Capítulo 26- "Por amor ou euforia, tudo de novo eu faria"

Ana-Lucia deu um passo à frente em direção à porta de saída da mansão de seu colega de elenco e amante, James Ford quando de repente ouviu um pigarro atrás de si, a voz dele soando clara e grave. Não pôde conter uma pequena pontada de receio no estômago antes de virar-se e encará-lo.

- Eu perguntei aonde a senhorita pensa que vai?- repetiu ele com mais ênfase.

- Estou indo embora para o alojamento. Para onde mais?- ela respondeu tentando disfarçar o nervosismo que a acometia. – Já é de manhã e sinceramente não pegaria muito bem se algum paparazzi me visse saindo da sua casa a esta hora.

James olhou rapidamente para a janela da sala, recoberta com uma cortina branca fina. Sim, já era dia, embora fosse muito cedo e o tempo estivesse nublado. Tão nublado quanto a dúvida que assaltava seu coração agora. A noite havia sido maravilhosa e tudo o que James queria naquela manhã era acordar nos braços dela e convidá-la para partilharem a primeira refei ção do dia; mas agora ela estava indo embora como se o momento que passaram tivesse sido apenas um encontro sexual qualquer, sem sentimentos ou expectativas apesar de tudo o que tinham dito um ao outro.

Ana pareceu adivinhar o que se passava pela cabeça dele porque tentou se justificar.

- James, por favor, não me olhe assim. Você sabe que é melhor que eu vá embora. Não estou terminando com você mas não podemos continuar desse jeito, a situação já está saindo do controle e...

Ele a cortou.

- Posso ser interessante e divertido fora da cama também, ou será que é só nela que me aprecia?

Ana-Lucia franziu o cenho: - Você sabe que isso não é verdade!

- Não Ana-Lucia, eu não sei. O que eu sei é que pareço bom o bastante para transar com você, mas não pra fazer parte da sua vida.

- Homem, você ainda é casado. Como pode querer fazer parte da miha vida?- ela revidou.

- Eu estou louco por você.- ele admitiu se aproximando dela.

Ana pensou nesse exato momento: "Por favor, fique longe de mim ou eu não conseguirei mais ir embora".

- Desde que começamos a ficar juntos...- disse ele, tocando os ombros dela. – Me dei conta de que não estava contente com meu casamento, e isso não é papo de homem safado querendo enrolar a amante se é o que está pensando. Eu estou falando a verdade, e a única maneira de descobrir se meu casamento realmente acabou é continuar me relacionando com você.

Ela fez cara de incredulidade: - Está sugerindo que eu continue sendo sua amante apenas para que possa descobrir se ama ou não a sua mulher?

- Não Lu, eu me expressei mal. O que estou tentando dizer é que preciso descobrir o que realmente está acontecendo entre nós dois. Sinto que a amo e você me diz o mesmo, mas estou tentando levar nossa relação para além da cama e você faz questão de se afastar...

- Você quer a verdade?- indagou ela.

- Sim, eu quero.- respondeu James, precisava saber o que estava se passando pela cabeça dela, mesmo que fosse algo doloroso como descobrir que ela nunca o amara, que confundira atração sexual com amor.

- A verdade é que estou tão apaixonada por você que a cada vez que ficamos juntos tenho medo que você me diga "acabou Ana-Lucia", eu simplesmente não poderia suportar isso! E o pior é que se você me perguntasse se me arrependo de tudo o que já fizemos, te diria que eu faria tudo de novo.

James não respondeu, ao invés disso beijou-a profundamente. Ana-Lucia fechou os olhos e correspondeu ao beijo sentindo que ele a enlaçava pela pararam de se beijar, ele encostou a testa na dela e Ana disse, passando a língua nos lábios num gesto instintivo:

- Você ainda não escovou os dentes!

James deu uma pequena risada: - Desculpe!

- Eu não me importo!- ela acrescentou, beijando-o outra vez.

- Lu!- ele interrompeu o beijo. – Eu jamais diria pra você que acabou, está apenas começando, então vamos parar de fugir do inevitável.

- Mas e quanto à sua esposa?- questionou Ana, insegura.

