Dragon Ball não me pertence

CAPÍTULO 26

O rei está morto

Anteriormente em Sangue Nobre:

Vegeta percorreu o caminho para seu quarto, mas não foi lá que chegou. Seus pés o levaram até o quarto da garota cientista, ele dispensou os dois guardas que vigiavam a porta do quarto e adentrou. Bulma dormia calmamente. Ele tirou as botas e a armadura, e deitou-se ao lado dela, queria muito abraçá-la e dormir com ela colada a seu corpo, mas não conseguiu passar por cima de seu orgulho, já se achava fraco demais por ter ido parar naquele quarto. Ele apenas virou-se de lado, de modo que pudesse olhá-la dormindo, buscando não lembrar do mundo lá fora, nem do que teria de enfrentar no dia seguinte, pouco depois ele também adormecia.

— NÃO! Por favor! Você não pode morrer!

Vegeta acordou com os gritos de Bulma. Ainda era noite. A garota revirava-se na cama e gritava.

O príncipe demorou alguns segundos para perceber que ela ainda dormia, mas estava tendo um pesadelo. Ele sentou-se na cama e a segurou.

— Acalme-se – quase gritou. - acalme-se Bulma. - repetiu enquanto a garota se debatia em seus braços.

— NÃO! PAPAI! VOLTE! - Bulma gritava sem responder aos apelos de Vegeta que a segurava.

— Bulma, Acalme-se. - disse quase sacudindo-a, vendo que ela ainda dormia. - Maldição! Ainda está tendo um pesadelo. - concluiu para si mesmo em voz alta, enquanto a garota esperneava em seus braços. Ela tremia e estava banhada em suor.

— PAPAI, VOLTE! NÃO ME ABANDONE! - Bulma gritou novamente.

— Eu estou aqui. - Vegeta disse aflito, deixando de segurá-la pelos braços e abraçando-a para tentar acalmá-la. - Eu estou aqui...

Ele a abraçou mais forte. A cabeça dela repousando em seu peito. A garota começou a acalmar-se aos poucos, parando de tremer, ainda dormindo.

— Papai...- ela falou mais calma.

Ele deitou-se novamente, trazendo-a consigo. A garota voltou a respirar calmamente. Logo, dormia tranquila.

O príncipe suspirou aliviado. Manteve a garota presa a seu corpo e acariciava-lhe os cabelos com a outra mão. Pouco depois, ele também dormia.

Bulma acordou atordoada na manhã seguinte, sentia-se trôpega, devagar e um grande sentimento de tristeza apertava seu peito. Percebeu que estava em seu quarto, mas não lembrava como havia chegado ali, rapidamente, seus pensamentos levaram-lhe até a noite anterior. Até a morte do rei. A morte de seu pai. Sentia-se extremamente cansada, com vontade de chorar novamente.

Ao tentar se mexer ela percebeu um braço que lhe prendia, viu que Vegeta a abraçava possessivamente, ainda de roupa. Por um instante ela tentou lembrar se havia acontecido alguma coisa entre os dois aquela noite, mas definitivamente não conseguiu lembrar. Não fazia sentido ele estar ali. Mas ela sentiu um alívio por ele estar.

Sua última lembrança da noite anterior eram os olhos desfocados do rei. Morto. Essa palavra ressoava em sua mente como um eco sombrio.

Ela resolveu se levantar e com um esforço sobre humano, conseguiu levantar o braço de Vegeta que estava abraçando seu corpo, em qualquer outro momento, ela não iria querer se separar daquele abraço, mas aquele dia, parecia que seu coração havia sido arrancado do peito.

A garota caminhou até o banheiro, mas ao olhar-se no espelho, voltou a chorar copiosamente, seu peito esmagado de tristeza. Encostou-se na pia, tudo que conseguia fazer era chorar, e chorava alto. A aflição invadindo-a novamente, via sua família sumir cada dia que passava. Cada vez mais só. Seus pais, a rainha, Tarble, o rei...todos a deixaram sozinha. Ela só tinha Vegeta, de quem ela havia prometido ao rei não se aproximar. Sentia-se vazia.

