Dragon Ball não me pertence.
CAPÍTULO 21
Triunvirato
No capítulo anterior:
— NÃO TÃO RÁPIDO! - uma voz de mulher se fez ouvir quando a porta da sala do trono foi aberta com estardalhaço. - DEIXE-OS EM PAZ, VEGETA! É A MIM QUE VOCÊ QUER E EU ESTOU AQUI PARA ME ENTREGAR! - Bulma disse a plenos pulmões enquanto caminhava em passos firmes e apressados pelo tapete vermelho.
Vegeta sorriu de canto, era exatamente aquilo que ele queria.
Todos no salão, guardas, prisioneiros e o próprio rei olhavam a mulher que abrira a porta e que vinha seguida por capitão Marvin, Pirza e pelo desesperado escriba do castelo.
— Majestade, eu não a deixei... ela entrou... e ela é a... - o escriba apressou-se em dizer no momento em que Bulma calada, encarava o rei da porta do salão.
— Cale-se. - Vegeta disse para o escriba sem tirar os olhos dos olhos azuis de Bulma. - Spartaco, retire os prisioneiros daqui.
— O que vai fazer com eles? - Bulma indagou aproximando-se alguns passos pelo tapete vermelho, fazendo o rei estremecer um pouco.
— Eles vão para casa. - Vegeta disse simplesmente. - Não tenho por que mantê-los mais aqui, você mesma disse que era você quem eu queria. E já a tenho. - ele disse olhando-a perigosamente, fazendo-a estremecer o olhar suspenso. - Vontade de matá-los não me falta, mas não posso negar um pedido do meu filho.
— Trunks... onde ele está? - Bulma perguntou também estremecendo.
— Falaremos disso quando todos saírem. Andem, soltem-os e os acompanhem até a saída. – o rei ordenou novamente para Spartaco e para os outros guardas, logo eles foram até os prisioneiros, retirando as amarras que prendiam Gohan e as algemas dos outros. - Entreguem também as duas crianças que estão no quarto com meu filho. - Vegeta ordenou fazendo com que os prisioneiros levantassem um olhar surpreso para ele. - E vocês dois, - disse encarando Marvin e Pirza que estavam alguns passos atrás de Bulma, - Mais tarde, conversaremos. - disse sombrio.
Logo, todos foram deixando o salão do trono. Os amigos de Bulma, praticamente empurrados pelos guardas, lançavam olhares preocupados para a cientista. Pirza e Marvin acompanharam o grupo, e em instantes, o baque da porta principal avisava que Bulma e Vegeta ficaram a sós no salão.
Vegeta permanecia de pé próximo ao trono, há alguns passos de onde Bulma estava. Eles ainda se encaravam e um silêncio incômodo tomou conta do lugar.
Em seu silêncio, os dois estavam muito confusos naquele momento.
Bulma estava dividida entre a raiva por Vegeta ter prendido seus amigos e a surpresa de vê-lo soltá-los. Estava angustiada pelo paradeiro de Trunks, mas ao mesmo tempo aliviada, pois tinha escutado Vegeta chamar os menino de "meu filho" ao menos duas vezes naqueles últimos minutos. Ela estava com medo do que o sayajin a sua frente poderia lhe fazer, mas também estava cheia de coragem com vontade de lhe dizer tudo o que engasgara por sete anos, e além de tudo isso, uma pequenina parte dela, ainda estava emocionada por poder encará-lo sem máscaras, depois de tanto tempo. Até um pequeno alívio por não estar mais mentindo ela sentia.
E se Bulma sofria um caleidoscópio de emoções, Vegeta não era diferente. Ele também estava muito dividido. Sua intenção ao chegar em Vegetasei era caçar aquela mulher, capturá-la e matá-la lentamente. Mas o confronto surpresa com o filho mudara seus planos. Ele ainda sentia muita raiva de Bulma. Uma ira imensa por ela ter mentido por tanto tempo, e agora mais ainda por saber da mentira horrível que contara a Trunks, tirando-lhe o direito sob a paternidade do menino por tanto tempo. Ele queria castigá-la, porém sabia que não podia matá-la. Era a mãe de seu filho. Além de tudo, ele não conseguia sufocar também a grande emoção que lhe tomava em vê-la de novo, algo que ele desejou por longos anos. Ele queria fazê-la sofrer por ele ter sofrido, embora não pudesse esconder para si mesmo que ainda era fascinado por ela. Só que naquele embate difícil de emoções, naquele momento, a raiva e o orgulho eram mais fortes e Vegeta estava determinado a fazer esses dois sentimentos prevaleceram diante dos outros.
