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Quando Hermione entrou no quarto de Snape na manhã seguinte, com a bandeja do café da manhã na mão, ela estava determinada que naquele dia se mostraria melhor do que fora antes. Ela seria madura e dona de si mesma. Ontem ela sentiu que estava sempre um passo atrás dele. Snape não iria abalá-la dessa vez.
- Granger.
Ela esboçou um pequeno sorriso para a saudação branda e bastante monótona dele. 'Não é uma pessoa da manhã' isso não era nem uma ponta de Severus Snape. Por outro lado, havia muita luz na sala para alguém acostumado a reinos mais sombrios. Não era à toa que ele estava daquele jeito. E com as restrições mágicas sobre ele não pode fazer isso sozinho e o céu o ajudaria antes dele mostrar alguma fraqueza e pedir ajuda dela. Idiota, embora pensasse isso com uma quantidade razoável de tolerância divertida.
Entregando a bandeja de café da manhã ela foi até a janela. Debatendo por dois segundos, sacudiu a varinha e conjurou um par de cortinas de peso médio. Imediatamente a sala passou de alegre, mas com uma luz que quase cegava, para um brilho mais suave.
Ela não recebeu nenhum agradecimento verbal por seu tolo aceno de varinha, mas notou o suspiro de apreciação suave. Hermione atribuiu mentalmente um para S.P.N.R.T.
Mantendo seus modos moderados em deferência ao mau humor dele habitual pela manhã, Hermione examinou os remédios que medibruxa Alverez havia deixado. Ontem tinha sido um dia apenas para poções, mas hoje envolveria poções e pomada que tinha que ser espalhada pelas queimaduras de feitiço.
Ela não estava ansiosa por isso, tendo certeza de que o Professor Snape protestaria quando chegasse a hora de tratá-lo. Verdade seja dita, seria uma situação desconfortável para os dois. Enquanto Hermione se esforçava ao máximo para esquecer que Snape estava despido sob os lençóis, o pensamento tendia a aparecer nos momentos mais estranhos. O fato de que ela ia espalhar pomada na pele nua dele significava que esquecer não era uma opção. Ela seria madura com a coisa toda, mesmo que isso a matasse. . . ou ele a matasse, o que viesse primeiro.
Inventário completo, ela apalpou o pequeno recipiente azul de pomada e voltou ao que considerava sua cadeira. Sem nada para ocupar sua mente, porém, o silêncio se estendeu e se reuniu ao seu redor em um peso opressivo.
Pela primeira vez desde que pousou a bandeja, Hermione viu Snape olhando para ela. Ele então olhou para o prato e depois para ela, uma luz calculista nos olhos.
Um pouco de indignação aumentou. Realmente, ele estava pensando que eu tinha envenenado seus ovos ou algo assim?
Resistindo ao desejo de fazer uma careta para ele, ela procurou algo para distrair sua atenção. Por que ele não falou? Ron e Harry estavam sempre conversando. . . sobre qual a garota chamou atenção deles, o que estava sendo servido no jantar, sobre quadribol e. . . e . . bem, muitas vezes sobre como um idiota completo o homem apoiado em travesseiros em frente a ela era.
Todo esse silêncio era irritante. Ela deveria fazer alguma coisa, dizer alguma coisa? Realmente. Eles ficariam juntos em um futuro previsto, haveria uma conversa educada a considerar?
Quando o silêncio se tornou o som mais alto que Hermione pensou que já tinha ouvido, ela desistiu.
- Como você está se sentindo hoje, senhor?
Quando aquela maldita sobrancelha negra se ergueu, Hermione o amaldiçoou mesmo que apenas em sua cabeça. Ela não tinha certeza do que tinha feito, mas estava certa de que agora era a S.P.N.R.T. 1, Snape 1.
Deixando de lado a bandeja vazia, ele disse.
- Estou me sentindo um tanto podre. Como é provável que essa situação não mude tão cedo, acho que podemos dispensar quaisquer futuras repetições dessa pergunta. Concorda?
Mais uma vez, a sobrancelha se levantou, junto com a ira de Hermione. Repetindo sua determinação de maturidade e autodomínio, ela deu um sorriso tenso.
