Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 34 - De confinamentos e anedotas.
Era de manhã cedo e em seu apartamento, um moreno acordava sem ânimo para nada. Na noite anterior tinha ido falar com uma garota muito importante para ele, mas no final tudo saiu da pior forma possível, e pensar que era muito provável que se encontrassem na celebração da casa de sua prima... só que tinha algo que não esperava, algo que talvez tivesse podido evitar se não estivesse com os ânimos tão baixos.
A campainha começou a tocar e sem muita vontade, Sirius foi ver quem era. Quando abriu a porta, encontrou-se com ninguém menos do que seus grandes amigos, Remus Lupin e James Potter, os dois não puderam evitar fazer uma careta ao vê-lo. Estava com uma camiseta branca, ou o que um dia foi branca, já que agora estava cheia de manchas notórias que não desapareceriam por mais que lavasse. A verdade é que nem ele mesmo sabia do que eram aquelas manchas. E claro, vestia ainda uma calça folgada que combinava perfeitamente com a camisa.
— Sim, eu sei, sou um desastre — disse Sirius, ao notar o olhar dos outros dois antes de entrarem no apartamento.
— Pode-se saber o que diabos te aconteceu? — perguntou James, entrando atrás dele.
— Minha vida é exatamente como eu me visto — exclamou desanimado, jogando-se no sofá.
— Nos serviria mais se nos desse detalhes do motivo — disse Remus com voz cansada.
— Detalhes: fui ver a Hollie ontem. Tá bom assim? — disse na defensiva, mas nenhum deles respondeu — Tá bem, eu conto — rendeu-se finalmente, então contou em maiores detalhes a "conversa" que tiveram na noite anterior.
Remus e James escutavam atentamente o relato, sabiam que cedo ou tarde eles se veriam e discutiriam o assunto, mas não esperavam que tivesse sido tão rápido. Por um segundo, pensaram se deviam continuar ou não com seu plano, mas já estava tudo pronto, não podiam voltar atrás.
— Bom, se estivesse sóbrio... — comentou James.
— Por que acha que eu tava bêbado? — reclamou o Black.
— Porque tem histórico, irmão — lhe lembrou.
— Eu tava sóbrio — garantiu na mesma hora — Só tomei uns goles, mas tava completamente lúcido.
— Bom, não adianta nada ficarmos aqui nos lamentando — comentou Remus — Põe algo decente e vamos — ele o olhou sem entender — Preciso da sua ajuda, tenho que levar umas coisas pra casa dos Tonks e estão pesadas.
— Eu não quero ir — reclamou Sirius — Hollie vai tá lá.
— E não quer vê-la? Não percebeu que não adianta se esconder? E se não fizer isso, só vai provar que não tava falando sério — disse James — Então troca de roupa e vamos.
Quarenta minutos depois, os três estavam a poucos metros da casa do castanho. Sirius estava muito focados na própria desgraça para perceber a armadilha, mesmo que a tivesse escancarada. Foi uma surpresa para eles encontrarem um segundo carro, identificaram rapidamente como o de Hollie.
Depois que Remus desse uma olhada na casa e enviasse secretamente uma mensagem a Dora, lhes disse que ela e Hollie estavam no quarto com música alta, então Sirius não precisaria esbarrar com ela. Rapidamente foram até o segundo andar onde tinha várias caixas e o que parecia ser um colchão jogado no chão, disseram a Sirius para tirar uma coisa das caixas do fundo enquanto eles levavam o resto.
Foi uma grande surpresa para ele encontrar um gravador e algumas almofadas em uma delas, e mais ainda quando virou-se e deu de cara justamente com Hollie. E para finalizar sua linda manhã, descobrir que seus "amigos" tinham trancado os dois naquele lugar.
— O que tá esperando? — Hollie o apressou depois que terminaram de ver o gravador.
— Já vou, Carter, não enche — ele retrucou. Pegou o gravador e deu play.
— Olá, amigos! — escutaram quatro vozes em coro que reconheceram perfeitamente.
— Talvez estejam se perguntando o que tá acontecendo — era a voz de Lily — A verdade é que por muito tempo vimos vocês dois e os conhecemos bem, então resolvemos ajudar, mas vocês não são o tipo de pessoas que escutam conselhos ou deixam ser ajudados, então "situações desesperadas pedem medidas desesperadas".
