Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 35 - Consequências do confinamento.
Um casal voltava para sua casa já bem tarde, tinha sido um dia muito divertido para eles mas ainda assim ansiavam chegar ao seu lar. No carro, levavam um pouco de comida da reunião que foram e durante quase todo o caminho não deixaram de falar sobre isso.
— Será que tá muito tarde? — perguntou em um momento a mulher.
— Um pouco, sim — ele respondeu — Teríamos chegado antes se não tivesse desejado esse bolo de chocolate.
— Mas eu fiquei com desejo — ela defendeu-se — E eu disse que ia te dar um pouco — acrescentou, lembrando que o gosto por chocolate era compartilhado — Como acha que eles estão indo? — voltou a perguntar.
— Quem sabe. Suponho que agora cansaram de discutir, e devem estar conversando.
— Ou talvez algo mais, todos sabemos que eles costumam demonstrar sentimentos fisicamente — ela sugeriu.
— Sim, tem razão... Só espero que os barulhos deles não nos interrompam — disse em um tom sugestivo, fazendo-a sorrir e corar.
Já no quarto trancada de casa a situação estava um pouco tensa. Depois de um dia de discussões, agora o casal estava desfrutando da proximidade um do outro, os lábios unidos. O tempo parecia não avançar enquanto cada um começava a ficar sem ar, separaram-se respirando com certa agitação, encontravam-se tão próximos que podiam refletir em seus olhos.
Depois disso, recuperaram-se um pouco. Ele tentou aproximar-se outra vez, mas Hollie livrou-se de seu abraço antes que conseguisse, e com três passos afastou-se dele e ficou às suas costas.
— Não faça isso de novo — disse com um fio de voz.
— Mas...
— Não, Sirius. Não quero voltar a me iludir, é horrível quando tudo desmorona.
— Sei que te decepcionei, mas dessa vez vai ser diferente, não vai ser como da última vez.
Esperou por uma resposta, mas nunca recebeu. Assim como sabia que aquele beijo tinha significado tanto para ela quanto para ele, sabia que tinha um momento para deixar de pressionar. Já tinha cometido aquele erro antes e sempre terminavam igual, daquela vez a deixaria em paz. Esperava que pudesse assimilar a situação e acreditasse na sinceridade de suas palavras, e não importava quanto tempo demorasse, ou quantos gritos, reclamações e tapas tivesse que suportar, não deixaria de lutar por ela.
Não sabia quanto tempo tinha passado desde o beijo, mas estiveram em profundo silêncio, tanto que escutaram claramente quando alguém entrava em casa e acendia as luzes. Remus e Dora já deviam ter chegado. Alguns minutos depois, conseguiram escutar o murmúrio de alguns passos que se aproximavam e no final alguém bateu na porta.
— Continuam vivos? — perguntou a voz divertida de Nymphadora.
— O que você acha? — respondeu Hollie, que estava mais perto da porta — Acredite em mim, quando eu sair daqui, vai me pagar.
— Então cada minuto que passarem aí será um minuto a mais de vida — um instante depois, a porta de cachorro abriu e por ela empurrou algumas coisas — Minha mãe enviou isso, e diz que aguarda ansiosamente por sua libertação — disse como se falasse com presidiários.
— Quê? Isso é tudo? — gritou Sirius — Acha mesmo que só isso vai saciar a minha fome?
Como resposta, só escutaram uma sonora gargalhada. Apesar de saber que seus "carcereiros" tinham voltado, escutar aquela louca aliviou um pouco o tenso ambiente que tinha se formado. Com mais tranquilidade do que o pensado, começaram a servir-se do jantar em alguns pratos que também tinham sido empurrados para eles, e começaram a comer.
Em outro cômodo da casa, Remus e Tonks também começaram a comer enquanto pensavam no que fariam agora. Dora considerou que o melhor seria deixar de ir ao instituto de Burbage. Até então não tinha problema, mas em alguns meses seria bem complicado locomover-se, e não queria que Remus se preocupasse mais por ela.
Sirius e Hollie estavam terminando seu jantar em completo silêncio, mas não era um silêncio incômodo, não tanto quanto deveria ser.
— É óbvio que foi minha prima que fez isso — comentou Sirius depois de um tempo — Reconheço o temperamento.
— E a miserável quantidade de comida que te serve há meses — acrescentou Hollie com um meio sorriso.
— É, isso também, já deveria relaxar-se — disse — Sabe, pensei que talvez se fizermos muito barulho e não os deixarmos dormir, nos tiram daqui.
— Nymphadora parece contigo. Se chegamos a fazer isso, nos deixaria trancados por mais tempo por puro rancor, ou pior, poderia nos mandar só as sobras de comida.
— Tem razão — aceitou, deixando o prato vazio sobre o chão.
Os murmúrios do outro lado da porta pouco a pouco começaram a diminuir. Depois de uma hora, já não se escutava nenhum barulho, então supuseram que o casal foi dormir ou alguma outra coisa, então não tinha razões para continuarem acordados, só tinha um pequeno problema.
A cama que tinha deixado para eles era muito pequena, podia dizer que era de solteiro, talvez alguns diriam que foi acidental, mas com Dora tinha participado do plano, muito provável que foi completamente intencional.