— Então, finalmente você resolveu mostrar a cara. - ele disse juntando toda a raiva e frustração que conseguia.
— Como descobriu que eu não estava morta? - Bulma indagou aproximando-se mais. Dois passos dessa vez.
— Isso não importa. - ele rebateu evitando olhá-la enquanto falava. - Acho que você esperava que eu ficasse muito surpreso quando você resolvesse contar isso um dia, se é que iria contar. E achou que eu ficaria tão feliz por estar viva que não a castigaria por mentir tão descaradamente. Mas, não é assim que as coisas são. - ele reiterou pra si próprio. - Eu só queria saber por que, mulher, por que fez isso? Por que mentiu por tanto tempo? - indagou com raiva indo até ela, ficando frente a frente, os corpos encostando-se. - por que escondeu meu filho de mim?
— Muito me admira escutar essas perguntas. - Bulma respondeu olhando-o com coragem. - Não é óbvio? Ou você está tão cego novamente que não percebe? Por Kame, Vegeta, enxergue-se! - exclamou, a raiva subindo-lhe ao pensar como ele era injusto. - Você esqueceu tudo o que fez comigo há sete anos? Esqueceu que me humilhou? Que me mandou pra um tanque de regeneração? Que jogou na minha cara que eu não te merecia por que eu não era uma sayajin? - ela jogou na cara dele.
Vegeta parou frente a ela e nada disse. Bulma jogava-lhe na cara as mesmas coisas que seu filho lhe jogara instantes atrás. Os dois o odiavam por isso, pelos mesmos motivos que ele próprio se odiava.
— Suponho que isso lhe deu o direito de envenenar meu filho contra mim, contando a ele tudo o que aconteceu entre nós. - ele sibilou tentando fazer a raiva transpor a vergonha, atacar os erros dela para esconder os seus próprios.
— Eu nunca contei a Trunks o que se passou entre nós... - Bulma disse baixinho, emocionada.
— Não é o que parece, por que ele sabe de tudo. E com detalhes. - Vegeta disse afastando-se um pouco dela. Aqueles lábios rosados e trêmulos lhe chamavam. - Penso que tipo de maníaco contaria uma coisa dessas para uma criança. Eu fiz tudo isso que você disse, mas nosso filho não deveria estar envolvido, esse assunto só cabia a nós dois. Ao menos até ele ter maturidade suficiente para lidar com isso...
— Eu não contei nada a Trunks! - Bulma replicou. - Ele não sabe de nada!
— NÃO SABE? - Vegeta indagou com raiva. - Então por que ele tentou me matar? Por que ele veio até aqui para lavar sua honra?
— Ele fez isso? - Bulma perguntou impressionada perguntando-se como Trunks poderia saber daquelas coisas.
— Ele fez. - Vegeta confirmou. - e sabe o que é pior de tudo? Ele não veio aqui para matar seu pai, ele veio aqui para matar o sayajin que machucou sua mãe, isso por que ele não sabia que eu era o pai dele. Você mentiu pro menino! Dizer a ele que o maldito do Raditz era seu pai, é algo que não vou perdoar jamais! -ele falou perigosamente fechando os punhos. - Você vai pagar por isso. Vai pagar muito caro por ter mentido pra mim todos esses anos, mulher. - ele ameaçou aproximando-se novamente fazendo Bulma recuar. - Você vai pagar e vai começar AGORA!
Ele gritou e Bulma fechou os olhos. Imaginou que fosse acontecer novamente. Vegeta ia atacá-la. Puxar-lhe os cabelos, jogá-la no chão para então apertar-lhe o pescoço. Todo o medo passou pela cabeça da cientista em questão de segundos, no momento em que ela fechou os olhos. Mas então, nada aconteceu. Apenas silêncio. Ela abriu os olhos e Vegeta não estava mais ali. Olhou em volta, estava sozinha na sala do trono.
Ficou sem saber o que fazer, até que um segundo mais tarde, Vegeta se materializava novamente à sua frente e dessa vez trazia Trunks consigo.