Perdida em seu choro, ela não percebeu quando alguém chegou a porta do banheiro e a observava. Vegeta acordara com o barulho do choro de Bulma e foi até o banheiro. Teve medo que ela não suportasse aquele golpe, que até para ele estava difícil de aguentar. Sentiu um alívio imenso ao ver que ela apenas chorava junto a pia. E então, ao observá-la, indo contra todos os seus impulsos e ele foi até onde ela estava e a abraçou mais uma vez. Ela só o percebeu ali quando os braços dele a envolveram. Ele a abraçou como fizera no dia anterior e ela chorava em seu peito ainda da mesma forma. O príncipe não conseguia chorar, não era dele fazer isso, mas parecia que o choro dela expressava o que ele sentia.

Agora eram apenas os dois e ela era a única família que ele tinha. Poderiam ter ficado assim o dia todo, se não tivessem ouvido batidas na porta. Vegeta soltou a garota devagar, sabia quem estava ali, conhecia aquele ki em qualquer lugar. Bulma acalmou seu choro.

— Vou abrir a porta. - Ele falou soltando-a.

Vegeta saiu do banheiro deixando a garota. Quando abriu a porta, Kakkarotto o olhava com uma expressão preocupada.

— Alteza, estão lhe procurando por todo o castelo. - Kakkarotto falou sério, só o chamou de pelo título real por que tinha Pirza ao seu lado. - Precisam que você dê as ordens sobre o funeral, meu pai já fez quase tudo, mas muita coisa depende de você.

— Já vou Kakkarotto. - Ele falou com receio olhando a porta do banheiro aberto, Bulma ainda estava lá e ele não queria deixá-la sozinha.

— Eu trouxe Pirza para que cuide de Bulma enquanto estivermos ocupados. - Kakkarotto falou quase adivinhando os pensamentos do príncipe.

— Está certo. - Vegeta falou lançando ao outro sayajin um olhar que representava um agradecimento silencioso. A amizade dos dois não precisava de palavras. - Vamos.

Ele adiantou-se para sair e Pirza adentrou no quarto trancando a porta.

— Não se preocupe. - Kakkarotto falou vendo Vegeta pensativo quando seguiam pelo corredor do castelo – ela ficará bem.

— Grrrrr. - Vegeta gemeu de raiva. Odiava quando Kakkarotto parecia ler sua mente. - Vamos logo e deixe de dizer asneiras.

Pirza achou a cientista chorando no banheiro. Ajudou-a tomar banho, vestir-se com um vestido preto simples que achou em seu guarda-roupas. Tentou inutilmente fazer Bulma comer alguma coisa e conversou com ela aguardando Kakkarotto vir buscá-las para o velório conforme haviam combinado.

— Eu não entendo, Pirza. Meu pai era muito forte, como pôde morrer assim? - Bulma falava com lágrimas escorrendo. Estava deitada na cama sobre o colo de Pirza que acariciava-lhe os cabelos.

— O Kakkarotto disse que aqueles malvados usaram um veneno muito forte, numa dose muito alta...

— Mas por que? Por que fizeram isso? Yancha disse que era por que queriam me levar embora. Mas por que a mim? - ela desesperou-se.

— Bulma acalme-se, por favor. - Pirza falou preocupada. - você não teve culpa...

— Mas era a mim que eles queriam, entende? - disse aflita. - só não entendo o por quê...

— Parece que é por causa de sua inteligência. Pelo menos é o que Kakkarotto acha.- Pirza opinou.

— Essa inteligência é uma maldição – Bulma falou com raiva.

— Não fale assim, - Pirza a consolou. - sua inteligência é um dom. Você não tem culpa se cobiçaram você por isso. E além do mais, de qualquer forma, o rei e o príncipe iam lutar para que não te levassem, vocês são uma família. - argumentou.

— Não somos mais. - Bulma falou derrotada.

