Dragon Ball não me pertence.
CAPÍTULO 22
O fogo e os escombros
Seguindo as instruções de Trunks, minutos depois de Spartaco anunciar que a casa da clareira estava pegando fogo, Vegeta teletransportou-se para a praia da ilha Cápsula levando consigo o filho, o Marvin e Pirza. E eles mal haviam colocado os pés na areia da praia e já puderam constatar que Spartaco dissera a verdade. Sentia-se o cheiro de queimado e podia se ver fumaça no céu estrelado e claro pelas luas de Vegetasei.
Caminharam rapidamente pela praia, seguindo Trunks que correra na frente. Atravessaram as árvores da espessa mata que envolvia a clareira, e quando chegaram ao local, visualizaram apenas um grande amontoado de escombros, cinzas e ferro retorcido. O fogo já havia sido apagado pela guarda de salvamento que fora chamada pelos guardas do castelo e o local estava iluminado por grandes holofotes, e olhando os guardas revolvendo os escombros, Vegeta concluiu que nunca mais poderia conhecer o local onde seu filho passara os primeiros anos, pois não sobrara nada do que fora à casa de Trunks e Bulma. Nada.
Ele encarou a cena de destruição com incredulidade por um longo momento. Muita fumaça ainda saía dali, os escombros ainda estavam em brasa. O cheiro de queimado era intenso.
Atordoado, o rei levou algum tempo para perceber que o filho correra para dentro dos escombros e os revolvia com desespero.
— GAROTO, SAIA DAÍ! - Vegeta gritou apressando-se entre os escombros, brasas em fogo, até alcançar o filho.
— MINHA MÃE! EU TENHO QUE SALVAR A MINHA MÃE! - o menino dizia aos berros enquanto lágrimas incontroláveis saíam de seus olhos.
O rei, que estava quase tão apavorado quanto o próprio filho, agarrou o menino com força e tombaram ambos ajoelhados no chão. Perplexo e tremendo, Vegeta continha Trunks que se debatia em seus braços, precisava evitar que o filho se desprendesse e saísse por uma infrutífera busca pelos escombros em brasa. Ele próprio queria se afundar neles, mas a inatividade de ki naquele lugar o fazia sentir a amarga sensação de que não havia mais vida entre aqueles escombros que pegavam fogo e ele queria evitar de todas as maneiras que Trunks vasculhasse aquele lugar e encontrasse algo que ele próprio não tinha suporte emocional para ver: o corpo carbonizado de Bulma.
Pirza, um pouco afastada dos escombros, olhava para os dois tão desesperada quanto o rei e seu herdeiro, enquanto Marvin usava seu scouter para guiar a guarnição que chegava naquele momento à praia para ajudar nas buscas no lugar.
O capitão sabia que ausência de ki nos escombros poderia existir por causa da pulseira usada pela cientista, mas concluía tristemente que com pulseira ou sem pulseira, Bulma jamais poderia ter sobrevivido àquele incêndio.
Fazia mais de uma hora que os guardas e a equipe de salvamento reviravam os escombros no meio da noite. Vegeta estava sentado no chão e recostado numa grande árvore enquanto observava os guardas e a equipe de salvamento trabalhar a sua frente. Em seu colo, Trunks jazia inconsciente e inquieto. O rei fora novamente obrigado a desacordar o filho com um golpe, pois Trunks ficara incontrolável ao ver os escombros e Vegeta sentiu que precisava naquele momento proteger a criança o máximo possível de qualquer imagem traumatizante. Talvez aquela tenha sido sua primeira preocupação como pai de verdade, ele pensou. E naquele momento ele começava a sentir o fardo da preocupação paternal na vida, e o fez sentir-se pela primeira vez no lugar de seu falecido pai, ao perguntar-se era daquela maneira que seu pai se sentia em relação a ele e a Bulma, colocando os interesses do filho acima de seus próprios interesses.
E além de preocupar-se com Trunks, ele também pensava em muitas coisas olhando aqueles escombros.
Era como olhar um flashback macabro e o que mantinha calmo por fora era a necessidade vital de cuidar de Trunks naquele momento, embora sua verdadeira vontade fosse gritar. Gritar muito de desespero por passar por aquela tortura novamente.