— TRUNKS! - Bulma disse emocionada olhando o menino que baixou os olhos ao vê-la.
— Vamos mulher, diga agora ao garoto que eu não sou o pai dele. - Vegeta desafiou. - diga-lhe que o pai dele é um guerreiro de terceira classe!
Trunks levantou o olhar em expectativa. Olhou para a mãe e na medida em que via lágrimas rolarem pelos olhos dela, o menino sentia que a história do rei era verdadeira.
— Conte! - Vegeta insistiu. - Vamos, diga a verdade a seu filho! Diga que você o enganou deliberadamente! Que mentiu pra ele sobre quem era seu pai! Que tirou-lhe o direito de sangue de ser o príncipe desse planeta, vamos, DIGA!
A essa altura, as lágrimas rolavam incessantemente, incapaz de dizer nada ela apenas olhou para o filho, Trunks que a essa altura, já acreditava piamente na versão de Vegeta, mas era incapaz de acreditar que sua mãe mentira, teve que perguntar.
— Mamãe, isso é verdade? - o menino indagou em tom de desgosto.
Bulma chorou mais um pouco e afirmou com um gesto de cabeça. Trunks a olhou incrédulo, sem saber o que dizer.
— Bem, garoto agora você sabe que não menti. - Vegeta disse satisfeito. - e respeitando nosso acordo, não vou encostar um dedo em sua mãe. Terminamos por aqui, pode se retirar, mulher.
— C-como? - Bulma indagou entre soluços e choro.
— Pode ir embora para sua casa na ilha Cápsula. - Vegeta disse como se não desse atenção. - Não vou impedi-la de fazer nada...
— M-mas... Trunks? - ela indagou olhando o filho que não a encarava e permanecia de cabeça abaixada.
— Ah, o menino fica. - Vegeta disse com satisfação. - Ele é o herdeiro do trono e precisa ser treinado para tal atribuição.
— EU NÃO VOU SAIR DAQUI SEM MEU FILHO! - Bulma disse entredentes.
— Ah, vai sim. - Vegeta replicou com um sorriso de canto – Ou você quer que eu chame os guardas para lhe tirarem daqui? Fora que Trunks não quer ir com você, não é mesmo, garoto?
— Não, não senhor. - Trunks respondeu baixinho, ainda sem olhar para sua mãe.
— Bem, acho que não há nada mais a ser discutido. Faça a gentileza de se retirar. - Vegeta disse com gosto ao ouvido de Bulma, após aproximar-se bem dela. - Vá antes que eu a obrigue e nós causemos mais um trauma desnecessário a nosso filho.— ele murmurou ao ouvido dela de forma que Trunks não ouvisse, tentando de todas as formas não respirar o cheiro dela que ele tanto adorava.
— Quando vou poder vê-lo novamente? - Bulma perguntou de cabeça baixa, resignada.
— Quando eu decidir. - Vegeta disse friamente. - Até lá, mantenha distância dele e do meu castelo.
Bulma engoliu em seco. Foi até Trunks na intenção de se despedir, mas o menino afastou-se quando ela tentou tocar-lhe o rosto.
Derrotada, olhou para os dois sayajin que amava. Um incapaz de encará-la e o outro a olhando com desprezo. Sem opção, só restou-lhe dar meia volta e caminhar a passos lentos pelo tapete do salão.
Intimamente ela esperava que um dos dois a chamasse de volta. E os dois sayajins tiveram que se segurar para não fazer isso. Trunks, destruído em ver sua mãe partir, queria segurar a mão dela e acompanhá-la para casa, já Vegeta louco para pegá-la nos braços, mas o orgulho de ambos não os fizeram ceder.
E como ninguém a chamara de volta, ela saiu dali sem olhar para trás.
Quando a porta do salão bateu, Vegeta sentou-se no chão, na elevação de mármore onde estava o trono, ao lado de onde Trunks sentara assim que Bulma virou as costas. Ambos pareciam dois homens velhos e derrotados.
Permaneceram em silêncio cansado por longos instantes, até que Vegeta o quebrou.
— Eu precisava fazer isso. - ele disse para o filho em tom de explicação.
— Por quê? - Trunks perguntou sem entender, sentindo uma dor excruciante ao ver sua mãe partir.