— É por isso que pensamos nessa brilhante ideia — dessa vez era Dora — Com isso, esperamos diminuir o tempo de suas brigas para ajeitarem as coisas, ficarão trancados nessa sala só de caixas vazias, e ninguém poderá escutá-los. Então não vão se distrair e vão poder conversar.
— Além disso — essa voz era de Remus — Como verão, improvisamos uma cama e pusemos uma porta de cachorro na entrada — eles viraram-se e confirmaram que era verdade — Então estamos prontos para deixá-los aí por quanto tempo for preciso, a porta tem três cadeados além da própria tranca, então melhor conversarem.
— Agora — era James — Todos estaremos na festa dos Tonks, então ficarão sozinhos e isolados, só tem comida para hoje e de noite Remus e Dora vão levar mais. Talvez seja meio extremo, mas pra ser sincero, gostei da ideia de trancá-los...
— James, se comporta — Lily o repreendeu.
— Que seja, garantimos que fiquem aí todo o tempo preciso. Então se não querem enlouquecer, melhor ajeitarem as coisas e até logo — e com uma risada, a gravação terminou.
— Ah, mas que inferno! — exclamou Sirius, jogando o gravador contra a parede, quebrando-o.
Depois disso, olharam-se nos olhos, mas não disseram absolutamente nada. Depois de um tempo, Hollie foi sentar-se completamente irritada na cama enquanto Sirius ia para a porta tentar inutilmente abri-la.
Longe dali, uma reunião estava a ponto de começar e só faltava que chegassem os principais, os outros convidados estavam esperando que chegassem, principalmente porque queriam saber como que o plano acabou. Todos sabiam o que eles planejavam fazer e estavam ansiosos para escutar se tinha dado certo.
Não foi surpresa quando Remus e Dora chegaram e foram rodeados e incomodados por dezenas de perguntas ao mesmo tempo. Depois de acalmar a todos, começaram a conversar, mas era pouco o que podiam dizer de sua travessura, a parte mais importante desenrolaria com aqueles dois e completamente em particular. Pouco depois, James chegou junto com Lily, trazendo algumas coisas para comerem.
Estava tudo o mais animado possível. Em um certo momento, fizeram-se os grupos, um de mulheres que falavam sobre Dora e o bebê, e os homens com sua própria conversa sobre a gravidez.
— Bem, filha — disse Andrômeda, trazendo algumas bebidas para elas — Já decidiram o nome?
— Mãe! Ele só tem três semanas, não acha que tá muito cedo? — reclamou Dora.
— Tem razão, amiga, melhor dizer quem será a madrinha — comentou Julia, divertida.
— Isso é ainda mais cedo, Julia — exclamou Susan, reclamando — E pode ter certeza que não vai ser você.
— Ela é uma feia, né — resmungou.
— Bom, o principal é o nome — interveio Dromeda — Eu tenho algumas sugestões...
— Não! — a de cabelo rosa a interrompeu — Eu te amo muito, mas, sério, depois do crime que cometeu com o meu nome, melhor deixar que Remus e eu pensemos nisso.
— Garota, não te eduquei pra ser tão grossa.
— Desculpa, mas é a verdade. Melhor dar essas recomendações pra Sirius, se o nosso plano der certo...
— Talvez tenha razão — comentou Lily, chegando na conversa — Eu me pergunto como aqueles dois devem estar agora.
Tinha passado pouco mais de uma hora em completo silêncio, só escutavam as tentativas frustradas do moreno de forçar a entrada. Naquele momento, ele encarava com muita intensidade a porta, qualquer um que o visse pensaria que estava tentando abrir ou transformar em cinzas aquela porta que os mantinha trancados.
— Até quando vai continuar com isso? — perguntou Hollie.
— Te irrita? — retrucou.
— Na verdade sim, me irrita um pouco.
— Como poder ficar sentada tranquila aí? — virou-se para vê-la.
— E o que eu deveria fazer? Já olhei todas as caixas e além de comida e travesseiros, não tem mais nada. A não ser que você use sua cabeça de alfinete, não tenho a mínima ideia de como sair daqui, já que não tem nem janela.
