Naruto, obviamente não me pertence.

"Eu quero que você se sinta a pessoa mais feliz do mundo, a única capaz de ser pra mim um sonho em noite de insônia..."

Cazuza.


Capítulo 26Eu e ela.

Meu corpo doía em vários lugares. Ficar muito tempo dentro do avião acabou me deixando tenso e dolorido. Comecei a sentir a minha musculatura voltar ao normal depois de tomar um belo banho quente e um relaxante muscular. Depois que saiu do banho, coloquei uma roupa simples. Calças de moletom e uma blusa de algodão com mangas compridas. Ainda podia sentir gotículas de água escorrendo pelo meu pescoço e se perdendo na gola de minha blusa.

Deixei o meu material de trabalho pronto, já que amanhã seria um dia longo e bastante cansativo. A reunião com os Holandeses poderia demorar horas, já que os mesmos estavam dificultando um pouco as coisas para mim. Eu só queria ter um momento a sós com Sakura, para quem sabe passear pela cidade e mostrar os encantos desse país.

Senti o cheiro de comida invadir o meu quarto e percebi que por mais que eu e Sakura tenhamos comido algo pelo aeroporto, ainda estava com fome. Passei pelo quarto dela e vi que a mesma não se encontrava mais ali, talvez ela estivesse me esperando na cozinha, junto de Roza. Encontrei as duas batendo um bom papo sobre comidas Holandesas. Encostei meu corpo no batente da porta e fiquei admirando a minha mais nova namorada. Seus cabelos antes curtos, agora estavam compridos e a cor rosa do mesmo me encantava. Sakura era perfeita demais.

— Vejo que fez uma nova amiga, Roza — falei.

— Sasuke, onde você achou essa preciosidade? — Roza colocou uma travessa de vidro em cima do balcão — Ela é um amor.

Sakura me olhou com o rosto corado. Ela usava uma roupa simples, assim como eu. Sua calça jeans marcava suas curvas e a blusa de frio preta com gola alta realçava os seus olhos verdes.

— Nossa! — ela me encarou fascinada — Sua vestimenta sempre me impressiona.

— O que tem de errado? — perguntei me avaliando.

— É estranho te ver tão informal. — ela se aproximou como se quisesse me avaliar melhor. — Eu tenho que me lembrar de respirar toda vez que te vejo. — eu ri.

— Você que sempre tira o meu fôlego, Sakura. — estiquei a mão e ela a pegou prontamente — Então meu amor, preparada para comer uma comida típica da Holanda?

— Com toda certeza.

Roza havia preparado um Stamppot*. Era um prato de inverno com verduras, batatas e carne em forma de ensopado. Ela acrescentou couve, repolho, cebola e cenoura com pedaços de bacon. É claro que Sakura amou o prato e ficou batendo um longo papo com Roza sobre como ela havia preparado o mesmo.

Eu havia implorado a Roza para que ela se juntasse a nós dois no jantar, mas ela se recusou e depois que havia explicado parte por parte para Sakura de como fazer o "ensopado", nos deixou desfrutar a presença um do outro a sós.

Sorri assim que Sakura colocou a primeira colherada na boca. Ela fez uma cara de satisfação que me fez imaginar muitas coisas pervertidas. Queria muito descobrir as caras e bocas que ela fazia quando estava na cama. Tentei parar de pensar nisso e recebi um olhar dela um tanto quanto confuso. Ela com certeza gostaria de saber o que eu estava pensando.

Sakura depositou a colher com cuidado ao lado do prato vazio e me encarou.

— Está pensando em quê? — ela me perguntou com os olhos brilhando.

— Quer assistir a um filme? — respondi com outra pergunta. Sakura estreitou os olhos na minha direção e um leve sorriso se formou em seus lábios carnudos.

— Eu adoraria — respondeu com uma voz sedutora. Aquela mulher estava acabando com a minha sanidade mental.

Nós nos dirigimos até uma sala de cinema. Sim, meu pai tinha planejado uma pequena sala de cinema para nos entreter quando éramos criança. Meus irmãos amavam passar o tempo aqui vendo filmes, séries e desenhos. Tudo estava do mesmo jeito que antes. As poltronas de couro preto ficavam enfileiradas uma ao lado da outra, em um total de oito. O chão acarpetado em preto deixava tudo mais acolhedor e com um ar de cinema profissional mesmo. Sakura olhava para o ambiente maravilhada. Ela levou a mão a boca assim que o telão começou a deslizar para baixo.

