinham algumas coisas para preparar antes disso. O desenrolar daquela ideia podia ser muito bom ou muito ruim, mas conhecendo aqueles dois, seria como o caso de muitas doenças, onde tudo pode piorar antes de melhorar.
A notícia da gravidez dela correu bastante rápido, as amigas receberam a confirmação de sua descoberta e os Potters alegraram-se muito pelo amigo, principalmente Lily sorria com muito orgulho e um pouco arrogante, sempre soube que aquele casamento foi a melhor coisa que poderia acontecer com aqueles dois.
Por várias circunstâncias, decidiram realizar uma pequena reunião na casa dos senhores Tonks, todos concordaram com a ideia, e alguns deles como James e Julia sentiram-se animados quando escutaram a ideia que o casal teve para lidar com Sirius e Hollie. Todos os seus conhecidos, exceto os dois, sabiam do plano.
Na sexta-feira, antes da reunião, uma castanha chegava no seu apartamento bastante cansada. Toda semana esteve trabalhando arduamente, então esperava a chegada do fim de semana ansiosa para poder descansar. Tinha pensado em ir na casa dos Tonks para conviver com suas amigas por um tempo e depois voltar, a verdade é que depois do que aconteceu no hospital, não tinha dado de cara com Sirius e não tinha vontade disso. Então só passaria rápido na celebração para não ter que vê-lo por muito tempo.
Tinha tirado os sapatos e o casaco, caminhou até a cozinha para beber algo quando escutou baterem na porta. De má vontade, deixou o que estava fazendo para ir ver quem era o visitante inoportuno.
— Quem é?
— Sou eu — respondeu do outro lado da porta a voz conhecida de Sirius Black.
— Vaza, não quero falar contigo — exclamou Hollie, era a última pessoa que queria ver.
— Não vou até abrir, e se tiver que acampar na sua porta, eu vou, e sabe que eu sou louco.
Pensou nas suas palavras e com rancor se dispôs a abrir a porta. Sim, ele era louco o suficiente para dormir na sua porta e ficar ali por dias. Quando a porta abriu-se, ela afastou-se e foi até a sala, na verdade não tinha vontade de brigar na frente do seu apartamento onde qualquer um poderia ver e escutar.
— Hollie, espera — disse Sirius, entrando no apartamento e fechando atrás de si — Temos que conversar.
— Discordo — ela retrucou.
— Que droga, por que precisa ser tão teimosa?
— Olha só quem tá falando. Você é muito pior do que eu.
— Essa não é a questão. Por que não me contou nada na época?
— Quando eu pensei que tava grávida? — ele assentiu — Eu tentei te contar! Mas você com a sua estupidez não me deixou pronunciar nem meia palavra.
— Podia ter tentado depois — ele se defendeu automaticamente.
— Está dizendo que a culpa foi minha? — Hollie aproximou-se perigosamente dele.
— Não, só disse que não pode me culpar por tudo — aquele argumento tinha sido soado pior do que pensou — E não sei o porquê se irrita tanto, foi falso positivo!
— Você é um idiota — retrucou na mesma hora — Por acaso saber como é cuidar de um filho? Eu me irrito porque é incapaz de ter esse tipo de responsabilidade, não me surpreenderia se tivesse vários filhos e nem soubesse.
— Isso não é verdade! E como pode ter tanta certeza se eu posso me comprometer ou não?
— É incapaz de manter um simples relacionamento de mais de uma semana e ainda pergunta? — o repreendeu irritada.
— Isso é diferente! Eu teria cuidado do meu filho, e não só para livrar minha consciência — lembrou-se das suas reclamações anteriores.
— Se não estivesse bêbado, eu até acreditaria.
— Eu não tô bêbado!
— Eu consigo sentir o cheiro daqui!
— Tomei uns goles, mas tô perfeitamente lúcido — defendeu-se — Não sabe o quão difícil é vir e falar sobre isso contigo.
— Não precisa — garantiu com um tom de voz mais calmo e severo — Há muito tempo eu te livrei de falar sobre isso, então por favor, vá embora.
— Eu não vou! — levantou um pouco a voz — Você não entende...
— Não! Quem não entende é você! — o interrompeu — Não entende como me senti quando pensei que ia ter um filho seu, não sabe como me decepcionei, como tudo desmoronou quando quis terminar tudo como se nada tivesse acontecido, como doeu quando disse aquilo, principalmente pelo muito que te... — parou de falar de uma vez.
— O muito que você o quê? — ele perguntou.
— Nada, vai embora.
— Eu não...
— Saia agora ou eu vou chamar a polícia e sabe que eu faço! — gritou com mais força.
Ele realmente não queria ir, mas sabia que não tinha escolha. Chegou ali com outros planos, mas era claro que não conseguiriam resolver nada aquela noite. De má vontade, ele retomou o caminho para sair do apartamento, ela o seguiu só para garantir que fosse e para trancar a porta com o trinco.
Quando Hollie ficou sozinha, foi direto para o quarto e jogando-se na cama, usou o travesseiro como silenciador para gritar o mais forte que pudesse. Odiava Sirius e a ela mesma. Odiava Black por revirar todas aquelas lembranças e sentimentos que passou anos tentando enterrar, e a si mesma porque esteve a dois segundos de declarar-se para ele, esteve a ponto de dizer o que sentia, mas isso não podia acontecer. Não queria que ninguém soubesse o tanto que estava presa a ele, não queria que ele soubesse, já tinha a iludido uma vez, e não permitiria que voltasse a acontecer.