- Sim senhor.
Isso lhe valeu o que considerou o sorriso de Snape. O que, se ela o estava lendo corretamente, significava que ele estava se sentindo muito bem, considerando todas as coisas, mesmo que ele dissesse que estava se sentindo podre. Porque o sorriso era marginalmente mais sorriso do que o sorriso de verdade e ela o via como uma expressão satisfeita de Snape o que era melhor que a expressão de Snape-planejando-sua-morte-dela.
O que significava que ela provavelmente deveria usar o bom humor dele enquanto o tinha.
- Professor, é hora de reaplicar a pomada de queimadura.
O olhar satisfeito imediatamente caiu em uma carranca pesada.
- Claro que é.
- Curandeira Alverez-
- Sim, sim, - ele acenou para ela. - Estou ciente das várias recomendações da curandeira Alverez sobre minha recuperação e seu lugar nela. - Ele fez uma pausa e Hermione teve a nítida impressão de que ele estava se preparando para algo desagradável. - Você pode começar com as queimaduras nas minhas pernas.
Isso foi uma surpresa e muito mais fácil do que esperava. Ela ignorou estudiosamente a parte dela que estava se sentindo decepcionada por perder o que imaginava ser um argumento bom e vencedor, para ela usar.
Sentando-se ao pé da cama estreita, Hermione puxou o vidro e colocou ao lado dela. Tendo sido alertada por Alverez sobre a sensibilidade da pele e dos nervos de Snape pelas várias maldições e azarações com que ele foi atingido, Hermione cuidadosamente retirou o lençol dos pés e das pernas de Snape e o dobrou para trás, para descansar logo acima dos joelhos.
Seu professor não fez nenhum comentário e Hermione arriscou um olhar para ele. Ele estava olhando diretamente para o teto e estudiosamente evitando olhá-la.
Ela sentiu a pontada de suor nervoso entre as omoplatas. Não que ela não tivesse feito isso antes, mas ele nunca estava acordado antes. Ela sabia o quanto Snape não gostava de ser tocado. Isso devia ser particularmente difícil para ele.
- Apenas continue com isso, Granger, - ele estalou, tricando os dentes.
- Certo. Continue com isso, - ela murmurou, mais para si mesma do que ele.
Soltando a rolha, ela foi atingida pelo odor suave das ervas usadas na preparação. Mergulhando dois dedos, pegou uma bola oleosa do material. Como havia feito no passado, quando estava inconsciente, ela falou cada passo. Fez isso para que ele soubesse, mesmo que inconsciente, que estava sendo tratado e que o toque que ele estava sentindo não era para causar mais dor. Ela fez isso agora para tentar aliviar a tensão dolorosamente apertada dentro dele.
- Começando com o pé esquerdo.
Usando apenas as pontas dos dedos e com o mais leve dos toques, ela espalhou a pomada sobre a queimadura hexagonal irritada que circulava o pé dele alguns centímetros acima do tornozelo antes de disparar para cima em picos irregulares até a panturrilha. Focalizando a tarefa em questão, Hermione tentou esquecer o fato de que estava tocando seu professor, seu professor muito nu. O professor nu que surpreendentemente musculoso nas panturrilhas e pés de ossatura fina e quase elegante, mesmo que os tornozelos decididamente ossudos mostrassem evidências de sua perda de peso prejudicial. Cabelos pretos finos fizeram cócegas nas pontas dos dedos dela quando Hermione alisou a pomada sobre as panturrilhas.
Uma gota de suor escorreu por sua espinha e ela procurou freneticamente qualquer coisa para dizer para preencher o silêncio da sala.
- Este é um padrão de queimadura muito estranho. - Sua voz soou alta no silêncio.
- Botas, - Snape resmungou, enquanto ainda estava focado no teto.
Agarrando-se a qualquer coisa que preenchesse o vazio, Hermione começou a fazer a pergunta seguinte para a resposta enigmática de 'botas'.
- Como-
Snape a interrompeu com um suspiro exasperado.
