Capítulo XXIII
Eram 20:00 horas da sexta-feira. Harry e Rony haviam terminado de comer comida chinesa na casa de Harry enquanto eles discutiam os progressos alcançados na busca por Pansy.
Uma coruja bateu insistentemente na janela da cozinha. Rony abriu e pegou o papel, entregando a Harry em seguida. Harry leu a mensagem.
"Venha a Mansão Malfoy imediatamente.
D.M."
— Uma mensagem de Draco. Quer que eu vá até a Mansão.
— Acha que é seguro?
— Claro! Ele deve ter alguma informação sobre Pansy.
— Bem, vamos lá então!
Harry e Rony aparataram na Mansão Malfoy em seguida. Um elfo apareceu e indicou a biblioteca para eles. Quando os aurores entraram, imediatamente viram Draco junto a janela, um copo de whisky de fogo na mão esquerda. Draco virou-se para encará-los.
— Potter! Eu vou matá-lo! — Draco afirmou categoricamente.
Rony levantou o cenho.
— De novo isso? Estamos trabalhando para encontrar a Parkinson — Rony declarou.
— Tenho minhas dúvidas, mas não é esse o motivo.
Harry e Rony encaravam Draco perguntando-se o que seria agora. Eles perceberam que o loiro apertava o copo, os dedos pálidos. Draco tentava conter suas emoções. Raiva a principal delas.
— Por que você fez isso com ela Potter? Engravidou-a e abandonou-a?
Harry e Rony encararam Draco confusos.
— Do que você está falando? — Questionou Harry.
— Do fato de você ter dormido com Pansy, engravidando-a, para depois deixa-la e se casar com a Weasleysete.
— Não fale assim da minha irmã! — Rony se exaltou.
— Não se meta Weasley! Tenho que resolver isso com Potter!
— Acalme-se Malfoy. O que aconteceu? Por que você está afirmando essas coisas?
— Blaise me escreveu. Está em cima da mesa. Leia você mesmo.
Harry e Rony ficaram surpresos e então Harry caminhou até a mesa pegando a carta. Ele leu apenas para si mesmo, e não pôde evitar a apreensão que tomou conta dele.
"Draco, meu amigo!
Peço que me perdoe pela carta anterior, pelas acusações que fiz. Quando resgatei Pansy e vi que ela estava grávida fiquei enfurecido. A primeira pessoa que me veio à mente foi você, afinal, vocês sempre se amaram e eu sabia que ela tinha estado com você por um tempo. Perdi a cabeça e quis matá-lo. Só não o fiz porque sei que Pansy me odiaria. Ainda bem que não o fiz.
Eu ainda não tinha conversado com ela e decidi fazer isso hoje. Contei para ela a verdade sobre o que eu tinha feito, incluindo meus planos de deixar a criança com o pai, no caso você. Mas para minha surpresa Pansy me olhou de maneira confusa e eu percebi que havia algo errado. Fiz ela tomar o soro da verdade. Sabes que ela respondeu a tudo o que eu perguntei.
Sabe amigo, eu nunca toquei em um fio de cabelo dela. Pansy era virgem quando substituiu Daphne naquela maldita despedida de solteiro. A despedida de Harry Potter. Ela não o reconheceu, ela não tinha memória. Mas o Weasley a fez beber e depois a colocou a mercê do Potter. Não sei se proposital, isso eu deixo para você descobrir. O que sei foi que ele dormiu com ela, mesmo ela não estando sóbria. Quando ela acordou ele a reconheceu e todo o mais você já sabe. Ela soube que estava grávida e disse a ele, mas ele provavelmente a tomou como uma garota fácil, que vai para a cama de qualquer um, e não acreditou. Pansy me disse que não queria atrapalhar o casamento dele e passou a negar a paternidade. Ela pensa em seguir a vida sozinha, com a criança. Potter pensa que você é o pai, você pensa que sou eu, e eu pensei que fosse você. Mas é ele. O maldito garoto de ouro tirou-a de nós. O maldito garoto de ouro a feriu, usou e abandonou. Apesar de tudo, nossa princesa se apaixonou tolamente pelo garoto de sobreviveu.
Pensei em matá-lo também. Mudei de ideia quando percebi que seria demais, que viriam atrás de nós e eu só quero viver em paz com Pansy. Decidi que vou ficar com a criança, assim será mais fácil conquistar Pans. Ela sempre foi do tipo familiar. Também vou devolver as memorias dela. Com certeza ela vai lembrar do que Potter significa na vida dela e vai me agradecer por mantê-la longe dele. Isso deve acabar com essa ilusão que ela sente agora por ele.
Enfim. Perdoe-me e continue sendo meu amigo. Prometo cuidar de Pansy e da criança. Prometo fazer tudo para que ela seja feliz. Não venha atrás de nós. Desista dela.
Seu eterno amigo, Blaise."
