Naruto, obviamente não me pertence.

"Não sei o que os caminhos da vida nos reservam, mas tenho certeza que para onde quer que vá levarei você no meu coração".


Capítulo 27 – Claire de Lune.

Depois do almoço, nos trancamos no escritório e trabalhamos muito até de noite. Eu gostava de como estávamos fazendo isso funcionar. Sakura e eu sabíamos muito bem separar namoro e trabalho, e depois de um tempo eu quase esqueci que estávamos juntos. Quase.

Depois que encerramos o nosso trabalho, a convidei para jantar fora. Ela obviamente aceitou, já que estava esperando uma oportunidade para sair de casa e conhecer Holanda. Infelizmente, seria a noite, mas estava pensando em compensá-la no dia seguinte depois da reunião com os Holandeses.

Reservei uma mesa para nós dois em um restaurante tradicional e bastante aconchegante no centro de Amsterdam. Sakura olhava a paisagem animada conforme adentrávamos mais aquela magnífica cidade iluminada pelas estrelas e a lua. Eu tinha prometido a Sakura um jantar em um dos meus lugares preferidos e com isso, me sentia ansioso para saber o que ela acharia.

— Esse lugar é lindo! — ela olhava as construções com a oca ligeiramente aberta.

— É sim.

— Eu estou ficando doida ou praticamente todas as placas de ruas daqui tem palavras de vogais dobradas?

— Gostaria de saber, por que você está olhando para as placas? Tem tanta coisa para ver!

— Ah… — ela ficou vermelha.

— Você é mesmo surpreendente, Sakura. — falei sem tirar os olhos da estrada — Sim, você não está louca. As placas têm as vogais dobradas.

— É tão diferente. — ela continuava a absorver cada detalhe que lhe era possível.

— O que pretende fazer amanhã pela manhã? — perguntei.

— Não sei. — ela voltou sua atenção para mim — Não sei se meu chefe estará com a agenda livre pela manhã. Quem sabe eu não roube uma blusa de frio do meu namorado e vá até aquela linda sala de cinema e veja crepúsculo.

— Sem chances disso acontecer.

— Eu devolveria a blusa depois!

— Você pode pegar o que quiser do meu guarda-roupa. Mas devo lhe avisar que a grande maioria são ternos.

Ela bufou controlando o riso.

— Prefiro deixar os ternos para você. Mas por que perguntou sobre os meus planos?

— De tarde nós temos um almoço com os holandeses, mas pela manhã seu namorado tem algo em mente. — ela sorriu e tornou a olhar pela janela. Sakura não disse nada, apenas ficou observando silenciosamente as ruas até chegarmos no nosso destino. — Não vai perguntar quais são os meus planos? — indaguei. Sakura sempre tinha o que falar, achava estranho ela se manter em silêncio.

— Não. As vezes as mulheres gostam de ser surpreendidas — eu sorri. Se ela queria assim, então por mim tudo bem.

Chegamos no restaurante onde éramos aguardados. Sakura se impressionou com a arquitetura do lugar. Era antigo, o piso de madeira escura refletia a luz das lamparinas fixas nas paredes. A penumbra deixava o clima acolhedor e aconchegante. Uma mulher de idade com os seus cabelos brancos presos em um coque bem no alto da cabeça estava sentada perto da lareira tocando majestosamente um piano. A melodia "Claire de Lune" de Debussy preenchia o ambiente dando uma sensação de paz.

— Crepúsculo — Sakura deixou escapar assim que percebeu qual era a música sendo tocada. — Não acredito.

— Nem eu — disse divertido. Apesar de não ser fã dos filmes, tenho que admitir que a trilha sonora é bastante satisfatória.

Nós nos sentamos à mesa e rapidamente uma bela mulher veio nos atender. A noite foi tranquila e a comida estava maravilhosa. Sakura ficou muito feliz com a escolha do lugar e eu me senti mais relaxado. Conversamos bastante sobre tudo que ela gostava e eu acabei me abrindo um pouco mais. Ela perguntou sobre a minha cor favorita, até signo e que tipo de coisa eu odiava comer.