Depois de uma pesada note, Hollie acordou cedo em sua cama, tomou um banho e vestiu-se pensando em mil coisas ao mesmo tempo. O mais provável é que já tivessem tudo pronto para a reunião da tarde, ela queria ficar um tempo ali, mas depois da situação da última noite, pensava se era uma boa ideia ir. Certamente Sirius tentaria aproximar-se dela de novo, e se isso acontecesse, terminariam inevitavelmente discutindo. Isso arruinaria o seu humor e o dos outros, em resumo, arruinaria tudo.
Estava debatendo consigo mesma quando seu celular começou a tocar. Dora tinha mandado uma mensagem pedindo para que fosse para sua casa, que tinha um problema de garotas e que precisava de ajuda. A mensagem tinha vários "por favor" e uma leve ameaça, caso pensasse em não ir. Negando com a cabeça, divertida pela mensagem, decidiu ir, talvez passar um tempo com aquela louca melhoraria o mau humor que tinha desde que despertou.
Depois de um tempo de caminhada, chegou até a casa da jovem. Quando bateu na porta, foi recebida com um abraço e levada direto para o seu quarto. Remus não estava em casa porque tinha algo a fazer, então estariam sozinhas. A grande emergência dela era o que vestiria, algo muito estranho dela, já que sempre vestia o que a deixava mais confortável, mas atribuiu essa atitude à gravidez, talvez uma mudança de humor pelos hormônios.
— Qual é exatamente o problema, amiga? — perguntou Hollie, sentando-se na cama um pouco cansada.
Tinham passado quase meia hora vendo um grande número de vestidos, camisas e calças, tudo em companhia de uma série de músicas da banda de rock favorita de Dora. Não poderiam escutar alguém entrando em casa mesmo se estivessem esperando.
— Eu não sei — disse Tonks, que se via no espelho com um conjunto que usava frequentemente — Olha, eu gosto dessa roupa — indicou-se inteira —, mas com a gravidez... O que pensaria de uma mãe que se veste assim?
— Ah por favor, desde quando se importa com a opinião dos outros? — perguntou risonha.
— Eu não sei, mas eu estou preocupada e não entendo...
— Céus, quem diria que as suas mudanças de humor te tornariam uma mulher comum — exclamou debochada.
— Está me chamando de esquisita? — disse em um tom de reprovação.
— De certa forma, sim — confessou.
— É cruel — acusou enquanto dava uma volta para ver-se no espelho.
No momento em que fez isso, seu celular tocava. Só dava para ver porque a música não permitia que escutassem bem, correu até o móvel onde seu celular e o de Hollie e o desbloqueou.
— Estão te ligando? — perguntou a castanha, pronta para desligar a música.
— Não, é uma mensagem de Remus — pôs um sorriso enorme no rosto — Desde que contei da gravidez, está tão atencioso e carinhoso comigo — disse com uma voz sonhadora.
— Que inveja você me dá — disse em parte feliz pela amiga e em parte triste por ela mesma.
— Me desculpe... Ei, mas eu não te contei, tenho uma surpresa para o meu homem. Quer ver?
— Hã... não sei.
— Vamos, não seja estraga prazeres — disse, pegando-a pela mão e levantando-a da cama.
Assim e quase correndo, ela foi levada pela casa até o segundo andar onde tinha a porta que se supunha ser a adega da casa. A porta estava aberta, o que pareceu estranho para Hollie, mas pela pressa com que era arrastada não pôde pensar nisso nem nas vozes que saíam lá de dentro.
Quase arrastada, Dora a fez entrar no quarto até que estivessem no meio. O lugar estava mais vazio do que imaginava que estaria, só pode ver algumas caixas e uma figura vestida de preto que estava procurando algo dentro de uma delas. Hollie estava a ponto de perguntar o que estava acontecendo quando a pessoa na frente dela levantou-se e ia dar a volta, enquanto tirava algo de uma das caixas dali, a surpresa dos dois foi enorme.
— Sirius! — ela exclamou.
— Hollie — ele disse, mas menos impressionado.
— O que faz aqui? — ela perguntou desafiante.
— Remus e James pediram que...
O resto da explicação se perdeu pelo som da porta se fechando atrás deles e o som de várias coisas de metal sendo arrastadas e caindo sobre a porta.
— Ei, que isso? — gritaram ao mesmo tempo, mas do outro só houve silêncio, puderam escutar o murmúrio de uma risada contida de um homem.
— Remus, James, o que estão fazendo?
— É melhor abrir essa porta, Nymphadora!
Mas novamente não houve resposta. Ainda entre seus gritos, puderam notar como a música do quarto de Remus e Dora desligou-se, e depois alguém saía da casa.
— O que diabos tá acontecendo? — perguntou Sirius quando deixou de escutar ruídos.
— Nos trancaram, o que mais pode ser? — respondeu ela no mesmo tom.
— Que merda!
— O que é isso?
— O quê?
— O que tem na mão, animal! — ela exclamou.
Sirius levantou o braço e com isso o aparato o aparato que tinha tirado da caixa. Entre os dois, analisaram com mais cuidado, parecia uma espécie de gravador de voz digital, como a que alguns jornalistas usavam para realizar entrevistas e coisas parecidas. Depois de apertar em alguns botões, perceberam que tinha um arquivo de áudio. Curiosos, aproximaram-se em completo silêncio para escutar o que dizia, deram o play e esperaram.