— Merlin! — Harry exclamou — Isso não pode ser verdade!
— Não banque o engraçado Potter. Você sabe que tudo o que está escrito aí é verdade. Blaise não mentiria.
— Como você sabe disso?
— Eu o conheço. Ele é espontâneo e verdadeiro, sempre foi. O que não posso dizer de você. Onde está a honra grifinória?
— O que você quer dizer?
— Que você sabia que era o pai e não se importou.
— Não foi assim. — Harry suspirou. — Eu jamais... Ela veio até mim antes, mas eu não acreditei mesmo nela. Eu estava movido pelas lembranças do passado e isso me fez pensar que ela estava mentindo para obter alguma vantagem nisso. Que era um plano de vocês.
— Isso não impediu você de dormir com ela.
— Eu não sabia que era ela, eu também estava bêbado. Não lembro daquela noite com detalhes, por isso duvidei dela.
A sala ficou em silêncio.
— Eu lamento o que aconteceu. — Rony falou pela primeira vez. — Eu não a reconheci, ela usava véu como parte da fantasia trouxa e Harry havia dito que ia embora. Ninguém sabia que ele ia voltar para o quarto, ou eu jamais a teria posto lá. Ginny é minha irmã. Você pensa mesmo que eu ia querer que Harry a traísse? — Rony sentiu que devia falar.
— Pode ser que não.
— Não, com certeza nada. Tudo foi um grande engano. Penso que ninguém é realmente culpado. Foi uma cadeia de acontecimentos que levou a isso. Se for para culpar alguém, temos que culpar todos os envolvidos, a começar com Zabini que mexeu com a memória de Pansy.
— Isso é verdade. Mas você ficou próximo de Pansy esses últimos tempos. Ela considerava você um amigo. — Draco acusou ciumento.
— Sim, posso dizer que nos tornamos amigos. Pansy é uma boa garota. Ajudei Harry a mantê-la segura quando estava com ele.
— E não o fez muito bem. — Draco alfinetou. — Vocês podem ir. Antes que eu não consiga mais me controlar. Mesmo sabendo que foi um acaso, não consigo deixar de querer matar você por ter sido o primeiro dela Potter.
Draco voltou a olhar pela janela, dando por encerrada a reunião. Ele parecia triste e perdido. Harry e Rony mantiveram silêncio e saíram da biblioteca, aparatando em seguida para a residência de Harry.
— Acredito que o que Zabini disse é verdade. Eu lembro de uma coisa daquele dia Harry. — Rony declarou sem jeito.
— O quê?
— Sangue nos lençóis.
— Como assim Rony? — Harry exigiu.
— Você saiu atrás de Ginny e Pansy foi levada do seu quarto para o Ministério. Algo me chamou atenção nos lençóis, uma mancha vermelha, uma mancha que parecia sangue. Mas com tudo o que estava acontecendo eu não pensei muito sobre isso e nem dei importância, não fui verificar se era mesmo. Podia ser qualquer outra coisa.
— Merlin Rony, você deveria ter dito. — Harry estava visivelmente transtornado.
— Me perdoe Harry! Eu realmente não pensei que fosse importante. Jamais ia imaginar que fosse... Que ela ainda fosse virgem.
Harry suspirou e passou as mãos no cabelo. Ele parecia transtornado.
— Como eu pude ter sido tão tolo? Como eu pude tratá-la assim?
— Você não sabia Harry.
— Você também não, mas você se tornou amigo dela!
— Passei a conhece-la quando passamos mais tempo juntos. Mas nem sei se ela é assim mesmo, ela não recorda o passado.
— Você sabe que não vai fazer diferença depois de tudo, não é? Mas o que eu vou fazer agora? É meu filho!
— O que você pretende fazer?
— Encontrá-la! Encontrar Pansy, mantê-la em segurança com meu filho.
— E como você pretende fazer isso?
— O que você quer dizer?
— O que você pretende oferecer a ela?
— Quero ela perto de mim Rony, ela e a criança.
— E seu casamento?
Harry o encarou.
— Não sei o que fazer Rony. São tantas coisas para decidir! Pode me deixar sozinho? Preciso pensar.
Rony viu que o amigo queria que ele partisse e achou melhor sair, dando um tempo para Harry assimilar tudo. Ele foi em busca da esposa, Hermione. Contaria tudo a ela para que ambos pudessem ajudar Harry.
— Vou buscar Hermione. Viremos vê-lo mais tarde Harry. Juntos trabalhamos bem e vamos descobrir o que fazer.