— E não trouxe seu celular?
— Deixei no quarto da Dora. E o seu?
— Não, de manhã James e Remus foram me buscar, e na pressa de sair esqueci — respondeu —, mas não tem amigos ou alguém que vai notar sua falta?
— Meus melhores amigos me deixaram trancada aqui. E o único lugar onde notariam seria no trabalho, mas eu sou testamenteira da Dora, ela poderia muito bem ir com Lily cuidar disso na minha ausência, a fortuna dela e Lily é administradora como eu.
— E eu trabalho com quem me trancou aqui, então não seria problema que não fosse trabalhar. Sabe, pensando assim, não é tão ruim...
— Sirius, se concentra! — ela exclamou — O que temos que fazer é pensar numa forma de enganá-los para que nos tirem daqui.
— Ou poderíamos conversar de verdade.
— Não teve o suficiente ontem de noite?
— Foi você que me expulsou de casa, Carter, já deveria saber a resposta.
E começaram a discutir a mesma coisa que na noite anterior.
— Eu me pergunto, será que já se resolveram? — Ted perguntou ao vento, estava em outra parte da sala conversando com os seus companheiros.
— Não — James e Remus responderam imediatamente.
— Primeiro vão discutir até se cansarem — acrescentou James.
— E quando se cansarem, vão falar como pessoas civilizadas — terminou Remus.
— É, acho que têm razão, são os que os conhecem melhor — aceitou Ted — Diga-me, Remus, como tem sido com minha filha? O primeiro trimestre é enlouquecedor.
— É, eu passei quase o tempo todo dormindo no sofá porque Lily me expulsava do quarto por qualquer coisa — lembrou-se James.
— Tá indo bem, eu acho, Dora não agiu assim — respondeu.
— Aproveita enquanto pode — ele aconselhou — Ser pai é ótimo, mas os nove meses são uma tortura. Elas passam por um desequilíbrio hormonal e mudanças no corpo enormes e nós temos a obrigação de deixá-las confortáveis. Soa fácil, mas não é.
— O pior são os desejos — disse Ted — Lembro de uma vez que Andrômeda quis fish and chips e, bom, não seria nada estranho se não fosse meia noite.
— Isso não é nada — debochou James — Uma vez Lily quis comer tamales.
— Quê? — eles perguntaram.
— É uma comida mexicana feita em massa de milho e recheada de carne, vegetais, pimentões, frutas, molhos e outras coisas — explicou — Viu num programa de TV e disse que tava com desejo. Bom, já a conhecem, passou dois dias pensando nisso e tive que procurar a receita e ingrediente pra fazer.
— Sério? — impressionou-se Ted.
— O pior é que eu não sei cozinhar, então foi um desastre... No final ela mesma cozinhou e eu tive que limpar a cozinha. Apesar disso, eu provei e são bons, mas é um tipo de culinária muito diferente da nossa.
— E desde então teve medo sempre que ela via televisão — debochou Remus.
— Vai rindo, mas é verdade — os outros dois sorriram — Quero dizer, sabe-se lá que outro tipo de comida eu teria que procurar além dessa?
— Sim, mas isso vai valer a pena quando nosso filho chegar — ele disse, embora no fundo estivesse um pouco preocupado, era muito diferente saber o que aconteceria por outras fontes.
Do outro lado do cômodo, as mulheres estavam falando de coisas parecidas. Lily estava a ponto de contar a mesma história que James tinha contado. Quando terminou, Julia não deixava de sugerir que Tonks se aproveitasse da situação, sugerindo o que podia pedir a Remus enquanto estava assim, enquanto era repreendida. Mesmo que pudesse, tentaria não abusar muito dele.
Depois disso, prepararam a comida e todos foram comer. Em algum momento, davam recomendações aos pais de primeira viagem, desde algumas para a gravidez até como deviam cuidar e alimentar o bebê. Dora não deixava de falar que era cedo demais para estarem conversando sobre isso, principalmente quando Lily — mais por brincadeira do que outra coisa — começou a falar sobre onde o garoto ia estudar.