- Quando chegar o momento terei de lidar com ela, com a imprensa, o Jacob e tudo o que mais vier, mas não quero pensar nisso agora! Vamos ficar juntos! Me diz que não vai embora! Hoje é domingo, não temos que gravar e eu dispensei todos os empregados pra ficar sozinho com você.

- Quando foi que fez isso, baby?

- Ontem à noite quando te convidei para vir à minha casa, telefonei pra cá e dispensei todos, agora somos só nós dois.

Ela ergueu uma sobrancelha:

- Hum, isso me parece tentador.

- Então porque você não sobe, vai até a suíte onde dormimos e toma um banho bem gostoso enquanto preparo o café pra nós dois?

- Certo, suponhamos que eu aceite a sua proposta indecente. O que eu vou vestir depois do banho? Não vou querer passar o dia inteiro usando esse vestido de festa.

- Querida, quem disse que você vai ficar vestida por muito tempo?

- Tarado!- ela gracejou beliscando o bumbum dele.

James riu e disse: Vista o que quiser do meu armário, vai ficar sexy com qualquer coisa, até com uma das minhas cuecas.

Dessa vez foi ela quem riu.

- Anda, vai tomar seu banho enquanto eu preparo algo delicioso pra nós e prometo que vou escovar os dentes antes de te beijar de novo.

- Acho bom!- respondeu ela achando graça e subiu as escadas para o quarto.

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Sayid tinha ido dar uma corrida na praia naquela domingo de folga e retornou ao alojamento por volta da hora do almoço. Encontrou a cozinha vazia. O almoço estava servido na varanda mas a maioria do elenco tinha saído ou estavam em seus quartos ruminando.

- Boa tarde, Lorna.- disse Sayid à funcionária do alojamento que estava ali para servir aos atores durante o almoço.

- Boa tarde, Sr. Jarrah.- ela respondeu. – Gostaria de beber alguma coisa?- perguntou quando ele se sentou em uma das mesas da varanda.

- Lorna, querida, já te disse que pode me chamar de Sayid.- ele sorriu amigavelmente para ela que correspondeu o sorriso. – Pode me trazer uma coca-cola, por favor?

- Pois não, Sr. Jarrah...digo Sayid.

Ela se afastou para ir até a cozinha e no caminho cruzou com Michael. Eles se cumprimentaram e o ator foi se sentar com Sayid.

- E aí?- saudou Michael. – Tudo bem?

- Pode crer.- disse Sayid.

- Ei, te procurei sexta à noite pra gente ir jogar um bilhar e não te achei. O porteiro deixou escapar que você saiu com a Ana-Lucia "maravilhosa" Cortez.

- Saí sim.- admitiu Sayid.

- E depois?- perguntou Michael cheio de curiosidade.

- E depois eu a trouxe ao alojamento.

- Mas só isso?

- Só Michael e por favor não me faça mais nenhuma pergunta sobre a Ana-Lucia, ok? Melhor deixar quieto!

- Tudo bem, não tá mais aqui quem falou.- disse Michael.

Lorna retornou com a bebida de Sayid e os dois se puseram a servir-se do buffê do almoço.

- Boa tarde!- disse Kate aparecendo na varanda.

- Hey, Kate.- disse Michael. – Tudo bem?

- Tá tudo bem.- ela respondeu evasiva.

- Boa tarde, Kate.- disse Sayid.

Ela foi à cozinha e pediu a Lorna que lhe trouxesse uma garrafinha de kombucha, mas antes que ela voltasse para a varanda foi interpelada por Sun.

- Oi, amiga. Ontem te procurei para conversar.

- Oi, Sun.- disse Kate. – Desculpa, ontem eu não tava muito legal e fiquei no meu quarto.

- Quer conversar agora?- indagou Sun.

Kate assentiu e as duas foram para a varanda, mas sentarem-se um pouco longe de Sayid e Michael.

- Eu soube que você e o Charlie terminaram.- Sun disse sem preâmbulos. – O que realmente aconteceu?

- Bom...foi Charlie quem terminou comigo.- disse Kate.

