Capítulo 25 – Holanda.

Passei as mãos com cuidado pelos cabelos rosados de Sakura. Ela dormia serena em meus braços. Fiquei admirando a sua beleza conforme as horas passavam. Olha para ela me fazia querer ser feliz, esquecer o que havia acontecido no passado e seguir adiante. Minha conversa com Naruto fervilhava em minha cabeça, eu tinha que agradecer a ele por ter sido insistente e ter aberto os meus olhos em relação a Sakura e a minha vida. Automaticamente retirei o celular do bolso e digitei:

"Não sou bom com as palavras, você sabe disso, mas quero te agradecer por ter insistido comigo. Definitivamente estava fazendo a escolha errada e graças a você, pude seguir pelo caminho correto. Obrigado por ser meu irmão. Eu escolhi ser feliz, assim como você.

Sasuke".

Não foi preciso muito tempo para o meu celular apitar avisando que uma nova mensagem havia chegado.

"Eu sei que não é. Fico grato com essa mensagem. Tu sabe o quanto te amo, irmão. Espero que seja feliz, pois ela estaria feliz por você. Naruto".

Sim, Tentem estaria feliz por saber que a minha vida estava seguindo adiante.

O piloto fez um comunicado dizendo que estávamos quase chegando. Acordei Sakura assim que as aeromoças começaram a dar as instruções para colocar os cintos de segurança, retorna a poltrona para a posição inicial.

— Sakura? — tirei os fones de ouvido dela.

— Hum? — ela se espreguiçou e bocejou em seguida.

— Pousaremos em breve — abriu os olhos e me encarou. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto se perdendo nos cabelos rosados.

— Já?

— Sim — sorrir.

— Eu dormir? — ela se sentou ajeitando os cabelos.

— Sim. — afivelei o cinto de segurança nela e em mim — Por mais ou menos umas cinco horas.

— Nossa! Isso tudo? — perguntou perplexa — É tão estranho.

— O que é estranho?

— Eu não consigo dormir em um voo — falou ao olhar para a janela.

— Deve ser porque você dormiu em meus braços — falei divertido.

Sakura encarou com os seus olhos verdes como jade. Ela esboçou um sorriso leve e descontraído, eu amava quando ela sorria.

— Nossa! — ela voltou a sua atenção para a janela — Que lindo!

Já era noite na Holanda, então o que nós víamos pela janela era uma explosão de luzes e cores.

— Bem-vinda à Holanda — ela se virou para mim e abriu o sorriso mais lindo de todos. Parecia que as luzes lá de fora haviam contagiado seus olhos que, ao em vez de estar na escuridão de sempre, agora estavam iluminados.

O avião pousou e meu motorista particular nos recebeu na área de desembarque. O caminho até a minha casa foi tranquilo e Sakura admirava as luzes da cidade, mesmo estando de noite. Fazia anos que não vinha para Holanda, ao contrário de Itachi que sempre que podia estava aqui com Konan aproveitando.

Assim que chegamos no condomínio senti a sensação familiar de estar de volta em um dos lugares que eu mais amava. O jardim era incrível, minha mãe sempre foi apaixonada por flores e como aqui tem os mais diversos tipos, ela fez questão de criar um jardim encantador somente para ela.

Quem sabe depois da reunião com os Holandeses, não levasse Sakura para conhecer a propriedade e lhe mostrar as diversas flores que minha mãe cultivava com tanto carinho.

Noah abriu as portas para mim e Sakura. Assim que meus pés tocaram o chão de linóleo lembranças boas e ruins me acometeram. É claro que Sakura notou a mudança em meu comportamento. Ela segurou a minha mão com força e ficou me olhando com carinho. Senti que ela estava pensando se deveria ou não dizer alguma coisa, como se quisesse esperar o meu momento de falar. Eu amava esse jeito dela.

— Pode perguntar. — a incentivei a perguntar o que ela queria saber. — Queria saber se está tudo bem com você.

— Essa casa me faz ter lembranças muito boas e outras ruins.

— Tente focar somente nas boas e esqueça as ruins.

— Eu gosto da forma simples que você leva a vida — beije-lhe a cabeça — Obrigado por ser preocupar comigo.

— Sempre. — seu olhar me transmitia tranquilidade e companheirismo.

— Meu menino — Roza exclamou em seu inglês carregado assim que me viu na entrada — Que saudades eu senti de você — me abraçou com carinho.

— Eu também, Roza — meus braços se envolveram com carinho na cintura rechonchuda da senhora de meia idade. Quando ela se afastou para me afagar o rosto como uma mãe faria com o seu filho, apresentei Sakura a ela — Sakura, essa é Roza, nossa governanta e uma das mulheres que me criou.