- Eu ensino poções para idiotas. - Como essa era uma reclamação padrão dele, ela nem se sentiu ofendida. - Poções são inerentemente perigosas e voláteis, especialmente quando concluídas incorretamente. Eu uso botas de couro de dragão, Granger, que são resistentes a vários níveis de ácido e fogo.
Com Snape sendo distraído no 'modo professor', Hermione sentiu um pouco da tensão deixar os músculos sob as pontas dos dedos.
- Além disso, como os dragões são por natureza criaturas mágicas a pele também oferece proteção limitada contra feitiços. Meus pés foram protegidos enquanto a pele acima das minhas botas não era.
Hermione engoliu em seco. Ele falou com tanto desapego, como se a tortura que ele estava relatando não tivesse sido infligida à sua própria carne. Mas ele estava conversando e desde que ela imaginou que ambos precisavam de alguma distração, ela fez uma pergunta pela qual sempre estava curiosa.
- O Diretor diz que não devemos ter medo de um nome. Que devemos chamar - ela começou a dizer Voldemort e depois pensou melhor – Você-sabe-quem pelo nome dele. Por que não o chama pelo nome dele?
Os músculos sob as pontas dos dedos endureceram novamente e Hermione se preparou para o discurso. Quando ele falou, sua voz ficou fria. Olhos que estavam admirando a parte cima rastrearam-na para fixar um olhar impiedoso.
- Eu já lhe disse que lhe diria a verdade das coisas. Que não reteria o conhecimento necessário para pensar sob as suas circunstâncias. Pense com cuidado nas perguntas. Algumas portas uma vez abertas nunca podem ser fechadas novamente.
Ela teve a nítida impressão de que ele estava tentando assustá-la.
- Eu quero entender. - Ela mordeu a língua antes que a palavra 'você' escapasse.
Silêncio novamente.
Quando ele não falou mais nada, ela tentou explicar.
- Eu nunca entendi como uma sociedade inteira pode ter medo de um nome. Ninguém nunca realmente explicou.
- Nascida-trouxa, - ele finalmente respondeu, quando os olhos finalmente se afastaram para retomar o estudo do teto e Hermione respirou fundo, trêmula. Ela não tinha certeza se deveria se sentir orgulhosa ou aterrorizada com o placar agora no S.P.N.R.T. 2, Snape 1.
Reunindo toda a coragem de Gryffindor, ela fez a próxima pergunta.
- Como nascida-trouxa pode fazer alguma diferença neste caso? É um nome.
- Não, Granger, não é apenas um nome. Somos loucos para ensinar você sobre Guerras dos Duendes e não sobre o tempo em que você vive. Quando o Lorde das Trevas subiu ao poder pela primeira vez, ele se chamava pelo nome do qual tomou posse.
- Lord Vo-
- Não diga, - ele assobiou. Parando para respirar fundo, continuou em um tom mais normal. - Mas sim, ele foi chamado por esse nome. Ao tomar mais poder e reunir seus seguidores, ele criou seu círculo interno.
- As pessoas que se tornariam os Comensais da Morte.
- Eventualmente, sim. Muitos naqueles dias buscavam seu favor, procuravam estar perto dele. Era uma sensação de grandeza, que você estava no centro de algo profundo e abalador que mudaria tudo o que você pensava que sabia. Nem todos que procuravam o cargo o entendiam. Era um lugar conquistado com base na lealdade e no quão útil você era para ele. No final, aqueles que provaram seu valor receberam a Marca.
- Eu sempre pensei que todos os seguidores tinham a marca. Você está dizendo que estamos tentando lutar contra pessoas que não conseguimos identificar?
- O mundo nunca é tão simples. Existem vinte e dois de nós, que conheço, que carregam a Marca. Pode haver outros que nem eu conheço. Mas há centenas de apoiadores que carregam apenas sua ideologia. Você construiria um exército e marcaria todos os seguidores para que seus oponentes pudessem identificá-los facilmente?
Ela corou.
- Não. Eu nunca pensei sobre isso. Todo mundo só fala sobre os Comensais da Morte. Mas por que marcá-los?