— Isso é maravilhoso! — ela me encarou com os olhos arregalados e brilhosos — Imagina ver crepúsculo aqui! — eu não me aguentei e gargalhei. Claro que ela gostaria de ver o seu filme favorito ali. Eu faria qualquer coisa por ela, inclusive assistir aqueles filmes de novo. Eu sabia que minha irmã Misayo tinha os rolos do filme, olhei para trás, onde o retroprojetor ficava e vi Gustavo me encarando. Fiz um sinal para ele e o mesmo acenou, me informando que havia entendido o pedido.

Sentamos um ao lado do outro. Sakura segurou a minha mão com carinho e antes mesmo do filme chegar na metade ela já estava dormindo. Peguei ela no colo com cuidado e fui caminhando até chegar em seu quarto. Meu celular vibrava no bolso sem parar, mas eu não queria tirar os olhos dela. A coloquei deitada de lado e tirei uma mecha do cabelo de seu rosto. Me afastei com cuidado para não despertá-la e fui até o corredor.

Assim que peguei o celular notei várias mensagens de Naruto.

"Cara, já chegou? — Naruto"

"Como foi a viagem? — Naruto"

"O tempo está bom ai? — Naruto"

"Use camisinha! — Naruto"

Revirei os olhos e disquei o número do meu amigo. Ele atendeu no segundo toque.

— Fala meu irmão — a voz de Naruto soou alta do outro lado da linha e eu tive que me afastar um pouco do celular.

— Não precisa gritar.

— Foi mal — dessa vez ele diminuiu o tom de voz e percebi a seriedade em sua voz — Tenho que te deixar informado de algumas coisas que aconteceram por aqui.

— Conte-me.

— Peguei a Karin vasculhando as coisas da Sakura.

— O quê?

— É isso mesmo, irmão. — ele suspirou. Parecia estar cansado. — Ela estava sentada na mesa de Sakura e tentava entrar no computador dela. Quando eu indaguei o que ela estava fazendo ali, ela simplesmente me disse que queria saber algumas coisas sobre um processo antigo. — Naruto diminuiu o tom de voz, como se quisesse esconder aquele assunto de alguém — Eu não contei nada para a Ino porque não quero nenhum tipo de problema — ele justificou o motivo de falar baixo — Achei muito estranho a Karin vasculhar o computador da Sakura só por causa de um processo antigo, muito suspeito.

— Você tem razão.

— E não para por ai — ele tornou a falar baixo.

— O que mais ela fez?

— Eu achei tão estranho que fui checar as câmeras de segurança, porque ela chegou mais cedo do que eu no escritório, poderia ter feito outra coisa, ou quem sabe já tinha conseguido o que ela queria, não é mesmo? — ele deu uma pausa e tornou a falar — Quando entrei na sala do senhor Guto, vi pelas câmeras que ela tentou entrar na sua sala, na minha e na da Ino. Depois sentou na cadeira da Sakura e tentou a todo custo entrar no computador, o problema é que tem senha. Sakura realmente é muito inteligente e colocou senha nos arquivos dela.

— Entendo…

— Fui confrontar ela depois que vi o vídeo e ela me disse que queria saber sobre a sua agenda.

— Minha agenda?

— Sim!

— O que ela quer com a minha agenda?

— Não sei, irmão. Eu até perguntei o que ela queria, talvez eu pudesse ajudar, mas ela não me disse. Falou que teria que ser com você.

— Que estranho.

— Sim. Eu disse para ela te ligar então, já que era tão importante assim. Foi ai que tudo ficou mais estranho ainda. Ela disse que queria a sua agenda justamente para poder saber em qual horário ela poderia te ligar, pois não queria te atrapalhar.

— Isso está muito estranho.

— Está sim. — ele suspirou e eu o imitei — De qualquer forma, ela não vai ter acesso à sua agenda, pois esta comigo e eu pedi para a Temari ficar de olho nela.

— Ótimo! Não vamos deixar ela descobrir sabe-se lá o quê.

— Qualquer novidade eu te aviso, irmão.

— Ok. Obrigado.

— E como vão as coisas por ai? — ele me perguntou com um misto de diversão.

— Está tudo indo muito bem. — declarei.

— Hum… Mas o quê?

— Deixa de ser fofoqueiro!

— Use camisinha! — falou antes de desligar o telefone.

— Quem era? — a voz de Sakura me trouxe de volta a realidade.

— Eu te acordei? — fui de encontro a ela. Ela estava sentada na cama e prendia os cabelos no alto da cabeça em um coque despojado. Um coque que me deixava louco.