— Ela mentiu. Ela me enganou por muito tempo. Você nem imagina como isso dói... - o rei disse em um raro momento de confissão.
— Imagino sim. - o pequeno comentou sem olhar para o pai e o silêncio voltou a reinar entre os dois.
— Quanto isso vai durar? - Trunks disse quebrando o silêncio novamente.
— Eu não sei. - Vegeta falou com sinceridade. - Apenas quero que ela sinta a mesma coisa que eu senti por sete anos, a sensação de não ter nada. - confessou novamente.
— Você não vai separá-la de mim, não é mesmo? - Trunks indagou com decisão. – Digo, eu estou com raiva dela, mas eu não a quero longe.
— Nunca a deixaria separada de nós dois. Ela é minha... é nossa. - corrigiu ao ver o olhar contrariado de Trunks. - Mas ela vai ter que voltar e implorar pra voltar pra nós.
— Eu não entendo nada disso. - o garoto falou cansado. - Só não quero que a machuque, do contrário, não hesitarei em tentar matá-lo novamente. E se eu tentar de novo será para conseguir. - Trunks disse ao levantar-se. – Não pense que o perdoei só por que sei que é meu pai biológico e por que diz que se arrependeu.
— Você é igual a mim. - Vegeta falou com amarga alegria olhando o menino de pé. – Vou fazer o possível para que me perdoe um dia.
— Que seja. - Trunks disse sem dar atenção, já saindo pelo salão, como sua mãe o fizera há poucos instantes.
Estavam os dois internamente desorganizados e a dor que um sentia podia ser sentida pelo outro, como se o sangue dos dois fosse o mesmo. E era.
Nadesna terminara de colocar Goten na cama e agora descia as escadas da mansão do general. Ela limpara e cuidara dos ferimentos do garotinho, o alimentara e o colocara para dormir após o almoço. A babá sabia que não tinha coisa melhor para um sayajin do que comer e descansar para se recompor. Com certeza o menininho acordaria saudável e até mais forte depois da luta cansativa que tivera no torneio.
Contudo, o semblante de tranquilidade da moça se transformou em um semblante de desagrado quando, ao descer as escadas, encontrou a irmã gêmea sentada confortavelmente no sofá da sala como se fosse a dona da casa, tudo isso enquanto fumava deixando o ambiente impecável empestado pelo cheiro de perfume forte misturado a fumaça de cigarro.
— Eu tinha esquecido como essa casa era agradável! - Nadine falou aproveitando o luxuoso lugar.
— É melhor ir embora, Nadine. - Nadesna disse seca, enquanto pegava o cinzeiro na mesa de centro onde a irmã acabava de bater as cinzas do cigarro.
— Deixa de ser chata irmãzinha! - Nadine rebateu despreocupada. - Além do mais o general gostosão nem está por aqui ainda. Você devia era a aproveitar como se fosse a dona da casa!
— Mas, eu não sou a dona da casa, Nadine! - Nadesna rebateu tirando os pés da irmã de cima da mesinha de centro.
— Por que não soube fazer a coisa direito. - Nadine replicou. - Se quiser, eu fico de novo no seu lugar por um tempo, daí eu faço tão gostoso com o seu general que quando você voltar, já estaremos casados! Ele é tão maravilhosos que eu faria com o maior prazer... – exclamou sonhadora.
— Deixe de falar besteiras. - Nadesna ralhou sentando-se também no sofá. - Além do mais, pare com esses joguinhos e me diga de uma vez o que está querendo. Por que me acompanhou até aqui?
— Ah, mas você é uma chata mesmo! - Nadine resmungou rolando os olhos. - Tá, eu só estou curiosa pra saber do menino que lutou com Goten. Tá todo mundo dizendo que ele é filho do rei por causa da semelhança e de ele ter se tornado super sayajin, queria saber se você o conhece.
— Por que quer saber? - Nadesna indagou desconfiada.
— Por nada, maninha. Já disse. - Nadine insistiu. - Não gosta de fofoca? Eu adoro! E então, quem é o pivete?
Nadesna convenceu-se. Sabia que a irmã sempre gostara de uma boa fofoca.
— Goten vive falando nele, se chama Trunks, se bem me lembro. - Nadesna falou. - Ele mora na ilha Cápsula com a mãe.
— O reduto dos terráqueos? - Nadine indagou interessada.