Hollie imediatamente monopolizou a cama, tirou os sapatos e se dispôs a dormir, acomodando-se e dando as costas para ele. Já Sirius, sem saber muito bem o que fazer, rasgou algumas caixas vazias e as deixou no chão como se fossem uma colcha, certamente era muito mais incômodo, mas pensar que não tinha outra escolha. Revirou-se sobre o papelão, tentando ajeitar-se enquanto tudo isso era escutado pela castanha, que não conseguia dormir.
— Para com isso, Sirius — ela reclamou.
— Desculpa, mas isso não é nada confortável — respondeu com ironia.
— Então — se deteve um momento, sem acreditar no que estava a ponto de dizer — sobe na cama — disse finalmente.
— Quê? — exclamou surpreso.
— Não é nada do que tá pensando — garantiu na mesma hora, ainda de costas para ele — Só vamos dormir e nada mais. Anda, sobe — não teve uma resposta, não verbal pelo menos, já que sentiu como ele acomodava-se atrás dela.
— Bem melhor — ele disse — Que perfume você usa? É cheiroso — perguntou, cheirando seu pescoço, causando-lhe calafrios.
— Não importa, boa noite — tentou desviar o assunto.
— Boa noite — ele abraçou-a perto dele.
— Sirius — disse Hollie — Sua mão não tá muito pro norte?
— Pra mim tá ótimo. E sabemos que quando dormisse, minha mão ia subir.
— Tira sua mão daí se não quiser voltar pro chão — diante disso, ele deixou de segurá-la assim e a tomou pela cintura, que estava mais para o sul — Boa noite.
O sol começava a sair e era uma bonita manhã de domingo. Era cedo quando um castanho e uma rosada perambulavam pela cozinha de casa. O homem preparou um pouco de chá, e a jovem serviu-se de suco de laranja e, por que não, uma rabanada de chocolate que compraram no dia anterior. Sem dúvidas era uma estranha combinação, mas desafiaria qualquer um que tentasse fazê-la mudar de opinião.
Para aquele dia tinham planejado uma pequena saída ao parque só os dois, tinham vontade de passar um tempo fora só eles sem que ninguém incomodasse, só tinha um pequeno detalhe que precisavam ajeitar antes.
— Remus, acha que já se resolveram? — perguntou em um momento.
— Só passou um dia, difícil de saber — ele respondeu.
— É que eu tava pensando e não acho que sejam tão teimosos assim, talvez até já se pediram em casamento.
Lupin olhou para sua esposa com certo cuidado, como se estivesse tentando ver algo em específico.
— Foi você quem disse que deveríamos deixá-los ali semanas se fosse preciso — lembrou-a — Essa pressa sua por um acaso é porque eles precisam ir ao banheiro?
— Quê? Eu... bom, sim — confessou — Eu sinceramente não pensei nisso, e teria sido melhor termos trancado-os no outro banheiro. Seria humilhante terem que mijar em uma garrafa.
— Você sabe que em alguns meses estaremos mudando fraldas.
— É diferente, será o nosso filho.
— Mas será igualmente nojento.
— Olha, não começa. É melhor eu ir ver como estão. Acha que ainda dormem?
— Provavelmente. O sono pesado é uma das coisas que têm em comum.
Sem perder mais tempo, Dora foi ao quarto para buscar as chaves e depois foi até o segundo andar da casa. Pôs o ouvido contra a porta para confirmar que continuavam dormindo, só uns roncos que pensou virem de seu tio deixaram-se escutar. Com cuidado, foi destrancando os três cadeados e a fechadura da porta, lentamente a abrindo, o que viu dentro a surpreendeu.
O casal continuava profundamente adormecido e fortemente abraçados um contra o outro. Em algum momento da noite, a castanha deve ter dado a volta e agora estava cara a cara com o moreno, com seus lábios a escassos centímetros. Uma das mãos dele já não estava mais ao redor de sua cintura, mas um pouco mais ao sul — onde as costas perdem o nome —, ela não parecia incomodar-se com isso e mais porque tinha uma das mãos na mesma parte que ele. Para terminar, as pernas deles estavam entrelaçadas. Se algum deles caísse da cama, com certeza levaria o outro junto.
Nymphadora teve que conter a gargalhada que ameaçava sair. Cuidadosamente, entrou no quarto e no melhor ângulo, imortalizou o momento, tirando uma foto com seu celular. Com o mesmo cuidado, saiu do quarto para falar com Remus, já tinha pensado que algo assim poderia acontecer, mas estavam com mais roupa do que ela tinha pensado.
O momento de acordar se aproximava e sabia. Em um estado entre estar adormecido e acordado, começou a lembrar-se de um sonho terrível. Tinha sido trancada em um quarto com o homem que amava, mas fingia odiar. Com aquela proximidade tão pronunciada e sincera de sua parte, embora isso não fazia o sonho tão ruim. Hollie tentou mover-se, mas seus movimentos estavam muito limitados, abriu um pouco os olhos e naquele momento todo o seu sono foi embora.