— Não meu amor. — ela falou docemente. — Eu senti falta do seu corpo colado ao meu.

— Está me provocando, Sakura? — ela riu.

— Não — mentiu. — Quem era? — tornou a perguntar, mudando de assunto.

— Naruto.

— Está tudo bem com a Ino?

— Está sim — a tranquilizei. Sentei-me ao seu lado na cama. Seu cheiro doce estava me deixando inebriado — Ele só me falou sobre a Karin.

— O que houve? — seu tom de voz ficou sério. — Ela fez alguma coisa?

— Ela queria a minha agenda — achei melhor não comentar tudo e a deixar preocupada. — Coisas sobre um processo, ai queria saber o melhor horário para falar comigo.

— Hum… Que estranho.

— É. Bom, acho que devo deixar você dormir.

— Não! — ela segurou o meu braço — Eu perdi o sono.

— Confesso que apesar de estar cansado, não estou com sono. — objetei.

— Me sinto da mesma forma. — seu olhar se desviou do meu e pousaram em suas mãos.

— O que houve?

— Tenho algo para te contar, mas não sei se devo quebrar o clima entre nos dois com assuntos escrotos.

— Nada nesse mundo pode quebrar o clima que surge entre eu e você. A nossa química é bem palpável. — falei com um sorriso dúbio nos lábios — Me fala, que assunto escroto é esse?

— Encontrei com o Kakashi.

— Você o quê? — ficou nítido a minha surpresa.

— Ele surgiu do nada em frente ao salão onde costumo fazer meu cabelo e minhas unhas. Ele foi deixar a irmã lá. Coisa rápida sabe?

— E ai?

— Ele me pediu desculpas pelo outro dia e eu fiquei quieta, apenas encarando ele fazer um monólogo.

— Babaca — deixei escapar — Enfim, essa cara não pode chegar perto de você meu amor. Você tem uma medida de proteção, esqueceu? 100 metros, lembra?

— Eu sei meu amor. — era estranho pensar na forma como ela me chamou de amor em um momento sério? — foi um encontro ao acaso, eu não sabia que ele estaria lá.

— Ele não encostou em você, né?

— Não meu amor. — ela respondeu depois franziu o cenho — Se bem que… — ela cruzou os braços e ficou com um ar pensativo.

— O quê?

— Eu não me liguei na hora, mas ele pode ter falado algo que parece uma ameaça.

— O que ele disse? — respirei profundamente tentando controlar a raiva que crescia dentro de mim.

— Seja feliz enquanto estiver com ele — não era uma ameaça direta à Sakura e sim a nós dois — Não sei se pode ser considerado uma ameaça, mas pensando no tom de voz dele e na forma como as coisas aconteceram…

— Foi uma ameaça.

— Talvez seja exagero meu, amor.

— Sakura, tu deveria ter me dito isso antes de viajarmos. Ele vai ficar te ameaçando até quando?

— Calma, Sasuke.

— Não! Não tem que ter calma com um babaca desses! — falei irritado — Temos que agir meu amor. É assim que começa. Quanto tempo ele vai levar até cumprir a promessa dele? — aquilo deixou Sakura com a boca aberta assustada. Comecei a me sentir mal por ter sido duro com ela, mas não podia deixar nada de ruim acontecer a ela. Não permitiria que a mulher que eu amava se tornasse uma estatística. — Me desculpe ter sido estúpido agora, não queria gritar com você — a puxei para os meus braços. — Eu tenho medo que algo aconteça contigo. Não vou aguentar perder você também.

— Tudo bem meu amor — ela segurou firme a minha blusa e afundou o rosto na curvatura do meu pescoço. — Eu tenho você, nada de ruim vai me acontecer. — então ela se afastou e me olhou com uma cara de que havia se lebrado de algo — tem mais uma coisa.

— O que?

— Kurenai sabia o seu nome.

— Quem é Kurenai?

— Irmã do Kakashi. — ela me esclareceu — Como ela sabia o seu nome?

— Eu sou seu advogado, lembra? — falei — Fora os eventos que comparecemos juntos. Não deve ter sido difícil descobrir o meu nome.

— Verdade, você tem razão.

— Contudo, vamos ficar de olho nesses dois — Sakura suspirou e tornou e colocar a cabeça no meu peito — Esquece isso, tá? Você está comigo.

Deitamos um do lado do outro e quando dei por mim havia adormecido. Acordei com os seus de Sakura encostados no meu rosto. Eu não imaginava que ela se mexesse tanto na cama. Tive que me controlar para não agarrá-la ali mesmo. Seu sono era tão tranquilo e pesado que ao me levantar ela nem ao menos acordou.