— É, mas parece que não moram na vila como os outro. - Nadesna continuou. - Moram na praia. Numa clareira ao que me parece... É pra lá que Kakkarotto vai sempre. - falou um pouco triste.
— Então se é assim... - Nadine disse concluindo com um sorriso. - Se ela é mãe do filho do rei... e a mulher que o general visita... Filha da puta! - a mulher concluiu com um sorriso maldoso.- Parece que ao contrário de você irmãzinha, essa soube fazer o negócio direito. Essa sim será a maior bomba da história de Vegetasei...
— Eu não entendi, Nadine. O que você está querendo dizer? - Nadesna indagou confusa.
— Nada maninha! - a outra irmã disse levantando-se, já tinha o que queria. - Chega de fofocas por hoje, tenho muito o que fazer. O bar vai estar lotado mais tarde... Até mais queridinha!
Nisso, Nadine saiu rapidamente da casa de Kakkarotto, deixando Nadesna sem entender nada. A irmã malvada não via a hora de contar para Maron tudo o que descobrira.
— Então esse é o barraco em que aquela imunda vive? Que mal gosto! - Maron falou ao visualizar a bela casa branca na clareira, tempos depois de Nadine ter lhe contado onde a cientista vivia.
— Eu acho uma bela casa. - Dodoria a contradisse olhando a casa com admiração. - Não me importaria de ter uma assim.
— Então, será que ela está em casa? - Zarbon indagou também olhando a residência. - Sinto um ki ali dentro, mas não consigo definir se é de um sayajin. Malditas pedras de interferência!
— Deve ser ela. - Maron concluiu. - Nadine disse que ela mora sozinha com o filho e se o pivete está no castelo, ela deve estar aí se lamentando pelo filhinho perdido.
— Então, podemos entrar e matá-la? - Zarbon pediu lambendo os lábios. - Vai ser tão fácil...
— Acho melhor não, Zarbon. - Dodoria interpelou. - Não pode parecer assassinato. Lembre-se que ela é protegida pelo rei e pelo general, e o filho da vadia é um super sayajin. Eles poderiam sentir alterações no ki dela e chegarem aqui antes de fugirmos.
— Então o que faremos? - Zarbon disse com desgosto.
— Eu já sei. - Maron falou com um sorriso maldoso. - Kame bem sabe como eu queria acabar com aquela plebeia imunda com minhas próprias mãos. Mas já que não posso, eu vou querer vê-la queimar, como deveria ter sido há sete anos. Ela devia saber que ninguém foge de seu destino e o dela é ser morta por mim. - a sayajin concluiu com um sorriu de vitória.
No espaço, Tarble e Kakkarotto juntavam em um canto da nave os corpos dos sete soldados de Freeza que haviam capturado. Kakkarotto interrogara um a um depois chamara Tarble para executá-lo,s após ler a sentença deles, como era de protocolo.
Tarble fizera pequenas bolas de ki, o bastante para atravessar o coração de cada um dos soldados, rápido e misericordioso.
O príncipe mais jovem não tinha poder suficiente para pulverizá-los, por isso agora, Kakkarotto o ajudava a amontoar os corpos para jogar no espaço, o general bem que podia pulverizar cada um, mas não queria fazer esse desrespeito com o príncipe.
— Então, o que descobriu de importante? Eles contaram algo? - Tarble indagou enquanto arrastava um soldado particularmente grande. Kakkarotto estava especialmente calado nos últimos dias e Tarble já havia notado isso.
— Descobri o que eles sabiam. - Kakkarotto falou enquanto arrastava dois corpos sem nenhuma dificuldade. - São muito medrosos, abrem o bico com facilidade. Não são fieis como nós, não tem honra de guerreiro.
— E então?
— Eles disseram que Freeza foi para Terra. Alguma coisa com buscar armas para atacar os sayajins. - Kakkarotto disse um pouco preocupado enquanto jogavam os corpos pela escotilha da câmara de desova.
— Não seria bom avisar ao meu irmão? - Tarble indagou enquanto apertava o botão grande e vermelho que fechava a câmara.
— Ainda não temos contato com Vegetasei. Mas pretendo comunicar Vegeta quando voltarmos. - falou um pouco cansado, não queria transparecer para Tarble o desespero que estava sentindo em pensar no que Bulma podia estar passando nas mãos de Vegeta. Ele não queria dizer ao jovem príncipe como as coisas poderiam ser diferentes quando estivessem de volta a seu planeta, mas estava ficando difícil.