Por que aquele, era realmente um revival tenebroso. Uma piada de muito mau gosto que a vida fizera com ele. Por alguns instantes ele sentiu que o tempo não tinha passado e que ele ainda estava naquela nave barco enquanto os destroços da nave de Bulma eram retirados do mar. Era aquela horrível sensação de perda novamente, e quando a culpa começou a lhe invadir, ele sentiu sinceramente que o universo estava lhe castigando, pois lhe fora dada uma segunda chance e ele jogara fora. O destino havia lhe devolvido Bulma viva, salva por um milagre e ele simplesmente havia mandado ela embora.
Foi como se realmente ela tivesse saído da sala do trono para ir embora, de volta pro mundo dos mortos, como se jamais tivesse saído de lá.
E Vegeta já se imaginava como seu pai, criando o filho sozinho e amargurado com a falta da mulher amada. A diferença é que não haveria uma garotinha linda de olhos e cabelos azuis para lhe dar consolo nas horas de desespero.
Vegeta riu um riso amargo naquelas reflexões. Ria agora de sua ideia insana de matar Bulma quando descobriu que ela estava viva. Ele jamais teria coragem, concluíra. E se a raiva o tivesse dado coragem, ele sabia que o arrependimento depois de forma mortal.
E lembrou-se que fora impedido de cometer tal desgraça por que encontrara Trunks, por causa do filho ele mudara os planos de vingança, embora isso não o tivesse evitado de cometer um grande erro de mandar Bulma embora. Ele fizera isso para castigá-la, na esperança de que ela voltasse rastejando atrás dele, apenas para não ferir seu orgulho em aceitá-la depois dela ter mentido.
E fizera isso, pois tinha certeza que ela ia voltar. Ele já havia concluído que a cientista ainda sentia algo por ele. Aquela peça deixada em seu quarto era uma prova cabal disso. Ou por que motivos ela se disfarçaria e iria até ele no bar de Pirza? Ele sentira em seus braços como ela havia gostado daquela noite que viveram.
E agora, enquanto brincava com os cabelos de Trunks que tinham a exata textura dos de Bulma, ele sentia novamente, que seu orgulho havia brincado com ele, e que novamente seu orgulho era a causa de sua desgraça.
Incapaz de fazer qualquer coisa, o rei só saiu daquele transe de auto lamentação quando Marvin aproximou-se dele.
— Acharam alguma coisa? - indagou ansioso e temente pela resposta que receberia.
— Já reviramos tudo. - Marvin informou sério. – E até achamos o laboratório do porão, que, aliás, encontra-se intacto. Tinha uma estrutura de aço que o protegeu das chamas.
— Ela estava lá? - Vegeta indagou com um pouco de esperança.
— Não majestade, mas acabamos de encontrar um corpo. - Marvin disse apontando para três guardas ao longe que levavam uma padiola com algo coberto por uma lona preta. – Era o único corpo entre os escombros.
— É ela? - Vegeta perguntou chocado, uma ânsia de vômito subindo-lhe pela garganta.
— Não, majestade. - Marvin negou e Vegeta sentiu um alívio imenso invadir-lhe, como se o mundo tivesse saído de suas costas. - É o corpo de Elrich, o guarda que Spartaco mandou para revistar a casa mais cedo. - Marvin explicou. - Ele está irreconhecível, mas como sabe, nossas armaduras resistem ao fogo.
— E ela? - Vegeta indagou novamente sem se conter, uma ponta de esperança crescendo.
— Já disse que ninguém mais morreu nesse fogo, majestade. - Marvin afirmou. - A perícia já está aqui e eles estão investigando as pegadas e outras evidências encontradas no lugar, mas ainda não há nenhuma evidência importante... Eles só acham que o incêndio foi criminoso.
— Criminoso? – Vegeta indago perturbado. – Colocaram fogo na casa dela?
— É o que os peritos acham. – Marvin confirmou. – Parece que usaram o ki para destruir a casa, ela foi queimada de fora pra dentro e não ao contrário.
— Mas, como? – Vegeta pergunto-se num murmúrio. - Quem?
— Ah, vocês estão aí! - Pirza interrompeu esbaforida aproximando-se rapidamente. - Majestade, por favor! Venha aqui, acho que encontrei algo...
— O que encontrou, mulher? - Vegeta indagou empertigado ainda pensando sobre o que Marvin lhe dissera.
— Acompanhe-me, por favor. - Pirza pediu já saindo novamente.
Tomado pela curiosidade, Vegeta levantou-se trazendo Trunks no colo, ele sentia-se meio ridículo levando a criança, mas a cabeça do menino encostada em seu ombro lhe dava uma sensação indescritível de segurança. A passos rápidos ele e Marvin seguiram Pirza, atravessando as matas e voltando a praia.