- Porque eles - aqueles olhos encontraram os dela novamente - porque éramos especiais. Nossa lealdade foi testada e comprovada. Nós éramos a elite. Era um distintivo de honra tanto quanto qualquer outra coisa. Não se tornou... até mais tarde.
O distanciamento que ela ouvira na voz dele quando descreveu sua tortura foi substituído por uma zombaria que fez Hermione quase desejar a indiferença. Ele já havia falado dessas coisas com alguém, exceto Dumbledore? Mesmo assim, ela se perguntava, com que frequência esse homem carregava o Diretor com seus pensamentos? Ao ouvi-lo, ela decidiu novamente ser a confidente - a amiga - de que Snape obviamente precisava.
- O que mudou? - Ela perguntou.
- O plano naqueles dias era diferente do curso de ação atual que o Lorde das Trevas empreendeu. Ele era humano pela primeira vez; carismático e um líder natural. Houve muita conversa sobre ele se tornar o Ministro da Magia. Numa posição de autoridade ele teria irrevogavelmente mudado a face do mundo bruxo na Inglaterra. Não duvido que, se ele tivesse conseguido seus planos, ele teria expandido para abranger todos os enclaves bruxos ao redor do mundo em poucos anos.
- Ele estava tão perto? - Ela perguntou surpresa. Ela nunca considerou que Voldemort poderia estar tão perto da conclusão de seus objetivos.
- Perto? - Ele deu um leve suspiro de diversão. - Ele já estava lá. Ele controlava muitos dos principais membros do Ministério e do Wizengamot.
Completamente envolvida na história de Snape, Hermione esqueceu a pomada, sua mão descansando levemente na panturrilha de Snape.
- Mas se ele tinha essa base de poder, o que aconteceu? Ela perguntou. - Como ele falhou? Como a Ordem se envolveu?
- Dumbledore aconteceu. Ele viu aonde o Lorde das Trevas estava indo. O Diretor, embora nem sempre seja capaz de ver o que está bem na sua frente, - Hermione detectou a antiga amargura em suas palavras enquanto falava - no entanto, tem um presente único ao ver os padrões maiores e de longo alcance se formando ao seu redor. Suspeito que Miranda Vector tenha muito a ver com Dumbledore reconhecer a ameaça que o Lorde das Trevas representava. Para combater essa ameaça, Dumbledore reuniu aqueles que achava que poderiam ajudá-lo a parar a guerra. Ele o viu chegando e tomou uma posição.
- Então, pela primeira vez, ele encontrou oposição.
Isso o fez dar a ela um sorriso fantasma.
- Muito bom. Quando Dumbledore iluminou as maquinações dos bastidores que estavam acontecendo no Ministério, a opinião pública começou a mudar. A sociedade bruxa começou a se afastar de um indivíduo que estava sendo exposto como um radical perigoso.
- Dumbledore forçou a mão dele.
- De fato. Infelizmente, Dumbledore também calculou mal.
- Mal cal... - ela começou, mas parou quando começou a juntar os pedaços de tudo que Snape estava dizendo com o que sabia do comportamento de Voldemort. - Dumbledore pensou que ele faria uma coisa e fez algo completamente diferente.
Os lábios de Snape se apertaram. Hermione podia vê-lo debatendo se deveria ou não dizer o que estava em sua mente.
- Senhor?
- Descobri ao longo dos anos, Granger, que o Diretor é quase infalível. No entanto, quando ele falha, as consequências desse fracasso são muitas vezes inimagináveis.
Movendo-se para a beira do assento, Hermione se inclinou para frente.
- O que aconteceu?
- Desde que as táticas mais slytherins falharam, o Lorde das Trevas se voltou para métodos mais óbvios, os ataques nasceram e os assassinatos terroristas começaram.
- Mas como isso se relaciona com a sua- ela apontou para o braço dele. E por que ninguém diz o nome do Lorde das Trevas.
- A Marca não é simplesmente uma tatuagem. É um elo mágico entre quem a criou e quem a usa. Liga todos aqueles que se vestem e, finalmente, a ele. Por causa desse elo, o Lorde das Trevas é dotado de várias habilidades, o que lhe permite chamar os marcados para ele como uma espécie de guia de aparatação. O usuário da marca não precisa ter nenhum destino em mente, eles precisam apenas seguir a atração da marca. O Lorde das Trevas limitava o acesso à magia tatuado.