Me senti um adolescente namorando pela primeira vez. Minha mão estava por cima da mesa segurando firme a dela conforme ela falava sobre o curso de medicina que ela havia deixado trancado no Rio de Janeiro. Eu estava apaixonado por ela. Cada palavra que saía de sua boca fazia o meu coração bater mais rápido contra o peito. Eu achava que não dava para me apaixonar mais, porém estava devidamente engando.

A luz do arranjo de velas que estava em cima de nossa mesa refletia nos olhos verdes esmeraldas dela e o brilho em seu olhar deixava o meu coração aquecido. Eu queria mergulhar para sempre naquela magnitude misteriosa e acolhedora. Os deuses estavam sendo bons comigo. Eu não merecia aquela felicidade, mas lá estava ela, sorrindo para mim. Me convidado a todo momento a ter aquilo que eu sempre quis, uma família.

— Estou te entediando? — ela me perguntou com um leve arquear de sobrancelha.

— De forma alguma — falei sem tirar os olhos dos dela — Eu apenas estou admirando a minha namorada — ela riu e corou.

Mesmo a contragosto, a convidei para dançar. Ela aceitou depois de muita insistência da minha parte. Tê-las em meus braços era reconfortante. Sakura fazia a tristeza que assolava o meu coração ir embora, como se ela nunca estivesse lá. O cheiro de lavanda dos seus cabelos me fazia pensar nos campos verdejantes iluminados pelo sol da primavera. Beijei os seus cabelos abraçando-a mais firme contra os meus braços.

O fim do jantar se deu alguns minutos depois. O celular de Sakura não parava de tocar e aquilo começava a me incomodar. Parei o carro no acostamento e fiquei observando ela passar os olhos pela tela do celular.

— O que houve? Seu celular não para de tocar.

— É a Ino. — ela deu de ombros guardando o mesmo na bolsa. — Depois eu falo com ela.

— Tem certeza? Pode ser algo importante.

— Sim. — ela sorriu — É por isso que não quero atender agora. A noite está tão linda. Não quero que esse momento entre nós dois acabe — sorri segurando as mãos dela.

— Vai ficar tudo bem. Se ela ligar de novo, atenda.

— Ok.

Quando chegamos em casa resolvi ligar para Naruto, já que Ino não voltou a ligar. Sakura estava na cozinha bebendo um copo de água quando Naruto atendeu a minha ligação.

— Fala cara — disse ele — Por que tu não atendeu as minhas ligações? Estava em alguma reunião?

— Estava desfrutando de um jantar maravilhoso com Sakura.

— Foi mal. Só que é algo importante.

— O que aconteceu? Ino ligou várias vezes para Sakura.

— Pois é. Ela está muito nervosa, eu não queria que ela falasse com a Sakura.

— Naruto, o que houve?

— Invadiram o apartamento delas.

— Como é que é?

— O que houve? — Sakura perguntou ao meu lado. Ela segurava firme um copo de água.

— Foi um assalto. Ino não quer dormir lá, então nós voltamos para pegar algumas roupas dela e ela passar um tempo na minha casa.

— Como aconteceu? — perguntei evitando o olhar atento de Sakura.

— Ela voltou do trabalho e encontrou o apartamento rodo revirado. Polícia para todos os lados, os moradores fora do prédio. Acertaram a cabeça do porteiro, mas as câmeras de segurança não conseguiram pegar nada, os assaltantes usavam aquelas tocas ninjas cobrindo o rosto. Foi um assalto bem estranho.

— Por que?

— Porque só roubaram o apartamento delas. Pelas câmeras, fica claro que eles sabiam onde tinham que ir.

— Quantos?

— Três.

— Levaram muita coisa?

— Levou o quê? — Sakura perguntou.

— Só entraram no quarto da Sakura, não mexeram em mais nada. Levaram um celular velho dela e o notebook. Ino acha que não foi um assalto qualquer. Acha que foi de caso pensado.