Algumas horas depois Kakkarotto buscou as garotas para levá-las até o velório. Ao adentrar ao salão do trono, um filme reprisou na cabeça de Bulma. Era tudo exatamente igual ao velório da rainha.

Mas, daquela vez, ela não poderia consolar ninguém, como fizera aquele dia, ela não podia consolar nem a si mesma. Caminhou como uma zumbi entre as pessoas, sendo guiada por Pirza, não distinguia rostos. Viu o grande esquife dourado. O rei parecia vivo e imponente, apenas dormindo. Bulma largou-se do braço de Pirza e seguiu até o esquife. Pirza tentou detê-la, haviam guardas protegendo o esquife e ninguém podia se aproximar muito dele, a não ser o príncipe.

Bulma parou ao lado do esquife, passando pelos guardas que não a detiveram. Estavam há muito tempo no castelo para saber que Bulma mesmo não sendo princesa, era filha do rei.

A garota olhou o rei sayajin no esquife e passou a mão em seu rosto. Parecia vivo, mas estava gelado. A temperatura o abandonara junto com a vida.

As pessoas no velório, nobres em sua maioria, observavam espantadas a ousadia daquela garota cientista de passar a barreira de segurança e se aproximar do esquife, todos sabiam que os guardas viriam tirá-la dali, e os guardas já estavam ficando receosos pelo falatório, mas, quando Vegeta viu de longe a garota, deu uma ordem silenciosa com a mão para que os guardas não a detivessem.

A menina ficou ao lado do esquife por muito tempo, apenas contemplando a face do rei. Chorando silenciosamente e pegando-lhe a face. Pirza estava perto para cuidar dela caso precisasse. O príncipe, que a olhava do trono enquanto recebia os pêsames, também cuidava para estar de prontidão caso Bulma se exaltasse.

Passado quase meia hora, Kakkarotto aproximou-se de Bulma e a abraçou, o que Vegeta observou com raiva, pois tinha pedido ao amigo apenas que tentasse tirar a menina dali.

— Vamos. Você precisa descansar. - Kakkarotto falou baixinho enquanto abraçava a cientista.

— Não vou, quero ficar com ele. - ela disse chorando.

— Não vou tirá-la daqui, vamos apenas sentar aqui perto, as outras pessoas também querem se despedir do rei. - ele insistiu delicadamente.

— Está bem. - ela falou contida.

Kakkarotto conduziu Bulma até algumas cadeiras de estofado azul royal que ficavam ao lado do esquife, onde alguns nobres sentavam, velando o soberano. Pirza não sentou ao lado da menina, pois Chichi e Launch acolheram a garota assim que Kakkarotto a deixou numa das cadeiras. Chichi e Launch não gostavam de Pirza, e Pirza achava que isso se devia ao seu passado. Sendo assim ela afastou-se até uma mesa onde havia comida afim de tomar um café.

Ao aproximar-se da mesa, enquanto colocava um café em seu copo, Pirza escutou três garotas que conversavam.

— Você viu que coisa estranha aquela garota ficar ao lado do caixão sem querer sair? - uma das garotas de cabelo preto comentou para as outras duas. - Deve ter alguma fixação no rei ou coisa do tipo...

— Eu sei quem é ela, - a segunda garota comentou. - Maron, não foi ela que te deu aquele soco no banheiro do restaurante e que você entregou para a polícia no torneio de artes marciais? - provocou.

— É essa vagabunda, mesmo. Pena que não a mandaram pra forca, se eu soubesse que ia escapar fácil, teria inventado que ela tentou me matar. - a garota de cabelos azuis ricamente vestida, confirmou enquanto mirava Bulma que estava sentada próximo sendo consolada pelas amigas. - Ela é um parasita. Com certeza era amante do rei, conheço esse tipo. - falou maldosamente e as outras riram discretamente.

Pirza entendeu quem era aquela garota metida, Bulma já havia falado nela, Maron, a vadia que ficava correndo atrás do príncipe. A vadia falava mal de Bulma e ainda havia sido ela a denunciar Bulma para a polícia! Pirza ficou possessa.