- Mais ou menos como a afinidade que compartilhamos.
- Sim e não. Isso força um tipo de afinidade em que ele pode usar nossa magia como quase uma poça de poder. No entanto, para fazer isso, aqueles que usam a Marca devem estar muito próximos dele.
- O que explica por que ele chama você para o lado dele a qualquer momento.
- Precisamente. E, finalmente, a Marca fornece a ferramenta mais eficaz na busca do Lorde das Trevas para instilar medo na população bruxa. Permite que ele 'ouça' quando seu nome é falado.
- O que isso significa exatamente?
- Não é um dispositivo de escuta propriamente dito, mas se você dissesse o nome dele, a Marca no meu braço reconheceria, por falta de uma palavra melhor. E, por sua vez, o Lorde das Trevas se conscientiza de ser mencionado.
- Então todo mundo ficou com medo de dizer o nome dele. Eles não queriam chamar sua atenção porque ninguém sabia quem poderia estar carregando a Marca. Se a pessoa errada os ouvir, pode ser uma sentença de morte. Isso faz muito sentido agora.
E então um pensamento lhe ocorreu.
- Mas... Mas... Isso significa que toda vez que Dumbledore diz o nome dele enquanto você está por perto... Ele está...
- Ele está provocando, sim.
Os olhos de Hermione se arregalaram com as implicações enquanto seus pensamentos corriam com a última notícia.
- Isso é completamente irresponsável, - ela finalmente disse, indignada mais uma vez. - Dumbledore não é o único que tem que enfrentá-lo. O Lorde das Trevas poderia descontar sua raiva em você.
- É um risco calculado.
- É cra-
- Calculado, Granger. Como muitas coisas são, - disse ele secamente. - Agora, eu acredito que terminamos sua lição de história. Você terminou de me apalpar? - Ele perguntou, olhando incisivamente para onde a mão dela ainda repousava sobre a perna dele.
Entendendo-o rapidamente, ela lutou contra o rubor que podia sentir subindo em suas bochechas.
- Tudo bem, - disse ela, cedendo um pouco menos do que graciosamente. - Mas eu não terminei. Eu preciso virá-lo para que eu possa passar nas suas costas.
- Suas habilidades com Moblicorpus melhoraram desde a última vez que a vi arrastando a pobre senhorita Stuart pelos corredores de Hogwarts?
- Eu não estava a arrastando... Oh, você está fazendo de novo. Não serei atraída.
- Como você diz, Granger.
- Sim, eu digo, - ela retrucou com mais vontade do que provavelmente era prudente. Mas ele não fez mais do que levantar uma sobrancelha zombeteira para ela, o que a deixou fumegante. Ela queria lançar um Moblicorpus nele naquele segundo, mas ele levou dúvidas para ela agora. Se ela o largasse ou o virasse com muita força, poderia causar muita dor a ele. Maldito seja o homem.
- Rink! - Ela chamou.
Rink apareceu quase imediatamente ao seu lado. Piscando para Snape um sorriso satisfeito, ela disse.
- Eu preciso cuidar dos ferimentos do Professor Snape nas costas dele. Você pode, por favor, virá-lo de bruços sem estremecer?
Os olhos de Snape se arregalaram e depois se estreitaram em fendas.
- Agora veja aqui, Granger. Eu não serei manipulado por homens, ou por elfos, por falar nisso.
- Mover o mestre não é problema para Rink, senhorita.
Ele então lançou um olhar arregalado para Snape com a advertência de que "a senhorita deve cuidar do Mestre", embora Rink fizesse esse pronunciamento pela segurança duvidosa de suas pernas.
Antes que Snape pudesse começar a promover seu protesto, ele foi levantado, virado e gentilmente recostado. Rink havia desaparecido com pressa; provavelmente pela segurança da cozinha, se Hermione pudesse adivinhar.
- Desde quando meu elfo doméstico recebe ordens de você? - Snape grunhiu, seu tom irritado e um pouco abafado, era pelo travesseiro que Snape estava falando agora. - Você não mencionou exatamente isso ontem.