Um silencio sepulcral se fez na sala de Harry após a partida de Rony. Sua mente estava a mil. As lembranças de sua despedida de solteiro, dos dias que passara com Pansy, das conversas com ela sobre o bebê, sobre Ginny e o casamento. Ela havia dito que ele era o pai, mas depois voltou atrás da declaração. Como ele só tinha dela concepções relacionadas ao fato de ser da sonserina ele realmente acreditou que ela mentiu, que tentou se aproveitar dele indicando a paternidade. Ele não percebeu que ela tinha desistido quando viu que ele ainda ia se casar com Ginny, não porque queria enganá-lo, mas porque não seria ser um empecilho. Ela negou para que ele seguisse com sua vida.
Ele lembrou do que sentia com ela e por ela. Das vezes que fizeram amor. Do quanto sentia falta dela quando estava longe. De como se sentia culpado quando estava com Ginny. Ele gostava de Pansy. A verdade nua e crua era que ele não havia perdido as lembranças e sabia muito bem quem ela era, por isso não se permitia estar com ela, com aquela que infernizara-lhe a vida e de seus amigos. Ele o garoto de ouro, ela a serpente traidora que quisera entregá-lo ao Lorde das trevas. Ele estava apaixonado, embora não quisesse admitir. E Pansy estava esperando seu filho.
Um frio lhe percorreu a espinha ao recordar que Blaise estava com ela. Que ele queria ela. Que ele iria ficar com a criança, privando-a do pai. Que ele faria qualquer coisa para ter Pansy para si.
Ele não podia permitir. Ele os queria com ele. Como uma família. Harry não poderia perdê-los. Pela primeira vez desde a guerra, ele chorou
Na Mansão Parkinson, Pansy olhava perdida para os jardins pela janela quando ouviu a porta se abrir. Blaise entrou e ela não pôde evitar o tremor de seu corpo.
— Olá Pansy querida!
— Olá! — Pansy observou que Blaise estava de bom humor.
— Tenho novidades. Decidi que vamos ficar juntos, nós três. Eu, você e seu bebê. Como uma família.
— O quê? — Pansy estava surpresa.
— Sei que Potter é o pai e sei que assim que você recordar quem ele é, vai querer ficar longe dele. Então, ao invés de eu entregar a criança, vamos ficar com ela, vamos formar nossa família Pansy.
Pansy ficou muda. Ela não sabia o que dizer. Por um lado, enxergava o absurdo do que ele dizia, por outro, sentia curiosidade em ter suas memórias de volta.
— Vou devolver suas memórias e sua varinha.
Blaise aproximou-se dela e apontou a varinha dele. Pansy sentiu muito medo. Ela temia que tudo fosse um truque e de repente ele a machucasse.
Blaise baixou a varinha.
— Não vou machucá-la.
— Você contou para alguém... Sobre o pai?
— Não contei a Daphne ainda... Mas contei a Draco.
— O quê? — Pansy sentiu o sangue lhe fugir a face.
— Quando pensei que o bebê era dele eu fiquei chateado. Mandei uma carta um tanto ameaçadora para ele. Ele é meu amigo, precisava pedir desculpas afinal. E também queria que ele odiasse o maldito Potter também. Ele precisava saber.
Pansy suspirou. Harry saberia a verdade agora. Draco falaria, ela tinha certeza. Só esperava que Draco não se machucasse e Harry não acreditasse no que dissessem. Ela preferia manter a mentira. Ele ia casar e seguir a sua vida, ela teria de fazer o mesmo. E não queria laços com ele para o futuro. Talvez ela precisasse dele até o bebê nascer, mas não mais que isso.
— Deite na cama, vai ser melhor assim. — Blaise a tirou de seus devaneios.
Pansy obedeceu, não via escolha, ele poderia obrigá-la se quisesse. Quando deitou ela viu Blaise se aproximar. Ela fechou os olhos. Alguns segundos depois ela sentiu uma leve pressão na cabeça. Sem ouvir nada ela começou a ver várias cenas passando como que diante de si. Ela foi recobrando diversas lembranças. Sua infância, seus pais, o tempo em Hogwarts, seus amigos, seu relacionamento com Draco, o Lorde das trevas, Harry Potter e seus amigos, a guerra...
Pareceu uma eternidade, mas por fim tudo parou. Ela sentia dor de cabeça. Sabendo disso, Blaise lhe entregou uma poção.
— Vai ajudar.
Ela sentou na cama e tomou a poção. A dor desapareceu imediatamente. Ela organizava os pensamentos. As lembranças como enxurrada.
— Como você se sente? — Blaise estava visivelmente preocupado e apreensivo.
Ela fez a ideia exata de quem ela era e do que tinha acontecido. Se alguém no passado tivera dito que ela se envolveria com Potter, ela teria azarado a pessoa.
— Não há um sentimento único que me defina agora.
— Entendo. Não espero que seja fácil. Você precisa de tempo. Vou deixar você sozinha. Mando seu jantar no horário. Trarei sua varinha depois.
Blaise a olhou por um tempo e como não teve resposta, acabou saindo e deixando Pansy sozinha. Ele não trancou a porta dessa vez. Ela tinha muito no que pensar.