— Mas o que é que você quer mostrar, mulher? - Vegeta perguntou já irritado quando chegaram à areia.
— Isto. - Pirza falou apontando a lanterna que trazia para a pequena moto caída na areia. - Essa é a moto de Bulma. - Pirza explicou.
— Ela tinha uma moto? - Vegeta perguntou perplexo, a Bulma que ele conhecia nunca andaria de moto.
— Sim, ela tinha. - Pirza confirmou. - E parece ter chegado aqui às pressas, pois a jogou em qualquer lugar. Vejam as pegadas. - ela falou apontando uma trilha na areia que desaparecia nas matas. - Parecem com as botas que ela usava hoje mais cedo. - falou olhando para a parte da trilha perto das matas onde a terra era mais fofa.
— E você tem uma equipe de perícia ali dentro?— Vegeta ironizou Marvin enquanto seguia, impressionado, o raciocínio de Pirza. - Bem, mulher, sabemos que ela chegou aqui. - Vegeta concluiu um pouco mais seguro agora que sabia que não havia outro corpo nos escombros. - E como ela saiu?
— Se olhar direito, Majestade, - ela falou indo até a trilha que dava para as matas. A trilha que só Bulma e seus amigos utilizavam. - as pegadas vão, mas também voltam e somem naquela direção... - falou apontando para o norte onde as pegadas continuavam quase apagadas na areia. Pirza seguiu as pegadas que quase desapareciam enquanto Vegeta e Marvin a acompanhavam. Andaram alguns metros até encontrarem um par de botas cano curto jogadas de qualquer jeito na areia.
— Ninguém gosta de correr na areia de botas. - Pirza disse enquanto agachava-se para pegar as peças.
— São dela? - Vegeta indagou olhando o par de botas sob a luz da lanterna, Trunks mexeu-se um pouco em seus braços.
Pirza confirmou com um aceno de cabeça.
— Acho que ela continuou correndo pra lá. - Pirza falou apontando para a trilha onde as pegadas desapareciam.
— E o que tem pra lá? - Vegeta perguntou ansioso.
— A vila da ilha Cápsula. - Pirza confirmou com uma ponta de esperança.
Todos temem descer tão fundo ao ponto de chegar ao fundo do poço.
Quem não teme ir ao fundo?
O que poucas pessoas sabem é que existe algo muito bom em se chegar lá. Pois, quando se chega ao fundo e sente-se os pés encharcados de lama do piso lodento, descobre-se uma grande e maravilhosa verdade: não se pode cair mais.
Isso é libertador.
Pois, quando não se pode mais cair, a única coisa a se fazer é escalar de volta.
E foi exatamente assim que me senti no dia em que perdi tudo.
E esse dia não foi quando meus pais morreram assassinados pelos soldados de um tirano chamado Freeza como Mestre Kame me contara recentemente, nem quando meu pai adotivo morreu pelo vício e pelo veneno, nem quando aquele que eu amava me rejeitou e humilhou. Não foi nem quando aquela nave se autodestruiu sobre o oceano levando consigo o meu sonho de liberdade. Não, não foram nesses episódios que perdi tudo, por que em todos eles, sempre me sobrara alguma coisa.
Constatei que tinha realmente perdido tudo naquele final de tarde após o torneio de artes marciais, em uma sarjeta qualquer da ilha Cápsula.
Pois, depois de ter saído do castelo quase enxotada por aquele desprezível guarda que me atacara anteriormente, mandada embora pelos dois sayajins que eu amava, me vi na impossibilidade até de falar com meus amigos.
Todos eles receberam um ultimato: se trocassem sequer palavra comigo, voltariam ao corredor dos condenados, como era chamada a galeria de celas dos condenados à forca. Nem Pirza e Marvin, foram poupados desse aviso dado por Spartaco em nome do rei.
E como de forma alguma eu teria coragem de submeter meus amigos ao perigo novamente, eu saí do castelo sem olhar pra eles e sem falar com nenhum deles. Eles já haviam arriscado demais por minha causa. Era hora de eu tomar as rédeas de minha própria segurança.
E ao sair de lá minha única sorte era ter em meu bolso algumas cápsulas, e numa delas minha moto, com ela pude procurar alguma parada de aerocoletivo. Sentia-a me exausta, nervosa, desorientada. O chão parecia ter sumido completamente de meus pés, mas mesmo assim arranjei forças Kame-sabe-lá-de-onde e peguei o aerocoletivo.