Hermione começou a dobrar o lençol dos ombros e nas costas.
- É um novo desenvolvimento, - ela respondeu, certificando-se de manter qualquer diversão fora de sua voz. - Eu perguntei a Dumbledore e ele diz que é porque os elfos da casa me veem como o chefe da linhagem da casa Granger.
Ela fez uma careta de irritação.
- Tecnicamente, ele é da minha mãe, mas já que ela é trouxa, também pertence a mim, de uma maneira estranha. E como nenhum dos outros moradores de Grimmauld Place, incluindo o Professor Dumbledore já que ele é apenas o mordomo de Hogwarts, são donos de elfos domésticos, todos os elfos me procuram para instruções.
Snape riu sombriamente.
- Um fato, sem dúvida, que está levando Molly Weasley a ficar louca.
Hermione suspirou em concordância.
- Eles assumiram a cozinha e não a deixaram voltar. Ela me olha muito sempre que o assunto aparece.
Inclinando-se para ver melhor, Hermione passou a ponta dos dedos ao redor de uma das queimaduras.
- Elas estão curando bem, senhor, - Hermione disse, alisando uma camada da pomada.
Várias cicatrizes hexadecimais mais antigas estavam concentradas sob sua omoplata direita. Ela queria perguntar a ele sobre elas, mas imaginou que tinha usado seu lote de perguntas pessoais para o dia. Ele tinha sido notavelmente complacente e ela não queria pressionar o delicado relacionamento que estavam construindo.
Snape se mexeu, erguendo-se nos antebraços para poder olhá-la por cima do ombro.
- Conte-me sobre Potter.
Hermione piscou surpresa, antes de sorrir para o professor, excitada. Ele não tinha esquecido.
- Você realmente vai me ajudar?
Ele se abaixou de volta para o travesseiro.
- Parece que não tenho nada melhor para fazer do que ficar aqui. No entanto, por mais corrigível que seja para preparar o sr. Potter, você e eu sabemos que ele não vai ouvir nada do que tenho a dizer. Isso exigirá que você intervenha e por mais relutante que seja sugeri-lo, o sr. Weasley também.
Snape mudou de novo quando Hermione passou um pouco da pomada nas costelas. Cócegas numa parte ela notou com um sorriso. Foi sábia o suficiente para negar qualquer comentário sobre o fato. Então disse.
- Ron é melhor com Harry do que você imagina.
- Ele é?
- Na verdade, acho que Ron é melhor com Harry do que eu. Harry ainda ouve Ron, mas eu apenas o deixo mais irritado.
- Eu arriscaria que seu envolvimento comigo não tenha ajudado o relacionamento de vocês.
- Eu acho que Harry estava feliz no começo por você ter sido punido. Mas, de certa forma, é estranho. Ele sabe que fui encarregada de cuidar de você, mas ele fica com raiva quando eu faço coisas que envolvem cuidar de você.
- E o sr. Weasley?
Ela deu uma risada curta.
- Ron tem sido uma pedra. Quero dizer, Harry parece ficar bravo com Ron também, mas geralmente não dura muito tempo e, mesmo assim, Ron parece ser capaz de convencer Harry a sair do momento.
Isso pareceu chamar a atenção de Snape.
- Como? - Ele perguntou.
- Eu não tenho certeza. Não é que ele realmente faça ou diga alguma coisa. Normalmente eu o vejo tocando-o. Ron coloca a mão nas costas de Harry ou segura seu braço. Isso parece funcionar na maioria das vezes. Isso é significativo?
- Tudo é significativo e conectado. Parte de fazer você pensar também é ver as conexões entre as coisas. O que eu disse sobre magia negra?
- Humm. . . Você disse que feitiço como os Imperdoáveis era difícil de fazer e que era necessária uma grande convicção de propósito e consumia muita energia mágica. Você também disse que a magia negra estava tomando o caminho mais fácil. Isso é um pouco contraditório, não é?