Isso por que, a cada segundo que se aproximavam de Vegetasei o coração de Kakkarotto apertava ainda mais. Estava dilacerado entre o amor e a preocupação por Bulma e outra coisa que a presença de Tarble lhe despertara: a vergonha por trair seus votos de guerreiro e desonrar o seu rei. Naqueles sete anos, esporadicamente, essas crises de consciência vinham muito fortes, mas toda vez que ele tinha Bulma em seus braços, elas iam embora mais tão rápido quanto haviam se instalado. Mas, no espaço, não havia Bulma para aplacar sua consciência. Então só o que restara ao general naqueles últimos dias era tentar evitar o olhar do príncipe mais jovem e aguardar o retorno ao planeta.
Kakkarotto mal sabia que seu dilema moral estava apenas se iniciando.
Sete dias antes, na Terra.
— Onde estão aqueles malditos? Já estou esperando há séculos. - Freeza reclamava impaciente, próximo a parede rochosa onde se localizava o laboratório de Maki Gero. O lagarto já havia chegado ao planeta a cerca de uma hora e fazia quinze minutos que aguardava o cientista e Daburá no local combinado. Os dois comparsas estavam atrasados e Freeza detestava atrasos. O lagarto já estava ficando irritado o bastante para deixar seus soldados nervosos, pois Freeza zangado era premissa para que alguém fosse morto, às vezes pelo simples ato de respirar.
Então, para alívio da comitiva do lagarto, um instante depois dele resmungar, uma parte da parede rochosa começou a mover-se devagar e ruidosamente.
— Finalmente!- Freeza resmungou irritado na medida em que uma passagem secreta se abria entre as rochas.
Instantes depois, pela porta de metal camuflada, surgiam Maki Gero e Daburá, ambos parecendo sinceramente animados.
— Seja bem vindo, imperador. - Dr. Gero disse ao ver o lagarto, sem notar a visível irritação do mesmo.
— Ora, Gero. Já estava na hora! - Freeza retrucou com raiva. - Ninguém me deixa esperando. Só não o mato por essa insolência por que quero minhas armas. Onde estão?
— Estão lá dentro, imperador. - Daburá disse com reverência. - E só nos atrasamos por que estávamos preparando-os para recebê-lo.
— Pois vamos logo ver isso. Já estou ficando cansado. - Freeza falou passando entre os dois, adentrando ao laboratório.
Entraram no laboratório apenas Freeza, Daburá e Gero. A passagem secreta fechou-se assim que os três adentraram novamente a caverna e os soldados de Freeza ficaram de guarda do lado de fora.
— Onde estão? - Freeza indagou com ansiedade ao chegar ao moderno laboratório dentro da montanha. A única coisa que via ali eram câmaras parecidas com sarcófagos.
— Eles estão acordando, imperador. - Gero falou enquanto apertava botões em um grande painel. - Estão ansiosos para conhecê-lo.
— Espero que eles sejam realmente bons Gero, faz quase sete anos que gasto rios de ouro com vocês dois. - Freeza ameaçou.
— E eles são, imperador. - Gero confirmou ainda apertando botões. - E vai comprovar isso agora.
Quando Gero terminou de falar, duas grandes travas dos dois maiores sarcófagos do laboratório destravaram com um click metálico.
Lentamente as portas de vidro fosco foram se abrindo, liberando uma densa fumaça branca de dentro das câmaras. Levou algum tempo para que a fumaça fria se dispersasse e Freeza enxergasse o que havia nelas.
O lagarto viu quando os seres que seria suas armas abriram os olhos. Devagar, moveram braços e pernas. Deram um passo para sair dos sarcófagos.
— Aí estão eles, grande Freeza. - Gero anunciou com satisfação. - Apresento-lhes Cell e Majin Boo!
Freeza olhou extasiado para os dois, um poder incomensurável podia ser sentido. Naquele momento, Freeza teve certeza que o universo seria dele.
A criatura verde e mais alta deu outro passo a frente, enquanto o ser cor de rosa começou a gritar como um bebê e fazer uma dança estranha para Daburá, fazendo o Freeza desconfiar que aquele ser era meio retardado.