A viagem passou como um raio e eu chorei toda ela, chamando a atenção de todos no coletivo que me olhavam com cara de piedade. Eu ando muito sensível ultimamente, mas quem não ficaria sensível após perder o próprio filho?
Eu precisava ir pra casa, queria tomar remédios e apagar completamente, chafurdar na minha própria desgraça. Mal sabia eu que a desgraça só estava começando.
Quando me aproximei da clareira pela trilha de terra que ladeava as matas no encontro com a praia, percebi que algo estava diferente e meu coração, como um sensor de perigo, já me avisava que algo ruim estava por acontecer. Passei pelas casas dos meus amigos e vi que as luzes ainda estavam apagadas, eles ainda deviam estar no Distrito, talvez se recuperando do susto que tiveram por minha culpa.
Ao longe notei que a fumaça que vinha da clareira não era normal. O cheiro de queimado me deixou apreensiva e acelerei a moto na direção das matas.
Larguei a moto em qualquer lugar, fazendo-a cair da estreita trilha de terra para a areia da praia. Caminhei a passos rápidos e largos, o coração insensível de tanta ansiedade, e pouco antes de passar pelas árvores que escondiam a clareira, eu já havia constatado a tragédia que se abatera sobre a casa de meus pais.
O vento quente e as labaredas vermelhas, laranja e azuis não me permitiram chegar muito perto. Minha casa estava em chamas.
Olhei para o cenário desolador por um tempo que não posso precisar. Cai de joelhos diante de tudo que eu tinha, vendo tudo ir embora. Nenhum sinal de ajuda por perto e nada mais havia para ser salvo ali.
Chorei por longos e desesperados momentos querendo permanecer ali para sempre e não deixar que tudo que eu tinha ficasse pra trás, entretanto, envolvida por algum tipo de choque, eu caminhei para fora da clareira quando percebi que o fogo se alastrara demais, ficar ali seria morte certa, embora essa possibilidade fosse cogitada de forma séria por algum tempo em minha mente perturbada.
Contudo, alguma força estranha me repeliu para longe dali. A moto que tinha caído na areia da praia, não quis dar partida quando subi nela na intenção vã de procurar ajuda. Mas, minha inteligência me dizia novamente que chamar ajuda não adiantava mais. A clareira estava, irremediavelmente, perdida para sempre.
Eu caí na areia perto da moto e chorei por mais alguns momentos..
Uma pequena explosão, provavelmente vinda de minha casa em chamas me acordou para o perigo que era ficar ali enquanto a noite chegava. Estava convencida que minha casa não pegara fogo por acidente, eu mesma havia modernizado o sistema elétrico e de gás. Com certeza aquele fora um incêndio criminoso, e quem quer que fosse o criminoso que destruíra minha casa, ainda podia estar por ali.
Munida desse medo, levantei-me trôpega e passei a correr pela praia na intenção de fugir dali. Minhas botas estavam cheias de areia e começaram a pesar e machucar, parei, deixei-as pra trás e continuei correndo.
Então, Suja de fuligem, suada, com o cabelo completamente desgrenhado e descalça, eu corri por muito tempo até voltar à vila da ilha cápsula.
E ao chegar lá, foi que realmente a ficha caiu.
Eu percebi que eu não tinha pra onde ir, meus amigos não podiam me ajudar e eu não tinha dinheiro, não tinha família, não tinha mais o meu filho... Eu só tinha a roupa suja que estava no meu corpo e algumas cápsulas e poucas moedas na bolsa tiracolo. Estava com fome, sede me sentia fraca, enjoada e agora que a noite caía, começava a sentir frio.
Sentindo uma forte vertigem, eu sentei numa calçada. E foi aí que lembrei dele. Ele finalmente me tirara tudo e aquela altura eu já suspeitava que até minha casa ele houvesse tirado também. Se algum dia tivesse passado pela minha mente o risível devaneio que ele me perdoaria por sentir algo por mim, eu tinha sentido na pele como me enganara.
E se ele estava com raiva de mim por tê-lo enganado, e se ele queria se vingar, eu poderia parabenizá-lo, pois ele conseguira.
Eu estava acabada, sozinha e vazia, estava literalmente, no fundo do poço.