Lorna apareceu com a bebida de Kate que agradeceu a moça. Assim que ela se foi novamente, Sun continuou:

- Por causa do Jack não foi?

Kate corou de vergonha.

- Ei, não estou aqui para te julgar.

- Ai meu Deus, Sun! Eu fui tão egoísta! Quando eu me envolvi com o Jack, eu nem sequer pensei no Charlie. Ele me ama, queria casar comigo e eu só conseguia pensar no Jack. Foi amor à primeira vista.

- Mas e o Charlie?

As duas conversavam bem baixinho para que Sayid e Michael não ouvissem.

- O Jack é casado e eu sabia que não tinha nenhuma chance pra gente e o Charlie, ele sempre foi tão gentil comigo; então para esquecer toda a atração que eu sentia pelo Jack, acabei me envolvendo com o Charlie. Mas aí o Jack me beijou, na festa de encerramento do final da primeira temporada e as coisas saíram do controle, chegarando ao ponto em que estão.

- Eu entendo.- disse Sun. – O que vocês fizeram não foi certo, mas não pode ficar se torturando desse jeito. Já sabe o que vai fazer? Porque a mulher do Jack vai descobrir mais cedo ou mais tarde.

- Eu e o Jack fizemos um piquenique ontem e conversamos. Ele vai contar tudo pra Terry, mas não agora que estamos trabalhando na segunda temporada. Ai amiga, não quero nem pensar nisso agora.- disse Kate, cansada. – Só quero almoçar e relaxar um pouco.

As duas se levantaram e foram se servir do buffê.

- You all everybody! (ei vocês todos aí).- disse Charlie chegando na varando com Hurley.

Kate sentiu um nó no estômago mas não se virou para encará-lo. Charlie por sua vez a ignorou por completo e foi sentar-se com Sayid e Michael. Hurley remexeu em alguns jornais e revistas que tinham sido colocados em uma mesinha de madeira na varanda.

- Deixa eu ver o que estão dizendo de mim hoje.- falou ele.

- Hugo Reys, o homem vivo mais sexy do mundo.- disse Michael fazendo Sayid e Charlie rirem.

- Claro que sim.- disse Hurley continuando a mexer nos papeis até que seus olhos se arregalaram ao ver a matéria de capa de um conhecido tablóide.

- Dude!- exclamou.

- O que foi?- retrucou Michael. – Te colocaram como o segundo mais sexy?

- Não foi nada não.- falou Hurley rapidamente tentando esconder o tabloide.

- Deixa eu ver, cara.- insistiu Michael.

- Não, melhor não.

- Tá escondendo o que, Hurley?- falou Charlie puxando o jornal das mãos dele. Seu semblante mudou completamente ao ler o que dizia na capa. Ele trocou um olhar mortificado com Hurley, levantou-se da cadeira, dirigiu-se até a mesa de Kate e jogou o jornal quase em cima do prato de comida dela.

Kate conteve um grito de surpresa diante do gesto dele e seu olhar ficou assustado ao ver o jornal.

- Perdi a fome, gente.- anunciou Charlie deixando a varanda.

- O que tinha no jornal?- questinou Michael que não tinha conseguido ver a notícia.

Kate estendeu o jornal para Sun e os olhos dela se arregalaram ao ler a manchete em letras garrafais embaixo de uma foto-montagem de Charlie tomando todas no Hotel Plaza e Kate abraçada à Jack no jardim: "Seria o fim?". Mais abaixo, em letras um pouco menores, mas igualmente em destaque vinha: "Jack Shepard, o pivô da separação?"

- Kate...- Sun começou a dizer quando devolveu o jornal para ela se recusando a ler a matéria toda, mas Kate a cortou impedindo-a de continuar.

- Pelo menos não escreveram "Vejam o tmaamnho do chifre que a Kate meteu no Charlie".- ela balançou a cabeça negativamente.

Largou o jornal sob mesa e também deixou a varanda correndo. Os outros se aproximaram e Michael finalmente pegou o jornal:

- Puta merda!- exclamou. – Isso é sério mesmo?