— Sasuke, você está com uma cara bem estranha. Quer me falar o que está acontecendo? — Sakura disse.

— Só um momento meu amor, eu já vou te contar. — disse a ela — Mas por que ela acha isso, Naruto?

— Ino tem muitas joias. Herança da mãe dela e não levaram nada. Além de ter mais coisas de valor no apartamento. Apesar do apartamento está todo revirado, Ino só deu falta desses dois objetos. Estamos aqui arrumando tudo antes de irmos para minha casa.

— O que a polícia disse?

— Que vão tentar localizar os meliantes. Vão tentar rastrear o celular da Sakura, mas você sabe como são essas coisas. Vai demorar muito tempo para encontrarem.

— Se encontrarem.

— Pois é. Pera ai cara — pausa v Você quer falar com ele? — ele perguntou para alguém do outro lado da linha. — Vou passar para Ino.

— Oi Sasuke. Posso falar com a Sakura? — Ino estava bem nervosa.

— Não. Me explica primeiro a sua teoria.

— Foi a Karin.

— Como sabe?

— Intuição.

— Não trabalhamos com intuição, Dra. Yamanaka.

— Deixa eu falar com ela — pediu Sakura.

— Calma meu amor.

— Meu amor? — Ino disse — Que papo é esse?

— Longa história. Sakura te conta depois.

— Não! Eu quero saber agora. Estão juntos?

— Sim, estamos.

— Sasuke — Sakura chamou minha atenção me lançando um olhar assassino — Me deixa falar com a Ino. Coloca pelo menos o telefone no viva voz, por favor. — eu não tive alternativa se não obedecer.

— Ino?

— Sua vaca, Você finalmente ficou com o Sasuke e não me contou! Sou sua amiga! Como tu pode me trair?

— Eu tentei te ligar ontem a noite, mas você não me atendeu. — Sakura se defendeu.

— Ah… Foi um dia bem complicado. Depois eu te conto tudo.

— Você está bem?

— Nos assaltaram.

— O quê? — Sakura olhou para mim com os olhos arregalados. — Como assim nos assaltaram? Explica isso direito.

— Na verdade te assaltaram. Entraram no nosso apê e levaram aquele seu celular velho e seu notebook.

— Sério? — a testa de Sakura franziu e um olhar incrédulo tomou conta de seu rosto.

— Sim. Estava falando com o Sasuke que acho que foi a Karin.

— Por que?

— Intuição.

— Ela nunca falha… — ponderou Sakura.

— Mas é insuficiente para acusar qualquer pessoa — falei.

— Mas não é só isso. Lembra que o Naruto disse que ouviu ela falar com sei lá quem que aconteceria alguma coisa enquanto vocês estivessem viajando?

— O que é que têm? — Sakura perguntou, mas eu já sabia o que Ino diria.

— É o assalto. Só pode ser isso.

— Não. — Sakura disse com convicção — Ela é advogada, sabe que isso é crime. E além do mais, o que ela poderia querer com meu computador e meu celular?

— Não sei, mas vou ficar de olho. Ontem eu e o Naruto pegamos ela tentando acessar o seu computador na Uchiha's. — eu já sabia disso, mas Sakura ainda não estava a par dos últimos acontecimentos.

— Ele tem senha.

— Pois é, ela não conseguiu entrar. Mas ai o Naruto deu uma olhada nas câmeras de segurança e viu que ela tentou entrar na sala do Sasuke também. Seja lá o que ela queria, não conseguiu e resolver invadir a nossa casa.

— Acho muito precipitado acusar ela assim, Ino. — falei — Vamos aguardar as investigações da polícia. Se for a Karin, eles vão saber e tomar as devidas medidas.

— Mesmo assim ficarei de olho.

— Tome cuidado e não a deixe perceber — alertei.

— Pode deixar. Estou arrumando as coisas por aqui. Sakura, me liga mais tarde?

— Ligo.

— Então, adeus amiga.