— Então você é o grande Freeza que será senhor do universo. - o ser de cor verde, Cell, disse ao aproximar-se.
— Sim, esse sou eu. - Freeza disse empertigado, não gostando nada do leve tom de ironia que o mostrou usara.
— Bem, seu poder não é tão desprezível. - Cell comentou com imponência.
—Como? - Freeza indagou enraivecido.
— Cell, não provoque o imperador Freeza, ele será o seu senhor. - Maki Gero repreendeu.
— Sabe doutor, já está na hora de nós e o imperador termos uma conversa a sós. - Cell disse com um sorriso estreito. - Boo, já sabe o que fazer.
— Sim! - Boo disse contente. – Ah, Vou te comer... - o monstro rosa disse com um sorrisinho um segundo antes de transformar Daburá e Maki Gero em grandes chocolates. Engolindo-os com satisfação depois. - Humm... que delícia! - o monstro falou passando a mão sobre a barriga enquanto Freeza o olhava estupefato.
— Bem, agora sem insetos para nos importunarem, podemos discutir nossos termos. - Cell disse sorrindo.
— Termos? Não há termos, por aqui. - Freeza esbravejou, farto com aquilo. - Eu serei seu mestre, seu imperador e vocês me devem obediência.
— E seremos obedientes, imperador. - Cell retrucou. - SE aceitar nossos termos. Lembre-se que nosso poder é muito grande, e juntos nosso poder é bem superior ao seu.
Freeza ponderou. Não esperava por um motim agora. Achou que dominaria muito bem o androide criado com as células dos dois super sayajins e o demônio acordado por Daburá. Os dois idiotas lhe fizeram crer que ambos eram dóceis. Pela primeira vez na vida o lagarto se viu em desvantagem. Sabia que realmente o poder dois juntos seria maior que o seu, então numa recuada estratégia, sabiamente, Freeza resolveu ceder.
— Está bem, não sou tolo. - Freeza recomeçou. - Digam o que querem.
— Queremos governar o universo junto com você. - Cell falou como se fosse óbvio.
— COMO? - Freeza retrucou. - Nunca!
— É nosso único acordo. - Cell afirmou. - Queremos que quando tiver todo o universo, divida-o em três partes iguais. Pode ficar com a parte que quiser, mas terá que dar uma parte para mim e outra para meu amigo Boo.
— Isso é impensável, seus malditos!
— É nosso único termo. Ou podemos nos juntar agora, acabar com você e dividirmos o universo em duas partes. Você escolhe. - Cell disse irredutível.
Freeza recuou. Não tinha outra alternativa a não ser dar o que os monstros queriam. Fingir que dividira o universo sob um triunvirato e quando os dois os ajudassem a vencer os sayajins, ele cuidaria de cada um, separadamente.
— Se não tem outra escolha. Está feito. - Freeza disse de mal gosto.
— Perfeito. - Cell sorriu. - Por onde começamos?
— Calma aí, temos um plano a seguir. - Freeza respondeu. - Vou lhes explicar agora.
Era início de noite em Vegetasei, no salão do trono o rei recebia as figuras mais importantes da sociedade sayajin. Era uma comemoração pelo final do torneio de artes marciais, mas também, e o que interessava mais a todos que estavam ali, a apresentação do garoto que se transformara em super sayajin no torneio infantil. A essa hora todos tinham certeza que o menino era filho do rei, e quando Trunks entrou imponente ao lado de Vegeta pelo salão, não restaram dúvidas para ninguém que aquele menino era o herdeiro da raça sayajin.
Vegeta caminhou até o trono acompanhado do filho e todos pararam para observá-lo. Era certo que faria um pronunciamento. E todos acertaram, pois no exato momento em que chegou a parte mais alta do salão, o rei começou a falar.
— Essa noite estamos aqui não apenas para comemorar mais um torneio de sucesso. - ele falou e quando falava, prendia a atenção de todos. - Estou aqui também para apresentar-lhes, como já deve ter sido suposto, meu filho, príncipe Trunks.
Trunks deu um passo a frente, de pé na pose exata de seu pai. Com os braços cruzados e o rosto imponente. Um discreto murmúrio de surpresa foi ouvido entre os presentes.