Sakura estendeu a mão para Roza que a puxou para um abraço apertado.

— Prazer em conhecê-la, senhorita Sakura — Roza disse com carinho.

— O prazer é todo meu.

— Ela é minha namorada — falei com um sorriso largo no rosto.

Roza ficou me olhando como se eu fosse algum tipo de alienígena e eu só pude continuar a sorrir para ela. Sakura ficou corada com minha declaração. Era a primeira vez que eu a apresentava a alguém como minha namorada.

— Uma bela escolha — Roza me cutucou e Sakura ficou mais vermelha ainda. — Estão com fome? É claro que estão. Que pergunta a minha. Vou preparar algo para vocês comerem.

— Não precisa, Roza. Nós já comemos no avião e está tarde. — falei — Você deveria ir dormir, nós já vamos também.

— Onde estão as malas? — perguntou Roza me ignorando por completo. Ela sempre foi assim, era ela quem mandava na casa e dava a última palavra. Sorri. Sentia falta do jeito mandão dela.

— Noah está cuidando delas — Sakura olhava de Roza para mim, na certa estava achando estranha a forma como ela estava me tratando.

— Sendo assim, irei para a cozinha depois que mostrar onde essa linda moça ficará hospedada.

— Não precisa, Roza. Eu mesmo faço isso — falei. Ela me deu um beijo no rosto e foi para a cozinha.

— Venha — a peguei pela mão. Sakura estava gelada e calada — Vou te levar até o seu quarto.

Subimos por uma escada em espiral de mármore. Sakura estava impressionada com as belas pinturas nas paredes. Meu pai era um colecionador de obras de artes. Ela me perguntou sobre algumas antes de pararmos em frente a porta do quarto de hóspedes. A mala de Sakura estava próxima a cama e era exatamente como eu me lembrava dele.

O quarto era amplo e bem iluminado, o piso de madeira escura contrastava com as paredes claras, a cama com um dossel dava um ar vitoriano e uma lareira deixava o lugar acolhedor. As janelas eram amplas e davam para o jardim de minha mãe.

Era o melhor cômodo da casa, mas isso não pareceu impressionar Sakura. Ela sentou-se na cama e estava estranhamente quieta para o meu gosto.

— O que houve? — perguntei me sentando ao seu lado.

— Por que disse aquilo? — seu olhar era um misto de medo e expectativa.

— O quê?

— Há algum tempo atrás você não sabia dizer o que eu representava em sua vida, mas agora a pouco me apresentou como sua namorada. Você está me deixando confusa, Sasuke. — Não pude deixar de sorrir com o questionamento dela.

— Eu disse a verdade para Roza, você é minha namorada. — me aproximei dela.

— Então…

— Eu te falei que tentaria, não falei? Quero que isso entre a gente dê certo, eu preciso que dê. — Coloquei uma mecha do cabelo dela para trás da orelha. Os olhos verdes dela brilhavam como estrelas — Acho que não tem problema em te apresentar como minha namorada, tem? Já que sei o que eu sou agora e o que você representa em minha vida.

— É meu namorado.

— Eu sou — a beijei com carinho. Sakura sorria conforme eu a beijava e isso me deixava feliz. Estava me sentindo um adolescente bobo que tinha ficado com a garota mais bonita do colégio, aquela que todos cobiçavam.

— Esse foi o pedido de namoro mais estranho que tenho conhecimento — ela brincou.

— Eu fujo do que é tradicional — entrei na brincadeira dela.

Sakura começou a gargalhar e me abraçou com força. Eu amava o jeito dela de deixar o clima mais leve e fazer piada com tudo. Eu deveria ter tomado essa atitude antes, minha vida teria sido mais fácil e leve com ela ao meu lado sendo minha namorada.

Deixei Sakura no quarto para tomar um banho e se trocar e fui para o meu. Entrei e fui surpreendido pelas fotos espalhadas pela estante de livros. Havia me esquecido delas. Peguei uma e admirei a foto com certa saudade. Era Tenten em um desfile de moda. Seus cabelos castanhos estavam soltos e caiam como cascatas pelas suas costas. Ela usava um vestido justo no corpo, deixando em evidência todas as suas curvas de modelo.

Ela era linda e se fosse há um ano atrás eu choraria implorando para que pudesse voltar no tempo e viver aqueles momentos com ela de novo, mas agora, me sentia livre. Livre para viver um novo amor. Coloquei o retrato de cabeça para baixo no mesmo lugar, o deixando para trás, assim como o meu passado.