A escassos centímetros de seu rosto, encontrava-se o rosto de Sirius Black, que estava completamente adormecido. A realidade a atingiu com força, era claro que nada do que aconteceu tinha sido um sonho, e para piorar a situação, percebeu a forma inapropriada que estavam abraçados. Muito lentamente, tentou separar-se sem acordá-lo, o problema foi que quando ele sentiu o seu afastamento, a segurou com mais firmeza e a aproximou-se mais do que era possível.
— Que droga — sussurrou Holie, que infelizmente estava gostando disso — Sirius, acorda — disse no mesmo tom, mas ele não acordou, apenas começou a acariciá-la.
— Hollie — a chamou entre sonhos —, eu te amo.
Essa declaração a deixou congelada. Era evidente que ele estava completamente adormecido, e que dissesse aquelas coisas naquele estado... só a confundia mais do que já estava. Tinha que afastar-se dele, mas a tentação era muito grande para resistir. Percorreu o pequeno espaço que os separava e uniu seus lábios, foi um beijo curto e rápido, mas foi seguido de um mais profundo, sem perceber, o beijo começou a ser mais intenso e correspondido.
— Que lindo jeito de começar o dia — comentou Sirius, segundos depois de se separarem.
Hollie abriu os olhos e deu um pulo para trás involuntário para afastar-se, contemplando o enorme sorriso do homem na frente dela.
— Seu idiota — acusou — estava... acordado... o tempo... todo... — disse, dando um tapa em cada palavra.
— Não! Ai! Isso não é verdade. Acordei quando me beijou — ele respondeu — Como num conto de fadas, não é?
— Cala a boca — deu as costas para ele de novo.
— Alegre-se, abriram a porta.
E era verdade, a porta estava aberta e não podiam escutar nenhum barulho, o mais provável era que estivessem sozinhos.
— Pensei que nos deixariam aqui por dias.
— Temia ou esperava? — Sirius a provocou — Pessoalmente gostei do encarceramento, pois acabou de demonstrar que ainda sente algo por mim, que ainda tenho chance — conseguiu com que ela corasse.
Sem perder mais tempo, Hollie levantou-se da cama, pegou seus sapatos e correu direto ao banheiro do primeiro andar. Sem dúvidas deixou exposto aquele efêmero momento de fragilidade. E agora? Depois de um tempo, saiu do banheiro e inspecionou o lugar com um rápido olhar, como supunha a casa estava vazia com exceção dela e de Sirius, que naquele momento caminhava em sua direção.
— Já vi a cozinha — disse na mesma hora — Não deixaram nada pra comermos, e pra piorar, os dois quartos estão trancados. Só porque queria profanar a cama...
— Sirius, não vamos fazer essas coisas aqui — ela reclamou.
— Não aqui, mas em algum outro lugar? Sua casa ou a minha? — perguntou risonho, fazendo com que corasse.
— Cala a boca.
— A propósito, deixaram isso aqui na dispensa com uma ameaça pra que eu não lesse — estendeu um celular que era dela.
— Na dispensa? Te conhecem bem — disse com ironia — Bom, não temos nada pra fazer aqui. Melhor irmos antes que mudem de ideia.
— Pode me levar? Ou me dar dinheiro pro ônibus?
Ela pensou por um segundo.
— Certo, vamos.
Enquanto saíam de casa, Hollie ligava o celular e deu de cara com uma mensagem de ninguém mais ninguém menos que Nymphadora, devia ter enviado há não muito tempo.
É uma hipócrita, diz que não o ama, mas bem dormiram juntinhos. Mas sério, sei que meu tio te ama, e você a ele, deixa de ser tão cabeça dura, por favor.
Obs: essa foto é ótima para um cartão de natal.
Com curiosidade, abriu a foto e deu de cara com uma imagem deles dormindo naquela manhã. Lembrando-se de repreendê-la por isso, entrou no carro e o pôs em marcha.
Quase uma hora depois chegaram ao apartamento de Sirius em completo silêncio e com uma fome absurda. Os dois desceram do carro e foram direto para a porta, Sirius achou curioso que ela lhe seguisse, mas estava mais feliz do que esteve um muito tempo.
— Bom, obrigado por me trazer — disse para a garota enquanto abria a porta.
— Estranho que tenha pedido pra te trazer pra casa. Com o quão guloso você é, pensei que pediria pra ir a um restaurante ou coisa do tipo — disse em resposta.
— Primeiro, não sou tão guloso, e segundo, te aviso que eu posso não cozinhar como minha prima ou como Aluado, mas tenho comida fácil de preparar, algumas só preciso esquentar.
— Comida congelada — retrucou — E tem bastante?
— Claro que sim, sempre tenho.
— É melhor que sim porque tô morrendo de fome — disse e então entrou.
A verdade é que durante o trajeto, Hollie começou a pensar em muitas coisas. A principal era que por muito que negasse, continuava sentindo algo por ele, e depois de tanto tempo, acreditava que o conhecia o suficiente para não se iludir tanto, daria uma oportunidade de ficarem juntos e então o tempo diria o resto. A era dos gritos e discussões sem sentidos tinha acabado, só com aquele simples confinamento que sofreram.