Fiquei sentada encarando a noite que nascia no céu de Vegetasei como os olhos fundos e etéreos de uma louca. Foi o aerocoletivo que freou bruscamente a menos de um palmo da calçada onde eu sentara que me trouxera de volta para a realidade.
Então, como num estalo, eu parei de chafurdar os pés na lama do fundo do poço e uma estrela me apontou uma direção, eu tinha para onde escalar de volta.
Não foi difícil para Bulma achar o lugar que ela estava procurando. O difícil para a cientista fora convencer o motorista do aerocoletivo a deixá-la entrar no transporte no estado em que se encontrava e aceitar as poucas moedas que ela tinha para levá-la até o distrito real, mas no final o homem apiedou-se dos olhos azuis da garota e a deixou entrar.
Ao chegar ao distrito real, ela só precisou perguntar a duas ou três pessoas que lhe olharam atravessado, mas que lhe deram as informações. Então, depois de andar por alguns quarteirões, ela chegara ao local que procurava.
Esgueirou-se pelos nas calçadas de forma que não fosse vista pelos guardas que estavam nas guaritas do muro que rodeava o local. Aguardou o portão automático abrir para um grupo de serviçais que parecia estar de saída e entrou em um momento de descuido dos dois guardas da guarita que estavam vendo uma reprise do torneio de artes marciais pela TV. Bulma achou melhor entrar assim, se chegasse ali daquela forma, suja e descalça sabia que seria enxotada pelos guardas antes que pudesse explicar alguma coisa.
Ela correu pelo caminho de pedra que ia do portão de entrada até a porta da frente que estava trancada. Bateu com toda força a argola de ferro da porta, esperando que alguém lá dentro escutasse e fosse atendê-la.
E quando já estava com o braço cansado de tanto bater a argola contra a porta, ela percebeu que alguém abria a fechadura, afastou-se um pouco e logo viu a moça que apareceu quando a porta se abriu.
— Boa noite... - Bulma cumprimentou sem jeito a jovem de cabelos negros.
— Não damos esmolas, por favor, desculpe. - a moça disse com educação após olhar Bulma da cabeça aos pés.
— Não vim pedir esmolas. - Bulma falou rápido antes que a moça fechasse a porta.
— E o que quer então? - a outra perguntou com um pouco de receio.
— Eu... Eu... - Bulma não sabia o que dizer, mas não precisou dizer muita coisa mais, pois foi interrompida.
— Tia Bulma! - um garotinho que apareceu aos pés da moça falou contente.
— Você conhece essa moça, Goten? - a serviçal, que era nada menos que Nadesna, perguntou empertigada. Já havia ouvido aquele nome em algum lugar.
— Claro, Bá, - o menino respondeu da forma que chamava sua babá. - É a tia Bulma, amiga do meu pai, lá da ilha Cápsula. - o menino disse com inocência.
Nadesna olhou estarrecida para a mulher suja e desgrenhada que estava a sua porta. Realmente podia-se perceber que ela não era uma mendiga. Havia beleza demais por baixo de toda aquela fuligem. Com um gesto de mão, a babá de Goten convidou a mulher de cabelo azul para entrar na casa.
Vegeta voltara ao castelo depois de encontrar as pistas na praia. Colocara todas as suas forças especiais para procurar Bulma na vila da ilha Cápsula e seus melhores investigadores para tentar achar pistas sobre ela.
Marvin havia contado ao rei sobre a miraculosa pulseira que ocultava o ki, o que fez Vegeta sentir raiva, orgulho e receio. Raiva por que ela o tinha inebriado todo o tempo com ajuda daquele aparelho, orgulho por saber que Bulma fora capaz de construir algo tão fabuloso e receio, pois em posse daquela pulseira seria mais difícil achá-la, ela poderia estar em qualquer lugar.
E encontrá-la rápido agora era uma questão imperiosa. Ao saber do incêndio criminoso ele estava temente sobre quem poderia querer fazer mal á cientista. Pensou em Freeza ou em algum de seus comparsas e gelou ao imaginar que alguém pudesse ter capturado Bulma. Não conseguia conceber que ela pudesse estar correndo perigo.
Então, após deixar Trunks no quarto da torre do quarto andar, quarto que o menino se alojara por escolha própria, e sabendo que o filho dormiria até o dia seguinte, Vegeta voltara a sala do trono para aguardar informações. Ele não dormiria até saber onde Bulma estava.