— Majestade, mas quem é a mãe do garoto? - um dos anciões do conselho real arriscou perguntar a pergunta que passava pela mente de todos os presentes.
— Isso não é da conta de vocês. - Vegeta respondeu secamente. - Minha responsabilidade era lhes dar um herdeiro para o trono, e aí está, o mais novo super sayajin da estória.
— Mas, um príncipe bastardo, majestade? - Silas, um guerreiro nobre comentou com uma pontada de sarcasmo.
— Cuidado com suas palavras, Silas, elas podem ser as últimas.— Vegeta replicou ameaçadoramente. - Mas não vou ficar aqui defendendo o garoto. Ele terá tempo suficiente para provar seu valor e conquistar o respeito do povo sayajin. Trunks, tem alguma coisa a dizer para seus súdito? - Vegeta indagou para o filho que olhava a multidão abobalhado.
Trunks sempre sonhara em ser um guerreiro de primeira classe, desde tenra idade, e já havia se visualizado como príncipe quando supôs que Vegeta era seu pai. Encarar os súditos não lhe ameaçava, aliás, o fazia se sentir muito confortável.
— Pretendo honrar o sangue nobre sayajin que circula em minhas veias. - Trunks falou olhando imponentemente para todos. - E serei o maior guerreiro, usarei meu poder para proteger e defender o povo sayajin, mas não apenas o povo sayajin, os terráqueos também. Afinal sou mestiço e me orgulho disso. - ele revelou fazendo a plateia se estarrecer.
— Nosso futuro rei será um mestiço? - um dos anciões perguntou escandalizado.
— Olhe velho, há muito tempo sabemos que os mestiços são muito mais fortes que os sayajins. Prova disso é que meu filho apenas com sete anos é mais forte que qualquer um nesse salão, exceto a mim. - Vegeta defendeu o filho. - E se tem alguém aqui que é contrário a decisão de colocá-lo no trono, se manifeste que resolveremos isso como nós sayajins resolvemos as coisas.
— Majestade, não é para tanto, - Marvin manifestou-se ao ver o soberano se exaltar. - Sempre soubemos de sua grande esperteza e estrategismo. E digo que foi sua maior jogada ter um filho mestiço e garantir que teremos uma linhagem de soberanos muito mais forte. Qualquer um que se interponha a essa ideia, é demasiado tolo.
Vegeta olhou para Marvin meio espantado, quase em agradecimento. Um burburinho geral pareceu considerar a opinião do capitão, até que pessoas começaram a se manifestar, batendo palmas para saldar o próximo príncipe da raça sayajin.
Trunks fez outra reverência em agradecimento aos aplausos. Logo depois, Vegeta fez um gesto para que todos se calassem.
— Agora que tudo está resolvido, vamos ao salão de jantar.
As pessoas começaram a se dispersar enquanto Vegeta e Trunks foram até onde Marvin se encontrava, ele estava de mãos dadas com Pirza.
— Sua fala foi muito apropriada ali. - Vegeta disse para o capitão, e Marvin sabia que era a forma do rei agradecer.
— Aprecio que tenha gostado, Majestade. Não disse nada além da verdade. - Marvin falou com reverência.
— É mesmo, - Pirza interrompeu abaixando-se para tocar no rosto de Trunks. - Você será um grande rei, T.K. Já quase posso vê-lo.
— Obrigada, senhora. - Trunks replicou um pouco envergonhado ao sentir a bela mulher acariciando seus cabelos.
— Senhora não, alteza. - Pirza retrucou. - É Pirza, tia Pirza se preferir. Afinal, sua mãe é como uma irmã pra mim. - ela sorriu para o menino que ficou meio sem jeito.
Vegeta ficou incomodado por Bulma ser mencionada. Ela ainda era um assunto inacabado entre ele e seu filho. Ele ia sugerir que fossem todos para o jantar e acabar de vez com aquilo, quando Spartaco se aproximou com mais dois guardas, parecia visivelmente abalado.
— Majestade... - o grandalhão disse arquejante. Vegeta sentiu seu ki muito alterado.
— O que foi? - Vegeta indagou com um pressentimento ruim.
— A casa, majestade. A casa da clareia... A morada da cientista...
— O que tem minha casa? - Trunks perguntou puxando o braço do homem.
— ESTÁ EM CHAMAS! - Spartaco respondeu com a respiração difícil.