Tomei um banho e aliviei o tesão que Sakura me proporcionava. Eu preferia tocar o corpo dela, mas não podia fazer nada precipitado. A água quente me ajudou a aliviar a tensão na musculatura e bater uma para Sakura me proporcionou relaxar um pouco. Sai do meu quarto agradecendo os raios de sol que iluminavam o piso de madeira. O dia não seria tão frio, o que de certa forma era bastante agradável. Coloquei um jeans e uma blusa polo. Estava gostando de escolher roupas aleatórias para impressionar Sakura.

Passei pelo seu quarto e ela não estava mais lá. Desci as escadas e encontrei ela sentada próxima ao balcão conversando com Roza. Resolvi não atrapalhar as duas, elas conversavam animadamente. Aproveitei para fazer algumas ligações e colocar o trabalho em dia. O escritório do meu pai continuava o mesmo e as fotos de nossa família espalhadas pela estante me deixaram nostálgico. Ignorei as lembranças e comecei o trabalho. Liguei para os Holandeses, fiquei duas horas com eles no telefone até conseguir marcar um encontro para o dia seguinte, depois resolvi problemas referentes a casa, como pagamentos de funcionários.

Roza veio duas vezes perguntar se eu queria algo para comer, mas a dispensei. Ela não gostava nada de me ver afundado no trabalho daquele jeito. Sempre me dizia que eu parecia muito com o meu pai e que deveria ser um pouco mais descontraído como Itachi.

Recebi várias ligações de clientes do meu pai que moravam na Holanda querendo saber sobre o velho e se ele estava no país, assinei alguns documentos da Uchiha's e quando meu celular despertou mostrando ser meio dia, fiquei impressionado por estar ali desde as oito da manhã.

A gente trabalha muito mais em casa do que no escritório, disso eu tinha certeza. Fechei o notebook e fui atrás de Sakura. Ela estava conversando com Roza em um inglês perfeito.

— Sasuke não sai daquele escritório — ela bufou.

— Sabe como ele é. — Roza falou conforme mexia em alguma coisa no fogão. — Fui lá oferecer café para ele, mas ele não quis, assim como a senhora.

— Senhora não. — Sakura falou horrorizada. — Eu só tenho vinte e quatro anos. — Roza riu — Você o conhece bem, né?

— Como a palma da minha mão.

— Ele devia ser lindo quando criança.

— Ele era sim. Ainda é. — Sakura riu — Sempre foi esperto e bagunceiro. Colocava a culpa no Itachi por ser mais velho e a dona Mikoto ficava doida com eles dois, ai veio a Misayo e as coisas ficaram mais tranquilas. Sasuke já era mais velho um pouco e Itachi um adolescente. Os dois ajudaram a mãe a cuidar da irmã, já que o Senhor Fugaku passava a maior parte do tempo no escritório.

— Sasuke fala pouco de Misayo.

— Ele era doido por ela. Os dois, na realidade. Eles viviam babando a irmã mais nova. Tinham um ciúme dela. Ele era dez anos mais velho do que ela e Itachi cinco anos mais velho que Sasuke. Então, apesar de Itachi amar muito Misayo e babar a irmã, ele estava em uma fase que era curtição e Sasuke não. Os dois tinham um vínculo muito forte. Misayo morreu muito nova. Ela só tinha oito anos. Foi uma fatalidade horrível.

— É muito triste que as coisas tenham acontecido dessa forma. — Sakura falou baixinho.

— Sasuke se culpa pela morte da irmã.

— Eu sei, só não compreendo o porquê.

— Foi uma retaliação. Por isso ele se sente culpado — Roza falaria a verdade para Sakura, eu precisava interromper, já que eu deveria contar para ela pessoalmente.

— Por que retaliação? — perguntou curiosa.

— Foi por conta de um caso…

— Roza — aparecia diante das duas e Sakura me olhou com um sorriso tímido nos lábios. — Estou com fome agora. — falei me aproximando delas. — Os Holandeses acabaram comigo. — Sakura riu.

— Senti a sua falta hoje pela manhã — Sakura me beijou — Achei que tudo fosse um sonho quando acordei e não te vi ao meu lado.

— Foi tudo muito real. Me desculpe, eu acabei organizando as coisas para a reunião de amanhã. Não queria te acordar.

— Temos que pegar um relatório que… — eu a beijei.

— Não temos, não — olhei meu relógio — Está na hora do almoço, então vamos aproveitar esse maravilhoso banquete que Roza fez para nós dois.