- A magia é a essência da contradição. As poções de cura mais fortes usam os ingredientes mais venenosos. Os encantos criam algo do nada. A transfiguração modifica a própria essência de um objeto em outro.
Snape mudou de novo e grunhiu em aborrecimento enquanto tentava se mover.
- Chame Rink de volta e me coloque direito. Recuso-me a ter essa conversa enquanto converso num travesseiro.
Levou apenas alguns instantes para Rink colocar Snape adequadamente novamente, enquanto Hermione guardava a pomada de queimadura e preparava as das poções dele. Snape olhou para elas com desgosto quando ela trouxe dois frascos para ele.
Desarrolhando uma ele engoliu de maneira suave.
- Como eu estava dizendo, mágica diz respeito a contradições mas o que eu quis dizer sobre a saída fácil é que certas emoções podem ser usadas para alimentar os feitiços mais sombrios. Ódio, raiva, vingança normalmente são mais facilmente acessados na psique humana. O declive escorregadio da magia negra é que a própria parte de você que gera magia está mais frequentemente ligada às suas emoções. O uso de Imperdoáveis irrevogavelmente marca essas emoções. Se você é um crente pode dizer que isso estraga sua própria alma. O dano causado inevitavelmente deixa vestígios.
- Que tipo de vestígios?
Ele deu de ombros e depois bebeu o segundo frasco antes de responder.
- Instabilidade emocional é um dos indicadores mais seguros. Megalomania, paranoia e loucura são outras.
Sentindo a necessidade de defender seu amigo ela disse.
- Harry está irritado, ele não está louco.
- Seu corpo e sua magia se enquadram nos padrões que você ensina. Você não pode lançar um Imperius sem a intenção de controlar outra. É uma tremenda drenagem em sua mágica. Então você se volta para emoções poderosas para obter esse poder. Você escolhe o ódio porque o ódio é fácil e você odeia o indivíduo que deseja controlar. Você acha fácil agora. Da próxima vez, você tem outra pessoa que precisa ser controlada. Você não odeia essa pessoa particularmente, mas se lembra como se sentiu da última vez. Então você imagina a pessoa anterior e o ódio volta a ferver de novo. Logo, o ódio está ligado ao feitiço. Logo, você descobre que mesmo a menor das coisas traz o ódio de volta para você. Logo, ele está controlando você em vez de você controlá-lo.
Houve novamente aquela indiferença fria. Ela sabia que ele estava se descrevendo tanto quanto a Harry agora e ela estremeceu.
- Onde Ron se encaixa?
- O sr. Weasley quebra o padrão. Toda vez que ele toca em Potter, ele é um lembrete instantâneo de sentimentos positivos de confiança e companhia.
- E amor, - acrescentou.
Snape fez uma careta, mas concordou.
- E amor.
- Você não acredita no poder do amor?
- O Diretor lhe dirá que é o maior poder.
- Você não acredita nele?
- Embora o amor possa ser poderoso, ele não é necessariamente gentil. Também, na maioria das vezes, exige sacrifícios em troca.
- A maioria das pessoas argumentaria que os sacrifícios valem a pena.
- A maioria das pessoas é idiota e nunca teve que pagar essas consequências.
Snape se recostou nos travesseiros e fechou os olhos.
- Estou cansado agora, Granger. Volte depois do almoço e continuaremos.
Ele a estava dispensando. Algo sobre a conversa deles estava realmente o perturbando, ainda mais do que a conversa de Voldemort e da Marca Negra. Hermione queria protestar e continuar. Seis meses antes ela teria feito. Agora, ela apenas recolheu a bandeja vazia e prometeu voltar no almoço.
Ela tinha muito em que pensar sobre Ron, Harry e ela mesma. Ela tinha muito em que pensar sobre Snape e tudo o que havia aprendido. Olhando de volta para o homem ela teve que se perguntar: quem era o que havia rompido os padrões dele e o que aconteceu com eles?
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N/T.: Olá! Atrasou mas saiu. Fiquei enrolada esta semana. Beijos para E.E Rodrigues. Desculpem pelos erros. Boa vida e nos vemos no próximo capítulo.
Ops!.: Hermione é MUITO corajosa. Fato. kkkk