Ninguém respondeu nada pois se sentiam contrangidos pela situação que seus colegas estavam passando. Sayid sentiu o celular vibrando no bolso da calça e leu a mensagem cujo remetente era Miss América: "Sayid, me liga agora!"

- Tenho que ir, gente. Depois a gente se fala.- ele disse aos outros e foi embora.

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O cheiro delicioso de ovos com bacon encheu as narinas de Ana-Lucia quando ela desceu as escadas em direção à cozinha da mansão de James. O estômago roncou e ela sorriu ao se lembrar que não comia nada direito desde seu jantar com Sayid. Entrou na cozinha e viu James de costas, cortando alguns temperos para colocar na omelete.

- Nosso almoço virou branch.- disse ele devido ao adiantado da hora.

Ana caminhou até ele e o abraçou por trás, beijando seu pescoço. James arrepiou-se.

- Com fome, chica?

- Morrendo.- ela respondeu. – Seria capaz de devorar um boi inteiro.

- Então é melhor eu me apressar antes que você me confunda com um.

Ela mordeu o ombro dele, deixando uma marca vermelha.

- Ai!- ele reclamou. – Você é muito malina!

- Hummm James, me deixa malinar com você, só um pouquinho.- ela provocou.

- Eu deixo, mas só um pouquinho.- ele respondeu.

Ana voltou a mordê-lo, nos ombros, nas costas. Quando ela se abaixou e deu uma pequena mordida no traseiro rechonchudo dele sob o tecido do shorte de surfista, James voltou a reclamar.

- Ai, Lu!

Ela riu e se afastou, sentando-se no balcão da cozinha de pernas abertas, provocante. James colocou um pouco de sal na omelete que borbulhava na frigideira e voltou-se para ela mediando-a dos pés à cabeça. Ana-Lucia usava uma camisa branca dele, de mangas , com alguns dos botões abertos na altura do decote e uma cueca boxer preta de seda, nada mais. Os cabelos soltos e ainda úmidos do banho.

James deu uma mexida na frigideira e foi até ela. Sem dizer nada beijou-lhe. Ana correspondeu avidamente, enquanto passava suas pernas por entre as dele, acariciando-lhe as coxas.

Ele começou a abrir o restante dos botões da camisa que ela vestia e Ana-Luci reclamou:

- James, eu estou com fome!

- Eu também! E prometo que vou te alimentar bastante, com tudo o que você quiser, desde que você se exiba pra mim enquanto cozinho.

- Ok, me parece justo. –ela sussurrou sensualmente . – O que você quer?

- Que você deixe a blusa aberta, assim.- ele terminou de abrir os botões. – Para que eu possa admirar seus seios enquanto termino nosso café.

Ele voltou para a frigideira, e Ana ficou lá parada, com a blusa aberta, os seios expostos e um calor inevitável crescendo entre as pernas. James era extremamente sedutor e conseguia criar situações que a deixavam muito excitada. Pegou um biscoitinho amanteigado de um pratinho e começou a comer. Deitou-se no extenso balcão e deixou-se ficar lá.

James apagou o fogo da frigideira e a fitou com olhar penetrante.

- Você é muito linda!

Ana-Lucia devolveu o olhar e continuou saboreando o biscoito bem devagar. Ele começou a servir a omelete nos pratos quando o telefone tocou. Em vez de atendê-lo James foi até a geladeira pegar o suco de laranja.

- Não vai atender?- indagou Ana.

- Não, deve ser o meu empresário e eu não estou a fim de falar com ele.

- Que feio, não deixe o cara esperando!- ela respondeu e despreocupadamente pegou o aparelho preso à parede da cozinha e atendeu.

- Alô?

- Quem está falando?- a voz de Emily soou desconfiada do outro lado da linha.

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Jack Shepard acordou de sua soneca na varanda do apartamento com o peso de uma enorme placa de papel áspero sobre o seu rosto. Assustado, ele atirou o papel para o lado e fitou sua esposa Teresa que estava com as mãos na cintura e o olhat cheio de raiva.

- O que é isso Jack?

Ele esfregou os olhos e pegou a placa de papel constatando que era um tablóide.

- Mas o que...- começou a dizer, nervoso, diante da manchete estampada na primeira página.

Continua...