Durante a noite, os investigadores descobriram que Bulma chegara à vila da ilha Cápsula e após o depoimento do motorista de um aerocoletivo, souberam que a moça havia voltado ao distrito real poucas horas atrás, mas depois de descer do aerocoletivo, parecia que a cientista havia entrado em algum sumidouro. Não havia notícias dela e pelo estado em que o motorista do aerocoletivo disse que a cientista estava, Vegeta agora se afligia com a imagem de Bulma vagando sozinha pelas ruas do distrito, totalmente vulnerável a qualquer mau elemento que a observasse, e sabendo dos instintos perigosos de sua raça, ele estava à beira do pânico, pedindo a Kame que iluminasse as ideias da cientista e a fizesse procurar o castelo.
"Mas é claro que ela não vai voltar. Você a expulsou daqui seu estúpido." ele repreendeu-se em pensamento enquanto observava pelo monitor as câmeras de rua do distrito real na esperança de encontrar algum vestígio da cientista. "Você a teve em suas mãos e jogou fora, mais uma vez" a voz na consciência do rei não parava de dizer.
O rei parou de se auto-repreender quando seu scouter bipou, e recebendo a chamada, ele viu que era Spartaco.
— O que quer? - Vegeta indagou de mau humor.
— Majestade, tenho novidades. - Spartaco anunciou pomposamente.
— Acharam Bulma? - perguntou sem hesitação.
— Não majestade, não é sobre a cientista. - Spartaco retorquiu.
— E o que é tão importante pra me incomodar então? - Vegeta indagou ainda mais irritado.
— É a nave do general Kakkarotto. Está entrando na atmosfera de Vegetasei. - anunciou rápido. - Quero saber o que devo fazer, pois diante dos últimos acontecimentos...
Vegeta refletiu um pouco, aquela não era hora ideal para confrontar Kakkarotto, afinal, ele ainda nem sabia o que tinha acontecido com Tarble. Mais uma coisa para se preocupar. No entanto, Vegeta concluiu que mesmo que Kakkarotto houvesse salvo seu irmão, ele não poderia deixá-lo impune por tê-lo traído conspirando para esconder Bulma por todos aqueles anos, fora que ainda havia a terrível suspeita que pairava sobre sua mente quanto ao general e a cientista. Pensando nisso, Vegeta decidiu que, com Bulma desaparecida ou não, o general tinha contas a acertar e isso não poderia passar batido.
— Continue com o plano inicial. - ele ordenou seriamente, desligando o scouter após um aceno afirmativo de Spartaco.
Recostando-se em sua poltrona, Vegeta suspirou. Eram duas da manhã, mas a noite parecia estar apenas começando.
— Finalmente estamos chegando. - Tarble falou com um grande sorriso na medida em que via Vegetasei se aproximar no horizonte. Sentado ao lado de Ângela e apertando com força a mão da garota, o príncipe mais novo não desgrudava os olhos da escotilha da nave, muito ansioso.
Quem também estava ansioso, mas com uma ansiedade diferente era o general Kakkarotto, sentado em sua poltrona, ele tinha certeza que todos na sala poderiam ouvir seus batimentos cardíacos descontrolados. Estava tenso ao extremo.
Estava pronto pra fazer o que fosse preciso quando desembarcasse daquela nave, até matar Vegeta se fosse uma alternativa para salvar Bulma. Só de imaginar que o ex-amigo podia estar fazendo com a cientista seu sangue já fervia e toda a compaixão que ele tinha por Vegeta desaparecia em um passe de mágica. Ele estava ainda mais preocupado por que ninguém no castelo havia recebido as chamadas que ele fizera desde que conseguira conexão com o planeta horas atrás, e isso nunca era um bom sinal.
Então, quando um solavanco finalmente avisou que a nave pousara em solo de Vegetasei, Kakkarotto apressou-se em tirar os cintos de segurança e levantar-se para deixar a nave. Tarble o acompanhou pelos corredores muito ansioso, esperando ver seu irmão quando a porta se abrisse
Mas quando a porta de aço revelou o lado externo da nave, não foi Vegeta que Tarble viu os aguardando ao final da rampa e sim uma guarnição com os melhores soldados de primeira classe do planeta, todos liderados por um cara grandalhão que se aproximou com cuidado quando Kakkarotto descia a rampa da nave, seguido por Tarble e Ângela.
— General Kakkarotto, eu sou Spartaco. E você está preso em nome do soberano real de Vegetasei.