— Maron, você está muito bonita. - a primeira garota comentou ao ver o vestido preto colado e decotado que Maron vestia.

— Eu tinha que estar, daqui a pouco vou dar meus pêsames ao querido príncipe... - ela contou fazendo falsa tristeza. - ele deve estar tão abalado, acho que vou consolá-lo se possível... à noite. - falou sorrindo discretamente.

Pirza, que ainda escutava a conversa, teve uma ideia. Pegou um pouco de creme e pôs em seu café. Andou em direção as três garotas e indo esparrar direto em Maron, derramando o café com a calda branca no vestido da garota nobre, manchando-o completamente.

— Olha o que você fez, sua idiota?- Maron falou alto enquanto via o vestido destruído. Algumas pessoas viraram-se para olhar. - Você destruiu minha roupa.

— Ops! - Pirza falou tentando esconder o sorriso. - desculpe-me. - falou com falsa humildade.

— Sua idiota! Isso é o que dá deixarem plebeias desqualificadas entrarem no castelo. - Maron continuou ainda com raiva, o barraco já chamando a atenção de muitos presentes.

— O que está acontecendo? - Vegeta perguntou ao aproximar-se quando ouviu os gritos de Maron.

— Príncipe, essa idiota estragou meu vestido – Maron falou manhosa apontando para Pirza que fazia uma reverência para o príncipe.

— Você tem muitos vestidos, Maron. Não admito que façam escândalos no velório de meu pai. - Vegeta repreendeu-a sério e seguiu para as cadeiras onde Bulma estava ao lado de Kakkarotto. Ao passar por Pirza cumprimentou-a com um aceno de cabeça. Ele respeitava muito a garota pelo que ela havia feito por Bulma.

Maron gemeu de raiva e saiu do velório, sendo seguida pelas amigas, não valia mais a pena para ela estar ali aquele dia após aquela humilhação pública. E Pirza não sabia, mas acabara de adquirir uma inimiga.

Ao aproximar-se das cadeiras, Vegeta cumprimentou os nobres que levantaram para recebê-lo e dar-lhe os pêsames, ele ficou com raiva por que aquilo o impediu de se aproximar logo de Bulma. Contudo, o príncipe não sabia mesmo como se aproximar dela, não sabia nem o que estava fazendo ali, pois sabia que não poderia consolá-la em público. Bulma também nem notou a presença do príncipe ali, pois olhava fixamente o corpo do rei dentro do esquife. Sem se curvar para falar com Bulma, ele apenas chamou Kakkarotto para conversarem lá fora. Aquilo tudo o estava sufocando.

Ao final da tarde, o cortejo iria atravessar as ruas do distrito real em direção ao campo dos mortos, Bulma foi medicada com calmantes ao longo do dia, pois caía aos prantos, periodicamente, durante o velório e precisou ser amparada por Kakkarotto quando fecharam o esquife.

Vegeta a observava de longe, pois não a tratava como da família em público. A cientista não conseguiu fazer a caminhada pelas ruas até o cemitério, Kakkarotto a levou pois ela estava lenta pelo uso de calmantes. Durante a cerimônia final, Vegeta apenas olhava tudo em silêncio cercado pelos nobres, lançando olhares de espreita para Bulma que encontrava-se ao lado de Launch, Chichi e Kakkarotto. Os olhos vazios dela e a face de sofrimento o deixaram muito preocupado o dia todo, embora ele não tenha conseguido nenhuma oportunidade de chegar perto dela e falar-lhe sem chamar a atenção. Ele queria muito estar ao lado dela naquele momento onde o esquife de seu pai sumia na cripta real, queria que ela apertasse sua mão e lhe desse força como fazia na infância. Mas, mantendo seu orgulho, tudo o que ele fez foi ficar de pé, imponente, assistindo a tudo com respeito, como o novo soberano que agora era.