Depois de sua primeira discussão que durou muito tempo, seguiu outra. Depois fizeram uma pausa para se recuperarem dos gritos e comer o que tinha sido deixado para eles. Descansaram um pouco e continuaram discutindo, jogando as caixas vazias um contra o outro e reclamando de todo o tipo de coisa. Se algum deles tivesse culpado o outro pela morte de "Guilherme, o conquistador", seria o mais coerente de toda a discussão.
Naquele momento estavam sentados em lados opostos da cama, de costas um para o outro. Era claro que Dora não tinha mentido na gravação, ou já teriam chamado a polícia por causa de seus gritos, mesmo que fosse só para se calarem. Praticamente estiveram brigando o dia todo, então estavam exaustos. A noite estava caindo e os "benditos" pareciam que não iam chegar tão cedo.
— Já são sete horas — comentou Sirius, olhando para o relógio de pulso.
— Trouxe seu relógio, mas não o celular? — ela reclamou.
— Eu poderia perguntar a mesma coisa — retrucou — Quando vai chegar aquele maldito? Essa comida que nos deixou não serve pra nada, já tô com fome.
— Só pensa nisso? — ela virou-se.
— No que quer que eu pense? Toda vez que falamos sobre nós, acabamos gritando.
— Por favor, o "nós" acabou faz tempo — voltou a dar-lhe as costas.
— Talvez pra você, mas não pra mim.
O cansaço era muito e o orgulho era pouco, tanto de um quanto do outro, era o momento que seus amigos estavam esperando.
— Para de falar isso! — Hollie gritou, ficando de pé e indo até a parte de trás do quarto. Comentários como aquele a iludiam e contradiziam tudo o que pensava sobre ele.
— Mas é a verdade! — reclamou Sirius, indo na sua direção — Por que não quer acreditar?
— Você ainda pergunta? Depois de tudo que te falei? Não é suficiente?
— Eu já disse que tava com medo, não quer dizer que não gosto de você — levantou um pouco a voz ao dizer isso.
— Ah por favor — ela encarou-o — E não lembra do que aconteceu depois? Uma semana depois, já tava com uma dessas vadias que você tá acostumado a andar, ou tô errada? Você nunca mudou.
— Sim, eu saí com outras mulheres, mas...
— Mas sempre pensou em mim? — ela debochou.
— Mesmo que diga nesse tom de ironia, sim. Saí com ela e com outras tentando te esquecer, mas como acha que eu conseguiria se a cada toque e beijo, eu via você? Nem podia levá-las pra cama porque sempre via você.
— Isso... é mentira — abaixou a vista, tentando convencer a si mesma — Você sempre esteve falando de...
— Dos meus encontros, sim, é verdade, mas era só bobagem por causa do orgulho. Não entende? Desde a última vez contigo, não consegui ficar com mais ninguém — aproximou-se dela — Você é única.
— Não é verdade — repetiu novamente sem querer acreditar.
Com cada passo que ele avançava, ela retrocedia com os braços cruzados. Seu corpo inevitavelmente começou a tremer, mas não de medo e muito menos de frio, mas sim de nervosismo. As últimas palavras que disse pareciam sinceras, não pareciam vir daquele mulherengo que todos conheciam, e isso a alterava demais.
Hollie continuou retrocedendo até que suas costas bateram contra a parede. Naquele momento, amaldiçoou-se por estar trancada ali, já que não tinha para onde correr.
— Sirius, se você se aproximar mais, eu juro que te castro! — ameaçou, era a última coisa que podia fazer.
— Tudo bem — ele reduziu a distância ao mínimo, não se deteve até poder rodeá-la com seus braços, mesmo que ela estivesse com os seus cruzados.
— Se afasta — ela mandou, mas não fez nada para obrigá-lo.
Em um simples movimento, Sirius a beijou nos lábios. Com esse beijo, queria transmitir todos os sentimentos que tinha por ela, e com tanto tempo e esforço custou a admitir. O contato foi tosco e frio até que as últimas defesa dela começaram a cair e ela começou a corresponder. Seu corpo estava cada vez menos tenso, e começava a se deixar guiar naquela situação. Talvez finalmente tudo poderia terminar bem para os dois.