Também foi Kakkarotto quem levou Bulma devolta ao castelo. Chegando lá, Pirza os esperava. Ela levou Bulma até seu quarto e ficou fazendo-lhe companhia. Tentou, novamente sem sucesso, fazê-la jantar. Ela só chorava e Pirza também estava preocupada. Ela dormiria ali com Bulma para fazer-lhe companhia aquela noite.

Eram quase dez da noite quando Pirza saiu até a varanda do quarto de Bulma para fechar as portas, o vento soprava frio e parecia que choveria aquela noite. Relâmpagos vermelhos eram vistos riscando o céu no horizonte escuro.

Pirza saiu um pouco do lado de fora da varanda para observar as nuvens vermelhas que se aproximavam, e tamanha foi sua a surpresa quando, ao chegar a sacada do quarto de Bulma, viu um vulto recostado a mureta. Um vulto que ela conhecia.

— Alteza? - Pirza indagou, fazendo uma reverência.

Vegeta, que estivera recostado a mureta pensando se deveria entrar ou não, surpreendeu-se com a presença dela ali.

— Não sabia que tinha alguém com Bulma. - ele falou sério sem sair do lugar.

— Não sentiu meu ki? - Pirza falou aproximando-se.- Deve ser devido as atribulações de hoje...

— Como ela está? - a pergunta escapou-lhe antes que ele pudesse se conter.

— Está mal. - Pirza falou cruzando os braços para proteger-se do frio. Ela se sente culpada pela morte do rei. Acha que o envenenaram por causa dela.

— Besteira. Ela não tem culpa, como ia adivinhar que aqueles malditos fariam aquilo? - ele falou olhando para o lado.

— Ela precisa de ajuda...- Pirza começou – não pode ficar sozinha nesse momento.

— E o que acha que eu posso fazer? - Vegeta perguntou irritado.

Pirza abriu a boca para responder mas não chegou a fazê-lo. Ela virou-se para olhar a porta da varanda, Vegeta também olhava naquela direção.

Bulma estava parada ali, a longa camisola branca de cetim esvoaçando no vento frio. Estava pálida, com uma aparência fantasmagórica.

A cientista caminhou lentamente até o príncipe, Vegeta a olhava surpreso. Chegando perto dele, ela simplesmente o abraçou com força.

— Acho que sabe sim o que deve fazer, alteza. - Pirza falou ao ver a cientista abraçar o príncipe. - devo me retirar.

Assim, Pirza foi embora. Vegeta pensou em impedi-la de sair dali, pois ela precisava cuidar de Bulma aquela noite. No entanto, não o fez. Apenas retribuiu de modo desajeitado o abraço da cientista, que enterrava novamente o rosto em seu peito. Um vento frio cortante os perpassou e após um raio, ele começou a sentir os primeiros pingos grossos de chuva. Ele pôs Bulma no colo, sem que ela fizesse nenhuma objeção e a levou para dentro do quarto.

Chegando lá, ele depositou-a no leito com cuidado ficando de pé ao lado da cama. Bulma levantou-se na cama e ajoelhou-se ficando na altura do tórax dele, que estava de pé ao lado da cama. Ela o abraçou e ele não sabia o que fazer, não era bom com palavras, ficou apenas abraçando-a, aquele era um grande momento de dor para ambos e ele tinha ansiado por aquele abraço o dia todo.

Tamanha foi a surpresa do príncipe, quando sentiu beijos percorrerem o tórax sobre sua roupa. Bulma o beijava com vontade e aquilo despertou-lhe o desejo. Contudo, ele se recriminou e afastou-a, fazendo ela cair sentada na cama. Ele a queria mais que tudo, mas não podia aproveitar-se dela naquele momento de dor.

Bulma o olhou triste.

— Por que me soltou? - ela perguntou parecendo bem lúcida.

Ele apenas cruzou os braços e virou o rosto.

— Você não está bem. - disse carrancudo.

Ela ajoelhou-se novamente na cama, pegando o rosto dele com as mão e fazendo virá-lo até olhá-la.

— Eu não estou bem. - ela disse séria. - tenho um vazio dentro de mim. Sei você também tem, mas, agora só temos um ao outro. Eu preciso sentir que temos um ao outro...

Dizendo isso ela beijou-lhe a boca com volúpia e ele retribuiu o beijo com a mesma intensidade, rendendo-se ao inevitável. Quando deixaram de se beijar, Bulma, que estava ajoelhada na cama em frente ao príncipe, deixou cair a camisola de cetim. Vegeta olhou-a intensamente. Lá fora a tempestade começava e apenas a luz dos relâmpagos os iluminava. Ele deixou-se cair sobre o corpo pequeno com delicadeza, tirando as próprias roupas enquanto beijava sofregamente a cientista. Ambos se precisavam aquela noite, precisavam estar o mais junto possível e afogar aquele sentimento de dor um no outro. Beijavam-se intensamente, parando de se beijar apenas para retirar uma ou outra peça de roupa. Ela não ligando para o peso do príncipe sobre seu corpo, ele não ligando para o fato de que uma voz na sua cabeça dizia que aquilo era tremendamente errado.

Naquele momento, só queriam um ao outro. Bulma sentia no corpo ainda o amolecimento causado pelos calmantes, o que tornava aquela experiência ainda mais intensa em sua mente enevoada. Ela tentava não pensar, só sentir, sentí-lo, morrer de desejo por ele. Inconscientemente, ela gemia a cada toque dele, a cada beijo dele, e cada gemido dela só intensificava o prazer e o desejo dele.

Ele a beijou com intensidade e as mãos já deslizavam por todo o corpo dela, indo parar no local mais sensível, fazendo-a emitir um gemido ainda mais intenso, do fundo da garganta. Enquanto a acariciava, ele desceu os beijos até os mamilos que ele adorava, beijando e sugando um de cada vez, e ela tentava retribuir essas sensações acariciando a cauda dele com uma das mãos, enquanto a outra procurou o membro que ela inda não tinha olhado, mas que ao tocar, sentiu que estava tão ou mais excitado quanto ela, e ele quase gemeu também quando ela começou a acariciá-lo. Estavam já perdidos e ainda queriam muito mais.

Ele achou que terminaria logo se ela continuasse acariciando e percebeu que não dava para esperar mais. Ele puxou-lhe pelas pernas, colocando-se sobre ela. A cientista entendeu o que ele ia fazer e entreabriu as pernas dando-lhe passagem. Ele entrou lento e ela gemeu, ainda sentindo um pouco de dor naquela aproximação. Ele pôs as mãos nos quadris dela, e voltou a beijá-la com desejo, começando então a movimentar-se rápido enquanto a acariciava com uma das mãos. Ela gemia cada vez mais, inclinando-se para recebê-lo mais profundamente.

— m-mais...- ela falou entre gemidos.

O pedido dela só o incendiou ainda mais. Ele movimentou-se mais rápido e mais forte, quase não aguentando mais. Sentiu ela estremecer e arquejar. Ela sentiu um prazer inundá-la como nunca acontecera antes em sua vida. Pouco depois, ele também arquejou e chegou ao prazer, derramando-se nela. Tombaram abraçados e arquejantes, ficaram abraçados até seus corações voltarem a bater no mesmo compasso. Ele beijou-a no alto da cabeça e puxou um lençol para cobrir-lhes, a noite esfriara muito.

— Obrigada. - a cientista falou enquanto estavam abraçados sob os lençóis.

— Pelo que? - Vegeta falou olhando a chuva lá fora através da porta de vidro na varanda.

— Por ficar aqui comigo. - ela disse fechando os olhos, muito cansada.

Ele não disse nada, apenas a beijou novamente nos cabelos. Ele adormeceu confessando-se que quem devia uma agradecimento ali, era ele. Logo, dormiam, agora mais tranquilos do que estiveram desde o dia anterior.

O que eles não sabiam ainda, era que nessa noite de morte, uma nova vida acabara de ser concebida.